TEMA 11: O APÓSTOLO DE ROMA
Se quiserdes caminhar a passos largos na vida de
perfeição, segui continuamente Jesus, Maria e José. Procurai exercitar aquelas heroicas
virtudes que eles praticaram maravilhosamente, com amor, em todas as
circunstâncias e lugar.[1]
Um detalhe importante da vida de São Vicente Pallotti é
que ele esteve sempre atento às necessidades espirituais e materiais da Igreja.
No ano de 1833, ele demonstrou ter um interesse muito grande pelo Colégio da
Propagação da Fé, que se encontrava na Praça Espanha (Postulazione generale,
p. 61). Com a morte do diretor espiritual, o santo o substituiu oficialmente no
dia 23 de setembro de 1835. Com tal nomeação, ele viu concretizar um sonho que
para ele tinha muito significado, pois conseguira entrar em um Colégio
Missionário da Igreja Católica, canonicamente erigido pelo Papa Urbano VIII,
pela bula Immortalis Dei Filius, de agosto de 1627, para que acolhesse
alunos de todas as nações, os quais seriam enviados pelo Sumo Pontífice, para a
evangelização em todo o mundo.
A diversidade das raças, línguas e proveniências dos
alunos, fazia com que palpitasse o coração do santo pela universalidade da
Igreja. Pois, ele queria mergulhar toda a humanidade no sangue de Cristo, com
suas próprias mãos, para que Cristo a purificasse (Postulazione generale,
p. 36).
Para Vicente Pallotti, a essência da santidade está na
pureza de coração. E tal virtude deve ser adquirida antes da ordenação, porque,
do contrário será muito difícil de ser alcançada. Por isso, dizia sempre: três
coisas são importantes para o sacerdócio: “castidade, castidade, castidade” (Postulazione
generale, p. 57). Pallotti era tão cauteloso quanto às virtudes que, nas
férias de verão, quando os alunos do Colégio da Propagação da Fé iam para a
pequena cidade de Frascati, cerca de 25 Km de Roma, ele também se deslocava
para lá, para dar assistência aos alunos. No entanto, alugava um banco da
carruagem só para ele, para que tivesse uma viagem tranquila e sem a presença
ao seu lado de uma mulher.[2]
Orientação
apostólica
O trabalho realizado por Vicente Pallotti, até esse
momento, não tinha uma linha definida. Era simplesmente um sacerdote que
desempenhava sua missão de pastor, rezando missas, atendendo às confissões e
demais sacramentos. Procurava fazer o bem às pessoas sem distinguir qual
trabalho fosse, porque para ele, em qualquer das suas atividades, podia dar
glória a Deus. Os seus trabalhos iniciais foram com os estudantes da Igreja
Santa Maria do Pranto, na Academia de Teologia e aplicando os exercícios
espirituais aos nobres e militares do Gianicolo, mas este não era o seu maior
desejo. Passou, então, a atender os artesãos Del Muccioli, aos artesãos das
Escolas Noturnas, de Ponterotto, Clementino Del Campa, e começou a
identificar-se com este tipo de trabalho. A procura de seus interesses
espirituais se alargou também aos clérigos do Seminário Romano, Colégio Urbano,
Grego, Inglês, Irlandês, Escocês, mas ao mesmo tempo tinha contato com
Camáldoli e com vários outros institutos de Roma. Depois, começou também
atender os cárceres, os hospitais, os condenados à morte, os doentes de toda a
cidade e as intermináveis filas dos penitentes.[3] Para nós parece que o seu trabalho era infinito e
difícil de ser vencido, mas, para ele, a vontade de Deus é quem tranquiliza o
coração (cf. Lettera, 21).
Recusas
Vicente Pallotti recusou, em 1829, trabalhar na
Academia de Teologia. Recusou ainda o benefício de canônico na Igreja Santa
Maria dos Mártires – Panteão. Recusou a rica e honrada paróquia de São Marcos e
o ofício de capelão da Arquiconfraria de São João Decollato, porque teria um
alto salário (Postulazione generale, p. 57). Todas essas recusas de
Pallotti eram para estar mais livre para o apostolado. Todos viam nele não um
sacerdote comum, mas alguém com uma auréola de santidade, um mestre refinado
das coisas divinas (Postulazione generale, p. 69).
As seitas
secretas
Três eram as ditas seitas secretas que agiam no tempo
de Vicente Pallotti e que provocavam grandes problemas para a Igreja: a
maçonaria, os carbonários (uma sociedade secreta revolucionária que atuou na
Itália, França e Espanha no século XIX, contra o poder temporal da Igreja,
cujas regras eram semelhantes às da maçonaria). Tanto a maçonaria como os
carbonários se uniram ao Movimento de Unificação da Itália, que tinha fins
políticos. Os Papas que sofreram com as investidas destes movimentos foram: Pio
VII, Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI e Pio IX. Todos eles travaram uma luta
contra esses inimigos que tinham como única finalidade acabar com o poder
temporal da Igreja (trono e altar).
