sábado, 15 de outubro de 2022

 

DEUS E HOMEM EM SÃO VICENTE PALLOTTI - PARTE II


Fr. João Vitor de Paula, SAC

São Vicente Pallotti, sacerdote romano, apóstolo e místico, sempre foi incansável em sua missão junto ao clero de Roma. Reconhecendo suas limitações e pecados, buscou compreender a relação de Deus com o homem enquanto ser pecador, sendo que para responder a esse questionamento é preciso, antes de tudo, entendermos o conceito de Homo Viator que Pallotti utiliza em seus escritos.

Todo cristão é convidado a ser um peregrino que busca algo a mais, consciente de que a presença divina o impulsiona a caminhar e a testemunhar. Eis, então, um dos conceitos que Pallotti nos apresenta para o Homo Viator: “se deslocar, se descentrar dele mesmo para se centrar no essencial, ou seja, na glória de Deus e na salvação das almas”[1]. É obrigação de todo homem a cooperação com Deus para a salvação do próximo, em que esta é um dos dons mais preciosos que temos.

Outro conceito que Pallotti nos apresenta para Homo Viator é do homem que reconhece a sua própria miséria e a do próximo. Esta miséria é algo próprio do ser humano, que busca em seus vazios preencher o que lhe falta. Esta miséria é indefinível, pois a ela estão ligados os nossos pecados. Por isso, São Vicente Pallotti se abre para a novidade, buscando sempre reconhecer tais misérias e, por meio de penitências, encontrar um caminho de mudança e conversão, voltando à dignidade humana de ser imagem e semelhança de Deus.

Assim, Pallotti vai descobrindo que não é somente o homem que vai ao encontro de Deus, como um peregrino, mas que também Deus se torna esse peregrino que vai ao encontro do homem. “O homem peregrino é acompanhado pelo “Deus peregrino”. [...] deve se deixar visitar e transformar interiormente por Deus "infinitamente comunicável', que vem ao seu encontro”[2].

Destarte, podemos então na relação de Deus e o homem em São Vicente Pallotti, a partir de tal conceito de Homo Viator, quem é então Deus para o homem? Pallotti vem então responder que Deus é tudo, “Vós sois o meu bem eterno. Vós, o meu tudo[3]. Este é o primeiro conceito dado a Deus por São Vicente Pallotti que podemos encontrar, pois para Pallotti, era muito difícil nomear, conceituar Deus, com isso o santo romano atribui a Deus adjetivos como tudo, infinito, meu princípio, meu fim último, dentre outros[4].

Dentre tais adjetivos os mais aparentes nos escritos de Pallotti são Deus Amor e Misericórdia infinitos. Para São Vicente Pallotti, como já dissemos, não era fácil falar de Deus, por isso, muitas vezes utilizava-se de superlativos para referir-se a Deus, inclusive de sinais que demonstravam esta grande presença de Deus em sua vida Para o santo romano, o amor infinito de Deus é a própria misericórdia, sendo esta, o excesso de amor incompreensível[5].

Para que Pallotti escrevesse sobre o amor infinito de Deus para com ele era preciso que experimentasse de tal misericórdia, reconhecendo assim, suas limitações e dificuldades. Deste modo, revigoraria suas forças, num processo de conversão, buscando sua própria salvação e a do próximo, voltando ao conceito de Homo Viator, demonstrando o seu desejo de corresponder ao amor infinito que Deus tem para consigo.

 

Meu Deus, o Amor vos obriga a Excessos. Mas os Excessos do vosso Amor infinito para comigo é infinitamente maior do que todos os Excessos do vosso Amor que operastes e operarás para com todas as criaturas que existiram, existem e existirão... Uma coisa me consola nesse nosso excesso sempre antigo e sempre novo de todos os momentos de minha vida, e é esta: consola-me que, por toda a Eternidade, será, por esse vosso Excesso, glorificado o vosso amor infinito tão infinitamente misericordioso para comigo[6].

Pallotti enquanto sacerdote romano era muito ativo entre o clero e todo o povo de Deus, com isso não poderia ficar indiferente diante de tão grande amor de Deus para com ele. Corresponder a misericórdia divina seria a perfeita cooperação para com o próprio Deus, uma reciprocidade, correlação e correspondência. Mas assim, Pallotti se depara com o questionamento de quem é o homem diante de vós?

