segunda-feira, 11 de março de 2013

ENCONTRO INTERNACIONAL DOS IRMÃOS PALOTINOS - POLONIA

O consagrado palotino: padres e irmãos
 
Konstancin-Jeziorna – Polônia – 09 a 13/03/2013

Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC

1.      Introdução
Para falarmos da consagração palotina, devemos, antes de tudo, voltar às nossas origens para que possamos perceber o impulso original que nos leva a confirmar-nos no presente e a projetar-nos no futuro com firmeza e perseverança. Segundo as Leis da SAC, n. 19: “A nossa consagração tem suas raízes na consagração batismal, da qual é uma expressão mais perfeita. Ela nos associa, de forma nova e especial, à missão da Igreja para a difusão do Reino de Deus sobre toda a terra”.
Para que um trabalho de evangelização tenha bom êxito, é necessário que o evangelizador tenha consciência da missão que abraçou, por isso, o Concílio Vaticano II procurou levar a Igreja à sua fonte original: Jesus Cristo, o Enviado, o Apóstolo do Pai e Salvador do mundo. Com o Concílio a Igreja interrogou-se à respeito da sua relação com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo; procurou descobrir sua identidade, o que a alimenta e renova e qual é sua relação com o mundo, como ‘sacramento universal da salvação’ (LG 48).
O Concílio Vaticano II quis promover também a renovação da vida religiosa mediante a volta às fontes – Cristo, o Evangelho e os Fundadores – e a sua adaptação aos tempos. A Família Palotina, também procurou fazer este trabalho de renovação, buscando força e ânimo no carisma deixado por Pallotti cuja renovação segundo o Evangelho é a missão na Igreja de hoje. Mas, esse retorno às fontes não foi comunitário, visto que cada instituto palotino o fez por sua própria conta. Mas estamos tentando, agora, voltar juntos às nossas fontes comuns, e descobrir e acolher juntos o dom que o Espírito Santo deu a São Vicente Pallotti e que nós, como seus seguidores, devemos oferecê-lo à Igreja. Daí a importância de acolher esse dom, de apropriar-nos dele e de torná-lo fecundo à toda a Igreja. Portanto, cada membro, seja padre ou irmão, no estado em que se encontra, deve testemunhar sua fé em Cristo, por meio de obras espirituais e materiais.

Que o Espírito Santo de Deus nos dê o dom da sabedoria e do entendimento, para que juntos possamos encontrar a melhor forma de atualizar o carisma de São Vicente Pallotti, o Apostolado Universal, de maneira nova e criativa no mundo em que vivemos. Para que isso aconteça, todos os membros devem empenhar-se de verdade, colocando seus dons a serviço, para assim continuar levando Cristo a todos aqueles que ainda não o conhecem. Essa é a missão comum que os filhos de São Vicente Pallotti devem abraçar, nesse novo milênio.
2.      As grandes necessidades do mundo e da Igreja vistas e sentidas por São Vicente Pallotti

Todos os fundadores partiram de uma viva e forte percepção das necessidades da humanidade e da Igreja. As suas iniciativas e trabalhos foram orientados à superação de tais dificuldades. Pallotti percebeu e sentiu, de um modo todo especial, as grandes necessidades do mundo e da Igreja. Fez isso iluminado pela fé e pelo conhecimento que ele teve destes, graças aos seus muitos contatos com a realidade do mundo missionário, principalmente, na Propaganda Fide.
As grandes necessidades do mundo percebidas e sentidas por ele situavam-se, sobretudo, no plano religioso. Via-o e o sentia com os olhos e com o coração do Cristo Apóstolo, do Cristo Missionário, do Cristo Enviado do Pai: um mundo a ser salvo e conduzido ao Pai celeste.
Pallotti constatava que a grande maioria da humanidade desconhecia ainda Jesus Cristo e não cria nele. A maior parte dos homens não acreditava no Cristo e por isso era “infiel”, isto é, sem a fé cristã. Este, segundo Pallotti, necessita mais de ajuda[1].
Pallotti viu e sentiu as grandes necessidades da Igreja do seu tempo, profundamente ferida pela Revolução Francesa que quis substituir Deus pelo homem e criar uma sociedade humana sem Deus e sem Jesus Cristo. Tal revolução desencadeou uma luta contra a Igreja em todos os campos e perseguiu e matou também muitos cristãos. Procurou desmoralizá-la e tudo que se relacionava com Deus. Como consequência, houve uma grande diminuição das forças missionárias na Igreja e faltavam os operários evangélicos necessários para evangelizar o mundo e também para conservar a fé cristã, onde ela se encontrava. Pallotti escrevia:

 Os campos dourados aguardam, impacientes, a mão que venha segá-los. Mas, infelizmente, quanto mais abundante e madura é a colheita mais escasso é o número dos ceifeiros que devem recolhê-la. As vocações eclesiásticas se tornam cada dia mais raras. Por causa dos acontecimentos passados as ordens religiosas, que tinham suas vocações próprias, não têm hoje sequer o número suficiente para manter a religião onde ela se encontra; muito menos ainda há homens apostólicos suficientes para levar a religião onde ela não se encontra. Oh, a lastimável escassez de operários evangélicos, tanto para cultivar a religião de Jesus Cristo dos poucos católicos, quanto, e muito mais, para ocupar-se da conversão dos hereges e infiéis! Regiões vastíssimas mal chegam a ver um padre no espaço de anos. E a maior parte dos infiéis, milhões e milhões deles caem sepultos nas trevas dos erros, sem que até eles chegue um pregoeiro do evangelho[2].

Via também um grande número de fiéis separados do verdadeiro rebanho de Cristo: hereges e cismáticos. Se a vista dos pobres e doentes o entristecia e o comovia, muito mais ainda sofria e comovia-se ao ver a maior parte da humanidade privada da luz e da presença salvadora de Jesus Cristo.
Pallotti percebeu que o mundo precisava ser evangelizado para poder ser salvo por Jesus Cristo e ter a vida eterna. Como não há evangelização sem evangelizadores, e estes eram muito escassos, era preciso multiplicá-los e qualificá-los, isto é, formá-los, habilitá-los e enchê-los do espírito de Cristo. Além de poucos, os ministros ordenados estavam muitas vezes desunidos. Pallotti lamentava a divisão entre o clero diocesano e o clero regular, a separação entre os religiosos, os clérigos e os leigos. Os clérigos acreditavam que o apostolado era privilégio próprio. O próprio ministério sacerdotal era muitas vezes subordinado a interesses materiais, o que alimentava o carreirismo e a competição entre os membros da hierarquia eclesiástica.
Além disso, o clericalismo fomentava o passivismo dos leigos. Paulo VI disse, em Frascati, diante do corpo de Pallotti, que “o mundo dos leigos era passivo, sonolento, tímido e incapaz de expressar-se”[3].
Este passivismo dos leigos era causado não só pelo clericalismo dominante dos clérigos, mas também pela grande ignorância da vocação apostólica ou evangelizadora própria de todos os cristãos, por uma falta de fé viva e de uma caridade ardente. Para Pallotti, o apostolado cristão brotava de uma fé viva e de uma caridade ardente e, sem elas, não há apostolado e nem interesse em propagar a fé cristã no mundo.

