quinta-feira, 23 de abril de 2026


 Tema 03: Os desafios iniciais da União do Apostolado Católico

 

O tema a ser refletido, “Os desafios enfrentados pela UAC” nos seus primórdios, vai ajudar você a mergulhar na história palotina e a descobrir quais foram os passos dados por Pallotti e por seus primeiros colaboradores sobre o carisma apostólico. Aqui encontraremos os inúmeros desafios e as incompreensões provindas das autoridades eclesiásticas. Como todos sabemos, iniciar uma obra confiando apenas na providência divina requer muita fé e coragem. Pallotti, confiante no dom recebido por Deus, jamais hesitou e nunca pensou em abandonar aquilo que via como obra de Deus, apesar dos sofrimentos e desgastes físicos e emocionais. Em sua mente havia sempre uma única certeza: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Motivado pela Palavra de Deus, seguiu o seu caminho: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8,34).

Podemos observar que nos primórdios da nossa Igreja, no tempo dos apóstolos, também havia uma grande dificuldade para falar de Cristo. Haja vista o que aconteceu com Paulo no areópago de Atenas, que ao falar de Cristo ressuscitado, todos se dispersaram, pois aquele assunto não lhes interessava (At 17, 16-34). Temos também o episódio da prisão dos apóstolos por fazerem curas em nome de Jesus. Grande era o número dos que se convertiam a Cristo, por meio das pregações, e isto provocou a ira das autoridades do Templo de Jerusalém. Por causa disto, foram levados a julgamento pelo Sinédrio. Eis, porém, que uma voz se levanta, Gamaliel, um fariseu respeitado e doutor da Lei, que persuadiu o Sinédrio a não executar os apóstolos, optando apenas por açoitá-los e ordená-los a parar de falar o nome de Jesus, antes de libertá-los.

Segundo o parecer de Gamaliel: “é melhor deixar estes homens em paz e soltá-los. Se o que eles ensinam e realizam é de origem puramente humana, isso logo será desfeito. Porém, se é de Deus, vocês não serão capazes de impedi-los, e não é bom que aconteça que vocês acabem lutando contra Deus” (At 5,38-39).

Da mesma forma, o carisma do Apostolado Católico, que nasceu sob a inspiração divina, também sofreu muitas perseguições da parte de autoridades eclesiásticas, por pensarem que o apostolado católico, desejado por Pallotti, estivesse se apropriando da evangelização da Igreja. Naquela época, a exclusividade pelo apostolado católico era do Papa e dos bispos. Na verdade, a finalidade principal da UAC, desde a sua fundação, era de juntar a ação evangélica, a cooperação pessoal, as orações, as ofertas espontâneas dos membros, para difundir o amor cristão e, assim, despertar a verdadeira fé e difundi-la em todo o mundo.

Outra dificuldade encontrada por Pallotti, para que a sua obra prosperasse, era o conflito criado com a Obra de Lyon, fundada por Catherine Jaricot. Por isso, seria necessário diferenciá-la de outras obras que também tinham a finalidade de, somente angariar fundos, para prover as necessidades dos missionários em terras estrangeiras, como ocorria com a Obra de Lyon. A obra do Apostolado Católico, por sua vez, ia além da coleta de recursos financeiros. Ela, além de fazer coleta de contribuições voluntárias dos seus associados, para socorrer as missões estrangeiras, também se preocupava com a salvação das almas. Ela buscava unir as pessoas do mundo inteiro em torno de um único Pastor, Jesus Cristo. É verdade que a União do Apostolado Católico, pelo grande número de sócios, a cada ano, recebia uma soma considerável de recursos financeiros, que era empregado rigorosamente em benefício das missões mais pobres e carentes.[1]

Todos os que se engajavam na obra, criada por Pallotti, tinham como missão despertar e manter a fé das pessoas nos países cristãos, auxiliando-as em suas necessidades. Para isso, utilizava de todos os meios possíveis, tais como: recursos financeiros, obras de caridade, emprego e arte, oração perseverante, de acordo com a diversidade das classes de membros que a compunham. Quanto às doações, elas não se limitavam a pessoas de determinada condição, mas de todos os verdadeiros fiéis, de eclesiásticos ou seculares, homens ou mulheres, letrados ou não, pobres ou ricos, nobres ou plebeus, qualquer que fosse o estado, a condição, a profissão, poder e influência social, podiam fazer parte da obra apostólica. Assim dizia Pallotti: “Todos podem colaborar eficazmente por meio da oração (OO CC III, 147; OO CC IV, 182; OO CC IV, 327s) [2]; (Doc. Fundação, p. 92).

De acordo com este princípio, o Apostolado Católico não era algo exclusivo de uma ordem religiosa, mas era uma pia sociedade secular de fiéis, que, independentemente de qualquer obrigação especial, movidos só por espírito de zelo e de caridade, trabalham, pelos meios disponíveis, para a manutenção da piedade e a propagação da fé católica. Este era o verdadeiro objetivo da Pia Sociedade, buscar a santidade de vida e propagar a fé católica em todo o mundo.

Pallotti deixava bem claro que a Pia Sociedade, com seus diversos associados, tinha o nome de Apostolado Católico não porque presuma ter em si o Apostolado Católico, ou seja, ter em si a missão católica da verdadeira Igreja de Jesus Cristo, mas porque venera, respeita, ama, e vivamente deseja que todos sejam protagonistas do Apostolado Universal, em razão do seu batismo. Chama-se Apostolado Católico da mesma forma como outras instituições se dizem de tal santo ou de Jesus ou do Redentor, fazendo alusão aos jesuítas (Companhia de Jesus) e aos redentoristas (Santíssimo Redentor). Dizem-se tais não porque cismem ser aquele santo, ao qual estão consagradas, ou presumam ser Jesus ou imaginem ser o Redentor, mas porque fundadas em homenagem e veneração a Jesus, ao Redentor. Portanto, a finalidade principal da pia Sociedade é cooperar vigorosamente nas obras da maior glória de Deus e da salvação das almas. É por isso que se chama ‘Pia Sociedade do Apostolado Católico’ (Doc. Fundação, p. 109).

A razão do conflito institucional

Em 1837, o Papa Gregório XVI (1831-1846) resolveu, em atenção aos prelados franceses e aos leigos que a dirigiam, na França, introduzir em Roma a ‘Obra da Propagação da Fé de Lyon’, cuja finalidade era, somente, de angariar recursos financeiros para as missões. A Fundadora desta associação francesa, juntamente com colaboradores de Paris e de Lyon, foi, em 1822, Marie-Pauline Jaricot (1799-1862). O Conselho Central da Obra tinha sua sede em Lyon e era daí que partiam todas as iniciativas e determinações. A fundadora Jaricot, com o passar dos anos, foi perdendo influência na Obra (Doc. Fundação, p. 112).

Neste mesmo ano, começaram, em Roma, intrigas da Obra de Lyon contra a ‘Sociedade do Apostolado Católico’, (cf. Schulte 147s). Diante disto, Pallotti desistiu da coleta mensal da sua associação e, humildemente, colocou-se a serviço da Obra missionária de Lyon. Isto não impediu que a sua obra: O Apostolado Católico, continuasse com o seu trabalho, sem fazer concorrência à Obra de Lyon. Pois, isso não fazia parte do seu caráter.