Quem sou eu diante de Deus, é a pergunta que Pallotti responde reconhecendo suas misérias, mesmo sendo aquelas que estão no mais oculto de seu íntimo. “Onde está o Homem do Pecado? Ei-lo: eu sou o homem do pecado[7]. Pallotti se reconhece como o homem do pecado fazendo referência a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses em que o ímpio se revelará. Com tudo, São Vicente Pallotti não deixa que tal afirmação o abale, pois confia no Deus que é Amor infinito, que age com sua misericórdia. É por isso que Pallotti vê o homem e se reconhece como o homem do pecado, pois mesmo tendo seus atributos, suas habilidades, sendo criado a imagem e semelhança de Deus, refere-se ao homem como “homem do pecado”, justamente para destacar que Deus é o Amor infinito, Ele é maior que tudo.

Mas para que o homem possa cooperar com Deus em sua misericórdia é preciso que se aproxime de d'Ele, ou seja, que o homem busque ser o próprio Deus, assim escreve Pallotti: “ó meu Deus, absorvei-me todo, e sou e serei, pela vossa misericórdia, transformado na misericórdia, aniquilado na misericórdia, transformado na misericórdia infinita [...] de modo que não existo eu, nem existirei mais, e sim vossa infinita Misericórdia”[8]. Por outro lado, Pallotti reconhece que precisa também da humildade de Jesus Cristo, humilhando-se, pois o que afasta o homem de Deus é o orgulho impedindo de conhecer verdadeiramente Deus.

Assim sendo, São Vicente Pallotti escreve o caminho que homem deve percorrer para que possas chegar ao conhecimento de Deus, sendo este o caminho do nada ao tudo. Ou seja, o homem que é o nada, reconhece suas misérias, limitações e dificuldades, mas que confia em Deus que é o tudo, o Amor infinito, a Misericórdia. “Vós, meu Deus, vós sois tudo, tudo, tudo, eu não sou nada, nada, nada”[9]. Do nada ao tudo, Pallotti acredita que pelo Amor infinito Deus pode transformar o homem concedendo a ele dons, graças e inspirações para que possa cooperar com Deus em sua própria salvação e a de seu próximo.

Podemos concluir que o “nosso único fim é a glória de Deus e a salvação das almas, o único mal é o pecado, o único bem é o paraíso, o único exemplo de vida é Jesus Cristo e o único meio para alcançar a misericórdia é a ajuda ao próximo nas necessidades espirituais e temporais”[10]. Por isso, “a regra fundamental de nossa mínima congregação é a vida de nosso Senhor Jesus Cristo, a ser imitado em todas as obras da vida pública e oculta e dos ministérios evangélicos, para a maior glória de Deus nosso Pai celeste e para a maior santificação da nossa alma e a dos nossos próximos[11]. Assim, Pallotti em seus escritos deixa claro que não é possível compreender o homem sem Deus.



[1] STAWICKI, Stanislaw. Cooperação, paixão de uma vida: vida e maneira de viver de Vicente Pallotti, Santa Maria: Biblos, 2007, p. 145.

[2] Idem, p. 149.

[3] OOCC X, 447.

[4] OOCC XI, 42.

[5] OOCC XIII, 129.

[6] OOCC X, 278.

[7] OOCC X, 700.

[8] OOCC X, 366.

[9] OOCC X, 237; 485.

[10] OOCC IV, 46.

[11] OOCC III, 40.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

 

CONHEÇA O CARISMA PALOTINO - PARTE I

Quem foi Vicente Pallotti?

Vicente Luis Francisco Pallotti nasceu dia 21 de abril de 1795, na via del Pellegrino - Roma, número 130. Foi batizado no dia seguinte, após o seu nascimento. Vicente é filho de Pietro Paolo Pallotti e de Maria Madallena de Rossi. O casal teve 10 filhos.

