Tema 2: A origem
e o objetivo da União do Apostolado Católico
Ainda muito jovem, Pallotti descobriu Deus
como Aquele que ama tudo o que criou. Essa experiência aumentou nele o desejo
de responder ao amor de Deus, com todas as suas faculdades, e ajudar o maior
número possível de pessoas a fazerem o mesmo.
A atividade de Diretor Espiritual no
Colégio da Propagação da Fé, que exerceu desde 1833, logo convenceu Pallotti de
que a Igreja, com os meios utilizados até então, não seria mais capaz de
realizar as tarefas que lhe eram apresentadas nas novas possibilidades de
difundir a fé, especialmente no mundo de língua inglesa (OO CC IV, 120).
Quando ele conheceu as necessidades dos
cristãos caldeus, nos atuais territórios do Irã e do Iraque, Pallotti, em 4 de
dezembro de 1833, escreveu um apelo dirigido a “todos os bons católicos do
mundo inteiro”, para prestar assistência juntamente com aquela Igreja local[1].
Em 1834, Pallotti reuniu ao seu redor um Comitê de leigos e padres que
trabalhavam para o apoio da Igreja Caldeia (OO CC III 24; OOCC IV 176,
314).
Entre os anos de 1834 a 1839, Vicente
Pallotti alcançou uma crescente clareza em relação à configuração da obra que
ele fundou no ano de 1835. A história unificada da União vai de 1820 a 1846,
quando Pe. Vicente se mudou para a Igreja do Santíssimo Salvador e tomou a
decisão de criar, legalmente, a Sociedade do Apostolado Católico. Esta história
está repleta de mal-entendidos, dificuldades e contrastes, e trouxe, a
Pallotti, os sinais de morte. Sobre isso, falaremos mais adiante.
No entanto, durante uma curta e dolorosa
história unificada, a União, antes de ter a aprovação jurídica do corpo e do
motor central da Sociedade, padres e Irmãos, criou e dirigiu as mais
importantes iniciativas palotinas, como: os Oratórios noturnos e as Escolas
noturnas que começaram em 1819 – 1820; em 1833, o Mês de maio para os
enclausurados, eclesiásticos e leigos e a conferência semanal do clero; o
Oitavário em 1836; o Colégio de Missões Estrangeiras, criado em 1835; a
resposta generosa à epidemia de cólera de 1837; os cuidados do Hospital Militar
em 1843 e, finalmente, a missão de Londres em 1844[2].
Quase todas essas atividades começaram, ocorreram e tiveram sua coordenação na
Igreja do Espírito Santo dos napolitanos.
Portanto, a data referencial do nascimento
da UAC, aceita como inspiração/intuição de Pallotti, ocorreu no dia 9 de
janeiro de 1835[3]. O
fato ocorreu, quando celebrava o Oitavário da Epifania, no momento de ação de
graças, após a celebração da Santa Missa. A sua experiência foi assim descrita:
“Meu Deus, minha misericórdia, em sua infinita misericórdia, você me concede de
uma maneira particular promover, estabelecer, propagar, aperfeiçoar, perpetuar
pelo menos com o desejo mais vivo de seu Santíssimo Coração:
1.
Uma piedosa instituição e um apostolado universal
a todos os católicos, para promover a fé e a religião de Jesus Cristo entre
todos os incrédulos e não católicos;
2.
Outro apostolado oculto para reavivar, preservar
e aumentar a fé entre os católicos;
3.
Uma instituição de caridade universal, no
exercício de todas as obras de misericórdia espiritual e corporal, para que
você seja conhecido no homem como possível, uma vez que é uma caridade
infinita”[4]
(Doc. da fundação, p. 34-35).
Em 1835, Vicente Pallotti, em uma experiência mística vital, fez
uma profunda experiência do infinito amor e misericórdia de Deus. Pe. Francisco
Todisco coloca essa sua experiência como momento fundamental do recebimento do
carisma, ou seja, dom espiritual que lhe foi confiado pelo Espírito Santo, para
o bem da Igreja de Jesus Cristo. O carisma foi a intuição e a inspiração para
estabelecer, na Igreja, a União do Apostolado Católico, uma instituição
“múltipla”, isto é, com muitas facetas.
