Tema 19: DEUS, O ENLOUQUECIDO DE AMOR
O amor é um dos temas mais
complexos e profundos da experiência humana, sendo abordado por diferentes
perspectivas ao longo da história: biológica, filosófica, psicológica e,
sobretudo, espiritual. Para os santos, o amor não é apenas um sentimento, mas
uma virtude teologal (cf. 1Cor 13,13) e uma decisão da vontade:
- São
Bernardo de Claraval, no capítulo 1 de sua obra De Diligendo
Deo via o amor como o peso da alma. Segundo ele: “a medida do amor é
amar sem medida”. Ele ensinava que o amor deve ser ordenado, porque não há
um limite prudente para o amor a Deus, pois Ele próprio é a razão
infindável desse amor. Segundo São Paulo, em Gálatas: “Toda a lei se
cumpre numa só palavra: Amarás o teu próximo como a
ti mesmo” (Gl 5, 14).
- Santo
Tomás resumiu o amor (caridade) como querer o bem do outro. É um ato da
vontade que busca a perfeição do outro (cf. Suma Teológica III, q. 26, a.
4).
- Para
Santa Teresinha, o amor é o que movimenta a Igreja, em sua famosa frase: “No
coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor” (Obras completas:
manuscritos autobiográficos. Manuscrito B, Edições Carmelo, 1996, p. 230),
reflete a ideia de que todas as obras, por menores que sejam, só têm valor
se feitas com amor.
- Segundo
São João da Cruz, o amor purifica a alma: “No entardecer da vida, seremos
julgados pelo amor”. Ou então: “É impossível chegar ao perfeito amor de
Deus, sem uma visão perfeita de Deus” (Cântico espiritual B, 38, n. 5).
- São
Vicente Pallotti, por sua vez, trouxe uma perspectiva muito específica e
dinâmica sobre o amor, fundamentada na ideia de caridade infinita (cf.
Vicente Pallotti. As luzes, 113-132). Para ele, o amor não era um conceito
abstrato, mas a própria essência de Deus agindo no mundo. Ele contemplava
Deus essencialmente como amor e caridade. Ele acreditava que, como fomos
criados à imagem e semelhança de Deus, nossa maior vocação é sermos
“caridade” no mundo. Ele frequentemente usava a expressão: “Caritas
Christi urget nos”! (“A caridade de Cristo nos impele” – 2Cor 5, 14).
Para Pallotti, o amor é
operante, é diferente de uma contemplação passiva, o amor para ele é
apostólico. Ele defendia que o amor deve se transformar em ação concreta, para
reavivar a fé e reacender a caridade em todos os membros do povo de Deus. Não
existe amor a Deus que não se desdobre em serviço ao próximo. Ele ensinava,
também, que o amor tem o poder de transformar a miséria humana. Por isso,
buscava ver a imagem de Deus em cada pessoa, especialmente nos mais pobres e
marginalizados, tratando-os com a mesma reverência com que trataria o próprio
Cristo.
O toque do amor de Deus
Quem foi tocado pelo
profundo amor de Deus, nunca mais será o mesmo. Olhando para a história da
Igreja, encontramos inúmeras pessoas que tiveram suas vidas transformadas,
depois de um encontro pessoal com o Senhor. Podemos destacar a conversão de
Santo Agostinho, que depois de descobrir Deus em sua vida, exclamou: “Tarde te
amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e
eu te buscava fora. Estavas comigo, mas eu não estava contigo...” (Confissões,
Livro X, 27). Da mesma forma ocorreu com os apóstolos, quando partiram
desanimados com a ausência física de Jesus e já estavam voltando para as suas
velhas e conhecidas labutas diárias, a pesca (cf. Jo 21, 1-3). Mas, sem Jesus,
a pesca fracassou e, somente, com presença d’Ele, na beira do lago, fez com que
tudo mudasse. Somente aquele que tinha contato mais direto com o Mestre, João,
percebeu logo quem era aquele que estava à beira do lago: “É o Senhor!” (Jo
21,7).
