Tema 17: A FORMAÇÃO SACERDOTAL DE PALLOTTI
São Vicente Pallotti pertencia ao clero de Roma.
Para que possamos conhecer melhor o seu processo formativo, como sacerdote, é
preciso saber como era a situação do clero romano naquela época e como acontecia
a sua formação cultural, intelectual e espiritual.
Uma pesquisa histórica feita por Pietro Stella sobre
o clero romano, no século XIX, revela que na primeira metade do século XIX verifica-se
um desenvolvimento, no campo formativo, com a presença de novas tendências, ou
seja, o clero apresentava ter maior preocupação com os trabalhos pastorais e espirituais
do que com as coisas temporais.
No campo da formação espiritual aparece o modelo do
sacerdote bom pastor, disposto a guiar e a defender as ovelhas perdidas,
principalmente no que se refere ao enfraquecimento da prática religiosa. Dá-se
maior ênfase também à questão intelectual, com boas bibliotecas, contendo obras
que auxiliassem na pregação, na catequese, na apologética, vida dos santos para
cada dia do ano, subsídios devocionais, história sagrada, tratados elementares
e ecléticos de teologia, manual prático de moral. Isso é possível constatar, no
quarto de Pallotti, acima da sua cama, um amplo quadro com as festas litúrgicas
durante o ano.
A formação sacerdotal daquele período, do ponto de
vista espiritual, era conforme o modelo jesuítico, nutrida pela meditação,
exame de consciência, exercícios de piedade e da prática dos sacramentos. Em geral,
pode-se afirmar que o clero romano, no tempo de Pallotti, tinha uma boa
formação sacerdotal, e ele fazia parte deste elenco.
Formação de Pallotti, antes da ordenação sacerdotal
O jovem Vicente Pallotti iniciou os seus estudos por
volta de 1804, frequentando a escola fundamental, na via dei Cappellari e
depois no Colégio de São Pantaleão dos padres Escolápios. De 1809 até o verão
de 1814, frequentou o Seminário Romano que, após a supressão dos jesuítas, em
1773, no difícil período de ocupação napoleônica, foi confiado a um grupo de
sacerdotes diocesanos. No Seminário Romano, o adolescente Vicente fez os seus
primeiros estudos humanísticos, onde se familiarizou com os clássicos latinos e
gregos.
A última etapa da sua formação de filosofia e de
teologia, que o conduziu ao sacerdócio, no dia 16 de maio de 1818, aconteceu na
Universidade Romana Sapienza. Naquele tempo, a Sapienza oferecia cursos de
teologia, filosofia, medicina, direito e letras. A maioria dos professores
pertencia ao clero regular e secular. O ambiente acadêmico e espiritual da
Sapienza era muito bom. A vida universitária ajudava os estudantes a cultivar a
vida espiritual. De segunda a sexta-feira, o estudante Pallotti, como todos, assistia
às aulas dos vários mestres e a discussões de temas teológicos, organizados
após os cursos obrigatórios. Na Igreja de Santo Ivo, celebravam-se as missas de
abertura do ano letivo e das festas principais. Os sacerdotes professores se
alternavam para celebrar as missas festivas e dominicais, como também ouviam as
confissões.
Vicente Pallotti teve sua formação sacerdotal de
forma diferente, como a concebemos hoje. Ele morava na casa paterna e estudava
como aluno externo. Recebia uma sólida formação humana e religiosa de diversas
pessoas, primeiramente dos pais, que eram muito piedosos, do seu diretor
espiritual, Pe. Fazzini, os mestres Escolápios, Seminário Romano, Universidade Sapienza
e, ocasionalmente, os diretores dos exercícios espirituais anuais e dos retiros.
Tudo isto teve uma forte influência na sua formação sacerdotal.
