Na certeza de que com Deus tudo posso, criei este BLOG para que você conheça o pensamento e o carisma de S. vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC). Ele foi um dos primeiros, na Igreja, a dizer que todos os batizados são apóstolos de Jesus Cristo. Por isso, você também é convidado a viver intensamente a sua fé, fazendo muitas coisas na Igreja, conforme o seu estado de vida, para que o Cristo seja mais amado e seguido. O seu testemunho de fé é muito importante.
sábado, 6 de maio de 2023
segunda-feira, 6 de março de 2023
PARTICIPANTES DA ASSEMBLEIA DA UAC NACIONAL - 2023
NOVO CONSELHO NACIONAL DA UAC DO BRASIL
Nos dias 03 a 05 de março de 2023, aconteceu em Curitiba, PR, a VII Assembleia Nacional da União do Apostolado Católico – UAC. Estiveram presentes, além dos membros do Conselho Nacional de Coordenação do Brasil, representantes dos Conselhos Locais existentes nas paróquias. Participaram os Superiores Maiores dos padres e irmãos palotinos e das Irmãs palotinas do Brasil.
A Assembleia teve seu início na noite do dia três, com o
jantar, seguido da adoração ao Santíssimo Sacramento. No segundo dia, após a
oração, o Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC, fez uma formação com o título:
Tema: A sinodalidade a partir do carisma palotino. Lema: Caminhar juntos
escutando a Palavra. O Senhor os encontrou no caminho. Houve um momento em
grupo para refletir sobre o assunto proposto e plenário.
Na parte da tarde, houve a prestação de contas pelo ecônomo,
Leossandro, e em seguida, a senhora Deyse da Conceição fez um resgate histórico
das atividades do Conselho Nacional. Dando continuidade ao processo eletivo,
Leossandro e o Pe. José Francisco Filho, após uma breve apresentação sobre os
procedimentos da votação, deu-se início aos vários escrutínios, para eleger o
novo Conselho Nacional da UAC.
Após a eleição, os futuros membros escolhidos passarão pela
aprovação do Conselho Geral de Coordenação, que até o momento ainda não
recebemos a notificação da aprovação. No último dia, na manhã de domingo, foram
aprovadas os Estatutos do Conselho Nacional, para ser posteriormente aprovado
pelo Conselho Geral.
Às 11h, na capela interna do seminário palotino, houve a
missa de encerramento e o envio dos membros.
No dia 14/03/2023, o Conselho Geral de Coordenação da UAC confirmou a nomeação dos novos membros do Conselho Nacional de Coordenação do Brasil, a saber:
Presidente: Pe. Antônio Júnior Diogo, SAC
Vice presidente: Romário Reis Nascimento Carvalho
Secretária: Cláudia Medianeira da Costa Gomes Athayde
Segunda secretária: Daiane da Paz
Ecônomo: Thiago Silva Rodrigues Legal
CONSELHEIROS:
Zamar Fernandes Garcia
Pe. Francisco José Marques Filho, SAC
Ir. Aneide Resmini, CSAC
Ir. Maria do Espírito Santo da Silva, MSAC
MEMBROS EX OFFICIO:
Pe. Gilberto Antônio Orsolin, SAC
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
Ir. Helena Pimenta, CSAC
ASSEMBLEIA NACIONAL DA UNIÃO DO APOSTOLADO CATÓLICO - UAC
Curitiba, 03 a 05
de março de 2023.
Tema:
A sinodalidade a partir do carisma palotino
Lema:
Caminhar juntos escutando a Palavra. O Senhor os
encontrou no caminho
Estamos vivendo um momento muito importante para a nossa
Igreja que é o sínodo, convocado pelo Papa Francisco, e hoje veremos o que é um
sínodo e em que isso pode influenciar nos trabalhos a serem realizados pelos
membros da UAC.
A etimologia da palavra:
“Sínodo” é uma palavra antiga utilizada pela
Tradição da Igreja, cujo significado recorda os conteúdos mais profundos da
Revelação. […] Indica o caminho que os membros do Povo de Deus percorrem
juntos. Remete, portanto, para o Senhor Jesus que se apresenta a si mesmo como “o
caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6), e para o fato de os cristãos,
seguindo Jesus, serem chamados nas origens “os discípulos do caminho”
(cf. At 9,2; 19,9.23; 22,4; 24,14.22).
O dia 11 de outubro de 2022 marcou o 60º aniversário
da abertura do Concílio Vaticano II pelo Papa S. João XXIII. Nós, na União do
Apostolado Católico, sabemos bem que um mês após o encerramento da primeira
sessão do Concílio, este mesmo papa canonizou São Vicente Pallotti. Os
ensinamentos do Concílio Vaticano II articulam, claramente, o apelo universal à
santidade e a missão de todos os batizados como apóstolos de Cristo. Como
sabemos, mais de um século antes, Pallotti promoveu ideias semelhantes.
Sinodalidade: é caminhada que cada membro da Igreja
deve fazer, para juntos vivermos o espírito do Vaticano II.
Refletindo
e caminhando juntos, os membros da Igreja poderão aprender com as experiências
e perspectivas uns dos outros, guiados pelo Espírito Santo. Iluminados pela
Palavra de Deus e unidos em oração, seremos capazes de discernir os processos
para procurar a vontade de Deus e dar seguimento aos caminhos para os quais
Deus nos chama – rumo a uma comunhão mais profunda, a uma participação mais
plena e a uma maior abertura ao cumprimento da nossa missão no mundo.
Em
outras palavras, a sinodalidade permite que todo o povo de Deus caminhe em unidade,
escutando o Espírito Santo e a Palavra de Deus, para participar na missão da
Igreja, na comunhão que Cristo estabelece entre nós.
Em
última análise, o caminho a ser percorrido é a forma mais eficaz de manifestar
e pôr em prática a natureza da Igreja como povo peregrino e missionário de Deus
que, pelo batismo, tem em comum a mesma dignidade e a mesma vocação. Por meio
dele, todos somos chamados a ser participantes ativos na vida da Igreja.
Nas
paróquias, nas pequenas comunidades cristãs, nos movimentos leigos, nas
comunidades religiosas e noutras formas de comunhão, mulheres e homens, jovens
e idosos, somos todos convidados a escutar-nos uns aos outros para ouvirmos os
murmúrios do Espírito Santo, que vem guiar os nossos esforços humanos, exalando
sobre a Igreja um sopro de vida e de vitalidade e conduzindo-nos a uma comunhão
mais profunda para a nossa missão no mundo.
À
medida que a Igreja embarca neste caminho sinodal, devemos esforçar-nos por nos
basearmos em experiências de escuta e discernimento autênticos no caminho de
nos tornarmos a Igreja que Deus nos chama a ser. Essa é uma grande oportunidade
que temos, para melhor discernirmos os passos que deveremos dar juntos.
