Na certeza de que com Deus tudo posso, criei este BLOG para que você conheça o pensamento e o carisma de S. vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC). Ele foi um dos primeiros, na Igreja, a dizer que todos os batizados são apóstolos de Jesus Cristo. Por isso, você também é convidado a viver intensamente a sua fé, fazendo muitas coisas na Igreja, conforme o seu estado de vida, para que o Cristo seja mais amado e seguido. O seu testemunho de fé é muito importante.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Catarse Interior
Como você está se sentindo agora? O que lhe incomoda
tanto e porque você se sente assim? Estas indagações são difíceis de serem
respondidas, porque nem sempre o que sentimos pode ser resgatado pela razão
humana, pois pode ser de cunho inconsciente.
O tema proposto quer ajudar o leitor a superar
algumas dificuldades vivenciadas no passado de maneira muito simples, basta
seguir as orientações abaixo. Esta técnica serve para aquelas pessoas que não
têm fobia por água.
Para dar início à “Catarse interior”, utilize a sua
imaginação e entre em algum local onde a água é corrente, e que fique até pela
cintura. Pode ser uma cascata. Coloque uma das suas mãos na testa e outra na
nuca e dê início ao procedimento. Entre vagarosamente dentro da água e sinta a
sua correnteza se é forte ou fraca, se as quedas d’água estão longe ou perto,
se a água é clara ou escura, se está quente, morna ou fria. Como são as
árvores? Existem pássaros cantando? O que você vê e ouve neste local?
Encontre uma posição confortável dentro do rio. Leve
consigo papéis multicoloridos e uma caneta. Estando já posicionado no riacho,
sinta o seu corpo e veja que tipo de sentimento você quer jogar fora
definitivamente. Pode ser uma palavra ou uma frase. Identificado o sentimento,
escolha a cor do papel para escrevê-lo e assim lançá-lo nas águas em movimento.
Se escolher a cor preta, escreva os sentimentos com uma caneta branca e em
seguida lance nas águas correntes e fique imaginando o papel descendo até
desaparecer da sua vista. Imagine o papel perdendo a sua cor original, ficando
desbotado, o papel encharcado e aos poucos este vai se dissolvendo por completo
e sumindo de sua visão. Qual outro sentimento limitante que você quer
eliminá-lo de sua vida? Continue escrevendo no papel com a cor que vier à
cabeça e solte-o novamente nas correntezas e assim, sucessivamente, até não ter
mais nada para ser eliminado de sua mente. Em seguida mergulhe por completo no
rio, ficando todo submerso, sentindo a correnteza passar pelo corpo, trazendo
alívio e purificação. Sinta sair do seu corpo todas as memórias negativas. Saia
da água vagarosamente, pisando nas pedras, e sentindo descer pelo corpo
gotículas de água que deixam o corpo frio, por causa do vento, sinta a luz do
sol que vai secando a água. Suba em um barranco mais alto e olhe para trás e
veja o que modificou em sua vida?
Caso ainda fiquem resquícios de memórias
traumáticas, repita tudo novamente até sentir alívio completo. Se mesmo assim
não percebeu nenhuma mudança, procure ajuda com algum terapeuta, para
desbloquear os traumas que necessitam de técnicas mais apropriadas. Se, por
ventura, olhar para as águas e vê-las turvas, imagine as águas cristalinas da
cascata descendo e empurrando-as cada vez mais para longe até que tudo fique transparente.
Faça essa técnica quando for necessário e viva em paz.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
Período Introdutório
Cornélio
Procópio – Brasil
A pedido do Pe. Geral, Joacob Nampudakam, quero compartilhar, com todos aqueles que fazem parte do carisma de São Vicente Pallotti, a minha experiência de dez anos frente ao Período Introdutório, na Província São Paulo Apóstolo, Brasil.
São Vicente Pallotti
nos deixou um grande legado: o apostolado universal, e tudo o que fizermos que seja para a “infinita glória de
Deus”. Ao assumir como Diretor do período Introdutório, tinha plena consciência
da sua importância para a Sociedade e para a Igreja e por isso confiei na
providência divina para que o meu trabalho fosse para a Sua maior glória. Apesar
dos limites humanos de que todos somos acometidos, agradeço a Deus pelo fato de
ter formado, ao longo destes anos, oitenta e sete jovens, provenientes das várias
partes do Brasil, sendo que quarenta e dois deles perseveram. Destes, seis
foram ordenados sacerdotes e seis ordenados diáconos, quatorze fazem teologia e
dois filosofia, todos da Província São Paulo; da província de Santa Maria cinco
fazem filosofia; do Uruguai, dois na teologia; um da Bolívia que faz filosofia;
três da Colômbia: um na filosofia e dois na teologia. Rio de Janeiro, um na
teologia e dois na filosofia. Portanto, o total de membros que passaram pelo
noviciado de toda a América do Sul e que continuam no período formativo são trinta
consagrados.
