terça-feira, 12 de maio de 2026

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TEMA 6: UAC – Um novo modo de ser Igreja 

O evangelho de Mateus, nos seus últimos versículos, recorda a todos que a missão de Jesus Cristo continua na vida da Igreja e todos os batizados são convocados a anunciar essa boa notícia até os confins do mundo: “Ide e ensinai a todas as nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

São Vicente Pallotti, iluminado por esta mesma Palavra, sentiu a necessidade de convocar os batizados para que, de maneira consciente e organizada, pudessem levar o mais rápido possível essa mensagem às nações e, assim, reavivar a fé e reacender a caridade.  Por isso, em meados de maio de 1835, ele fez um apelo ao povo, dizendo:

“Todos, grandes e pequenos, formados, estudantes, operários, ricos e pobres, padres, leigos, religiosos e seculares, comerciantes e empresários, funcionários, artistas e artesãos, comunidades e indivíduos, cada qual no seu próprio estado, na própria condição, de acordo com os próprios dons, podem dedicar-se às obras do Apostolado Católico para reavivar a fé, reacender a caridade e propagá-las em todo o mundo”.[1]

Esse apelo ao povo foi o primeiro passo dado por ele, para que as pessoas saíssem do seu torpor religioso e começassem a ter um olhar mais amplo e universal. Sendo assim, muitas pessoas tanto do clero quando dos fiéis se entusiasmaram por esta ideia e, desta forma, deram início a uma nova maneira de trabalhar juntos em prol do Reino de Deus, mas de forma organizada. Essa organização, por sua vez, não significa centralizar ações em uma estrutura própria, mas fortalecer a comunhão entre os apóstolos, de modo que cada um, no seu lugar, atue com maior consciência, unidade e espírito de colaboração.

O Papa Francisco, no seu magistério, convocou os cristãos, para que saíssem dos seus ambientes fechados da Igreja, para tornarem-se uma “Igreja em saída”, ou seja, que todos possam ir em direção das pessoas, em suas periferias existenciais, para levar o remédio de Cristo a tantos corações feridos pela falta de amor e acometidos pelo ódio e pela desesperança. Assim, diz o Papa: “hoje, todos somos chamados a esta nova saída missionária. Cada cristão, cada comunidade e sacerdotes devem sair do seu conforto e ter a coragem de chegar a todas as periferias existenciais, que precisam da luz do Evangelho. Esse é o caminho que o Senhor lhe pede, mas cabe a nós aceitar este chamado”.[2]

A força do batismo

Segundo a Lumen Gentium (LG), “todo leigo é chamado a ser testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus, sinal de Deus vivo, diante do mundo”. O número 40 afirma: “Nas diversas profissões e formas de vida, a santidade é sempre a mesma”. O número 33: “Formando o povo de Deus, os leigos constituem um só corpo de Cristo, que é a cabeça. Por vontade do Criador e pela graça recebida do redentor, todos, como membros vivos, são chamados a contribuir com o melhor de suas forças para o crescimento e contínua santificação da Igreja”.[3]

A santa Igreja foi instituída por Deus, com uma grande variedade de categorias e funções (cf. LG 32). Os leigos, homens e mulheres, em virtude da sua condição e missão, têm algo de especial, cujo fundamento deve ser melhor examinado nas circunstâncias particulares do mundo em que vivemos. Os pastores sabem quanto os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Eles sabem que não foram constituídos por Cristo para assumirem sozinhos a missão salvadora da Igreja em relação ao mundo. É sumamente importante que, no exercício da sua função, contem com o apoio dos leigos e com os seus carismas, permitindo que todos colaborem a seu modo na execução do trabalho comum (...). Denominam-se leigos todos os fiéis que não pertencem às ordens sagradas, nem são religiosos reconhecidos pela Igreja. São, pois, os fiéis batizados, incorporados a Cristo, membros do povo de Deus, participantes da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, que tomam parte no cumprimento da missão de todo o povo cristão, na Igreja e no mundo (cf. LG 31).