Vicente teve pais exemplares que o ensinaram a amar a Deus e que o conduziram a uma devoção mariana. Seu pai, Pietro, rezava todos os dias: meia hora antes de nascer o sol, após o almoço adorava o santíssimo sacramento em alguma das Igrejas de Roma, participava de celebrações eucarísticas e recitava o terço em família. A sua mãe, Maria Madallena, mulher simples, desde muito jovem, jejuava às sextas-feiras da quaresma. Enquanto Pietro ficava cuidando da mercearia, onde trabalhava, Maria educava os filhos e cuidava dos afazeres domésticos. Desde pequena, tinha devoção mariana e procurava educar os seus filhos de acordo com o exemplo da família de Nazaré.

Pallotti viveu em um período bastante conturbado politicamente, devido a ocupação napoleônica de Roma. Toda Itália era dominada por estrangeiros e Roma foi saqueada pelos franceses. A Igreja passava por um período de crise, onde algumas correntes infundiam um pensamento laico, em que colocavam o reino, revelado por Jesus Cristo, como nada mais do que uma ética natural. Falava-se de religião em um nível de piedade natural, afastando as pessoas dos sacramentos da Igreja. O movimento político instalado queria tirar o poder temporal do papa Pio VI, que estava no exílio. Com o falecimento do referido papa, elegeu-se o seu sucesso com o nome de Pio VII, para homenagear o seu antecessor.

Apesar de todas essas dificuldades na Igreja, desde muito jovem, Vicente demonstrava sinais de santidade. Aos três anos de idade, já rezava na frente de nossa Senhora, com nove anos de idade dormia piedosamente no chão e sua brincadeira preferida era construir altarzinhos de madeira. Em 1801, ele foi crismado e em 1810 recebeu a sua primeira comunhão, e com isso é concedido a ele a possibilidade de comungar todos os dias, devido ao seu bom comportamento. Aos 12 anos de idade, Vicente escolheu o padre Bernardino Fazzini, para ser seu confessor e confessava uma vez por semana.

Durante as suas férias, Vicente Pallotti ia para Frascati, na casa de sua tia, onde demonstrou mais sinais de santidade. Certa vez, ao levar comida aos camponeses, montado em um burrinho, sentiu-se mal por não ter ido a pé e pede para que um garoto o flagele. Outra vez, sua tia o vê chegando descalço, pois tinha dado os seus sapatos a um pobre. Ele também aproveitava os seus dias de descanso, em Frascati, para ensinar cantos e catequese aos filhos dos camponeses.

Nos estudos, era um menino muito esforçado, mas não conseguia aprender muita coisa, até que um dia sua mãe propõe-lhe que fizesse uma novena ao Espírito Santo. Após fazê-la, sentiu a sua mente aberta e, a partir de então, começou a tirar boas notas e ensinar os seus amiguinhos com mais dificuldades no aprendizado. Depois de estudar nas Escolas Pias, Pallotti passou a estudar no Colégio Romano, onde ganhava muitos prêmios, por causa do seu empenho e pelo bom comportamento.

No ano de 1809 a 1814, Vicente frequentou o oratório dedicado à Nossa Senhora. No oratório, os jovens participavam da catequese, missas e recitação do Ofício de Nossa Senhora. Os jovens eram chamados de filhos de Maria.

 Vicente, aos dezesseis anos de idade, demonstrou o desejo de ser padre. Ele queria entrar para a Ordem dos Capuchinhos, mas o seu diretor espiritual o aconselhou a ingressar nos padres seculares (diocesanos de Roma), pelo fato de ter uma saúde frágil, e os capuchinhos tinham uma vida muito rigorosa. Mesmo Vicente tendo entrado para os padres seculares, ele continuou gostando da ordem dos capuchinhos. Por isso, teve autorização de usar o hábito franciscano para dormir.

No dia 15 de abril de 1811, com dezesseis anos, Pallotti recebeu a tonsura, com isso se sentia mais preparado espiritualmente para exercer o trabalho que recebeu nas ordens menores – ostiariato, leitorado, exorcista e acolitato.

A santidade faz parte da vida de todo o cristão, por isso somos chamados a viver o nosso batismo de maneira exemplar e Pallotti é, para todos nós, modelo de virtude e de seguimento de Cristo.

 

sábado, 1 de outubro de 2022

A SOCIEDADE DO APOSTOLADO CATÓLICO TEM UM NOVO SUPERIOR GERAL, PE. ZENON HANAS.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014


Catarse Interior

 Aprenda um modo fácil de superar sentimentos desconfortáveis, fazendo a catarse interior.

