sexta-feira, 6 de novembro de 2026


 

TEMA 21: A FUNDAÇÃO DAS IRMÃS PALOTINAS 

Como já falamos anteriormente sobre a presença feminina na obra apostólica de Pallotti, agora, vamos dar um passo adiante, para ressaltar as atividades realizadas pelas irmãs denominadas palotinas romanas.

O surgimento da Obra feminina se deu no ano de 1838, com o ingresso das jovens na Pia casa de Caridade. Anteriormente, Pallotti já atuava no acolhimento de meninas pobres e órfãs na cidade de Roma, destinando-as às famílias que tinham condições de ajudá-las em suas necessidades. 

No ano de 1837 a epidemia do cólera assolou toda a Europa, inclusive a cidade de Roma, deixando muitas jovens órfãs e abandonadas às margens da sociedade. Diante dessa realidade Pallotti não deixou de prestar ajuda às meninas que necessitavam. Este foi o motivo para colocar em prática o que ele tinha em mente desde o início de seu apostolado como sacerdote.

Desde a fundação da UAC (1835), Vicente Pallotti, juntamente com os membros da União do Apostolado Católico, julgou necessário que houvesse, como pertença, uma Comunidade de mulheres santamente orientadas (OO CC VI, 248), com o intuito de colaborar na educação das meninas órfãs. Em 1837, a necessidade o obrigou a concretizar a criação de seu projeto para ajudar essas meninas.  Escolheu entre suas cooperadoras mulheres dispostas e capazes de adquirir “a plenitude do espirito de Jesus Cristo” (OO CC II, 3-12), a fim de que, “com a eficácia dos frutos”, pudessem ser a pedra fundamental do novo Instituto (OO CC II, 24-26).

A prova disso está fundamentada na existência da primeira comunidade feminina, que continua a sua missão até os dias atuais, desde o ano de 1838. A “Pia Casa de Caridade” encontra-se em Roma, na Via Santa Ágata, é conhecida como “Berço da Congregação” e tem como objetivo específico acolher, educar e formar meninas órfãs e abandonadas (cf. OO CC VI, 252-253). 

A data, 25 de maio de 1838, ficou estabelecida como o início da Congregação, com a abertura do “Registro das Mestras e Alunas” (Ansgar Faller, pp. 20-22).  Desde esse dia, Pallotti intensificou a preparação espiritual das Mestras, até o dia de Pentecostes. Seu grande desejo era realizar o ingresso solene e público na Nova Sede, na solenidade de Pentecostes, que era tão significativa para ele. Entre as primeiras mestras Pallotti escolheu: Elisabetta Cozzoli, mãe de família e viúva desde 1828; Tereza Lucchi, 30 anos; Maria Bonatti, 19 anos; Maria Ronca, 18 anos e Catarina Carrozza, 47 anos.  

Pe. Vicente, como de costume, orientou os Exercícios Espirituais a todas as Mestras. Depois de uma consciente preparação, antes de realizar o ingresso formal na comunidade, Pallotti deu-lhes a oportunidade de fazer um retiro espiritual, para que a opção fosse de maneira consciente e verdadeiramente (ALESSIO, Adelia Maria. História da Congregação, p. 51).

De 05 de Junho a 26 de julho de 1838, Pe. Vicente Pallotti celebrou o ingresso formal de seis jovens alunas da Comunidade. Importante também foi a vestição das três Mestras, que tinham dado provas de verdadeiro zelo apostólico, bem como de excelentes educadoras (Verônica, Margherita, Giacinta). Esta solenidade foi presidida por Padre Vicente Pallotti, bem como Caterina Carrozza, que mais tarde, no mesmo ano, vestiu e recebeu o hábito religioso do próprio Padre Vicente Pallotti.  A obra feminina de Pallotti passou por momentos de provações e dificuldades, todavia como obra de Deus, permanece evangelizando até os dias atuais. 

Pallotti planejou e foi fundador da comunidade das Irmãs do Apostolado Católico à medida que foi criando uma casa de abrigo e de assistência para as meninas abandonadas. As primeiras meninas órfãs foram acolhidas à nova casa, na segunda-feira, após a festa de Pentecostes, 4 de junho de 1838. O contrato de cedência do prédio fora assinado a 25 de março daquele ano e as chaves foram entregues no dia seguinte. Tratava-se do antigo Colégio Fuccioli, situado na Via Santa Ágata dos Goti. Pallotti deu a esse ambiente o nome de Pia Casa de Caridade. Foi aí que, para a educação das meninas, procurou senhoras no próprio círculo das cooperadoras do Apostolado Católico. Sua intenção era organizá-las numa comunidade religiosa. Em favor delas, solicitou da Congregação dos Bispos e Religiosos licença para vestirem o hábito da Ordem Terceira de São Francisco de Assis. As educandas, como terciárias seculares franciscanas, também receberiam, conforme o uso da época, o hábito cinzento das terciárias, semelhante ao das educadoras.