O biógrafo do Papa Pio IX, Carlo Falconi, escreveu também
sobre Pallotti. Comentou sobre seus estudos acadêmicos e da sua escolha de
seguir a vida eclesiástica, privilegiando assim laurear-se em filosofia e
teologia. Era também um poliglota e de boa formação intelectual, com inclinação
para a intelectualidade, mas fica para ele uma incógnita do porque mudou de
rota e decidiu entrar no campo da ação pastoral.
Pallotti e a sua formação sacerdotal permanente
Na vida de Vicente Pallotti, pode-se destacar dois
períodos ligados à sua formação sacerdotal permanente. Primeiro: formação
sacerdotal, no campo espiritual/intelectual, de 1818 até 1830. Segundo: de 1830
até 1850, formação sacerdotal, no campo espiritual/pastoral.
Antes de tudo, a formação espiritual de Pallotti se
dá ao longo da sua existência, no intenso cultivo das coisas espirituais. Isto
se confirma pelos seus escritos espirituais, pelas suas inspirações e heroicos
propósitos que foram compendiados no volume X das Obras Completas, As luzes.
Sobre este assunto, não há necessidade de muitas delongas, porque temos várias
outras contribuições sobre o caminho espiritual de Pallotti. Basta folhear os
escritos do Pe. Francesco Amoroso, SAC, intitulado: “La via dell’infinito”
(O caminho do infinito), no qual apresenta a autobiografia espiritual do
referido santo.
O pensamento espiritual de Pallotti deu-se ao longo
da sua formação. Isto se pode notar pela sua visão e compreensão a respeito do
sacerdócio. No início do seu ministério sacerdotal, escreveu: “O nosso inefável
Deus dignou-se elevar-me ao sublime grau do sacerdócio, cuja missão é: celebrar
o digníssimo Sacrifício, administrar os Santos Sacramentos, pregar a divina Palavra
e recitar o divino Ofício” (OO CC X, 148). No final de sua vida, escreveu
de maneira diferente: “Luzes e trevas, bendizei o Senhor. Raios e nuvens,
bendizei o Senhor (Dn 3,72-73). Quanto ao que era ensinado por mim, era visto
como algo bem feito, tanto da minha parte como da dos outros; mas, na verdade,
eu não fiz nada que não fosse o mal, pois não instruí suficientemente os fieis,
e não preguei o Evangelho a todas as criaturas; mas as obras de Jesus Cristo e
a pregação do Reino, para sua piíssima misericórdia e amor, foram objetos de
minhas obras e pregações” (OO CC X, 492).
Pallotti continuou sua formação sacerdotal/intelectual
após a ordenação, aos 16 de maio de 1818, com o complemento dos estudos
teológicos e exercendo o ofício de professor na Universidade Sapienza. No dia
15 de julho de 1818, Pallotti submeteu-se aos exames para laurear-se em filosofia
e teologia, obtendo bons resultados. No dia 4 de março de 1819, o reitor da
Universidade, Belisario Cristaldi (1764/1831), nomeou-o como acadêmico daquela
mesma universidade. Na carta de nomeação, escreveu: “O favorável parecer a
respeito do senhor determinou-me a escolhê-lo como Acadêmico da faculdade de Dogmática,
da Escolástica e dos locais teológicos, para ajudar os alunos nos grupos de
estudo com argumentações e dissertações” (OCL I, 425-426); (San Vincenzo
Pallotti romano, Postulazione generale SAC, Roma 1962, p. 39).
Ansgar Faller explica que Pallotti foi nomeado como
repetidor e exerceu este ofício de mestre acadêmico entre os anos de 1819 até
1829. Com este título, não podia desenvolver sua própria opinião teológica,
porém, ideias pessoais não lhe faltavam. Mesmo que pudesse manifestá-las, ele
as evitava. Limitou-se, rigorosamente, em apenas repetir os conteúdos a serem
apresentados. Ele escolhia as pessoas para o debate e anotava seu
desenvolvimento com muito cuidado. Organizava as discussões de maneira
acadêmica e confirmava os resultados. Durante estes dez anos de trabalho, como
mestre acadêmico, teve a oportunidade de aprofundar-se na teologia e com isso
pode ajudar na formação de inúmeros sacerdotes que mais tarde tornaram-se
párocos e professores.