Durante sete anos
estive à frente do noviciado, somente, com os candidatos da Província São Paulo
Apóstolo e depois em 2010, os formadores reunidos em Curitiba, juntamente com
os Superiores Maiores Latino-americanos e com a presença do então Secretário
Geral para a Formação, Pe. Jacob Nampudakam e o Conselheiro Geral, Pe. Gilberto
Orsolin, decidiu-se fazer uma experiência comum entre as Unidades Palotinas da
América do Sul. Naquele encontro foi feito um programa formativo que pudesse
comtemplar todas as realidades sul-americanas. Para dar início aos trabalhos
comuns, fui novamente nomeado Diretor do Período Introdutório, para que pudesse
organizá-lo durante mais um mandato de três anos, juntamente com a presença do
Pe. Egídio Trevisan, da Província Nossa Senhora Conquistadora, Santa Maria.
Após esta data, os Superiores Maiores reunidos na Colômbia, escolheram o Pe.
Elmar Neri Rubira, Diretor do Período Introdutório e o Pe. Salvador, da
Província Nossa Senhora Conquistadora, Diretor Espiritual.
Por tudo isso, louvo e
agradeço a Deus por ter enviado estes jovens para o serviço apostólico na
Igreja, segundo o carisma de São Vicente Pallotti. Pedimos a Deus que os faça
perseverante e que envie mais operários para a sua messe.
Em Cristo Apóstolo do
Pai.
Pe. Valdeci Antonio de
Almeida, SAC
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Memória Histórica de Pallotti - Casa Geral dos Palotinos - Roma
No segundo andar da Casa Geral da Sociedade do
Apostolado Católico, em Roma, se encontram três quartos acima citados, que foram reestruturados e
renovados em 2007. Quando Vicente veio morar na casa em 1846, recebeu apenas
dois quartos, que usou respectivamente como uma Capela privada e uma sala para
encontros.

O que hoje conhecemos como seu quarto foi de fato, no seu tempo, um corredor. Os quartos contém tantas diversos objetos que são ligadas a Pallotti, mas falaremos apenas daqueles que nos parecem mais pessoais e interessantes.
Começando com o museu de memórias (já no tempo de Pallotti, a sala do Conselho),
na entrada, à direita se encontra uma vitrine que contém o hábito capuchinho
usado por São Vicente por muitos anos durante seu repouso noturno, uma casula
branca, o cálice e o missal e um hábito de lã preta com a faixa. Na parede à direita, se encontra no centro o busto de gesso de São Vicente, proveniente do quarto de Leão XIII que foi doado à Sociedade após a morte do Pontífice. Ao lado pode-se ver também o Monte da perfeição concebido e preparado por Pallotti, inspirando-se naquele de São João da Cruz, no qual São Vicente destacou ainda mais o lugar central da caridade no caminho espiritual.

Uma outra vitrine contém vários objetos que pertenceram a Pallotti, incluindo o breviário, a Bíblia, o crucifixo com uma corrente que usava para pregar as santas missões, o Rosário, vários instrumentos de penitência e a casula roxa original e um crucifixo seu com o qual foi enterrado e que foi conservado após a primeira exumação para o reconhecimento canônico de 1906.
Em outro armário contém as Obras Completas (13 volumes) e as Cartas (8 volumes) de São Vicente juntamente com algumas biografias. Na parede, entre as duas janelas foi colocado um armário sobre o qual se encontra uma pequena estátua de bronze de São José, que Vicente recebeu como presente do Cardeal Luigi Lambruschini.
Uma vitrine ao lado direito contém a máscara de gesso original que foi feita de seu rosto imediatamente após a morte, o formato das mãos em gesso, a vela que foi acesa quando ele morreu e uma outra à esquerda abriga um seu caderno autógrafo de Matemática e uma caixinha com a imagem de “Nossa Senhora do Divino Amor” que ele costumava usar em seu pulso a fim de que fosse beijada em lugar de sua mão.