Os Carbonários se infiltraram largamente nas fileiras
do exército pontifício. Eles distribuíam panfletos entre os jovens, anunciando
o extermínio total do catolicismo e da ideia cristã. Convidavam seus seguidores
a mancharem a imagem do clero e a induzirem a juventude, inclusive os
aspirantes ao sacerdócio, para que se inflamassem por esses novos ideais
políticos. Eles queriam, na verdade, se infiltrar de tal maneira no governo da
Igreja com o intuito de um dia ter um papa Carbonário (Postulazione generale,
p. 80).
Gregório XVI, em todo o seu pontificado, viu nas
seitas o maior perigo e a maior fonte de mal que ameaçava a Igreja. Um ano após
a sua eleição já se falava na Encíclica Mirari vos (1832) da maldade
perpetrada por essa seita através de seus costumes licenciosos e pelo desprezo
às pessoas e coisas sagradas, pela sua luta contra a Cátedra de Pedro. A
Encíclica fez acenos também às reuniões secretas feitas pela seita. Em Roma, as
reuniões aconteciam no Coliseu (Postulazione generale, p. 92-100).
Pallotti tinha pleno conhecimento destas reuniões, mas
nunca os confrontou diretamente. Vendo a força destrutiva de tal movimento, Pallotti
procurou arrebanhar em torno de si o maior número possível de jovens, porque
sabia que eles eram seus alvos prediletos. Fundou, nesse período, a liga
antidemoníaca para combater a obscenidade e colocou toda sua alma na condução
de todos os jovens nos seminários e nos colégios romanos, que se preparavam
para o sacerdócio, para que tivessem uma vida santa (Postulazione generale,
p. 94). Ele conhecia bem o poder desta organização, de modo que vinte anos mais
tarde, à véspera do assassinato do Conde Pellegrino Rossi, quando De Geslin se
mostrou surpreso porque não tomava uma iniciativa para salvar a vida do Conde,
amargamente respondeu: “O senhor não conhece nem a força e nem a ferocidade
desse grupo. O mal reina solto e o papa está impotente frente a eles”. Mesmo
diante dos acontecimentos em curso, Pallotti continuou ativo no seu apostolado
e tomou como lema para si: Tudo para a salvação das almas e tudo para a
destruição do pecado. Em suas palavras tornaram-se frequentes a sua luta contra
o pecado e por isso pensou
Uma visita
inusitada
O desejo de Vicente Pallotti de servir a Cristo não
tinha limites. Certo dia, passando pela rua entrou em um pequeno comércio de um
senhor chamado Jacó Salvatti e encontra somente sua esposa e sem mesmo
conhecê-la perguntou: “foi você que me chamou aqui?” Ela respondeu: “o senhor
está enganado, pois nem te conheço!” Pallotti novamente diz à senhora:
“Camilla, sua filha enferma, acaba de ser curada! A mulher responde, tão curada
que está em agonia. Repetiu de novo e se foi. Quando o marido chega, dirige-se
ao quarto e leva uma fruta para a menina. Ela come e em seguida se levanta. O
seu médico constata mais tarde que a menina não sofria de mais nenhuma
enfermidade. A resposta do médico foi: “certamente foi curada por esse homem de
Deus”. Diante desse fato, Salvatti colocou-se à disposição de Pallotti, mas
quando Pallotti confiou-lhe a missão de fazer a coleta de quatrocentos Escudos,
levou o maior susto. Não é possível, disse. Não sou capaz disso, pois bem sabia
que poderia ser malvisto pela sociedade, pelo fato de ter sido prisioneiro por
duas vezes.[5] Ninguém
acreditaria nele. Precisaria pelo menos de duas cartas de apresentação.
Pallotti confirma a quantia e assegura que não precisaria de nenhuma carta de
apresentação. Ele, por deferência a Pallotti, convencido saiu em direção à
porta, mas de repente parou na soleira da porta, disse: “essa incumbência não é
para mim!” Pallotti, mais decidido do que antes, insiste-lhe para que vá.