O cristão precisa ter uma identidade sólida e positiva, para poder testemunhar a sua fé e anunciar Jesus Cristo. A falta de clareza da própria identidade nos faz cair em incoerências, pois nos leva a viver fora da finalidade essencial da nossa vida e nos distancia do nosso verdadeiro valor. Isso, muitas vezes, dificulta uma realização mais profunda da nossa vida e vocação. A origem da nossa identidade cristã está no batismo. Nele, recebemos uma nova identidade, que é a de sermos filhos de Deus. Pelo batismo nos tornamos membros da comunidade eclesial e nos credencia a continuar a missão de Jesus Cristo. Ser cristão é reproduzir, na própria vida, o modo de viver de Jesus, é identificar-se sempre mais com Ele.

Para São Mateus, a identidade e a missão do cristão consistem em: batizar e fazer discípulos (Mt 28,19). Os que foram batizados, em nome de Cristo, foram também enviados em missão (Lc 10,1). Inspirados pelo Espírito Santo, os cristãos realizam numerosas iniciativas apostólicas como manifestação de amor ao próximo, fundado no amor de Deus. Segundo o Papa Bento XVI, na encíclica Deus Caritas Est, o compromisso de fé com Cristo leva à realização da caridade, tanto individualmente como em comunidade. Para ele, a caridade deve ser organizada como pré-requisito, para um serviço ordenado à comunidade. A identidade da Igreja está na caridade. Ela é a sua essência. Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social que se poderia mesmo confiar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência (Deus caritas est, n. 22). A Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário (n. 25b ).

A caridade vai muito além de uma simples assistência humanitária. Ela é um serviço abnegado por motivo de fé: “é servindo ao próximo que os meus olhos se abrirão para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama” (n. 18). Os Santos hauriram a sua capacidade de amar o próximo, de modo sempre renovado, do seu encontro com o Senhor eucarístico e, vice-versa, este encontro ganhou o seu realismo e profundidade, precisamente, no serviço deles aos outros. O amor cresce através do amor. O amor é “divino”, porque vem de Deus e nos une a Deus, e, através deste processo unificador, transforma-nos em um nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja “tudo em todos” (1Cor 15,28).

Segundo São Vicente Pallotti, o amor de Deus é difusivo. Ele irradia nos corações, que, por sua vez, torna-se uma luz que vai se propagando na vivência entre as pessoas. Assim disse Jesus: “Quem me vê, vê o Pai”! Ele é o reflexo do amor do Pai, que ama o Filho, que por sua vez, o filho transborda esse amor na cruz (cf. Rm 5,5). O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever para cada um dos fiéis, mas o é também para a comunidade eclesial inteira, em todos os seus níveis: desde a comunidade local, passando pela Igreja particular, até a Igreja universal na sua globalidade. A Igreja também, enquanto comunidade deve praticar o amor. A consequência disso é que o amor tem necessidade também de organização, enquanto pressuposto para um serviço comunitário ordenado (Deus caritas est, n. 20).

A consciência de tal dever teve relevância constitutiva na Igreja desde os seus inícios: “Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos de acordo com as necessidades de cada um” (At 2, 44-45). Com o passar dos anos e a progressiva difusão da Igreja, a prática da caridade confirmou-se como um dos seus âmbitos essenciais, juntamente com a administração dos Sacramentos e o anúncio da Palavra: praticar o amor para com as viúvas e os órfãos, os presos, os doentes e necessitados de qualquer gênero pertence tanto à sua essência como o serviço dos Sacramentos e o anúncio do Evangelho (Mt 25,34-40). “A Igreja não pode descurar o serviço da caridade, tal como não pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra” (Deus caritas est, n. 22).