Segundo o Pe. Heinrich Schulte, o Papa Gregório XVI era piedoso, desprendido, despretensioso, mas, politicamente inexperiente e ingênuo. No dia 28 de julho de 1838, acatou a instâncias do Conselho Central de Lyon que pleiteava nada menos que a dissolução da Sociedade do Apostolado Católico e sua anexação à Obra de Lyon. Assim, no dia 30 de julho, o Secretário da Sagrada Congregação da Propagação da Fé, Monsenhor Ignacio Giovanni Cadolini, ex-arcebispo de Spoleto, informou Pallotti da dissolução da sua obra apostólica, porque sua obra foi considerada supérflua e os seus membros deveriam passar para a Obra de Lyon. Pallotti teve de deixar o Conselho central de Roma, onde sua presença tinha se tornado inútil.[3]

Antes que isso ocorresse, o Cardeal Vigário, responsável pelo caso, adiou a publicação do decreto, pois queria ouvir antes as partes interessadas (a Sociedade de Pallotti e o Conselho Central de Lyon). Na verdade, o que estava em jogo não era nem o nome Apostolado Católico e nem a obra de Pallotti que, equivocadamente, fora considerada apenas arrecadadora de fundos. Segundo o Pe. Schulte, esse conflito entre a Congregação da Propagação da Fé e a Obra de Lyon, apesar de velado, escondia interesses econômicos e de prestígio.[4] Somente em 1922, a administração central da Obra de Lyon foi transferida para Roma, no Pontificado de Pio XI (1922 a 1939).

A notícia da iminente dissolução da ‘Sociedade do Apostolado Católico’, naturalmente, atingiu em cheio o coração de Pallotti. Era o mais pesado golpe desencadeado contra ele e seu projeto. Mas, ele não protestou. Permaneceu tranquilo e equilibrado. Orando a Deus e confiando nele, empenhou-se em desfazer os equívocos e mal-entendidos. No dia 30 de julho de 1838, entre outras coisas, escreveu o documento de defesa da ‘Sociedade do Apostolado Católico’ (OO CC V, 179-180). O seu colaborador Pe. Rafael Mélia, por sua vez, redigiu, em letra caligráfica, uma defesa que tem quase o mesmo teor da de Pallotti (cf. OO CC V, 191-201). O Papa leu tudo atentamente e exclamou: “Disso tudo nós não tínhamos conhecimento. Com isso, foi sustado o decreto de extinção (cf. Heinrich Schulte, p. 163s).

Dois anos mais tarde, no outono de 1840, Pallotti, gravemente doente em Ósimo, região de Ancona, em seu testamento aos ‘Padres e Irmãos’, referiu-se a esta ameaça de morte. “A pia Sociedade foi muito combatida e, em dada ocasião, chegou ao ponto de apresentar sintomas de morte” (OO CC III, 24 n. 3); (Doc. Fundação, p. 113).

Em 1836, foi instaurada, com a aprovação do Cardeal Carlos Odescalchi, no Colégio Urbano da Propagação da Fé, a Associação para angariar contribuições financeiras para a propagação da fé, de acordo com os estatutos da Obra de Lyon. Os associados da Pia União passaram para a outra associação. A Pia Sociedade, temerosa pela possível repercussão do povo, preferiu não divulgar publicamente o ocorrido.

No início de 1837, Monsenhor Mai, Secretário da propagação da fé, promoveu uma reunião no Palácio da Propagação da fé, nos aposentos do Cardeal Luigi Ferrari, com a presença do Arquivista do Colégio e do Reitor da Pia Sociedade. Nesta reunião foi estabelecido que a Associação para a coleta de esmolas para as missões estrangeiras fosse tornada pública e que seus associados constituíssem a ‘Classe dos Contribuintes’ (materiais) do Apostolado Católico para a propagação da fé. Naquela reunião, o Reitor da Sociedade ficou incumbido de entrar em acordo com o Cardeal Brígnole, para a formação do primeiro Conselho. O referido Reitor, com a aprovação dele apresentou os primeiros integrantes do Conselho, a saber: Pe. Luigi Togni, Vigário Geral dos Camilianos, o Príncipe Pompeo Gabrielli e o Sr. Giacomo Perelli. Estes, com o Reitor, mais o presidente Cardeal Brignole, passaram a formar o Conselho. Todos, inclusive o contador Perelli, eram membros da Sociedade do Apostolado Católico.

Carta ao Papa Gregório XVI

Mesmo diante desta reviravolta institucional, a questão do nome ‘Apostolado Católico’ continuava em aberto, mesmo após tornada sem efeito a supressão da Sociedade. Na preocupação de garantir a todo custo a continuação da sua obra, Pallotti estava até disposto a sacrificar o primeiro elemento da denominação, a palavra ‘Apostolado’. Neste sentido escreveu uma carta ao Papa, provavelmente em setembro de 1838, na qual se declarava disposto a aceitar esta modificação na denominação. De feito, contentava-se com o título “Sociedade Católica para aprofundamento, defesa e difusão da piedade e da fé católicas”. Neste caso pedia, porém, sob o novo nome, que ficassem assegurados os bens espirituais, as doações testamentárias e as finalidades da Sociedade. Em resposta, no dia 01 de outubro de 1838, no dorso do requerimento, o Papa confiou a solução definitiva à Congregação da Propagação da Fé.

Esta Congregação, em sessão do dia 11 de dezembro de 1838, discutiu os diversos aspetos da questão. A ‘Sociedade’ sobreviveu, mas o problema do nome ficou sem solução. Quatro anos depois da morte de Pallotti (1850), instado pela mesma Congregação da Propagação da Fé, Pio IX (1846-1878), a 09 de abril de 1854, mudou o nome da Congregação dos Padres e Irmãos para ‘Pia Sociedade das Missões’ (Heinrich Schulte, p. 164s).

Noventa e três anos depois, o Papa Pio XII, no dia 09 de junho de 1947, restituiu à Pia Sociedade das Missões o nome original de ‘Sociedade do Apostolado Católico’. Isso indica que, no momento da aprovação pontifícia, a Santa Sé preferiu enfatizar o caráter de sociedade clerical dedicada às missões, em detrimento da visão original e mais ampla de Pallotti, que era a “Sociedade do Apostolado Católico”. Essa alteração visava se adequar à estrutura e ao entendimento canônico da Igreja, para as novas congregações da época, que frequentemente tinham um foco mais definido (Doc. Fundação, p. 119).

O nome imposto, por um período, liquidou a designação original e, de certa forma, obscureceu a ideia central de Pallotti sobre o apostolado leigo universal, que era a essência da “União do Apostolado Católico” e da “Sociedade do Apostolado Católico”. A retomada do nome, em 1947, durante o pontificado do Papa Pio XII, significa um retorno às fontes e à visão profética de São Vicente Pallotti. Essa mudança marcou o fim de um período de crise interna e foi um passo crucial para o reconhecimento universal do carisma palotino, que culminou com a beatificação (1950) e a canonização (1963) do fundador. O nome S.A.C. reflete melhor a missão de reacender a Fé e reavivar a Caridade em colaboração de leigos, clérigos e religiosos.