O Concílio Vaticano II revigorou a sensação de que todos os batizados, tanto a hierarquia como os leigos, são chamados a ser participantes ativos na missão salvífica da Igreja (LG 32-33). Os fiéis receberam o Espírito Santo no batismo e na confirmação e estão dotados de diferentes dons e carismas para a renovação e edificação da Igreja, como membros do Corpo de Cristo.
Como se dá esse caminhar juntos?
O
primeiro passo para caminharmos juntos é escutar o outro, para ouvirmos o que o
Espírito Santo tem a dizer à Igreja, escutando juntos a Palavra de Deus na
Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja e, depois, escutando-nos uns aos
outros e especialmente aos que estão à margem, discernindo os sinais dos
tempos. De fato, todo o processo sinodal visa promover uma experiência vivida
de discernimento, de participação e de corresponsabilidade, onde se reúne uma
diversidade de dons para a missão da Igreja no mundo.
Destina-se
a inspirar as pessoas a sonhar com a Igreja que somos chamados a ser, a fazer
florescer as esperanças das pessoas, a estimular a confiança, a curar as
feridas, a tecer relações novas e mais profundas, a aprender uns com os outros,
a construir pontes, a iluminar mentes, a aquecer corações, para assim termos
uma motivação maior nos trabalhos apostólicos.
Em
outras palavras, o objetivo do processo sinodal não é apenas para fazer uma
série de exercícios que começam e param, mas um caminho de crescimento
autêntico rumo à comunhão e à missão que Deus chama a Igreja a viver no
terceiro milênio.
A
Igreja existe para evangelizar. Nunca podemos estar centrados em nós mesmos. A
nossa missão é testemunhar o amor de Deus no meio de toda a família humana.
Este processo sinodal tem uma dimensão profundamente missionária. Destina-se a
deixar que a Igreja testemunhe melhor o Evangelho, especialmente com aqueles
que vivem nas periferias espirituais, sociais, econômicas, políticas,
geográficas e existenciais do nosso mundo. Deste modo, a sinodalidade é um
caminho pelo qual a Igreja pode cumprir mais frutuosamente a sua missão de
evangelização no mundo, como fermento ao serviço da vinda do Reino de Deus.
Qual a contribuição do Sínodo para os que vivem o carisma palotino?
O
carisma é sempre impulsionado pela força do Espírito Santo na vida de uma
pessoa ou de uma comunidade. Os palotinos nasceram pela experiência da
descoberta do infinito amor de Deus para conosco. Os carismas surgem conforme
às necessidades da Igreja. Pallotti recebeu de Deus e nos transmitiu essa sua
experiência como um dom para todos. Ele se tornou um canal, para que os
batizados tomassem consciência da sua missão no mundo. Não somos meros
expectadores, mas podemos participar ativamente da obra da salvação, instaurada
por Cristo neste mundo. Portanto, o sínodo, além de confirmar aquilo que a
União realiza no mundo, traz mais estímulo para empenharmos ainda mais o que
fazemos, com a certeza de que agimos segundo a ação do Espírito Santo na
Igreja.
Assim
entendemos o carisma de Pallotti em seus três aspectos:
1. Íntima
experiência de fé.
2. Experiência
da vontade de Deus, através dos sinais dos tempos.
3. Como
impulso do Espírito Santo.
Como
um palotino atua na realidade em que se encontra?
O palotino se destaca com
a promoção do leigo, para que ele tome consciência, da missão recebida no
batismo. O cristão não é um a mais dentre os batizados, ele também é
responsável pela salvação das almas. O palotino contribui com o apostolado da
Igreja, como missionário anunciando o amor de Deus para todos.
Por isso, o nosso
compromisso com a Igreja está na formação e na preparação dos leigos, para o
apostolado e, assim, oferecer um modelo de cooperação deles na ação apostólica.
Isso deve ser considerado por nós como uma tarefa urgente a ser executada, para
correspondermos com as necessidades do nosso tempo. É nossa missão ajudar o
leigo a descobrir o seu lugar na Igreja e no mundo, no qual eles vivem. Por
isso, devemos estimulá-los e prepará-los para que participem na vida das
comunidades eclesiais de maneira ativa nas organizações da Igreja; nos
conselhos pastorais, em nível paroquial e diocesano, nos ministérios leigos,
nos serviços especializados com tempo integral.
Na execução desta sua
missão, a Igreja dirige particular interesse aos pobres, aos sofredores, aos
menos afortunados na sociedade humana, aos humildes e aos simples, que, muitas
vezes, são obrigados a viver em condições desumanas.
O nosso olhar deve estar
voltado para Jesus, o Apóstolo do Pai, que veio a este mundo resgatar os que
estavam perdidos. No meio da estrada, o ressuscitado acompanhou os passos dos
discípulos que estavam confusos e angustiados por terem perdido o Senhor das
suas vidas. A melhor imagem que temos no evangelho que mostra essa realidade é
a dos discípulos de Emaús.
Os discípulos de Emaús sabiam o que queriam: permanecer com Cristo, mas Ele morreu tragicamente. Este era o motivo da desolação e da frustração. Por isso, ficaram confusos. Escutando-os, Jesus tira deles o que os perturbava tanto. Foi dando feedbacks, falando das Escrituras. Ele falava de algo que eles já conheciam. Somente fez reverberar dentro deles aquilo que estava amortecido pela dor da perda, as certezas da vitória final, a ressurreição. Ele tinha que sofrer, mas venceu a morte. Ele utilizou de imagens, para que eles próprios tirassem as suas conclusões. No diálogo, ao longo do caminho, Ele foi esclarecendo aquilo que eles não tinham compreendido. A empatia foi perfeita, tanto que pediram para que permanecesse com eles. “Ficai conosco, Senhor, pois já é tarde”. A confusão mental os cegava e os impedia de perceber a realidade que os circundava. Por isso, devemos estar unido na escuta da Palavra e em oração comunitária, para podermos sentir a presença do Senhor em nossas vidas e, assim, receber dele o envio em missão.
O processo sinodal a exemplo dos
discípulos de Emaús
1.
Como caminhavam = desolados (pensamentos
limitantes, negativos, frustração);
2.
Como Jesus os abordou? (Lentamente
participa da vida deles – pôs-se no meio deles);
3.
Como conduziu a conversa? (Lc 24,17 –
Pergunta sobre o assunto da conversa deles. Se interessa por eles);
4.
Como eles caminhavam? (Repetindo o
negativo – os últimos acontecimentos);
5.
Quais eram os seus sentimentos? (confusão
mental, tristeza, desesperança, dúvidas, sem perspectiva de futuro);
6.
Quais foram os passos dados por Jesus?
(usa da empatia, ouve para depois explicar tudo);
7.
Ouviu-os para depois atualizar os acontecimentos
passados, com uma nova perspectiva;
8.
Qual foi a resposta deles, após ter mais
clareza dos fatos? (entusiasmo, alegria, desejo de recomeçar, sair anunciar o
que ouviram e viram); “Fica conosco...” e saíram avisar a comunidade = ação
concreta.