O esforço de Pallotti em aprofundar na área da
teologia ficou evidente pela sua participação na Pia União de São Paulo
Apóstolo, iniciada em Roma, no ano de 1790. Era uma obra que promovia a
formação espiritual do clero romano e que organizava as atividades apostólicas
e pastorais nos diversos campos da vida eclesial. Vicente Pallotti era membro
desta Pia União e participava das conferências sobre a moral, a cada quinze
dias, na Igreja Santa Maria da Paz, na Igreja da Universidade romana e na
Igreja Santo Apolinário.
Nos anos de 1820 a 1829, fez parte de um grupo para
resolver casos referentes à moral. Nestes encontros participavam também o clero
romano, pois a sua finalidade era para capacitá-los nestas questões. A função
de Vicente Pallotti era a de apresentar casos e propor soluções. Isto nos faz
acreditar que, já naquele tempo, possuía uma ampla cultura geral e teológica.
As iniciativas de Pallotti a respeito da formação sacerdotal
Vicente Pallotti conhecia, profundamente, a vida
sacerdotal. Estava convencido de que a santidade dos sacerdotes, como também
seu desempenho pastoral, dependem de uma boa formação. Para ele, não basta
apenas o clero ser santo, é preciso que também seja douto (OO CC I,
171). Dizia mais: “Se a vida de todos os cristãos deve ser uma contínua
imitação da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, (...) com quanto maior perfeição
não deveria ser a daqueles que chegaram ao sacerdócio e que devem agir em nome
de Cristo”! (OO CC I, 157).
Por isso, desde o início das atividades sacerdotais
se nota um grande apreço de Pallotti pela contínua renovação da vida do clero.
Isto se confirma pelo texto escrito entre os anos 1823 a 1829, período do
pontificado do Papa Leão XII, intitulado: “Vários pontos para a reforma do
clero” (OO CC V, 544 a 557). Este texto traz as propostas para a
renovação da vida sacerdotal, e Pallotti é solícito em promover tudo aquilo que
pode contribuir para a formação dos perfeitos servos de Cristo. Os sacerdotes e
confessores, além de serem bem preparados, devem ter uma vida de santidade. Os
pregadores devem distinguir-se tanto pela doutrina quanto pela sua integridade
moral. Da santidade, da ciência e da vigilância dos pastores dependem, em
grande parte, a paz da cristandade e a salvação eterna das almas.
A partir de 1827, Pallotti foi nomeado diretor
espiritual do Seminário Romano, Colégio Inglês e Irlandês. Em 1833, deu início
também ao Colégio Urbano da Propagação da Fé. O exercício da direção espiritual
levou-o a ter ainda mais convicção da necessidade de uma profunda formação
sacerdotal, sobretudo, missionária. Qual fosse o teor da sua formação
espiritual, afirma: “Para ajudar os alunos a serem verdadeiros missionários,
entre os infieis, é necessário formá-los na prática indicada pelo próprio
Cristo: ‘Se alguém quiser vir atrás de mim, renegue-se a si mesmo, tome cada
dia sua cruz e me siga’” (Mt 16,24); (OO CC XI, 449)
O pensamento de Pallotti sobre a formação sacerdotal
Vicente Pallotti lembra, frequentemente, em seus
escritos, que o eclesiástico deve esforçar-se pessoalmente, para buscar seu
crescimento durante toda sua vida. Ele estava convencido de que há uma
intrínseca união entre o crescimento espiritual, o estudo e o apostolado. Sobre
isto, merece destaque o texto sobre a obrigação de todos no espírito de
santidade e de instrução (cf. OO CC II, 81-86; III, pp. 47-48). Este
texto vem precedido da referência sobre a vida de Jesus Cristo: “O menino
crescia e se fortificava, cheio de sabedoria e da graça de Deus; após três dias
o encontraram no Templo, sentado entre os doutores, enquanto os escutava e os
interrogava” (Lc 2,40-46). Pallotti, assim, pensava: da mesma forma que Jesus
crescia e se fortificava cheio de sabedoria, escutando e interrogando os
mestres, mesmo sendo a verdadeira Sabedoria, com maior razão, devemos também nós
buscar a verdadeira instrução.