Em resumo, podemos dizer que desde o período da supressão até a recuperação do nome (1854-1947) pode ser visto como uma fase de adaptação e consolidação do carisma palotino. A congregação se estabeleceu dentro de um molde eclesiástico mais tradicional, mas, posteriormente, foi corrigido com a restituição do nome original, que resgatava a plenitude do carisma de São Vicente Pallotti. Que Deus continue abençoando esse carisma, para que continue produzindo abundantes frutos para a Igreja de Cristo em todos os cantos da Terra. “Deus em tudo e sempre”!

PARA REFLETIR

  1. Quais foram as razões que levaram a suspensão da UAC?
  2. Que posição Pallotti tomou em relação ao conflito com a Obra de Lyon?
  3. Por que o nome apostolado católico trouxe dificuldade para a aprovação da UAC?

 

 



[1] Bruno Bayer (Ed); Josef Sweifel. Vicente Pallotti: Documentos da fundação, Pallotti: Santa Maria, 1996, p. 91.

[2] Vincenzo Pallotti. Opere complete (OO CC). A cura di Francesco Moccia. Roma: Curi Generalizia della Società dell’Apostolato Cattolico, 1964-1997.

[3] Stanislaw Stawicki. A cooperação, paixão de uma vida. Biblos: Santa Maria, 2007, p. 120. Documentos da fundação, pp. 186-190).

[4] Heinrich Schulte. Estrutura e História do Apostolado Católico de São Vicente Pallotti, pp. 145-147.

 

Tema 2: A origem e o objetivo da União do Apostolado Católico

Ainda muito jovem, Pallotti descobriu Deus como Aquele que ama tudo o que criou. Essa experiência aumentou nele o desejo de responder ao amor de Deus, com todas as suas faculdades, e ajudar o maior número possível de pessoas a fazerem o mesmo.

A atividade de Diretor Espiritual no Colégio da Propagação da Fé, que exerceu desde 1833, logo convenceu Pallotti de que a Igreja, com os meios utilizados até então, não seria mais capaz de realizar as tarefas que lhe eram apresentadas nas novas possibilidades de difundir a fé, especialmente no mundo de língua inglesa (OO CC IV, 120).

Quando ele conheceu as necessidades dos cristãos caldeus, nos atuais territórios do Irã e do Iraque, Pallotti, em 4 de dezembro de 1833, escreveu um apelo dirigido a “todos os bons católicos do mundo inteiro”, para prestar assistência juntamente com aquela Igreja local[1]. Em 1834, Pallotti reuniu ao seu redor um Comitê de leigos e padres que trabalhavam para o apoio da Igreja Caldeia (OO CC III 24; OOCC IV 176, 314).

Entre os anos de 1834 a 1839, Vicente Pallotti alcançou uma crescente clareza em relação à configuração da obra que ele fundou no ano de 1835. A história unificada da União vai de 1820 a 1846, quando Pe. Vicente se mudou para a Igreja do Santíssimo Salvador e tomou a decisão de criar, legalmente, a Sociedade do Apostolado Católico. Esta história está repleta de mal-entendidos, dificuldades e contrastes, e trouxe, a Pallotti, os sinais de morte. Sobre isso, falaremos mais adiante.

No entanto, durante uma curta e dolorosa história unificada, a União, antes de ter a aprovação jurídica do corpo e do motor central da Sociedade, padres e Irmãos, criou e dirigiu as mais importantes iniciativas palotinas, como: os Oratórios noturnos e as Escolas noturnas que começaram em 1819 – 1820; em 1833, o Mês de maio para os enclausurados, eclesiásticos e leigos e a conferência semanal do clero; o Oitavário em 1836; o Colégio de Missões Estrangeiras, criado em 1835; a resposta generosa à epidemia de cólera de 1837; os cuidados do Hospital Militar em 1843 e, finalmente, a missão de Londres em 1844[2]. Quase todas essas atividades começaram, ocorreram e tiveram sua coordenação na Igreja do Espírito Santo dos napolitanos.

Portanto, a data referencial do nascimento da UAC, aceita como inspiração/intuição de Pallotti, ocorreu no dia 9 de janeiro de 1835[3]. O fato ocorreu, quando celebrava o Oitavário da Epifania, no momento de ação de graças, após a celebração da Santa Missa. A sua experiência foi assim descrita: “Meu Deus, minha misericórdia, em sua infinita misericórdia, você me concede de uma maneira particular promover, estabelecer, propagar, aperfeiçoar, perpetuar pelo menos com o desejo mais vivo de seu Santíssimo Coração:

1.      Uma piedosa instituição e um apostolado universal a todos os católicos, para promover a fé e a religião de Jesus Cristo entre todos os incrédulos e não católicos;

2.      Outro apostolado oculto para reavivar, preservar e aumentar a fé entre os católicos;

3.      Uma instituição de caridade universal, no exercício de todas as obras de misericórdia espiritual e corporal, para que você seja conhecido no homem como possível, uma vez que é uma caridade infinita”[4] (Doc. da fundação, p. 34-35).

Em 1835, Vicente Pallotti, em uma experiência mística vital, fez uma profunda experiência do infinito amor e misericórdia de Deus. Pe. Francisco Todisco coloca essa sua experiência como momento fundamental do recebimento do carisma, ou seja, dom espiritual que lhe foi confiado pelo Espírito Santo, para o bem da Igreja de Jesus Cristo. O carisma foi a intuição e a inspiração para estabelecer, na Igreja, a União do Apostolado Católico, uma instituição “múltipla”, isto é, com muitas facetas.

Pallotti vê e sente as grandes necessidades do mundo e da Igreja

Todos os fundadores partiram de uma viva e forte percepção das necessidades da humanidade e da Igreja. Para Pallotti não foi diferente. As suas iniciativas e trabalhos foram orientadas à superação de tais dificuldades, por meio da iluminação da fé e do conhecimento destas realidades, mediante os seus contatos com o mundo missionário, como espiritual no seminário da Propagação da Fé.

As grandes necessidades do mundo, percebidas e sentidas por ele, situavam-se, sobretudo, no plano religioso. Ele olhava tudo isso com os olhos e com o coração do Cristo Apóstolo, do Cristo Missionário, do Cristo Enviado do Pai: um mundo a ser salvo e conduzido ao Pai Celeste. Ele constatava que a grande maioria da humanidade desconhecia, Jesus Cristo e não cria nele e, por causa disso era “infiel”, isto é, sem a fé cristã (Doc. da Fundação, pp. 42, 44, 117-118). Por isso, sentiu a necessidade de trabalhar de forma organizada, para unir as forças vivas da Igreja.

Objetivo central da Sociedade: “O objetivo dessa associação é, exclusivamente, a santificação daqueles que a compõem e a propagação da fé católica em todo o mundo” (OO CC IV, 143 e 253). “A vocação à santidade não está reservada a um setor da Igreja, mas é um chamado universal voltado para todos os batizados sem exceção. Em sua essência, para os fiéis leigos, a santidade significa viver coerentemente sua fé no dia a dia, em seu trabalho profissional e no seu estado de vida. O leigo é um cristão, e seu apostolado está relacionado com o papel que ocupa na sociedade temporal, ou seja, com as responsabilidades específicas de sua condição de leigo, no mundo profissional, social, econômico, cultural e político. “O leigo que não separa a fé e a vida, a aceitação do Evangelho e a ação concreta nas mais variadas realidades temporais e terrenas, dá testemunho do que crê. Ali é o seu apostolado”[5]. “Viver a sua vocação específica o conduz ao coração do mundo como um caminho de santidade”[6].

