sexta-feira, 9 de outubro de 2026


 

Tema 19: DEUS, O ENLOUQUECIDO DE AMOR

 “Deus amou tanto o mundo que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). 

O amor é um dos temas mais complexos e profundos da experiência humana, sendo abordado por diferentes perspectivas ao longo da história: biológica, filosófica, psicológica e, sobretudo, espiritual. Para os santos, o amor não é apenas um sentimento, mas uma virtude teologal (cf. 1Cor 13,13) e uma decisão da vontade:

  1. São Bernardo de Claraval, no capítulo 1 de sua obra De Diligendo Deo via o amor como o peso da alma. Segundo ele: “a medida do amor é amar sem medida”. Ele ensinava que o amor deve ser ordenado, porque não há um limite prudente para o amor a Deus, pois Ele próprio é a razão infindável desse amor. Segundo São Paulo, em Gálatas: “Toda a lei se cumpre numa só palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5, 14).
  2. Santo Tomás resumiu o amor (caridade) como querer o bem do outro. É um ato da vontade que busca a perfeição do outro (cf. Suma Teológica III, q. 26, a. 4).
  3. Para Santa Teresinha, o amor é o que movimenta a Igreja, em sua famosa frase: “No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor” (Obras completas: manuscritos autobiográficos. Manuscrito B, Edições Carmelo, 1996, p. 230), reflete a ideia de que todas as obras, por menores que sejam, só têm valor se feitas com amor.
  4. Segundo São João da Cruz, o amor purifica a alma: “No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor”. Ou então: “É impossível chegar ao perfeito amor de Deus, sem uma visão perfeita de Deus” (Cântico espiritual B, 38, n. 5).
  5. São Vicente Pallotti, por sua vez, trouxe uma perspectiva muito específica e dinâmica sobre o amor, fundamentada na ideia de caridade infinita (cf. Vicente Pallotti. As luzes, 113-132). Para ele, o amor não era um conceito abstrato, mas a própria essência de Deus agindo no mundo. Ele contemplava Deus essencialmente como amor e caridade. Ele acreditava que, como fomos criados à imagem e semelhança de Deus, nossa maior vocação é sermos “caridade” no mundo. Ele frequentemente usava a expressão: “Caritas Christi urget nos”! (“A caridade de Cristo nos impele” – 2Cor 5, 14).

Para Pallotti, o amor é operante, é diferente de uma contemplação passiva, o amor para ele é apostólico. Ele defendia que o amor deve se transformar em ação concreta, para reavivar a fé e reacender a caridade em todos os membros do povo de Deus. Não existe amor a Deus que não se desdobre em serviço ao próximo. Ele ensinava, também, que o amor tem o poder de transformar a miséria humana. Por isso, buscava ver a imagem de Deus em cada pessoa, especialmente nos mais pobres e marginalizados, tratando-os com a mesma reverência com que trataria o próprio Cristo.

O toque do amor de Deus

Quem foi tocado pelo profundo amor de Deus, nunca mais será o mesmo. Olhando para a história da Igreja, encontramos inúmeras pessoas que tiveram suas vidas transformadas, depois de um encontro pessoal com o Senhor. Podemos destacar a conversão de Santo Agostinho, que depois de descobrir Deus em sua vida, exclamou: “Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora. Estavas comigo, mas eu não estava contigo...” (Confissões, Livro X, 27). Da mesma forma ocorreu com os apóstolos, quando partiram desanimados com a ausência física de Jesus e já estavam voltando para as suas velhas e conhecidas labutas diárias, a pesca (cf. Jo 21, 1-3). Mas, sem Jesus, a pesca fracassou e, somente, com presença d’Ele, na beira do lago, fez com que tudo mudasse. Somente aquele que tinha contato mais direto com o Mestre, João, percebeu logo quem era aquele que estava à beira do lago: “É o Senhor!” (Jo 21,7).

