Na certeza de que com Deus tudo posso, criei este BLOG para que você conheça o pensamento e o carisma de S. vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC). Ele foi um dos primeiros, na Igreja, a dizer que todos os batizados são apóstolos de Jesus Cristo. Por isso, você também é convidado a viver intensamente a sua fé, fazendo muitas coisas na Igreja, conforme o seu estado de vida, para que o Cristo seja mais amado e seguido. O seu testemunho de fé é muito importante.
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
CONHEÇA O CARISMA PALOTINO - PARTE III
VICENTE
PALLOTTI E A CONTORVERSA OBRA DE LYON
Fr. André Félix
Neto, SAC
A obra iniciada por
Pallotti, a União do Apostolado Católico – UAC, antes de ser aprovada pelo
Papa, passou por provações muito fortes, criando, assim, um certo desconforto
aos seus primeiros membros e ao fundador, todavia, sem jamais deixar de
acreditar na providência divina de que a sua obra iria prosperar. O que
Pallotti não contava era que as negativas, para a obra do apostolado, viriam não
de inimigos, mas de pessoas da própria Igreja, principalmente de Lyon, cidade
do interior da França.
Para bem entendermos tal
provação, partiremos no presente texto, de uma breve introdução a respeito da
obra de Lyon, bem como apresentaremos a biografia de uma jovem que foi
contemporânea do nosso fundador: Paulina Jaricot. Paulina era de família nobre
de Lyon e também extremamente religiosa. Teve uma educação baseada nos
ensinamentos evangélicos. Desde sua infância, juntamente com seu irmão, que
anos mais tarde se tornaria sacerdote, desejavam ser missionários e partir para
terras distantes, afim de levar o Evangelho de Jesus Cristo. Foi deste impulso
que nasceu uma das maiores iniciativas em prol das missões da nossa Igreja
católica.
Paulina não partiu para as
terras distantes, como havia almejado, mas, dedicou-se de outra forma,
angariando fundos para ajudar o mundo missionário. Ainda muito jovem, aos vinte
anos de idade, teve uma inspiração de arrecadar fundos através de um método de
cadeia de doadores comprometidos com doações em dinheiro, para o financiamento
missionário. Assim deu-se início a obra de Lyon, esta que, por vezes, tiraria a
paz de Vicente Pallotti. Em pouco tempo, a obra de Paulina Jaricot ganhou
tamanha expressão que se estendeu a vários países da Europa. Conquistou um
grande prestígio e um poder considerável na Igreja. Paulina não permaneceu por
muito tempo na presidência desta obra, pois, considerava-se pequena diante de
tamanha responsabilidade. Assim, logo fora formado outra equipe dirigente
denominada os “Messieurs” de Lyon, ou seja, “Senhores”.
Com prestígio e poder,
tal conselho pôde tomar algumas providências acerca de decisões para angariar
fundos. Quando Vicente Pallotti iniciou a União do Apostolado Católico, não
existia nem em Roma e nem nos Estado Pontifícios uma filial da obra de Lyon. Os
“messieurs” de Lyon já tinham ouvido falar de um certo Vicente Pallotti
e de uma certa Pia União que recolhia auxílios para as missões. Logo o conselho
de Lyon tratou de intervir nessa intenção de Pallotti, pois lhes soava
ameaçador. Assim, os “messieurs” de Lyon dirigiram-se ao papa Gregório
XVI, para pedir a fundação de uma filial romana. Com uma resposta positiva, o
cardeal Giacomo Fransoni ocupou-se de escolher o conselho romano para tal
finalidade. Ele pediu ao padre Vicente Pallotti que se encarregasse dos nomes
dos componentes, para este conselho, que logo elegeu os próprios membros da
União do Apostolado Católico. Obviamente que o presidente da obra de Lyon não
ficou muito satisfeito com a solução. Alguns dias mais tarde, o próprio cardeal
nomeou como membro do conselho da obra de Lyon o próprio Pallotti.
Para maior desagrado da
presidência de Lyon, a fundação da filial romana foi fundada autônoma da matriz
francesa. Padre Vicente, como sempre fazia, dedicou-se de corpo e alma ao desejo
do papa. Assim, começaram os desencontros com a obra de Lyon. Todavia, Roma
estava mais preocupada com a epidemia de cólera do que com as intervenções do
conselho de Lyon contra Pallotti e a União do Apostolado católico.