Segundo Pallotti: “O corpo central e motriz do apostolado católico é composto de eclesiásticos e de leigos. Eles se reunirão, irmanados entre si pela caridade, em local oportuno, para atender à perfeição de si mesmos..., e para preparar o espírito daqueles que queiram dedicar-se às missões” (OO CC V, 47). Mas a Congregação seria a alma e a parte motora da Sociedade e deve garantir-lhe a unidade, a estabilidade e a eficiência.

Um outro fator importante para a Sociedade do Apostolado Católico, é de se opor, por meio de uma ação viva e eficaz, a tudo aquilo que conspira contra a religião. Por isso, pretendia reunir toda a ação evangélica, as orações e as ofertas daqueles que se inscreviam na sua obra, para criar um exército de devotos, um corpo de fiéis zelosos e fervorosos em matéria de fé e de religião. Como corpo auxiliar da Igreja, os membros deveriam ser como trombetas evangélicas, que fomentassem em todos o desejo de propagar a fé, pelo vínculo da caridade.

Para Pallotti, a finalidade da obra do Apostolado Católico é reunir a ação evangélica daqueles que dela fazem parte, para auxiliar as obras de piedade e zelo existentes, e aumentar os meios para propagar a religião católica sob a dependência do papa. Para alcançar mais facilmente seu vasto objetivo, a Sociedade une-se e convida a unir-se a ela outras Sociedades Católicas, Religiosas e Corporações, para trabalharem unidas, porque, para ele, os trabalhos só terão êxito quando todos concentrarem suas forças e caminharem em uma mesma direção. Todos podem fazer parte (Leigos, Religiosos, Padres seculares e Irmãs, individualmente ou em grupo) que, conscientes da obrigação que possuem, por essência da criação, de salvar a si mesmos e aos outros, inscrevendo-se, dão o seu nome, a obra, as orações e a contribuição à Sociedade, para vir em auxílio da Igreja (Papa, Bispos, Párocos, Missões), seguindo Jesus Cristo, Apóstolo do Pai Eterno.

O apostolado nasce do batismo

Pallotti foi mais seguido por leigos do que por padres, mas o corpo central e motor do apostolado universal se reunia com seus leigos, para atender à própria perfeição, ou seja, crescer em santidade para ser apóstolo (OO CC V, 65, 69 e 76)[7]. O preceito da caridade é o argumento para chamar todos ao apostolado. O apostolado feito em benefício da salvação do próximo é fruto da caridade. Como Jesus é apóstolo do Pai eterno, assim todo o cristão é apóstolo dele. O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai Celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção. Esse argumento é tão importante para Pallotti que ele coloca a vida de Jesus Cristo como norma para os seus continuadores.

Pallotti não teve a preocupação de apresentar uma descrição do que seja o fiel leigo. Mais do que falar de leigo, ele acentuava o ser cristão, para se referir a todos os membros da Igreja e justificar o direito e o dever de todos participarem do apostolado de Jesus Cristo[8]. O batizado deve inserir-se e identificar-se perfeitamente com Cristo, de tal maneira que Ele é constituído originalmente o “modelo do apostolado de todos”. Pelo batismo, o cristão é colocado em perfeita comunhão com a vontade salvífica do Pai, isto é, com o apostolado. A caridade constitui o cristão, unindo-o ao Pai, e é o seu dinamismo apostólico. Deste modo o cristão se torna, em Cristo, imagem e semelhança de Deus. Esta imagem e semelhança se verifica, em primeiro lugar, no amor ao próximo que é ação salvadora. Desta forma, a teologia do apostolado de Pallotti entra em sintonia com a própria teologia da Igreja, expressa no Vaticano II que diz: A Igreja, antes de ser hierárquica, é povo de Deus (LG 4).

Portanto, o apostolado não é prerrogativa daqueles que têm jurisdição e ministério, mas pertence a todos os batizados. O apostolado é católico. Esta é uma afirmação que faz de Pallotti um autor avançado, visto que o termo apostolado é relativamente recente (At 1, 25)[9].

Ele via, também, muitos fiéis separados do verdadeiro rebanho de Cristo: hereges e cismáticos. Se a existência dos pobres e dos doentes o entristecia e o comovia, muito mais ainda sofria e comovia-se ao ver a maior parte da humanidade privada da luz e da presença salvadora de Jesus Cristo. Ele percebeu que o mundo precisava ser evangelizado, para poder ser salvo por Jesus Cristo e ter a vida eterna. Como não há evangelização sem evangelizadores, e estes eram muito escassos, era preciso multiplicá-los e qualificá-los, isto é, formá-los, habilitá-los e enchê-los do espírito de Cristo.

Além de poucos, os ministros ordenados estavam muitas vezes desunidos. Pallotti lamentava a divisão entre o clero diocesano e o clero regular, a separação entre os religiosos, os clérigos e os leigos. Os clérigos acreditavam que o apostolado era privilégio próprio. O próprio ministério sacerdotal era muitas vezes subordinado a interesses materiais, o que alimentava o carreirismo e a competição entre os membros da hierarquia eclesiástica. Além disso, o clericalismo fomentava a passividade dos leigos.

Paulo VI disse, em Frascati, em 1963, diante do corpo de Pallotti, que “o mundo dos leigos era passivo, sonolento, tímido e incapaz de expressar-se”[10]. Esta passividade dos leigos era causada não só pelo clericalismo dominante dos clérigos, mas também pela grande ignorância da vocação apostólica ou evangelizadora própria de todos os cristãos, por uma falta de fé viva e de uma caridade ardente. Por isso, os leigos devem elevar-se a esta consciência, que é dada, como sabeis, não somente pela necessidade de alongar braços, eu diria, do sacerdote que não chega mais a todos os ambientes e já não dá conta de todas as tarefas. Ela provém de algo mais profundo e de mais essencial, isto é, do fato que também o leigo é cristão (Horizontes palotinos, p. 331). Segundo Bento XVI, “Todo batizado recebe de Cristo, como os apóstolos, o mandato da missão”[11]. Para o Vaticano II, cada um é apóstolo segundo os dons e os carismas recebidos do Senhor: “Há na Igreja diversidade de ministérios, mas unidade de missão” (Apostolicam Actuositatem, n. 2).

Para Pallotti, o apostolado cristão brotava de uma fé viva e de uma caridade ardente e, sem elas, não há apostolado e nem interesse em propagar a fé cristã no mundo. Entendia, ainda, que o apostolado não é apenas o trabalho do missionário, mas é apóstolo aquele que reza pela evangelização do mundo e aquele que com a sua ajuda material colabora para a evangelização[12].

Guiado pelo Espírito Santo, Pallotti compreendeu os sentimentos de Cristo e penetrou no sentido mais profundo da palavra de Deus e entendeu que toda a Igreja e todos os seus membros estão chamados a se empenhar na continuação do apostolado de Jesus Cristo ou no prolongamento da sua missão no mundo. Viu que, o empenho na salvação do mundo, pertence a toda a Igreja e a cada um dos seus membros. Pallotti compreendeu que Deus quer que o homem coopere ativamente na salvação eterna do seu próximo. Não apenas os ministros ordenados, mas também todos os cristãos são chamados a cooperar eficazmente na propagação da fé no mundo inteiro e, por isso, a ajudar o próximo a conseguir a sua felicidade eterna.