Descobriram o fio condutor de toda a experiência de vida, após ouvir as Escrituras e confrontar com a realidade, por mais dura que fosse. Os sinais foram importantes: escuta da Palavra, estar com Jesus e o partir o pão. Tudo isso gera uma ação imediata. Houve uma mudança radical de vida e de atitude. Eles souberam retomar a caminhada. Eles descobriram o que, realmente, precisavam para ter uma vida cheia de sentido.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
DA REGRA FUNDAMENTAL DE SÃO VICENTE PALLOTTI - PARTE II
1. O mistério da encarnação de Jesus
Para conhecer melhor a relação íntima de Pallotti com Cristo, é interessante observarmos como ele desejava se configurar à vida santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo. Rezando sobre cada momento da vida de Cristo, Pallotti desejava que fosse destruído nele as imperfeições de cada momento de sua vida terrena.
“Meu Deus, minha misericórdia infinita, pela mesma vossa infinita misericórdia, creio firmemente que neste momento, segundo a força infinita do merecimento da sacrossanta concepção da santíssima humanidade de Jesus Cristo no seio da Virgem Maria, vós estais destruindo em mim todas as monstruosidades da minha concepção, todas as consequências da minha concepção no pecado, e estais comunicando a mim os merecimentos da concepção de Jesus”.[1]
O Salmo 51 se refere assim, quando o salmista arrependido de seus pecados afirma: “Eis que eu nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado” (Sl
51, 7). Também
no livro de Jó, encontramos referência ao desprezo de si e o reconhecimento do
pecado original: “Como te arrebata a
paixão! E lampejas os olhos, quando voltas contra Deus a tua cólera, proferindo
teus discursos! Como pode o homem ser puro ou inocente o nascido de mulher?...”
(Jó 15, 12-16).
Nesta sua meditação, sobre o mistério da encarnação de Jesus, Pallotti pede sempre que seja destruído nele suas imperfeições. A concepção de Jesus no seio de Maria Santíssima nos faz recordar a obediência de Maria à lei santa de Deus. Pallotti nos deixa como segundo ponto fundamental da Regra: “Todos devemos viver na perfeita observância da lei santa de Deus e da santa Igreja; e em perfeita castidade, obediência, pobreza e perseverança na congregação, com a observância perfeita das santas regras e constituições.”[2]
2. Objetivo da encarnação de Jesus
“Meu Deus, minha misericórdia infinita, por vossa mesma misericórdia, creio firmemente que, pelo infinito merecimento do Espírito de sacrifício com o qual Jesus Cristo veio ao mundo, desde o presente momento vós destruís para sempre em mim toda a tendência para a terra, o sangue, a carne, e todas as consequências do sacrifício de Jesus Cristo”.[3]
O objetivo da encarnação de Jesus é salvar a humanidade, nos livrar da morte e da escravidão do pecado. Pallotti reza esta graça recebida na encarnação de Jesus que destrói nele toda a tendência às coisas terrenas. O Espírito de sacrifício de Jesus expressa sua obediência à vontade do Pai. O objetivo da encarnação de Jesus é, também, realizar a vontade do Pai e, assim, por meio dela, recebemos a graça da redenção.
3. Jesus gerado no ventre de Maria Santíssima
“Meu Deus, minha misericórdia infinita, pela mesma vossa misericórdia infinita, creio firmemente que, pelo infinito merecimento da inabitação de Cristo no seio virginal de Maria Imaculada durante nove meses, desde o presente momento vós destruis para sempre em mim todas as deformidades da minha inabitação no seio de minha mãe e todas as humilhantes conseqüências de tal inabitação, comunicando-me o merecimento e as virtudes da inabitação de Cristo no seio de Maria”.[4]
Diante do grandioso mistério da encarnação de Jesus, Pallotti deseja para si a destruição de todas as deformidades em sua concepção e a graça da encarnação de Cristo. Ele deseja que lhe seja comunicada as virtudes de tal mistério. Os nove meses que Maria aguardou em seu ventre, até o nascimento de Jesus, nos recorda a perseverança de Maria, sua fé e confiança na Palavra do Anjo: “Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1, 32)
4. O nascimento de Jesus
“Meu Deus, minha misericórdia infinita, pela mesma misericórdia infinita, pelos merecimentos e intercessão de Maria Santíssima e de todos os anjos e santos e por todos os merecimentos da Igreja de Jesus Cristo, creio firmemente que desde o presente momento e para sempre, pelo mérito infinito do nascimento de Jesus, vós destruís em mim a deformidade do meu nascimento e todas as suas humilhantes consequências, comunicando-me o mérito do mesmo nascimento de Jesus Cristo”.[5]
A oração sobre o nascimento de Jesus faz com que Pallotti deseje a santidade em que Jesus nasceu. Pallotti deseja que seja destruído nele o pecado de seu nascimento, em comparação com o nascimento de Cristo pobre na gruta de Belém. Sua humildade, a sua sabedoria infinita, o seu silêncio, a sua oração: “Nosso Senhor Jesus Cristo nascido criancinha, no retiro da gruta de Belém, apesar de ser a sabedoria infinita, contudo sujeitou-se, por nós, a condição dos bebês que não falam, enquanto por nós orava a seu eterno Pai.”[6]
5. Circuncisão de Jesus
“Meu Deus, minha misericórdia infinita, pela mesma vossa infinita misericórdia, pelos merecimentos e intercessão de Maria Santíssima e de todos os anjos e santos e pelos merecimentos de toda a Igreja de Jesus Cristo, creio firmemente que desde o presente momento e para sempre, pelo mérito infinito da circuncisão de Jesus Cristo, vós destruís em mim toda a indignidade contraída por mim por não ter aproveitado a graça do santo batismo e me comunicais o mérito da mesma circuncisão de Jesus Cristo.” [7]
“Quando se
completaram os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe dado o nome de
Jesus, conforme o chamou o anjo antes de ser concebido.” (Lc 2, 21)
Comparando a circuncisão de
Jesus com o seu batismo, Pallotti continua afirmando que Cristo destrói nele a
indignidade que adquiriu, por não ter aproveitado a graça do batismo.
6. Fuga para o Egito e retorno a Nazaré
“Meu Deus, minha misericórdia infinita, por vossa mesma misericórdia, pelos merecimentos e intercessão de Maria Santíssima e de todos os anjos e santos e por todos os merecimentos de toda a Igreja de Jesus Cristo, creio firmemente que desde o presente momento e para sempre, pelo infinito mérito da infância de Jesus Cristo, de sua fuga para o Egito e da estadia lá e por sua volta a Nazaré, vós destruís em mim toda a deformidade da minha infância, todas as inclinações para a terra, todas as consequências de miséria e deformidade da mesma infância minha, e me comunicais o merecimento de infância de Jesus Cristo, de sua fuga para o Egito e do retorno a Nazaré.”[8]
Meditando o momento da fuga da sagrada família para o Egito, e o retorno a Nazaré, Pallotti deseja a destruição nele de todos os defeitos e inclinações terrenas de sua infância.