A Propagação da fé ficou
em uma encruzilhada, porque, por um lado não aprovava o modo de agir dos
dirigentes de Lyon, por outro não queria entrar em conflito com eles; visto que
a pressão sobre a União do Apostolado Católico já não tinha sido a primeira, mas
outras fundações de filial já haviam sofrido a pressão francesa. “Em janeiro de
1839, o conselho de Lyon comunicou à Propagação da fé que a obra de Lyon e a de
Paris tinham incorporado a filial de Roma e reafirmava sua autoridade sobre a
instituição romana! Os franceses agiam com audácia e arrogância à maneira
napoleônica (TODISCO, 2007, p. 426).
Com esta problemática
acerca do relacionamento de Vicente Pallotti com a obra que lhe tinha sido
confiada, ele não poderia ter tomado outra atitude senão a de um verdadeiro
santo. O padre Vicente que sempre se preocupou mais em agir do que em
defender-se, viu-se obrigado a redigir alguns textos a fim de esclarecer a
natureza da União do Apostolado Católico. Em 1837, ele escreveu uma série de
esclarecimentos sobre a atividade da União, seus objetivos e a questão
financeira, bem como evidenciar as obras promovidas nos países católicos em
favor das missões estrangeiras, principalmente a formação de missionários. Com
tais textos, ele tornava clara a intenção de distingui-la da Propagação da Fé
de Lyon. Enquanto isso, pela cultura católica, Vicente Pallotti continuava à
frente da obra de Lyon, ocupando-se com muito afinco, proporcionando toda ajuda
possível, segundo as suas possibilidades.
Mesmo assim, em 1838, por
pressão da obra de Lyon, a União foi suprimida. Mais uma vez, Pallotti precisou
embarcar numa incansável defesa de sua obra, recorrendo ao próprio papa
Gregório XVI, sob a proteção do cardeal Odescalchi. Após mais alguns desgastes
da parte do fundador, a obra da União do Apostolado Católico, finalmente foi
definitivamente aprovada.
TODISCO, Francesco. SÃO
VICENTE PALLOTTI. Santa Maria: Biblos Editora, 2006.
sábado, 15 de outubro de 2022
DEUS
E HOMEM EM SÃO VICENTE PALLOTTI - PARTE II
Fr.
João Vitor de Paula, SAC
São Vicente Pallotti,
sacerdote romano, apóstolo e místico, sempre foi incansável em sua missão junto
ao clero de Roma. Reconhecendo suas limitações e pecados, buscou compreender a
relação de Deus com o homem enquanto ser pecador, sendo que para responder a
esse questionamento é preciso, antes de tudo, entendermos o conceito de Homo
Viator que Pallotti utiliza em seus escritos.
Todo cristão é convidado
a ser um peregrino que busca algo a mais, consciente de que a presença divina o
impulsiona a caminhar e a testemunhar. Eis, então, um dos conceitos que
Pallotti nos apresenta para o Homo Viator: “se deslocar, se descentrar
dele mesmo para se centrar no essencial, ou seja, na glória de Deus e na
salvação das almas”[1].
É obrigação de todo homem a cooperação com Deus para a salvação do próximo, em
que esta é um dos dons mais preciosos que temos.
Outro conceito que
Pallotti nos apresenta para Homo Viator é do homem que reconhece a sua
própria miséria e a do próximo. Esta miséria é algo próprio do ser humano, que
busca em seus vazios preencher o que lhe falta. Esta miséria é indefinível,
pois a ela estão ligados os nossos pecados. Por isso, São Vicente Pallotti se
abre para a novidade, buscando sempre reconhecer tais misérias e, por meio de
penitências, encontrar um caminho de mudança e conversão, voltando à dignidade
humana de ser imagem e semelhança de Deus.
Assim, Pallotti vai
descobrindo que não é somente o homem que vai ao encontro de Deus, como um
peregrino, mas que também Deus se torna esse peregrino que vai ao encontro do
homem. “O homem peregrino é acompanhado pelo “Deus peregrino”. [...] deve se
deixar visitar e transformar interiormente por Deus "infinitamente
comunicável', que vem ao seu encontro”[2].
Destarte, podemos então
na relação de Deus e o homem em São Vicente Pallotti, a partir de tal conceito
de Homo Viator, quem é então Deus para o homem? Pallotti vem então
responder que Deus é tudo, “Vós sois o meu bem eterno. Vós, o meu tudo[3]. Este é o primeiro
conceito dado a Deus por São Vicente Pallotti que podemos encontrar, pois para
Pallotti, era muito difícil nomear, conceituar Deus, com isso o santo romano
atribui a Deus adjetivos como tudo, infinito, meu princípio, meu fim último,
dentre outros[4].