Escreveu ainda: “Devemos mais amar que buscar as
instruções, e devemos procurá-las com afinco e ávidos de manifestar aos outros
a nossa ignorância; e, por esta via de humildade, Deus nos recompensará com
grande e saudável capacidade” (OO CC III, 48). Pallotti, por sua vez,
enumerava os pontos que mereciam maior atenção e aprofundamento, a saber: a
Sagrada Escritura, a história da Igreja, a teologia fundamental e dogmática, os
sacramentos, a liturgia e a teologia moral. Ele expressava, ainda, a razão de
se ter um contínuo aprendizado: “Para que jamais regrida na mais perfeita
imitação da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e, assim, cooperar eficazmente no
engrandecimento da sua glória, para a santificação das almas” (OO CC
VII, 63-64).
As propostas de Pallotti em prol da formação sacerdotal
a)
Mês de maio para os eclesiásticos
No início de 1939, Vicente Pallotti começou a
celebrar na Igreja do Espírito Santo dos napolitanos o Mês de maio com os
sacerdotes romanos, diocesanos e religiosos. Francesco Moccia SAC afirma que os
três “Mês de maio”, compostos por Pallotti, em 1833, tinha a intenção de
divulgar a devoção mariana e de atingir mais profundamente o coração dos
leitores.
O Mês de maio para os eclesiásticos, impresso no
curso dos anos, em cinco edições, atribui o título à Maria Imaculada Mãe de
Deus, Rainha dos Apóstolos, no mês de maio, em honra aos seus consagrados;
recorda aos eclesiásticos instituídos, em qualquer ordem, os avisos que lhes dá
a Igreja, após sua ordenação, segundo o Pontifical Romano e seu angélico
ministério, segundo os apelos das Sagradas Escrituras.
A fonte para as meditações é o Pontifical Romano com
os trechos dos escritos dos Santos Padres, para se ter presente nos diversos
dias. O Mês de maio para os eclesiásticos se distingue pela densidade da
doutrina. Os temas são tomados das advertências do Pontifical romano aos vários
graus dos ordenados e dos ofícios dos coros angélicos. Maria Imaculada, Rainha
dos Apóstolos, recorda aos eclesiásticos os avisos que a Igreja lhes dá,
durante a cerimônia da ordenação e às funções do seu ministério. A Mãe de Deus instrui,
guia, encoraja os mestres da Igreja de seu Filho. A parte mais ampla da
meditação é a respeito do exame de consciência e a renovação da própria vida,
não se trata tanto de ampliar os conhecimentos, mas de buscar maior
transformação pessoal.
A finalidade do mês mariano para os sacerdotes era
de aprofundar na doutrina eclesial e a renovação espiritual. Neste escrito,
Maria, Rainha dos Apóstolos, dizia aos sacerdotes: “Quero deixar bem claro que,
para converter os pecadores e iluminar os incrédulos, é mais eficaz a santidade
da vida do clero do que todas as apologias escritas nos livros”. No último dia
do mês se encontram as palavras de profundo significado espiritual para a vida
do sacerdote. Maria, Rainha dos Apóstolos, lhes diz: “Abrasado de amor no amor
infinito, vai acompanhado das bênçãos do Amor Infinito, para exercitar o seu
ministério e será um Serafim e espalhará por todos os lados dardos de amor nos
corações, para levar-lhes o Amor Infinito: dardos de amor será o seu salmodiar,
dardos de amor serão a sua celebração dos mistérios, a sua pregação e a sua
administração dos sacramentos; instruído em Deus, aceso de amor em Deus,
animado pelo espírito de Jesus Cristo, em plena desconfiança de si; vá
corajosamente (...) quero que o seu zelo pelo crescimento do Rebanho de Jesus
Cristo seja, sem medida, aceso pela divina caridade e dirigido pelo Amor
Infinito”.