3.      A resposta de São Vicente Pallotti frente aos desafios
Quais foram os sentimentos e as reações de São Vicente Pallotti diante das enormes necessidades do mundo e da Igreja? Nele aparecem os mesmos sentimentos de Cristo, Apóstolo do Pai eterno. O Espírito Santo fez com que ele penetrasse profundamente no coração do Cristo e fizesse seus os sentimentos do próprio Cristo, Apóstolo e bom Pastor. A exemplo de Cristo, que era tomado de compaixão à vista dos homens enfraquecidos e abatidos, como ovelhas sem pastor e sujeitos a muitíssimas fraquezas (cf. Mt 9,35s), Vicente Pallotti era tomado de grandíssima e profunda compaixão pelos que se encontravam mergulhados nas trevas do erro e desconheciam totalmente Jesus Cristo Salvador. Sentia uma enorme compaixão por aqueles que deixavam este mundo sem fé ou com uma fé morta, porque não animada pela caridade e por isso mesmo expostos às terríveis consequências que a própria fé ensina[4]. Ele era incapaz de olhar com indiferença para tantos irmãos ameaçados de perder-se para sempre, mas era impelido pela caridade de Cristo a orar e a socorrer com as obras o mundo necessitado de salvação[5]. Desejava ardentemente que todo o mundo fosse reconduzido a um só rebanho e a um só pastor[6]. A exemplo de Cristo, queria dar-se por inteiro a todos a fim de reconduzir a todos ao rebanho de Cristo. Queria evangelizar a todos, anunciar a eles a boa nova, ajudá-los, especialmente os mais necessitados, como manda a caridade cristã.
A exemplo de Cristo que ordenou pedir ao Pai a multiplicação dos operários evangélicos, Pallotti desencadeou um movimento de oração na Igreja em favor da multiplicação dos operários evangélicos e da sua formação e sustento[7]. Guiado pelo Espírito Santo, Pallotti compreendeu os sentimentos de Cristo e penetrou no sentido mais profundo da palavra de Deus e entendeu que toda a Igreja e todos os seus membros estão chamados a se empenhar na continuação do apostolado de Jesus Cristo ou na prolongação da sua missão no mundo. Viu que o empenho na salvação do mundo pertence a toda a Igreja e a cada um dos seus membros. Pallotti compreendeu que Deus quer que o homem coopere ativamente na salvação eterna do seu próximo. Não apenas os ministros ordenados, mas também todos os cristãos são chamados a cooperar eficazmente na propagação da fé no mundo inteiro e por isso a ajudar o próximo a conseguir a sua felicidade eterna.
Para Pallotti, portanto, todos os homens pelo fato de serem imagem e semelhança de Deus devem empenhar-se em ajudar o próximo a conseguir a vida eterna, pois Deus em todas as suas ações voltadas para fora procura sempre o bem do homem, até ao ponto de enviar o seu único Filho para redimir o gênero humano com sua morte na cruz[8]. “Deus é perfeito no amar o homem. Desde toda a eternidade o amou, vendo-o na sua infinita presciência e ama o homem por toda a eternidade. E pelo homem obra sempre no tempo com a criação, conservação, redenção, e na eternidade com a glorificação”[9]. Também o homem, na medida das suas possibilidades, deve imitar a Deus amando a seu próximo com a eficácia das obras. E o próximo é todo ser humano, de qualquer condição, clima, nação etc., capaz de conhecer a Deus[10].
São Vicente Pallotti afirmava que todos os fiéis são chamados a imitar Jesus Cristo, que é o Apóstolo do Pai eterno. Por isso, todos são chamados, conforme sua condição e estado, ao apostolado[11]. Mas, o que entende Vicente Pallotti por apostolado? Partindo da significação etimológica da palavra apóstolo, Pallotti dá também a significação de apostolado. Ele escreve:

Nosso Senhor Jesus Cristo é o Apóstolo do eterno divino eterno Pai, porque enviado por Ele para reparar a glória ultrajada da sua majestade e para redimir o gênero humano, tornado massa de perdição pelo pecado de Adão.  O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção. Os doze nomeados no capítulo 6 de S. Lucas são os apóstolos de Jesus Cristo e tudo que eles, de acordo com o mandato de Jesus Cristo, fizeram pela maior glória de Deus e pela salvação eterna das almas, é o apostolado deles[12].

Apostolado é, portanto, a própria obra da redenção ou da salvação, e apóstolo é aquele que realiza a obra da salvação. Mas é também apóstolo aquele que coopera para a realização da salvação, preparando-a ou colaborando para sua realização, expansão e consumação. Assim, Maria é a Rainha dos Apóstolos porque mais do que ninguém, depois de Jesus Cristo, “contribuiu na sua condição para a propagação da fé e a dilatação do reino de Jesus Cristo. Por isso, cada um que, conforme seu estado e suas forças e confiando na graça divina, se dedica quanto pode à propagação da fé pode merecer o nome de apóstolo e tudo o que ele fizer para tal fim será seu apostolado”[13]. Daí a conclusão de Pallotti: “Apostolado Católico é fazer o que cada um pode e deve fazer para a maior glória de Deus e para a eterna salvação própria e dos demais”[14].
Diante da situação em que se encontrava o mundo privado da luz da fé cristã e também da situação lamentável em que se encontravam muitos cristãos, nos quais estava amortecida a fé e apagada a caridade, e por isso mesmo sem condições para praticar as obras da caridade salvífica, Vicente Pallotti viu a necessidade de fazer uma campanha em favor do reavivamento da fé e do reacendimento da caridade cristã entre os católicos, pois somente assim eles seriam capazes de interessar-se pela salvação eterna própria e do próximo. Daí o seu propósito inicial de jovem padre: reavivar na Itália e no mundo inteiro o espírito dos primeiros cristãos.
Na sua mente e no seu coração foi amadurecendo a ideia de despertar em todos os cristãos o espírito apostólico ou missionário de Jesus Cristo e de motivar toda a comunidade cristã a engajar-se na propagação da fé no mundo inteiro, pois a propagação da fé ou a evangelização de todos os povos ou a reunião de todos os homens no mesmo rebanho de Cristo é a obra mais própria da comunidade cristã, a mais necessária para a humanidade, a mais agradável a Deus e a mais meritória para todos os fiéis.
Junto com seus companheiros – sacerdotes diocesanos, religiosos e leigos – Vicente Pallotti deixou-se possuir, animar e impelir pelo espírito apostólico de Jesus Cristo e procurou levar ajuda aos necessitados. Aos poucos foi se formando no seu espírito a ideia de fundar a União do Apostolado Católico para reavivar a fé e reacender a caridade entre os católicos e para instituir um apostolado universal entre todos os católicos com o fim de propagar a fé e a religião de Cristo entre todos os infiéis e não católicos e para oferecer a todos uma obra na qual fosse possível praticar as obras de misericórdia espiritual e corporal com o fim de por meio delas dar a conhecer Deus como caridade infinita[15].
Guiado e também estimulado pelos pedidos de ajuda material e espiritual, que continuamente chegavam a ele e aos seus companheiros, e também pela resposta generosa de tantos cristãos em favor dos irmãos necessitados, junto com seus companheiros, São Vicente Pallotti quis fundar uma associação de fiéis que, unidos entre si pela caridade de Cristo e movidos por esta mesma caridade, procurassem multiplicar todos os meios espirituais e materiais necessários e oportunos para reavivar a fé e reacender a caridade entre os católicos e para propagá-las no mundo inteiro, a fim de que quanto antes houvesse um só rebanho e um só pastor. A fundação da União do Apostolado Católico foi confirmada e recomendada pela bênção especial do Cardeal Vigário de Roma, do seu substituto e do próprio Papa.