Pallotti vê e sente as grandes necessidades do
mundo e da Igreja
Todos os fundadores partiram de uma viva e
forte percepção das necessidades da humanidade e da Igreja. Para Pallotti não
foi diferente. As suas iniciativas e trabalhos foram orientadas à superação de
tais dificuldades, por meio da iluminação da fé e do conhecimento destas
realidades, mediante os seus contatos com o mundo missionário, como espiritual
no seminário da Propagação da Fé.
As grandes necessidades do mundo,
percebidas e sentidas por ele, situavam-se, sobretudo, no plano religioso. Ele
olhava tudo isso com os olhos e com o coração do Cristo Apóstolo, do Cristo
Missionário, do Cristo Enviado do Pai: um mundo a ser salvo e conduzido ao Pai
Celeste. Ele constatava que a grande maioria da humanidade desconhecia, Jesus
Cristo e não cria nele e, por causa disso era “infiel”, isto é, sem a fé cristã
(Doc. da Fundação, pp. 42, 44, 117-118). Por isso, sentiu a necessidade de
trabalhar de forma organizada, para unir as forças vivas da Igreja.
Objetivo central da Sociedade: “O objetivo
dessa associação é, exclusivamente, a santificação daqueles que a compõem e a
propagação da fé católica em todo o mundo” (OO CC IV, 143 e 253). “A vocação à
santidade não está reservada a um setor da Igreja, mas é um chamado universal
voltado para todos os batizados sem exceção. Em sua essência, para os fiéis
leigos, a santidade significa viver coerentemente sua fé no dia a dia, em seu
trabalho profissional e no seu estado de vida. O leigo é um cristão, e seu
apostolado está relacionado com o papel que ocupa na sociedade temporal, ou
seja, com as responsabilidades específicas de sua condição de leigo, no mundo
profissional, social, econômico, cultural e político. “O leigo que não separa a
fé e a vida, a aceitação do Evangelho e a ação concreta nas mais variadas
realidades temporais e terrenas, dá testemunho do que crê. Ali é o seu
apostolado”[5].
“Viver a sua vocação específica o conduz ao coração do mundo como um caminho de
santidade”[6].
Segundo Pallotti: “O corpo central e
motriz do apostolado católico é composto de eclesiásticos e de leigos. Eles se
reunirão, irmanados entre si pela caridade, em local oportuno, para atender à
perfeição de si mesmos..., e para preparar o espírito daqueles que queiram
dedicar-se às missões” (OO CC V, 47). Mas a Congregação seria a alma e a
parte motora da Sociedade e deve garantir-lhe a unidade, a estabilidade e a
eficiência.
Um outro fator importante para a Sociedade
do Apostolado Católico, é de se opor, por meio de uma ação viva e eficaz, a
tudo aquilo que conspira contra a religião. Por isso, pretendia reunir toda a
ação evangélica, as orações e as ofertas daqueles que se inscreviam na sua obra,
para criar um exército de devotos, um corpo de fiéis zelosos e fervorosos em
matéria de fé e de religião. Como corpo auxiliar da Igreja, os membros deveriam
ser como trombetas evangélicas, que fomentassem em todos o desejo de propagar a
fé, pelo vínculo da caridade.
Para Pallotti, a finalidade da obra do
Apostolado Católico é reunir a ação evangélica daqueles que dela fazem parte,
para auxiliar as obras de piedade e zelo existentes, e aumentar os meios para
propagar a religião católica sob a dependência do papa. Para alcançar mais
facilmente seu vasto objetivo, a Sociedade une-se e convida a unir-se a ela
outras Sociedades Católicas, Religiosas e Corporações, para trabalharem unidas,
porque, para ele, os trabalhos só terão êxito quando todos concentrarem suas
forças e caminharem em uma mesma direção. Todos podem fazer parte (Leigos,
Religiosos, Padres seculares e Irmãs, individualmente ou em grupo) que,
conscientes da obrigação que possuem, por essência da criação, de salvar a si
mesmos e aos outros, inscrevendo-se, dão o seu nome, a obra, as orações e a
contribuição à Sociedade, para vir em auxílio da Igreja (Papa, Bispos, Párocos,
Missões), seguindo Jesus Cristo, Apóstolo do Pai Eterno.
