Na certeza de que com Deus tudo posso, criei este BLOG para que você conheça o pensamento e o carisma de S. vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC). Ele foi um dos primeiros, na Igreja, a dizer que todos os batizados são apóstolos de Jesus Cristo. Por isso, você também é convidado a viver intensamente a sua fé, fazendo muitas coisas na Igreja, conforme o seu estado de vida, para que o Cristo seja mais amado e seguido. O seu testemunho de fé é muito importante.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
XX Assembleia Geral Palotina - Ariccia - Roma
Acompanhe as notícias da Assembleia Geral: http://www.sac.info/2010/
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
A EUCARISTIA NA VIDA DE SÃO VICENTE PALLOTTI
Pallotti sempre foi fascinado pela Eucaristia. Nela, ele contempla Deus que se torna alimento das almas das pessoas. O alimento eucarístico dos fieis não está circunscrito à materialidade do corpo de Cristo, pois ele é Deus e o fiel é alimentado pelo Cristo total: corpo, sangue, alma e divindade. (Gaynor, p. 133-134)
A celebração eucarística ocupou sempre o lugar central na vida de nosso fundador. Ele descobre que nela não está somente a pessoa do Verbo encarnado, mas está presente também o Pai e o Espírito Santo.
No dia 09 de janeiro de 1835, após a santa missa, recebeu a grande inspiração de fundar a União do Apostolado Católico – UAC. Ele tem plena consciência da sua pobreza, miséria e inutilidade, do seu nada e pecado. Reconhece ainda sua incapacidade de receber tão grandioso dom.
Ele aclama a Eucaristia como imagem incompreensível e infinita do amor e da misericórdia de Cristo, e reconhece a sua indignidade diante de tão grande mistério. Por isso reconhece-se como nada a ser preenchido pelo tudo que é Deus em sua compaixão, e intitula-se como prodígio da misericórdia.
Propósitos
Ao reconhecer sua limitação diante do infinito amor de Deus, Pallotti faz alguns propósitos capazes de viabilizar sua relação com Cristo Eucarístico:
a) comungar todos os dias até o fim de sua vida
b) fixar sua atenção na eucaristia;
c) aumentar os adoradores e os que participam da Eucaristia;
d) viver permanentemente em preparação, busca e ação de graças, participando nos infinitos mistérios da Eucaristia;
e) desejava que a eucaristia operasse nele.
A vivência do mistério eucarístico o leva a uma configuração a Cristo: sua vida, suas atitudes, seu apostolado (Gal 2,20). Essa perfeição, porém, só pode ser encontrada no Cenáculo.
Pelo seu exemplo, Pallotti nos impulsiona a nutrirmos um profundo amor pela Eucaristia, fonte de graças e de bênçãos para o apostolado.
“Somos marcados nas mãos de Deus” (Is 49,16). “Antes do nascimento já te havia consagrado” (Jer 1,5). Pallotti também tinha plena consciência de que fora marcado e conduzido por Deus.
O seu grande desejo era de praticar as virtudes que Maria praticou, e como ela as praticou. “Expresso o desejo do meu coração de partilhar solidário, com Jesus e Maria, todas as dores mentais e sensíveis de toda e tão sofrida vida deles”. (Faller, p. 139)
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Giornale di Roma - 1850
HOMENAGENS FÚNEBRES AO PE. VICENTE PALLOTTI, FUNDADOR DA CONGREGAÇÃO E PIA SOCIEDADE DO APOSTOLADO CATÓLICO
Francesco Fabi Montani
Roma, 1850
Nota do Editor
Publicamos abaixo o texto sobre o funeral de Pe. Vicente Pallotti, escrito por Francesco Fabi Montani. Este texto foi publicado no “Giornale di Roma”, n. 25, do dia 30 de janeiro de 1850, p. 100. Arquivo do Instituto S. Vincente Pallotti – Roma (M/0006-36) mantém-se um excerto do texto impresso de seis páginas, tamanho 14x20 centímetros. A composição deste elogio de Francesco Fabi Montani serviu-se das notícias enviadas pelo fiel colaborador de Pallotti, Francesco Maria Vaccari. O texto de Vaccari foi publicado na Acta SAC (cf. Documentum contemporaneum da morte de Vicente Pallotti – Relatório da morte e funeral de São Vicente Pallotti, escrito por F. M. Vaccari e enviados pelo mesmo a Fabi Montana para o Jornal, no dia 24 de janeiro de 1850, editado por H. Schulte SAC, na Acta SAC IV, No. 11 (1960), Societas Apostolatus Catholici, Gráfrica de Roma, 1961, pp. 611-616).