Para Pallotti, todos os homens, pelo fato de serem imagem e semelhança de Deus, devem empenhar-se em ajudar o próximo a conseguir a vida eterna, pois Deus, em todas as suas ações voltadas para fora, procura sempre o bem do homem, até ao ponto de enviar o seu único Filho, para redimir o gênero humano com sua morte na cruz (Doc. da Fundação, p. 91). “Deus é perfeito no amar o homem. Desde toda a eternidade o amou e o ama eternamente. Também o homem, na medida das suas possibilidades, deve imitar a Deus amando a seu próximo com a eficácia das obras. E o próximo é todo ser humano, de qualquer condição, clima, nação etc., capaz de conhecer a Deus (Doc. da Fundação, p. 92).

São Vicente Pallotti afirmava que todos os fiéis são chamados a imitar Jesus Cristo, que é o Apóstolo do Pai eterno. Por isso, todos são chamados, conforme a sua condição e seu estado, ao apostolado (Doc. da Fundação, p. 33). Mas, o que ele entende por apostolado? Partindo da significação etimológica da palavra apóstolo, ele dá também a significação de apostolado. Assim escreveu: Nosso Senhor Jesus Cristo é o Apóstolo do eterno divino eterno Pai, porque enviado por Ele para reparar a glória ultrajada da sua majestade e para redimir o gênero humano, tornado massa de perdição pelo pecado de Adão. O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai Celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção. Os doze, nomeados no capítulo 6 de São Lucas, são os apóstolos de Jesus Cristo e tudo o que eles, de acordo com o mandato de Jesus Cristo, fizeram pela maior glória de Deus e pela salvação eterna das almas. Esse foi o apostolado deles (Doc. da Fundação, p. 31).

Apostolado é, portanto, a própria obra da redenção ou da salvação, e apóstolo é aquele que realiza a obra da salvação. Mas é também apóstolo aquele que coopera para a realização da salvação, preparando-a ou colaborando para sua realização, expansão e consumação. Assim, Maria é a Rainha dos Apóstolos porque mais do que ninguém, depois de Jesus Cristo, “contribuiu na sua condição para a propagação da fé e a dilatação do reino de Jesus Cristo. Por isso, cada um que, conforme seu estado e suas forças e confiando na graça divina, se dedica quanto pode à propagação da fé, pode merecer o nome de apóstolo e tudo o que ele fizer para tal fim será seu apostolado” (Doc. da Fundação, p. 32). Daí a conclusão de Pallotti: “Apostolado Católico é fazer o que cada um pode e deve fazer, para a maior glória de Deus e para a eterna salvação própria e dos demais” (Doc. da Fundação, p. 34).

Diante da situação em que se encontrava o mundo privado da luz da fé cristã e também da situação lamentável em que se encontravam muitos cristãos, nos quais estava amortecida a fé e apagada a caridade, e por isso mesmo sem condições para praticar as obras da caridade salvífica, Vicente Pallotti viu a necessidade de fazer uma campanha em favor do reavivamento da fé e do reacendimento da caridade cristã entre os católicos, pois somente assim eles seriam capazes de interessar-se pela salvação eterna própria e do próximo. Daí o seu propósito inicial de jovem padre: reavivar na Itália e no mundo inteiro o espírito dos primeiros cristãos.

Na sua mente e no seu coração, foi amadurecendo a ideia de despertar em todos os cristãos o espírito apostólico ou missionário de Jesus Cristo e de motivar toda a comunidade cristã a engajar-se na propagação da fé no mundo inteiro, pois a propagação da fé ou a evangelização de todos os povos ou a reunião de todos os homens, no mesmo rebanho de Cristo, é a obra mais própria da comunidade cristã, a mais necessária para a humanidade, a mais agradável a Deus e a mais meritória para todos os fiéis.

O que Vicente Pallotti, realmente, queria com a sua fundação?

Podemos dizer que Pallotti queria resgatar e promover o apostolado católico na Igreja, isto é, conclamar a todos para que assumissem o seu compromisso de cristãos. Ele foi o grande batalhador do apostolado universal, o qual ele colocou a União do Apostolado Católico a seu serviço e promoção. Com a sua fundação, colocou-se por inteiro a serviço do Apostolado Católico e de cada um, instituído pelo próprio Cristo na sua Igreja, para a salvação do mundo. Ele fundou uma comunidade eclesial apostólica a serviço do apostolado universal. “Essa ideia surgiu quando alguns católicos, sacerdotes e leigos, sem pensar em nenhuma pia sociedade concreta, buscavam, em Roma oportunos meios religiosos adequados ao cultivo da fé e da piedade dos católicos, que vivem em região de infiéis” (Doc. da fundação, p. 120).

O carisma de São Vicente Pallotti envolve muitos elementos relacionados com Deus, com a humanidade, com a Igreja e com a história. Ele envolve uma profunda compreensão de Deus como amor infinito e misericórdia infinita. Por amor, Deus criou o mundo e colocou nele o homem feito à sua imagem e semelhança. Por amor, feito misericórdia, Deus quis salvar o homem perdido e para reconduzi-lo, por meio do seu Filho Jesus Cristo, à comunhão com Ele. Por amor, Jesus Cristo realizou a vontade salvífica do Pai e quer a salvação de todos os homens.

Pallotti sentiu que toda a humanidade não só necessita da salvação, como é chamada a ser salva, pela infinita misericórdia de Deus. Viu-a como o alvo do amor de Cristo, vivo e atuante em cada coração cristão. Diante da imensa maioria que ainda desconhece o Cristo, todo o fiel deve empenhar-se pela salvação da humanidade por meio da oração, da pregação do evangelho e do exercício da caridade cristã. Ele entendeu, também, que a comunidade cristã inteira deve continuar e prolongar, no espaço e no tempo, a salvação realizada por Jesus Cristo, mediante a sua morte, ressurreição e comunicação do seu Espírito.

Para Pallotti, o trabalho de evangelização e de salvação não deve ser feito de modo isolado, mas de modo ordenado, isto é, em conjunto. A sua fecundidade depende da sua unidade. É necessário, portanto, unir forças no trabalho em favor do evangelho.

“São Vicente Pallotti foi, portanto, o grande incentivador do apostolado universal. Ele procurou despertar o espírito missionário, evangelizador em toda a Igreja. De modo particular, ele procurou redescobrir e promover o engajamento apostólico ou missionário de todo cristão leigo. Podemos dizer que ele contribuiu bastante para a redescoberta e a revalorização do espírito e do empenho missionário de toda a Igreja, especialmente dos leigos que, no seu tempo, eram passivos e inexpressivos em termos de missão e de apostolado. Pallotti intuiu, viveu, proclamou e promoveu a missionariedade ou a apostolicidade de todo cristão. Mostrou com a palavra e a vida que ser cristão é cooperar eficaz e generosamente para a salvação eterna do próximo e para a glorificação infinita de Deus”[13].

Portanto, podemos dizer que cada carisma envolve uma batalha constante e autêntica, para entender e para ser tudo aquilo a que somos chamados. Essa é a essência de toda vocação e do nosso chamado palotino. Isso significa que nunca encontraremos uma definição absoluta de nosso caminho, de nossa identidade. O carisma da União é um dom do Espírito Santo e, portanto, uma comunicação da graça divina ao ser humano. Seremos sempre um povo de peregrinos, que busca cumprir a obra de Deus.