São Vicente Pallotti, também, foi um desses que, ao sentir o amor de Deus em sua vida, expressou: “Perdoe-me se ouso dizer que sois o louco de amor, e de misericórdia para comigo, pois, em cada momento e sempre, desde toda a Eternidade pensa em mim e derrama sobre mim infinitas inundações de graças, de favores, de dádivas e de misericórdias...” (OO CC X, 235; V. Pallotti. As luzes, p. 121). Com essa experiência, a sua vida tornou-se um reflexo desse amor. Da mesma forma que Deus ouviu o clamor do povo, viu o sofrimento deles e desceu (Ex 3,7), assim, também Pallotti, diante das enormes necessidades do mundo e da Igreja sentiu-se impelido a fazer algo, para cooperar com a salvação das pessoas, por amor.

Nele apareceram os mesmos sentimentos de Cristo, o Apóstolo do Pai eterno. O Espírito Santo fez com que ele penetrasse profundamente no coração do Cristo e fizesse seus os sentimentos do próprio Cristo, Apóstolo e bom Pastor. A exemplo de Cristo, que era tomado de compaixão diante dos homens enfraquecidos e abatidos, como ovelhas sem pastor e sujeitos a muitíssimas fraquezas (cf. Mt 9,35s); Vicente Pallotti era tomado de grandíssima e profunda compaixão pelos que se encontravam mergulhados nas trevas do erro e desconheciam, totalmente, Jesus Cristo Salvador.

Ele sentia uma enorme compaixão por aqueles que deixavam este mundo sem fé ou com uma fé morta, porque não foram animadas pela caridade e, por isso mesmo, expostos às terríveis consequências que a própria fé ensina. Ele era incapaz de olhar com indiferença para tantos irmãos ameaçados de perder-se para sempre, mas era impelido, pela caridade de Cristo, a orar e a socorrer, com as obras, o mundo necessitado de salvação. Desejava, ardentemente, que todo o mundo fosse reconduzido a um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16). A exemplo de Cristo, queria dar-se por inteiro a todos, a fim de reconduzir todos ao rebanho de Cristo. Queria evangelizar a todos, anunciar a todos a boa nova, ajudar a todos, especialmente os mais necessitados, como manda a caridade cristã (cf. Apostolicam Actuositatem, 8).

A exemplo de Cristo, que ordenou pedir ao Pai a multiplicação dos operários evangélicos, Pallotti desencadeou um movimento de oração, na Igreja, em favor da multiplicação dos operários evangélicos e da sua formação e sustento. Guiado pelo Espírito Santo, ele compreendeu os sentimentos de Cristo e penetrou no sentido mais profundo da palavra de Deus e entendeu que, toda a Igreja e todos os seus membros, estão chamados a se empenharem na continuação do apostolado de Jesus Cristo ou no prolongamento da sua missão no mundo.

Para ele, empenhar-se na salvação do mundo, é missão de toda a Igreja e de cada um dos seus membros. Ele compreendeu que Deus quer que o homem coopere ativamente na salvação eterna do seu próximo. Não apenas os ministros ordenados, mas também todos os cristãos estão chamados a cooperar, eficazmente, na propagação da fé no mundo inteiro e, por isso, a ajudar o próximo a conseguir a sua felicidade eterna. Em outras palavras, somos todos obrigados a ajudar-nos uns aos outros a alcançar o céu.

O Papa Francisco, na Encíclica Evangelii Gaudium (EG), números 272 e 273, reflete sobre o ser missionário. Segundo ele: “O amor às pessoas é uma força espiritual que favorece o encontro em plenitude com Deus... Portanto, quando vivemos a mística de nos aproximar dos outros com a intenção de procurar o seu bem, ampliamos o nosso interior para receber os mais belos dons do Senhor. Cada vez que nos encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de novo sobre Deus...” 

