Este vídeo apresenta aspectos da vida do noviciado Sulamericano palotino, em Cornélio Procópio - Pr.
Na certeza de que com Deus tudo posso, criei este BLOG para que você conheça o pensamento e o carisma de S. vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC). Ele foi um dos primeiros, na Igreja, a dizer que todos os batizados são apóstolos de Jesus Cristo. Por isso, você também é convidado a viver intensamente a sua fé, fazendo muitas coisas na Igreja, conforme o seu estado de vida, para que o Cristo seja mais amado e seguido. O seu testemunho de fé é muito importante.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A arte de ser feliz
Pe. Valdeci de Almeida participou da sétima Semana da Saúde, promovido pela direção da Santa Casa de Misericórdia de Cornélio Procópio - Pr. Ele falou sobre formação do ser humano: personalidade e caráter, com o sugestivo título: "A arte de ser feliz". Segue um resumo do que foi dito e também, no vídeo, flash da palestra.
Viver é uma aventura, saber viver: uma arte. O ser humano, devido a tantas atividades e por não saber trabalhar com suas emoções, “acaba se atropelando na escola da vida”. Por isso, muitas pessoas vivem estressadas e tantas outras desequilibradas emocionalmente por desconhecerem a arte de ser feliz, pois a felicidade é um trabalho interior, e deve ser diário. Ser feliz é o desejo de todos, mas, ser de fato, nem sempre é uma tarefa fácil devido a tantos condicionamentos pelos quais passam o ser humano ao longo de sua vida, e tudo isso traz consequências para a formação do seu caráter. A melhor maneira para encontrar a harmonia do espírito, é estar atento às próprias movimentações interiores, identificar qual é a maior dificuldade em sua vida e como a gerencia em momentos de tensão e conflito. Neste processo, criar um ambiente de amizade e companheirismo, no trabalho, ajuda no autoconhecimento e assim possibilita encontrar a melhor saída para dirimir os conflitos desnecessários, ajuda a tornar o ambiente mais saudável e gostoso de ser vivido. Sendo assim, fomentar o espírito de equipe pode ser a saída para um trabalho mais profissional e humanizado, onde cada um vai respeitar o espaço do outro e ajudá-lo a também conquistar sua felicidade. Que tal criar um ambiente saudável, onde cada um se preocupa com o bem estar do outro, para assim todos serem recompensados? Eis a arte de ser feliz!
Viver é uma aventura, saber viver: uma arte. O ser humano, devido a tantas atividades e por não saber trabalhar com suas emoções, “acaba se atropelando na escola da vida”. Por isso, muitas pessoas vivem estressadas e tantas outras desequilibradas emocionalmente por desconhecerem a arte de ser feliz, pois a felicidade é um trabalho interior, e deve ser diário. Ser feliz é o desejo de todos, mas, ser de fato, nem sempre é uma tarefa fácil devido a tantos condicionamentos pelos quais passam o ser humano ao longo de sua vida, e tudo isso traz consequências para a formação do seu caráter. A melhor maneira para encontrar a harmonia do espírito, é estar atento às próprias movimentações interiores, identificar qual é a maior dificuldade em sua vida e como a gerencia em momentos de tensão e conflito. Neste processo, criar um ambiente de amizade e companheirismo, no trabalho, ajuda no autoconhecimento e assim possibilita encontrar a melhor saída para dirimir os conflitos desnecessários, ajuda a tornar o ambiente mais saudável e gostoso de ser vivido. Sendo assim, fomentar o espírito de equipe pode ser a saída para um trabalho mais profissional e humanizado, onde cada um vai respeitar o espaço do outro e ajudá-lo a também conquistar sua felicidade. Que tal criar um ambiente saudável, onde cada um se preocupa com o bem estar do outro, para assim todos serem recompensados? Eis a arte de ser feliz!
terça-feira, 10 de maio de 2011
Celebração com a família Pallotti
Consanguíneos e consagrados: herdeiros da mesma riqueza espiritual
A família palotina, no dia 8 de maio, esteve reunida juntamente com os membros da família consanguínea de São Vicente Pallotti, no pequeno povoado de San Giorgio, pertencente a cidade de Cascia, na Província de Perugia, região da Umbria (coração da Itália).
Membros da família consanguínea e da família religiosa palotina (padres, irmãs romanas e missionárias) nos reunimos em torno de um único objetivo: louvar e agradecer a Deus por ter concedido à Santa Igreja o grande Sacerdote Vicente Pallotti, modelo de santidade, exemplo e testemunho de amor a Deus e ao próximo.
Seus 69 habitantes (grande parte da família Pallotti) se organizaram para celebrar a memória de seu mais importante personagem que, embora não tenha nascido em S. Giorgio, é considerado seu ilustre cidadão.
A recordação da presença de São Vicente Pallotti, neste pequeno vilarejo, é percebida principalmente na Igreja, que ainda hoje preserva, com zelo, os paramentos usados por São Vicente durante sua permanência em S. Giorgio, em decorrência da visita realizada à seus familiares de 8 a 23 de setembro de 1819.
Durante todo o dia, seguimos uma programação festiva, caracterizada pelos momentos litúrgicos, celebrativos e convivência fraterna.S. Giorgio de Cascia representa para nós, palotinos, o lugar de início de um grande projeto de Deus para toda a Igreja; foi realmente uma oportunidade para reavivar e atualizar a memória histórica dos estudos referentes à genealogia de Pallotti; uma verdadeira e grande festa que uniu membros da mesma família, a partir dos vínculos de fé e não somente consanguinidade ou afinidade.
Agradeço a Deus Uno e Trino pela oportunidade de, juntamente com os membros do Curso anual para formadores palotinos, participar deste momento grandioso, que faz parte da tradição da família Pallotti e da vida da pequena comunidade de San Giorgio di Cascia. Posso afirmar que São Vicente Pallotti, mais uma vez, derramou suas bênçãos sobre a “grande família palotina”.
Pe. Elmar Neri Rubira, SAC
Via Giuseppe Ferrari, Roma - Itália
(Ao Pe. Elmar, nossos agradecimentos pela contribuição com o Blog: Com Deus, tudo posso. Desejamos lhe muito sucesso em seus estudos em Roma. Deus o abençoe e o ilumine nesta missão de formador e de evangelizador).
(Ao Pe. Elmar, nossos agradecimentos pela contribuição com o Blog: Com Deus, tudo posso. Desejamos lhe muito sucesso em seus estudos em Roma. Deus o abençoe e o ilumine nesta missão de formador e de evangelizador).
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Pe. Júlio Endi Akamine, SAC - Bispo Auxiliar de São Paulo
A Nunciatura Apostólica no Brasil comunica que o Santo Padre Bento XVI, acolhendo a solicitação do Eminentíssimo Cardeal Odilo Pedro Scherer, de poder contar com a colaboração de mais um Bispo Auxiliar, nomeou Bispo Titular de “Tamaguta” e Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo, o Reverendo Padre Julio Endi Akamine, SAC (Sociedade do Apostolado Católico), atualmente Provincial em São Paulo. A notícia será publicada no Jornal “L´Osservatore Romano” do dia 04 de maio de 2011, quarta-feira, às 12h de Roma.”
Pe. Júlio é o primeiro bispo nipo-brasileiro. A ele a nossa gratidão pela amizade e pelos trabalhos realizados à nossa província. Parabéns padre Júlio e que o Espírito Santo oi ilumine.
Sua ordenação episcopal será realizada na Catedral Metropolitana de São Paulo (Sé) no dia 9 de julho, às 15h.
Sua ordenação episcopal será realizada na Catedral Metropolitana de São Paulo (Sé) no dia 9 de julho, às 15h.
domingo, 1 de maio de 2011
A bênção, João de Deus
domingo, 24 de abril de 2011
Notícias de Roma: Pe. Elmar Neri Rubira, SAC
Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
Muitos lugares sagrados se tornaram “centros turísticos” e a questão da “fé” tornou-se um elemento secundário. Facilmente encontramos diversos tipos de visitantes em nossos templos sagrados: turistas, observadores, curiosos, estudiosos e verdadeiros peregrinos. A popularidade e a grande massa marcam determinadas datas religiosas e civis, que favorecem a expansão cultural, mas muitas vezes prejudicam a dimensão transcendental. Para quem se propõe a visitar um lugar de culto cristão, o mínimo que se possa esperar é uma atitude de respeito.
Após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição pelo Beato Pio IX em 1854, Nossa Senhora o confirma com as aparições a Jovem Bernadette Soubirous.
Atualmente, a gruta mantém-se como no período das aparições, mas as manifestações de fé são sempre maiores e profundas. O santuário de Lourdes se destaca, mundialmente, pela presença grandiosa de peregrinos doentes, que se dirigem à este lugar sagrado, buscando conforto espiritual e alivio aos sofrimentos corporais. Da gruta brota uma fonte de água, como também um crescente número de fiéis que buscam a cura física e espiritual.
Visitando este Lugar Sagrado, repetimos o gesto de milhares de cristãos que, durante mais de um século, não cessam de visitar a gruta de Massabielle para escutar a mensagem de conversão e esperança.
A partir de 1858, sessenta e seis curas foram declaradas milagrosas, e muitos outros relatos de curas são estudados e analisados pela Santa Igreja.
As aparições foram reconhecidas como autênticas pelo Bispo de Tarbes, Monsenhor Laurence, em 1862.
