sexta-feira, 6 de abril de 2012

Tarefa para os jovens



Fr. Wellington Wesley Paiva, SAC.

 Por muitos anos, os jovens buscaram e lutaram por seus direitos. Sem desistir, os jovens movimentaram-se, procuraram e encontraram o seu espaço na igreja e na sociedade. A partir do Papa João Paulo II, a visão que se tinha do jovem foi mudando. O jovem foi ganhando responsabilidade – não que não tinham, mas é que não acreditavam em seu potencial juvenil – e consequentemente conseguiu, com muito esforço, mostrar que é digno de tal confiança. Observamos isto nas palavras do Santo Padre Bento XVI, no dia 27 de outubro de 2011, no qual, não só foi confiada aos jovens uma tarefa dentro da Igreja, como também, os jovens receberam de todos os lideres religiosos, na voz de nosso Pastor, uma tarefa de papel moral/social.

Para os jovens sortudos, que puderam assistir ao encontro inter-religioso de oração pela paz em Assis (Itália), fica a tarefa de repassar aos demais jovens que, por um motivo ou outro, não puderam prestigiar este maravilhoso evento, a mesma obrigação deixada pelo Santo Padre:
  “Nós confiamos a causa da paz especialmente aos jovens. Possam eles contribuir para libertar a história dos falsos caminhos nos quais se desvia a humanidade.”

É importante enfatizar dois termos usados por Bento XVI.   
 Confiança: confiança não é dada a qualquer pessoa, mas sim, as que são dignas dela. O encargo recebido pela confiança é o de zelar, buscar, defender, promover. A confiança não é um simples sentimento que se tem por qualquer um, é um valor empregado àqueles que a honrarão. O intrigante é notar que o verbo confiança, vem acompanhado do pronome nós. O Papa fala em nome de todos os líderes religiosos, e os líderes religiosos representam quase toda a nação.  

O Papa estava à frente, naquele momento, de todos os líderes religiosos do mundo, e dá, em nome de todos eles, o legado aos jovens de regentes da paz. Tarefa esta, nenhum pouco fácil, mas não impossível.

 Outro termo usado é o Especialmente: é desejo de todos que os jovens tomem cunho nesta batalha pela paz. É de caráter especial aos jovens a busca pela paz. 

 O papel do jovem é o de mudar a história, como enfatiza Bento. A tarefa de mudar o curso da história não é algo prestigioso, mas é necessária e se faz urgente. A paz se encontra perdida em meio aos emaranhados de defeitos promovidos por nossos egoísmos.
 A paz é um tema que para alguns pode ser banal. Muitos pensam que não é proveitoso discutir sobre isso. Entretanto, se não tomarmos as rédeas e fazermos a diferença, o mundo ficará na mesmice.

 No momento em que a falta de paz tocar os nossos calcanhares, será tarde correr atrás dela. Estamos em alerta. Os líderes religiosos do mundo depositam nos jovens suas confianças.

 Jovens, não decepcionem estes homens de caráter, que buscam jovens sadios, como os de antes, que lutavam por seus direitos. Mostremos a eles que os jovens de hoje têm o rosto de Deus e façam valer esta preciosa confiança depositada em todos vocês, jovens de fé.

 O saudoso Pe. Léo dizia aos jovens: jovens, sejam firmes e corajosos!
 Mostrem, sem medo, que a juventude de hoje tem um ideal, tem força de vontade, e luta por um mundo melhor.
E não se esqueçam: a diferença está em cada um de nós, não esperem o outro para que possam movimentar-se. Se cada um der o passo inicial e o outro também der, movimentaremos juntos em busca deste ideal.

“De braços dados iremos juntos nesta estrada que não tem fim.
A juventude unida com amor estará feliz.
Fazendo bem diferente com Jesus Cristo no coração.
A juventude unida, tornando o povo mais cristão.
Sempre cantando a alegria que traz no brilho de um olhar.
O jovem no horizonte buscando amor, esperança e Paz.
No peito, amor de Cristo que une a todos e que faz amar.
O jovem vivendo a vida e não tendo medo de sonhar.
Jovem, não fique desanimado, busque a Cristo no seu irmão.
Mostrando a todo mudo o amor do seu coração.
Imitando a Jesus Cristo que deu a vida por todos nós
O jovem não teme a dor quando quer doar amor.”
 Jovens, honrem este chamado que Cristo faz a vocês, por meio da voz do nosso pastor Bento XVI. O mundo precisa de todos, e a confiança foi depositada especialmente em vocês, jovens de fé, que tem vigor e atitude. Procuremos levar a paz ao mundo, mudando o curso da história.

