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TEMA 6: UAC – Um novo modo de ser Igreja
O
evangelho de Mateus, nos seus últimos versículos, recorda a todos que a missão
de Jesus Cristo continua na vida da Igreja e todos os batizados são convocados
a anunciar essa boa notícia até os confins do mundo: “Ide e ensinai a todas as
nações, batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
São
Vicente Pallotti, iluminado por esta mesma Palavra, sentiu a necessidade de
convocar os batizados para que, de maneira consciente e organizada, pudessem
levar o mais rápido possível essa mensagem às nações e, assim, reavivar a fé e
reacender a caridade. Por isso, em
meados de maio de 1835, ele fez um apelo ao povo, dizendo:
“Todos, grandes e
pequenos, formados, estudantes, operários, ricos e pobres, padres, leigos,
religiosos e seculares, comerciantes e empresários, funcionários, artistas e
artesãos, comunidades e indivíduos, cada qual no seu próprio estado, na própria
condição, de acordo com os próprios dons, podem dedicar-se às obras do
Apostolado Católico para reavivar a fé, reacender a caridade e propagá-las em
todo o mundo”.[1]
Esse
apelo ao povo foi o primeiro passo dado por ele, para que as pessoas saíssem do
seu torpor religioso e começassem a ter um olhar mais amplo e universal. Sendo
assim, muitas pessoas tanto do clero quando dos fiéis se entusiasmaram por esta
ideia e, desta forma, deram início a uma nova maneira de trabalhar juntos em
prol do Reino de Deus, mas de forma organizada. Essa organização, por sua vez,
não significa centralizar ações em uma estrutura própria, mas fortalecer a
comunhão entre os apóstolos, de modo que cada um, no seu lugar, atue com maior
consciência, unidade e espírito de colaboração.
O
Papa Francisco, no seu magistério, convocou os cristãos, para que saíssem dos
seus ambientes fechados da Igreja, para tornarem-se uma “Igreja em saída”, ou
seja, que todos possam ir em direção das pessoas, em suas periferias
existenciais, para levar o remédio de Cristo a tantos corações feridos pela
falta de amor e acometidos pelo ódio e pela desesperança. Assim, diz o Papa:
“hoje, todos somos chamados a esta nova saída missionária. Cada cristão, cada
comunidade e sacerdotes devem sair do seu conforto e ter a coragem de chegar a
todas as periferias existenciais, que precisam da luz do Evangelho. Esse é o
caminho que o Senhor lhe pede, mas cabe a nós aceitar este chamado”.[2]
A
força do batismo
Segundo
a Lumen Gentium (LG), “todo leigo é
chamado a ser testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus, sinal de
Deus vivo, diante do mundo”. O número 40 afirma: “Nas diversas profissões e
formas de vida, a santidade é sempre a mesma”. O número 33: “Formando o povo de
Deus, os leigos constituem um só corpo de Cristo, que é a cabeça. Por vontade
do Criador e pela graça recebida do redentor, todos, como membros vivos, são
chamados a contribuir com o melhor de suas forças para o crescimento e contínua
santificação da Igreja”.[3]
A
santa Igreja foi instituída por Deus, com uma grande variedade de categorias e
funções (cf. LG 32). Os leigos, homens e mulheres, em virtude da sua condição e
missão, têm algo de especial, cujo fundamento deve ser melhor examinado nas
circunstâncias particulares do mundo em que vivemos. Os pastores sabem quanto
os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Eles sabem que não foram
constituídos por Cristo para assumirem sozinhos a missão salvadora da Igreja em
relação ao mundo. É sumamente importante que, no exercício da sua função,
contem com o apoio dos leigos e com os seus carismas, permitindo que todos
colaborem a seu modo na execução do trabalho comum (...). Denominam-se leigos
todos os fiéis que não pertencem às ordens sagradas, nem são religiosos
reconhecidos pela Igreja. São, pois, os fiéis batizados, incorporados a Cristo,
membros do povo de Deus, participantes da função sacerdotal, profética e régia
de Cristo, que tomam parte no cumprimento da missão de todo o povo cristão, na
Igreja e no mundo (cf. LG 31).