Pe. Elmar Neri Rubira, SAC
Via Giuseppe Ferrari – Roma - Itália
sábado, 16 de abril de 2011
Início da Semana Santa
Os cristãos iniciam a Semana Santa celebrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
Os Ramos verdes, que hoje carregamos, recordam a saudação de acolhida do Povo a Jesus, ao entrar em Jerusalém. Nós também queremos saudar a vida que ele trouxe e a misericórdia que encontramos em seu bondoso coração.
O Evangelho convida a contemplar a PAIXÃO e MORTE de Jesus, segundo São Mateus. (Mt 26,14-27,66)
O texto introduz no clima espiritual da Semana Santa.
Não é apenas o relato dos fatos, mas o anúncio de um mundo novo de justiça, de paz e de amor: Jesus passou pelos caminhos da Palestina "fazendo o bem" e anunciando um mundo novo de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola
Não se trata de um livro de meditações, também não é um tratado de teologia. Trata-se de uma obra de estilo esquemático que contém uma visão teológica da vida a serviço da prática pastoral. Ele tem como finalidade conduzir a pessoa a uma reestruturação interior, provocando uma conversão a Deus para melhor servir a Igreja. Neste livro Inácio ensina a como conduzir e como fazer um retiro. Ele ensina a pessoa a neutralizar as “afeições desordenadas”, a vencer a si mesmo e a por ordem no amor, para que sejamos capazes de reconhecer a vontade de Deus em nossas vidas.O livro harmoniza ascese e graça divina, ação e contemplação. O livro brota da experiência espiritual do próprio Inácio. Os Exercícios Espirituais formam a base de toda a espiritualidade da companhia de Jesus e de muitas comunidades religiosas masculinas e femininas, como também de associações de leigos.
O Esquema dos Exercícios Espirituais
O objetivo dos E.E. consiste em adquirir uma consciência clara e profunda do amor de Deus para comigo, a partir da fé. Cada exercitante deve estar atento ao apelo pessoal que Deus lhe faz. Cada um deve procurar em plena liberdade de Espírito responder ao chamado de Deus. Os E.E. orientam a pessoa na busca da própria perfeição, para o maior serviço a Deus e a Igreja. Os E.E. nos ajudam a ordenar nossos afetos, a fim de fazer um bom discernimento. Na verdade os E.E. querem nos conduzir a uma progressiva e contínua transfiguração em Cristo, ou seja deixar que Cristo transforme nossa vida. No final dos E.E., cada exercitante deverá ter a capacidade de ver, escolher e fazer o que Deus lhe pede.
Primeira Semana:
O objetivo da primeira semana dos E.E. é a de conseguir a graça de uma intensa dor e lágrimas por causa de meus pecados, sempre conscientes de que Deus me ama apesar de tudo. Ele me ama tal como eu sou e tudo perdoa através da morte de seu Filho Jesus Cristo na Cruz. Sendo assim adquiro uma idéia mais justa e clara da minha radical incapacidade de seguir o chamado divino, exceto em Jesus Cristo e por meio dele.
Desarmado e indefeso, estou aberto diante da gratuidade do amor de Deus. Um tema de grande importância dentro da Primeira semana é o reino de Cristo. Aqui eu descubro que sou chamado por Jesus Cristo a trabalhar com ele na realização da missão recebida do Pai de salvar todas as pessoas. Deus me dirige um chamado pessoal, Jesus Cristo, na Igreja.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Primeira Semana dos Exercícios Espirituais
Do dia 4 a 8 de abril de 2011, os noviços palotinos fizeram a primeira semana dos Exercícios Espirituais, na casa de retiros da Diocese de Cornélio Procópio -Pr. Foi uma semana de muita oração e reflexão sobre o princípio e fundamento, pois, em Deus, somos chamados a "amar e servir".
segunda-feira, 11 de abril de 2011
5. Meditação quaresmal
A REVELAÇÃO DO PECADO
“Examina-me, ó Deus, e conhece o meu íntimo, sonda e conhece meus pensamentos. Vê se no caminho do mal eu estou andando, e guia-me por um caminho de eternidade” (Sl 139, 23-24).
Ao ler os versículos 19 a 22 do salmo, talvez sintamos mal-estar interior semelhante. Pedir ao Deus vivo que me examine, conheça meu coração e me mostre minha maldade, o salmista deve estar brincando! Em verdade, não dizemos essas palavras a sério, se não acreditamos em nosso íntimo que Deus está do nosso lado. Quem convidaria um Deus bisbilhoteiro e vingativo a sondar seu coração? Somente um masoquista ousaria fazer isso. Contudo, esses versículos revelam uma verdade teológica profunda, ou seja, não podemos conhecer nossa pecaminosidade sem a ajuda de Deus, sem a revelação. Só Deus pode mostrar-nos nossos pecados. Não podemos mostrá-los a nós mesmos. Esta reflexão tem a finalidade de pedir a graça de Deus para que Ele nos ajude a reconhecer nossas maldades.
Há alguns anos, encontrei uma mulher que não podia abrir a Bíblia sem sentir condenação. Não importava onde olhasse na Bíblia, Deus parecia estar zangado, acusando, ameaçando castigo. Por isso desistiu de ler a Bíblia, já que ficava tão deprimida. É óbvio que ela tinha que deixar de ver grandes trechos da Bíblia que descreviam Deus sendo compassivo, atencioso, clemente, amoroso. Presumi que a imagem que ela fazia de Deus a impedia de notar essas partes da Bíblia e concluí que ela precisava de uma outra experiência de Deus para mudar a imagem que fazia dele. No primeiro e segundo capítulos, examinamos meios para ter a experiência fundamental de ser aceito por Deus, de sentir que somos “a pupila de seus olhos” (Sebastian Moore). Em termos dos Exercícios Espirituais inacianos, falamos de um “Primeiro Princípio e Fundamento”, uma experiência de nossa identidade básica como pessoa, cuja existência foi desejada por Deus. Antes de termos essa experiência fundamental, Deus está distante, é temível, um bisbilhoteiro e as pessoas com freqüência tornam-se escrupulosas enquanto tentam aplacá-lo. Precisam de ajuda para ter uma outra experiência de Deus, não exortações nem tratados teológicos que só os farão sentir-se pior. Esta verdade foi o tema dos primeiro segundo capítulos.
Quando acreditamos e sentimos realmente que Deus formou a nossa existência mais íntima, ligou-nos no seio de nossas mães e o louvamos do fundo do coração (Sl 139, 13-14), podemos pedir-lhe que nos revele nossa maldade. Pois então saberemos por experiência que Deus deseja nosso bem.
Naturalmente, ainda faremos essa oração pela revelação de nossa pecaminosidade com medo e apreensão, da mesma forma que vacilaríamos em pedir a nosso melhor amigo para nos dizer com sinceridade quais são nossas faltas e falhas. Sentimos que não vamos gostar do que vamos ouvir. E, com razão, porque o pecado é exatamente uma cegueira para nossas falhas reais. Por isso, quando pedimos a alguém que amamos para revelar-nos nossas imperfeições, abrimo-nos a uma nova visão de nós mesmos. Quando a mulher que mencionei acima passa a acreditar, por experiência, na bondade divina para com ela, também percebe que sua pecaminosidade consistia na verdade em sua auto-imagem insatisfatória e sua imagem de Deus como um parasita e um tirano e não nos pecados de que costumava se acusar. Na verdade é da revelação que precisamos e que pedimos quando dizemos com sinceridade as últimas palavras do Salmo 139. Por isso, essas palavras precisam se basear na bondade e benevolência divina.
Pressupondo tal confiança, como fazemos para deixar que Deus nos revele nossa pecaminosidade? Primeiro, precisamos deixar que ele faça isso. Esse desejo só se torna real, quando já estamos um pouco conscientes de que algo vai mal em nosso relacionamento com ele ou com os outros. Tornamo-nos conscientes do afastamento entre Deus e nós e imaginamos se nós estamos provocando. Em um curso sobre a oração, uma representação de papéis revelou essa consciência. Uma mulher descreveu algumas experiências de Deus bastante cálidas e íntimas que tivera duas semanas antes, mas que deram lugar a períodos de grande aridez. Enquanto examinávamos com atenção suas experiências, ela tornou-se consciente de que se sentira amedrontada além de atraída pela intimidade com Deus e se afastara dele. Agora tinha um motivo para pedir a Deus que revelasse o que a deixara tão amedrontada de ter intimidade com ele. Nessas circunstâncias, pode-se recordar da última vez que se sentiu próxima a Deus e pedir-lhe para ajudá-la a ver o que a fez ter medo. Em sua oração, começa a reviver esses momentos de proximidade e talvez sinta mais uma vez o medo surgir, mas agora estará alerta para notar o que o provocou.