Missa do lava-pés

Homilia

Estamos celebrando, hoje, a festa da Instituição da Eucaristia, da Instituição do Sacerdócio ministerial e da vivência fraterna da caridade, com a cerimônia do lava-pés.
Qual é o verdadeiro sentido da eucaristia para a vida do cristão? A eucaristia nada mais é que a celebração do amor e da entrega de um Deus repleto de amor pelo seu povo. É um encontro de amor entre amigos íntimos. É um encontro que gera vida e compromisso.
Esta amizade só foi possível porque os seus seguidores aceitaram o convite do Senhor para tomarem parte da sua vida, nascendo assim o discipulado, e discípulo é aquele que segue um mestre para aprender tudo o que ele tem para ensinar. Eles não entendiam muita coisa do que o amigo falava, mas estar ao lado dele era a maior alegria, pois a vida tomava outro sentido.
Certa vez, disse Jesus: “Vós sois meus amigos, se fizerem o que eu vos mando”. Nós aqui também somos os amigos de Jesus, seus discípulos e estamos aqui porque nos sentimos tocados pelo seu amor e queremos participar do convite da sua Ceia, da sua festa, carregada de amor e de fé. Por isso, nesta festa devemos portar o traje recomendado pelo Mestre, para que não ouçamos a sua repreensão, apresentada pelo evangelho: “não vos conheço”. E qual seria o motivo do Senhor da festa dizer “não vos conheço” e pedir para que sejamos retirados do seu banquete?
Isto é mais do que óbvio. É por causa da teimosia do ser humano de não aceitar as suas ordens e recomendações e querer ter os mesmos direitos de todos, servindo a dois senhores; tal discípulo não aceita as teses do mestre, mas quer impor as suas a respeito da vida, dizendo: sempre fui assim, não posso mudar, dando a entender que quem deve mudar é o dono da festa. Eu sou eu e quero fazer valer os meus direitos.
A Bíblia nos ensina que Deus é ciumento, não aos moldes do ciúme humano que quer possuir o que o outro tem, e por não possuir as mesmas coisas se sente inferiorizado. O ciúme de Deus é o de querer possuir a pessoa por inteiro. Deus não quer partes e nem o que sobrou, a exemplo da oferta de Caim. Ele quer tudo o que lhe pertence, pois tudo é dele e deve voltar para Ele. Ou tudo ou nada. Ele próprio doou tudo de si, não sobrou nada. Por isso pode exigir: “Tu és meu” (Is 41,9).
O ser humano é muito engraçado. Ele se entusiasma por qualquer coisa. Às vezes possui uma mente fixa em coisa sem nenhum valor. É capaz de morrer por algo sem sentido. Ele se confunde pegando a parte pelo todo, e segundo a lógica formal, é um erro. Qual parte de uma pessoa é a mais importante? Deus olha a pessoa na sua integralidade, por isso encontramos na Sagrada Escritura a expressão: “Deus não se deleita com os músculos do homem”. Ele admira o ser humano do jeito que ele é, sua imagem e semelhança, com a possibilidade de ser mais, de atingir a plenitude. Deus quer que sejamos mais, que não optemos por aquilo que é mesquinho e depreciativo. Ele quer que amemos os outros e também nos amemos, nos aceitemos, nos perdoemos a nós mesmos. Deus surpreende as pessoas como o fez na ceia, com o lava-pés. Um gesto que só poderia vir dele mesmo.
Ao participarmos da festa de hoje podemos também ser surpreendidos por algo novo, indizível. Aos apóstolos, o novo foi a entrega do pão: o corpo do Senhor, alimento que nos conduz à vida eterna. Outra coisa inesperada foi a delegação de todo o seu poder para que a Igreja pudesse agir em seu nome e que repetisse o seu gesto de amor, principalmente, na celebração da eucaristia, na missa: “Fazei isto em memória de mim”. A única coisa que ele espera do discípulo é que creia na sua palavra. O poder concedido é divino e quem age é o Espírito Santo, que recordará tudo aquilo que fora dito pelo Filho amado. “Esse é meu filho amado, escutai o que ele diz”. Como está a nossa escuta da Palavra de Deus?
A comunidade de fé acolheu esta sua ordem e continua celebrando até que, o mesmo Senhor, volte definitivamente para nos reconduzir à sua glória.
Aquele que, no alvorecer de domingo, aparecerá ressuscitado não quer jamais romper esta amizade. Sua amizade é para sempre. A sua interrupção só acontecerá, se nós, por uma decisão livre optarmos por seguir outro caminho, como aconteceu com Judas. O Senhor, em um gesto de amor o presenteou, na ceia, dando-lhe um pedaço de seu pão, mas nem isso lhe tocou o coração, pois dentro dele já não havia mais espaço para a misericórdia; o mal cegou seu coração e bloqueou sua mente e suas emoções. Estava irreconhecível. Por isso disse Jesus: “o diabo entrou no seu coração”.
O amor de Deus, por nós, é tão grande que não é capaz sequer de impedir a nossa própria autodestruição. Ele apenas sugere e propõe um novo caminho, mas cabe a nós decidirmos ou não por ele. O episódio da traição de Judas mostra que o respeito pela pessoa deve imperar nas nossas relações, custe o que custar. Pensemos nisto, nesta noite, sobre a maneira como agimos com aquele que amamos. O nosso amor é de posse ou um amor de doação? Amamos porque amamos, diz Santo Agostinho, ou amamos porque queremos possuir e privar o outro da sua liberdade e ainda ficamos deprimidos e zangados porque o outro não nos retribuiu com amor.
O caminho do desamor é um caminho curto e ao mesmo tempo desastroso, não gera a vida, mas a morte. O Senhor quer, com esta missa que a vida resplandeça, mesmo quando haja o espírito de vingança e de morte. Não importa se não fomos amados como gostaríamos. Importa que queremos seguir nosso caminho amando como Cristo nos amou. E amando como ele teremos paz, saúde de corpo e alma. Só assim compreenderemos o que significa: “quero misericórdia e não sacrifício”.
Pe. Valdeci de Almeida, SAC