4.      O que São Vicente Pallotti, realmente, queria com a sua fundação?
Podemos dizer que Pallotti queria resgatar e promover o apostolado católico na Igreja, isto é, conclamar a todos para que assumissem o seu compromisso de cristãos. Ele foi o grande batalhador do apostolado universal, o qual ele colocou a União do Apostolado Católico a seu serviço e promoção. Com sua fundação, colocou-se por inteiro a serviço do Apostolado Católico e de cada um, instituído pelo próprio Cristo na sua Igreja para a salvação do mundo. Ele fundou uma comunidade eclesial apostólica a serviço do apostolado universal.
O carisma de São Vicente Pallotti envolve muitos elementos relacionados com Deus, com a humanidade, com a Igreja e com a história. Ele envolve uma profunda compreensão de Deus como amor infinito e misericórdia infinita. Por amor, Deus criou o mundo e colocou nele o homem feito à sua imagem e semelhança. Por amor, feito misericórdia, Deus quis salvar o homem perdido e reconduzi-lo por meio do seu Filho Jesus Cristo à comunhão com Ele. Por amor, Jesus Cristo realizou a vontade salvífica do Pai e quer a salvação de todos os homens.
Pallotti compreendeu que Deus não só quer a salvação de todos os homens, mas também que o homem, salvo por Jesus Cristo e enriquecido com o seu Espírito, coopere para a salvação do seu próximo. Pallotti compreendeu também que o homem, quando coopera para a salvação do seu próximo, presta o maior e melhor serviço a este e se torna mais semelhante a Deus, que é caridade por essência, e em todas as suas ações tem em vista o bem do homem, sua salvação e glorificação.
Entendeu, ainda, que assim como a ação salvadora de Deus é motivada pelo seu amor infinitamente misericordioso, da mesma forma todo apostolado nasce, é animado e acontece a partir da caridade de Cristo, derramada nos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5). Compreendeu que o sentido de todo apostolado é cooperar para salvação do mundo em Cristo, para a salvação própria e do próximo.
Pallotti sentiu que toda a humanidade não só necessita da salvação, como é chamada a ser salva, pela infinita misericórdia de Deus. Viu-a como o alvo do amor de Cristo, vivo e atuante em cada coração cristão. Diante da imensa maioria que ainda desconhece o Cristo, todo o fiel deve empenhar-se pela salvação da humanidade por meio da oração, da pregação do evangelho e do exercício da caridade cristã. Ele entendeu, também, que a comunidade cristã inteira deve continuar e prolongar, no espaço e no tempo, a salvação realizada por Jesus Cristo mediante a sua morte, ressurreição e comunicação do seu Espírito.
Pallotti viu também que o cumprimento do mandamento de amar o próximo como a si próprio, estabelecido por Deus, já no Antigo Testamento e reconfirmado pelo Cristo, implica empenhar-se ativamente na salvação eterna do próximo, pois é impossível amar de verdade o próximo sem querer e ajudar que ele se salve. Pallotti também entendeu que todo ser humano está chamado a imitar nosso Senhor Jesus Cristo: Apóstolo do eterno Pai. Entendeu também que toda a vida de Cristo foi seu apostolado, pois foi toda consagrada à salvação. Entendeu que o apostolado é a realização da salvação e que tudo o que de um modo ou de outro contribui para a salvação do mundo em Cristo é apostolado. Por isso, todos são chamados a imitar o Cristo Apóstolo, devendo, portanto, como Ele, empenhar-se na salvação eterna do próximo. Para Pallotti, o trabalho de evangelização e de salvação não deve ser feito de modo isolado, mas de modo ordenado, isto é, em conjunto. A sua fecundidade depende da sua unidade. É necessário, portanto, unir forças no trabalho em favor do evangelho.
“São Vicente Pallotti foi, portanto, o grande incentivador do apostolado universal. Ele procurou despertar o espírito missionário, evangelizador em toda a Igreja. De modo particular, ele procurou redescobrir e promover o engajamento apostólico ou missionário de todo cristão leigo. Podemos dizer que ele contribuiu bastante para a redescoberta e a revalorização do espírito e do empenho missionário de toda a Igreja, especialmente dos leigos que, no seu tempo, eram passivos e inexpressivos em termos de missão e de apostolado. Pallotti intuiu, viveu, proclamou e promoveu a missionariedade ou a apostolicidade de todo cristão. Mostrou com a palavra e a vida que ser cristão é cooperar eficaz e generosamente para a salvação eterna do próximo e para a glorificação infinita de Deus”[16].

5.      A consagração na Sociedade do Apostolado Católico
Segundo o parecer da XVI Assembleia Geral Palotina, todos os membros da SAC participam da mesma consagração e, no seu plano fundamental, todos os membros são irmãos e os papéis exercidos por cada um deles têm importância secundária. A distinção entre ordenado e não ordenado faz parte daquele conceito de corpo no qual existem “muitos serviços e um só espírito” (1Cor 12). O que faz uma pessoa ser denominada palotina é a sua consagração e não o sacerdócio ministerial.

5.1. O irmão palotino
O papel do irmão palotino é o de dar testemunho da prioridade e da radicalidade evangélica da consagração ao apostolado. O primado da vida consagrada, como valor em si, é o primado do amor, e a consagração não tem menos valor que o ministério ordenado. O irmão faz entender que a Igreja Koinonia não é separável da Igreja Diakonia. O testemunho que o consagrado palotino procura dar no seu dia a dia, olhando para Cristo que viveu como um irmão entre os irmãos, é por meio das obras de misericórdia e de caridade, como bem lembrou o Papa Bento XVI, na sua mensagem enviada por ocasião dos cinquenta anos da canonização do nosso Santo Fundador:

“A fé viva e a caridade operosa foram os dois pilares sobre e os quais S. Vicente Pallotti apoiou firmemente a sua luminosa vida e a sua obra generosa; duas forças interiores que impulsionaram e sustentaram tantas iniciativas apostólicas de que estava cheia a sua vida. “Caritas Christi urget nos” (2Cor 5,14), era o lema que motivava também os seus seguidores. O fruto maduro de seu zelo foi a fundação da União do Apostolado Católico que, já naquele tempo, valorizava a colaboração de todas as categorias de fiéis na Igreja – leigos, sacerdotes, consagrados – vivificando a fé de cada um, para que se tornasse apóstolo, portador do fogo do amor de Deus”.

São Vicente Palloti ao meditar os Evangelhos descobriu que Cristo é o enviado do Eterno Pai, um irmão entre os irmãos, ou seja, viveu inserido no meio do seu povo, tomando contato com as suas realidades humanas de alegrias e de sofrimentos, por isso colocou-se sempre ao lado daqueles mais necessitados. Cristo ao assumir a nossa humanidade procurou atrair-nos de todos os modos para Deus. Ele mostrou o amor infinito de Deus Pai para conosco, acolhendo a todos indistintamente: “Eu não vos chamo servos, mas amigos...”; Amigo é aquele que faz parte da nossa vida, aquele que partilha a mesma mesa e o mesmo pão. Essa imagem do Cristo irmão entre os irmãos pode ser percebida de maneira muito clara no encontro de Jesus com Madalena, com a Samaritana, na visita da casa de Zaqueu, do compadecer-se do povo que caminhava como ovelhas sem pastor, etc. Toda a vida de Jesus foi um contínuo doar-se em favor da salvação da humanidade.
São Vicente Pallotti, na sua profunda experiência de Deus como misericórdia infinita, entendeu que Jesus realiza plenamente a obra de Deus junto à humanidade, como o Apóstolo do Eterno Pai, que veio a esse mundo somente para fazer o bem (cf. At 10, 38). A exemplo dele, todos os batizados também podem fazer o bem, podem aliviar as dores físicas e espirituais de muitos com suas orações e obras de misericórdia. Por isso, é urgente que todos nos responsabilizemos pela salvação da humanidade. Para aqueles que são consagrados cabe adquirir sempre mais esse zelo apostólico, consumindo assim suas forças para que o mais rápido possível, todos possam conhecer a salvação que vem de Deus. E quanto mais e melhor esse trabalho for coordenado, muito mais poderemos fazer pela salvação das almas. Portanto, o irmão palotino porta consigo uma grande herança, deixada pelo Santo Fundador. Basta apenas descobrir suas habilidades e carismas para colocar-se, plenamente, no apostolado da Igreja. 