O direito de associar-se

As associações representam a forma organizada e mais elaborada do ministério eclesial, para desenvolver a caridade e a piedade, caracterizado pela ação evangelizadora da Igreja e portadores da possibilidade de reunir os vários estados de vida (sacerdotes, religiosos, leigos), por um objetivo comum. As associações não têm seu próprio propósito, mas elas servem a missão que a Igreja deve cumprir no mundo com o testemunho e o espírito evangélico. Assim, D. Denilson Geraldo apresenta em seu artigo sobre a sinodalidade na União:

A UAC, como uma associação pública internacional, é uma pessoa jurídica eclesiástica e não pode ser considerada como Ordem Terceira, de acordo com a norma do cân. 303; nem mesmo uma Federação de diferentes congregações ou sociedades de vida apostólica, de acordo com a norma do cân. 582, porque uma associação não é vida consagrada (cf. can. 298) e não tem o poder de governar sobre os membros das comunidades de fundação, mas uma coordenação das obras que estão sob a pessoa jurídica desta associação, que é a UAC. Desta forma, como afirmado no n. 10 de seu Estatuto, a UAC não interfere nos regulamentos internos das comunidades que fazem parte dela (cf. artigos 34-37 e 40. Apostolato Univesale, n. 47/2018, p. 39).

A UAC, embora reconhecida juridicamente como associação, não se define como um grupo de atuação própria dentro da Igreja. Sua natureza é, antes de tudo, a de uma comunhão apostólica, que une fiéis de diferentes estados de vida no chamado universal ao apostolado, vivido nas realidades em que cada um já está inserido.

O direito de se associar para desenvolver obras apostólicas provém do Batismo e da Confirmação, para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e bem recebida pelas pessoas. O requisito fundamental de uma associação católica é a comunhão com a Igreja e o reconhecimento dos estatutos, nos quais ela determina a finalidade, a localização, o governo, condições exigidas para sua admissão, tendo em conta a necessidade de tempo e lugar com uma indicação clara para inculturação. O nascimento de uma nova associação é sempre uma garantia contra a centralização excessiva que sufoca e inibe a participação (Apostolato Univesale, p. 36).

A compreensão da UAC como associação não deve ser reduzida a uma lógica de grupo ou estrutura de atuação própria, mas entendida como instrumento de comunhão, que favorece a unidade entre os apóstolos, sem substituir ou se sobrepor às demais expressões da Igreja. Ou seja, a UAC, embora seja uma associação reconhecida pela Igreja, não se configura como um grupo ou pastoral com atuação própria. Sua identidade é a de comunhão apostólica, vivida pelos seus membros nas diversas realidades onde já estão inseridos. A sua organização existe para promover unidade e consciência de missão, não para criar uma estrutura paralela na Igreja.

Por isso, o Papa Francisco convoca todos os batizados para uma Igreja em saída, ou seja, uma Igreja onde todos os seus membros são protagonistas no caminho do discipulado. Segundo ele, a reforma da Igreja católica tem que levar em conta que é necessário superar a mentalidade reducionista e clerical que entende os leigos como objetos da ação da hierarquia e como “consumidores” dos sacramentos, bem como criar as condições necessárias, para que os leigos possam viver o seu protagonismo de forma autônoma (Papa Francisco e o laicato, ano nacional do laicato, 2018, p. 26).

A associação, por meio dos seus dispositivos legais, ajuda no diálogo com a cultura e exige lidar adequadamente com as questões sociais do nosso tempo. Esta é a chave para uma visão associativa adequada, porque a realidade é caracterizada por problemas cada vez mais interconectados e que influenciam toda a família humana. Diante disso, é preciso criar novas estratégias que satisfaçam às necessidades do nosso tempo, o valor da vocação cristã e dos diferentes carismas para a evangelização da sociedade e também dialogar com todos aqueles que desejam, sinceramente, o bem do povo e da humanidade. Um sinal de esperança é o fato de que, hoje, as religiões e culturas expressam abertura ao diálogo e a urgência de unir seus esforços para promover a justiça, a fraternidade, a paz e o crescimento da pessoa humana.