Dentre tais adjetivos os
mais aparentes nos escritos de Pallotti são Deus Amor e Misericórdia infinitos.
Para São Vicente Pallotti, como já dissemos, não era fácil falar de Deus, por
isso, muitas vezes utilizava-se de superlativos para referir-se a Deus,
inclusive de sinais que demonstravam esta grande presença de Deus em sua vida
Para o santo romano, o amor infinito de Deus é a própria misericórdia, sendo
esta, o excesso de amor incompreensível[5].
Para que Pallotti
escrevesse sobre o amor infinito de Deus para com ele era preciso que
experimentasse de tal misericórdia, reconhecendo assim, suas limitações e
dificuldades. Deste modo, revigoraria suas forças, num processo de conversão,
buscando sua própria salvação e a do próximo, voltando ao conceito de Homo
Viator, demonstrando o seu desejo de corresponder ao amor infinito que Deus
tem para consigo.
Meu Deus, o Amor vos
obriga a Excessos. Mas os Excessos do vosso Amor infinito para comigo é
infinitamente maior do que todos os Excessos do vosso Amor que operastes e
operarás para com todas as criaturas que existiram, existem e existirão... Uma
coisa me consola nesse nosso excesso sempre antigo e sempre novo de todos os
momentos de minha vida, e é esta: consola-me que, por toda a Eternidade, será,
por esse vosso Excesso, glorificado o vosso amor infinito tão infinitamente
misericordioso para comigo[6].
Pallotti enquanto
sacerdote romano era muito ativo entre o clero e todo o povo de Deus, com isso
não poderia ficar indiferente diante de tão grande amor de Deus para com ele.
Corresponder a misericórdia divina seria a perfeita cooperação para com o
próprio Deus, uma reciprocidade, correlação e correspondência. Mas assim,
Pallotti se depara com o questionamento de quem é o homem diante de vós?
Quem sou eu diante de
Deus, é a pergunta que Pallotti responde reconhecendo suas misérias, mesmo
sendo aquelas que estão no mais oculto de seu íntimo. “Onde está o Homem do
Pecado? Ei-lo: eu sou o homem do pecado[7]. Pallotti se reconhece
como o homem do pecado fazendo referência a Segunda Carta de São Paulo aos
Tessalonicenses em que o ímpio se revelará. Com tudo, São Vicente Pallotti não
deixa que tal afirmação o abale, pois confia no Deus que é Amor infinito, que
age com sua misericórdia. É por isso que Pallotti vê o homem e se reconhece
como o homem do pecado, pois mesmo tendo seus atributos, suas habilidades,
sendo criado a imagem e semelhança de Deus, refere-se ao homem como “homem do
pecado”, justamente para destacar que Deus é o Amor infinito, Ele é maior que
tudo.
Mas para que o homem
possa cooperar com Deus em sua misericórdia é preciso que se aproxime de d'Ele,
ou seja, que o homem busque ser o próprio Deus, assim escreve Pallotti: “ó meu
Deus, absorvei-me todo, e sou e serei, pela vossa misericórdia, transformado na
misericórdia, aniquilado na misericórdia, transformado na misericórdia infinita
[...] de modo que não existo eu, nem existirei mais, e sim vossa infinita
Misericórdia”[8].
Por outro lado, Pallotti reconhece que precisa também da humildade de Jesus
Cristo, humilhando-se, pois o que afasta o homem de Deus é o orgulho impedindo
de conhecer verdadeiramente Deus.
Assim sendo, São Vicente
Pallotti escreve o caminho que homem deve percorrer para que possas chegar ao
conhecimento de Deus, sendo este o caminho do nada ao tudo. Ou seja, o homem
que é o nada, reconhece suas misérias, limitações e dificuldades, mas que confia
em Deus que é o tudo, o Amor infinito, a Misericórdia. “Vós, meu Deus, vós sois
tudo, tudo, tudo, eu não sou nada, nada, nada”[9]. Do nada ao tudo, Pallotti
acredita que pelo Amor infinito Deus pode transformar o homem concedendo a ele
dons, graças e inspirações para que possa cooperar com Deus em sua própria
salvação e a de seu próximo.