sábado, 11 de fevereiro de 2012

5. O pensamento de Pallotti sobre a formação sacerdotal


Vicente Pallotti lembra, frequentemente, em seus escritos, que o eclesiástico deve esforçar-se pessoalmente, para buscar seu crescimento durante toda sua vida. Ele estava convencido de que há uma intrínseca união entre o crescimento espiritual, o estudo e o apostolado. Sobre isto, merece destaque o texto sobre a obrigação de todos no espírito de santidade e de instrução (OOCC II, 81-86; III, p. 47-48). Este texto vem precedido da referência sobre a vida de Jesus Cristo: “O menino crescia e se fortificava, cheio de sabedoria e da graça de Deus; após três dias o encontraram no Templo, sentado entre os doutores, enquanto os escutava e os interrogava” (Lc 2,40-46). Pallotti, assim, pensava: da mesma forma que Jesus crescia e se fortificava cheio de sabedoria, escutando e interrogando os mestres, mesmo sendo a verdadeira Sabedoria, com maior razão, devemos também nós buscar a verdadeira instrução.
Escreve ainda: “devemos mais amar que buscar as instruções, e devemos procurá-las com afinco e ávidos de manifestar aos outros a nossa ignorância; e, por esta via de humildade, Deus nos recompensará com grande e saudável capacidade” (OOCC III, 48). Pallotti, por sua vez, enumerava os pontos que mereciam maior atenção e aprofundamento, a saber: a Sagrada Escritura, a história da Igreja, a teologia fundamental e dogmática, os sacramentos, a liturgia e a teologia moral. Ele expressa, ainda, a razão de se ter um contínuo aprendizado: “para que jamais regrida na mais perfeita imitação da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e, assim, cooperar eficazmente no engrandecimento da sua glória, para a santificação das almas” (OOCC VII, 63-64).

domingo, 5 de fevereiro de 2012

4. As iniciativas de Pallotti a respeito da formação sacerdotal

Continuaçao do texto sobre a formação sacerdotal de Pallotti.