O Direito Canônico, cân. 215, acentua que os fiéis têm o direito de estabelecer e dirigir livremente associações que visam à caridade ou à piedade, ou associações que propõem o aumento da vocação cristã no mundo. Têm o direito de realizar reuniões para a concretização comum de tais propósitos. Porque, por meio do batismo, a pessoa é incorporada à Igreja de Cristo, com os deveres e os direitos que lhes são próprios, em comunhão com a Igreja.

O Concílio Vaticano II destacou, de maneira particularmente clara, a “igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo”, em virtude do sacramento do batismo (LG, n. 32). O princípio da igualdade implica que existem alguns direitos e deveres fundamentais comuns a todos os fiéis, que foram enunciados no cânon 208-223. No entanto, o reconhecimento do direito de associação dos batizados foi o resultado de um desenvolvimento gradual, no qual o Concílio Vaticano II foi de fundamental importância, e que só culminou com a completa formalização desse direito dos fiéis, na entrada em vigor do Código de Direito Canônico. Pois, o batismo lhes dá a dignidade de um lar espiritual e de um sacerdócio sagrado. Em virtude do sacerdócio comum dos fiéis[4], eles podem, em união com Cristo e à Igreja, viver uma vida extraordinária, cheia de graça, mesmo em suas circunstâncias mais comuns. Esta é a vida sacramental. Os membros de uma associação ou movimento se esforçam para viver essa vida mais intensamente e de maneira coordenada.

A fonte do apostolado

A fonte de todo apostolado é o amor de Deus, que, em Jesus Cristo, Apóstolo do Pai, impulsiona as pessoas a viverem em perfeita união e a expressarem na vida tudo quanto receberam por meio da fé. O desejo de Deus está escrito no coração do ser humano. Deus não cessa de atraí-lo a si, e, somente em Deus, a pessoa humana encontra a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. O ser humano é chamado a viver em comunhão com Deus. O homem existe porque Deus o criou por amor e, por isso, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador.

A União do Apostolado Católico, uma associação de fiéis, é dom do Espírito Santo, e vive em comunhão, segundo o carisma de São Vicente Pallotti, a serviço da Igreja e do mundo (Estatuto Geral (UAC), n. 1). Esse chamado é um dom gratuito do Pai que, no seu amor infinito e misericordioso, chama as pessoas a seguirem seu Filho, Jesus Cristo, Apóstolo do Eterno Pai, para continuar, no mundo, a Sua Missão salvífica. Como o Pai mandou o Seu Filho ao mundo, assim também os membros da União, impulsionados pelo amor redentor de Cristo, são enviados a:

1.      Reavivar e difundir a fé evangelizando as pessoas e a sociedade em que vivem;

2.      Reacender a caridade;

3.      Viver uma profunda união com Jesus, Apóstolo do Eterno Pai, no desenvolvimento de obras apostólicas, em comunhão com os católicos, os cristãos e as pessoas de boa vontade;

4.      Despertar, no povo de Deus, a consciência da vocação ao apostolado (Est. Geral, n. 12).

A UAC foi reconhecida definitivamente como uma associação pública internacional, no dia 28/10/2008, para que os membros do Povo de Deus pudessem, unidos na missão evangelizadora da Igreja, praticar a caridade de forma associativa. Pallotti acreditava que as iniciativas apostólicas pessoais seriam mais eficazes se fossem realizadas em colaboração e destinadas à tarefa comum da vida e à difusão conjunta do Evangelho. Com efeito, a missão das UAC é de promover o espírito associativo dos batizados e trabalhar pela justiça e pela caridade. Podemos dizer, também, que o trabalho associativo é uma prática verdadeira do princípio da subsidiariedade, baseado na teologia da comunhão e que dá uma sábia descentralização do apostolado caridoso e inculturado na realidade de cada Igreja local, de acordo com o tempo e o lugar (ver Cânon 304); [Denilson Geraldo, p. 37-38].