“Nosso Senhor Jesus Cristo
perseguido por Herodes, sujeitou-se aos sofrimentos da fuga para o Egito e do
exílio naquele país. Por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos sofrer
sempre, com amor e com santa alegria, qualquer sofrimento sobrevindo em
conseqüência de qualquer perseguição, em qualquer tempo e situação.”[9]
[1] Propósitos e Aspirações p. 115 nº. 367
[2] FALLER, Pe. Angsgar SAC. Regras Fundamentais da
Sociedade do Apostolado Católico p.48 nº. 2. Santa Maria 1991
[3] Propósitos e Aspirações p. 115 nº. 368
[4] Propósitos e Aspirações p.116 nº. 369
[5] Propósitos e Aspirações p. 116 nº.370
[6] FALLER, Pe. Angsgar SAC. Regras Fundamentais da
Sociedade do Apostolado Católico p. 49 nº. 9. Santa Maria 1991
[7] Propósitos e Aspirações p.
116 nº. 371
[8] Propósitos e Aspirações p. 116-117
nº. 372
[9] FALLER, Pe. Angsgar SAC. Regras Fundamentais da
Sociedade do Apostolado Católico p. 51 nº. 14. Santa Maria 1991
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022
DA REGRA FUNDAMENTAL DE SÃO VICENTE PALLOTTI
A imitação de Jesus Cristo - PARTE I
São Vicente Pallotti, na sua Regra Fundamental, pede a todos os membros da União do Apostolado Católico, que imitem a Cristo em todos os momentos da vida.
Observando a oração de nosso
fundador, é conveniente que sigamos os passos apresentados por ele, para que rezemos e meditemos como ele
rezou e meditou, para que assim nos configuremos a Cristo e à sua vida Santíssima.
Sob a Luz da oração de Pallotti, nós desejamos rezar sobre a vida de Cristo desde sua concepção, no ventre Santíssimo de Maria, até a conclusão de seu ministério apostólico, com a manifestação do Espírito Santo, em Pentecostes, no cenáculo.
Meditação de São Vicente
sobre a Vida de Jesus Cristo
“A regra fundamental da
nossa mínima congregação é a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, para
imitá-lo com humildade e confiança, com toda a possível perfeição, em toda
atividade da vida oculta e do público ministério evangélico, para a maior
glória de Deus, nosso Pai celeste, e para a maior santificação de nossa alma e
dos nossos próximos. Por isso, quem quer que entre para essa congregação, deve
ser trazido pelo perfeito amor de Deus e do próximo, para assegurar também a
eterna salvação da própria alma.”[1]
[1] FALLER, Pe. Angsgar SAC. Regras Fundamentais da
Sociedade do Apostolado Católico p.48 nº. 1. Santa Maria 1991. Primeiro ponto
da Regra Fundamental com 33 pontos, simbolizando a idade de Cristo, deixada por
Pallotti aos membros da SAC. O grifo é nosso.
sábado, 3 de dezembro de 2022
CONHEÇA O CARISMA PALOTINO - PARTE VIII
CENÁCULO: LUGAR DA IDENTIDADE
PALOTINA
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
Vicente Pallotti, desde
muito cedo, ficou deslumbrado pela experiência dos primeiros cristãos que, após
receberem o Espírito Santo, tiveram um novo entusiasmo apostólico e
missionário. A alegria dos irmãos estava estampada no rosto, tanto que muitas
pessoas queriam fazer parte do grupo. Muitos se perguntavam, e nós o que devemos
fazer (At 2, 37-41)?
O livro dos Atos dos
Apóstolos diz que todos viviam muito unidos na comunhão fraterna e no partir o
pão. Todos vendiam seus bens para colocar em comum e não existiam necessitados
entre eles (At 2, 42-47; 11, 29-30). Essa nova atitude dos seguidores de Cristo
causou uma grande revolução religiosa e social. Entre eles, a Lei de Talião
deixou de existir, agora esse novo grupo vive radicalmente a Lei do amor. Eles
vão até às últimas conseqüências se necessário for (At 4, 12-18).
Os primeiros três séculos
foram marcados não somente por causa da difusão do reino, mas principalmente
pelo testemunho dos mártires (At 8,1-2; 11,19-24; 12,1-5). Os batizados queriam
viver e morrer como o Cristo.
Muita coisa bonita acontecia
na comunidade primitiva, mas, como em todos os ambientes, não faltaram também
as contradições. Mesmo restaurados pelo sangue de Cristo, a marca do pecado
continuou e continua presente na vida dos cristãos, como um fermento que tenta
contaminar toda a massa (At 5, 1-11; 6, 1-4). Mas a Igreja permaneceu fiel e
confiante na força do Espírito. Procurou ainda manter-se unida para a
concretização do projeto iniciado por Cristo, o da unidade e o da caridade
fraterna (Jo 17, 15.22-23).
São Paulo, na primeira carta
aos Coríntios, mostra que os desvios que surgiram no seio da Igreja foram
combatidos e iluminados pela Palavra de Deus, para que as fraquezas de alguns
não atrapalhassem o bom êxito do evangelho. Ele diz:
Ouço dizer que, quando vos reunis como Igreja, têm
surgido dissensões entre vós. E, em parte, acredito. É necessário que haja até
divisões entre vós, para que se tornem conhecidos os que, dentre vós, são
comprovados! De fato, quando vos reunis, não é para comer a ceia do Senhor,
pois cada um se apressa a comer a sua própria ceia e, enquanto um passa fome,
outro se embriaga. Não tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja
de Deus e quereis envergonhar aqueles que nada têm? Neste caso não posso
louvar-vos... Portanto, irmãos, quando vos reunirdes para a ceia, esperai uns
pelos outros (1Cor 10, 18-22. 33).
O ser humano, por mais que
receba uma missão divina, ainda carrega consigo as marcas do pecado, do
egoísmo. Esse mal deve ser continuamente combatido no meio de nós. Não basta
apenas dizer que pertence a Cristo, é preciso que, cada um, incorpore dentro de
si o verdadeiro espírito de Cristo, ou seja, o espírito de partilha,
solidariedade e amor (Mt 7, 21).
A experiência que os
discípulos fizeram no Cenáculo levou-os a terem uma nova postura diante das
pessoas. Homens e mulheres anunciavam destemidamente aquilo que viram e ouviram
de Jesus (1Jo 1,3; Jo 3, 11). O testemunho que davam da ressurreição de Cristo
contagiava a todos, e até mesmo os pagãos abraçavam a fé (At 10,44-48;
11,19-21). Cada um que recebia o batismo se sentia impelido a levar adiante o
anúncio feito pelos apóstolos. Colocavam também à disposição os dons recebidos
de Deus. Todos os batizados se sentiam missionários (1Cor 12,27-31).