As pessoas tornam-se cônscias de muitas fontes de afastamento de um Deus, que, outrora, parecia tão próximo. Lembram-se de pecados passados e imaginam se Deus as perdoou de verdade. Talvez tenham escondido até de si mesmas uma realidade que as faz sentirem-se envergonhadas diante de Deus. Por exemplo, muitas pessoas preocupadas com a própria identidade sexual sentem vergonha e não gostam de lembrar o assunto. Da mesma forma ao lerem os evangelhos, talvez deparem com um texto que aborde um tópico que há muito tempo haviam reprimido. Por exemplo, uma mulher talvez leia: “Se estiveres para apresentar a tua oferta ao pé do altar, e ali lembrares de que teu irmão tem qualquer coisa contra ti, larga tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Então voltarás, para apresentar a tua oferta” (Mt 5, 23-24). De repente, ela se recorda de alguma coisa que o irmão lhe fez anos atrás e que ela nunca perdoou e sente a raiva ressurgir. Ou um homem ouve este texto lido na missa dominical: “Se emprestares dinheiro a alguém dentre o meu povo, a um pobre que mora contigo, não te portarás para com ele como um usurário: não lhe imporás juros” (Ex 22,24) e se vê pensando em seus inquilinos no centro da cidade que pagam aluguéis altos por residências péssimas. Destas e de muitas outras maneiras, talvez, Deus revele-nos nossa pecaminosidade. Somos alertados dessa possibilidade, observando que a sensação de proximidade está mais uma vez ausente.
O último exemplo lembra-nos a história de Zaqueu (Lc 19, 1-10), um dos chefes dos cobradores de impostos e rico. Em certo sentido, ele cometeu um grande engano. Sua curiosidade o dominou e ele subiu a uma figueira para ver quem era Jesus. Jesus pede-lhe que desça da árvore: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje devo ficar na tua casa”. Zaqueu fica encantado e recebe o Senhor em sua casa. Os circunstantes murmuravam que Jesus foi comer com um pecador, mas algo acontece a Zaqueu só por estar na presença de Jesus. Aparentemente sem uma palavra de censura de Jesus, Zaqueu fica de pé diante dele e diz: “Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres. E se extorqui alguma coisa de alguém, vou lhe restituir quatro vezes o seu preço”. Só estar na presença de Deus ou de Jesus faz-nos lembrar nossa falta de santidade, nossa necessidade de conversão.
Assim, se procurarmos ficar perto de Deus, ou se lemos ou ouvimos a Bíblia com atenção, podemos nos ver espontaneamente refletindo sobre como deixamos de tratar os outros como Deus nos trata. Então as palavras do Pai Nosso terão um significado novo: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como perdoamos aos que nos têm ofendido.
Outra maneira de pedir perdão ao Senhor para nos revelar nossos pecados é sugerida por uma leitura contemplativa da cura de Bartimeu, o mendigo cego (Mc 10, 46-52). Como Bartimeu, nós também, muitas vezes nos sentimos pobres, cegos e necessitados. Como ele podemos gritar: “Filho de Davi, Jesus, tem piedade de mim!”. Os circunstantes repreendem Bartimeu dizendo-lhe para se calar. Ouvimos vozes interiores que nos mandam calar. “Jesus não teria tempo para alguém como eu”. “Eu devia conhecer meus pecados. Afinal de contas, conheço os mandamentos”. “É tolice pensar que Jesus vai falar comigo. É tudo imaginação”. Mas Bartimeu não dá nenhuma atenção às repreensões, gritando mais alto ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Jesus o chama e Bartimeu joga fora o manto, dá um pulo e vai apresentar-se a Jesus. Jesus lhe pergunta: “Que queres que eu te faça?” Imagine o que passa pela cabeça de Bartimeu ao ouvir essas palavras. Ele fica esperançoso, encantado, ansioso. Mas tem dúvidas ou receios? Imagina se suas esperanças nascerão apenas para serem rechaçadas, quando Jesus disser que não pode ajudá-lo? Ao pensar em pedir para enxergar, teme as mudanças que advirão em sua vida e seu pedido lhe for concedido? Afinal de contas, o único meio de vida que conhece é mendigar e só sabe lidar com o mundo como cego. Assim também, quando ouvimos as palavras de Jesus dirigidas a nós, podemos vibrar com emoção e esperança e tremer de medo. O que veremos quando Jesus abrir os olhos para nossa pecaminosidade?
Sabemos o que Bartimeu responde: “Rabbuni, que eu veja de novo!” que grande ato de confiança, dizer com tanta coragem que quer mudar totalmente sua vida. E Jesus lhe diz: “Vai, tua fé te salvou”. A primeira visão que Bartimeu tem é da face de Jesus, olhando-o com amor e, creio eu, admiração. Pelo menos, esta é uma forma de ler as palavras de Jesus sobre a fé de Bartimeu. A experiência dos séculos que se passaram desde o tempo de Jesus nos diz que os que pedem a Jesus para lhes curar a cegueira, para que possam ver a própria pecaminosidade e se arrepender também, olham nos olhos de um Jesus amoroso, não inimigo.
Muitos cristãos olharam nos olhos de Jesus e, onde esperavam ver condenação, viram amor.
“Examina-me, ó Deus, e conhece o meu íntimo, sonda e conhece meus pensamentos. Vê se no caminho do mal eu estou andando, e guia-me por um caminho de eternidade” (Sl 139, 23-24).
Ao ler os versículos 19 a 22 do salmo, talvez sintamos mal-estar interior semelhante. Pedir ao Deus vivo que me examine, conheça meu coração e me mostre minha maldade, o salmista deve estar brincando! Em verdade, não dizemos essas palavras a sério, se não acreditamos em nosso íntimo que Deus está do nosso lado. Quem convidaria um Deus bisbilhoteiro e vingativo a sondar seu coração? Somente um masoquista ousaria fazer isso. Contudo, esses versículos revelam uma verdade teológica profunda, ou seja, não podemos conhecer nossa pecaminosidade sem a ajuda de Deus, sem a revelação. Só Deus pode mostrar-nos nossos pecados. Não podemos mostrá-los a nós mesmos. Esta reflexão tem a finalidade de pedir a graça de Deus para que Ele nos ajude a reconhecer nossas maldades.
Há alguns anos, encontrei uma mulher que não podia abrir a Bíblia sem sentir condenação. Não importava onde olhasse na Bíblia, Deus parecia estar zangado, acusando, ameaçando castigo. Por isso desistiu de ler a Bíblia, já que ficava tão deprimida. É óbvio que ela tinha que deixar de ver grandes trechos da Bíblia que descreviam Deus sendo compassivo, atencioso, clemente, amoroso. Presumi que a imagem que ela fazia de Deus a impedia de notar essas partes da Bíblia e concluí que ela precisava de uma outra experiência de Deus para mudar a imagem que fazia dele. No primeiro e segundo capítulos, examinamos meios para ter a experiência fundamental de ser aceito por Deus, de sentir que somos “a pupila de seus olhos” (Sebastian Moore). Em termos dos Exercícios Espirituais inacianos, falamos de um “Primeiro Princípio e Fundamento”, uma experiência de nossa identidade básica como pessoa, cuja existência foi desejada por Deus. Antes de termos essa experiência fundamental, Deus está distante, é temível, um bisbilhoteiro e as pessoas com freqüência tornam-se escrupulosas enquanto tentam aplacá-lo. Precisam de ajuda para ter uma outra experiência de Deus, não exortações nem tratados teológicos que só os farão sentir-se pior. Esta verdade foi o tema dos primeiro segundo capítulos.
Quando acreditamos e sentimos realmente que Deus formou a nossa existência mais íntima, ligou-nos no seio de nossas mães e o louvamos do fundo do coração (Sl 139, 13-14), podemos pedir-lhe que nos revele nossa maldade. Pois então saberemos por experiência que Deus deseja nosso bem.
Naturalmente, ainda faremos essa oração pela revelação de nossa pecaminosidade com medo e apreensão, da mesma forma que vacilaríamos em pedir a nosso melhor amigo para nos dizer com sinceridade quais são nossas faltas e falhas. Sentimos que não vamos gostar do que vamos ouvir. E, com razão, porque o pecado é exatamente uma cegueira para nossas falhas reais. Por isso, quando pedimos a alguém que amamos para revelar-nos nossas imperfeições, abrimo-nos a uma nova visão de nós mesmos. Quando a mulher que mencionei acima passa a acreditar, por experiência, na bondade divina para com ela, também percebe que sua pecaminosidade consistia na verdade em sua auto-imagem insatisfatória e sua imagem de Deus como um parasita e um tirano e não nos pecados de que costumava se acusar. Na verdade é da revelação que precisamos e que pedimos quando dizemos com sinceridade as últimas palavras do Salmo 139. Por isso, essas palavras precisam se basear na bondade e benevolência divina.
Pressupondo tal confiança, como fazemos para deixar que Deus nos revele nossa pecaminosidade? Primeiro, precisamos deixar que ele faça isso. Esse desejo só se torna real, quando já estamos um pouco conscientes de que algo vai mal em nosso relacionamento com ele ou com os outros. Tornamo-nos conscientes do afastamento entre Deus e nós e imaginamos se nós estamos provocando. Em um curso sobre a oração, uma representação de papéis revelou essa consciência. Uma mulher descreveu algumas experiências de Deus bastante cálidas e íntimas que tivera duas semanas antes, mas que deram lugar a períodos de grande aridez. Enquanto examinávamos com atenção suas experiências, ela tornou-se consciente de que se sentira amedrontada além de atraída pela intimidade com Deus e se afastara dele. Agora tinha um motivo para pedir a Deus que revelasse o que a deixara tão amedrontada de ter intimidade com ele. Nessas circunstâncias, pode-se recordar da última vez que se sentiu próxima a Deus e pedir-lhe para ajudá-la a ver o que a fez ter medo. Em sua oração, começa a reviver esses momentos de proximidade e talvez sinta mais uma vez o medo surgir, mas agora estará alerta para notar o que o provocou.