O apostolado nasce do batismo
Pallotti foi mais seguido por leigos do
que por padres, mas o corpo central e motor do apostolado universal se reunia
com seus leigos, para atender à própria perfeição, ou seja, crescer em
santidade para ser apóstolo (OO CC V, 65, 69 e 76)[7]. O preceito da caridade é o argumento
para chamar todos ao apostolado. O apostolado feito em benefício da salvação do
próximo é fruto da caridade. Como Jesus é apóstolo do Pai eterno, assim todo o
cristão é apóstolo dele. O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao
preceito do Pai Celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção. Esse
argumento é tão importante para Pallotti que ele coloca a vida de Jesus Cristo
como norma para os seus continuadores.
Pallotti não teve a preocupação de
apresentar uma descrição do que seja o fiel leigo. Mais do que falar de leigo,
ele acentuava o ser cristão, para se referir a todos os membros da Igreja e
justificar o direito e o dever de todos participarem do apostolado de Jesus
Cristo[8].
O batizado deve inserir-se e identificar-se perfeitamente com Cristo, de tal
maneira que Ele é constituído originalmente o “modelo do apostolado de todos”.
Pelo batismo, o cristão é colocado em perfeita comunhão com a vontade salvífica
do Pai, isto é, com o apostolado. A caridade constitui o cristão, unindo-o ao
Pai, e é o seu dinamismo apostólico. Deste modo o cristão se torna, em Cristo,
imagem e semelhança de Deus. Esta imagem e semelhança se verifica, em primeiro
lugar, no amor ao próximo que é ação salvadora. Desta forma, a teologia do
apostolado de Pallotti entra em sintonia com a própria teologia da Igreja,
expressa no Vaticano II que diz: A Igreja, antes de ser hierárquica, é povo de
Deus (LG 4).
Portanto, o apostolado não é prerrogativa
daqueles que têm jurisdição e ministério, mas pertence a todos os batizados. O
apostolado é católico. Esta é uma afirmação que faz de Pallotti um autor
avançado, visto que o termo apostolado é relativamente recente (At 1, 25)[9].
Ele via, também, muitos fiéis separados do
verdadeiro rebanho de Cristo: hereges e cismáticos. Se a existência dos pobres
e dos doentes o entristecia e o comovia, muito mais ainda sofria e comovia-se
ao ver a maior parte da humanidade privada da luz e da presença salvadora de
Jesus Cristo. Ele percebeu que o mundo precisava ser evangelizado, para poder
ser salvo por Jesus Cristo e ter a vida eterna. Como não há evangelização sem
evangelizadores, e estes eram muito escassos, era preciso multiplicá-los e qualificá-los,
isto é, formá-los, habilitá-los e enchê-los do espírito de Cristo.
Além de poucos, os ministros ordenados
estavam muitas vezes desunidos. Pallotti lamentava a divisão entre o clero
diocesano e o clero regular, a separação entre os religiosos, os clérigos e os
leigos. Os clérigos acreditavam que o apostolado era privilégio próprio. O
próprio ministério sacerdotal era muitas vezes subordinado a interesses
materiais, o que alimentava o carreirismo e a competição entre os membros da
hierarquia eclesiástica. Além disso, o clericalismo fomentava a passividade dos
leigos.
Paulo VI disse, em Frascati, em 1963,
diante do corpo de Pallotti, que “o mundo dos leigos era passivo, sonolento,
tímido e incapaz de expressar-se”[10].