No início da Igreja, o
Cenáculo foi marcante para aqueles que eram fiéis aos ensinamentos dos
apóstolos. Eles permaneceram unidos em oração e na comunhão fraterna. Após a
vinda do Espírito Santo, o livro dos Atos não fala mais de Cenáculo e sim das
comunidades que foram sendo formadas graças à difusão do reino. Por algum tempo,
continuaram freqüentando as reuniões nas sinagogas e as orações no templo, mas
isso não foi muito longe, porque o ensinamento feito pelos apóstolos divergia
daquele ensinado pelos judeus. Acabaram sendo expulsos do templo (At 21, 29-31;
14, 1-6; 17, 1-11; 18, 4-11; 19, 8-13).
De agora em diante não
existirá mais um lugar específico para o Espírito se manifestar, mas onde dois
ou três estiverem reunidos em seu nome, ali estará ele a iluminar e inspirar
(Mt 18, 20). A fé na ressurreição continuou cada vez mais forte e as pessoas se
reuniam nas casas para celebrar a Palavra e a fração do pão (At 20, 7-9).
Podemos dizer que, no início, a Igreja teve características domésticas. Toda a
família era envolvida no mistério celebrado.
Contemplando a realidade das
primeiras comunidades cristãs, Pallotti percebeu que, mesmo tendo passado
centenas de anos da presença do ressuscitado em nosso meio, ainda, é possível
resgatar o espírito dos primeiros cristãos. A fé deve ser vivenciada e
fortalecida nos lares e nos ambientes onde se encontram os cristãos. Diante da
indiferença religiosa de muitos batizados, ele quis, novamente, reavivar a fé e
reacender a caridade em todo o mundo. E o melhor meio de revigorar a fé é
estando no Cenáculo em espírito de escuta e de oração.
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
CONHEÇA O CARISMA PALOTINO – PARTE VII
UNIÃO DO APOSTOLADO CATOLICO: UM MODO PRÓPRIO DE SER
Pe.
Valdeci Antonio de Almeida, SAC
“Ide, pois, e ensinai a todas as
nações; batizai-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
O evangelho de Mateus, nos seus últimos versículos,
recorda a todos que a missão de Jesus Cristo continua na vida da Igreja e todos
os batizados são convocados a anunciar essa boa notícia até os confins do
mundo.
São Vicente Pallotti, iluminado por esta mesma Palavra,
sentiu a necessidade de convocar os batizados para que, de maneira consciente e
organizada, pudessem levar o mais rápido possível essa mensagem às nações e,
assim, reavivar a fé e reacender a caridade.
Por isso, em meados de maio de 1835, ele fez um apelo ao povo, dizendo: “Todos,
grandes e pequenos, formados, estudantes, operários, ricos e pobres, padres,
leigos, religiosos e seculares, comerciantes e empresários, funcionários,
artistas e artesãos, comunidades e indivíduos, cada qual no seu próprio estado,
na própria condição, de acordo com os próprios dons, podem dedicar-se às obras
do Apostolado Católico para reavivar a fé, reacender a caridade e propagá-las
em todo o mundo” [1].
Esse apelo ao povo foi o primeiro passo dado por ele,
para que as pessoas saíssem do seu torpor religioso e começassem a ter um olhar
mais amplo e universal. Sendo assim, muitas pessoas tanto do clero quando dos
fiéis se entusiasmaram por esta ideia e, desta forma, deram início a uma nova
maneira de trabalhar juntos em prol do Reino de Deus, mas de forma organizada.
O Papa Francisco, no seu magistério, convoca os
cristãos, para que saiam dos seus ambientes fechados da Igreja, para
tornarem-se uma “Igreja em saída”, ou seja, que todos possam ir em direção das
pessoas, em suas periferias existenciais, para levar o remédio de Cristo a
tantos corações feridos pela falta de amor e acometidos pelo ódio e pela
desesperança. Assim, diz o Papa: “hoje, todos somos chamados a esta nova saída
missionária. Cada cristão, cada comunidade e sacerdotes devem sair do conforto
e ter a coragem de chegar a todas as periferias existenciais que precisam da
luz do Evangelho. Esse é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos
convidados a aceitar este chamado”[2].
A força do batismo
Segundo
a Lumen Gentium (LG), “todo leigo é
chamado a ser testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus, sinal de
Deus vivo, diante do mundo”. O número 40 afirma: “Nas diversas profissões e
formas de vida, a santidade é sempre a mesma”. O número 33: “Formando o povo de
Deus, os leigos constituem um só corpo de Cristo, que é a cabeça. Por vontade
do Criador e pela graça recebida do redentor, todos, como membros vivos, são
chamados a contribuir com o melhor de suas forças para o crescimento e contínua
santificação da Igreja”[3].
A
santa Igreja foi instituída por Deus, com uma grande variedade de categorias e
funções (cf. LG 32). Os leigos, homens e mulheres, em virtude da sua condição e
missão, têm algo de especial, cujo fundamento deve ser melhor examinado nas
circunstâncias particulares do mundo em que vivemos. Os pastores sabem quanto
os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Eles sabem que não foram
constituídos por Cristo para assumirem sozinhos a missão salvadora da Igreja em
relação ao mundo. É sumamente importante que, no exercício da sua função,
contem com o apoio dos leigos e com os seus carismas, permitindo que todos
colaborem a seu modo na execução do trabalho comum (...). Denominam-se leigos
todos os fiéis que não pertencem às ordens sagradas, nem são religiosos
reconhecidos pela Igreja. São, pois, os fiéis batizados, incorporados a Cristo,
membros do povo de Deus, participantes da função sacerdotal, profética e régia
de Cristo, que tomam parte no cumprimento da missão de todo o povo cristão, na
Igreja e no mundo (cf. LG 31).
O
cristão precisa ter uma identidade sólida e positiva, para poder testemunhar a
sua fé e anunciar Jesus Cristo. A falta de clareza da própria identidade nos
faz cair em incoerências, pois nos leva a viver fora da finalidade essencial da
nossa vida e nos distancia do nosso verdadeiro valor. Isso, muitas vezes,
dificulta uma realização mais profunda da nossa vida e vocação. A origem da
nossa identidade cristã está no batismo. Nele, recebemos uma nova identidade,
que é a de sermos filhos de Deus. Pelo batismo nos tornamos membros da
comunidade eclesial e nos credencia a continuar a missão de Jesus Cristo. Ser
cristão é reproduzir, na própria vida, o modo de viver de Jesus, é
identificar-se sempre mais com Ele[4].
Para
São Mateus, a identidade e a missão do cristão consistem em: batizar e fazer
discípulos (Mt 28,19). Os que foram batizados, em nome de Cristo, foram também
enviados em missão (Lc 10,1). Inspirados pelo Espírito Santo, os cristãos
realizam numerosas iniciativas apostólicas como manifestação de amor ao próximo,
fundado no amor de Deus. Segundo o Papa Bento XVI, na encíclica Deus Caritas Est, o compromisso de fé
com Cristo leva à realização da caridade, tanto individualmente como em comunidade.