Como você está se sentindo agora? O que lhe incomoda tanto e porque você se sente assim? Estas indagações são difíceis de serem respondidas, porque nem sempre o que sentimos pode ser resgatado pela razão humana, pois pode ser de cunho inconsciente.
O tema proposto quer ajudar o leitor a superar algumas dificuldades vivenciadas no passado de maneira muito simples, basta seguir as orientações abaixo. Esta técnica serve para aquelas pessoas que não têm fobia por água.
Para dar início à “Catarse interior”, utilize a sua imaginação e entre em algum local onde a água é corrente, e que fique até pela cintura. Pode ser uma cascata. Coloque uma das suas mãos na testa e outra na nuca e dê início ao procedimento. Entre vagarosamente dentro da água e sinta a sua correnteza se é forte ou fraca, se as quedas d’água estão longe ou perto, se a água é clara ou escura, se está quente, morna ou fria. Como são as árvores? Existem pássaros cantando? O que você vê e ouve neste local?
Encontre uma posição confortável dentro do rio. Leve consigo papéis multicoloridos e uma caneta. Estando já posicionado no riacho, sinta o seu corpo e veja que tipo de sentimento você quer jogar fora definitivamente. Pode ser uma palavra ou uma frase. Identificado o sentimento, escolha a cor do papel para escrevê-lo e assim lançá-lo nas águas em movimento. Se escolher a cor preta, escreva os sentimentos com uma caneta branca e em seguida lance nas águas correntes e fique imaginando o papel descendo até desaparecer da sua vista. Imagine o papel perdendo a sua cor original, ficando desbotado, o papel encharcado e aos poucos este vai se dissolvendo por completo e sumindo de sua visão. Qual outro sentimento limitante que você quer eliminá-lo de sua vida? Continue escrevendo no papel com a cor que vier à cabeça e solte-o novamente nas correntezas e assim, sucessivamente, até não ter mais nada para ser eliminado de sua mente. Em seguida mergulhe por completo no rio, ficando todo submerso, sentindo a correnteza passar pelo corpo, trazendo alívio e purificação. Sinta sair do seu corpo todas as memórias negativas. Saia da água vagarosamente, pisando nas pedras, e sentindo descer pelo corpo gotículas de água que deixam o corpo frio, por causa do vento, sinta a luz do sol que vai secando a água. Suba em um barranco mais alto e olhe para trás e veja o que modificou em sua vida?
Caso ainda fiquem resquícios de memórias traumáticas, repita tudo novamente até sentir alívio completo. Se mesmo assim não percebeu nenhuma mudança, procure ajuda com algum terapeuta, para desbloquear os traumas que necessitam de técnicas mais apropriadas. Se, por ventura, olhar para as águas e vê-las turvas, imagine as águas cristalinas da cascata descendo e empurrando-as cada vez mais para longe até que tudo fique transparente. Faça essa técnica quando for necessário e viva em paz.

Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC

 

 

Período Introdutório
Cornélio Procópio   Brasil

 A experiência de dez anos do Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC


