sábado, 23 de maio de 2026

 



FESTA DA RAINHA DOS APÓSTOLOS

23/05/2026

Hoje celebramos Maria, a Rainha dos Apóstolos. A família palotina celebra esse dia com muita devoção, confiando naquela que esteve presente na vida da comunidade nascente que, assustada, presenciou a subida de Cristo ao céu e, agora, no cenáculo, esperam a vinda do Espírito Santo. Na Ascensão de Jesus, muitos ainda duvidavam do que viam. Foi somente em Pentecostes, quando estavam no cenáculo em oração, junto com Maria, que algo começou a tomar um novo rumo.

A devoção a Maria não surgiu na Igreja por meio de um decreto oficial ou de um evento único, mas cresceu de forma orgânica, como uma semente plantada no início do cristianismo que floresceu ao longo dos séculos. Ela combina intuição teológica, registros bíblicos e a necessidade emocional dos fiéis de encontrar uma figura materna na fé.

Tudo começou com o “Sim” de Maria na Anunciação. No Novo Testamento, ela já aparece como figura central em momentos-chave: o nascimento de Jesus, as Bodas de Caná (onde atua como intercessora) e aos pés da Cruz. O registro mais antigo de uma oração a Maria data de aproximadamente no ano 250 d.C: assim diz a oração: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus...”, encontrado em um fragmento de papiro no Egito (Papiro Rylands 470). Isso prova que, antes mesmo da Igreja oficializar dogmas, os cristãos já pediam sua intercessão em tempos de perseguição. Em termos práticos e humanos, a devoção começou porque os cristãos viam em Maria a ponte perfeita: ela é plenamente humana (como nós), mas teve a maior intimidade possível com o Divino (Jesus).  Nas paredes das Catacumbas de Priscila, em Roma, há afrescos datados do século II (por volta de 150 d.C.) que retratam a Virgem Maria com o Menino Jesus. É a mais antiga imagem conhecida da mãe de Cristo.

Para os primeiros cristãos, se Jesus ouviu o pedido dela em uma festa de casamento em Caná, Ele certamente a ouviria no céu (Cf. Jo 2,3-5). Para o nosso fundador, São Vicente Pallotti, a devoção mariana ia muito além da oração contemplativa; era o combustível para a ação apostólica. Ele via Maria como modelo de doação total a Deus e que poderia modelar, nele, a imagem do seu Filho, Jesus.

Maria na ascética palotina

Maria ocupa um lugar muito importante na obra e na doutrina de Vicente Pallotti. Para ele, Maria é a cheia de graça, a filha predileta do eterno Pai, a Mãe que Deus Filho escolheu entre todas as mulheres para tornar-se homem, a Esposa única na qual o Espírito Santo infundiu a mais pura virgindade e exuberante maternidade. Nenhuma criatura, pela sua pessoal excelência, pode ser amada e honrada como foi amada e honrada Maria, porque ela foi infinitamente amada e honrada por Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Deus criou o homem à sua imagem e Maria, Mãe de Jesus, fez Deus à sua imagem. Não existe uma criatura comparável à Maria, porque sua beleza é irrepetível. Por esta admirável excelência, Maria merece admiração, louvor, amor, mais do que todas as coisas criadas, segundo padre Francisco Amoroso.

Pallotti olhando para Jesus agonizante, reflete: Na cruz, o sangue derramado de Cristo é o sangue de Maria, a carne de Jesus, flagelada e coroada de espinhos, seus membros perfurados pelos pregos e lanças é carne de Maria. Maria aceitou a profecia de Simeão que anunciou tais sofrimentos com o símbolo da espada que traspassará seu coração. Esta Senhora bendita foi constituída por Jesus, no momento mais solene da redenção, Mãe do novo povo de Deus (Cf. OO CC XIII, 725; cf. Amoroso. Dal nulla al tutto, p. 115).

No seu contínuo contato filial com a Mãe de Deus, Pallotti descobriu nela algo muito significativo, a sua presença no Cenáculo como Mãe e Rainha dos apóstolos. Ela que não tinha nenhuma jurisdição e nenhuma participação no sacerdócio ministerial e, contudo, foi tão grande apóstola que mereceu o título de Rainha dos Apóstolos. Isto prova claramente que não é necessário ter um poder de jurisdição ou de ministério para se tornar apóstolo de Jesus. Maria não ocupou nenhum cargo e, no entanto, superou, em méritos, todos os Papas, Bispos e sacerdotes.

Segundo Pallotti, Maria cooperou na propagação da santa fé mais que os apóstolos. Ela sustentou, com sua oração o ânimo dos apóstolos e fez com que superassem as suas fadigas e medos. Assim escreveu ele:

A santa Igreja, não por um simples título de honra, mas por motivo de plenitude de méritos, saúda Maria com o augusto título de Rainha dos Apóstolos e, com isto, todos, sacerdotes e leigos, todos, de ambos os sexos, de todo estado, posição e condição social, se animarão a imitar a nossa Imaculada Mãe Maria Santíssima, em todos os empreendimentos da maior glória de Deus e em todas as obras de misericórdia corporal e espiritual para o bem dos próximos (Doc. da fundação, p. 184).

Para concluir, Pallotti desejou profundamente que seus seguidores tivessem um profundo amor e devoção à Mãe de Deus. Queria que todos fossem fervorosíssimos apóstolos de Maria. Queria que todos fossem transformados em Maria, de sorte que, depois de Jesus Cristo, o seu coração, os seus movimentos internos, as suas palavras e os seus olhares, os seus passos e ações fossem de Maria, porque um verdadeiro devoto de Maria não só se salvará, como se tornará um grande santo. “Deus em tudo e  sempre!”

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