Para ele, a caridade deve ser organizada como pré-requisito, para um serviço
ordenado à comunidade. A identidade da Igreja está na caridade. Ela é a sua
essência. Para a Igreja, a caridade não é uma espécie de atividade de
assistência social que se poderia mesmo confiar a outros, mas pertence à sua
natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência[5]. A Igreja é a família de
Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do
necessário[6].
A
caridade vai muito além de uma simples assistência humanitária. Ela é um
serviço abnegado por motivo de fé: “é servindo ao próximo que os meus olhos se
abrirão para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama”[7]. Os Santos hauriram a sua
capacidade de amar o próximo, de modo sempre renovado, do seu encontro com o
Senhor eucarístico e, vice-versa, este encontro ganhou o seu realismo e
profundidade, precisamente, no serviço deles aos outros. O amor cresce através
do amor. O amor é “divino”, porque vem de Deus e nos une a Deus, e, através
deste processo unificador, transforma-nos em um nós, que supera as nossas
divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja “tudo em todos” (1Cor
15,28).
Segundo
São Vicente Pallotti, o amor de Deus é difusivo. Ele irradia nos corações, que,
por sua vez, torna-se uma luz que vai se propagando na vivência entre as
pessoas. Assim disse Jesus: “Quem me vê, vê o Pai”! Ele é o reflexo do amor do
Pai, que ama o Filho, que por sua vez, o filho transborda esse amor na cruz (Rm
5,5). O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever para cada um dos
fiéis, mas o é também para a comunidade eclesial inteira, em todos os seus
níveis: desde a comunidade local, passando pela Igreja particular, até a Igreja
universal na sua globalidade. A Igreja também, enquanto comunidade deve
praticar o amor. A consequência disso é que o amor tem necessidade também de
organização, enquanto pressuposto para um serviço comunitário ordenado[8]. A consciência de tal
dever teve relevância constitutiva na Igreja desde os seus inícios: “Todos os
crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e
distribuíam o dinheiro por todos de acordo com as necessidades de cada um” (At
2, 44-45). Com o passar dos anos e a progressiva difusão da Igreja, a prática
da caridade confirmou-se como um dos seus âmbitos essenciais, juntamente com a
administração dos Sacramentos e o anúncio da Palavra: praticar o amor para com
as viúvas e os órfãos, os presos, os doentes e necessitados de qualquer gênero
pertence tanto à sua essência como o serviço dos Sacramentos e o anúncio do
Evangelho (Mt 25,34-40). A Igreja não pode descurar o serviço da caridade, tal
como não pode negligenciar os Sacramentos nem a Palavra[9].
O
direito de associar-se
As
associações representam a forma organizada e mais elaborada do ministério
eclesial, para desenvolver a caridade e a piedade, caracterizado pela ação evangelizadora
da Igreja e portadores da possibilidade de reunir os vários estados de vida (sacerdotes,
religiosos, leigos), por um objetivo comum. As associações não têm seu próprio
propósito, mas elas servem a missão que a Igreja deve cumprir no mundo com o
testemunho e o espírito evangélico. Assim, Pe. Denilson apresenta em seu artigo
sobre a sinodalidade na União:
A UAC, como uma associação pública
internacional, é uma pessoa jurídica eclesiástica e não pode ser considerada
como Ordem Terceira, de acordo com a norma do cân. 303; nem mesmo uma Federação
de diferentes congregações ou sociedades de vida apostólica, de acordo com a norma
do cân. 582, porque uma associação não é vida consagrada (cf. can. 298) e não
tem o poder de governar sobre os membros das comunidades de fundação, mas uma
coordenação das obras que estão sob a pessoa jurídica desta associação, que é a
UAC. Desta forma, como afirmado no n. 10 de seu Estatuto, a UAC não interfere
nos regulamentos internos das comunidades que fazem parte dela (cfr. artigos
34-37 e 40)[10].
O
direito de se associar para desenvolver obras apostólicas provém do Batismo e
da Confirmação, para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e bem
recebida pelas pessoas. O requisito fundamental de uma associação católica é a
comunhão com a Igreja e o reconhecimento dos estatutos, nos quais ela determina
a finalidade, a localização, o governo, condições exigidas para sua admissão,
tendo em conta a necessidade de tempo e lugar com uma indicação clara para
inculturação. O nascimento de uma nova associação é sempre uma garantia contra
a centralização excessiva que sufoca e inibe a participação[11].
Por isso, o Papa Francisco convoca todos os batizados para uma Igreja em saída,
ou seja, uma Igreja onde todos os seus membros são protagonistas no caminho do
discipulado. Segundo ele, a reforma da Igreja católica tem que levar em conta
que é necessário superar a mentalidade reducionista e clerical que entende os
leigos como objetos da ação da hierarquia e como “consumidores” dos
sacramentos, bem como criar as condições necessárias, para que os leigos possam
viver o seu protagonismo de forma autônoma[12].
A
associação, por meio dos seus dispositivos legais, ajuda no diálogo com a
cultura e exige lidar adequadamente com as questões sociais do nosso tempo. Esta
é a chave para uma visão associativa adequada, porque a realidade é
caracterizada por problemas cada vez mais interconectados e que influenciam toda
a família humana. Diante disso, é preciso criar novas estratégias que
satisfaçam às necessidades do nosso tempo, o valor da vocação cristã e dos
diferentes carismas para a evangelização da sociedade e também dialogar com
todos aqueles que desejam, sinceramente, o bem do povo e da humanidade. Um
sinal de esperança é o fato de que, hoje, as religiões e culturas expressam
abertura ao diálogo e a urgência de unir seus esforços para promover a justiça,
a fraternidade, a paz e o crescimento da pessoa humana.
O
Direito Canônico, can. 215, acentua que os fiéis têm o direito de estabelecer e
dirigir livremente associações que visam à caridade ou à piedade, ou
associações que propõem o aumento da vocação cristã no mundo. Têm o direito de
realizar reuniões para a concretização comum de tais propósitos. Porque, por
meio do batismo, a pessoa é incorporada na Igreja de Cristo, com os deveres e
os direitos que lhes são próprios, em comunhão com a Igreja.