A Congregação dos Bispos e Religiosos, a 29 de maio de 1838, aprovou o projeto de Pallotti, com rescrito que encaminhou ao Cardeal Vigário Odescalchi, competente no caso. Este, a 31 de maio, com as palavras: Ao requerido, damos nosso assentimento, apôs sua assinatura no documento e remeteu-o a Pallotti. Assim, tinha este, de duas instâncias, sinal verde para constituir e organizar o grupo de educadoras em comunidade da ordem terceira. E estava dada também a licença do Cardeal para que o uniforme das meninas fosse o hábito das terciárias seculares (Doc. Fundação, p. 203).

A vestição de cinco das educadoras realizou-se logo na oitava de Pentecostes de 1838. Com isto nasceu, na Pia Sociedade, a primeira comunidade feminina de vida consagrada, comunidade que estava, aliás, sendo planejada desde 1835. A casa de educação para meninas encheu-se logo, tanto que, já em 1839, tratou-se de buscar uma segunda casa. A intenção de Pallotti era criar nesta segunda casa, ao interior dos quadros do ramo feminino da Sociedade do Apostolado Católico, uma comunidade religiosa feminina. Estas religiosas fariam votos, recitariam o Ofício divino em coro, portariam o traje das Capuchinhas e cultivariam a pobreza. Desenvolveriam atividade apostólica em favor da juventude feminina e do elemento feminino em geral. Seu ‘objetivo principal’, entretanto, deveria ser “a adoração perpétua do Divino Coração de Jesus, para obter que o fogo do amor infinito se propagasse ao mundo inteiro” (OO CC II 521).

De acordo com o projeto, esta nova casa, este convento, abrigaria também o noviciado para as educadoras da Pia Casa de Caridade (Doc. Fundação, p. 204). Uma outra casa foi adquirida, no dia 9 de dezembro de 1839, na Ladeira de Santo Onofre, na qual para logo deram entrada a então superiora da Pia Casa de Caridade, Elisabetta Cozzoli, duas educadoras e vinte e três educandas. Pallotti deu a esta casa o nome de Sagrado Retiro do Coração de Jesus.

Infelizmente, Pallotti jamais conseguiu a aprovação eclesiástica para a fundação do convento projetado. A superiora E. Cozzoli, que afinava plenamente suas ideias pelos planos de Pallotti, por iniciativa do Vicariato, foi obrigada, inclusive, a deixar Roma, no fim de 1841. Como a casa de educação para meninas, a instituição se desenvolveu muito bem, graças ao generoso apoio dos príncipes Torloni. Em 1858, o educandário foi transferido para Castelgandolfo, não longe de Roma, e, mais tarde, passou a chamar-se ‘Conservatório Torlônia’.

Na casa da Via Santa Ágata, os atritos havidos entre a segunda superiora M. Verônica Lucchi e sua assistente, que não pertencia à comunidade das religiosas de Pallotti, levaram à formação de dois partidos. O Vicariato interveio, mediante Mons. De Ligne, que era também do Conselho Administrativo da Pia Casa de Caridade. De Ligne determinou a destituição da superiora, sem prejuízo de sua permanência na casa, afastou a assistente e duas educadoras e entregou a direção da casa ao instituto das Irmãs ‘Luigine’ (Luisinhas), que tinham como fundador Luigi (Luis) Locatelli, agregado ao Apostolado Católico. Em maio de 1842, assumiu a direção da casa a Irmã M. Vittoria Gasparri, ‘Luigina’. Pallotti foi deixado de lado e, durante quase um ano, não pisou na Pia Casa (Doc. Fundação, p. 205).

Em fevereiro de 1843, o Cardeal Vigário Constantino Patrizi ofereceu, às Irmãs Doroteias, a direção da Pia Casa a título de experiência, permanecendo na mesma até março do mesmo ano. O motivo da saída não é claro.

Após o Pe. Rafael Melia escrever um memorando ao Cardeal Vigário, Pallotti pôde tomar a si, de novo, os problemas da instituição. Algumas terciárias dos primeiros anos ainda trabalhavam na casa, entre elas a Irmã M. Verônica Lucchi. Vieram novas postulantes, algumas das quais educadas na Pia Casa e, no dia 8 de dezembro de 1843, duas delas vestiram o hábito. Uma era Benedetta Gabrielli, que entrara para postulante a 30 de março de 1843. Logo após a vestição, Pallotti nomeou-a superiora da Casa. Por dezenove anos, ela esteve à frente da Pia Casa e do Instituto das Irmãs. No dia 29 de julho de 1844, outras seis candidatas receberam o hábito da Ordem Terceira de São Francisco e, nos anos seguintes, vieram mais postulantes. Assim revitalizou o instituto nascente. Já em abril de 1843, o campo de ação das Irmãs ampliou-se. Junto à Pia Casa de Caridade foi aberta uma escola pública, gratuita, para as meninas pobres do Bairro Monti.