Na parede, ao lado esquerdo encontra-se vitrinas com o seu chapéu, luvas, guarda chuva, aparelho de barbear, e ainda, xícaras, pratos, sapatos, o garfo e a colher com os cabos longos pertencentes a Venerável Elisabetta Sanna.
Ao entrar na Capela, acima do altar original, onde
São Vicente muitas vezes celebrou diariamente a Santa Missa encontra-se hoje um
grande crucifixo de “cartapesta”. Acima dele, apoiado em um ângulo da parede
foi colocado uma grande pintura em óleo, da Trindade sobre uma mesa (estima-se
que remonta aos meados do século XIX), que representa na parte superior, Deus
Pai Eterno com os braços abertos e o triângulo que simboliza a SS. Trindade,
atrás da cabeça o Espírito Santo representado pela pomba e em baixo o Filho
representado com a hóstia e o cálice apoiados sobre o hemisfério terrestre,
todas as três pessoas divinas radiantes de luz. A forma da pintura sugere que a
madeira foi originalmente a cabeceira de uma cama.
Também de particular interesse são as pinturas das Estações da Via Sacra que Pallotti mesmo colocou no alto, em torno das outras três paredes. Sobre a parede à direita foi colocado um quadro da imagem “Mãe do Divino Amor” que São Vicente tinha grande veneração, que foi encomendada por ele e confeccionada provavelmente pelo artista Serafino Cesaretti.
Na mesma parede, no lado oposto do altar se encontram dois quadros da crucificação que são muito sugestivos: o primeiro liga a cruz à imagem de uma prensa e a outra retrata dois mundos contrastantes: o mundo que está aberto a Cristo e aquele que se fechou a Ele; é a este último que o Cristo da Cruz dirige o seu olhar amoroso.


Sobre a pequena porta de madeira, na entrada do seu quarto, existe uma tabuinha onde está escrito que neste lugar São Vicente passou os últimos anos de sua vida, isto é, da Quaresma de 1846 até o dia da sua morte, no dia 22 de Janeiro de 1850. Está anexado também um pequeno cartão com uma lista dos diferentes lugares, ligado a um pino com uma corrente: quando Pallotti saía, tinha o hábito de colocar o pino em um buraco ao lado do nome, na lista que indicava onde ele poderia ser encontrado.

Nesta pequena sala confessou sacerdotes e outros homens de todas as classes sociais e de todas as profissões desde 1846. Ao entrar no quarto, encontra-se logo sobre a parede, à esquerda, as Meditações (31 pontos) de São Vicente sobre a Eucaristia para cada dia do mês e junto o relógio da Paixão (24 pontos). No lado direito do quarto se encontra uma escrivaninha proveniente da casa paterna, sobre a qual foi colocado um quadro em forma de capelinha que representa “Nossa Senhora Corredentora”. Acima, há uma grande pintura de “Nossa Senhora das Dores” - "Pietà".

Nas paredes estão pendurados vários outros quadros que pertenceram a Vicente Pallotti, incluindo os de S. Vicente de Paula, S. Francisco Xavier, o encontro entre São Francisco de Assis e São Domingos e de São Bento José Labre (chamado o mendigo de Deus) para os quais São Vicente teve grande devoção.
No lado esquerdo do quarto há um armário dividido em dois para acomodar um genuflexório e a representação do Calvário de Cristo que, segundo a tradição, foi preparado pessoalmente por Pallotti: inclui uma cruz de madeira que possui a figura de um Cristo ensanguentado, ladeado por duas cruzes de madeira (vazias) e como fundo, uma pintura da colina do Calvário. Ao lado da cruz central tem a inscrição autógrafica de Pallotti, em latim, grego e hebraico, 'Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus’ (cf. Jo 19, 19-20), sob a qual escreveu alguns propósitos a respeito de sua vida espiritual que data o ano de 1816. A base onde se apoia os joelhos está inclinada em um ângulo de modo a desencorajar o sono. Pallotti transcorria muito tempo em oração diante do Calvário realístico que o ajudou a meditar sobre os sofrimentos de Cristo.
Próximo a ele há uma biblioteca com alguns livros usados por Pallotti, incluindo a Bíblia em latim, em seis volumes. Nas paredes estão pendurados vários quadros que retratam santos venerados por ele, como São Francisco de Assis, Santo Stanislaus Kostka, etc. Dois quadros de particular importância são o de “Nossa Senhora com o Menino Jesus” chamado de “Nossa Senhora do Preciosíssimo Sangue” e o esboço a lápis, feito pelo mesmo Pallotti, do retrato de Pietro Paolo Pallotti, seu pai, desenhado pelo mesmo Pallotti com a transcrição das notas manuscritas do Santo.