Segundo o Papa, “a tarefa da evangelização enriquece a mente e o coração, abre-nos horizontes espirituais, torna-nos mais sensíveis para reconhecer a ação do Espírito, faz-nos sair dos nossos esquemas espirituais limitados. Ao mesmo tempo, um missionário plenamente devotado ao seu trabalho experimenta o prazer de ser um manancial que transborda e refresca os outros. Só pode ser missionário quem se sente bem, procurando o bem do próximo, desejando a felicidade dos outros”.

O número 273 da Evangelii Gaudium acrescenta: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir”. E, assim, concluiu o Papa: “Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo”.

Pallotti tinha a convicção de que, embora Deus, por si mesmo, pudesse num instante reavivar a fé e reacender a caridade entre os católicos e dar-se a conhecer e amar a todos os que estão no mundo. Ele não costuma fazê-lo no curso ordinário da sua providência, pois quer que o homem coopere na medida das suas forças para a salvação das almas. Ao fazê-lo, ao tirar proveito de todos os dons que ele recebe de Deus como autor da natureza e da graça, o homem se torna sempre mais semelhante a Deus. Porque todos os homens, segundo a realidade da sua criação, são uma imagem da caridade por essência, pois Deus ordenou que cada um se interesse pelo seu próximo. E se isso é verdadeiro quanto aos bens do corpo de nosso próximo, com maior razão o é quanto ao bem da alma, que é a vida eterna.

Para Pallotti, portanto, todos os homens, pelo fato de serem imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26), devem empenhar-se em ajudar o próximo a conseguir a vida eterna, pois Deus em todas as suas ações voltadas para fora procura sempre o bem do homem, até ao ponto de enviar o seu único Filho, para redimir o gênero humano com sua morte na cruz. Diz Pallotti: “Deus é perfeito no amar o homem. Desde toda a eternidade o amou, vendo-o na sua infinita presciência e ama o homem por toda a eternidade. E pelo homem obra sempre no tempo com a criação, conservação, redenção, e na eternidade com a glorificação”. Também o homem, na medida das suas possibilidades, deve imitar a Deus amando a seu próximo com a eficácia das obras. E o próximo é todo ser humano, de qualquer condição, clima, nação etc., capaz de conhecer a Deus. À pergunta: “Quem é meu próximo?” (Lc 10, 25-37). Jesus apresenta a figura do Samaritano. Nossa missão é de mostrar que somos originais e não fotocópias, como nos ensina São Carlo Acutis.

Somos corresponsáveis pela salvação do mundo

A obrigação de contribuir para a salvação eterna do próximo, é vista por Pallotti, no mandamento novo, ensinado por Jesus: “Amar o próximo como a si mesmo” (Mt 22, 39). Ora, haverá quem não saiba que se a gente não observar o preceito da caridade não alcançará a salvação eterna? Por isso, a menos que alguém raciocine como louco, terá que admitir que todo que habite esta terra, em seu estado, condição, posição, dignidade, cultura, talentos, arte, profissão, relações, deverá, na medida de suas forças, procurar efetivamente a salvação eterna do próximo. Porque, todo bem que temos de Deus é para ser usado, ao mesmo tempo, para a sua glória e para a salvação da alma, da própria e da do próximo. Também o uso dos bens terrenos deve ser ordenado para o verdadeiro bem do espírito, como ocorria na comunidade dos primeiros cristãos (cf. At 4, 32).

Para São Vicente Pallotti, a definição de Deus não se limitava a atributos metafísicos de onipotência ou justiça. Para ele, Deus é essencialmente “Amor Infinito”. A expressão “Enlouquecido de Amor” captura a intensidade de um Criador que rompe as barreiras da lógica humana, para buscar a sua criatura. Para ele, a criação não foi um ato de necessidade, mas um impulso de generosidade “louca”. Deus, sendo perfeito e pleno em si mesmo, não precisava de nada. No entanto, o seu amor é tão pulsante que ele “precisava” criar seres para partilhar a sua felicidade. É Loucura pelo fato de criar seres livres, sabendo que essa liberdade poderia ser usada para rejeitá-Lo. É o risco total por amor.