Esta passividade dos leigos era causada não só pelo clericalismo dominante dos
clérigos, mas também pela grande ignorância da vocação apostólica ou
evangelizadora própria de todos os cristãos, por uma falta de fé viva e de uma
caridade ardente. Por isso, os leigos devem elevar-se a esta consciência, que é
dada, como sabeis, não somente pela necessidade de alongar braços, eu diria, do
sacerdote que não chega mais a todos os ambientes e já não dá conta de todas as
tarefas. Ela provém de algo mais profundo e de mais essencial, isto é, do fato
que também o leigo é cristão (Horizontes palotinos, p. 331). Segundo Bento XVI,
“Todo batizado recebe de Cristo, como os apóstolos, o mandato da missão”[11].
Para o Vaticano II, cada um é apóstolo segundo os dons e os carismas recebidos
do Senhor: “Há na Igreja diversidade de ministérios, mas unidade de missão” (Apostolicam
Actuositatem, n. 2).
Para Pallotti, o apostolado cristão
brotava de uma fé viva e de uma caridade ardente e, sem elas, não há apostolado
e nem interesse em propagar a fé cristã no mundo. Entendia, ainda, que o
apostolado não é apenas o trabalho do missionário, mas é apóstolo aquele que
reza pela evangelização do mundo e aquele que com a sua ajuda material colabora
para a evangelização[12].
Guiado pelo Espírito Santo, Pallotti
compreendeu os sentimentos de Cristo e penetrou no sentido mais profundo da
palavra de Deus e entendeu que toda a Igreja e todos os seus membros estão
chamados a se empenhar na continuação do apostolado de Jesus Cristo ou no
prolongamento da sua missão no mundo. Viu que, o empenho na salvação do mundo,
pertence a toda a Igreja e a cada um dos seus membros. Pallotti compreendeu que
Deus quer que o homem coopere ativamente na salvação eterna do seu próximo. Não
apenas os ministros ordenados, mas também todos os cristãos são chamados a
cooperar eficazmente na propagação da fé no mundo inteiro e, por isso, a ajudar
o próximo a conseguir a sua felicidade eterna.
Para Pallotti, todos os homens, pelo fato
de serem imagem e semelhança de Deus, devem empenhar-se em ajudar o próximo a
conseguir a vida eterna, pois Deus, em todas as suas ações voltadas para fora,
procura sempre o bem do homem, até ao ponto de enviar o seu único Filho, para
redimir o gênero humano com sua morte na cruz (Doc. da Fundação, p. 91). “Deus é perfeito no amar o homem. Desde
toda a eternidade o amou e o ama eternamente. Também o homem, na medida das
suas possibilidades, deve imitar a Deus amando a seu próximo com a eficácia das
obras. E o próximo é todo ser humano, de qualquer condição, clima, nação etc.,
capaz de conhecer a Deus (Doc. da Fundação, p. 92).
São Vicente Pallotti afirmava que todos os
fiéis são chamados a imitar Jesus Cristo, que é o Apóstolo do Pai eterno. Por
isso, todos são chamados, conforme a sua condição e seu estado, ao apostolado (Doc.
da Fundação, p. 33). Mas, o que ele entende por apostolado? Partindo da
significação etimológica da palavra apóstolo, ele dá também a significação de
apostolado. Assim escreveu: Nosso Senhor Jesus Cristo é o Apóstolo do eterno
divino eterno Pai, porque enviado por Ele para reparar a glória ultrajada da
sua majestade e para redimir o gênero humano, tornado massa de perdição pelo
pecado de Adão. O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do
Pai Celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção. Os doze, nomeados no
capítulo 6 de São Lucas, são os apóstolos de Jesus Cristo e tudo o que eles, de
acordo com o mandato de Jesus Cristo, fizeram pela maior glória de Deus e pela
salvação eterna das almas. Esse foi o apostolado deles (Doc. da Fundação, p.
31).
Apostolado é, portanto, a própria obra da
redenção ou da salvação, e apóstolo é aquele que realiza a obra da salvação.