Podemos
concluir que o “nosso único fim é a glória de Deus e a salvação das almas, o
único mal é o pecado, o único bem é o paraíso, o único exemplo de vida é Jesus
Cristo e o único meio para alcançar a misericórdia é a ajuda ao próximo nas necessidades
espirituais e temporais”[10]. Por isso, “a regra
fundamental de nossa mínima congregação é a vida de nosso Senhor Jesus Cristo,
a ser imitado em todas as obras da vida pública e oculta e dos ministérios
evangélicos, para a maior glória de Deus nosso Pai celeste e para a maior
santificação da nossa alma e a dos nossos próximos[11]. Assim, Pallotti em seus
escritos deixa claro que não é possível compreender o homem sem Deus.
[1]
STAWICKI, Stanislaw. Cooperação, paixão de uma vida: vida e maneira de viver de
Vicente Pallotti, Santa Maria: Biblos, 2007, p. 145.
[2] Idem, p. 149.
[3] OOCC X, 447.
[4] OOCC XI, 42.
[5] OOCC XIII, 129.
[6] OOCC
X, 278.
[7] OOCC X, 700.
[8] OOCC X, 366.
[9] OOCC X, 237; 485.
[10] OOCC IV, 46.
[11] OOCC III, 40.
terça-feira, 11 de outubro de 2022
CONHEÇA O CARISMA PALOTINO - PARTE I
Quem foi Vicente Pallotti?
Vicente Luis Francisco Pallotti nasceu dia 21 de abril
de 1795, na via del Pellegrino - Roma,
número 130. Foi batizado no dia seguinte, após o seu nascimento. Vicente é filho
de Pietro Paolo Pallotti e de Maria Madallena de Rossi. O casal teve 10 filhos.
Vicente teve pais exemplares que o ensinaram a amar a
Deus e que o conduziram a uma devoção mariana. Seu pai, Pietro, rezava todos os
dias: meia hora antes de nascer o sol, após o almoço adorava o santíssimo
sacramento em alguma das Igrejas de Roma, participava de celebrações
eucarísticas e recitava o terço em família. A sua mãe, Maria Madallena, mulher simples,
desde muito jovem, jejuava às sextas-feiras da quaresma. Enquanto Pietro ficava
cuidando da mercearia, onde trabalhava, Maria educava os filhos e cuidava dos
afazeres domésticos. Desde pequena, tinha devoção mariana e procurava educar os seus filhos de acordo com o exemplo da família de Nazaré.
Pallotti viveu em um período bastante conturbado politicamente, devido a
ocupação napoleônica de Roma. Toda Itália era dominada por estrangeiros e Roma
foi saqueada pelos franceses. A Igreja passava por um período de crise, onde
algumas correntes infundiam um pensamento laico, em que colocavam o reino, revelado
por Jesus Cristo, como nada mais do que uma ética natural. Falava-se de
religião em um nível de piedade natural, afastando as pessoas dos sacramentos
da Igreja. O movimento político instalado queria tirar o poder temporal do papa
Pio VI, que estava no exílio. Com o falecimento do referido papa, elegeu-se o
seu sucesso com o nome de Pio VII, para homenagear o seu antecessor.
Apesar de todas essas dificuldades na Igreja, desde muito jovem, Vicente
demonstrava sinais de santidade. Aos três anos de idade, já rezava na frente de
nossa Senhora, com nove anos de idade dormia piedosamente no chão e sua
brincadeira preferida era construir altarzinhos de madeira. Em 1801, ele foi
crismado e em 1810 recebeu a sua primeira comunhão, e com isso é concedido a
ele a possibilidade de comungar todos os dias, devido ao seu bom comportamento.
Aos 12 anos de idade, Vicente escolheu o padre Bernardino Fazzini, para ser seu
confessor e confessava uma vez por semana.
Durante as suas férias, Vicente Pallotti ia para Frascati, na casa de sua
tia, onde demonstrou mais sinais de santidade. Certa vez, ao levar comida aos
camponeses, montado em um burrinho, sentiu-se mal por não ter ido a pé e pede
para que um garoto o flagele. Outra vez, sua tia o vê chegando descalço, pois
tinha dado os seus sapatos a um pobre. Ele também aproveitava os seus dias de
descanso, em Frascati, para ensinar cantos e catequese aos filhos dos
camponeses.