São Vicente Pallotti,
também, foi um desses que, ao sentir o amor de Deus em sua vida, expressou: “Perdoe-me
se ouso dizer que sois o louco de amor, e de misericórdia para comigo, pois, em cada momento e
sempre, desde toda a Eternidade pensa em mim e derrama sobre mim infinitas inundações
de graças, de favores, de dádivas e de misericórdias...” (OO CC X, 235; V.
Pallotti. As luzes, p. 121). Com essa experiência, a sua vida tornou-se um
reflexo desse amor. Da mesma forma que Deus ouviu o clamor do povo, viu o
sofrimento deles e desceu (Ex 3,7), assim, também Pallotti, diante das enormes
necessidades do mundo e da Igreja sentiu-se impelido a fazer algo, para
cooperar com a salvação das pessoas, por amor.
Nele apareceram os mesmos
sentimentos de Cristo, o Apóstolo do Pai eterno. O Espírito Santo fez com que
ele penetrasse profundamente no coração do Cristo e fizesse seus os sentimentos
do próprio Cristo, Apóstolo e bom Pastor. A exemplo de Cristo, que era tomado
de compaixão diante dos homens enfraquecidos e abatidos, como ovelhas sem
pastor e sujeitos a muitíssimas fraquezas (cf. Mt 9,35s); Vicente Pallotti era
tomado de grandíssima e profunda compaixão pelos que se encontravam mergulhados
nas trevas do erro e desconheciam, totalmente, Jesus Cristo Salvador.
Ele sentia uma enorme
compaixão por aqueles que deixavam este mundo sem fé ou com uma fé morta,
porque não foram animadas pela caridade e, por isso mesmo, expostos às
terríveis consequências que a própria fé ensina. Ele era incapaz de olhar com
indiferença para tantos irmãos ameaçados de perder-se para sempre, mas era
impelido, pela caridade de Cristo, a orar e a socorrer, com as obras, o mundo
necessitado de salvação. Desejava, ardentemente, que todo o mundo fosse
reconduzido a um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16). A exemplo de Cristo,
queria dar-se por inteiro a todos, a fim de reconduzir todos ao rebanho de
Cristo. Queria evangelizar a todos, anunciar a todos a boa nova, ajudar a
todos, especialmente os mais necessitados, como manda a caridade cristã (cf. Apostolicam
Actuositatem, 8).
A exemplo de Cristo, que
ordenou pedir ao Pai a multiplicação dos operários evangélicos, Pallotti
desencadeou um movimento de oração, na Igreja, em favor da multiplicação dos
operários evangélicos e da sua formação e sustento. Guiado pelo Espírito Santo,
ele compreendeu os sentimentos de Cristo e penetrou no sentido mais profundo da
palavra de Deus e entendeu que, toda a Igreja e todos os seus membros, estão
chamados a se empenharem na continuação do apostolado de Jesus Cristo ou no
prolongamento da sua missão no mundo.
Para ele, empenhar-se na
salvação do mundo, é missão de toda a Igreja e de cada um dos seus membros. Ele
compreendeu que Deus quer que o homem coopere ativamente na salvação eterna do
seu próximo. Não apenas os ministros ordenados, mas também todos os cristãos
estão chamados a cooperar, eficazmente, na propagação da fé no mundo inteiro e,
por isso, a ajudar o próximo a conseguir a sua felicidade eterna. Em outras
palavras, somos todos obrigados a ajudar-nos uns aos outros a alcançar o céu.
O Papa Francisco, na
Encíclica Evangelii Gaudium (EG), números 272 e 273, reflete sobre o ser
missionário. Segundo ele: “O amor às pessoas é uma força espiritual que
favorece o encontro em plenitude com Deus... Portanto, quando vivemos a mística
de nos aproximar dos outros com a intenção de procurar o seu bem, ampliamos o
nosso interior para receber os mais belos dons do Senhor. Cada vez que nos
encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de
novo sobre Deus...”