A pedido do Pe. Geral, Joacob Nampudakam, quero compartilhar, com todos aqueles que fazem parte do carisma de São Vicente Pallotti, a minha experiência de dez anos frente ao Período Introdutório, na Província São Paulo Apóstolo, Brasil.
São Vicente Pallotti nos deixou um grande legado: o apostolado universal, e tudo o que  fizermos que seja para a “infinita glória de Deus”. Ao assumir como Diretor do período Introdutório, tinha plena consciência da sua importância para a Sociedade e para a Igreja e por isso confiei na providência divina para que o meu trabalho fosse para a Sua maior glória. Apesar dos limites humanos de que todos somos acometidos, agradeço a Deus pelo fato de ter formado, ao longo destes anos, oitenta e sete jovens, provenientes das várias partes do Brasil, sendo que quarenta e dois deles perseveram. Destes, seis foram ordenados sacerdotes e seis ordenados diáconos, quatorze fazem teologia e dois filosofia, todos da Província São Paulo; da província de Santa Maria cinco fazem filosofia; do Uruguai, dois na teologia; um da Bolívia que faz filosofia; três da Colômbia: um na filosofia e dois na teologia. Rio de Janeiro, um na teologia e dois na filosofia. Portanto, o total de membros que passaram pelo noviciado de toda a América do Sul e que continuam no período formativo são trinta consagrados.
Durante sete anos estive à frente do noviciado, somente, com os candidatos da Província São Paulo Apóstolo e depois em 2010, os formadores reunidos em Curitiba, juntamente com os Superiores Maiores Latino-americanos e com a presença do então Secretário Geral para a Formação, Pe. Jacob Nampudakam e o Conselheiro Geral, Pe. Gilberto Orsolin, decidiu-se fazer uma experiência comum entre as Unidades Palotinas da América do Sul. Naquele encontro foi feito um programa formativo que pudesse comtemplar todas as realidades sul-americanas. Para dar início aos trabalhos comuns, fui novamente nomeado Diretor do Período Introdutório, para que pudesse organizá-lo durante mais um mandato de três anos, juntamente com a presença do Pe. Egídio Trevisan, da Província Nossa Senhora Conquistadora, Santa Maria. Após esta data, os Superiores Maiores reunidos na Colômbia, escolheram o Pe. Elmar Neri Rubira, Diretor do Período Introdutório e o Pe. Salvador, da Província Nossa Senhora Conquistadora, Diretor Espiritual.
Por tudo isso, louvo e agradeço a Deus por ter enviado estes jovens para o serviço apostólico na Igreja, segundo o carisma de São Vicente Pallotti. Pedimos a Deus que os faça perseverante e que envie mais operários para a sua messe.
Em Cristo Apóstolo do Pai.

Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Memória Histórica de Pallotti - Casa Geral dos Palotinos - Roma

 
No segundo andar da Casa Geral da Sociedade do Apostolado Católico, em Roma, se encontram três quartos acima citados, que foram reestruturados e renovados em 2007. Quando Vicente veio morar na casa em 1846, recebeu apenas dois quartos, que usou respectivamente como uma Capela privada e uma sala para encontros.










O que hoje conhecemos como seu quarto foi de fato, no seu tempo, um corredor. Os quartos contém tantas diversos objetos que são ligadas a Pallotti, mas falaremos apenas daqueles que nos parecem mais pessoais e interessantes.

Começando com o museu de memórias (já no tempo de Pallotti, a sala do Conselho), na entrada, à direita se encontra uma vitrine que contém o hábito capuchinho usado por São Vicente por muitos anos durante seu repouso noturno, uma casula branca, o cálice e o missal e um hábito de lã preta com a faixa.





Na parede à direita, se encontra no centro o busto de gesso de São Vicente, proveniente do quarto de Leão XIII que foi doado à Sociedade após a morte do Pontífice. Ao lado pode-se ver também o Monte da perfeição concebido e preparado por Pallotti, inspirando-se naquele de São João da Cruz, no qual São Vicente destacou ainda mais o lugar central da caridade no caminho espiritual.











Uma outra vitrine contém vários objetos que pertenceram a Pallotti, incluindo o breviário, a Bíblia, o crucifixo com uma corrente que usava para pregar as santas missões, o Rosário, vários instrumentos de penitência e a casula roxa original e um crucifixo seu com o qual foi enterrado e que foi conservado após a primeira exumação para o reconhecimento canônico de 1906.


Em outro armário contém as Obras Completas (13 volumes) e as Cartas (8 volumes) de São Vicente juntamente com algumas biografias. Na parede, entre as duas janelas foi colocado um armário sobre o qual se encontra uma pequena estátua de bronze de São José, que Vicente recebeu como presente do Cardeal Luigi Lambruschini.

Uma vitrine ao lado direito contém a máscara de gesso original que foi feita de seu rosto imediatamente após a morte, o formato das mãos em gesso, a vela que foi acesa quando ele morreu e uma outra à esquerda abriga um seu caderno autógrafo de Matemática e uma caixinha com a imagem de “Nossa Senhora do Divino Amor” que ele costumava usar em seu pulso a fim de que fosse beijada em lugar de sua mão.
 