O
cristão precisa ter uma identidade sólida e positiva, para poder testemunhar a
sua fé e anunciar Jesus Cristo. A falta de clareza da própria identidade nos
faz cair em incoerências, pois nos leva a viver fora da finalidade essencial da
nossa vida e nos distancia do nosso verdadeiro valor. Isso, muitas vezes,
dificulta uma realização mais profunda da nossa vida e vocação. A origem da
nossa identidade cristã está no batismo. Nele, recebemos uma nova identidade,
que é a de sermos filhos de Deus. Pelo batismo nos tornamos membros da
comunidade eclesial e nos credencia a continuar a missão de Jesus Cristo. Ser
cristão é reproduzir, na própria vida, o modo de viver de Jesus, é
identificar-se sempre mais com Ele.
Para
São Mateus, a identidade e a missão do cristão consistem em: batizar e fazer
discípulos (Mt 28,19). Os que foram batizados, em nome de Cristo, foram também
enviados em missão (Lc 10,1). Inspirados pelo Espírito Santo, os cristãos
realizam numerosas iniciativas apostólicas como manifestação de amor ao
próximo, fundado no amor de Deus. Segundo o Papa Bento XVI, na encíclica Deus Caritas Est, o compromisso de fé
com Cristo leva à realização da caridade, tanto individualmente como em
comunidade. Para ele, a caridade deve ser organizada como pré-requisito, para
um serviço ordenado à comunidade. A identidade da Igreja está na caridade. Ela
é a sua essência. Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de
assistência social que se poderia mesmo confiar a outros, mas pertence à sua
natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência (Deus caritas est, n. 22). A Igreja é a
família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por
falta do necessário (n. 25b ).
A
caridade vai muito além de uma simples assistência humanitária. Ela é um
serviço abnegado por motivo de fé: “é servindo ao próximo que os meus olhos se
abrirão para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama” (n. 18).
Os Santos hauriram a sua capacidade de amar o próximo, de modo sempre renovado,
do seu encontro com o Senhor eucarístico e, vice-versa, este encontro ganhou o
seu realismo e profundidade, precisamente, no serviço deles aos outros. O amor
cresce através do amor. O amor é “divino”, porque vem de Deus e nos une a Deus,
e, através deste processo unificador, transforma-nos em um nós, que supera as
nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja “tudo em todos”
(1Cor 15,28).
Segundo
São Vicente Pallotti, o amor de Deus é difusivo. Ele irradia nos corações, que,
por sua vez, torna-se uma luz que vai se propagando na vivência entre as
pessoas. Assim disse Jesus: “Quem me vê, vê o Pai”! Ele é o reflexo do amor do
Pai, que ama o Filho, que por sua vez, o filho transborda esse amor na cruz (cf.
Rm 5,5). O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever para cada um
dos fiéis, mas o é também para a comunidade eclesial inteira, em todos os seus
níveis: desde a comunidade local, passando pela Igreja particular, até a Igreja
universal na sua globalidade. A Igreja também, enquanto comunidade deve
praticar o amor. A consequência disso é que o amor tem necessidade também de
organização, enquanto pressuposto para um serviço comunitário ordenado (Deus caritas est, n. 20).
A
consciência de tal dever teve relevância constitutiva na Igreja desde os seus
inícios: “Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam
terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos de acordo com as
necessidades de cada um” (At 2, 44-45). Com o passar dos anos e a progressiva
difusão da Igreja, a prática da caridade confirmou-se como um dos seus âmbitos
essenciais, juntamente com a administração dos Sacramentos e o anúncio da
Palavra: praticar o amor para com as viúvas e os órfãos, os presos, os doentes
e necessitados de qualquer gênero pertence tanto à sua essência como o serviço
dos Sacramentos e o anúncio do Evangelho (Mt 25,34-40). “A Igreja não pode
descurar o serviço da caridade, tal como não pode negligenciar os Sacramentos
nem a Palavra” (Deus caritas est, n.
22).