5.2. Identidade do irmão
O Irmão é um homem que vive a radicalidade do evangelho conforme o carisma de São Vicente Pallotti. Ele serve à Igreja e ao mundo, participando das obras apostólicas da SAC com seus ofícios, serviços e ministérios que não requerem a ordenação. É chamado por Deus ao seguimento de Cristo na realização das tarefas da UAC. Vive o testemunho profético do Cristo Apóstolo do Eterno Pai, no estilo de vida segundo a Lei da SAC.
Vicente Pallotti, nos escritos compostos em Camaldoli, em 1839, apresentou o trabalho apostólico de maneira bastante ampla, levando em conta a presença de inúmeras comunidades, cada uma delas com ministérios diferentes. Nas Regras para tais comunidades, ele previu trabalhos específicos também para os irmãos leigos. Segundo ele, nas casas dos Sagrados Retiros, não deviam e não podiam faltar as obras manuais da Casa de Nazaré, isto é, os trabalhos de marceneiro, ferreiro, sapateiro, alfaiate e outras funções”[17] (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 322).
Nas “Regras dos Santos Retiros, Colégios, Seminários e Monastérios” de 1839, Pallotti usa o termo “Irmãos Leigos”[18]. Para ele, o Irmão existe não para ser apenas um colaborador dos sacerdotes, mas, sim, um “colaborador do Apostolado Católico”, através do trabalho prestado à Congregação (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 323).
Pallotti não via os irmãos ocupados somente com os trabalhos manuais, mas também atuando em serviços apostólicos. Escreve: “No fazer a doutrina aos irmãos se tenha como alvo torná-los todos capazes de poder ensinar aos jovens nas paróquias, hospitais, cárceres e nas ocasiões das Santas Missões; e aos mais idôneos, segundo suas disposições, poderão ainda ser catequistas dos missionários que vão às partes dos infiéis; nenhum, porém, seja enviado sem que tenha sido plenamente instruído segundo as necessidades das respectivas regiões, onde estará a missão”[19] (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 325).
Ele escreve ainda sobre outras profissões, tais como: tipografia, padeiro e qualquer outra profissão. Isso deve influir positivamente na economia da Congregação[20]. Os irmãos devem ter como modelo, Jesus “operário”, que por cerca de trinta anos escolheu o trabalho, “seja de madeira e de ferro”[21], e o “grande Patriarca S. José”[22]; enquanto os sacerdotes têm a sua raiz espiritual e o seu exemplo em Jesus, “Apóstolo do Eterno Pai” (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 331).
Mas Pallotti não se limita somente a isso. Ele deseja que os irmãos se preparem para desenvolver o apostolado dos enfermos[23], como catequistas, mesmo que sejam somente para as missões “ad gentes”. Os que tiverem mais condições sejam instruídos, primeiro na língua, nos costumes locais e nas “necessidades das respectivas regiões”. Poderão ter e desenvolver a função de catequistas nas Missões externas[24] (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 332).

5.3  Igualdade de direitos entre padres e irmãos
   Os Irmãos Palotinos, reconhecendo e aceitando a urgência de “reavivar a fé e reacender a caridade”, segundo os ideais apostólicos de Pallotti, doam-se à vida do Apostolado Católico, em uma experiência de vida consagrada, ou seja: em castidade, pobreza, obediência, como condição antecipada do reino de Deus, declarado em promessas, associando a elas aquelas características palotinas de perseverança, vida comum perfeita e recusa das dignidades eclesiásticas. Por isso, em uma espiritualidade idêntica para eles e para os sacerdotes, colaborando diretamente para o progresso da União do Apostolado Católico, através da Congregação, hoje Sociedade, mas de maneira diferente. Os sacerdotes, com seu ministério, e os irmãos, com seu trabalho ou com sua profissão. A Congregação Palotina, filha do seu tempo e de um preciso contexto cultural eclesial, nasceu clerical, ou seja, Pallotti confiou sua direção e responsabilidades, somente, aos seus sacerdotes (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 334).

5.4  Os irmãos: promotores do apostolado católico
Segundo o nosso Santo Fundador, os Irmãos são cooperadores e promotores do Apostolado Católico e não dos sacerdotes[25]. Neste, os irmãos, os sacerdotes e os leigos gozam da mesma igualdade nas obras do Apostolado Católico. Os trabalhos apostólicos específicos podem diferenciar, mas eles são parceiros e cooperadores, com igual paridade, no Apostolado Católico (RI n. 337).
O “Irmão” terá maior apreço pelo seu ministério e seu papel, quando ver o seu apostolado ou o seu trabalho bem “definido” na Igreja, digno de uma dedicação por toda a vida. O irmão Palotino, na procura de se tornar um autêntico “apóstolo de Jesus Cristo”, descobriu o valor do seu particular ministério, tornando-se “sinal” para toda a União do Apostolado Católico (RI n. 340).
A consagração apostólica é que dá o significado e a identidade à vocação e à vida cristã dos Irmãos[26]. Os Irmãos Palotinos são cristãos leigos, que se consagram publicamente, por meio das promessas a Deus e ao ministério da Igreja. Vivem em comunidade para o recíproco sustento e companhia, e vivem juntos a mesma fé católica e o patrimônio da Sociedade. A sua vocação não é nem superior e nem inferior ao matrimônio, nem ao sacerdócio, nem a um “solteiro”. É diferente. A escolha deste estado de vida não é por falta de capacidade de se chegar ao sacerdócio, mas por ter recebido um chamado especial de Deus, para viver a consagração Palotina em si mesma, sem o acréscimo da vida sacerdotal. A consagração Palotina, tanto para os candidatos ao sacerdócio, como para os irmãos é a mesma. Isso compreende a pessoa do Fundador, a sua espiritualidade, o seu carisma, a história da nossa fundação e as promessas de castidade, pobreza obediência, perseverança, comunhão de bens e espírito de serviço (Ratio, Cap. VIII sobre os irmãos, n. 345).