O ápice da visão de Pallotti encontra-se no mistério de Jesus Cristo, que ao assumir a fragilidade de um recém-nascido e a pobreza de uma manjedoura é, para ele, a prova definitiva de que Deus perdeu a “compostura” divina por nós. Ele contempla, em seus escritos, a humildade de Deus como uma forma de embriaguez espiritual. Deus se faz pequeno, para que o homem não tenha medo de se aproximar dele: “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo” (Fl 2, 6-11). 

O excesso do sacrifício de Cristo

Se o mundo considera a Cruz um escândalo ou uma loucura (1Cor 1, 18), Pallotti a vê como o momento em que o “Enlouquecido de Amor” entrega tudo. Não bastava a Deus perdoar; Ele quis sofrer conosco, pois Ele é a Caridade Infinita. Pallotti enfatiza que cada chaga de Cristo é uma boca que grita o quanto Deus nos ama. Ele não economizou sangue nem dor, revelando um coração que não sabe amar com medidas ou cálculos. A história da salvação não terminou no Calvário. Para Pallotti, a Eucaristia é a continuação dessa “loucura”. Deus se esconde sob as espécies do pão e do vinho, para ser alimento e companhia constante. A resposta humana a esse amor enlouquecido deve ser, segundo Pallotti, o apostolado. Se Deus nos ama sem limites, o batizado deve, também, tornar-se um apóstolo que utiliza todos os meios para que o mundo conheça esse Amor Infinito.

Meu Deus, quem sou eu e quem sois Vós?

Diante da grandeza de Deus na vida humana, Pallotti não separava Deus do homem, e perguntava: “Meu Deus, quem sois Vós, e quem sou eu diante de Vós”?  A visão que Pallotti tem de Deus é trinitária. O mistério de Deus na sua dimensão trinitária serviu como impulso inicial para a sua vida espiritual. O mistério da comunhão trinitária lhe serve igualmente como modelo perfeito da colaboração na salvação das almas, porque aquilo que se realiza perpetuamente no seio da Trindade, transborda e se revela também na história da salvação (Stawicki, in Horizontes Palotinos, vol. II, p. 628).

Para ele, Deus é o seu Tudo. Ele usa esse termo, para dizer que qualquer nome é insuficiente para defini-Lo. Ele vai além, em momentos de profunda oração: “Meu Deus, perdoa-me se ouso dizer: sois o louco de amor e de misericórdia para comigo” (OO CC X, 235 e 237).

Em 1849, alguns meses antes de sua morte, com uma espiritualidade mais amadurecida, escreveu um opúsculo, quando estava refugiado no Colégio irlandês, por causa de perseguição política: “Deus, amor infinito” (OO CC XIII, 25-171). Esse opúsculo representa o grito de um homem que, em sua vida, fez a experiência do amor e da misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, o gemido de um peregrino entristecido pelo fato que a sua imagem, isto é, a sua transformação no amor é muito lenta. Apesar do título: Deus amor infinito, escreve repetidas vezes: “Deus, misericórdia infinita”, pois, para ele, Deus é amor infinito atuante, ou seja, a Sua misericórdia é o excesso do amor incompreensível. Via, ainda, que a misericórdia é a invenção do amor de Deus (cf. OO CC XIII, 129). No texto aparecem 190 vezes a expressão: Deus, amor infinito e 230 vezes, misericórdia infinita (Stawicki, in Horizontes Palotinos, Vol. II, p. 630).

Ele chama a misericórdia de Deus de excesso do amor infinito de Deus. A misericórdia enche o abismo do seu nada e transforma a sua incapacidade em plenitude de vida. Eis o resultado da experiência do amor de Deus confessado por ele, com a expressão: “eu senti”. “Eu senti que o prodígio de misericórdia, que a infinita misericórdia realizou em mim, eu deveria desejá-lo a todos os demais” (cf. OO CC XIII, 322).