A adesão dos sacerdotes às celebrações do mês
mariano, na Igreja do Espírito Santo dos Napolitanos, foi muito boa. A cada dia
do mês se faziam meditações sob as pegadas de o “Mês de maio para os
eclesiásticos”, de Pallotti, e terminava com um cântico atribuído a São
Boaventura: “Louvamos a Ti, ó Mãe de Deus”. Segundo as informações históricas,
o Mês de maio para os eclesiásticos foi celebrado na Igreja do Espírito Santo,
de 1839 até 1845. Isto se confirma com a carta de Pallotti que, em 18 de maio
de 1844, escrevia a Domenico Santucci: “Lembre-se de que temos o mês de maio
para os eclesiásticos”. Pallotti se transferiu para a casa, junto a São Salvador
em Onda, no início da quaresma de 1846.
b)
As conferências semanais para os sacerdotes
Os sacerdotes que participavam das celebrações do
Mês de maio expressaram o desejo de reunirem-se no mesmo local, periodicamente,
ao longo do ano. Assim nasceu a ideia das conferências semanais para os
sacerdotes que participaram na Igreja do Espírito Santo dos Napolitanos,
começando em 1839. A alma e promotor principal destas conferências era o
sacerdote Vicente Pallotti.
O primeiro encontro aconteceu no dia 6 de junho de
1839, primeira quinta-feira do mês. A partir de então, o clero romano começou a
se reunir toda quinta-feira à tarde, na Igreja do Espírito Santo, na Via
Giulia. Participaram sacerdotes diocesanos e regulares, monsenhores, teólogos,
consultores dos dicastérios pontifícios e também alguns bispos. As
conferências, graças a Vivente Pallotti, eram endereçadas à renovação da vida
espiritual e a atualização pastoral dos sacerdotes. Ao empreender esta
iniciativa, Pallotti se inspirou na ideia de São Vicente de Paulo, que promovia
reuniões periódicas de eclesiásticos destinados a renovar a vida espiritual e a
preparação pastoral dos sacerdotes. Nestes encontros se abordava um caso de
moral ou de liturgia. Analisava-se e apresentava soluções. Neste período, em
toda a Europa, começaram surgir estas iniciativas. Pallotti, porém, enriqueceu
o programa e focalizou sobre a renovação espiritual, como se pode ver pelo
título do texto: “Conferências semanais do espírito, do estudo sacro, e do
ministério evangélico para os eclesiásticos, instituídos sob a especial
proteção da Imaculada Mãe de Deus, Rainha dos Apóstolos”.
Segundo Pallotti, as conferências de quinta-feira
deveriam ser uma palestra de alento espiritual. Aos participantes, Pallotti
sugeria boa disposição: “Frequentá-la com espírito da mais profunda humildade e
firme persuasão da necessidade de escutar as reflexões dos outros com a
consciência da própria indignidade em receber a graça de aprofundar em tais
reflexões: e aqui, cada um pode considerar o quanto esteja longe de tirar
proveito das conferências, uma vez que a frequentasse somente para mostrar os
seus próprios conhecimentos, pensamentos, argumentações e saber”. Por isso, dos
encontros “se excluem as reflexões críticas ou de simples erudição; todas as
reflexões devem tender a promoção da vida devota e santa (...). São proibidas
as perguntas muito longas, porque elas não favorecem o crescimento das ciências
sagradas” (OO CC V, 582). De acordo com os escritos de Pallotti, as
conferências deveriam ter a finalidade de conduzir as pessoas à maior imitação
de Jesus Cristo e de promover o quanto possível, a maior glória de Deus e a
perfeição evangélica de si mesmo e dos outros e de dispor-se assim à
observância do ministério apostólico.