5.5  Uma espiritualidade única
São Vicente Pallotti estava profundamente convencido de que cada cristão é chamado a ser apóstolo e a colaborar no apostolado da Igreja como continuação da obra redentora de Cristo. Por isso, tanto os padres como os irmãos da SAC participam de uma mesma e única espiritualidade, a do Cristo apóstolo do Eterno Pai.
Visto que ser enviado é a característica essencial de Cristo, então, todo aquele que se lhe aproxima, é inserido na sua missão de salvador do mundo. Por isso, a espiritualidade palotina é essencialmente apostólica, porque o seu único interesse é a maior glória de Deus e a salvação do próximo. O palotino, imbuído por esse sentimento, está empenhado em promover a obra da redenção de Cristo e de espalhar a fé e a caridade e a realizar a salvação entre os homens. A espiritualidade palotina é dinâmica e olha sempre para o futuro, não fica centrada em si mesma, mas requer engajamento e atividade apostólica.
Outra característica de nossa espiritualidade é a universalidade, enquanto se identifica com a espiritualidade cristã. Ela é universal enquanto penetra na vida e no agir do cristão. “O apostolado católico, isto é, o apostolado universal, como é comum a todas as classes de pessoas, consiste em que cada um faça o que pode e deve para a maior glória de Deus, para a salvação da sua própria alma e a do seu próximo”. A Sociedade também está fundada no amor. Ela tem como fim promover em todos os fieis as obras de caridade e de misericórdia para a maior glória de Deus e da Imaculada Mãe de Deus e para a maior santificação dos homens. Por isso, deve ser sempre motivada pelo espírito da perfeita caridade. O amor, como descreve São Paulo, é a parte essencial e constitutivo da nossa Sociedade. Se o faltar, não mais existirá o apostolado católico. Esse amor deve ser de emulação, desinteressado e exercitado, pois ele é o motivo último do nosso engajamento apostólico.
Uma característica típica da espiritualidade palotina é a especial relação entre apostolado e imitação de Cristo. Segundo Pallotti, o apostolado de Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai celeste. Por este motivo, Pallotti fez da vida de Cristo a regra fundamental de todas as comunidades por ele fundadas. Sendo assim, a espiritualidade palotina não pode ser individualista, mas deve ter um caráter social e comunitário. Ela exige dos membros um especial amor à Igreja, que tem por missão continuar a obra redentora de Cristo.
A União do Apostolado Católico, por sua vez, atinge todas as vocações da Igreja: sacerdotal, religiosa e leiga. Mas, o sacerdócio na comunidade palotina tem o mérito de servir, na Igreja, como ponto de união entre o clero secular e regular, apta para animar um e outro, numa ligação sagrada capaz de gerar em ambos, maior caridade e maior zelo apostólico (OOCC III, 3-4, 83, 90; VII, 4; IX 25).
Outro aspecto importante da espiritualidade palotina é a devoção à Maria, Rainha dos Apóstolos, isto porque ela significa o mais luminoso exemplo de um apóstolo leigo e a melhor justificação para a existência do apostolado leigo. O espírito mariano da nossa comunidade exige, pois, de nós não somente um cultivo pessoal da devoção à Maria, mas, sobretudo, que a imitemos na sua maneira de exercer o apostolado: através de uma fé inabalável, de uma vida de perfeita imitação de Jesus Cristo, de uma prontidão em servir ao Senhor e à Igreja, por meio da oração e do sacrifício.
Diante desse cenário, Pallotti teve sempre em mente a imagem do Cenáculo de Jerusalém, local onde o Espírito Santo se manifestou e encorajou a todos para que dessem testemunho de Cristo ressuscitado em todas as nações. Inspirado por essa realidade, Pallotti desejou que as nossas casas vivessem sempre no Cenáculo com Maria, Rainha dos Apóstolos. Pois, foi lá que a comunidade nascente buscou, por meio da oração incessante e a convivência fraterna, conhecer a vontade de Deus. Assim, também, as nossas comunidades devem enfrentar os desafios apostólicos do nosso tempo, em um clima de oração, de humildade e de unidade.
Portanto, essa é a espiritualidade vivenciada pelos sacerdotes e irmãos palotinos, e cabe a cada um dos membros fazer do ambiente onde se vive um verdadeiro Cenáculo, ou seja, um local de oração, de encontro fraterno e de decisões conjuntas, pois, só assim, poderemos responder aos desafios do nosso tempo, com o mesmo vigor enfrentado pelo nosso Santo Fundador, no contexto eclesial de sua época.
 Com esse espírito, a comunidade palotina deve conduzir os batizados a viver a sua mais profunda entrega nas mãos do Deus Amor Infinito. Essa missão não é exclusiva, somente, do ministro ordenado, mas de cada consagrado. Por isso, todos devem utilizar os meios necessários e disponíveis, para que, o mais breve possível, a humanidade inteira chegue ao pleno conhecimento de Deus e assim encontrem a salvação eterna.
6.      Conclusão
Ao concluir essa breve reflexão sobre o que é comum na realização do trabalho apostólico entre os sacerdotes e os irmãos da SAC, podemos dizer que temos muitas coisas que nos igualam no apostolado. Antes de tudo, somos filhos do mesmo Pai, recebemos um mesmo batismo e por fim, herdamos um mesmo carisma e recebemos uma mesma consagração. Todos aqueles que se apaixonaram por este carisma possuem uma única preocupação, o apostolado universal, ou seja, conduzir todos ao conhecimento de Deus e à salvação da sua alma. Essa missão não é exclusiva do ministério ordenado. Aqueles que optaram pela ordenação sacerdotal estão submetidos não somente às Leis da SAC, mas também às diretrizes das suas respectivas Dioceses, porém, o espírito palotino deve permanecer. Ele deve apresentar o seu modo de ser palotino, fazendo com que todos os fiéis possam descobrir a sua vocação e o zelo pelo apostolado universal.
O palotino, seja ele padre ou irmão, deve ter sempre uma única preocupação, fazer tudo para a maior glória de Deus, e conduzir a todos à salvação. Deve ainda fomentar o dever missionário em cada cristão, fazendo com que as pessoas saiam da inércia e não se preocupem apenas com o seu bem estar espiritual, mas de todos. Esse é um árduo serviço que não tem fim, mas o palotino deve ter plena consciência de que é esta a sua missão junto ao povo de Deus. Se os padres e os irmãos trabalharem unidos com este mesmo objetivo, certamente, poderemos ter uma Igreja mais viva e atuante. Esse é também o desejo de toda a Igreja, principalmente quando o Papa Bento XVI conclama a todos para a vivência do Ano da Fé. Que possamos aproveitar mais esta oportunidade para melhor desenvolvermos o nosso carisma, juntamente com as Igrejas particulares, oferecendo aquilo que sabemos fazer. Se esse é o grande desafio para a Igreja universal, em um mundo que se distancia cada vez mais de Deus, por que não apresentarmos um novo projeto de evangelização que possa atingir não somente as paróquias bem como todas as Igrejas particulares? Creio que com o empenho e a criatividade de cada um, poderemos fazer com que a obra de Deus atinja os seus objetivos, salvar almas e conduzi-las para mais perto de Deus.
O sacerdote palotino, mesmo tendo suas obrigações junto às dioceses, no que diz respeito aos trabalhos pastorais e administração dos sacramentos, ele tem um diferencial que é o de fazer tudo para a maior glória de Deus e a salvação das almas e, para isso, usa de todos os meios possíveis e disponíveis. A sua preocupação deveria estar voltada também para a formação e conscientização de todos os fiéis da sua verdadeira missão, recebida no batismo. Uma paróquia com a presença de padres e irmãos palotinos deve imprimir nela as características do nosso carisma, onde todos possam se sentir corresponsáveis pelo anúncio do evangelho, na condição em que se encontram. Para isso é necessário que se crie escolas de formação permanente e campos de missão popular, onde o leigo possa se sentir corresponsável pela sua formação e pela formação do próximo, não sendo mero espectador. O tempo é favorável e os leigos estão sedentos de uma espiritualidade mais concreta e profunda.
Esse trabalho jamais deveria ser isolado e sem a colaboração do irmão. Por isso, os trabalhos apostólicos deveriam ser desenvolvidos sempre em sintonia com as respectivas dioceses, onde for possível, sem perder aquilo que é próprio do nosso carisma, reavivar a fé e reacender a caridade cristã entre os católicos e levar a todos ao reconhecimento do amor misericordioso de Deus, por meio de obras espirituais e materiais. 