Segundo o Papa, “a tarefa da
evangelização enriquece a mente e o coração, abre-nos horizontes espirituais,
torna-nos mais sensíveis para reconhecer a ação do Espírito, faz-nos sair dos
nossos esquemas espirituais limitados. Ao mesmo tempo, um missionário
plenamente devotado ao seu trabalho experimenta o prazer de ser um manancial
que transborda e refresca os outros. Só pode ser missionário quem se sente bem,
procurando o bem do próximo, desejando a felicidade dos outros”.
O número 273 da Evangelii
Gaudium acrescenta: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha
vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento
entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se
não me quero destruir”. E, assim, concluiu o Papa: “Eu sou uma
missão nesta terra, e para isso estou neste mundo”.
Pallotti tinha a convicção
de que, embora Deus, por si mesmo, pudesse num instante reavivar a fé e
reacender a caridade entre os católicos e dar-se a conhecer e amar a todos os
que estão no mundo. Ele não costuma fazê-lo no curso ordinário da sua
providência, pois quer que o homem coopere na medida das suas forças para a
salvação das almas. Ao fazê-lo, ao tirar proveito de todos os dons que ele
recebe de Deus como autor da natureza e da graça, o homem se torna sempre mais
semelhante a Deus. Porque todos os homens, segundo a realidade da sua criação,
são uma imagem da caridade por essência, pois Deus ordenou que cada um se
interesse pelo seu próximo. E se isso é verdadeiro quanto aos bens do corpo de
nosso próximo, com maior razão o é quanto ao bem da alma, que é a vida eterna.
Para Pallotti, portanto,
todos os homens, pelo fato de serem imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26),
devem empenhar-se em ajudar o próximo a conseguir a vida eterna, pois Deus em
todas as suas ações voltadas para fora procura sempre o bem do homem, até ao
ponto de enviar o seu único Filho, para redimir o gênero humano com sua morte
na cruz. Diz Pallotti: “Deus é perfeito no amar o homem. Desde toda a
eternidade o amou, vendo-o na sua infinita presciência e ama o homem por toda a
eternidade. E pelo homem obra sempre no tempo com a criação, conservação,
redenção, e na eternidade com a glorificação”. Também o homem, na medida das
suas possibilidades, deve imitar a Deus amando a seu próximo com a eficácia das
obras. E o próximo é todo ser humano, de qualquer condição, clima, nação etc.,
capaz de conhecer a Deus. À pergunta: “Quem é meu próximo?” (Lc 10, 25-37).
Jesus apresenta a figura do Samaritano. Nossa missão é de mostrar que somos
originais e não fotocópias, como nos ensina São Carlo Acutis.
Somos corresponsáveis pela salvação do mundo
A obrigação de contribuir
para a salvação eterna do próximo, é vista por Pallotti, no mandamento novo,
ensinado por Jesus: “Amar o próximo como a si mesmo” (Mt 22, 39). Ora, haverá
quem não saiba que se a gente não observar o preceito da caridade não alcançará
a salvação eterna? Por isso, a menos que alguém raciocine como louco, terá que
admitir que todo que habite esta terra, em seu estado, condição, posição,
dignidade, cultura, talentos, arte, profissão, relações, deverá, na medida de
suas forças, procurar efetivamente a salvação eterna do próximo. Porque, todo
bem que temos de Deus é para ser usado, ao mesmo tempo, para a sua glória e
para a salvação da alma, da própria e da do próximo. Também o uso dos bens
terrenos deve ser ordenado para o verdadeiro bem do espírito, como ocorria na
comunidade dos primeiros cristãos (cf. At 4, 32).
Para São Vicente Pallotti, a
definição de Deus não se limitava a atributos metafísicos de onipotência ou
justiça. Para ele, Deus é essencialmente “Amor Infinito”. A expressão
“Enlouquecido de Amor” captura a intensidade de um Criador que rompe as
barreiras da lógica humana, para buscar a sua criatura. Para ele, a criação não
foi um ato de necessidade, mas um impulso de generosidade “louca”. Deus, sendo
perfeito e pleno em si mesmo, não precisava de nada. No entanto, o seu amor é
tão pulsante que ele “precisava” criar seres para partilhar a sua felicidade. É
Loucura pelo fato de criar seres livres, sabendo que essa liberdade poderia ser
usada para rejeitá-Lo. É o risco total por amor.