Obedecendo à sua ordem, saiu e Pallotti com segurança profética lhe diz que, em
nome do crucificado encontrarás aquilo que é necessário. Confiante em tamanha
convicção do santo, Salvatti se anima e sai à procura da quantia estipulada. No
meio da rua, mais uma vez começou a vacilar e veio a ideia de dar um giro pelo
bairro, sem dizer nada e nem perguntar nada a ninguém, para depois voltar e
dizer a Pallotti que ninguém quis colaborar. Pensando bem, ele tinha recebido a
ordem de um santo e que descobriria sua mentira. Por fim, acabou se convencendo
de que o melhor negócio seria enfrentar a parada. Primeiramente chegou diante
de uma quitanda, entrou e logo já foi pedindo quatrocentos Escudos para uma
obra de caridade. Esperava que o homem o expulsasse ou risse em sua cara. Para
sua surpresa, o homem se desculpou gaguejando dizendo, mas... cem Escudos não
estaria bom? De imediato, começou a contar as notas. Salvatti fez mil
agradecimentos e encorajado entrou rápido em uma outra porta. O resultado foi
idêntico. Ninguém recusou. Aquilo que parecia impossível foi muito rápido e
fácil. Em pouquíssimo tempo, já tinha angariado quinhentos e cinquenta Escudos.
Salvatti não era uma pessoa rica, ele era proveniente
de Rocca di Papa, perto de Roma. Era fabricante de sabão e vendia na sua
lojinha. Por isso, não colocou nas mãos de Pallotti suas riquezas, mas o seu
trabalho voluntário. Tornou-se um grande colaborador na Pia Casa di Carità,
no Borgo de Santa Ágata. Mais tarde, Pallotti fez o casamento de sua filha
Camilla e batizou seus filhos. No batismo da terceira menina, disse: “vieram as
três Marias e agora virão aqueles que estavam aos pés da cruz.” Nasceram mais
dois meninos e foram chamados de José de Arimatéia e de João. Neste batizado,
surpreendeu a todos dizendo que já era velho e que logo partiria para a
“Pátria”. Foi a Salvatti que o santo reservou sua visita antes da morte. Depois
da morte, apareceu para a sua boa senhora e a curou de um mal súbito (Postulazione
generale, pp. 92-94).
Um outro leigo muito próximo e fiel a Pallotti foi o
operário do Apostolado Católico, o professor da Sapienza Tommaso Alkusci, caldeu.
Em 1840, começou a viver em comunidade com Vicente Pallotti, na Igreja do
Espírito Santo dos napolitanos, e, após sua morte, deixou sua rica biblioteca
para a Congregação dos palotinos. Giacomo Pichini contribuía generosamente com
os gastos referentes à festa do Oitavário da Epifania e deixou Salvatti como
herdeiro de confiança, para a conversão de todos os seus bens em obras pias.
Tanto a Igreja de Londres como a Pia Casa de Velletri foram beneficiadas por
esta herança.[6]
Os
colaboradores leigos no apostolado
Muitos leigos, entusiasmados pela ideia inovadora de Pallotti
que abria espaço para todos na evangelização, se propuseram a atuar nas Escolas
Noturnas, na Propagação da Fé, no Hospital Militar e nas Casernas, na
administração da Pia Casa de Caridade das meninas órfãs (Postulazione
generale, p. 103). Todo esse trabalho girava em torno de uma mística, ou de
uma espiritualidade que os levava a crescer não só na fé, mas no amor ao
próximo.
Diante do bom êxito obtido por Jacó Salvatti, na
arrecadação de fundos para a impressão de um livreto de oração em língua árabe,
levou Pallotti perceber como sendo uma resposta de Deus para um trabalho ainda
mais profundo, por isso convocou um grupo de amigos para expor algumas ideias
que o incomodavam. Pois, tinha a intuição de que todos podem ser apóstolos,
mesmo aqueles que não são sacerdotes, inclusive as mulheres. Em sua experiência
profunda de Deus, percebeu que Deus escolheu pessoas para ajudar na sua obra
salvífica, sem, no entanto, instituí-las como sacerdotes. Ele toma como exemplo
a própria Virgem Maria, que apesar de não possuir nenhum cargo eclesiástico, de
nunca ter rezado uma missa, não ter confessado ninguém, nem ter pregado, e, no
entanto, é a Rainha dos Apóstolos. É a Rainha dos apóstolos porque, no seu
estado, concorreu maravilhosamente para a propagação do Reino de Cristo.
Portanto, qualquer um, na condição em que se encontra, pode atuar na propagação
da fé. Por isso merece o nome de apóstolo. Além do mais, todos são chamados ao
apostolado porque devem imitar Cristo, o apóstolo do eterno Pai. O apostolado
católico tem como função de despertar os fiéis do seu torpor e indiferença,
frente aos acontecimentos da vida. Visa reacender a fé e reavivar a caridade em
todo o mundo (Postulazione generale, p. 112 e 117).
Segundo Rafael Mélia, em 1838, o Apostolado Católico
era já conhecido em 28 países, entre os quais, boa parte da Europa, Ásia,
África, Oceania, já tinha a presença de membros da Sociedade. O apostolado
católico inspirou a unidade e fez passar entre os institutos e casas
religiosas, entre os religiosos e o clero secular, entre o clero e os fiéis o
desejo de unirem-se em torno de um mesmo ideal, o apostolado universal (Postulazione
generale, p. 123).