O Concílio Vaticano
II destacou, de maneira particularmente clara, a “igualdade entre todos quanto
à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação
do corpo de Cristo”, em virtude do sacramento do batismo (LG, n. 32). O
princípio da igualdade implica que existem alguns direitos e deveres
fundamentais comuns a todos os fiéis, que foram enunciados no cânon 208-223. No
entanto, o reconhecimento do direito de associação dos batizados foi o
resultado de um desenvolvimento gradual, no qual o Concílio Vaticano II foi de
fundamental importância, e que só culminou com a completa formalização desse
direito dos fiéis, na entrada em vigor do Código de Direito Canônico. Pois, o
batismo lhes dá a dignidade de um lar espiritual e de um sacerdócio sagrado. Em
virtude do sacerdócio comum dos fiéis, eles podem, em união com Cristo e à
Igreja, viver uma vida extraordinária, cheia de graça, mesmo em suas
circunstâncias mais comuns. Esta é a vida sacramental. Os membros de uma
associação ou movimento se esforçam para viver essa vida mais intensamente e de
maneira coordenada.
A fonte do apostolado
A
fonte de todo apostolado é o amor de Deus, que, em Jesus Cristo, Apóstolo do
Pai, impulsiona as pessoas a viverem em perfeita união e a expressarem na vida
tudo quanto receberam por meio da fé. O desejo de Deus está escrito no coração
do ser humano. Deus não cessa de atraí-lo a si, e, somente em Deus, a pessoa
humana encontra a verdade e a felicidade que não cessa de procurar. O ser
humano é chamado a viver em comunhão com Deus. O homem existe porque Deus o
criou por amor e, por isso, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive
plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar
ao seu Criador.
A
União do Apostolado Católico, uma associação de fiéis, é dom do Espírito Santo,
e vive em comunhão, segundo o carisma de São Vicente Pallotti, a serviço da
Igreja e do mundo[13].
Esse chamado é um dom gratuito do Pai que, no seu amor infinito e
misericordioso, chama as pessoas a seguirem seu Filho, Jesus Cristo, Apóstolo
do Eterno Pai, para continuar, no mundo, a Sua Missão salvífica. Como o Pai
mandou o Seu Filho ao mundo, assim também os membros da União, impulsionados
pelo amor redentor de Cristo, são enviados a:
1. Reavivar
e difundir a fé evangelizando as pessoas e a sociedade em que vivem;
2. Reacender
a caridade;
3. Viver
uma profunda união com Jesus, Apóstolo do Eterno Pai, no desenvolvimento de
obras apostólicas, em comunhão com os católicos, os cristãos e as pessoas de
boa vontade;
4. Despertar,
no povo de Deus, a consciência da vocação ao apostolado[14].
São
Vicente Pallotti (1795-1850), foi o fundador da União do Apostolado Católico
(UAC), reconhecida definitivamente como uma associação pública internacional,
no dia 28/10/2008, para que os membros do Povo de Deus pudessem, unidos na
missão evangelizadora da Igreja, praticar a caridade de forma associativa. Pallotti
acreditava que as iniciativas apostólicas pessoais seriam mais eficazes se
fossem realizadas em colaboração e destinadas à tarefa comum da vida e à
difusão conjunta do Evangelho. Com efeito, a missão das UAC é de promover o
espírito associativo dos batizados e trabalhar pela justiça e pela caridade. Podemos
dizer, também, que o trabalho associativo é uma prática verdadeira do princípio
da subsidiariedade, baseado na teologia da comunhão e que dá uma sábia
descentralização do apostolado caridoso e inculturado na realidade de cada
Igreja local, de acordo com o tempo e o lugar (ver Cânon 304)[15].
Delgado
Galindo afirma que o princípio da subsidiariedade tem o seu próprio valor
dentro da organização da Igreja, se for entendido na perspectiva da promoção do
bem de todos os fiéis, obtida de diferentes maneiras, mantendo o dever de
permanecer firmemente ancorado na comunhão com a hierarquia. Aplicado às
associações de fiéis, o princípio da subsidiariedade sublinha a liberdade de
direito e autonomia desfrutada por essas organizações dentro da Igreja, para
alcançar seus objetivos, como um dos princípios constitucionais do direito
canônico. É também importante respeitar a sua legítima autonomia como agentes
da Igreja, que também se traduz no direito de organizar a sua vida associativa
com regras particulares que os membros da organização entregam a si próprios,
obviamente observando as normas do direito comum e particular. Por esta razão, o
princípio da subsidiariedade encontra um campo frutífero de aplicação nas
associações de fiéis. Reconhece aos membros das associações eclesiais o direito
de exercer todas as funções e atividades, que são capazes de exercer por si
próprios, como a elaboração dos estatutos da associação dos fiéis a que
pertencem, que devem então submeter à autoridade eclesiástica, para obter
reconhecimento ou aprovação[16].
Quem pode fazer parte da União?
Segundo
São Vicente Pallotti, todo batizado é chamado por Deus para ser apóstolo do
Reino. Para justificar isso, apresentou Maria, a Mãe de Jesus, como mulher
apostólica, fazendo muito mais que todos os apóstolos, mesmo sem receber
nenhuma ordem sacra. Ela foi sempre obediente à vontade do Pai. O seu “Sim”
transformou o mundo, gerou o Salvador que assumiu a nossa humanidade. Maria,
pela graça de Deus, tornou-se a Rainha dos Apóstolos.
O
ser humano está sempre em busca de algo maior para sua vida. Após a vinda de
Pentecostes, as pessoas perguntavam a Pedro, que, pela primeira vez, anunciava
o reino destemidamente: “E nós, o que devemos fazer”? Pedro respondia: “Convertam-se
e sejam batizadas” (At 2,37-38).
Portanto,
o batismo já nos inseriu no projeto redentor de Cristo, porém ele convida
pessoas para um trabalho específico em sua Igreja, para que sua dedicação seja
exclusiva ao serviço do Reino. Todavia, ele suscita no meio do povo pessoas com
carismas especiais, para tornar o evangelho sempre atual e, desta forma,
responder às necessidades de cada época.
No
ano de 1835, Deus inspirou Vicente Pallotti para reavivar a fé e para reacender
a caridade de muitos cristãos indiferentes. Do seu encontro pessoal com Deus e
com a necessidade de uma evangelização mais ardorosa, ele convocou todos os
batizados para testemunharem sua fé em todos os momentos e circunstâncias da
vida. Fundou a União do Apostolado Católico (UAC), para que pudesse difundir os
ideais cristãos. Fundou também a Sociedade do Apostolado Católico (SAC), padres
e irmãos. Fundou as irmãs, para que juntos pudessem coordenar os trabalhos
apostólicos, e serem um elo entre os leigos, religiosos, religiosas e o clero.
Portanto,
o cooperador palotino vive a vocação familiar, social e eclesial, de modo que
conduza todos à santidade. Desenvolvendo esse apostolado, que lhe é próprio e
peculiar, por razão do seu batismo, ele realiza a sua vocação à santidade. Mas,
o que leva uma pessoa a se consagrar ou fazer o compromisso apostólico na UAC?
Certamente, é o seu profundo desejo de corresponder ao amor que Deus tem
manifestado em sua vida, e, de maneira organizada quer colaborar de modo mais
eficaz os dons recebidos, dentro de um carisma específico.