 

PARA REFLETIR

  1. Quais foram as primeiras atividades exercidas pelo nosso santo fundador?
  2. O que levou Pallotti a criar uma associação que envolvesse todas as classes de pessoas?
  3. Como você descreveria essa atitude de Pallotti diante das necessidades do seu tempo?


[1] Horizontes palotinos. Angelo Lôndero (org.), Biblos: Santa Maria, 2002, p. 396. San Vincenzo Pallotti. Opere complete lettere (OCL). Curia Generalizia della Società dell’Apostolato Cattolico, ROMA, Vol. I, p. 289.

[2] J. Hettenkoffer. História da Pia Sociedade das Missões, Biblos: Santa Maria, 2003, p. 112-113.

[3] NB: Pallotti teve três importantes experiências com a Sociedade do Apostolado Católico. A primeira ocorreu no dia 9 de janeiro de 1835 (OOCC X, 196-2001); a segunda, entre 14 a 19 de julho de 1839 (OOCC X, 321s); e a terceira, em 26 de março de 1840 (OOCC X, 210-212). Ele teve uma visão mais clara, uma opção mais ousada, que a de um entendimento e a de uma decisão comum. Vicente PALLOTTI. Documentos da Fundação. Trad. do Pe. Dorvalino Rubin (textos de Pallotti) e Pe. João B. Quaini (introduções), Santa Maria: Pallotti, 1996, p. 35.

[4] Documentos da Fundação. Trad. do Pe. Dorvalino Rubin (textos de Pallotti) e Pe. João B. Quaini (introduções), Santa Maria: Pallotti, 1996, pp. 34-35.

[5] João Paulo II, Christifidelis laici, n. 2.

[6] Ângelo Lôndero. Por uma formação cristã e palotina, pp. 339 e 340.

[7] NB: Essas palavras foram ditas pelo leigo Alkusci.

[8] Lôndero. Por uma formação cristã e palotina, p. 325, 326, 327, 328 e 330.

[9] Horizontes palotinos, p. 378 e 379.

[10] Cf. Informações Palotinas, Santa Maria, dez. (1994), p. 98.

[11] Discurso inaugural da Conferência de Aparecida, n. 3.

[12] Lôndero. Por uma formação cristã e palotina, p. 358.

[13] Leis da Sociedade do Apostolado Católico. Pallotti: Porto Alegre, 1984, Preâmbulo, a. b. c.


  

Tema 01: O que é a União do Apostolado Católico (UAC)

 

O Conselho Nacional de Coordenação da UAC do Brasil está iniciando um novo ciclo de formação palotina, para aqueles que desejam fazer o seu Compromisso Apostólico e, também, para as pessoas do mundo palotino que desejam ter um maior conhecimento sobre São Vicente Pallotti e sua obra apostólica. Somos gratos a todos aqueles que se unem a nós para fazer a sua caminhada espiritual. E desde já, desejamos a todos um caminho cheio de fé e de esperança, em busca de um mundo melhor, pleno da presença e da graça de Deus, que é amor infinito.

O nosso primeiro tema será sobre a União do Apostolado Católico (UAC), uma Associação de Fiéis de direito pontifício, fundada em 1835, em Roma, pelo padre Vicente Luís Francisco Pallotti. Ele nasceu em Roma, no dia 21 de abril de 1795. Foi ordenado padre diocesano no dia 16 de maio de 1818, na Basílica São João do Latrão, aos vinte e três anos de idade.

O início da União do Apostolado Católico

Quando falamos de uma determinada instituição religiosa, logo vem à mente uma congregação de padres e de irmãs religiosos. No nosso caso é um pouco diferente. Quando um palotino fala da UAC, ele se refere aos padres e irmãos, às irmãs religiosas e aos leigos que participam do carisma palotino. Somos uma família que participa do mesmo carisma, porém, cada um de maneira autônoma.

Em se tratando da fundação da UAC, primeiramente devemos saber quem fundou e porque criou essa nova instituição dentro da Igreja. Ela foi fundada pelo padre Vicente Pallotti, sacerdote do clero romano, que estava envolvido em inúmeras atividades apostólicas da diocese de Roma. Dentro dele pairava uma certeza de que o mundo precisava ser evangelizado, mas sabia que sozinho isso era impossível. Por isso, pedia a Deus, em suas orações, que o concedesse todos os meios possíveis, para promover todo o bem agora e para sempre no mundo inteiro. Esse momento se concretizou, no dia 9 de janeiro de 1835, quando teve a inspiração de criar uma Pia instituição de apostolado universal, que abrangesse o mundo inteiro, para criar uma instituição que propagasse a fé e a religião de Jesus Cristo a todos os infiéis e aos não católicos. Ele tinha como objetivo reavivar a fé e a caridade e que pudesse exercer a prática de todas as obras de misericórdia espirituais e corporais, para que Deus fosse conhecido no mundo como Caridade.[1]

Pallotti pediu às autoridades da Igreja que abençoassem a sua obra, intitulada Pia União do Apostolado Católico. No dia 04 de abril de 1835, ele recebeu o reconhecimento oficial do Cardeal Odescalchi. É muito interessante notar que as palavras, “Pia União da Sociedade do Apostolado Católico”, com as quais Pallotti solicitou a bênção Apostólica, foram mudadas pelo Papa Gregório XVI nas famosas palavras: “Mil bênçãos à Sociedade do Apostolado Católico”, no dia 11 de julho de 1835 (OO CC IV, 4-7)[2]. Doc. Fundação, p. 44s).

De 1835 a 1839, a Sociedade do Apostolado Católico passou por uma evolução organizacional, particularmente na classificação dos membros. Em 21 de agosto de 1839, encontramos a divisão definitiva da Sociedade em três classes: a dos Padres e Irmãos da Sociedade do Apostolado Católico, das Irmãs do Apostolado Católico (formalmente organizadas em 30 de março de 1843) e dos Associados da Sociedade do Apostolado Católico.

Durante o período da formação do corpo dirigente da obra apostólica, Vicente Pallotti passou por vários desafios. O primeiro deles foi por causa da legalidade do nome Apostolado Católico, que conflitava com a concepção da época sobre quem era o detentor deste nome, neste caso somente o papa e os bispos.[3] Depois com a Associação da Propagação da Fé, fundada em Lyon, França, em 1822, por Pauline Jaricot, que reivindicava os direitos de angariar fundos para promover os missionários em terras de missão. O outro desafio foi com a Igreja nacional do Reino das Duas Sicílias, cuja Igreja do Espírito Santo pertencia aos napolitanos e Pallotti foi nomeado Reitor. Essa Igreja foi reconstruída no século XVII, para servir a comunidade de expatriados napolitanos em Roma e nela havia muitos conflitos políticos; (Em 1816, o Reino da Sicília e o Reino de Nápoles foram unidos para formar o Reino das Duas Sicílias, que durou até a unificação da Itália em 1861). 