A necessidade da formação sacerdotal

São Vicente Pallotti conhecia, profundamente, a vida sacerdotal. Estava convencido de que a santidade dos sacerdotes, como também seu desempenho pastoral, dependem de uma boa formação. Para ele, não basta apenas o clero ser santo, é preciso que também seja douto (OOCC I, 171). Dizia mais: “Se a vida de todos os cristãos deve ser uma contínua imitação da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, (...) com quanto maior perfeição não deveria ser a daqueles que chegaram ao sacerdócio e que devem agir em nome de Cristo”! (OOCC I, 157).
Por isso, desde o início das atividades sacerdotais se nota um grande apreço de Pallotti pela contínua renovação da vida do clero. Isto se confirma pelo texto escrito entre os anos 1823 a 1829, período do pontificado do Papa Leão XII, intitulado: “Vários pontos para a reforma do clero” (OOCC V, 544 a 557). Este texto traz as propostas para a renovação da vida sacerdotal, e Pallotti é solícito em promover tudo aquilo que pode contribuir para a formação dos perfeitos servos de Cristo. Os sacerdotes e confessores, além de serem bem preparados, devem ter uma vida de santidade. Os pregadores devem distinguir-se tanto pela doutrina quanto pela sua integridade moral. Da santidade, da ciência e da vigilância dos pastores dependem, em grande parte, a paz da cristandade e salvação eterna das almas.
A partir de 1827, Pallotti foi nomeado diretor espiritual do Seminário Romano, Colégio Inglês e Irlandês. Em 1833, deu início também ao Colégio Urbano da Propagação da Fé. O exercício da direção espiritual levou-o a ter ainda mais convicção da necessidade de uma profunda formação sacerdotal, sobretudo, missionária. Qual fosse o teor da sua formação espiritual, afirma: “Para ajudar os alunos a serem verdadeiros missionários, entre os infieis, é necessário formá-los na prática indicada pelo próprio Cristo: ‘Se alguém quiser vir atrás de mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga’” (Mt 16,24). (OOCC XI, 449)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Nova publicação

Pe. Valdeci publica mais um livro. Desta vez, está divulgando as técnicas terapêuticas mais recentes, no mundo. No Brasil, um grupo muito pequeno de pessoas dominam estas técnicas, por isso, neste livro contém algumas delas, como também as suas próprias descobertas no campo da terapia psicossomática. São técnicas simples, mas muito eficazes para pessoas que sofrem de: ansiedade, stress, fobias, TOC, raiva, mágoa, tristeza, depressão, pânico, pensamentos compulsivos, baixa autoestima, medos. Esta obra é resultado de muito estudo e pesquisa na área terapêutica. Pe. Valdeci está inscrito na FENATE/PR, 027. As pessoas que estiverem interessadas em aprender essas técnicas e que desejam ser terapeutas, devem entrar em contato com a psicóloga Sandra Martinhago de Maringá - Pr.
Durante o ano de 2012, estaremos preparando a segunda turma: Sistema NEFESH  de terapia. Pe. Valdeci é responsável pelo segundo módulo do referido curso.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Site da Igreja San Salvatore in Onda - Roma Itália

Assista direto da igreja San Salvatore in Onda - Roma - Itália, Igreja onde está sepultado o corpo de São Vicente Pallotti.


Este site foi oferecido pela Província Epifania do Senhor (Prabhu Prakash), Índia, como um presente pelo Ano Jubilar, e foi projetado, juntamente com o Comitê do Jubileu em Roma, pelo Pe. George Madeikkal, diretor, e pelos professores R. B. Gowardhan e Ashish Lawrence da Faculdade de Engenharia e Tecnologia São Vicente Pallotti, pertencente à mesma Província Epifania do Senhor na Índia.

http://www.ustream.tv/channel/ss-salvatore-in-onda

domingo, 29 de janeiro de 2012

Acontecimentos importantes da Província São Paulo Apóstolo - janeiro de 2012

Vestindo o hábito palotino missionário.
Fr. Émerson Rocha, SAC
Pe. Valdeci e Fr. Danilo
O ano de 2012 e 2013, dedicado às festividades dos cinquenta anos de canonização de São Vicente Pallotti, até o momento está sendo marcado por grandes acontecimentos. No dia 7 de janeiro, o Fr. Émerson Cavalcante e Fr. Danilo Japeganga renovaram sua consagração religiosa na cidade de Emilianóplis - SP e no dia 9 de janeiro partiram para Moçambique, África, para um ano de trabalho missionário. Dia 15 de janeiro, na Bahia, tivemos a ordenação sacerdotal do Pe. José Fernando.












No dia 21 de janeiro, três noviços fizeram sua primeira consagração, em Curitiba e outros a renovação.



Encontro provincial - 2012
Renovação das promessas
Dia 25 de janeiro, em Londrina, no encontro provincial, seis fratres da teologia renovaram sua consagração.












Dia 28 de janeiro, em Cambé, Paróquia Santo Antônio, seis fratres fizeram sua consagração perpétua na Sociedade do Apostolado Católico - Palotinos. A estes jovens o nosso apoio e oração, para que sejam perseverantes no propósito de seguir a Cristo, através do carisma de São Vicente Pallotti.

sábado, 28 de janeiro de 2012

3. Vicente Pallotti e a sua formação sacerdotal permanente

Este é o terceiro tema sobre a formação sacerdotal de Pallotti e do seu tempo (Século XIX). De tempos em tempos estaremos dando continuidade ao tema. Este material pode ser encontrado no original italiano, pela revista: "Apostolato Universale, continuità e sviluppo", n. 24, 2010, p. 39 a 53).