O direito de associar-se
As associações
representam a forma organizada e mais elaborada do ministério eclesial, para
desenvolver a caridade e a piedade, caracterizado pela ação evangelizadora da
Igreja e portadores da possibilidade de reunir os vários estados de vida
(sacerdotes, religiosos, leigos), por um objetivo comum. As associações não têm
seu próprio propósito, mas elas servem a missão que a Igreja deve cumprir no
mundo com o testemunho e o espírito evangélico. Assim, D. Denilson Geraldo apresenta
em seu artigo sobre a sinodalidade na União:
A
UAC, como uma associação pública internacional, é uma pessoa jurídica
eclesiástica e não pode ser considerada como Ordem Terceira, de acordo com a
norma do cân. 303; nem mesmo uma Federação de diferentes congregações ou
sociedades de vida apostólica, de acordo com a norma do cân. 582, porque uma
associação não é vida consagrada (cf. can. 298) e não tem o poder de governar
sobre os membros das comunidades de fundação, mas uma coordenação das obras que
estão sob a pessoa jurídica desta associação, que é a UAC. Desta forma, como
afirmado no n. 10 de seu Estatuto, a UAC não interfere nos regulamentos
internos das comunidades que fazem parte dela (cf. artigos 34-37 e 40. Apostolato
Univesale, n. 47/2018, p. 39).
A UAC, embora
reconhecida juridicamente como associação, não se define como um grupo de
atuação própria dentro da Igreja. Sua natureza é, antes de tudo, a de uma
comunhão apostólica, que une fiéis de diferentes estados de vida no chamado
universal ao apostolado, vivido nas realidades em que cada um já está inserido.
O direito de se
associar para desenvolver obras apostólicas provém do Batismo e da Confirmação,
para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e bem recebida pelas
pessoas. O requisito fundamental de uma associação católica é a comunhão com a
Igreja e o reconhecimento dos estatutos, nos quais ela determina a finalidade,
a localização, o governo, condições exigidas para sua admissão, tendo em conta
a necessidade de tempo e lugar com uma indicação clara para inculturação. O
nascimento de uma nova associação é sempre uma garantia contra a centralização
excessiva que sufoca e inibe a participação (Apostolato Univesale, p.
36).
A compreensão da
UAC como associação não deve ser reduzida a uma lógica de grupo ou estrutura de
atuação própria, mas entendida como instrumento de comunhão, que favorece a
unidade entre os apóstolos, sem substituir ou se sobrepor às demais expressões
da Igreja. Ou seja, a UAC, embora seja uma associação reconhecida pela Igreja,
não se configura como um grupo ou pastoral com atuação própria. Sua identidade
é a de comunhão apostólica, vivida pelos seus membros nas diversas realidades
onde já estão inseridos. A sua organização existe para promover unidade e
consciência de missão, não para criar uma estrutura paralela na Igreja.
Por isso, o Papa
Francisco convoca todos os batizados para uma Igreja em saída, ou seja, uma
Igreja onde todos os seus membros são protagonistas no caminho do discipulado.
Segundo ele, a reforma da Igreja católica tem que levar em conta que é
necessário superar a mentalidade reducionista e clerical que entende os leigos
como objetos da ação da hierarquia e como “consumidores” dos sacramentos, bem
como criar as condições necessárias, para que os leigos possam viver o seu
protagonismo de forma autônoma (Papa Francisco e o laicato, ano nacional do
laicato, 2018, p. 26).
A
associação, por meio dos seus dispositivos legais, ajuda no diálogo com a
cultura e exige lidar adequadamente com as questões sociais do nosso tempo.
Esta é a chave para uma visão associativa adequada, porque a realidade é
caracterizada por problemas cada vez mais interconectados e que influenciam
toda a família humana. Diante disso, é preciso criar novas estratégias que
satisfaçam às necessidades do nosso tempo, o valor da vocação cristã e dos
diferentes carismas para a evangelização da sociedade e também dialogar com
todos aqueles que desejam, sinceramente, o bem do povo e da humanidade. Um
sinal de esperança é o fato de que, hoje, as religiões e culturas expressam
abertura ao diálogo e a urgência de unir seus esforços para promover a justiça,
a fraternidade, a paz e o crescimento da pessoa humana.