Vale lembrar, ainda, que alguns anos após a morte de Pallotti, mais precisamente em 9 de abril de 1854, o nome da Sociedade do Apostolado Católico foi alterado para Pia Sociedade das Missões. Ao mudar o nome, o objetivo das principais atividades da União foi seriamente comprometido. Após ter passado noventa e três anos depois da supressão do nome original, em 10 de junho de 1947, o Papa Pio XII restaurou o nome original de Sociedade do Apostolado Católico. Hoje, esse é o nome oficial dos Padres e Irmãos palotinos. A Congregação da Sociedade do Apostolado Católico é o nome oficial das Irmãs palotinas. A União do Apostolado Católico é o nome que está diretamente ligado aos leigos que seguem este mesmo carisma, bem como a todos os que participam da obra do apostolado católico.[4] Por razões históricas, hoje temos também as Irmãs Missionárias do Apostolado Católico e outras comunidades que participam da mesma União.

Nos escritos de Pallotti sobre sua Instituição, encontramos mudanças no nome e, particularmente, na organização estrutural. Uma ideia que nunca mudou, porém, foi o conceito que o motivou na fundação de sua Instituição: “A Pia Sociedade do Apostolado Católico”. Apesar de nos depararmos com essas nomenclaturas, na verdade, ele se referia simplesmente a todos os membros associados.

Uma característica básica na Sociedade Palotina é a unidade. São Vicente temia os esforços individuais. Segundo ele: “O bem, feito por indivíduos de modo isolado, é incerto e de curta duração. Os esforços de indivíduos com as disposições mais generosas não podem resultar em nada de importante na ordem moral e religiosa, a não ser na medida em que estejam unidos e tenham um objetivo comum. Portanto, com a necessária aprovação eclesiástica já concedida, deseja-se que os zelosos cristãos se unam e formem uma pia sociedade”.

Uma ênfase específica na sociedade de São Vicente foi dada à palavra “Apostolado”. Essencialmente, para Pallotti, Apostolado significava seguir Jesus, Apóstolo de Seu Pai. “Sua vida, que foi Seu Apostolado, foi para todos um apostolado exemplar, pois todos foram chamados a imitar Cristo, a ser apóstolos, na medida em que a condição e o estado de vida permitiam”. O título “Apostolado” foi cuidadosamente selecionado por Pallotti. Ele o defendeu contra todos os ataques. “A Sociedade do Apostolado Católico não pode ser chamada de ‘o Apostolado Católico’, mas sim deve ser dito, ‘A Sociedade que serve o Apostolado Católico.’”[5]

Finalmente, a palavra “Universal” determinou o tipo de apostolado que a Sociedade queria empreender. Também respondia à pergunta: “Quem são os membros?” Pallotti disse lindamente: “O Apostolado Católico, ou seja, apostolado universal, é acessível a todas as classes de pessoas. Ele enfatizava que se faz tudo o que se pode para a glória de Deus e para a santificação de si mesmo e do próximo” e você é convidado a fazer parte desta grande família de evangelizadores.

O desenvolvimento da obra do apostolado católico

A Sociedade idealizada por Pallotti tinha o princípio da unidade como um elemento básico. Ele queria “unir a atividade apostólica, as orações e as contribuições de seus membros”. Ele conseguiu alcançar a unidade organizando sua sociedade como um Corpo Moral. Em 1835, este Corpo era composto por duas classes: os trabalhadores para a propagação da fé e da caridade entre os católicos e os trabalhadores para o mesmo fim entre os não católicos. Mais tarde, no mesmo ano, apareceram três classes: Os Trabalhadores, os Cooperadores Espirituais e os Cooperadores Materiais (Doc. da Fundação, pp. 71-80).

Em 1838, a Sociedade foi dividida em três partes: Parte Unida, central e motriz; Não-Unidos, trabalhadores de todas as categorias; e os Fiéis, os cooperadores espirituais e materiais. Em 1839, apareceram definitivamente três classes: Os Padres, as Irmãs e os Associados. Os Padres, vivendo uma vida comunitária sem votos, eram a alma, o centro de toda a Sociedade. As Irmãs, embora organizadas formalmente em 1843, também eram membros importantes da Sociedade, pois “tinham que se dedicar a todas as obras de caridade e zelo, próprias do ramo feminino e necessárias para o Apostolado”. Finalmente, os Associados, que incluíam todos os Padres, Religiosos e Leigos de ambos os sexos, formavam a terceira classe.

No tempo de Pallotti, as necessidades da Igreja eram imensas, pois havia uma profunda crise social, política e sanitária. Em 1809, o Papa Pio VII foi preso pelos soldados de Napoleão Bonaparte, por cinco anos, sendo transferido para Savona e depois para Fontainebleau. Ele foi obrigado a assinar um documento que concedia poder secular (político) sobre a Igreja. Em 1837, Roma foi assolada por uma grave pandemia do cólera, tendo milhares de mortos, ficando muitas crianças vagando pelas ruas. Para evitar um mal maior, ele reuniu as meninas órfãs, criando uma Pia Casa de Caridade, que está em funcionamento até os dias de hoje, dando atenção às crianças vulneráveis do nosso tempo. Foi neste contexto e nesta casa que surgiu a Congregação das irmãs conhecidas como palotinas.

Atitudes concretas dos que vivem o Evangelho

Quando aprofundamos no modo como a União se desenvolveu, podemos dizer que Pallotti usou da mais fina pedagogia. Qual foi a novidade apresentada por ele? Na verdade, ele deixou para todos o exemplo da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como nos ensina os Atos dos Apóstolos: “Andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele” (At 10,38). A pedagogia palotina está na vivência do evangelho.

Pallotti nos exortou para que vivêssemos conforme os ensinamentos de Jesus Cristo, que nos amou até o fim (cf. Jo 13,1) e nos deixou o maior dos mandamentos: o amor a Deus e ao próximo (cf. Mt 22, 36-40). Para muitos, o apostolado católico foi uma novidade para a Igreja, mas, na verdade, era apenas o evangelho colocado na prática diária. A missão de Pallotti foi a de convocar a todos, para que vivessem em estreita sintonia com Cristo, por meio da meditação da Palavra, da vivência eucarística e seguindo os ensinamentos da Igreja. Quem segue os passos de Jesus não se decepciona. Pois, quem está unido a Cristo é uma nova criatura: “A confiança não decepciona” (Rm 5,5).

A comunicação de Deus com as pessoas acontece há milênios, mas o seu povo sempre teve dificuldades para compreendê-Lo. Da mesma forma que também temos dificuldades de colocar em prática aquilo que ouvimos desde a nossa infância. Qual é a razão de tudo isso? Cada pessoa que nasce tem que aprender tudo, não vem nada impresso. O chamado de Deus se descobre no cotidiano da vida. É preciso primeiro ouvir, para depois dar os devidos passos em direção àquele que chama. Devemos sempre levar em conta a condição do ser humano. Ele é limitado, tanto que são Paulo escreveu: “Quanto mais quero fazer o bem que quero, faço o mal que não quero (Rm 7, 14-25). Portanto, seguir a Cristo é uma escolha de vida, é uma opção pessoal que se renova a cada dia.

Ainda hoje, por falta de uma escuta atenta, muitos erros e enganos são cometidos nos relacionamentos interpessoais. Às vezes, as necessidades das pessoas estão diante dos nossos olhos, mas, por desatenção ou por insensibilidade, acabam sendo negligenciadas. Muitos, quando percebem algo, esperam que outros tomem a iniciativa. Sobre isto, Pallotti falou da caridade competitiva, ou seja, para fazer o bem, deveria haver uma disputa para ver quem faz mais e melhor, quem chega primeiro. O ideal humano seria que todos estivessem atentos às necessidades mútuas (Doc. da Fundação, p. 120).