[1] Vicente PALLOTTI. Escritos seleccionados. Edit. por Bruno BAYER - Josef ZWEIFEL. Trad. de Ángel F. de Aránguiz SAC. Zamora: Ed. Monte Casino, 1988, pp. 34, 35, 96; Edição brasileira: Documentos da Fundação. Trad. do Pe. Dorvalino Rubin (textos de Pallotti) e Pe. João B. Quaini (introduções), Santa Maria: Pallotti, 1996, pp. 42, 44, 117-118.
[2] Escritos seleccionados, p. 102; Documentos da Fundação, p. 124.
[3] Cf. Informações Palotinas, Santa Maria, dez. (1994), p. 98.
[4] Escritos seleccionados, pp. 74, 92-93; Documentos da Fundação, pp. 90, 113-114.
[5] Cf. Escritos seleccionados, p. 74; Documentos da Fundação, p. 90.
[6] Cf. Escritos seleccionados, p. 93; Documentos da Fundação, p. 114.
[7] Cf. Escritos seleccionados, pp. 44, 85; Documentos da Fundação, pp. 56, 101.
[8] Cf. Escritos seleccionados, p. 75; Documentos da Fundação, p. 91.
[9] Escritos seleccionados, p. 94; Documentos da Fundação, p. 116.
[10] Cf. Escritos seleccionados, p. 75; Documentos da Fundação, p. 92.
[11] Cf. Escritos seleccionados, pp. 26-27; Documentos da Fundação, p. 33.
[12] Escritos seleccionados, p. 25; Documentos da Fundação, p. 31.
[13] Escritos seleccionados, p. 26; Documentos da Fundação, p. 32.
[14] Escritos seleccionados, p. 27; Documentos da Fundação, p. 34.
[15] Cf. Escritos seleccionados, p. 29; Documentos da Fundação, pp. 36-37.
[16] Leis da Sociedade do Apostolado Católico. Porto Alegre: Pallotti, 1984, cf. Preâmbulo, a. b. c.
[17] Cfr. OOCC II, p. 146.
[18] Cfr. ivi, pp. 145-147.
[19] Ivi, p. 91.
[20] Ivi, pp. 154-155.
[21] Cfr. ivi, p. 154.
[22] Cfr. ivi, p. 156.
[23] Cfr. ivi, p. 90.
[24] Ibidem.
[25] Vedi il titolo di OOCC VII.
[26] Cfr. Hubert Socha, La natura fondamentale e le caratteristiche di una Società di Vita Apostólica con particolare riferimento ai suoi tre tipi, ACTA SAC, Volume XVIII, pp. 579-580.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Características da comunidade palotina



Uma das características da comunidade palotina é a de criar unidade na diversidade, e para isso se pede uma sensibilidade para saber olhar e ver, conhecer e reconhecer, ler e discernir. Outra característica palotina é de ser, na Igreja, um ponto de união entre o clero regular e o clero secular, apto para animar um e outro, numa ligação sagrada com todas as obras de caridade e de zelo.

O chamado e a insistência de Pallotti para o espírito de caridade é um convite para que cada um examine suas próprias motivações; de perguntar-se a si mesmo, de maneira contínua, sobre aquilo que move o seu coração, sobre aquilo que é o motor da sua atividade, do seu ser palotino, do seu apostolado. Por isso, ele nos deixou como modelo Nazaré e o Cenáculo. Nazaré é a união das três pessoas na convivência da vida cotidiana, ao passo que Cenáculo é a união da comunidade da Igreja em oração que recebe o dom do Espírito Santo, o dom da unidade. Portanto, o palotino deveria ser o homem da comunidade, da relação, da comunhão e da unidade. Qualquer ideia de individualismo e isolamento é a negação da obra palotina.

Portanto, um “cavaleiro solitário” e cada “cantor solista” deveria sentir-se mal entre os palotinos, fora de sua casa. Outro aspecto muito importante acentuado por nosso Santo Fundador é o espírito de caridade fraterna, com o qual são permeados tanto Nazaré como o Cenáculo. Pallotti insiste muito para que, na comunidade, seja dominante e reinante o espírito de caridade e dirá, explicitamente, que todos devem ser sempre animados pelo verdadeiro espírito de mais perfeita caridade (OOCC I, 107-109). Para ele, caridade é ser serviçal, cheio de paciência e de benignidade.

Para que haja o verdadeiro espírito de caridade, é preciso empenhar-se com coragem e santa indústria, e por isso ele adverte sobre tudo o que pode destruir o espírito de caridade, como por exemplo, o espírito de domínio, o espírito de egoísmo, isto é, o de procurar as próprias coisas, o espírito de ambição. Quando adverte sobre o perigo do espírito de domínio, o chama de “a peste da comunidade” (OOCC I, 106). Portanto, a espiritualidade palotina nasce da coexistência e interdependência de Nazaré e do Cenáculo; é uma escola de autêntica formação apostólica; uma escola de santidade e de apostolado. A espiritualidade palotina olha para o crescimento constante na santidade para o apostolado, isto é, precisa tornar-se santo para ajudar e tornar outros a serem santos. “Não é o apostolado que gera a santidade, mas é a santidade profunda que faz grande apostolado” (Pe. F. Amoroso).

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ano Espiritual - Noviciado


Abertura do Noviciado Sul-americano Palotino, em Cornélio Procópio - Pr. Pe. José Elias Fadul, Provincial da Província São Paulo Apóstolo presidiu a santa missa. Concelebraram: Pe. Jorge, Regional da Região Mãe da Divina Misericórdia - RJ, Pe. Ronaldo, formador da Província N. Sra. Conquistadora - RS, Pe. Valdeci, Mestre de Noviços e Pe. Frederico, da Bahia.


Pe. Fadul, Vinícius, Pe. Valdeci




quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Verbo se fez carne


 
O Deus no qual acreditamos é um Deus que se comunica pela obra criada, pela Palavra e por meio de sinais ou acontecimentos. A revelação de Cristo é a prova máxima de que Deus está muito próximo de nós para nos orientar no caminho gerando sempre vida nova. Ele é o Verbo Eterno, que comunicou o amor do Pai e que abriu-nos a porta do paraíso, fechado por causa do pecado.

São João, no Prólogo, escreve que no princípio era a Palavra, a Palavra estava com Deus, a Palavra era Deus e a Palavra se fez carne e veio morar no meio de nós. Deus é um Ser de comunicação. Ele se comunica o tempo todo, mas, somente aquele que está em contínua sintonia com Ele consegue assimilar a sua mensagem.

Deus usa de todos os meios para nos atrair a Ele, pode usar até mesmo de algum acontecimento trágico da vida para mostrar a sua misericórdia e o seu amor para conosco. Infelizmente, poucas pessoas conseguem descobrir Deus na sua história pessoal. Até mesmo aqueles que conviveram com Jesus não tinham essa sensibilidade. Na pesca milagrosa, somente João descobriu que quem transformou aquela fracassada pescaria em uma abundante recompensa foi o Senhor. Ele esteve sempre muito perto do Mestre, como na última Ceia, reclinando sua cabeça no peito de Jesus. Ele estava perto do coração de Jesus e isso o fez mais sensível para reconhecer as suas obras.

Talvez esteja aí a dificuldade que muitos têm de perceber Deus na sua caminhada de fé, porque não basta apenas ouvir falar de Jesus, mas é preciso que façamos a experiência de estar com Ele e de se deixar tocar pela graça. O Antigo Testamento apresenta a figura de Jó que, depois de passar por inúmeras dificuldades, de se ter sentido abandonado por Deus, um dia reconheceu como Ele agiu na sua vida, expressando seu amor de Pai: “Eu conhecia Deus só de ouvir falar, mas agora meus olhos te viram” (Jo 42, 5). Após descobrir que Deus caminha por caminhos diferentes dos nossos, Jó tornou-se ainda mais obediente a Deus e Ele lhe responde cumulando-o de graças incontáveis: “Deus abençoou os últimos tempos de Jó mais do que os primeiros” (v. 12).

Isso faz com que os cristãos de hoje também reflitam como Deus age em suas vidas. Portanto, fica o questionamento. Como percebo Deus na minha história? Eu vivo apenas reclamando de tudo o que acontece? Se isso faz parte da sua caminhada, chegou o momento de rever todos os detalhes da vida para que assim descubra o quanto Deus amou você e propôs um novo caminho de santidade. Só assim o cristão poderá testemunhar verdadeiramente que “Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele”.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Quantas vezes devo perdoar?




(Texto publicado na Revista Rainha dos Apóstolos, Ano 89, dezembro de 2012, p. 47).