O
Direito Canônico, cân. 215, acentua que os fiéis têm o direito de estabelecer e
dirigir livremente associações que visam à caridade ou à piedade, ou
associações que propõem o aumento da vocação cristã no mundo. Têm o direito de
realizar reuniões para a concretização comum de tais propósitos. Porque, por
meio do batismo, a pessoa é incorporada à Igreja de Cristo, com os deveres e os
direitos que lhes são próprios, em comunhão com a Igreja.
O Concílio
Vaticano II destacou, de maneira particularmente clara, a “igualdade entre
todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor
da edificação do corpo de Cristo”, em virtude do sacramento do batismo (LG, n.
32). O princípio da igualdade implica que existem alguns direitos e deveres
fundamentais comuns a todos os fiéis, que foram enunciados no cânon 208-223. No
entanto, o reconhecimento do direito de associação dos batizados foi o
resultado de um desenvolvimento gradual, no qual o Concílio Vaticano II foi de
fundamental importância, e que só culminou com a completa formalização desse
direito dos fiéis, na entrada em vigor do Código de Direito Canônico. Pois, o
batismo lhes dá a dignidade de um lar espiritual e de um sacerdócio sagrado. Em
virtude do sacerdócio comum dos fiéis[4], eles podem, em união com
Cristo e à Igreja, viver uma vida extraordinária, cheia de graça, mesmo em suas
circunstâncias mais comuns. Esta é a vida sacramental. Os membros de uma
associação ou movimento se esforçam para viver essa vida mais intensamente e de
maneira coordenada.
A
fonte do apostolado
A
fonte de todo apostolado é o amor de Deus, que, em Jesus Cristo, Apóstolo do
Pai, impulsiona as pessoas a viverem em perfeita união e a expressarem na vida
tudo quanto receberam por meio da fé. O desejo de Deus está escrito no coração
do ser humano. Deus não cessa de atraí-lo a si, e, somente em Deus, a pessoa
humana encontra a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. O ser
humano é chamado a viver em comunhão com Deus. O homem existe porque Deus o
criou por amor e, por isso, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive
plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar
ao seu Criador.
A
União do Apostolado Católico, uma associação de fiéis, é dom do Espírito Santo,
e vive em comunhão, segundo o carisma de São Vicente Pallotti, a serviço da
Igreja e do mundo (Estatuto Geral (UAC), n. 1). Esse chamado é um dom gratuito
do Pai que, no seu amor infinito e misericordioso, chama as pessoas a seguirem
seu Filho, Jesus Cristo, Apóstolo do Eterno Pai, para continuar, no mundo, a
Sua Missão salvífica. Como o Pai mandou o Seu Filho ao mundo, assim também os
membros da União, impulsionados pelo amor redentor de Cristo, são enviados a:
1. Reavivar
e difundir a fé evangelizando as pessoas e a sociedade em que vivem;
2. Reacender
a caridade;
3. Viver
uma profunda união com Jesus, Apóstolo do Eterno Pai, no desenvolvimento de
obras apostólicas, em comunhão com os católicos, os cristãos e as pessoas de
boa vontade;
4. Despertar,
no povo de Deus, a consciência da vocação ao apostolado (Est. Geral, n. 12).
A
UAC foi reconhecida definitivamente como uma associação pública internacional,
no dia 28/10/2008, para que os membros do Povo de Deus pudessem, unidos na
missão evangelizadora da Igreja, praticar a caridade de forma associativa.
Pallotti acreditava que as iniciativas apostólicas pessoais seriam mais
eficazes se fossem realizadas em colaboração e destinadas à tarefa comum da
vida e à difusão conjunta do Evangelho. Com efeito, a missão das UAC é de
promover o espírito associativo dos batizados e trabalhar pela justiça e pela
caridade. Podemos dizer, também, que o trabalho associativo é uma prática
verdadeira do princípio da subsidiariedade, baseado na teologia da comunhão e
que dá uma sábia descentralização do apostolado caridoso e inculturado na
realidade de cada Igreja local, de acordo com o tempo e o lugar (ver Cânon 304);
[Denilson Geraldo, p. 37-38].