As pessoas tornam-se cônscias de muitas fontes de afastamento de um Deus, que, outrora, parecia tão próximo. Lembram-se de pecados passados e imaginam se Deus as perdoou de verdade. Talvez tenham escondido até de si mesmas uma realidade que as faz sentirem-se envergonhadas diante de Deus. Por exemplo, muitas pessoas preocupadas com a própria identidade sexual sentem vergonha e não gostam de lembrar o assunto. Da mesma forma ao lerem os evangelhos, talvez deparem com um texto que aborde um tópico que há muito tempo haviam reprimido. Por exemplo, uma mulher talvez leia: “Se estiveres para apresentar a tua oferta ao pé do altar, e ali lembrares de que teu irmão tem qualquer coisa contra ti, larga tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão. Então voltarás, para apresentar a tua oferta” (Mt 5, 23-24). De repente, ela se recorda de alguma coisa que o irmão lhe fez anos atrás e que ela nunca perdoou e sente a raiva ressurgir. Ou um homem ouve este texto lido na missa dominical: “Se emprestares dinheiro a alguém dentre o meu povo, a um pobre que mora contigo, não te portarás para com ele como um usurário: não lhe imporás juros” (Ex 22,24) e se vê pensando em seus inquilinos no centro da cidade que pagam aluguéis altos por residências péssimas. Destas e de muitas outras maneiras, talvez, Deus revele-nos nossa pecaminosidade. Somos alertados dessa possibilidade, observando que a sensação de proximidade está mais uma vez ausente.
O último exemplo lembra-nos a história de Zaqueu (Lc 19, 1-10), um dos chefes dos cobradores de impostos e rico. Em certo sentido, ele cometeu um grande engano. Sua curiosidade o dominou e ele subiu a uma figueira para ver quem era Jesus. Jesus pede-lhe que desça da árvore: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje devo ficar na tua casa”. Zaqueu fica encantado e recebe o Senhor em sua casa. Os circunstantes murmuravam que Jesus foi comer com um pecador, mas algo acontece a Zaqueu só por estar na presença de Jesus. Aparentemente sem uma palavra de censura de Jesus, Zaqueu fica de pé diante dele e diz: “Senhor, dou a metade dos meus bens aos pobres. E se extorqui alguma coisa de alguém, vou lhe restituir quatro vezes o seu preço”. Só estar na presença de Deus ou de Jesus faz-nos lembrar nossa falta de santidade, nossa necessidade de conversão.
Assim, se procurarmos ficar perto de Deus, ou se lemos ou ouvimos a Bíblia com atenção, podemos nos ver espontaneamente refletindo sobre como deixamos de tratar os outros como Deus nos trata. Então as palavras do Pai Nosso terão um significado novo: Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como perdoamos aos que nos têm ofendido.
Outra maneira de pedir perdão ao Senhor para nos revelar nossos pecados é sugerida por uma leitura contemplativa da cura de Bartimeu, o mendigo cego (Mc 10, 46-52). Como Bartimeu, nós também, muitas vezes nos sentimos pobres, cegos e necessitados. Como ele podemos gritar: “Filho de Davi, Jesus, tem piedade de mim!”. Os circunstantes repreendem Bartimeu dizendo-lhe para se calar. Ouvimos vozes interiores que nos mandam calar. “Jesus não teria tempo para alguém como eu”. “Eu devia conhecer meus pecados. Afinal de contas, conheço os mandamentos”. “É tolice pensar que Jesus vai falar comigo. É tudo imaginação”. Mas Bartimeu não dá nenhuma atenção às repreensões, gritando mais alto ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Jesus o chama e Bartimeu joga fora o manto, dá um pulo e vai apresentar-se a Jesus. Jesus lhe pergunta: “Que queres que eu te faça?” Imagine o que passa pela cabeça de Bartimeu ao ouvir essas palavras. Ele fica esperançoso, encantado, ansioso. Mas tem dúvidas ou receios? Imagina se suas esperanças nascerão apenas para serem rechaçadas, quando Jesus disser que não pode ajudá-lo? Ao pensar em pedir para enxergar, teme as mudanças que advirão em sua vida e seu pedido lhe for concedido? Afinal de contas, o único meio de vida que conhece é mendigar e só sabe lidar com o mundo como cego. Assim também, quando ouvimos as palavras de Jesus dirigidas a nós, podemos vibrar com emoção e esperança e tremer de medo. O que veremos quando Jesus abrir os olhos para nossa pecaminosidade?
Sabemos o que Bartimeu responde: “Rabbuni, que eu veja de novo!” que grande ato de confiança, dizer com tanta coragem que quer mudar totalmente sua vida. E Jesus lhe diz: “Vai, tua fé te salvou”. A primeira visão que Bartimeu tem é da face de Jesus, olhando-o com amor e, creio eu, admiração. Pelo menos, esta é uma forma de ler as palavras de Jesus sobre a fé de Bartimeu. A experiência dos séculos que se passaram desde o tempo de Jesus nos diz que os que pedem a Jesus para lhes curar a cegueira, para que possam ver a própria pecaminosidade e se arrepender também, olham nos olhos de um Jesus amoroso, não inimigo.
Muitos cristãos olharam nos olhos de Jesus e, onde esperavam ver condenação, viram amor.
sábado, 2 de abril de 2011
4- Reflexão quaresmal
O SENTIDO DO PECADO
Para descobrir o sentido do pecado é preciso descobrir o sentido de Deus. Em Lc 5,8, encontramos: “Afasta-te de mim porque sou um pecador. O publicano não levantava o olho para o céu (Lc 18,13). O fariseu, ao contrário, fica de pé diante de Deus, pois pensa que pode estabelecer o confronto sem problemas, como igual para igual, como se Deus fosse somente um amigo. Com essa pretensão, dentro deste projeto sentimental de intimidade, é difícil até certo ponto descobrir-se alguém pecador. “Hoje devo ficar em sua casa” (Lc 19,6). Mas antes disso foi importante para Zaqueu ter feito a experiência da impotência, de sentir a ausência de Deus para depois aceitar a sua inefabilidade. Sem passar pelo deserto da transcendência, não se pode depois desfrutar da revelação. Aceitar o amor de Deus, é a condição indispensável para fazer nascer em si uma consciência de pecado e perceber a dor de ter ofendido essa divina vontade. O fariseu na parábola não suplica a Deus, nem tem necessidade de ouvi-lo, já eliminou as distâncias com suas palavras e se ilude de ter uma linha direta com o altíssimo. Como fala só consigo mesmo, encontra-se só com os seus méritos e suas pretensões. Agradecer a Deus porque é sem vícios, não porque sinta amado por Deus. Não descobre nenhum projeto divino sobre si, basta-lhe saber que é melhor que os outros. O seu monólogo é um palavreado vazio, exibicionismo enganoso de um EU que não tem outro deus além de si mesmo e que, portanto, paradoxalmente, não poderá jamais pecar nem sentir dor alguma. Diante da luz, descobrimos que somos trevas. Diante do amor nos sentimos egoístas, apesar dos nossos jejuns e de nossas observâncias. “Tende piedade de mim pecador” (Lc 18,13). É uma oração espontânea, simples e essencial, como de alguém que se encontra em extrema necessidade. É algo verdadeiro e coerente, parque nasce de uma experiência profunda do próprio pecado e da própria incapacidade de livrar-se dele. Somente quem conhece e sofre seu pecado diante de Deus pode descobrir sua bondade e esperar seu perdão. A reconciliação com Deus passa necessariamente pela contemplação da cruz: somente esta é que pode me dar, ao mesmo tempo, a plena certeza de estar plenamente perdoado e também de ter custado muito por ter rompido um vínculo que somente o sacrifício do Filho poderia se constituir. A cruz é a medida do amor do Pai e do meu pecado. A reconciliação com Deus é encontro com aquele amor e consciência daquele pecado. Não pode haver reconciliação sem a experiência da cruz. A cruz de Cristo purifica a nossa imagem de Deus, destrói os nossos ídolos, nos impede de projetar em Deus os nossos sonhos frustrados de onipotência, de glória e de domínio. O Deus da cruz é mais escândalo do que fascínio (1Cor 1,23). Quem não sofre a dor do próprio erro e não está reconciliado com o Deus da cruz, muito dificilmente será uma pessoa misericordiosa. Perdoar é depor as armas das nossas extorsões psicológicas, é renunciar fazer justiça em causa própria. O perdão exige grande liberdade interior. Ao perdoar-nos, Deus cria em nós um coração novo, feito de acordo com o seu, capaz de perdoar à sua maneira. Poder perdoar é dom de Deus; é, sobretudo, quem perdoa que vive a experiência de ser amado pelo Pai. Dar perdão não significa por o outro de joelhos para que reconheça as suas injustiças, nem mesmo obrigá-lo a reconhecer sua falta fazendo-o avaliar a sua culpa. O verdadeiro perdão é sincero, mostra uma vontade real de acolhida e comunhão. Confessar a Deus o próprio erro quer dizer experimentar a abundância de seu perdão e sentir-se reconciliado com o Deus da cruz, fraco e amoroso. O pecado é a decisão de construir a própria vida segundo o sonho de uma autonomia suficiente e surda (Sl 95,7-11; Hb 3,7-4,11). Pedro toma consciência do seu pecado (Lc 5,8). Isaías sente que seus lábios são impuros (Is 6,5) O pecado, portanto, não está nas coisas exteriores, nem dentro da própria natureza humana, mas na decisão que frustra o plano harmonioso de Deus. O pecado modifica o nó de relações que é a própria vida do homem. O homem criado para ir à procura de Deus, agora, se sente transformado na criatura procurada por Deus. Seus semelhantes, neste caso a mulher, se transformam em inimigos seus. Sem dúvida, o pecado do homem não significa a última palavra. Deus está decidido manter o homem em seu projeto de vida e esperança (Gen 3,15). Todo pecado é uma idolatria, uma substituição: as coisas de Deus no lugar do Deus das coisas. Todo pecado é uma ingratidão, um abandono do Deus apaixonado pelo povo; um adultério diante do Senhor que desposou seu povo (Os 1, 2; Jer 2, 2; Ez 16 e 23). Paulo conclui dizendo que a lei do Espírito é que dá a vida. Em Cristo Jesus nos libertou do pecado e da morte (Rom 8,2). É na consciência de cada um que Deus se revela, e como diz a Gaudium et Spes 16 “A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz”.
quarta-feira, 23 de março de 2011
3. Reflexão quaresmal
Deus, Misericórdia Infinita.