A obra criada por Vicente Pallotti tem essa conotação, de levar as pessoas a estarem atentas às necessidades espirituais e materiais do próximo, para, assim, ajudá-las a atingir o seu grau máximo de dignidade em todos os âmbitos. O Evangelho de João apresenta Maria como sendo aquela que estava sempre atenta às necessidades de quem quer que seja. As bodas de Caná é um bom exemplo desta realidade. Maria, ao participar de uma festa de casamento, que estava na iminência de um grande vexame, por faltar o vinho, imediatamente, colocou-se à disposição para solucionar aquele problema: “Eles não têm mais vinho...” (Jo 2, 3-5). Em Lucas 1, 56, Maria visita Isabel, que estava grávida no sexto mês. A sua gravidez era de risco, por causa da idade avançada. Bastou maria saber, pelo anúncio do Anjo, que a prima idosa estava grávida, imediatamente dirigiu-se apressadamente à Isabel, e lá ficou até o nascimento do menino. O evangelho faz questão de elucidar que ela ficou por três meses. Quem está atento às necessidades dos outros caminha léguas, para oferecer o seu serviço abnegado. É somente o amor e o interesse pelo bem estar do outro que leva a tomar tão nobre atitude. Por isso, Pallotti viu em Maria o modelo de todo apostolado.

Outro fato importante para o carisma palotino é a presença ativa de Maria no Cenáculo de Jerusalém, esperando a promessa de Jesus de enviar o Espírito Santo. Maria sempre viveu a experiência do Cenáculo, que nada mais era que a escuta atenta e o serviço altruísta. Lá, ela só pôs em prática o que sempre fez durante toda a sua vida: “Eis aqui a serva do Senhor...” (Lc 1, 37). Após uma resposta desta, o anjo não tinha outra coisa a fazer que afastar-se de diante daquela que fora envolvida pela força do Espírito Santo. Ela nunca colocou resistência ao projeto de Deus.

O que tudo isso pode ensinar aos membros da União? Em primeiro lugar, devemos estar sempre em perfeita sintonia com Deus Pai, por meio da oração e da vivência dos sacramentos. Devemos usar de nossa criatividade para atrair as pessoas para Cristo, de modo particular aquelas que estão afastadas de Deus e muitas delas abandonadas, em um profundo vazio existencial, sem nenhuma assistência espiritual. Normalmente, elas estão conectadas com o mundo virtual, digital, mas longe de si mesmas, dos verdadeiros valores, e muitas delas com dores emocionais profundas. Muitos estão em busca de uma resposta segura para as suas vidas, mas se sentem como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9, 36-38). Diante disso, a pedagogia palotina nos ensina que devemos usar todos os meios possíveis, para levar a boa notícia de Jesus, em todas as periferias existenciais, como nos ensinou o saudoso Papa Francisco.

Boa parte das pessoas vivem em um isolamento completo, relacionando-se mais virtualmente, onde não existe mais o contato humano. Isso ocorre dentro das famílias, na empresa, onde a comunicação se dá por meios eletrônicos. Nos grandes centros urbanos, as pessoas não conhecem os seus vizinhos e isso vai causando uma realidade de total desamparo de afeto e de sentido da vida. Segundo o Santo Carlo Acutis: “Todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias”. Eis a nossa grande missão, levar vida onde ela se encontra ameaçada. Assim exorta São Paulo: A Palavra está no teu coração, na tua boca” (Rm 10, 8).

Diante dos inúmeros desafios atuais, a pedagogia palotina procura dar uma resposta a essa realidade, procurando minimizar o distanciamento das pessoas entre si, e consequentemente com Deus. Ela abre espaço para que criemos novas possibilidades de evangelização, ajudando-as a descobrirem o valor de estarmos juntos e de partilharmos as mesmas alegrias e desafios. É claro que não é algo simples para ser implantado, mas, também não é impossível de que se faça algo que possa ajudá-las no seu desenvolvimento integral como pessoa humana.

O que a UAC propõe, ainda hoje, está ao alcance de todos. Basta não sermos indiferentes ao que acontece ao nosso lado. Seria interessante que em cada Província, Região, Delegatura, tivessem pessoas devidamente preparadas, segundo o carisma palotino, para ajudarem as comunidades paroquiais a olharem as pastorais não como pastoral de subsistência, mas que todos tivessem uma visão mais abrangente da realidade.

São inúmeros os trabalhos realizados pelos filhos espirituais de Pallotti, talvez, o que ainda precisa ser feito é a criação de um projeto comum de mútua ajuda entre as diversas jurisdições espalhadas pelo mundo. Infelizmente, diante das situações mais urgentes, cada grupo específico procura dar a sua melhor resposta e isso é louvável, porém, se tais dificuldades fossem enfrentadas de maneira integrada, certamente, os resultados seriam ainda maiores, formaríamos um exército de voluntários que lutam por um mundo melhor e mais humanizado. Diante do que foi exposto, os trabalhos deveriam ser feitos não de maneira isolada, mas, sim, dentro do espírito sinodal, onde o sucesso de um é merecimento de todos.

Que esta nossa reflexão possa motivar você a viver em uma Igreja sinodal e comprometida com um mundo melhor e mais santificado. Por isso, convidamos você a continuar conosco nesta aventura divina de levar as pessoas ao pleno conhecimento do amor misericordioso de Deus em suas vidas. “Deus em tudo e sempre!

 

PARA REFLETIR

  1. Por que motivo Vicente Pallotti fundou a União do Apostolado Católico?
  2. Com que método os palotinos trabalham, para atingir o máximo de pessoas?
  3. Qual foi a maior contribuição que o carisma palotino trouxe para a Igreja?


[1] Bruno Bayer (Ed); Josef Sweifel. Vicente Pallotti: Documentos da fundação, Pallotti: Santa Maria, 1996, p. 247.

[2] Vincenzo Pallotti. Opere complete (OO CC). A cura di Francesco Moccia. Roma: Curi Generalizia della Società dell’Apostolato Cattolico, 1964-1997.

[3] A Cúria Romana, em 1838, suprimiu a União do Apostolado Católico devido a objeções e mal-entendidos sobre a natureza e o objetivo do seu “Apostolado Católico” e a participação dos leigos. Havia quem pensasse que o termo “Apostolado Católico” sugeria que só a sua obra estava a trabalhar pela Igreja, ou que era uma ameaça às obras já existentes.

[4] Tudo o que for dito sobre a Sociedade do Apostolado Católico pode ser aplicado, com adaptações, a todos – Padres, Irmãos, Irmãs e Associados. Historicamente, de acordo com os escritos de Pallotti, os nomes técnicos eram os seguintes. Os Padres e Irmãos eram: A Congregação de Padres e Irmãos coadjutores da Pia Sociedade do Apostolado Católico. As Irmãs eram: O Instituto das Irmãs da Congregação do Apostolado Católico. Os Associados eram: A Pia Sociedade do Apostolado Católico.

[5] Pallotti, Seconda raccolta di scritti del ven. Vincenzo Pallotti (Racc. II), aos cuidados de Hettenkoffer, Roma, 1934, p. 317.