No outono de 1844, estava previsto a instalação do noviciado das irmãs e outra casa de educação para meninas, no edifício do Hospital ‘Cento Preti’. Tudo já estava acertado e contratado, quando ocorreu um incêndio no Hospital e destruiu justamente a parte destinada ao projeto, que se tornou inviável. Durante a vida de Pallotti não foi instalado nenhum noviciado e nem houve outra consagração de Irmãs. Para o reconhecimento eclesiástico do instituto, faltavam ainda as constituições. Após ter concluído o essencial da legislação da Congregação dos Padres e Irmãos, Pallotti pensava ocupar-se também, a partir de 1847, da Congregação das Irmãs.

Nos últimos anos de sua vida, o santo logrou pôr os fundamentos de uma ‘Pia Casa de Caridade’ em Velletri, a qual só pôde ser aberta, porém, em outubro de 1852. Na oportunidade, nove Irmãs, vindas de Roma, assumiram a direção da Casa, sinal do grau de desenvolvimento já alcançado pela comunidade (Doc. Fundação, p. 205; OO CC III, 26-27).

Em 1835, logo que, sob a especial proteção da Imaculada Mãe de Deus Rainha dos Apóstolos, foi fundada a pia Sociedade, com o objetivo de aumentar, defender e propagar a piedade e a fé católica. Poucos meses após a fundação, alguns dentre os agregados de um e de outro sexo, tomados de compaixão pela infeliz situação de tantas pobres meninas, abandonadas pelos próprios pais à mendicância para sobreviver, em meio aos perigos das ruas de Roma, chegaram à conclusão de que, recorrendo-se a pessoas abastadas, que já davam apoio à pia Sociedade, se obteriam facilmente doações suficientes para abrir uma pia casa de caridade, capaz de dar seguro abrigo a estas pobres jovens.

O caridoso projeto mereceu séria consideração. E, de vez que a finalidade primeira da pia Sociedade é coadjuvar, com as obras do ministério evangélico, o aumento, a defesa e a propagação da piedade e da santa fé, o plano da fundação da pia casa de caridade obteve aprovação dos principais dirigentes da mesma pia Sociedade. Referido plano tinha em vista não só garantir a educação cristã e civil das meninas pobres, mas também fazer com que a pia Sociedade viesse a ter, como sua própria, uma comunidade de mulheres, santamente dirigida, que se prestasse a coadjuvar, assumindo atividades próprias da condição delas, o bom andamento do Santo Retiro das Missões, que já se pensava abrir (Doc. Fundação, p. 206). 

A Congregação dos Padres foi fundada com o objetivo de animar sempre mais o clero secular e regular, para as obras do santo ministério evangélico, num sagrado vínculo de competitiva caridade e zelo e todos, de todo estado, sexo, posição e condição, para as obras de caridade e de zelo da maior glória de Deus e da salvação das almas. Pois, da mesma forma, a Congregação das monjas instituiu-se para animar sempre mais a caridade e o zelo das pessoas religiosas e seculares do próprio sexo.

Da mesma forma que os padres da Congregação devem estar dispostos a exercer qualquer obra do santo ministério, assim, as monjas devem estar dispostas para qualquer obra de caridade e de zelo, principalmente no que se refere à educação cristã e civil das meninas pobres e à conversão e santificação das almas, mediante exercícios espirituais a pessoas de toda idade do sexo feminino (Doc. Fundação, p. 207). 

A Pia Casa acolhia meninos e meninas órfãos ou em extrema pobreza para oferecer-lhes uma vida digna e desviá-los do mau caminho e proporcionar-lhes um futuro mais digno. Os mantenedores desta instituição de caridade eram mantidos, integralmente, por leigos. Segundo o fundador, a finalidade da mesma como a da SAC é de convidar todos os fiéis de ambos os sexos, de qualquer estado, grau e condição, para que vivessem a mais perfeita observância do preceito da caridade. Portanto, a base sobre a qual deve ser apoiada o governo e a administração da Pia Casa é a caridade e se essa viesse a faltar, todo trabalho seria inútil (cf. OO CC VI, 253-255).

Enfim, de acordo com o desejo do fundador, todos aqueles que trabalham para a Pia Casa devem sempre procurar a glória de Deus e a salvação das almas, por isso deve prevalecer sempre a caridade. Até mesmo aqueles que tem um posto de responsabilidade na Pia Casa deve ser assumido somente pela glória de Deus e pela salvação das almas. Mas, para edificar o reino de Deus, por meio das nossas atividades, precisa: “Respirar Deus, procurai-o e o encontrareis. Procurai-o em todas as coisas e o encontrareis em tudo. Procurai sempre e o encontrareis sempre” (Lett 382).

Deus em tudo e sempre!

 

Para refletir

  1. Por que Pallotti almejou criar um instituto feminino para a sua obra?
  2. Você conhece alguma irmã palotina?
  3. De que forma, todos podemos trabalhar juntos, segundo os desejos do fundador?