A palavra “misericórdia” está entre as que mais frequentemente aparecem nos escritos de São Vicente Pallotti. Ele, desde o início, pensou a União do Apostolado Católico (UAC) como uma instituição para realizar obras de misericórdia. Para os que, de alguma forma, querem fazer parte da Família Palotina, é indispensável penetrar, o mais possível, nas riquezas da “misericórdia”.
A palavra ‘misericórdia’
As palavras em Hebraico e em Grego indicam aquilo que, nas línguas modernas, se traduzem por amor, ternura, compaixão, caridade, piedade, benevolência, bondade, algumas vezes até por graça.
No entanto, o significado bíblico dessa palavra é claro: representa ternura de Deus para com a miséria humana e também atitude que devemos ter para com o nosso semelhante, à imitação do nosso Criador. Não compreender a profundidade dessa palavra comporta um duplo risco em relação a Deus e ao próximo.
- conceber Deus mais como juiz do que Pai misericordioso pode nos levar ao desespero em vista dos nossos pecados.
- faltar com uma autêntica solidariedade para com os nossos semelhantes pode fazer com que nos aproximemos deles de forma errada, ou nos condenemos ao isolamento.
Misericórdia de Deus
Pallotti, consciente de seu “nada e pecado”, se entrega à misericórdia divina, feliz pelo perdão, pela gratuidade, pela predileção imerecida. Daí que quase todas as suas orações iniciam invocando “Deus, minha misericórdia infinita” e freqüentemente se define a si mesmo “prodígio de misericórdia”, e “milagre, troféu, abismo ... da sua misericórdia” (OOCC X, 356-357).
E realmente São Vicente pode chamar a Deus de “minha misericórdia”, porque vive de maneira concreta e pessoal a misericórdia de Deus, chegando a exclamar: “Meu Jesus, meu juiz, morto para não me condenar à morte!” (OOCC X, 668)
Esse equilíbrio entre a consciência dos próprios limites e a certeza da ilimitada misericórdia de Deus, permitiu a Pallotti sentir serenamente, sem complexo de culpa e sem ilusão de perfeição, a consciência dos próprios pecados, “destruídos” aos poucos pela misericórdia de Deus no sacramento da reconciliação, a que recorria com freqüência e com muito fervor.
De resto, compreender a misericórdia de Deus significa entrar numa atitude de humildade autêntica e de verdadeira contrição (Sl 50) e, ao mesmo tempo, na confiança e gratidão para com Deus, Pai e Senhor de misericórdia (Sb 9, 1).
Misericórdia dos homens
Se Deus em sua misericórdia se “inclina” sobre o pobre e Jesus quis experimentar a mesma pobreza dos que vinha salvar (Hb 2, 17) - nós somos chamados a manifestar os sentimentos de “solidariedade” para com aqueles que, além de partilhar conosco a mesma limitação da condição humana, se encontra em situação menos favorecida. Ter misericórdia significa ter o coração de Deus, permitir-lhe pulsar nesta humanidade sofredora. Mas ... como concretizar a misericórdia?
O caminho pessoal e comunitário de fé nos dá uma visão do problemas individuais e coletivos da realidade em que vivemos: não existem receitas prontas, mas, como se diz, o amor é um bom conselheiro!
Vejamos alguns exemplos:
da Bíblia: o ser humano consciente de ser objeto da misericórdia de Deus é chamado a perdoar (cfr Lc 6,36), a parar diante das necessidades do próximo (Lc 10,29-37), a amar sem medidas (Lc 6, 27-35).
do Concílio Vaticano II: “enquanto todo o exercício do apostolado deve buscar sua origem e força na caridade, algumas obras são por sua natureza aptas a converter-se em expressão viva da mesma caridade, obras essas que o Cristo Senhor quis fossem sinais de uma Missão messiânica ... por isso a misericórdia para com os pobres e doentes e as assim chamadas obras de caridade e de auxílio mútuo, para aliviar as anímodas necessidades humanas, são tidas pela Igreja em estima particular”(AA 8). O parágrafo prossegue explicando quem é o próximo no mundo de hoje e dita regras preciosas sobre o modo de realizar a caridade sem hipocrisia, sobre a atitude cristã - humilde que não humilha - de que falávamos no início. É uma página do Concílio digna de ser meditada por todos, especialmente por aqueles que procuram viver a espiritualidade palotina.
A nossa ... misericórdia
Considerando a experiência que hoje temos da União do Apostolado Católico, sentimos um grande estímulo, pois os membros da Família Palotina estão em todo o mundo trabalhando nos mais variados campos a favor dos irmãos mais necessitados: nas missões, nas prisões, junto aos marginalizados, doentes, drogados em defesa da vida, etc. É tarefa da União envolver sempre mais a comunidade nesse trabalho, e estar sempre pronta a reconhecer necessidades novas ou negligenciadas. De resto, o hino a caridade dos I Coríntios, tão caro a São Vicente, é, em certo sentido o distintivo da nossa união e muito sugestivo!
Examinando a vida de Pallotti, notamos que, enquanto seus escritos falam apenas do bem que não conseguia fazer, os biógrafos nos escrevem as suas jornadas incrivelmente cheias de obras de misericórdia; obras concretas com as quais atingia a todos aqueles que sabia necessitados de conforto moral e espiritual e de assistência material, nas casas, pelas estradas, nas prisões, nos hospitais ou nas igrejas, e em particular no confessionário; obras realizadas com sentimentos de profunda e sincera caridade.
Mas contemplar um modelo, neste caso S. Vicente Pallotti, significa inevitavelmente confrontar-nos com ele e questionar-nos. O exame de consciência, abaixo, será tanto mais profundo e detalhado quanto mais tivermos progredido no caminho de santidade. Aproximar-nos de Deus é de fato como aproximar-nos de um espelho: quanto mais diminui a distância, tanto mais aparecem os defeitos e as rugas!
Comecemos portanto por nos perguntar: como ocupamos os nossos dias, sobre os sentimentos que envolvem as nossas ações... E se a pressa, a ânsia ou o aborrecimento envolvem a nossa vida ou se por falta de autêntica caridade somos semelhante a “um bronze que soa ou como um símbalo que tine” (lCor 13,1), deixemo-nos estimular pelas palavras de Jesus, segundo as quais, se formos misericordiosos, seremos felizes e também obteremos misericórdia (Mt 5,7). Enfim, recordando que ser misericordioso é dom que se deve pedir a Deus, unamo-nos a S. Vicente Pallotti que meditava esse versículo do Evangelho na seguinte oração . Oração para obter misericórdia.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC.
A palavra “misericórdia” está entre as que mais frequentemente aparecem nos escritos de São Vicente Pallotti. Ele, desde o início, pensou a União do Apostolado Católico (UAC) como uma instituição para realizar obras de misericórdia. Para os que, de alguma forma, querem fazer parte da Família Palotina, é indispensável penetrar, o mais possível, nas riquezas da “misericórdia”.
A palavra ‘misericórdia’
As palavras em Hebraico e em Grego indicam aquilo que, nas línguas modernas, se traduzem por amor, ternura, compaixão, caridade, piedade, benevolência, bondade, algumas vezes até por graça.
No entanto, o significado bíblico dessa palavra é claro: representa ternura de Deus para com a miséria humana e também atitude que devemos ter para com o nosso semelhante, à imitação do nosso Criador. Não compreender a profundidade dessa palavra comporta um duplo risco em relação a Deus e ao próximo.
- conceber Deus mais como juiz do que Pai misericordioso pode nos levar ao desespero em vista dos nossos pecados.
- faltar com uma autêntica solidariedade para com os nossos semelhantes pode fazer com que nos aproximemos deles de forma errada, ou nos condenemos ao isolamento.
Misericórdia de Deus
Pallotti, consciente de seu “nada e pecado”, se entrega à misericórdia divina, feliz pelo perdão, pela gratuidade, pela predileção imerecida. Daí que quase todas as suas orações iniciam invocando “Deus, minha misericórdia infinita” e freqüentemente se define a si mesmo “prodígio de misericórdia”, e “milagre, troféu, abismo ... da sua misericórdia” (OOCC X, 356-357).