Na vida de São Vicente Pallotti, pode-se destacar dois períodos ligados à sua formação sacerdotal permanente. Primeiro: formação sacerdotal, no campo espiritual/intelectual, de 1818 até 1830. Segundo: de 1830 até 1850, formação sacerdotal, no campo espiritual/pastoral.
Antes de tudo, a formação espiritual de Pallotti se dá ao longo da sua existência, no intenso cultivo das coisas espirituais. Isto se confirma pelos seus escritos espirituais, pelas suas inspirações e heroicos propósitos que foram compendiados no volume X das Obras Completas, “I Lumi” (As luzes). Sobre este assunto, não há necessidade de muitas delongas, porque temos várias outras contribuições sobre o caminho espiritual de Pallotti. Basta folhear os escritos do Pe. Francesco Amoroso, SAC, intitulado: “La via dell’infinito” (O caminho do infinito), no qual apresenta a autobiografia espiritual do referido santo.

O pensamento espiritual de Pallotti deu-se ao longo da sua formação. Isto se pode notar pela sua visão e compreensão a respeito do sacerdócio. No início do seu ministério sacerdotal, escreveu: “O nosso inefável Deus dignou-se elevar-me ao sublime grau do sacerdócio, cuja missão é: celebrar o digníssimo Sacrifício, administrar os Santos Sacramentos, pregar a divina Palavra e recitar o divino Ofício” (OOCC X, 148). No final de sua vida, escreveu de maneira diferente: “Luzes e trevas, bendizei o Senhor. Raios e nuvens, bendizei o Senhor (Dn 3,72-73). Quanto ao que era ensinado por mim, era visto como algo bem feito, tanto da minha parte como da dos outros; mas, na verdade, eu não fiz nada que não fosse o mal, pois não instruí suficientemente os fieis, e não preguei o Evangelho a todas as criaturas; mas as obras de Jesus Cristo e a pregação do Reino, para sua piíssima misericórdia e amor, foram objetos de minhas obras e pregações” (OOCC X, 492).

Pallotti continuou sua formação sacerdotal/intelectual após a ordenação, aos 16 de maio de 1818, com o complemento dos estudos teológicos e exercendo o ofício de professor na Universidade da Sapienza. No dia 15 de julho de 1818, Pallotti submeteu-se aos exames para laurear-se em filosofia e teologia, obtendo bons resultados. No dia 4 de março de 1819, o reitor da Universidade, Belisario Cristaldi (1764/1831), nomeou-o como acadêmico daquela mesma universidade. Na carta de nomeação, escreveu: “O favorável parecer a respeito do senhor determinou-me a escolhê-lo como Acadêmico da faculdade de Dogmática, da Escolástica e dos locais teológicos, para ajudar os alunos nos grupos de estudo com argumentações e dissertações” (OCL I, 425-426). Coforme Francesco Amoroso SAC, San Vincenzo Pallotti romano, Postulazione generale SAC, Roma 1962, p. 39.

Ansgar Faller – SAC explica que Pallotti foi nomeado como repetidor e exerceu este ofício de mestre acadêmico entre os anos de 1819 até 1829. Com este título, não podia desenvolver sua própria opinião teológica, porém, ideias pessoais não lhe faltavam. Mesmo que pudesse manifestá-las, ele as evitava. Limitou-se, rigorosamente, em apenas repetir os conteúdos a serem apresentados. Ele escolhia as pessoas para o debate e anotava seu desenvolvimento com muito cuidado. Organizava as discussões de maneira acadêmica e confirmava os resultados. Durante estes dez anos de trabalho, como mestre acadêmico, teve a oportunidade de aprofundar-se na teologia e com isso pode ajudar na formação de inúmeros sacerdotes que mais tarde tornaram-se párocos e professores.
O esforço de Pallotti em aprofundar na área da teologia ficou evidente pela sua participação na Pia União de São Paulo Apóstolo, iniciada em Roma, no ano de 1790. Era uma obra que promovia a formação espiritual do clero romano e que organizava as atividades apostólicas e pastorais nos diversos campos da vida eclesial. Vicente Pallotti era membro desta Pia União e participava das conferências sobre a moral, a cada quinze dias, na Igreja Santa Maria da Paz, na Igreja da Universidade romana e na Igreja Santo Apolinário.