 
Certa vez, Jesus perguntou aos seus discípulos: “Quantas vezes devemos perdoar”? Pedro respondeu: “Até sete vezes sete”, mas Jesus o corrige e acrescenta: até “setenta vezes sete”. Para Cristo, o perdão não em limites. Diante do fraco, do pecador, o cristão deve mostrar sempre a força do amor. O Mestre, em todo seu percurso no meio da humanidade, tomou sempre a atitude de quem serve, acolhe e perdoa. Não quis nascer em palácio, mas entre os pobres; não quis conviver com os sábios, mas preferiu os deserdados e iletrados e, finalmente, desceu até o mundo dos mortos para resgatá-los.
Para a maioria das pessoas, quando se fala de perdão logo vem à mente a atitude de Jesus, que, na cruz, perdoou os seus algozes. Essa questão é crucial para o ser humano, saber perdoar. Humanamente falando, é impossível, mas com Deus tudo é possível.
 
Se o cristão tirar o seu olhar da cruz de Cristo, ele pode tornar-se um monstro, capaz de cometer qualquer atrocidade somente para manter o seu próprio status, mas o evangelho ensina sempre o contrário. Não é pelo poder e pela força que uma pessoa se torna forte, mas pela sua capacidade de amar e de perdoar.
Em Ruanda, África, em 1994, aconteceu um genocídio. Foi uma guerra étnica terrível, que deixou marcas profundas de ódio na população. Muitas pessoas perderam todos os membros da sua família, às vezes assassinados pelos próprios vizinhos e até mesmo parentes, pois muitos eram casados com etnias diferentes. Como perdoar aquele parente que foi a causa de tanta dor e de tanto sofrimento?
Agora que o país, vagarosamente, começa a se reerguer, o que está ajudando as pessoas a curarem suas feridas espirituais e psicológicas é a fé em Jesus misericordioso. Por isso, a devoção à Divina Misericórdia, naquele país, cresce dia após dia. Para que o perdão pudesse curar todas as feridas do passado, os palotinos fundaram um santuário da Divina misericórdia em Kabuga, periferia de Kigali, Ruanda. Diariamente, centenas de peregrinos dirigem-se para lá para buscar em Jesus Misericordioso a força e coragem para lutarem contra a dor e a perda de seus entes queridos e, ao mesmo tempo, curar o ódio que invade seus corações. Nesse momento, somente Deus pode lhes dar refúgio e proteção.
 
Existem muitos testemunhos de pessoas que, olhando para o Cristo, aprenderam a perdoar o seu inimigo. Não é com a vingança que se construirá a paz. Cabe também a cada um analisar a sua caminhada de vida e se perguntar: o que ainda não está devidamente curado dentro de você? O que precisa ser tirado do seu coração para que seja portador da verdadeira paz? Se ainda algo o incomoda e o impede de ser plenamente feliz, chegou o momento de olhar para Cristo e dizer: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SURPREENDIDOS PELO AMOR




Texto publicado na Revista Rainha dos Apóstolos, nov. 2012.

Muitos fiéis já experimentaram o amor de Deus de uma maneira surpreendente. A Bíblia apresenta muitos desses episódios, mas vale a pena refletir a experiência de São Paulo. Ele era um judeu zeloso e, por causa disso, perseguia os cristãos porque professavam sua fé em Jesus Cristo. No caminho para Damasco, Paulo foi surpreendido por uma forte luz e ouviu uma voz: “Saulo, Saulo, porque me persegues”? Essa luz o transformou em um arauto do Evangelho. A presença de Cristo na vida dele mudou seu modo de conceber Deus e o mundo.
O amor de Deus é sem limites. Ele ama até as últimas consequências, e a prova está na morte de Cristo na cruz. O que o ser humano fez de importante para que Deus se interessasse por ele? Nada! Deus, simplesmente, ama porque ama. O ser humano é obra do seu amor incondicional. Se o pecado rompeu essa amizade, Deus, de maneira surpreendente e criativa, encontrou outro jeito de atraí-lo para si, pois o pai nunca se cansa do filho, por pior que ele seja. Ele será sempre o seu filho, e, talvez, por causa disso, receberá maior atenção que os demais. Exemplo é o filho pródigo. O filho desnaturado recebeu mais atenção que o filho comportado, que se irritou com isso. Quem ama pouco se deixa levar pela revolta, e quem muito ama faz festa porque o filho estava perdido e foi reencontrado. A prova maior do amor de Deus pode ser contemplada na cruz.
A lógica da cruz parece entrar em conflito com a nossa maneira de conceber o mundo e a vida. Na verdade, Deus não usa a lógica humana para amar. O seu modo de expressar amor confunde a razão humana. Aquilo que não entendemos, deixamos de lado. O ser humano desiste facilmente diante das frustrações e dos fracassos, mas isso não acontece com Deus. Ele nos ama de maneira desconcertante e incondicional. Vejamos alguns aspectos destoantes de como Deus expressa o seu amor para com seus escolhidos.
Quando tudo parece impossível, Deus revela o seu poder. A prova disso está na ressurreição de Lázaro. O túmulo, para ele, não significa nada. Quando faltou pão no deserto, eis que sacia uma multidão de famintos. Quando os apóstolos atravessam a noite sem nada pescar, eis que o Mestre recomenda que a rede seja lançada para o outro lado e tudo acontece. E a coisa mais desconcertante para o humano pecador é olhar para o homem da cruz e ouvir a sua voz, dizendo: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Diante do profundo amor que Deus tem por você, não deixe jamais de confiar na Sua palavra e de entregar a sua vida por inteiro. Faça a experiência do encontro com o ressuscitado e veja o como Ele é surpreendente. Faça a experiência de perdoar aquele que o ofendeu e você verá o quão grande você é diante de Deus.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC

sábado, 6 de outubro de 2012

Reliquias de Pallotti visita as Comunidades Palotinas do Amazonas

 As relíquias de São Vicente Pallotti visitou as comundades palotinas da Região Amazônica. Este video foi retirado de "canalamazonsat" do youtube.




 




NOTA DE FALECIMENTO: O padre entrevistado, Pe. Cláudio Rossini, faleceu no dia 21 de outubro de 2012.

 
Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,25).

Mais uma vez fomos surpreendidos pela irmã morte. Fomos surpreendidos nesta manhã, 21 de outubro/12, domingo do Senhor e na Páscoa Semanal, da morte do nosso confrade Pe. Cláudio Walmir Rossini, 48 anos. Ele faleceu às 09h (horário local) em Manaus/AM, enquanto oficiava a Celebração da Eucaristia. Ele estava fazendo a pregação e foi surpreendido por um infarto fulminante, morrendo já no presbitério, pronunciando ainda algumas palavras. A Igreja Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos estava plena de fiéis, especialmente porque neste horário da celebração muitos jovens e adolescentes, com seus pais, catequistas, fariam a Renovação das Promessas do Batismo, preparando-se para nos próximos dias receberem a Primeira Eucaristia. Foi neste contexto celebrativo que este nosso coirmão partiu para a celebração de outra ceia, a ceia definitiva na Casa do Pai.