Nos estudos, era um menino muito esforçado, mas não conseguia aprender
muita coisa, até que um dia sua mãe propõe-lhe que fizesse uma novena ao Espírito
Santo. Após fazê-la, sentiu a sua mente aberta e, a partir de então, começou a
tirar boas notas e ensinar os seus amiguinhos com mais dificuldades no aprendizado.
Depois de estudar nas Escolas Pias, Pallotti passou a estudar no Colégio
Romano, onde ganhava muitos prêmios, por causa do seu empenho e pelo bom
comportamento.
No ano de
Vicente, aos dezesseis anos de
idade, demonstrou o desejo de ser padre. Ele queria entrar para a Ordem dos Capuchinhos,
mas o seu diretor espiritual o aconselhou a ingressar nos padres seculares (diocesanos
de Roma), pelo fato de ter uma saúde frágil, e os capuchinhos tinham uma vida muito
rigorosa. Mesmo Vicente tendo entrado para os padres seculares, ele continuou
gostando da ordem dos capuchinhos. Por isso, teve autorização de usar o hábito franciscano
para dormir.
No dia 15 de abril de 1811, com dezesseis anos, Pallotti recebeu a
tonsura, com isso se sentia mais preparado espiritualmente para exercer o
trabalho que recebeu nas ordens menores – ostiariato, leitorado, exorcista e acolitato.
A santidade faz parte da vida de todo o cristão, por isso somos chamados
a viver o nosso batismo de maneira exemplar e Pallotti é, para todos nós, modelo
de virtude e de seguimento de Cristo.
terça-feira, 27 de setembro de 2022
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
A pedido do Pe. Geral, Joacob Nampudakam, quero compartilhar, com todos aqueles que fazem parte do carisma de São Vicente Pallotti, a minha experiência de dez anos frente ao Período Introdutório, na Província São Paulo Apóstolo, Brasil.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Memória Histórica de Pallotti - Casa Geral dos Palotinos - Roma

O que hoje conhecemos como seu quarto foi de fato, no seu tempo, um corredor. Os quartos contém tantas diversos objetos que são ligadas a Pallotti, mas falaremos apenas daqueles que nos parecem mais pessoais e interessantes.
Começando com o museu de memórias (já no tempo de Pallotti, a sala do Conselho),
na entrada, à direita se encontra uma vitrine que contém o hábito capuchinho
usado por São Vicente por muitos anos durante seu repouso noturno, uma casula
branca, o cálice e o missal e um hábito de lã preta com a faixa. Na parede à direita, se encontra no centro o busto de gesso de São Vicente, proveniente do quarto de Leão XIII que foi doado à Sociedade após a morte do Pontífice. Ao lado pode-se ver também o Monte da perfeição concebido e preparado por Pallotti, inspirando-se naquele de São João da Cruz, no qual São Vicente destacou ainda mais o lugar central da caridade no caminho espiritual.

Uma outra vitrine contém vários objetos que pertenceram a Pallotti, incluindo o breviário, a Bíblia, o crucifixo com uma corrente que usava para pregar as santas missões, o Rosário, vários instrumentos de penitência e a casula roxa original e um crucifixo seu com o qual foi enterrado e que foi conservado após a primeira exumação para o reconhecimento canônico de 1906.
Em outro armário contém as Obras Completas (13 volumes) e as Cartas (8 volumes) de São Vicente juntamente com algumas biografias. Na parede, entre as duas janelas foi colocado um armário sobre o qual se encontra uma pequena estátua de bronze de São José, que Vicente recebeu como presente do Cardeal Luigi Lambruschini.
Uma vitrine ao lado direito contém a máscara de gesso original que foi feita de seu rosto imediatamente após a morte, o formato das mãos em gesso, a vela que foi acesa quando ele morreu e uma outra à esquerda abriga um seu caderno autógrafo de Matemática e uma caixinha com a imagem de “Nossa Senhora do Divino Amor” que ele costumava usar em seu pulso a fim de que fosse beijada em lugar de sua mão.
Na parede, ao lado esquerdo encontra-se vitrinas com o seu chapéu, luvas, guarda chuva, aparelho de barbear, e ainda, xícaras, pratos, sapatos, o garfo e a colher com os cabos longos pertencentes a Venerável Elisabetta Sanna.
Também de particular interesse são as pinturas das Estações da Via Sacra que Pallotti mesmo colocou no alto, em torno das outras três paredes. Sobre a parede à direita foi colocado um quadro da imagem “Mãe do Divino Amor” que São Vicente tinha grande veneração, que foi encomendada por ele e confeccionada provavelmente pelo artista Serafino Cesaretti.