Na parede, ao lado esquerdo encontra-se vitrinas com o seu chapéu, luvas, guarda chuva, aparelho de barbear, e ainda, xícaras, pratos, sapatos, o garfo e a colher com os cabos longos pertencentes a Venerável Elisabetta Sanna.
 
Ao entrar na Capela, acima do altar original, onde São Vicente muitas vezes celebrou diariamente a Santa Missa encontra-se hoje um grande crucifixo de “cartapesta”. Acima dele, apoiado em um ângulo da parede foi colocado uma grande pintura em óleo, da Trindade sobre uma mesa (estima-se que remonta aos meados do século XIX), que representa na parte superior, Deus Pai Eterno com os braços abertos e o triângulo que simboliza a SS. Trindade, atrás da cabeça o Espírito Santo representado pela pomba e em baixo o Filho representado com a hóstia e o cálice apoiados sobre o hemisfério terrestre, todas as três pessoas divinas radiantes de luz. A forma da pintura sugere que a madeira foi originalmente a cabeceira de uma cama.
 

Também de particular interesse são as pinturas das Estações da Via Sacra que Pallotti mesmo colocou no alto, em torno das outras três paredes. Sobre a parede à direita foi colocado um quadro da imagem “Mãe do Divino Amor” que São Vicente tinha grande veneração, que foi encomendada por ele e confeccionada provavelmente pelo artista Serafino Cesaretti.

Na mesma parede, no lado oposto do altar se encontram dois quadros da crucificação que são muito sugestivos: o primeiro liga a cruz à imagem de uma prensa e a outra retrata dois mundos contrastantes: o mundo que está aberto a Cristo e aquele que se fechou a Ele; é a este último que o Cristo da Cruz dirige o seu olhar amoroso.









Sobre a pequena porta de madeira, na entrada do seu quarto, existe uma tabuinha onde está escrito que neste lugar São Vicente passou os últimos anos de sua vida, isto é, da Quaresma de 1846 até o dia da sua morte, no dia 22 de Janeiro de 1850. Está anexado também um pequeno cartão com uma lista dos diferentes lugares, ligado a um pino com uma corrente: quando Pallotti saía, tinha o hábito de colocar o pino em um buraco ao lado do nome, na lista que indicava onde ele poderia ser encontrado.
 














Nesta pequena sala confessou sacerdotes e outros homens de todas as classes sociais e de todas as profissões desde 1846. Ao entrar no quarto, encontra-se logo sobre a parede, à esquerda, as Meditações (31 pontos) de São Vicente sobre a Eucaristia para cada dia do mês e junto o relógio da Paixão (24 pontos). No lado direito do quarto se encontra uma escrivaninha proveniente da casa paterna, sobre a qual foi colocado um quadro em forma de capelinha que representa “Nossa Senhora Corredentora”. Acima, há uma grande pintura de “Nossa Senhora das Dores” - "Pietà".













Nas paredes estão pendurados vários outros quadros que pertenceram a Vicente Pallotti, incluindo os de S. Vicente de Paula, S. Francisco Xavier, o encontro entre São Francisco de Assis e São Domingos e de São Bento José Labre (chamado o mendigo de Deus) para os quais São Vicente teve grande devoção.

No lado esquerdo do quarto há um armário dividido em dois para acomodar um genuflexório e a representação do Calvário de Cristo que, segundo a tradição, foi preparado pessoalmente por Pallotti: inclui uma cruz de madeira que possui a figura de um Cristo ensanguentado, ladeado por duas cruzes de madeira (vazias) e como fundo, uma pintura da colina do Calvário. Ao lado da cruz central tem a inscrição autógrafica de Pallotti, em latim, grego e hebraico, 'Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus’ (cf. Jo 19, 19-20), sob a qual escreveu alguns propósitos a respeito de sua vida espiritual que data o ano de 1816. A base onde se apoia os joelhos está inclinada em um ângulo de modo a desencorajar o sono. Pallotti transcorria muito tempo em oração diante do Calvário realístico que o ajudou a meditar sobre os sofrimentos de Cristo.