Quem pode fazer parte da União

Segundo São Vicente Pallotti, todo batizado é chamado por Deus para ser apóstolo do Reino. Para justificar isso, apresentou Maria, a Mãe de Jesus, como mulher apostólica, fazendo muito mais que todos os apóstolos, mesmo sem receber nenhuma ordem sacra. Ela foi sempre obediente à vontade do Pai. O seu “Sim” transformou o mundo, gerou o Salvador que assumiu a nossa humanidade. Maria, pela graça de Deus, tornou-se a Rainha dos Apóstolos.

O ser humano está sempre em busca de algo maior para sua vida. Após a vinda de Pentecostes, as pessoas perguntavam a Pedro, que, pela primeira vez, anunciava o reino destemidamente: “E nós, o que devemos fazer”? Pedro respondia: “Convertam-se e sejam batizadas” (At 2,37-38). Portanto, o batismo já nos inseriu no projeto redentor de Cristo, porém ele convida pessoas para um trabalho específico em sua Igreja, para que sua dedicação seja exclusiva ao serviço do Reino. Todavia, ele suscita no meio do povo pessoas com carismas especiais, para tornar o evangelho sempre atual e, desta forma, responder às necessidades de cada época.

A UAC, desde o tempo de sua fundação, vem mostrando o seu modo próprio de ser e de agir dentro a Igreja, e, até mesmo os seus Estatutos atuais deixam em aberto a possibilidade de todos fazerem parte, em primeiro lugar, os batizados, bem como aqueles que desejam cooperar com a obra apostólica, mesmo não professando a fé católica.

Compromisso apostólico

Com a aprovação dos Estatutos da UAC, a Igreja concedeu aos seus membros o direito de associar-se para que, assim, cada membro, de maneira consciente da sua missão na Igreja, pudesse viver a sua fé de modo mais estreito e associativo. Esta seria a resposta prática para aqueles que fizeram uma caminhada de estudo e que sentiram a necessidade de dar um passo a mais em direção à vivência do seu batismo, não apenas como um membro que coopera com as obras do apostolado, que também tem o seu valor, mas, vivendo, de maneira consciente, o apostolado nas realidades em que já está inserido — seja nas pastorais, movimentos, na vida profissional, familiar e social.

assumindo de maneira consciente os trabalhos que estão à sua disposição na paróquia. Para que pudesse ampliar os trabalhos apostólicos e até mesmo poder dialogar com o mundo e outras realidades, a associação de fiéis permite que se tenha uma identidade própria com um CNPJ, podendo assim assumir direitos e deveres diante da sociedade civil, mas isso não exclui aqueles que apenas desejarem viver o carisma palotino na realidade em que se encontra, fazendo obras de caridade, sem nenhum vínculo formal. Essa prática já acontecia desde o tempo do fundador.

Segundo o D. Denilson Geraldo, em sua live do dia 22/09/2021[5], ao falar da Associação internacional de fiéis, deixou bem claro que as pastorais estão ligadas aos párocos e as associações estão ligadas ao Bispo. Ela tem uma estrutura jurídica com um Estatuto. O estatuto dá estabilidade apostólica no tempo, sendo reconhecida civilmente. Com isso, ela pode dialogar com a cultura e isso perdura no tempo e é necessário ter uma espiritualidade das necessidades reais que as pessoas têm. Segundo ele, a caridade deve ser realizada comunitariamente e organizada em associações, não apenas como pastoral, mas como uma associação que tem uma autonomia jurídica e administrativa, mas, sempre em comunhão com a Igreja, pelo reconhecimento dos estatutos feito pelo Bispo diocesano. Isso demonstra a maturidade de um grupo de cristãos, ou seja, dando um passo além do que se faz nas paróquias. 