Em Roma, a Sociedade dirigia e sustentava quatro
Escolas Noturnas. Os membros recolhiam e assistiam jovens em perigo ou já na
marginalização. Acompanhavam os exercícios espirituais. Em 1837, com a epidemia
do cólera, a Igreja do Espírito Santo dos Napolitanos, abriu um escritório de
assistência espiritual e corporal para as pessoas contaminadas pela doença.
Doavam camas e vestimentas para os necessitados. Em 1838, chegou a distribuir
cem mil livretos de devoção popular (Postulazione generale, p. 128).
Vicente Pallotti com sua iniciativa apostólica
tornou-se um inovador na Igreja, porque o que ele confiou aos leigos era uma
atividade exclusiva do clero secular e regular. Em 1840, sentindo-se muito
debilitado, recomendou aos sacerdotes e irmãos que promovessem com toda força a
propagação do Instituto, porque, segundo ele, a obra era conforme os desígnios
de Deus. Acrescentou ainda: “Nosso senhor Jesus Cristo se dignou revelar a uma
alma sua dileta, para que fosse escrito tudo isso a respeito da Sociedade do Apostolado
Católico. Tudo foi inspirado por Cristo” (Postulazione generale, p. 141).
Portanto, a trajetória de São Vicente Pallotti revela o
quanto ele estava atento aos sinais de seu tempo e às necessidades da Igreja. Ele,
realmente, utilizou todos os meios de que dispunha, para consolidar o seu sonho
missionário de atingir o mundo inteiro, para unir a diversidade de línguas e
raças, a fim de que houvesse um só rebanho sob um só Pastor. Com sua inovação
apostólica, ele rompeu com o exclusivismo clerical da época ao entender que
todo cristão é um apóstolo. Inspirado pela Virgem Maria — Rainha dos Apóstolos
que, sem ter sido sacerdote, foi a maior cooperadora de Cristo — ele integrou
leigos, artesãos e profissionais na missão evangelizadora. Essa visão de
Pallotti pode ser encontrada no livro dos Atos dos Apóstolos que mostra Paulo
reconhecendo que Deus também olha com um olhar misericordioso aos pagãos: “Deus
me escolheu para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e
acreditassem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles,
dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. E não fez nenhuma distinção entre
nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé” (At 15,7b-9).
Em suma, Vicente Pallotti antecipou o papel do laicato
na Igreja, fundando uma “Sociedade Apostólica” que funciona como uma “trombeta
evangélica”, recordando que a santidade e a missão não são privilégios de
alguns, mas um chamado universal fundamentado na caridade e na união de forças.
Por isso, esse grande sacerdote mereceu o título de apóstolo de Roma.
- Por que padre Vicente Pallotti pode ser
considerado o apóstolo de Roma?
- Qual foi a importância de Salvatti na União do
Apostolado Católico?
- Quem eram as seitas secretas, no tempo de
Pallotti, e como ele as enfrentou?
[1]
Cf. F. AMOROSO, San Vincenzo Pallotti Romano, Postulazione generale della Scocietà
dell’Apostolato Cattolico,
Tipografia Editrice M. Pisani, Roma 1962, p. 34.
[2] Cf. F. AMOROSO, San Vincenzo Pallotti Romano, pp. 59-67. Segundo testemunhos de
peritos da Casa Geral, o fato de Pallotti alugar um banco exclusivo para si em
suas viagens, para que não fosse sentada mulher ao seu lado, não era por
questão de algum luxo pessoal, ou por desprezo às mulheres, mas, sim, porque
havia uma forte campanha patrocinada pelo movimento secreto dos Carbonários,
anticlericais, que queriam encontrar a todo custo um pretexto para incriminar
sacerdotes e religiosos em algum tipo de escândalo. Prevendo isso, Pallotti
sempre foi muito cauteloso para enfrentar essa situação.
[3] Cf. F.
AMOROSO. San
Vincenzo Pallotti Romano, pp. 57-59. Edição antiga, p. 67.
[4] Cf. P. DE GESLIN. Compagnon de Saint
Vincent Pallotti, Ècrits et Lettres, textes établis et
annotés par Bruno Bayer SAC, Éditions du Dialogue, Paris, 1972, p. 105; Cf. F. AMOROSO. San
Vincenzo Pallotti Romano, p. 94.
[5] Existe
nos arquivos do Instituto Pallotti o processo, não completo, do julgamento de
Salvatti quando esteve na prisão. Estes documentos, até então, não foram
publicados e nem divulgados.
[6] Cf.
AMOROSO. San
Vincenzo Pallotti Romano, p. 125.