O ápice da visão de Pallotti
encontra-se no mistério de Jesus Cristo, que ao assumir a fragilidade de um
recém-nascido e a pobreza de uma manjedoura é, para ele, a prova definitiva de
que Deus perdeu a “compostura” divina por nós. Ele contempla, em seus escritos,
a humildade de Deus como uma forma de embriaguez espiritual. Deus se faz
pequeno, para que o homem não tenha medo de se aproximar dele:
“Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua
igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de
escravo” (Fl 2, 6-11).
O excesso do sacrifício de Cristo
Se o mundo considera a Cruz
um escândalo ou uma loucura (1Cor 1, 18), Pallotti a vê como o momento em que o
“Enlouquecido de Amor” entrega tudo. Não bastava a Deus perdoar; Ele quis
sofrer conosco, pois Ele é a Caridade Infinita. Pallotti enfatiza que cada
chaga de Cristo é uma boca que grita o quanto Deus nos ama. Ele não economizou
sangue nem dor, revelando um coração que não sabe amar com medidas ou cálculos.
A história da salvação não terminou no Calvário. Para Pallotti, a Eucaristia é
a continuação dessa “loucura”. Deus se esconde sob as espécies do pão e do
vinho, para ser alimento e companhia constante. A resposta humana a esse amor
enlouquecido deve ser, segundo Pallotti, o apostolado. Se Deus nos ama sem
limites, o batizado deve, também, tornar-se um apóstolo que utiliza todos os
meios para que o mundo conheça esse Amor Infinito.
Meu Deus, quem sou eu e quem sois Vós?
Diante da grandeza de Deus na vida humana, Pallotti
não separava Deus do homem, e perguntava: “Meu Deus, quem sois Vós, e quem sou
eu diante de Vós”? A visão que Pallotti
tem de Deus é trinitária. O mistério de Deus na sua dimensão trinitária serviu
como impulso inicial para a sua vida espiritual. O mistério da comunhão
trinitária lhe serve igualmente como modelo perfeito da colaboração na salvação
das almas, porque aquilo que se realiza perpetuamente no seio da Trindade,
transborda e se revela também na história da salvação (Stawicki, in
Horizontes Palotinos, vol. II, p. 628).
Para ele, Deus é o seu Tudo. Ele usa esse termo, para
dizer que qualquer nome é insuficiente para defini-Lo. Ele vai além, em
momentos de profunda oração: “Meu Deus, perdoa-me se ouso dizer: sois o louco
de amor e de misericórdia para comigo” (OO CC X, 235 e 237).
Em 1849, alguns meses antes de sua morte, com uma
espiritualidade mais amadurecida, escreveu um opúsculo, quando estava refugiado
no Colégio irlandês, por causa de perseguição política: “Deus, amor infinito” (OO
CC XIII, 25-171). Esse opúsculo representa o grito de um homem que, em sua
vida, fez a experiência do amor e da misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, o
gemido de um peregrino entristecido pelo fato que a sua imagem, isto é, a sua
transformação no amor é muito lenta. Apesar do título: Deus amor infinito,
escreve repetidas vezes: “Deus, misericórdia infinita”, pois, para ele, Deus é
amor infinito atuante, ou seja, a Sua misericórdia é o excesso do amor
incompreensível. Via, ainda, que a misericórdia é a invenção do amor de Deus (cf.
OO CC XIII, 129). No texto aparecem 190 vezes a expressão: Deus, amor
infinito e 230 vezes, misericórdia infinita (Stawicki, in Horizontes Palotinos,
Vol. II, p. 630).
Ele chama a misericórdia de Deus de excesso do amor
infinito de Deus. A misericórdia enche o abismo do seu nada e transforma a sua
incapacidade em plenitude de vida. Eis o resultado da experiência do amor de
Deus confessado por ele, com a expressão: “eu senti”. “Eu senti que o prodígio
de misericórdia, que a infinita misericórdia realizou em mim, eu deveria
desejá-lo a todos os demais” (cf. OO CC XIII, 322).