Pallotti queria esse tipo de maturidade para os leigos, que eles fossem maduros na fé e que trabalhassem com leigos que tivessem uma ousadia de criar uma associação, de criar recursos para o apostolado e, assim, dialogar com a cultura, inseridos na sociedade onde vivem. A UAC, felizmente, conseguiu esse patamar, de ser uma associação pública internacional de fiéis, com suas coordenações locais, nacionais e internacional. A finalidade do Conselho é promover a unidade, articular a comunhão e favorecer a consciência apostólica entre os membros da UAC, estimulando o apostolado nas diversas realidades onde já atuam.

Os colaboradores

Desde o início da fundação, Pallotti contava com inúmeras pessoas que colaboravam com a sua obra. O atual Estatuto, também dedica três números sobre eles, a saber: 30, 53 e 57, que trata não dos membros efetivos, mas daqueles simpáticos ao carisma, porém, sem ter feito a caminhada prevista para o empenho apostólico. Essas pessoas se sentem muito felizes em dar a sua colaboração, quer seja pelas orações ou, então, como benfeitoras dos seminários, sentem alegres por cooperarem com a Missão de Cristo na União, com o seu trabalho, sua doação ou oração.

Para concluir, podemos dizer que nos Estatutos da União constam quem pode participar das suas iniciativas, como colaboradores:

1.      os cristãos (cf. art. 53-54);

2.      os crentes de outras religiões (cf. art. 55);

3.      outras pessoas de boa vontade (cf. art. 56).

No número 53 lemos: “Os fiéis católicos que, mesmo não assumindo particulares empenhos na União, desejarem de qualquer modo partilhar do seu espírito e participar de suas iniciativas, podem tornar-se seus colaboradores”. No número 57 encontramos: “As modalidades de todo tipo de colaboração são estabelecidas pelo regulamento do Conselho Nacional de Coordenação (cf. art. 71i).

Sendo assim, podemos dizer que o TODOS, no apelo de maio, continua tendo o mesmo valor ainda hoje, porém, com o Estatuto, podemos tornar visível a comunhão apostólica vivida pelos seus membros e, assim, fazermos coisas ainda mais ousadas, graças ao Estatuto e ao reconhecimento público na Igreja e na sociedade civil.

 

Para refletir

1.      O que você entendeu por Associação de fiéis?

2.      Segundo o texto, qual é a importância do Estatuto para uma associação?

3.      Para você, como deveria ser a evangelização da Igreja?



[1] Na sexta-feira, 9 de janeiro de 1835, após a Santa Missa celebrada no mosteiro Regina Coeli, Vicente Pallotti se sentiu chamado a instituir a obra do Apostolado Católico, para alcançar os seguintes objetivos: 1. Difundir a fé entre os não crentes; 2. Reavivar a fé nos católicos; 3. Exercer trabalhos de caridade”, mas, em maio do mesmo ano, ele, juntamente com os seus colaboradores, divulgou o “Apelo ao povo” (OO CC X, 196-201).

[2] Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco, 2013, n. 20.

[3] VATICANO II, Mensagens, discursos, documentos, Paulinas: São Paulo, 1998, p. 185, n. 38.

[4] O conceito de sacerdócio comum dos fiéis é um dos pilares da eclesiologia católica contemporânea, especialmente fortalecido após o Concílio Vaticano II. Ele se baseia na ideia de que, pelo Batismo, todo cristão é incorporado a Cristo e passa a participar de sua missão como profeta, rei e sacerdote. Sacerdote: Oferecer a própria vida e as atividades diárias como sacrifício espiritual a Deus. Profeta: Anunciar o Evangelho por palavras e pelo exemplo de vida. Rei: Servir ao próximo e ajudar a ordenar o mundo segundo os valores cristãos.

 

[5] Acesso a live, dia 22/09/2021, https://www.youtube.com/watch?v=Qr-Kyd6y_J8