Próximo a ele há uma biblioteca com alguns livros usados por Pallotti, incluindo a Bíblia em latim, em seis volumes. Nas paredes estão pendurados vários quadros que retratam santos venerados por ele, como São Francisco de Assis, Santo Stanislaus Kostka, etc. Dois quadros de particular importância são o de “Nossa Senhora com o Menino Jesus” chamado de “Nossa Senhora do Preciosíssimo Sangue” e o esboço a lápis, feito pelo mesmo Pallotti, do retrato de Pietro Paolo Pallotti, seu pai, desenhado pelo mesmo Pallotti com a transcrição das notas manuscritas do Santo.

Também se encontra a pequena cama de Pallotti, na qual o Santo estava deitado no momento de sua morte, com lençóis e cobertores da época. A cama é feita a partir de um cadeirão empalhado e sobre o qual é estendido o colchão de palha grossa que lhe foi imposta pelos médicos durante a sua última doença; é coberto por um lençol e um acolchoado comum do seu tempo.

Nesta cama ele passou os últimos momentos e desta cama deu a sua última bênção aos filhos espirituais: “A congregação será abençoada por Deus e prosperará; e isto vos digo não porque tenho confiança mas porque tenho certeza!” Por mais ou menos um mês após sua morte, algumas pessoas experimentaram um perfume de bálsamo no quarto, também atestado por Mons. Angelini, tenente civil do Vicariato de Roma no seu tempo.

Texto: Boletim mensal da UAC - Roma, mês de julho de 2013 e as fotos do Instituto Palloti - Roma..
 
 

 
 
 
 
 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Exercícios Espirituais - II Semana.

 
Os noviços palotinos da América do Sul fazem a II Semana dos Exercícios Espirituais.
 
 
Humildade – uma modalidade do amor


O serviço fraterno é o primeiro gesto de amor que Cristo ensinou a seus discípulos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
“Aquele que quiser ser o primeiro, que seja o servo de todos”.
 
O próprio Cristo dá testemunho de que Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos (Mt 20, 28). Podemos constatar o fruto da sua pregação na celebração de quinta-feira santa em que Ele lava os pés de seus discípulos, e, ao mesmo tempo, convidou-os para que também eles fizessem a mesma coisa (Jo 13, 14).
 

Servir o irmão não é uma tarefa fácil, precisa, antes de tudo, muita humildade e força de vontade para não servir-se dele.
São Pedro exorta a todos que querem viver o amor: “sejam humildes” (1Pd 3, 8), pois a humildade leva a pessoa a viver a abnegação cristã. Portanto, diante de um pedido de honrarias da parte de alguns discípulos que queriam sentar-se um à direita e outro à esquerda são exortados a ocuparem o último lugar (Mc 9, 35).
O modo evangélico de colocar-se diante do outro é através da humildade e das ações concretas no dia-a-dia, como a mãe que não esconde a alegria de servir o filho.
Só é possível o crescimento comunitário, na medida em que haja disposição entre as pessoas para lavarem os pés uns dos outros. São através dos pequenos gestos que cada um pode mostrar o seu profundo desejo de realizar aquilo que fora recomendado por Cristo: “amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos amaldiçoam”.
O humilde reconhece que tudo o que possui é graça. Ele tem consciência de que é Deus quem o procura e que sempre o perdoa e que está sempre pronto para começar tudo de novo.
Deus é um eterno apaixonado pela criatura humana, feita à sua imagem e semelhança. Por isso, submeteu-se às piores humilhações ao assumir a natureza humana para que o homem pudesse ter um rosto resplandecente como o Seu. Deus ama porque o Seu amor deve expandir-se, e a melhor forma de expansão se dá através do amor mútuo, no serviço gratuito, no morrer pelo outro como o fez Cristo.
 
Pe. Valdeci Antônio de Almeida, SAC

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Igreja San Salvatore in Onda - Roma (Sede dos Palotinos)