Essa experiência da misericórdia trouxe duas consequências em sua vida: o renascer interior e a abertura apostólica. Esse renascer interior é fruto total da misericórdia e não o resultado dos seus esforços pessoais. Quanto a abertura apostólica, o miserável tornar-se-á apóstolo da misericórdia. Essa é a passagem do nada ao tudo. É também a passagem do amor para a misericórdia, isto é, do amor que atua e faz do místico um apóstolo. Em linhas gerais, esta foi a experiência tida por Pallotti, que o inspirou e sustentou durante toda a sua vida a ponto de dizer: “Meu Deus, quem sou eu diante de Vós”? “Eu não Vos conheço como deveria conhecer, porque se Vos conhecesse como deveria, Vos amaria, seria completamente desapegado do mundo, seria todo Vosso... viveria tudo por Vós, faria tudo a fim de promover os interesses da Vossa maior glória e para a maior santificação de todas as pessoas” (OO CC X, 466; 467; 468). Porém, para conhecer Deus, o ser humano precisa conhecer a si mesmo, necessita ter consciência de ter sido criado à imagem de Deus, pois ele sabe da malícia e da maldade do coração humano (cf. OO CC X, 682-737).

Pallotti vê o homem como uma grandeza única, porque criado à imagem e semelhança de Deus, é chamado a ser filho e herdeiro de Deus, enriquecido de tantos bens e, ao mesmo tempo, é uma miséria indizível. Mas, se Pallotti ressalta, sem piedade, a corrupção do ser humano e o seu pecado, o faz para salientar o amor infinito, incondicional e misericordioso de Deus. Em outras palavras, segundo a antropologia palotina, o ser humano não é separável de Deus, da mesma forma que a sua grandeza e a sua miséria são dois aspectos inseparáveis (Stawicki. In Horizontes Palotinos, Vol. II, p. 633).

Para Pallotti, o orgulho é que impede o ser humano de conhecer-se e de saber quem é ele diante de Deus. Sobre o orgulho, escreveu: “Eu sou um verdadeiro orgulhoso, eu tenho um orgulho perverso... Vós sabeis quantas vezes fomentei o meu orgulho com respostas equivocadas, destinadas a não revelar minha ignorância sobre todos os assuntos, mesmo naqueles em que fui obrigado a ser educado, enquanto eu sou o primeiro ignorante sobre todos os assuntos” (OO CC X, 234; São V. Pallotti. As luzes, p. 120).

Por outra lado, o que o ilumina na descoberta de sua autoestima e seu autoconhecimento é a misericórdia de Deus (cf. OO CC X, 471). Por isso, Pallotti pede a humildade, pois, ela parece-lhe como remédio mais eficaz contra o orgulho (cf. OO CC XI, 359-360).

Para entrarmos na espiritualidade de Pallotti, precisamos de duas chaves. A primeira é a da união transformante da qual fala São João da Cruz. Porque a pessoa se torna divina, se torna Deus por participação. No caso de Pallotti, o Deus que é amor infinito desperta na alma o desejo de união com Ele. Esse é o dom primeiro na alma de Pallotti, como o é em todos os que experimentam Deus. Ele escreve: “Dilatai, ó Senhor, em cada momento infinitésimo, os meus desejos de Vós...” (OO CC X, 103); mas, essa transformação não funciona sem a segunda, a humildade, que é a capacidade de reconhecer a matéria que deve ser transformada, o homem do pecado (V. Pallotti. O Deus, amor infinito, p. 202; 210).

Portanto, para que todos nós possamos deixar Deus ser Deus em nossas vidas, é preciso ter essa mesma humildade que Pallotti teve de se reconhecer o maior dos pecadores, para atrair a si o amor infinito e misericordioso daquele que nos “amou até o fim” (Jo 13, 1).

 Para refletir

1.      Você concorda com Pallotti que Deus age de maneira desmedida só por amor?

2.      Como o ser humano pode corresponder ao amor infinito que Deus tem por cada um de nós?

3.      O que este texto trouxe como provocação para a sua vida de fé?

 

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