E realmente São Vicente pode chamar a Deus de “minha misericórdia”, porque vive de maneira concreta e pessoal a misericórdia de Deus, chegando a exclamar: “Meu Jesus, meu juiz, morto para não me condenar à morte!” (OOCC X, 668)
Esse equilíbrio entre a consciência dos próprios limites e a certeza da ilimitada misericórdia de Deus, permitiu a Pallotti sentir serenamente, sem complexo de culpa e sem ilusão de perfeição, a consciência dos próprios pecados, “destruídos” aos poucos pela misericórdia de Deus no sacramento da reconciliação, a que recorria com freqüência e com muito fervor.
De resto, compreender a misericórdia de Deus significa entrar numa atitude de humildade autêntica e de verdadeira contrição (Sl 50) e, ao mesmo tempo, na confiança e gratidão para com Deus, Pai e Senhor de misericórdia (Sb 9, 1).
Misericórdia dos homens
Se Deus em sua misericórdia se “inclina” sobre o pobre e Jesus quis experimentar a mesma pobreza dos que vinha salvar (Hb 2, 17) - nós somos chamados a manifestar os sentimentos de “solidariedade” para com aqueles que, além de partilhar conosco a mesma limitação da condição humana, se encontra em situação menos favorecida. Ter misericórdia significa ter o coração de Deus, permitir-lhe pulsar nesta humanidade sofredora. Mas ... como concretizar a misericórdia?
O caminho pessoal e comunitário de fé nos dá uma visão do problemas individuais e coletivos da realidade em que vivemos: não existem receitas prontas, mas, como se diz, o amor é um bom conselheiro!
Vejamos alguns exemplos:
da Bíblia: o ser humano consciente de ser objeto da misericórdia de Deus é chamado a perdoar (cfr Lc 6,36), a parar diante das necessidades do próximo (Lc 10,29-37), a amar sem medidas (Lc 6, 27-35).
do Concílio Vaticano II: “enquanto todo o exercício do apostolado deve buscar sua origem e força na caridade, algumas obras são por sua natureza aptas a converter-se em expressão viva da mesma caridade, obras essas que o Cristo Senhor quis fossem sinais de uma Missão messiânica ... por isso a misericórdia para com os pobres e doentes e as assim chamadas obras de caridade e de auxílio mútuo, para aliviar as anímodas necessidades humanas, são tidas pela Igreja em estima particular”(AA 8). O parágrafo prossegue explicando quem é o próximo no mundo de hoje e dita regras preciosas sobre o modo de realizar a caridade sem hipocrisia, sobre a atitude cristã - humilde que não humilha - de que falávamos no início. É uma página do Concílio digna de ser meditada por todos, especialmente por aqueles que procuram viver a espiritualidade palotina.
A nossa ... misericórdia
Considerando a experiência que hoje temos da União do Apostolado Católico, sentimos um grande estímulo, pois os membros da Família Palotina estão em todo o mundo trabalhando nos mais variados campos a favor dos irmãos mais necessitados: nas missões, nas prisões, junto aos marginalizados, doentes, drogados em defesa da vida, etc. É tarefa da União envolver sempre mais a comunidade nesse trabalho, e estar sempre pronta a reconhecer necessidades novas ou negligenciadas. De resto, o hino a caridade dos I Coríntios, tão caro a São Vicente, é, em certo sentido o distintivo da nossa união e muito sugestivo!
Examinando a vida de Pallotti, notamos que, enquanto seus escritos falam apenas do bem que não conseguia fazer, os biógrafos nos escrevem as suas jornadas incrivelmente cheias de obras de misericórdia; obras concretas com as quais atingia a todos aqueles que sabia necessitados de conforto moral e espiritual e de assistência material, nas casas, pelas estradas, nas prisões, nos hospitais ou nas igrejas, e em particular no confessionário; obras realizadas com sentimentos de profunda e sincera caridade.
Mas contemplar um modelo, neste caso S. Vicente Pallotti, significa inevitavelmente confrontar-nos com ele e questionar-nos. O exame de consciência, abaixo, será tanto mais profundo e detalhado quanto mais tivermos progredido no caminho de santidade. Aproximar-nos de Deus é de fato como aproximar-nos de um espelho: quanto mais diminui a distância, tanto mais aparecem os defeitos e as rugas!
Comecemos portanto por nos perguntar: como ocupamos os nossos dias, sobre os sentimentos que envolvem as nossas ações... E se a pressa, a ânsia ou o aborrecimento envolvem a nossa vida ou se por falta de autêntica caridade somos semelhante a “um bronze que soa ou como um símbalo que tine” (lCor 13,1), deixemo-nos estimular pelas palavras de Jesus, segundo as quais, se formos misericordiosos, seremos felizes e também obteremos misericórdia (Mt 5,7). Enfim, recordando que ser misericordioso é dom que se deve pedir a Deus, unamo-nos a S. Vicente Pallotti que meditava esse versículo do Evangelho na seguinte oração . Oração para obter misericórdia.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC.
domingo, 20 de março de 2011
2. Retiro quaresmal
O fascínio do pecado
“O pecado sussurra ao ímpio, lá no fundo do seu coração” (Sl 35,2). “Diante de meus olhos, tenho sempre o meu pecado” (Sl 50,5). “Dirigi meus passos segundo a vossa palavra, a fim de que jamais o pecado reine sobre mim” (Sl 118, 133).
A experiência mais trágica que o ser humano pode fazer é a do pecado, pois ele divide o coração humano e o conduz à morte (Rm 5, 12.14-15a-17.19). Um coração dividido é um coração inquieto, sem paz. Mas experimentando o pecado, podemos também experimentar a misericórdia infinita de Deus que não olha para o pecado cometido, mas para o pecador e o quer resgatá-lo (Ez 33,11). Esta experiência é bem maior que aquela de estar longe do amor de Deus.
Mas, a minha história de pecado é também a história da misericórdia de Deus por mim. Com o pecado, coloco-me em uma situação de bloqueio, sem um possível retorno da minha parte. Só Deus, infinita potência e perdão, pode reintroduzir-me na graça. Nem a minha conversão bastaria em si mesma: é o amor perdoante que me reintegra na relação de amor salvífico, na graça. O perdão e a reconciliação acontecem no abraço misericordioso de Deus, acolhido com alegria e confiança.
Na perspectiva da salvação, o fundamental é sempre a graça e o amor de Deus. O pecado e a culpa são vistos a partir dessa experiência de salvação gratuita oferecida pelo Deus Ágape. Na experiência cristã, o primeiro e mais fundamental não é a consideração do pecado e da culpa, mas a abertura para acolher o dom do amor misericordioso do Deus Ágape. (Alfonso Garcia Rubio. A caminho da maturidade na experiência de Deus. Paulinas, 2008, p. 203).
Através da graça de Deus, percebemos o significado destruidor e desumanizador do pecado, que conduz a uma situação de escravidão.
O prioritário é deixar que Deus seja Deus, de verdade, em nossa vida. Acolher o amor de Deus nunca deixa o ser humano passivo.
Pecado e graça são duas histórias paralelas que se cruzam e misturam, de forma maravilhosa, na história da humanidade e na vida de hoje. Onde foi grande o pecado, maior foi a graça, diz São Paulo (Rm 5,20). Pecado e perdão se apresentam como dois elementos evidentes de uma única história de amor, de uma história de dois corações: o coração de Deus e o nosso.
Tomando consciência do amor infinito de Deus por mim, posso reconhecer-me pecador, porque o meu pecado é uma história de amor, de amor faltado, de amor falsificado, ilusório, infiel, para com um amor fiel (1Cor 10,13). A cada pecado cometido por mim, Deus respondeu com amor que perdoa. A cada infidelidade minha, ele sempre reafirmou o seu amor fiel por mim. (Gl 2,20)
O pecado existe somente em relação a um relacionamento de amor. É um vazio de amor. O vazio não pode ser apagado, supresso, mas somente preenchido. Eis o que é o perdão, o ato que vem preencher este vazio de amor com o dom do amor. É verdade que o importante, o que vem primeiro não é o reconhecimento do pecado, mas o reconhecimento do amor misericordioso (Cr 16,34). Este conduz à conversão. Somente quando o filho pródigo se encontrou com o amor do pai, reconheceu-se pecador e converteu-se (trata-me como a um dos teus servos. Não sou mais digno de ser considerado teu filho – Lc 15,19). O amor precede a conversão, e não é a conversão que nos faz merecer o amor.
O pecado substancialmente, na sua raiz, é um vazio, um vazio de amor, não compreende a comunhão de amor gratuito, se isola, não recebe e não dá amor, eis o pecado, o vazio de amor (primeiro vem o vazio de amor, depois os atos maus, pecaminosos).
Para santo Agostinho, o pecado não acontece de repente e por acaso. Ele faz todo um percurso até chegar aos fatos (Mt 5,28). Os bens buscados pelos pecadores de nenhum modo são coisas más. O que os pecadores visam se lhes apresenta como um bem. Ninguém quer o mal pelo mal. Os bens buscados pelo pecador se apresentam como sendo fascinantes.