Nos anos de 1820 a 1829, fez parte de um grupo para resolver casos referentes à moral. Nestes encontros participavam também o clero romano, pois a sua finalidade era para capacitá-los nestas questões. A função de Vicente Pallotti era a de apresentar casos e propor soluções. Isto nos faz acreditar que, já naquele tempo, possuía uma ampla cultura geral e teológica.

domingo, 22 de janeiro de 2012

22 de janeiro - dia do falecimento de Pallotti

A UAC (União do Apostolado Católico) celebrou, em todo o mundo, o dia em que seu Fundador voltou para o Pai. A sua morte ocorreu no dia 22 de janeiro de 1850, às 21h 45min, com 54 anos de idade. Pio XII o beatificou, no dia 22 de janeiro de 1950, cem anos após sua morte. João XXIII o canonizou, no dia 20 de janeiro de 1963, durante o Concílio Vaticano II.
 
 

A UAC, na sua sede em Roma, celebrou o tríduo da festa em várias Igrejas que fizeram parte da vida do Santo. D. Júlio Endi Akamine - SAC, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, presidiu uma das missas, no tríduo, na Igreja São Lourenço em Damazo, onde Pallotti recebeu o batismo, logo após o seu nascimento. São Vicente Pallotti, rogai por nós.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Em preparação aos 50 anos de canonização de Pallotti

Durante o ano de 2012, este blog estará colocando temas de estudo, reflexão e curiosidades sobre este grande santo.

PINTAR UM SANTO? SERÁ QUE EU CONSIGO?

Foi impressionante pergunta que Kokoschka dirigiu ao padre palotino Mitterer ao lhe pedir para pintar o quadro de São Vicente Pallotti.

Kokoschka foi um dos maiores artistas plásticos do século XX, colocando-se tranquilamente ao lado de Picasso em importância para a arte, considerado pelos críticos como pintor expressionista.

Ele nasceu na Áustria em 1886, na pequena cidade Pöchlarn Era um homem piedoso, mas não tanto praticante e dado como cristão católico às obras de caridade.

Faleceu em 1980 na Suíça.

Depois de ter terminado a pintura de São Vicente Pallotti, disse ao Pe. Mitterer: “Oxalá que o quadro de Pallotti possa abrir seus olhos para o interior do coração e acordá-lo, é o que desejamos para os lerem está noticia e contemplarem a obra do autor”.

Como dissemos Kokoschka dentro da historia da arte é considerado um pintor expressionista, e neste sentido ele captou, a expressão da grandeza interior de São Vicente Pallotti de maneira única.

Durante sua vida Kokoschka retratou apenas pessoas vivas, e Pallotti foi a sua única obra a retratar um personagem do passado, e um santo.

Desta maneira o artista tinha diante dos olhos um personagem vivo para os tempos atuais, e não apenas traços fisionômicos de alguém do passado.

Kokoschk pintou nosso santo com cores fortes, dominando a cor azul, preferida do artista. O azul destaca o olhar distante do “Apostolo de Roma”, fascinado pelo “Amor infinito de Deus”, do qual se colocou a disposição pela paixão do seu coração.

Os traços marcantes, mas não duros do seu rosto, os impressionantes passos largos e decididos para frente, e ao mesmo tempo abençoando com a mão, percebe-se logo que o quadro de Kokoschka não é mais uma pintura piedosa de São Vicente Pallotti, mas algo absolutamente novo. A pintura de Kokoschka exige reflexão, isto é, trabalho da inteligência, ela é uma provocação. Kokoschka obriga o expectador a se perguntar: De que se trata? O que o pintor e o santo querem me comunicar? Que conclusões devo tirar para a minha vida?



A ORIGEM DA IMAGEM 


O ecônomo provincial dos anos 60 da província palotina do Sagrado Coração de Jesus, recorda:

“Por décadas o quadro de Pallotti pintado por Leo Samberger era o mais importante. No final dos anos 60 pensei que seria interessante pintar o nosso Fundador de um modo original e estimulante para celebrar sua Canonização que seria realizada em 1963 pelo papa João XXIII. Embora não tínhamos dinheiro para isso, perguntei ao professor de arte palotino Pe. Hiller que me deu a dica: O nome maior da arte no momento, é o professor Kokoschka”.

Naquele tempo Kokoschka morava na Suíça, mas passava o verão em Salzburgo dando aulas na escola de arte. Comprei um livro sobre a arte de Kokoschka e o livreiro pontificou-se em levar-me até a presença do artista. Ele nos recebeu amavelmente.