Também se encontra a pequena cama de Pallotti, na qual o Santo estava deitado no momento de sua morte, com lençóis e cobertores da época. A cama é feita a partir de um cadeirão empalhado e sobre o qual é estendido o colchão de palha grossa que lhe foi imposta pelos médicos durante a sua última doença; é coberto por um lençol e um acolchoado comum do seu tempo.
Nesta cama ele passou os últimos momentos e desta cama deu a sua última bênção aos filhos espirituais: “A congregação será abençoada por Deus e prosperará; e isto vos digo não porque tenho confiança mas porque tenho certeza!” Por mais ou menos um mês após sua morte, algumas pessoas experimentaram um perfume de bálsamo no quarto, também atestado por Mons. Angelini, tenente civil do Vicariato de Roma no seu tempo.
Texto: Boletim mensal da UAC - Roma, mês de julho de 2013 e as fotos do Instituto Palloti - Roma..
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Exercícios Espirituais - II Semana.
Os noviços palotinos da América do Sul fazem a II Semana dos Exercícios Espirituais.
Humildade – uma modalidade do amor
O serviço fraterno é o primeiro gesto de amor que Cristo ensinou a seus discípulos: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
“Aquele que
quiser ser o primeiro, que seja o servo de todos”.
O próprio Cristo dá testemunho de que Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a
vida em resgate de muitos (Mt 20, 28). Podemos constatar o fruto da sua
pregação na celebração de quinta-feira santa em que Ele lava os pés de seus
discípulos, e, ao mesmo tempo, convidou-os para que também eles fizessem a
mesma coisa (Jo 13, 14).
Servir o irmão
não é uma tarefa fácil, precisa, antes de tudo, muita humildade e força de
vontade para não servir-se dele.
São Pedro exorta
a todos que querem viver o amor: “sejam humildes” (1Pd 3, 8), pois a humildade
leva a pessoa a viver a abnegação cristã. Portanto, diante de um pedido de
honrarias da parte de alguns discípulos que queriam sentar-se um à direita e
outro à esquerda são exortados a ocuparem o último lugar (Mc 9, 35).
O modo
evangélico de colocar-se diante do outro é através da humildade e das ações
concretas no dia-a-dia, como a mãe que não esconde a alegria de servir o filho.
Só é possível o
crescimento comunitário, na medida em que haja disposição entre as pessoas para
lavarem os pés uns dos outros. São através dos pequenos gestos que cada um pode
mostrar o seu profundo desejo de realizar aquilo que fora recomendado por
Cristo: “amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos amaldiçoam”.
O humilde
reconhece que tudo o que possui é graça. Ele tem consciência de que é Deus quem
o procura e que sempre o perdoa e que está sempre pronto para começar tudo de
novo.
Deus é um eterno
apaixonado pela criatura humana, feita à sua imagem e semelhança. Por isso,
submeteu-se às piores humilhações ao assumir a natureza humana para que o homem
pudesse ter um rosto resplandecente como o Seu. Deus ama porque o Seu amor deve
expandir-se, e a melhor forma de expansão se dá através do amor mútuo, no
serviço gratuito, no morrer pelo outro como o fez Cristo.
Pe. Valdeci Antônio de Almeida, SAC
terça-feira, 4 de junho de 2013
A Igreja San Salvatore in Onda - Roma (Sede dos Palotinos)
A Igreja foi construida no final do século XI e início do século XII. A Igreja é dedicada ao “SS. Salvador” ao qual se acrescenta o nome “in onda”, provavelmente devido às frequentes inundações do Tibre.
A primeira menção histórica da Igreja é atestada em uma “bolla” do Papa Honório II de 1127. Originalmente tinha a forma de uma basílica com três naves. Inocêncio VII (1404 - 1406) concedeu aos monges de S. Paulo eremita que permaneceram até 1445. Por concessão de Eugênio IV (1431-1447), a Igreja com a casa vizinha passou para os Frades Menores Conventuais provenientes de “Santa Maria in Ara Coeli”, que estabeleceram a sede dos procuradores gerais. No dia 14 de Agosto de 1844, Gregório XVI (1831-1846) cedeu a Igreja de “SS. Salvatore in Onda” com a casa ao lado para Vicente Pallotti, sacerdote romano e para a comunidade de sacerdotes e irmãos do Apostolado Católico por ele fundada. Desde aquele tempo prestam serviço, os membros da Sociedade do Apostolado Católico (Palotinos). Em 1845 ele promoveu trabalhos de renovação e em 1846 se transferiu ali junto com a comunidade por ele fundada. Pio IX (1846-1878) com “o breve” de 1847 confirmou a concessão da Igreja para a Sociedade do Apostolado Católico.