Mas é também apóstolo aquele que coopera para a realização da salvação,
preparando-a ou colaborando para sua realização, expansão e consumação. Assim,
Maria é a Rainha dos Apóstolos porque mais do que ninguém, depois de Jesus
Cristo, “contribuiu na sua condição para a propagação da fé e a dilatação do
reino de Jesus Cristo. Por isso, cada um que, conforme seu estado e suas forças
e confiando na graça divina, se dedica quanto pode à propagação da fé, pode
merecer o nome de apóstolo e tudo o que ele fizer para tal fim será seu
apostolado” (Doc. da Fundação, p. 32). Daí a conclusão de Pallotti: “Apostolado
Católico é fazer o que cada um pode e deve fazer, para a maior glória de Deus e
para a eterna salvação própria e dos demais” (Doc. da Fundação, p. 34).
Diante da situação em que se encontrava o
mundo privado da luz da fé cristã e também da situação lamentável em que se
encontravam muitos cristãos, nos quais estava amortecida a fé e apagada a
caridade, e por isso mesmo sem condições para praticar as obras da caridade
salvífica, Vicente Pallotti viu a necessidade de fazer uma campanha em favor do
reavivamento da fé e do reacendimento da caridade cristã entre os católicos,
pois somente assim eles seriam capazes de interessar-se pela salvação eterna
própria e do próximo. Daí o seu
propósito inicial de jovem padre: reavivar na Itália e no mundo inteiro o
espírito dos primeiros cristãos.
Na sua mente e no seu coração, foi
amadurecendo a ideia de despertar em todos os cristãos o espírito apostólico ou
missionário de Jesus Cristo e de motivar toda a comunidade cristã a engajar-se
na propagação da fé no mundo inteiro, pois a propagação da fé ou a
evangelização de todos os povos ou a reunião de todos os homens, no mesmo
rebanho de Cristo, é a obra mais própria da comunidade cristã, a mais
necessária para a humanidade, a mais agradável a Deus e a mais meritória para
todos os fiéis.
O que Vicente Pallotti, realmente, queria com a
sua fundação?
Podemos dizer que Pallotti queria resgatar
e promover o apostolado católico na Igreja, isto é, conclamar a todos para que
assumissem o seu compromisso de cristãos. Ele foi o grande batalhador do
apostolado universal, o qual ele colocou a União do Apostolado Católico a seu
serviço e promoção. Com a sua fundação, colocou-se por inteiro a serviço do
Apostolado Católico e de cada um, instituído pelo próprio Cristo na sua Igreja,
para a salvação do mundo. Ele fundou uma comunidade eclesial apostólica a
serviço do apostolado universal. “Essa ideia surgiu quando alguns católicos,
sacerdotes e leigos, sem pensar em nenhuma pia sociedade concreta, buscavam, em
Roma oportunos meios religiosos adequados ao cultivo da fé e da piedade dos
católicos, que vivem em região de infiéis” (Doc. da fundação, p. 120).
O carisma de São Vicente Pallotti envolve
muitos elementos relacionados com Deus, com a humanidade, com a Igreja e com a
história. Ele envolve uma profunda compreensão de Deus como amor infinito e
misericórdia infinita. Por amor, Deus criou o mundo e colocou nele o homem
feito à sua imagem e semelhança. Por amor, feito misericórdia, Deus quis salvar
o homem perdido e para reconduzi-lo, por meio do seu Filho Jesus Cristo, à
comunhão com Ele. Por amor, Jesus Cristo realizou a vontade salvífica do Pai e
quer a salvação de todos os homens.
Pallotti sentiu que toda a humanidade não
só necessita da salvação, como é chamada a ser salva, pela infinita
misericórdia de Deus. Viu-a como o alvo do amor de Cristo, vivo e atuante em
cada coração cristão. Diante da imensa maioria que ainda desconhece o Cristo,
todo o fiel deve empenhar-se pela salvação da humanidade por meio da oração, da
pregação do evangelho e do exercício da caridade cristã. Ele entendeu, também,
que a comunidade cristã inteira deve continuar e prolongar, no espaço e no
tempo, a salvação realizada por Jesus Cristo, mediante a sua morte,
ressurreição e comunicação do seu Espírito.