Coloquei-lhe o meu pedido e ele me respondeu: “Vamos até ao meu escritório. Conversamos com ele sobre o nosso Fundador e ele pediu alguma imagem de Pallotti para ver. Mostrei-lhe um santinho tradicional. Ao vê-lo Kokoschka sorriu e disse: “um rostinho que é um amorzinho”.

Em outra ocasião levamos para ele a máscara mortuária de São Vicente Pallotti para que ele tivesse mais segurança quanto à realidade do rosto do nosso santo. Eu disse para ele: “Para quando teremos o quadro pronto? Ele respondeu: Pintar um santo, eu não sei se vou conseguir.

Depois de dois anos visitamos de novo Kokoschka em Genebra. Nesta ocasião nos mostrou o seu Pallotti ainda não terminado. Fiquei preocupado porque não sabia onde arrumar o dinheiro da Província.

Na segunda visita a imagem já  estava concluída, ele nos propôs expo-la em Londres com a vantagem de ser adequadamente emoldurada, o que consentimos. Na terceira visita estava lá a obra prima de São Vicente Pallotti. Olhando a pintura eu lhe perguntei: “mas não está assinada!”

Ele mostrou-me o outro lado da pintura onde estava escrito em latim: Sanctus Vincentius Pallotti. O.K.

O seu respeito à santidade é tão grande que este é o único quadro que ele discretamente assinou atrás da pintura.

E acrescentou: “Antigamente eu pintava os meus quadros a partir de cima para ter um olhar de conjunto do mundo. O seu Pallotti me obrigou-me a olhar na postura correta a partir de baixo, através de Pallotti, contemplo a totalidade. É isto que Pallotti me ensinou”.

No hospital de Lausanne ele me confidenciou: “Eu estou contente de ter pintado Pallotti! Através dele eu aprendi que pertenço para o alto. Agora eu estou no caminho certo, caminhando para o alto como Pallotti. Com respeito ao preço ele disse: “Pela pintura de um santo não vou cobrar nada, mas vou pedir para você dar um ajuda substancial para as obras de caridade em meu nome.

Submeti o quadro a uma avaliação na escola de Belas Artes de Munique, onde avaliaram a obra por 100 mil marcos. Combinamos com Kokoschka que enviaríamos 40 mil marcos para as obras missionárias palotinas com crianças pobres na missão da Índia. Ele mesmo não viu nenhum dinheiro.

Pe. Poiess professor de omilética na faculdade palotina de teologia de Vallendar – Shonstatt. Disse mais tarde de maneira comovida: ”Mitterer! Foi uma coisa genial! Eu estou mais feliz ainda porque através do quadro Pallotti evangelizou Kokoschka e o levou para o céu. Através de Pallotti Kokoschka encontrou finalmente seu caminho”.

 Tradução do alemão: Pe. Antonio Fiori, SAC.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

50 anos de canonização de São Vicente Pallotti

O ano de 2012 será um ano de preparação para a celebração dos 50 anos de canonização de são Vicente Pallotti. Este tema terá continuidade. Apresentaremos vários artigos sobre sua formação sacedotal e a sua preocupação com a formação intelectual do clero romano.
A FORMAÇÃO SACERDOTAL DE PALLOTTI


 1. A formação do clero romano – Século XIX
São Vicente Pallotti pertencia ao clero de Roma. Para que possamos conhecer melhor o seu processo formativo, como sacerdote, é preciso saber como era a situação do clero romano naquela época e como acontecia a sua formação cultural, intelectual e espiritual.

Uma pesquisa histórica feita por Pietro Stella sobre o clero romano, no século XIX, revela que na primeira metade do século verifica-se um desenvolvimento no campo formativo, com a presença de novas tendências, ou seja, o clero começa a ter maior preocupação com os trabalhos pastorais e espirituais, do que com as coisas temporais.

No campo da formação espiritual aparece o modelo do sacerdote bom pastor, disposto a guiar e a defender as ovelhas perdidas, principalmente no que se refere ao enfraquecimento da prática religiosa. Dá-se maior ênfase também à questão intelectual, com boas bibliotecas, contendo obras que auxiliassem na pregação, na catequese, na apologética, vida dos santos para cada dia do ano, subsídios devocionais, história sagrada, tratados elementares e ecléticos de teologia, manual prático de moral.

A formação sacerdotal daquele período, do ponto de vista espiritual, era conforme o modelo jesuítico, nutrida pela meditação, exame de consciência, exercícios de piedade e da prática dos sacramentos. Em geral, pode-se afirmar que o clero romano, no tempo de Pallotti, tinha uma boa formação sacerdotal, e ele fazia parte deste elenco.