Na mesma parede, no lado oposto do altar se encontram dois quadros da crucificação que são muito sugestivos: o primeiro liga a cruz à imagem de uma prensa e a outra retrata dois mundos contrastantes: o mundo que está aberto a Cristo e aquele que se fechou a Ele; é a este último que o Cristo da Cruz dirige o seu olhar amoroso.


Sobre a pequena porta de madeira, na entrada do seu quarto, existe uma tabuinha onde está escrito que neste lugar São Vicente passou os últimos anos de sua vida, isto é, da Quaresma de 1846 até o dia da sua morte, no dia 22 de Janeiro de 1850. Está anexado também um pequeno cartão com uma lista dos diferentes lugares, ligado a um pino com uma corrente: quando Pallotti saía, tinha o hábito de colocar o pino em um buraco ao lado do nome, na lista que indicava onde ele poderia ser encontrado.

Nesta pequena sala confessou sacerdotes e outros homens de todas as classes sociais e de todas as profissões desde 1846. Ao entrar no quarto, encontra-se logo sobre a parede, à esquerda, as Meditações (31 pontos) de São Vicente sobre a Eucaristia para cada dia do mês e junto o relógio da Paixão (24 pontos). No lado direito do quarto se encontra uma escrivaninha proveniente da casa paterna, sobre a qual foi colocado um quadro em forma de capelinha que representa “Nossa Senhora Corredentora”. Acima, há uma grande pintura de “Nossa Senhora das Dores” - "Pietà".

Nas paredes estão pendurados vários outros quadros que pertenceram a Vicente Pallotti, incluindo os de S. Vicente de Paula, S. Francisco Xavier, o encontro entre São Francisco de Assis e São Domingos e de São Bento José Labre (chamado o mendigo de Deus) para os quais São Vicente teve grande devoção.
No lado esquerdo do quarto há um armário dividido em dois para acomodar um genuflexório e a representação do Calvário de Cristo que, segundo a tradição, foi preparado pessoalmente por Pallotti: inclui uma cruz de madeira que possui a figura de um Cristo ensanguentado, ladeado por duas cruzes de madeira (vazias) e como fundo, uma pintura da colina do Calvário. Ao lado da cruz central tem a inscrição autógrafica de Pallotti, em latim, grego e hebraico, 'Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus’ (cf. Jo 19, 19-20), sob a qual escreveu alguns propósitos a respeito de sua vida espiritual que data o ano de 1816. A base onde se apoia os joelhos está inclinada em um ângulo de modo a desencorajar o sono. Pallotti transcorria muito tempo em oração diante do Calvário realístico que o ajudou a meditar sobre os sofrimentos de Cristo.
Próximo a ele há uma biblioteca com alguns livros usados por Pallotti, incluindo a Bíblia em latim, em seis volumes. Nas paredes estão pendurados vários quadros que retratam santos venerados por ele, como São Francisco de Assis, Santo Stanislaus Kostka, etc. Dois quadros de particular importância são o de “Nossa Senhora com o Menino Jesus” chamado de “Nossa Senhora do Preciosíssimo Sangue” e o esboço a lápis, feito pelo mesmo Pallotti, do retrato de Pietro Paolo Pallotti, seu pai, desenhado pelo mesmo Pallotti com a transcrição das notas manuscritas do Santo.
Também se encontra a pequena cama de Pallotti, na qual o Santo estava deitado no momento de sua morte, com lençóis e cobertores da época. A cama é feita a partir de um cadeirão empalhado e sobre o qual é estendido o colchão de palha grossa que lhe foi imposta pelos médicos durante a sua última doença; é coberto por um lençol e um acolchoado comum do seu tempo.
Nesta cama ele passou os últimos momentos e desta cama deu a sua última bênção aos filhos espirituais: “A congregação será abençoada por Deus e prosperará; e isto vos digo não porque tenho confiança mas porque tenho certeza!” Por mais ou menos um mês após sua morte, algumas pessoas experimentaram um perfume de bálsamo no quarto, também atestado por Mons. Angelini, tenente civil do Vicariato de Roma no seu tempo.
Texto: Boletim mensal da UAC - Roma, mês de julho de 2013 e as fotos do Instituto Palloti - Roma..