Para Pallotti, o trabalho de evangelização
e de salvação não deve ser feito de modo isolado, mas de modo ordenado, isto é,
em conjunto. A sua fecundidade depende da sua unidade. É necessário, portanto,
unir forças no trabalho em favor do evangelho.
“São Vicente Pallotti foi, portanto, o
grande incentivador do apostolado universal. Ele procurou despertar o espírito
missionário, evangelizador em toda a Igreja. De modo particular, ele procurou
redescobrir e promover o engajamento apostólico ou missionário de todo cristão
leigo. Podemos dizer que ele contribuiu bastante para a redescoberta e a
revalorização do espírito e do empenho missionário de toda a Igreja,
especialmente dos leigos que, no seu tempo, eram passivos e inexpressivos em
termos de missão e de apostolado. Pallotti intuiu, viveu, proclamou e promoveu
a missionariedade ou a apostolicidade de todo cristão. Mostrou com a palavra e
a vida que ser cristão é cooperar eficaz e generosamente para a salvação eterna
do próximo e para a glorificação infinita de Deus”[13].
Portanto, podemos dizer que cada carisma
envolve uma batalha constante e autêntica, para entender e para ser tudo aquilo
a que somos chamados. Essa é a essência de toda vocação e do nosso chamado
palotino. Isso significa que nunca encontraremos uma definição absoluta de
nosso caminho, de nossa identidade. O carisma da União é um dom do Espírito
Santo e, portanto, uma comunicação da graça divina ao ser humano. Seremos
sempre um povo de peregrinos, que busca cumprir a obra de Deus.
PARA REFLETIR
- Quais foram as
primeiras atividades exercidas pelo nosso santo fundador?
- O que levou
Pallotti a criar uma associação que envolvesse todas as classes de pessoas?
- Como você
descreveria essa atitude de Pallotti diante das necessidades do seu tempo?
[1]
Horizontes palotinos. Angelo Lôndero (org.), Biblos: Santa Maria, 2002, p. 396.
San Vincenzo Pallotti. Opere complete lettere (OCL). Curia Generalizia della
Società dell’Apostolato Cattolico, ROMA, Vol. I, p. 289.
[2] J. Hettenkoffer. História da
Pia Sociedade das Missões, Biblos: Santa Maria, 2003, p. 112-113.
[3]
NB: Pallotti teve três importantes experiências com a Sociedade do Apostolado
Católico. A primeira ocorreu no dia 9 de janeiro de 1835 (OOCC X, 196-2001); a
segunda, entre 14 a 19 de julho de 1839 (OOCC X, 321s); e a terceira, em 26 de
março de 1840 (OOCC X, 210-212). Ele teve uma visão mais clara, uma opção mais
ousada, que a de um entendimento e a de uma decisão comum. Vicente PALLOTTI. Documentos
da Fundação. Trad. do Pe. Dorvalino Rubin (textos de Pallotti) e Pe. João B.
Quaini (introduções), Santa Maria: Pallotti, 1996, p. 35.
[4] Documentos
da Fundação. Trad. do Pe. Dorvalino Rubin (textos de Pallotti) e Pe. João B.
Quaini (introduções), Santa Maria: Pallotti, 1996, pp. 34-35.
[5] João
Paulo II, Christifidelis laici, n. 2.
[6] Ângelo Lôndero.
Por uma formação cristã e palotina, pp. 339 e 340.
[7] NB:
Essas palavras foram ditas pelo leigo Alkusci.
[8] Lôndero.
Por uma formação cristã e palotina, p. 325, 326, 327, 328 e 330.
[9]
Horizontes palotinos, p. 378 e 379.
[10]
Cf. Informações Palotinas, Santa Maria, dez. (1994), p. 98.
[11]
Discurso inaugural da Conferência de Aparecida, n. 3.
[12]
Lôndero. Por uma formação cristã e palotina, p. 358.
[13] Leis
da Sociedade do Apostolado Católico. Pallotti: Porto Alegre, 1984, Preâmbulo,
a. b. c.
Nenhum comentário:
Postar um comentário