Em 1867 iniciaram as restaurações da Igreja com os trabalhos da família Cassetta, sob a direção do arquiteto Luca Carimini. Eles elevaram o nível do piso térreo, conferindo à igreja o atual aspecto. No dia 06 de Agosto de 1878, a Igreja foi reaberta ao culto com a celebração da Santa Missa presidida pelo Mons. Francesco di Paola Cassetta. Os trabalhos mais recentes de restauração datam 1984.
A Igreja possui três naves, divididas por 12 colunas, uma diferente da outra, como também os capitéis. O teto tem o formato de caixa em madeira com diversas cores (século XIX). É iluminada por dez janelas com cristais multicoloridos e uma janela semicircular sobre a fachada com vista para o coro, equipada com um órgão. As estações da Via Sacra são de Domenico Cassarotti. No fundo da Igreja estão dois confessionários feitos a pedido de São Vicente Pallotti.
No fundo da nave central está o altar maior, embaixo do qual está a preciosa urna do escultor Arnaldo Brandizzi que conserva o corpo incorrupto de São Vicente Pallotti, com as vestes sacerdotais, com o rosto e as mãos de prata. No ápice, podemos ver o belíssimo cenário da Transfiguração pintado por Filippo Prosperi. No centro encontra-se a bela imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus e aos lados, os afrescos dos apóstolos Pedro e Paulo e acima deles, em dois pequenos circulos, os Santos João Nepomuceno e Felipe Neri.
No início da nave lateral, à direita está a estátua de “terracota” de Nossa Senhora das Dores, colocada por São Vicente Pallotti. Continuando pela navada se vê a estátua de Santo Antônio e uma grande placa de mármore que contém informações históricas sobre a Igreja. Depois disso chega-se à capela da B.V.M. “Virgo Potens”, construída durante a última restauração da Igreja. Sobre o altar em mármore está a imagem de Maria “Virgo Potens” em tela, doado pela ven. Elisabetta Sanna, uma das primeiras colaboradoras da União do Apostolado Católico. No chão se encontra o túmulo da ven. Elisabetta que morreu em Roma em 1857 e que está em processo de beatificação. As paredes são decoradas com pinturas de Cesare Mariani: “Judite e Olofernes”, “A Imaculada Conceição”, “A Anunciação” (todos os três de 1875), “Ester e Assuero” (1876). No final da nave à direita encontra-se o altar de mármore dedicado a São José e os santos mártires Cosme e Damião. O quadro pintado em tela foi feito por Alessandro Massimiliano Seitz (1811-1888).
Percorrendo a neve à esquerda, vemos a estátua de Jesus de Nazaré em gesso; a estátua do Menino Jesus em “cartapesta” que pertencia a Vicente Pallotti e que ele dava aos fiéis para beijar durante o Oitavário da Epifania; a placa comemorativa que lembra o lugar onde em 1850-1950 foi conservado o corpo de São Vicente Pallotti; uma cópia do quadro de Maria, Rainha dos Apóstolos pintado por Serafino Cesaretti conforme o desenho de Johann Friedrich Overbeck; a placa em memória da visita do Papa João Paulo II na Igreja “SS. Salvatore in Onda” no dia 22 de Junho de 1986 e no fundo, o altar de Santo Alessio em mármore, em alto relevo, colocado a pedido de São Vicente Pallotti.
Tirado do Boletim mensal da União do Apostolado Católico - Roma.
O desafio da fé
Este texto foi publicado na Revista Rainha dos Apóstolos de Porto Alegre, mês de junho de 2013.
“Quem nos
separará do amor de Cristo”? Esta frase de São Paulo deve, ainda hoje, ecoar
dentro de nós, para que possamos responder a Deus o verdadeiro motivo pelo qual
acreditamos nele e o seguimos.