A Igreja foi construida no final do século XI e início do século XII. A Igreja é dedicada ao “SS. Salvador” ao qual se acrescenta o nome “in onda”, provavelmente devido às frequentes inundações do Tibre.
A primeira menção histórica da Igreja é atestada em uma “bolla” do Papa Honório II de 1127. Originalmente tinha a forma de uma basílica com três naves. Inocêncio VII (1404 - 1406) concedeu aos monges de S. Paulo eremita que permaneceram até 1445. Por concessão de Eugênio IV (1431-1447), a Igreja com a casa vizinha passou para os Frades Menores Conventuais provenientes de “Santa Maria in Ara Coeli”, que estabeleceram a sede dos procuradores gerais. No dia 14 de Agosto de 1844, Gregório XVI (1831-1846) cedeu a Igreja de “SS. Salvatore in Onda” com a casa ao lado para Vicente Pallotti, sacerdote romano e para a comunidade de sacerdotes e irmãos do Apostolado Católico por ele fundada. Desde aquele tempo prestam serviço, os membros da Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos). Em 1845 ele promoveu trabalhos de renovação e em 1846 se transferiu ali junto com a comunidade por ele fundada. Pio IX (1846-1878) com “o breve” de 1847 confirmou a concessão da Igreja para a Sociedade do Apostolado Católico.
Em 1867 iniciaram as restaurações da Igreja com os trabalhos da família Cassetta, sob a direção do arquiteto Luca Carimini. Eles elevaram o nível do piso térreo, conferindo à igreja o atual aspecto. No dia 06 de Agosto de 1878, a Igreja foi reaberta ao culto com a celebração da Santa Missa presidida pelo Mons. Francesco di Paola Cassetta. Os trabalhos mais recentes de restauração datam 1984.
A Igreja possui três naves, divididas por 12 colunas, uma diferente da outra, como também os capitéis. O teto tem o formato de caixa em madeira com diversas cores (século XIX). É iluminada por dez janelas com cristais multicoloridos e uma janela semicircular sobre a fachada com vista para o coro, equipada com um órgão. As estações da Via Sacra são de Domenico Cassarotti. No fundo da Igreja estão dois confessionários feitos a pedido de São Vicente Pallotti.
No fundo da nave central está o altar maior, embaixo do qual está a preciosa urna do escultor Arnaldo Brandizzi que conserva o corpo incorrupto de São Vicente Pallotti, com as vestes sacerdotais, com o rosto e as mãos de prata. No ápice, podemos ver o belíssimo cenário da Transfiguração pintado por Filippo Prosperi. No centro encontra-se a bela imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus e aos lados, os afrescos dos apóstolos Pedro e Paulo e acima deles, em dois pequenos circulos, os Santos João Nepomuceno e Felipe Neri.
No início da nave lateral, à direita está a estátua de “terracota” de Nossa Senhora das Dores, colocada por São Vicente Pallotti. Continuando pela navada se vê a estátua de Santo Antônio e uma grande placa de mármore que contém informações históricas sobre a Igreja. Depois disso chega-se à capela da B.V.M. “Virgo Potens”, construída durante a última restauração da Igreja. Sobre o altar em mármore está a imagem de Maria “Virgo Potens” em tela, doado pela ven. Elisabetta Sanna, uma das primeiras colaboradoras da União do Apostolado Católico. No chão se encontra o túmulo da ven. Elisabetta que morreu em Roma em 1857 e que está em processo de beatificação. As paredes são decoradas com pinturas de Cesare Mariani: “Judite e Olofernes”, “A Imaculada Conceição”, “A Anunciação” (todos os três de 1875), “Ester e Assuero” (1876). No final da nave à direita encontra-se o altar de mármore dedicado a São José e os santos mártires Cosme e Damião. O quadro pintado em tela foi feito por Alessandro Massimiliano Seitz (1811-1888).
Percorrendo a neve à esquerda, vemos a estátua de Jesus de Nazaré em gesso; a estátua do Menino Jesus em “cartapesta” que pertencia a Vicente Pallotti e que ele dava aos fiéis para beijar durante o Oitavário da Epifania; a placa comemorativa que lembra o lugar onde em 1850-1950 foi conservado o corpo de São Vicente Pallotti; uma cópia do quadro de Maria, Rainha dos Apóstolos pintado por Serafino Cesaretti conforme o desenho de Johann Friedrich Overbeck; a placa em memória da visita do Papa João Paulo II na Igreja “SS. Salvatore in Onda” no dia 22 de Junho de 1986 e no fundo, o altar de Santo Alessio em mármore, em alto relevo, colocado a pedido de São Vicente Pallotti.
 
Tirado do Boletim mensal da União do Apostolado Católico - Roma.