2. A formação de Pallotti, antes da ordenação sacerdotal
O jovem Vicente Pallotti iniciou os seus estudos por volta do ano 1804, frequentando a escola fundamental, na via dei Cappellari e depois no Colégio de São Pantaleão dos Escolápios. De 1809 até o verão de 1814, frequentou o Seminário Romano que, após a supressão dos jesuítas, em 1773, no difícil período de ocupação napoleônica, foi confiado a um grupo de sacerdotes diocesanos. No Seminário Romano, o adolescente Vicente fez os seus primeiros estudos humanísticos, onde se familiarizou com os clássicos latinos e gregos.
 
A última etapa da sua formação de filosofia e de teologia, que o conduziu ao sacerdócio, no dia 16 de maio de 1818, aconteceu na Universidade Romana da Sapienza. Naquele tempo, a Sapienza oferecia cursos de teologia, filosofia, medicina, direito e letras. A maioria dos professores pertencia ao clero regular e secular. O ambiente acadêmico e espiritual da Sapienza era muito bom. A vida universitária ajudava os estudantes a cultivar a vida espiritual. De segunda a sexta-feira, o estudante Pallotti, como todos, assistia às aulas dos vários mestres e a discussões de temas teológicos, organizados após os cursos obrigatórios. Na Igreja de Santo Ivo, celebravam-se as missas de abertura do ano letivo e das festas principais. Os sacerdotes professores se alternavam para celebrar as missas festivas e dominicais, como também ouviam as confissões.
 
Vicente Pallotti teve sua formação sacerdotal de forma diferente, como a concebemos hoje. Ele morava na casa paterna e estudava como aluno externo. Recebia uma sólida formação humana e religiosa de diversas pessoas, primeiramente dos pais, que eram muito piedosos, do seu diretor espiritual, Pe. Fazzini, os mestres Escolápios, Seminário Romano, Universidade Sapienza e, ocasionalmente, os diretores dos exercícios espirituais anuais e dos retiros. Tudo isto teve uma forte influência na sua formação sacerdotal.
 
O biógrafo do Papa Pio IX, Carlo Falconi, escreve também sobre Pallotti. Comenta sobre seus estudos acadêmicos e da sua escolha de seguir a vida eclesiástica, privilegiando assim laurear-se em filosofia e teologia. Era também um poliglota e de boa formação intelectual, com inclinação para a intelectualidade, mas fica para ele uma incógnita do porque mudou de rota e decidiu entrar no campo da ação pastoral.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Início do noviciado Sul-americano



No dia 11 de janeiro de 2012, o noviciado Sul-americano acolheu mais nove noviços, dos quais seis pertencem à província de Santa Maria e três da Delegatura da Colômbia/Venezuela. Participaram conosco da missa de abertura, Pe. Edgar Ertl (Vice Provincial), Pe. Alexsandro, Pe. Ronaldo; Pe. Egídio, Pe. Rossini e Pe. Valdeci e o Ir. Leandro Carlos Benetti.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ordenação Diaconal

A Província São Paulo Apóstolo, no dia 18 de dezembro de 2011, ordenou seis diáconos, na Cidade de Cambé - Pr. A Província se alegra pelo sim generoso dado por eles a Deus e à Igreja, na Sociedade do Apostolado Católico. O bispo ordenante foi D. Júlio Endi Akamine, SAC. Rogamos a Deus para que sejam dignos ministros de Cristo.
"Ninguém se empenha na propagação da fé e na multiplicação dos meios necessários e oportunos para a mesma, se não estiver animado de uma fé viva e se não for abrasado de uma caridade ardente, já que todo engajamento apostólico provém do amor de Cristo". (S. V. Pallotti)

D. Júlio Endi Akamine, SAC



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Retiro para postulantes palotinos

Vários postulantes da Província de Santa Maria fizeram o retiro anual de quatro dias, na Capela N. Sra. da Salete, em Palotina - Pr. O pregador foi o Pe. Valdeci de Almeida. Destes jovens, seis farão o noviciado em 2012.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Passeio comunitário ao Santuário S. Vicente Pallotti

Os noviços palotinos sul-americanos estiveram visitando o Santuário São Vicente Pallotti, em Ribeirão Claro - Pr. A missa foi presidida pelo Pe. Egídio Trevisan e concelebrada pelo pároco de R. Claro, Pe. Germano Treier e o mestre de noviços, Pe. Valdeci de Almeida. O dia foi dedicado a oração e também a momentos de lazer na Cachoeira.

Padres: Germano, Egídio e Valdeci