Num primeiro momento, eles se insinuam como sendo a conquista de algo que vale a pena. São coisas belas. É uma ilusão de felicidade, que obscurece o coração do pecador. Ele cede à ilusão de prazer e felicidade. (Mc 4,19)
O pecado não consiste em se deleitar com as obras de Deus, consiste, antes, em preferir ficar com a obra de arte, em vez de, através deles, chegar ao artista. Consiste em contentar-se com os vestígios, em vez de chegar ao criador (Pr 2,6-15). “Pareceu bem aos olhos e ao paladar”. Pura sensação externa.
Entretanto, uma vez separado de Deus, por uma opção livre, o ser humano tende a parar no caminho e a apegar-se a qualquer coisa. (Frei Moser. O pecado: do descrédito ao aprofundamento, 184).
O pior pecado consiste no fato de, ao afastar-se de Deus, o ser humano começa a imitá-lo, mas perversamente. A primeira tentação é a do orgulho, de ser como Deus (Gn 3,5). Pelo orgulho, o ser humano volta sobre si mesmo, em si mesmo se compraz. Negando Deus, desta forma vai tomar a si mesmo e a sua vontade como normas do seu agir. Eu sou assim mesmo. Deus me fez assim, por isso estou isento de culpa e o pecado faz parte da minha vida. Não tenho outra escolha senão pecar. O problema não foi criado por mim, pois estou cedendo apenas a uma inclinação mais forte que eu. Isso já está marcado em mim.
Com isto está aberto o caminho para o ser humano não apenas usurpar o lugar de Deus, mas, em consequência testa primeira usurpação, julga-se no direito de também usurpar os bens que Deus destinou a todos. P. 185
É através do reconhecimento das próprias limitações e do próprio pecado que se abre um caminho para a construção de um novo eu, apontando continuamente para um dever ser. A verdadeira consciência do pecado não olha tanto para trás, antes, sem renegar o passado, abre-se esplendorosamente para o futuro, confiante na misericórdia divina. E quanto ao sentimento patológico de culpabilidade leva a uma busca desesperada de autojustificação e a não aceitação da sua própria responsabilidade. P. 210
Essa desculpa não é nova. Adão também tentou livrar-se da culpa diante de Deus, dizendo: “A mulher que você colocou na minha vida deu-me de comer o fruto da árvore proibida” (Gn 3,12). A mulher também se desculpou: “A serpente me enganou” (Gn 3,13). Portanto, diante destas afirmações, ambos tentaram se eximir de qualquer responsabilidade diante de Deus, mas Deus não aceitou essa desculpa. Se o ser humano é livre para pecar, deve ser livre também para assumir as consequências do seu pecado: o afastamento do amor de Deus, e consequentemente, a morte. Deus é a fonte da vida, e sem ele a vida perde o seu sentido. O ser humano caminha em direção ao nada, por isso se anula, adoece. As portas se fecham e a pessoa acaba ficando apenas com a sua triste realidade. Afunda-se em um mar de lama e quando mais se agita, mais se afunda, porque não construiu sua vida sob uma base sólida. Este é o sentido da morte provocada pelo pecado.
O pecado é não querer progredir, não querer chegar ao âmago de si mesmo, onde o humano e o divino se encontram. Pecar é negar a origem do seu ser.
O pecado é um não a si mesmo, enquanto ser finito que só se realiza na medida em que mergulha no infinito. Todo pecado é ficar em si mesmo, num esquecimento de que nosso ser profundo é manifestação do invisível. P. 217
O pecado é programado, como se programa um computador. A pessoa sempre pode interromper o processo, mas, se não o fizer, o resultado será como que uma conclusão lógica. Seria surpreendente se não se concretizasse. Jesus dizia que o pecado nasce no coração humano. P. 228
Os justos e pecadores são colocados diante de uma opção nova e decisiva. Justos e pecadores deverão acolher a mensagem do reino e colocá-la em prática. O que deve ser pregado é a salvação e não o pecado. Esta foi a tônica dada por Jesus. (Mc 2, 17)
Zaqueu quando entra na sua casa tudo se ilumina, inclusive a consciência do pecado.
Em Pallotti, a experiência fundamental da sua vida é que Deus é misericórdia infinita. Quanto mais luz tem, mais claras ficam as coisas. Pallotti, iluminado pela graça de Deus, descobriu o seu nada e pecado. Por isso sempre pedia que a vida de Cristo fosse a sua vida.
(Ratio 140 – Kenose de Pallotti)
Acontece nele um autoesvaziamento para que sua vida vá se transformando em Cristo. Na medida em que me esvazio de tudo aquilo que me atrapalha para um autêntico relacionamento com Cristo, vou-me transformando nele. Do nada ao tudo.
Sem o reconhecimento do pecado, não há caminho de conversão. Pallotti sempre complementa que a misericórdia de Deus é tudo. Ele é pecador, mas amado e perdoado por Deus. Eu sou puro pecado, mas a graça de Deus é maior que meu limite.
O pecado é consequência do vazio de amor. É a falta da presença e de sentir-se amado por Deus. Misericórdia significa ter um coração pobre. Só pode ter misericórdia quem experimenta a misericórdia. A maneira mais autêntica do amor humano é a compaixão. Em Lucas 15,11-32, encontramos a dinâmica da misericórdia divina. O pai não olha o mal praticado pelo filho, mas se alegra porque ele estava morto e agora passou a viver, estava perdido e foi reencontrado. Para Deus basta isto, que voltemos pressurosos para o aconchego da casa, onde reina o amor.
Rm 5,8.20
“O pecado sussurra ao ímpio, lá no fundo do seu coração” (Sl 35,2). “Diante de meus olhos, tenho sempre o meu pecado” (Sl 50,5). “Dirigi meus passos segundo a vossa palavra, a fim de que jamais o pecado reine sobre mim” (Sl 118, 133).
A experiência mais trágica que o ser humano pode fazer é a do pecado, pois ele divide o coração humano e o conduz à morte (Rm 5, 12.14-15a-17.19). Um coração dividido é um coração inquieto, sem paz. Mas experimentando o pecado, podemos também experimentar a misericórdia infinita de Deus que não olha para o pecado cometido, mas para o pecador e o quer resgatá-lo (Ez 33,11). Esta experiência é bem maior que aquela de estar longe do amor de Deus.
Mas, a minha história de pecado é também a história da misericórdia de Deus por mim. Com o pecado, coloco-me em uma situação de bloqueio, sem um possível retorno da minha parte. Só Deus, infinita potência e perdão, pode reintroduzir-me na graça. Nem a minha conversão bastaria em si mesma: é o amor perdoante que me reintegra na relação de amor salvífico, na graça. O perdão e a reconciliação acontecem no abraço misericordioso de Deus, acolhido com alegria e confiança.
Na perspectiva da salvação, o fundamental é sempre a graça e o amor de Deus. O pecado e a culpa são vistos a partir dessa experiência de salvação gratuita oferecida pelo Deus Ágape. Na experiência cristã, o primeiro e mais fundamental não é a consideração do pecado e da culpa, mas a abertura para acolher o dom do amor misericordioso do Deus Ágape. (Alfonso Garcia Rubio. A caminho da maturidade na experiência de Deus. Paulinas, 2008, p. 203).
Através da graça de Deus, percebemos o significado destruidor e desumanizador do pecado, que conduz a uma situação de escravidão.
O prioritário é deixar que Deus seja Deus, de verdade, em nossa vida. Acolher o amor de Deus nunca deixa o ser humano passivo.
Pecado e graça são duas histórias paralelas que se cruzam e misturam, de forma maravilhosa, na história da humanidade e na vida de hoje. Onde foi grande o pecado, maior foi a graça, diz São Paulo (Rm 5,20). Pecado e perdão se apresentam como dois elementos evidentes de uma única história de amor, de uma história de dois corações: o coração de Deus e o nosso.
Tomando consciência do amor infinito de Deus por mim, posso reconhecer-me pecador, porque o meu pecado é uma história de amor, de amor faltado, de amor falsificado, ilusório, infiel, para com um amor fiel (1Cor 10,13). A cada pecado cometido por mim, Deus respondeu com amor que perdoa. A cada infidelidade minha, ele sempre reafirmou o seu amor fiel por mim. (Gl 2,20)
O pecado existe somente em relação a um relacionamento de amor. É um vazio de amor. O vazio não pode ser apagado, supresso, mas somente preenchido. Eis o que é o perdão, o ato que vem preencher este vazio de amor com o dom do amor. É verdade que o importante, o que vem primeiro não é o reconhecimento do pecado, mas o reconhecimento do amor misericordioso (Cr 16,34). Este conduz à conversão. Somente quando o filho pródigo se encontrou com o amor do pai, reconheceu-se pecador e converteu-se (trata-me como a um dos teus servos. Não sou mais digno de ser considerado teu filho – Lc 15,19). O amor precede a conversão, e não é a conversão que nos faz merecer o amor.
O pecado substancialmente, na sua raiz, é um vazio, um vazio de amor, não compreende a comunhão de amor gratuito, se isola, não recebe e não dá amor, eis o pecado, o vazio de amor (primeiro vem o vazio de amor, depois os atos maus, pecaminosos).
Para santo Agostinho, o pecado não acontece de repente e por acaso. Ele faz todo um percurso até chegar aos fatos (Mt 5,28). Os bens buscados pelos pecadores de nenhum modo são coisas más. O que os pecadores visam se lhes apresenta como um bem. Ninguém quer o mal pelo mal. Os bens buscados pelo pecador se apresentam como sendo fascinantes.