A UAC, desde o tempo de sua fundação, vem mostrando o
seu modo próprio de ser e de agir dentro a Igreja, e, até mesmo os seus
Estatutos atuais deixam em aberto a possibilidade de todos fazerem parte, em
primeiro lugar, aos batizados, bem como aqueles que desejam cooperar com a obra
apostólica, mesmo não professando a fé católica.
Compromisso apostólico
Com
a aprovação dos Estatutos da UAC, a Igreja concedeu aos seus membros o direito
de associar-se para que, assim, cada membro, de maneira consciente da sua
missão na Igreja, pudesse viver a sua fé de modo mais estreito e associativo.
Esta seria a resposta prática para aqueles que fizeram uma caminhada de estudo
e que sentiram a necessidade de dar um passo a mais em direção à vivência do
seu batismo, não apenas como um membro que coopera com as obras do apostolado,
que também tem o seu valor, mas, assumindo de maneira consciente os trabalhos
que estão à sua disposição na paróquia. Para que pudesse ampliar os trabalhos
apostólicos e até mesmo poder dialogar com o mundo e outras realidades, a
associação de fiéis permite que se tenha uma identidade própria com um CNPJ,
podendo assim assumir direitos e deveres diante da sociedade civil, mas isso
não exclui aqueles que apenas desejarem viver o carisma palotino na realidade
em que se encontra, fazendo obras de caridade, sem nenhum vínculo formal. Essa
prática já acontecia desde o tempo do fundador.
Segundo
o Pe. Denilson Geraldo, em sua live
do dia 22/09/2021[17], ao falar da Associação
internacional de fiéis, deixou bem claro que as pastorais estão ligadas aos
párocos e as associações estão ligadas ao Bispo. Ela tem uma estrutura jurídica
com um Estatuto. O estatuto dá estabilidade apostólica no tempo, sendo
reconhecida civilmente. Com isso, ela pode dialogar com a cultura e isso
perdura no tempo e é necessário ter uma espiritualidade das necessidades reais
que as pessoas têm. Segundo ele, a caridade deve ser realizada comunitariamente
e organizada em associações, não apenas como pastoral, mas como uma associação
que tem uma autonomia jurídica e administrativa, mas, sempre em comunhão com a
Igreja, pelo reconhecimento dos estatutos feito pelo Bispo diocesano. Isso
demonstra a maturidade de um grupo de cristãos, ou seja, dando um passo além do
que se faz nas paróquias.
Pallotti
queria esse tipo de maturidade para os leigos, que eles fossem maduros na fé e
que trabalhassem com leigos que tivessem uma ousadia de criar uma associação,
de criar recursos para o apostolado e, assim, dialogar com a cultura, inseridos
na sociedade onde vivem. A UAC, felizmente, conseguiu esse patamar, de ser uma
associação pública internacional de fiéis, com suas coordenações locais,
nacionais e internacional. A finalidade do Conselho é de ajudar a coordenar os
trabalhos apostólicos. A associação, por sua vez, faz parte do direito natural.
Os colaboradores
Desde
o início da fundação, Pallotti contava com inúmeras pessoas que colaboravam com
a sua obra, os denominados colaboradores. O atual Estatuto, também dedica três
números sobre eles, a saber: 30, 53 e 57, que trata não dos membros efetivos,
mas daqueles simpáticos ao carisma, porém, sem ter feito a caminhada prevista
para o empenho apostólico. Essas pessoas se sentem muito felizes em dar a sua
colaboração, quer seja pelas orações ou, então, como benfeitoras dos
seminários, sentem alegres por cooperarem com a Missão de Cristo na União, com
o seu trabalho, sua doação ou oração. Podemos dar como exemplo as formações
mensais promovidas pelo CNCB, que agora, por causa do CNPJ pode fornecer
certificado de participação, com o reconhecimento da faculdade, quando
apresentado pelo aluno. Os universitários que participarem podem contar como
carga horaria em seus currículos. Essa é uma forma de ampliarmos o nosso modo
de evangelizar, atingindo várias camadas da sociedade.
Segundo
os Estatutos da União, quem pode participar das suas iniciativas, como
colaboradores:
1.
os cristãos (cf.
art. 53-54);
2.
os crentes de
outras religiões (cf. art. 55);
3.
outras pessoas de
boa vontade (cf. art. 56).
No
número 53 lemos: “Os fiéis católicos que, mesmo não assumindo particulares
empenhos na União, desejarem de qualquer modo partilhar do seu espírito e
participar de suas iniciativas, podem tornar-se seus colaboradores”. No número
57 encontramos: “As modalidades de todo tipo de colaboração são estabelecidas
pelo regulamento do Conselho Nacional de Coordenação (cf. art. 71i).
Sendo
assim, podemos dizer que o TODOS, no apelo de maio, continua tendo o mesmo
valor ainda hoje, porém, com o Estatuto podemos ter visibilidade como grupo
organizado e, desta forma, podemos fazer coisas ainda mais ousadas, graças ao
Estatuto e ao reconhecimento público na Igreja e na sociedade civil.
“Deus
em tudo e sempre”!
[1] Na sexta-feira, 9 de janeiro de
1835, após a Santa Missa celebrada no mosteiro Regina Coeli, Vicente Pallotti
se sentiu chamado a instituir a obra do Apostolado Católico, para alcançar os
seguintes objetivos: 1. Difundir a fé entre os não crentes; 2. Reavivar a fé
nos católicos; 3. Exercer trabalhos de caridade”, mas, em maio do mesmo ano,
ele, juntamente com os seus colaboradores, divulgou o “Apelo ao povo” (OOCC X,
pp. 196-201).
[2] Exortação Apostólica Evangelii
Gaudium, do Papa Francisco, 2013, n. 20.
[3] VATICANO
II, Mensagens, discursos, documentos,
Paulinas: São Paulo, 1998, p. 185, n. 38.
[4] LONDERO, Ângelo, Por uma formação cristã e palotina,
Biblos: Santa Maria, 2017, p. 61-68.
[5] Bento XVI, Enciclica Deus caritas est, n. 22.
[6] Idem, n. 25b.
[7] Idem, n. 18.
[8] Idem, n. 20.
[9] Idem, n. 22.
[10]
GERALDO, Denilson, La sinodalità nell’Unione dell’Apostolato
Cattolico, in Apostolato Univesale, n. 47/2018, p. 39.
[11]
Idem, p. 36.
[12] Observatório eclesial Brasil, Todos somos discípulos missionários
(Papa Francisco e o laicato), ano nacional do laicato, 2018, Paulinas: São
Paulo, p. 26.
[13] Estatuto Geral da União do Apostolado Católico (UAC), n. 1.
[14] Idem, n. 12.
[15] GERALDO, Denilson, Apostolato universale, p. 37-38
[16] Idem, p. 39.
[17] Acesso a live, dia 22/09/2021, https://www.youtube.com/watch?v=Qr-Kyd6y_J8