Muitos se
perguntam, porque crer em Deus? Ainda existe a necessidade de seguir uma
religião, porque sem Deus e longe da Igreja evita-se criar vínculos com alguém
que pode interferir na minha liberdade. Em nome da liberdade, muitos se bastam
a si mesmos e a consequência de tudo isso é o agravamento de uma pobreza
espiritual. Segundo o Papa Francisco, esse tipo de pensar coloca em risco a
convivência entre as pessoas, pois “não pode haver paz verdadeira se cada um é
a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e somente o direito
próprio, sem se importar ao mesmo tempo pelo bem dos outros, de todos,
começando pela natureza que é comum a todos os seres humanos sobre esta terra”,
pois a religião cria espaços reais de autêntica fraternidade. Não se podem
viver verdadeiros laços com Deus, ignorando os outros.
A religião,
normalmente, cria pessoas capazes de enfrentar qualquer desafio com a força da
fé. O homem, quando se encontra com Deus, torna-se um perigo para um sistema
injusto, pois ele passa a amar mais e a condenar as injustiças. Afastando-se de
Deus ele pode ficar hostil consigo mesmo e com os outros, porque o individual
acaba sufocando a alteridade. Quando a presença de Deus é ofuscada, a figura
humana começa a ocupar o seu lugar e tudo passa a ser permitido, ocorre a
desumanização. O outro passa a ser visto apenas como objeto a ser desfrutado
segundo interesses pessoais ou de grupos.
Portanto, qual
é a razão de nossa fé? Por que acreditamos em Deus? Muitas pessoas ainda não
creem, porque estão confusas diante das propostas oferecidas pelo mundo secular.
Pois, para crer, é preciso que antes se faça uma profunda experiência de quem é
Deus em nossa vida. Mas, meditando a Palavra se pode encontrar a razão do
por que cremos.
No tempo
dos apóstolos, após a ressurreição de Cristo e com a pregação de Pedro, muitos
se perguntavam: “E nós, o que devemos fazer?" Pedro Respondia: "convertei-vos e
creiam no Evangelho”. Acreditamos, porque Cristo nos revelou o amor do Pai a
todos nós. Os nossos antepassados experimentaram Deus, na pessoa de Jesus, de
maneira muito próxima. Por meio da palavra e do testemunho de vida de Jesus.
Somente aqueles que estavam fechados às antigas leis e tradições não
conseguiram enxergar nele o enviado do Pai. Talvez, o medo de perder
privilégios levou-os a apegarem-se às coisas antigas e fecharem-se para os
novos tempos e a novas realidades, porque Deus é dinâmico, Ele sempre se
apresenta de maneira nova e fascinante. Somente quem é livre interiormente
reconhece Deus com mais facilidade e sem preconceito. Que o Evangelho de Jesus
seja sua inspiração para viver bem sua vida, levando amor, alegria, paz e
esperança por onde passar.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
sábado, 20 de abril de 2013
Em busca da felicidade
Publicado na Revista Rainha dos Apóstolos, ano 90, maio de 2013.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
Todos
temos um desejo na vida. Muitos desejam enriquecer, ter um bom emprego, ter
sucesso, outros querem ter um corpo ideal e para isso procuram malhar e malhar,
até a exaustão para atingir o seu intento. Tudo isso com o intuito de ser feliz
e de poder ficar bem consigo mesmo. Aliás, ser feliz é o desejo de todos, mas
nem todos conseguem descobrir onde realmente está ou pode encontrar a
felicidade. Antes de tudo a felicidade é um trabalho interior.
Esta
busca frenética pela felicidade, sem levar em conta certos princípios, está deixando
a sociedade cada vez mais vazia, tanto que, no Brasil, o índice de suicídios
cresceu de 1980 a 2000 (1.900%), segundo a “Folha de São Paulo”. E perguntamos,
por quê?
Para
mim, não são as coisas físicas ou materiais que enobrecem o ser humano, mas as
coisas espirituais, até porque tudo neste mundo passa. Aquilo que é material
tem validade, inclusive nossa vida. Ninguém conseguirá manter-se jovem e com os
mesmos padrões de beleza até o seu último dia de vida. O nosso corpo está em
contínuo movimento, mas aquilo que externamente não parece ser mais tão belo,
internamente, quando se cultivam bons princípios, inclusive espirituais, jamais
envelhece e adquire uma outra beleza, a sabedoria e a harmonia interior, pois a
beleza se constrói a partir de dentro. Assim afirma o salmista: “Só em Deus a
minha alma encontra repouso” (Sl 62,2-3).