Quem
pode fazer parte da União
Segundo
São Vicente Pallotti, todo batizado é chamado por Deus para ser apóstolo do
Reino. Para justificar isso, apresentou Maria, a Mãe de Jesus, como mulher
apostólica, fazendo muito mais que todos os apóstolos, mesmo sem receber
nenhuma ordem sacra. Ela foi sempre obediente à vontade do Pai. O seu “Sim”
transformou o mundo, gerou o Salvador que assumiu a nossa humanidade. Maria,
pela graça de Deus, tornou-se a Rainha dos Apóstolos.
O
ser humano está sempre em busca de algo maior para sua vida. Após a vinda de
Pentecostes, as pessoas perguntavam a Pedro, que, pela primeira vez, anunciava
o reino destemidamente: “E nós, o que devemos fazer”? Pedro respondia:
“Convertam-se e sejam batizadas” (At 2,37-38). Portanto, o batismo já nos
inseriu no projeto redentor de Cristo, porém ele convida pessoas para um
trabalho específico em sua Igreja, para que sua dedicação seja exclusiva ao
serviço do Reino. Todavia, ele suscita no meio do povo pessoas com carismas
especiais, para tornar o evangelho sempre atual e, desta forma, responder às
necessidades de cada época.
A
UAC, desde o tempo de sua fundação, vem mostrando o seu modo próprio de ser e
de agir dentro a Igreja, e, até mesmo os seus Estatutos atuais deixam em aberto
a possibilidade de todos fazerem parte, em primeiro lugar, os batizados, bem
como aqueles que desejam cooperar com a obra apostólica, mesmo não professando
a fé católica.
Compromisso
apostólico
Com
a aprovação dos Estatutos da UAC, a Igreja concedeu aos seus membros o direito
de associar-se para que, assim, cada membro, de maneira consciente da sua
missão na Igreja, pudesse viver a sua fé de modo mais estreito e associativo.
Esta seria a resposta prática para aqueles que fizeram uma caminhada de estudo
e que sentiram a necessidade de dar um passo a mais em direção à vivência do
seu batismo, não apenas como um membro que coopera com as obras do apostolado,
que também tem o seu valor, mas, vivendo, de maneira consciente, o apostolado
nas realidades em que já está inserido — seja nas pastorais, movimentos, na
vida profissional, familiar e social.
assumindo
de maneira consciente os trabalhos que estão à sua disposição na paróquia. Para
que pudesse ampliar os trabalhos apostólicos e até mesmo poder dialogar com o
mundo e outras realidades, a associação de fiéis permite que se tenha uma
identidade própria com um CNPJ, podendo assim assumir direitos e deveres diante
da sociedade civil, mas isso não exclui aqueles que apenas desejarem viver o
carisma palotino na realidade em que se encontra, fazendo obras de caridade,
sem nenhum vínculo formal. Essa prática já acontecia desde o tempo do fundador.
Segundo
o D. Denilson Geraldo, em sua live do
dia 22/09/2021[5],
ao falar da Associação internacional de fiéis, deixou bem claro que as
pastorais estão ligadas aos párocos e as associações estão ligadas ao Bispo.
Ela tem uma estrutura jurídica com um Estatuto. O estatuto dá estabilidade
apostólica no tempo, sendo reconhecida civilmente. Com isso, ela pode dialogar
com a cultura e isso perdura no tempo e é necessário ter uma espiritualidade
das necessidades reais que as pessoas têm. Segundo ele, a caridade deve ser
realizada comunitariamente e organizada em associações, não apenas como
pastoral, mas como uma associação que tem uma autonomia jurídica e
administrativa, mas, sempre em comunhão com a Igreja, pelo reconhecimento dos
estatutos feito pelo Bispo diocesano. Isso demonstra a maturidade de um grupo
de cristãos, ou seja, dando um passo além do que se faz nas paróquias.