Num primeiro momento, eles se insinuam como sendo a conquista de algo que vale a pena. São coisas belas. É uma ilusão de felicidade, que obscurece o coração do pecador. Ele cede à ilusão de prazer e felicidade. (Mc 4,19)
O pecado não consiste em se deleitar com as obras de Deus, consiste, antes, em preferir ficar com a obra de arte, em vez de, através deles, chegar ao artista. Consiste em contentar-se com os vestígios, em vez de chegar ao criador (Pr 2,6-15). “Pareceu bem aos olhos e ao paladar”. Pura sensação externa.
Entretanto, uma vez separado de Deus, por uma opção livre, o ser humano tende a parar no caminho e a apegar-se a qualquer coisa. (Frei Moser. O pecado: do descrédito ao aprofundamento, 184).
O pior pecado consiste no fato de, ao afastar-se de Deus, o ser humano começa a imitá-lo, mas perversamente. A primeira tentação é a do orgulho, de ser como Deus (Gn 3,5). Pelo orgulho, o ser humano volta sobre si mesmo, em si mesmo se compraz. Negando Deus, desta forma vai tomar a si mesmo e a sua vontade como normas do seu agir. Eu sou assim mesmo. Deus me fez assim, por isso estou isento de culpa e o pecado faz parte da minha vida. Não tenho outra escolha senão pecar. O problema não foi criado por mim, pois estou cedendo apenas a uma inclinação mais forte que eu. Isso já está marcado em mim.
Com isto está aberto o caminho para o ser humano não apenas usurpar o lugar de Deus, mas, em consequência testa primeira usurpação, julga-se no direito de também usurpar os bens que Deus destinou a todos. P. 185
É através do reconhecimento das próprias limitações e do próprio pecado que se abre um caminho para a construção de um novo eu, apontando continuamente para um dever ser. A verdadeira consciência do pecado não olha tanto para trás, antes, sem renegar o passado, abre-se esplendorosamente para o futuro, confiante na misericórdia divina. E quanto ao sentimento patológico de culpabilidade leva a uma busca desesperada de autojustificação e a não aceitação da sua própria responsabilidade. P. 210
Essa desculpa não é nova. Adão também tentou livrar-se da culpa diante de Deus, dizendo: “A mulher que você colocou na minha vida deu-me de comer o fruto da árvore proibida” (Gn 3,12). A mulher também se desculpou: “A serpente me enganou” (Gn 3,13). Portanto, diante destas afirmações, ambos tentaram se eximir de qualquer responsabilidade diante de Deus, mas Deus não aceitou essa desculpa. Se o ser humano é livre para pecar, deve ser livre também para assumir as consequências do seu pecado: o afastamento do amor de Deus, e consequentemente, a morte. Deus é a fonte da vida, e sem ele a vida perde o seu sentido. O ser humano caminha em direção ao nada, por isso se anula, adoece. As portas se fecham e a pessoa acaba ficando apenas com a sua triste realidade. Afunda-se em um mar de lama e quando mais se agita, mais se afunda, porque não construiu sua vida sob uma base sólida. Este é o sentido da morte provocada pelo pecado.
O pecado é não querer progredir, não querer chegar ao âmago de si mesmo, onde o humano e o divino se encontram. Pecar é negar a origem do seu ser.
O pecado é um não a si mesmo, enquanto ser finito que só se realiza na medida em que mergulha no infinito. Todo pecado é ficar em si mesmo, num esquecimento de que nosso ser profundo é manifestação do invisível. P. 217
O pecado é programado, como se programa um computador. A pessoa sempre pode interromper o processo, mas, se não o fizer, o resultado será como que uma conclusão lógica. Seria surpreendente se não se concretizasse. Jesus dizia que o pecado nasce no coração humano. P. 228
Os justos e pecadores são colocados diante de uma opção nova e decisiva. Justos e pecadores deverão acolher a mensagem do reino e colocá-la em prática. O que deve ser pregado é a salvação e não o pecado. Esta foi a tônica dada por Jesus. (Mc 2, 17)
Zaqueu quando entra na sua casa tudo se ilumina, inclusive a consciência do pecado.
Em Pallotti, a experiência fundamental da sua vida é que Deus é misericórdia infinita. Quanto mais luz tem, mais claras ficam as coisas. Pallotti, iluminado pela graça de Deus, descobriu o seu nada e pecado. Por isso sempre pedia que a vida de Cristo fosse a sua vida.
(Ratio 140 – Kenose de Pallotti)
Acontece nele um autoesvaziamento para que sua vida vá se transformando em Cristo. Na medida em que me esvazio de tudo aquilo que me atrapalha para um autêntico relacionamento com Cristo, vou-me transformando nele. Do nada ao tudo.
Sem o reconhecimento do pecado, não há caminho de conversão. Pallotti sempre complementa que a misericórdia de Deus é tudo. Ele é pecador, mas amado e perdoado por Deus. Eu sou puro pecado, mas a graça de Deus é maior que meu limite.
O pecado é consequência do vazio de amor. É a falta da presença e de sentir-se amado por Deus. Misericórdia significa ter um coração pobre. Só pode ter misericórdia quem experimenta a misericórdia. A maneira mais autêntica do amor humano é a compaixão. Em Lucas 15,11-32, encontramos a dinâmica da misericórdia divina. O pai não olha o mal praticado pelo filho, mas se alegra porque ele estava morto e agora passou a viver, estava perdido e foi reencontrado. Para Deus basta isto, que voltemos pressurosos para o aconchego da casa, onde reina o amor.
Rm 5,8.20
quarta-feira, 9 de março de 2011
1. Reflexão para o tempo da quaresma
O amor não conhece defeito
“Meu Deus, vós sois o meu refúgio e proteção” (Sl 61,8; 17,3).
A Bíblia está repleta de textos que confirmam a grandeza e a bondade misericordiosa de Deus. O autor sagrado não se cansa de sempre repetir a mesma coisa:
Deus é grande, cheio de bondade e de misericórdia, se compadece do pobre e do pecador. Ele sofre com aqueles que sofrem e não descansa enquanto não reconquistar o filho que dele se afastou. (Dt 5,9-10; 7,9; Ex 20,6)
Infelizmente, nós ficamos fascinados por pouca coisa. Por qualquer coisa nos emocionamos e, muitas vezes, supervalorizamos algo que é simplesmente transitório e esquecemos aquilo que pode ser a fonte e a razão de nossa existência. O pior de tudo, mesmo sabendo que não encontraremos a verdadeira felicidade, não somos capazes de dizer não, definitivamente, aos nossos sentimentos. Assim é o ser humano, marcado pelo pecado. O pecado é como uma nódoa que não tem detergente que poça limpar, somente a graça de Deus pode modificar o nosso modo de pensar e de agir. Fora isso, não existe solução para nossos desejos e imperfeições.
Apesar dos nossos limites, Deus, na sua infinita bondade e misericórdia, encontrou uma saída para que voltássemos novamente à verdadeira amizade com Ele. A sua proposta nos enche de alegria e nos leva a tomar um novo rumo na vida, pois, com Ele, podemos encontrar o verdadeiro sentido para a nossa existência.
Por meio da escuta da Palavra e da oração, conseguiremos descobrir o quanto somos amados por Deus, mas, às vezes, podemos tomar uma atitude impensada e rebelde para buscarmos a felicidade, a qualquer preço, longe da presença de Deus. Queremos buscar algo que nos eleve além das nuvens e para isso encontramos sempre uma justificativa, eu desejo encontrar a minha plena felicidade.
Essa atitude pode ser confirmada com a passagem do filho pródigo, entorpecido pelo desejo de encontrar a plena realização com as coisas do mundo, saiu em busca daquilo que lhe era mais caro, a liberdade. Ser livro da lei = pai; ser livre para realizar seu sonho = gozar a vida em todos os seus âmbitos; seguir um caminho sem nenhum compromisso = sair sem rumo. O jovem se iludiu com seus próprios sonhos, mas logo percebeu que os sentimentos, por mais fortes que sejam, rapidamente diluir-se-ão como a fumaça no ar.
Dependendo da opção de vida feita pela pessoa, pode levar a um caminho imprevisto e indesejável. Aquela feita pelo filho mais novo, que parecia fascinante, tornou-se um pesadelo. Agora, para retornar ao convívio do pai, teve de fazer um duro processo de reconhecimento do próprio limite e que, na casa paterna, a vida e a misericórdia reinavam. Pois o Senhor é indulgente e favorável. Ele perdoa toda culpa e cerca de carinho e proteção (v. 3). Não fica repetindo suas queixas (v. 9). Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas (v. 10); (Sl 102/103, 1-12).
“Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado. Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. Lançará no fundo do mar todos os nossos pecados” (Mq 7,18-19).
A misericórdia de Deus esquece os nossos pecados. O amor desconhece defeito.
Portanto, neste tempo quaresmal, peçamos a Deus a graça da verdadeira conversão dos nossos hábitos e costumes, para que a nossa vida seja uma contínua ação de graças a Deus que nos salvou e nos redimiu pelo sangue de seu Filho.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
sábado, 5 de março de 2011
4- Igreja São Salvador in Onda - Roma
A Igreja São Salvador, sede geral dos Palotinos, em Roma. Esta Igreja foi doada a São vicente Pallotti pelo Papa Gregório XVI. No dia 14 de agosto de 1844, a Comunidade dos Padres e Irmãos toma posse desta nova sede.
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