Quem
encontrou o sentido para vida, a partir de Deus, torna-se como uma árvore à
beira do riacho, está sempre viçosa, porque está diante da fonte da vida.
Talvez o que entedia tanta gente, apesar de procurar realizar seus sonhos a
qualquer preço, é o fato de usufruir apenas das coisas da terra, sem regar com
as coisas do céu.
Portanto,
criar um estilo de vida “light”, sem compromisso, é caminhar em direção a um
abismo. A sociedade moderna vive sob os pilares da plena liberdade. A pessoa é
livre para fazer quase tudo e não tem medo de reivindicar seus direitos, por
isso vemos tantas marchas de pessoas que querem impor o seu estilo de vida e
modo de ser, e se alguém disser o contrário sofre duras críticas, porque cada
um deve viver, ao extremo, a sua liberdade, mesmo que fira a do outro. Diante
desse comportamento, encontramos pessoas cada vez mais infelizes e se
distanciando da verdadeira missão pela qual estamos aqui nesse mundo, para sermos
felizes, mas em sintonia com aquele que nos criou. Fora isso, teremos apenas
discursos e pessoas mendigando por felicidade em coisas transitórias. Tudo isso
gera uma espiral de insatisfação e, a cada dia, buscam por novidades que
preencham seu ser, porque sem elas seria insuportável viver, ao passo que
aquele que descobriu a verdadeira beleza que brota do coração, do amor de Deus,
atravessa tormentas e desafios, em paz e com um largo sorriso no rosto, porque
nele é expresso o amor de Deus.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
terça-feira, 2 de abril de 2013
IGREJA ESPÍRITO SANTO DOS NAPOLITANOS
Vicente Pallotti recebeu a
missão de reitor da Igreja do “Espírito Santo dos Napolitanos” em Dezembro de
1835 e exerceu esse ofício até 1846. Neste lugar Pallotti viveu momentos de
alegria, mas também de sofrimento.

A origem da Igreja remonta à
primeira metade do século XIV. Temos notícias que em 1320 existia na Via Giulia a Igreja de “Sant'Aurea” e o mosteiro das Irmãs dominicanas.
Reduzida em
más condições e fechado o convento, a Igreja foi comprada em 1572 pela
Companhia dos Napolitanos que estabeleceu a sede da “Irmandade do Espírito
Santo” e decidiu construir uma nova Igreja no lugar daquela antiga. Em 1799,
durante a invasão de Roma pelos franceses, a Irmandade se dissolveu e a Igreja
passou sob o domínio do Reino de Nápoles. Com o passar do tempo se manifestou a
degradação da Igreja de modo que parecia inevitável a necessidade de fechá-la. No
tempo de Pallotti, o templo era muito pobre, negligenciado, as celebrações sem
vida e o número de fiéis era muito reduzido. As autoridades eclesiásticas propuseram
entregar a Igreja aos cuidados de Pallotti. Não foi uma Igreja paroquial e,
portanto, não tinha vínculos. Mesmo sem ser devidamente cuidada e em estado de
abandono, o Pe. Pallotti aceitou a nomeação com grande entusiasmo. O rei
Fernando II deu o consentimento e Vicente Pallotti recebeu o cargo de reitor da
Igreja em Dezembro de 1835. Temos um Documento de 20 de Janeiro de 1836 no qual
Pallotti, como reitor da Igreja, assinou um recibo por uma esmola (OOCC V, p.
771-772).
Deste lugar, Pallotti dirigiu e desenvolveu suas mais importantes iniciativas apostólicas: a celebração do primeiro Solene Oitavario da Epifania (1836); a instituição da sede da primeira comunidade do Apostolado Católico e do Colégio das Missões Exteriores (1837); a ajuda aos fiéis durante a epidemia da cólera (1837); a inauguração da Casa de Caridade de Borgo S. Agata (Junho de 1838); o Mês de Maio para o clero e a conferência semanal do clero (1839); o Oitavário pela segunda vez nesta Igreja (Janeiro de 1840); assistência ao hospital militar (1843); os exercícios espirituais aos militares (1844); a missão de Londres (1844).
Muitos esclesiásticos napolitanos não aceitaram um sacerdote romano como reitor da sua Igreja. Eles criaram grandes contrariedades e dificuldades para Pallotti que teve que deixar a casa ao lado da Igreja do “Espírito Santo” e no dia 01 de Janeiro de 1846 transferiu-se com a sua comunidade para a Igreja de “SS. Salvatore in Onda”.