Pallotti
queria esse tipo de maturidade para os leigos, que eles fossem maduros na fé e
que trabalhassem com leigos que tivessem uma ousadia de criar uma associação,
de criar recursos para o apostolado e, assim, dialogar com a cultura, inseridos
na sociedade onde vivem. A UAC, felizmente, conseguiu esse patamar, de ser uma
associação pública internacional de fiéis, com suas coordenações locais,
nacionais e internacional. A finalidade do Conselho é promover a unidade,
articular a comunhão e favorecer a consciência apostólica entre os membros da
UAC, estimulando o apostolado nas diversas realidades onde já atuam.
Os
colaboradores
Desde
o início da fundação, Pallotti contava com inúmeras pessoas que colaboravam com
a sua obra. O atual Estatuto, também dedica três números sobre eles, a saber:
30, 53 e 57, que trata não dos membros efetivos, mas daqueles simpáticos ao
carisma, porém, sem ter feito a caminhada prevista para o empenho apostólico.
Essas pessoas se sentem muito felizes em dar a sua colaboração, quer seja pelas
orações ou, então, como benfeitoras dos seminários, sentem alegres por
cooperarem com a Missão de Cristo na União, com o seu trabalho, sua doação ou
oração.
Para
concluir, podemos dizer que nos Estatutos da União constam quem pode participar
das suas iniciativas, como colaboradores:
1. os
cristãos (cf. art. 53-54);
2. os
crentes de outras religiões (cf. art. 55);
3. outras
pessoas de boa vontade (cf. art. 56).
No
número 53 lemos: “Os fiéis católicos que, mesmo não assumindo particulares
empenhos na União, desejarem de qualquer modo partilhar do seu espírito e
participar de suas iniciativas, podem tornar-se seus colaboradores”. No número
57 encontramos: “As modalidades de todo tipo de colaboração são estabelecidas
pelo regulamento do Conselho Nacional de Coordenação (cf. art. 71i).
Sendo
assim, podemos dizer que o TODOS, no apelo de maio, continua tendo o mesmo
valor ainda hoje, porém, com o Estatuto, podemos tornar visível a comunhão
apostólica vivida pelos seus membros e, assim, fazermos coisas ainda mais
ousadas, graças ao Estatuto e ao reconhecimento público na Igreja e na
sociedade civil.
Para
refletir
1. O
que você entendeu por Associação de fiéis?
2. Segundo
o texto, qual é a importância do Estatuto para uma associação?
3. Para
você, como deveria ser a evangelização da Igreja?
[1] Na sexta-feira, 9 de janeiro de
1835, após a Santa Missa celebrada no mosteiro Regina Coeli, Vicente Pallotti
se sentiu chamado a instituir a obra do Apostolado Católico, para alcançar os
seguintes objetivos: 1. Difundir a fé entre os não crentes; 2. Reavivar a fé
nos católicos; 3. Exercer trabalhos de caridade”, mas, em maio do mesmo ano,
ele, juntamente com os seus colaboradores, divulgou o “Apelo ao povo” (OO CC
X, 196-201).
[2] Exortação Apostólica Evangelii
Gaudium, do Papa Francisco, 2013, n. 20.
[3] VATICANO
II, Mensagens, discursos, documentos,
Paulinas: São Paulo, 1998, p. 185, n. 38.
[4]
O conceito de sacerdócio
comum dos fiéis é um dos pilares da eclesiologia católica contemporânea,
especialmente fortalecido após o Concílio Vaticano II. Ele se baseia na ideia
de que, pelo Batismo, todo cristão é incorporado a Cristo e passa a participar
de sua missão como profeta, rei e sacerdote. Sacerdote: Oferecer a
própria vida e as atividades diárias como sacrifício espiritual a Deus. Profeta:
Anunciar o Evangelho por palavras e pelo exemplo de vida. Rei: Servir ao
próximo e ajudar a ordenar o mundo segundo os valores cristãos.
[5] Acesso a live, dia 22/09/2021, https://www.youtube.com/watch?v=Qr-Kyd6y_J8