Pallotti explicava que o método desta conferência,
para ser frutuoso, devia ser simples e que tocasse no coração e na mente. Eis
os componentes do encontro: lições de canto gregoriano, leitura e partilha de
um texto do Evangelho do domingo seguinte, leitura do Catecismo Tridentino ou
Romano, com o comentário de um ou mais padres escolhidos, debate desenvolvido
“na paz e na caridade” em torno de um caso referente à moral, escolhido na
conferência anterior, e a oração final para pedir a Deus operários para sua
messe. Quanto à partilha do Evangelho, Pallotti insistia que, após a leitura do
texto, em Latim, se lesse também, para uma maior compreensão, “a tradução
vulgar com as notas”. Cada participante era convidado a dizer não somente o que
o havia tocado, mas também o que gostaria de fazer para seguir Jesus Cristo, de
acordo com o que foi lido. Esta partilha tinha também a finalidade de
enriquecer a pregação dominical. No final da partilha, se distribuía um pequeno
bilhete no qual estava escrito um versículo da Sagrada Escritura. Cada um lia
em voz alta e fazia um pequeno comentário.
Do epistolário de Pallotti, descobrimos que as
conferências semanais lhe eram muito caras. Ele, pessoalmente, se encarregava
de recordar os sacerdotes e também de convidá-los para fazer parte. Esta confirmação
aparece em duas cartas, dia 27 de abril de 1841, Pallotti escreve para monsenhor
Pietro Minetti: “ela se tornou avarenta, é preciso fazer algum presente na
conferência semanal! Fará o mesmo no mês mariano dos eclesiásticos, a qual
iniciará na próxima sexta-feira. Espero que venha quinta-feira à conferência e
depois a indicada prática do mês de Nossa Senhora Imaculada” (OCL III, 1. n.
751). No dia 13 de março de 1845, Pallotti escreve para Andrea Mogliazzi:
“Hoje, às 21h 30min, nos encontramos para a conferência no Santo Espírito; e
para cumprir esse dever e regular as forças, você poderia confessar alguém no
Hospital Militar” (OCL V, 1. n. 1103)?
Nota-se, também, que para levar adiante este projeto
de organizar e assistir todas as quintas-feiras tais conferências, necessitava
de muito esforço e exigia empenho e colaboração de muitas pessoas. Talvez,
depois do primeiro impulso, diminuiu o zelo dos colaboradores. Isto pode ser
observado pela carta escrito por Pallotti, no dia 6 de agosto de 1840, em
Cingoli, onde se encontrava para realizar as missões. Ele escreveu aos zelosos
colaboradores das conferências espirituais, do estudo sacro, e do ministério
evangélico, sob a proteção especial da Imaculada Mãe de Deus Maria Santíssima,
Rainha dos Apóstolos: “chegou o momento oportuno de falar do mês mariano para
os eclesiásticos e das conferências; gostaria de contar com a presença de todos
vocês, e tenho certeza o quanto isso os fará bem. Senhores missionários,
gostaria de confirmar vocês no progresso da unidade, mesmo que algum tenha
sofrido a tentação do resfriamento ou então da desistência...” (OCL III, 1. n.
695).
Para concluirmos sobre o tema: a Formação sacerdotal
de Pallotti e o modo como instruía os membros do clero de Roma, isto no leva a
crer que, para ele, não bastava apenas buscar a santidade, mas, também, devemos
ter a preocupação diária em sermos doutos.
Para refletir
1.
O que você diria da
formação sacerdotal de Vicente Pallotti?
2.
Como os membros da UAC
podem ampliar os seus conhecimentos no campo da fé?
3.
Que sugestão você daria,
para que possamos manter vivo um espírito de oração e de estudo?
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