Pe. Cláudio Rossini nasceu no dia 02 de outubro de 1964, em Ajuricaba/RS. Fez sua Primeira Consagração a Deus na Sociedade do Apostolado Católico (SAC) no dia 25 de março de 1999. Foi ordenado na cidade de Santo Augusto/RS no dia 08 de setembro de 2002. Recentemente celebrou os 10 anos de vida sacerdotal. Desde março deste ano de 2012, foi designado pelo Conselho Provincial para prestar seu serviço sacerdotal na Paróquia Rainha dos Apóstolos, no Bairro Dom Pedro, na cidade de Manaus, como pároco. Nesta paróquia também estão os padres João Aparecido Bergamasco e Reneu Stefanello.
Seu corpo será velado nesta tarde e noite na Igreja Matriz Rainha dos Apóstolos. E os horários das celebrações eucarísticas ainda serão definidos. O corpo do padre Cláudio será translado para o Cemitério dos Padres e Irmãos Palotinos, em Vale Vêneto, talvez amanhã, segunda-feira. Horário da celebração e sepultamento ainda serão definidos. E, tão logo que tivermos mais informações estaremos repassando a todos.
E agora, caros coirmãos? Levantemos, pois, nossa cabeça na Fé e na Esperança da Ressurreição e pedimos ao Senhor que o receba em seu Reino e que o Jesus, o Senhor da Vida e da Messe, tenha compaixão de todos nós, principalmente neste momento que choramos a morte prematura do padre Cláudio Rossini!

Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno. E brilhe para ele vossa luz!

Fraternalmente,

Pe. Edgar Xavier Ertl SAC



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Encontros dos formadores palotinos

São Salvador - Roma
Formadores Sul-americanos
No mês de julho de 2012, Pe. Valdeci participou do Encontro dos Mestres de noviços em Roma e do Encontro de Formadores Sul-americanos, em Curitiba.
Mestres Palotinos

Missa no encontro


Pe. Valdeci - B. São Pedro

Como fazer das nossas casas um cenáculo

 

Nosso fundador, tocado pelo Espírito Santo, descobriu desde muito cedo que era profundamente amado por Deus. Esta descoberta aconteceu no cei familiar, pois sua família era de muita oração. Lá aprendeu a amar a Deus, a venerar a Maria, a sentir os anseios das pessoas mais sofridas.

Ele sentiu o amor a Deus de maneira tão intensa que não conseguiu guardar só para si. Descobriu que a graça recebida não podia ficar aprisionada no coração, mas devia ser partilhada com os irmãos. Quanto mais buscava a Deus, mais Deus respondia a ele derramando copiosas bênçãos e dons particulares. Com o passar do tempo, a sua espiritualidade foi amadurecendo e Deus foi falando em seu coração o que esperava dele; não era mais um encontro somente de amizade e de entrega pessoal, mas agora se tornou um encontro de comprometimento com a causa do Reino, de agir no mundo como o Cristo e em favor de Cristo, fazendo o que ele fez, levando a vida e a salvação a todos. Esse desejo era tão forte que chegou ao ponto de querer tornar-se alimento para os famintos, licor para os debilitados, veste para os maltrapilhos, etc.

Mas de onde vinha essa força incomensurável? Era na eucaristia que seus arroubos místicos se intensificavam e de onde vinha a clareza em sua mente para realizar a obra de Deus. Como Maria indagou ao anjo no momento da anunciação, como acontecerá isso? Ele também se perguntava diante de Deus: “Quem sou eu e quem sois vós”? O que você espera de mim, de alguém tão insignificante, nada e pecado? Mas logo vinha a certeza de que: “Por mim nada posso, mas com Deus tudo posso”! Ele tinha consciência da sua limitação física e da precariedade dos meios materiais. Mas Deus foi lhe mostrando que, sozinho, realmente, era impossível, “mas para Deus nada é impossível”. Basta convocar as pessoas para atingir o mundo e assim fazer com que todos estejam unidos em torno de um só rebanho sob um só Pastor, Jesus Cristo. Basta levar a Boa Notícia do Reino. O Evangelho é claro: “anunciem a todos que o Reino de Deus chegou”. Não temos que inventar nada, é só dar testemunho do amor misericordioso de Deus.

Assim nasce o carisma do apostolado universal, de todos. Inspirado por Deus, ele convoca o povo de Roma para essa nova empreitada, a empreitado do amor e da caridade, do reavivar a fé e reacender a caridade, pois onde reina o amor, Deus aí está.

As pessoas, também, sedentas do amor de Deus, responderam com entusiasmo. A hierarquia, mais preocupada com as coisas temporais, em administrar o Estado da Igreja, estava entorpecida e alheia aos acontecimentos, mesmo tendo o mandato apostólico, não sabiam como responder aos desafios da sua época, porque não experimentavam a vivência do Cenáculo, a experiência do amor recíproco, altruísta e da escuta da Palavra revelada que só toca aquele coração que está atento e não disperso.

Enquanto muitos esperavam pelo fim da Igreja, Pallotti vislumbrava um tempo em que todos pudessem expressar o amor de Deus na cotidianidade da vida e na condição particular de cada batizado, bastando apenas se deixar tocar pela ação do Espírito. Eis a novidade do carisma palotino.

O Cenáculo, então, é lugar do encontro com Deus e da partilha dos irmãos. Ele existe onde tem cristãos abertos à graça de Deus. O Cenáculo dos apóstolos não existe mais, foi único, mas a ação do Espírito permanece nos diversos cenáculos espalhados pelo mundo. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. Essa é a promessa de Cristo. Em qualquer ambiente em que se reza e se medita a Palavra de Deus, e vivem o espírito da verdadeira caridade fraterna, aí está o Cenáculo, local onde Deus se manifesta e leva as pessoas a saírem do seu mundo fechado de medo e de desencorajamento, como estavam os apóstolos, antes de fazer tal experiência.

Fora do cenáculo as pessoas ficam divididas e temerosas, sem ação, mas unidas em torno de um mesmo objetivo, com Deus no centro, por meio da oração e do espírito de abertura e de cooperação, certamente as obras serão fecundas, pois o Espírito Santo indicará o que deve ser feito. Desta forma as nossas comunidades também serão transformadas e o Evangelho será anunciado com entusiasmo. Nela, cada um pode partilhar as maravilhas realizadas por Deus em sua vida. Com a partilha dos bens materiais e dons pessoais, podemos atingir muitas pessoas e fazer com que também elas descubram o seu papel na Igreja e no mundo: “O poderoso fez em mim maravilhas...”. Hoje é bom refletir o que Deus já realizou em sua vida. “Pois, das garras do leão ele me livrou” (1Sm 17,37).

Portanto, a nossa espiritualidade nasce da experiência do Cenáculo, ou seja, de encontro com Deus e com a participação dos irmãos. Cabe a nós palotinos vivenciar esta experiência no cotidiano da vida das nossas comunidades, primeiramente, dando valor aos momentos litúrgicos comunitários e individuais. Proporcionar momentos de encontros fraternos onde se pode partilhar a experiência de fé, os sucessos e os insucessos apostólicos, as esperanças e desesperanças vividas no dia a dia, os medos e as frustrações pessoais. É aí que a comunidade sai fortalecida, pois se cria laços fortes de amizade e de companheirismo, num clima de amizade e de fraternidade, sem julgamentos ou disputas, pois tudo o que faz é para a maior glória de Deus e não para o enriquecimento das vaidades pessoais. Aqui entra a caridade competitiva da qual falava Pallotti.

No Cenáculo, o irmão deve ajudar o outro a se fortalecer na fé, e nos momentos de fraquezas, deve oferecer o seu ombro amigo para apoiá-lo e seus ouvidos para escutá-lo, ainda que não tenha nada para lhe dizer. Basta estar junto para ouvir a dor do irmão, como Cirineu.  Com esta atitude fraterna, ou seja, vivido na vida comum fraterna, muitas vidas seriam poupadas e muitos confrades seriam recuperados e curados em suas feridas. Reflitamos, hoje, sobre o real significado do Cenáculo na vida de um palotino e como podemos fazer isso ser uma realidade no nosso dia a dia.

“Deus em tudo e sempre”. Amém.

Textos para meditação

Lc 1,34-49; 2, 18-19; 11,27-28

At 1, 3-5. 15-26; 2, 1-41; 4,12-18; 10,44-48; 11,29-30

Sl 117,5; 70