Em 1852, depois da morte de
Pallotti, iniciaram-se os trabalhos de restauração da Igreja. Em 1860, Pietro
Gagliardi realizou na fachada da Igreja o afresco representando os "Anjos adorando a pomba mística",
enquanto entre 1852 e 1868 fez o afresco da "descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos". Em 1863, a Igreja
foi reaberta ao culto até o século sucessivo, mas foi novamente fechada por
quase 30 anos.
O atual aspecto da Igreja deve-se
ao trabalho árduo de Mons. Natalino Zagotto que orientou os trabalhos de
consolidação e restauração, abrindo às celebrações para o Natal de 1986. No dia
17 de Outubro de 2004, foi concedido ao Conselho Geral da Sociedade do Apostolado
Católico de colocar um busto de S. Vicente Pallotti na Igreja com uma placa de
mármore recordando a presença e as principais iniciativas apostólicas de
Pallotti: Nesta Igreja do “Espírito Santo
dos Napolitanos” / reitor de 1835 à 1846 / São Vicente Pallotti / sacerdote romano
/ fundou a União do Apostolado Católico / e o Colégio das Missões Estrangeiras
/ celebrou o primeiro Oitavário da Epifania / o Mês Mariano para os clérigos e
Leigos / animou a Conferência Espiritual do Clero / o povo romano / durante a
epidemia do cólera de 1837 / nele reconheceu / o sacerdote santo e apóstolo da
caridade.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Sexta-feira Santa
As duas bacias
A Semana Santa é a
maior de todas as semanas porque nela encerra a ação de Deus em favor do seu
povo. Deus é fiel às suas promessas e as concretiza com a morte de seu Filho na
cruz. Ele assumiu sobre si as nossas dores. Levou o projeto do Pai até as
últimas consequências, porque ele é a misericórdia por essência.
A mensagem da cruz é
uma mensagem de esperança. Mesmo com a presença do pecado no mundo, Deus aposta
no ser humano, porque sabe que ele é fruto do seu amor e que a vida só tem
sentido quando fundada nele. Muita gente busca pela verdade, mas, diante de
tantas vozes com tantas propostas, as pessoas ficam confusas. Somente quem
silencia o seu coração saberá fazer o justo julgamento e descobrirá a verdade.
Cristo não oferece nada de extraordinário que não seja o seu amor e a
recompensa da salvação, mas é preciso acreditar.
São João afirma que a
luz iluminou as trevas. Quem se deixou tocar uma vez pela luz de Cristo será
capaz de tomar decisões justas e coerentes, porque vive na verdade e a verdade
conduz à libertação. Ora, se Jesus é o caminho, a verdade e a vida, porque
então os seus contemporâneos o condenaram à morte?
Este é um caminho longo
e difícil, pois a verdade não pode ser concebida a partir da ótica humana. O
ser humano se deixa condicionar por muitas coisas e por isso tem grande chance
de equivocar-se. Deus olha o coração e não as conveniências. Ele conhece as
motivações de cada um, e perdoa porque sabe que o mal ofusca a mente e inibe as
decisões.
A cruz antes de ser o
símbolo de morte é a verdadeira escola do amor. Lá não há vingança ou rancor,
apenas amor e perdão. A expressão “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que
fazem”, abriu a mente de um pagão que não estava contaminado com as ideologias
do Templo. Ele apenas cumpria uma ordem e sentiu que só quem ama poderia morrer
naquele estado e ainda não permitir o castigo aos seus opositores. Só poderia
ser Deus: “Realmente, ele era o Filho de Deus”.
Quem experimenta Deus de
verdade, não fica inerte diante dele, toma uma decisão. Assim podemos
compreender as duas atitudes ocorridas em uma mesma semana, em questão de
horas. A primeira atitude é daquele que nos amou até o fim, com um gesto
inédito lava os pés dos seus amigos, demonstrando-lhes o seu mais puro e íntimo
afeto. Com este gesto ajudou-os a ver o mundo com novo olhar. A outra postura foi
de Pilatos, que por um ato de fraqueza, de medo de perder prestígio e poder, lavou
suas mãos, ouvindo os clamores de um grupo sedento de sangue e não de amor e de
perdão. A mensagem deste gesto também nos interpela. Com qual bacia você mais
se identifica?
terça-feira, 26 de março de 2013
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