Essa experiência da misericórdia trouxe duas
consequências em sua vida: o renascer interior e a abertura apostólica. Esse
renascer interior é fruto total da misericórdia e não o resultado dos seus esforços
pessoais. Quanto a abertura apostólica, o miserável tornar-se-á apóstolo da
misericórdia. Essa é a passagem do nada ao tudo. É também a passagem do amor
para a misericórdia, isto é, do amor que atua e faz do místico um apóstolo. Em
linhas gerais, esta foi a experiência tida por Pallotti, que o inspirou e sustentou
durante toda a sua vida a ponto de dizer: “Meu Deus, quem sou eu diante de Vós”?
“Eu não Vos conheço como deveria conhecer, porque se Vos conhecesse como
deveria, Vos amaria, seria completamente desapegado do mundo, seria todo
Vosso... viveria tudo por Vós, faria tudo a fim de promover os interesses da
Vossa maior glória e para a maior santificação de todas as pessoas” (OO CC
X, 466; 467; 468). Porém, para conhecer Deus, o ser humano precisa conhecer a
si mesmo, necessita ter consciência de ter sido criado à imagem de Deus, pois
ele sabe da malícia e da maldade do coração humano (cf. OO CC X,
682-737).
Pallotti vê o homem como uma grandeza única, porque
criado à imagem e semelhança de Deus, é chamado a ser filho e herdeiro de Deus,
enriquecido de tantos bens e, ao mesmo tempo, é uma miséria indizível. Mas, se
Pallotti ressalta, sem piedade, a corrupção do ser humano e o seu pecado, o faz
para salientar o amor infinito, incondicional e misericordioso de Deus. Em
outras palavras, segundo a antropologia palotina, o ser humano não é separável
de Deus, da mesma forma que a sua grandeza e a sua miséria são dois aspectos
inseparáveis (Stawicki. In Horizontes Palotinos, Vol. II, p. 633).
Para Pallotti, o orgulho é que impede o ser humano de
conhecer-se e de saber quem é ele diante de Deus. Sobre o orgulho, escreveu:
“Eu sou um verdadeiro orgulhoso, eu tenho um orgulho perverso... Vós sabeis
quantas vezes fomentei o meu orgulho com respostas equivocadas, destinadas a
não revelar minha ignorância sobre todos os assuntos, mesmo naqueles em que fui
obrigado a ser educado, enquanto eu sou o primeiro ignorante sobre todos os
assuntos” (OO CC X, 234; São V. Pallotti. As luzes, p. 120).
Por outra lado, o que o ilumina na descoberta de sua
autoestima e seu autoconhecimento é a misericórdia de Deus (cf. OO CC X, 471).
Por isso, Pallotti pede a humildade, pois, ela parece-lhe como remédio mais
eficaz contra o orgulho (cf. OO CC XI, 359-360).
Para entrarmos na espiritualidade de Pallotti,
precisamos de duas chaves. A primeira é a da união transformante da qual fala
São João da Cruz. Porque a pessoa se torna divina, se torna Deus por
participação. No caso de Pallotti, o Deus que é amor infinito desperta na alma
o desejo de união com Ele. Esse é o dom primeiro na alma de Pallotti, como o é
em todos os que experimentam Deus. Ele escreve: “Dilatai, ó Senhor, em cada
momento infinitésimo, os meus desejos de Vós...” (OO CC X, 103); mas, essa
transformação não funciona sem a segunda, a humildade, que é a capacidade de
reconhecer a matéria que deve ser transformada, o homem do pecado (V. Pallotti.
O Deus, amor infinito, p. 202; 210).
Portanto, para que todos nós possamos deixar Deus ser
Deus em nossas vidas, é preciso ter essa mesma humildade que Pallotti teve de
se reconhecer o maior dos pecadores, para atrair a si o amor infinito e misericordioso
daquele que nos “amou até o fim” (Jo 13, 1).
1.
Você concorda com
Pallotti que Deus age de maneira desmedida só por amor?
2.
Como o ser humano
pode corresponder ao amor infinito que Deus tem por cada um de nós?
3.
O que este texto
trouxe como provocação para a sua vida de fé?
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