Santa Teresa D'Ávila diz: "Prefiro fazer compreender parte do que sinto servindo-me de figuras, comparações e semelhanças e da bonança do Espírito que espalha os secretos mistérios".
Não se trata de uma experiência introspectiva ou reflexiva, mas de fé que vem de Deus. Trata-se de uma iluminação e de uma percepção superior que lhe faz desejar, ainda mais ardentemente, ser transformado em Deus.
Pallotti, por sua vez, dizia: "Quero que cada pensamento meu, palavra, ação, também de todas as criaturas passadas, presentes e futuras e possíveis, seja regulamentado pela obediência de Jesus Cristo; quero que a obediência de Jesus Cristo seja a obediência de todos e que tudo seja transformado na obediência de Jesus Cristo".
Ele descobriu o abismo existente entre a infidelidade no pecado e o amor de Deus. Por isso, no seu grito de tomada de consciência da sua pobreza espiritual, da sua infidelidade e dos inumeráveis pecados, ecoa o grito de Jesus na cruz, no momento em que ele, como homem, experimentou a força brutal do mal e a distância de Deus que ele provoca. A humildade implica a consciência não somente dos próprios limites, mas também da imperfeição e da pequenez diante de Deus que, em Pallotti se expressa com as palavras - às vezes julgadas exageradas – “nada” e “pecado”.
Pallotti exclama: “Oh minha miséria! Oh minha indignidade! Oh meus pecados! Oh meus sacrilégios! Oh minha impureza! Oh minha obscenidade! Oh minha ingratidão! Oh minha estupidez! Oh triunfo da divina misericórdia infinita.
O seu relacionamento com Deus transforma seu modo de ser, de viver e de agir. Começa com um novo amor vivo de Deus. Configura todo o seu modo de ver, compreender, amar: a Deus, as coisas e pessoas. (Exemplo: S. Francisco)
"Deus-nos as trevas da noite que nos favorecessem o repouso, após as fadigas do dia. Deu-nos os odores para que nos voltemos para a suavidade eterna de Deus. Deu-nos a variedade dons sons e dos cantos para que nos enamoremos dos cantos eternos de glória... Ah, meu Deus, meu Pai, criastes as coisas visíveis e me destes o uso das mesmas para que me aproveite delas para conhecer a Vós, que sois criador onipotente de todas as coisas..." (Horizontes II, p. 109).
"Mas usei de tudo isso para pecar. Abusei da luz para fitar objetos pecaminosos. Abusei das trevas para pecar e para fazer pecar mais ousadamente. Abusei dos sons e cantos para estimular minhas malvadas paixões. Abusei do alimento e bebida. Abusei da roupa para vaidade. Abusei das riquezas de todo objeto criado para alimentar todos os vícios e todas as paixões brutais".
"Mereci que não houvesse mais para mim alimento e bebida de espécie alguma! Mereci que fossem tiradas todas as coisas criadas por Vós para prover todas as nossas necessidades temporais para todos os fins de vosso amor e de vossa misericórdia infinita. Mas, em vez disso, Vós as conservais também para mim, ingrato e pecador". (Horizontes II, p. 110).
(Fil 3,8.12 – Por causa de Cristo, perdi tudo... Eu fui conquistado por Cristo); (1Pd 2,1 – Despojai-vos de toda maldade, hipocrisia, inveja, calúnia...)