O texto que publicamos foi assinado por Fr. Fabi Montani. Mas, quem foi Fabi
Montani? As informações obtidas de várias fontes dizem que ele nasceu em Sangemini, no ano de 1800 (Terni) e morreu em Roma, em outubro de 1870. Foi ordenado sacerdote em 1849, e nomeado canônico da Basílica Santa Maria Maggiore. Ele era um escritor conhecido, e
abordava diversos assuntos em seus textos (literários, artísticos, históricos, etc.), mas tornou-se conhecido pelo fato de abordar acuradas biografias de personagens eclesiásticas e leigas do século XIX. A vida e as atividades de Vicente Pallotti não eram desconhecidas de Fabi Montani. Se no “momento da pesquisa não temos vestígios documentais do seu contato com o Santo, mas sabemos que tinha laços de amizade com o Pe. Domenico Santucci , que no dia 14 de julho de 1835 foi secretário da primeira reunião da União do Apostolado Católico .
Nós, seguidores de São Vicente Pallotti, ficamos honrados de termos posse de um texto que descreve a vida e os funerais de Vicente Pallotti. O texto que segue está na íntegra, apenas com alguns retoques linguísticos, para facilitar a leitura.
O Texto do extrato
O corpo de Vicente Pallotti, paramentado com vestes sacerdotais, foi velado, às 5h 30 min, do dia 23 de janeiro, na capela interna, dia da festa do Esponsalício de Maria Santíssima, e depois transladado pelos seus confrades para a Igreja de São Salvador in Onda, onde mais tarde foi recitado o Ofício dos Defuntos. A missa de réquiem foi solenemente cantada com belíssimas orações feitas pelo Pe. Bernardino di Ferentino, leitor dos Menores Observantes, que bastaram poucas horas para preparar-se e distribuir abundantes cópias do seu piedoso discurso.
Apesar de Pallotti nunca ter gostado de pompas, o piedoso sacerdote recebeu em seus funerais grandes homenagens. Foi algo grandioso, comovente e digno de ser recordado. O tempo não trajava luto, não portava fachos luminosos, nem brasões, nem epígrafos. O caixão apenas jazia sobre uma humilde caixa, e apenas duas velas o circundavam. As exéquias foram modestíssimas, mas tocavam profundamente ao coração de todos.
Na manhã seguinte, o Monsenhor Giuseppe Angelini, Oficial Civil do Exmo. Vigário celebrou uma solene missa e Pe. Francesco Virili, sacerdote da Congregação do Preciosíssimo Sangue, filho espiritual do Servo de Deus, após o Evangelho, voltou a recordar as virtudes de Vicente Pallotti.
Finalmente, no terceiro dia, os alunos do Albergue Apostólico de São Miguel chegaram bem de manhazinha, e recitaram o Ofício Divino, participaram da missa, acompanhada da devota e comovente música cantada por eles mesmos. Mais tarde, o Prepósito da Doutrina Cristã pediu que, novamente, cantassem em outra celebração, na qual o Pe. Angelini, da Companhia de Jesus, professor de oratória no Colégio Romano, enalteceu mais uma vez a piedade e o zelo do ilustre defunto.
Nestes três dias, de boca em boca se difundia a triste notícia de sua morte, e crescia o número daqueles que queria celebrar a santa missa. Houve uma disputa entre o clero religioso e secular para irem àquela Igreja e prestar sua última homenagem ao Pe. Vicente Pallotti; à tarde e na maior parte da manhã houve uma contínua e espontânea recitação dos Salmos, pelos eclesiásticos religiosos e seculares. Isto sem falar de uma multidão de pessoas, de ambos os sexos, que foram alimentados com o Pão dos Anjos, se uniam reverentes sobre os restos mortais de Pe. Vicente. Insatisfeitos de olhá-lo e de tocá-lo com lenços e terços, abraçavam seus restos mortais com muita devoção. Foram distribuídos milhares de pedacinhos de suas roupas, outros raptados. Compareceram inúmeros Bispos, prelados, príncipes e militares. Acorreram ainda até São Salvador in Onda as meninas abandonadas da Pia Casa de Caridade, próximo ao Borgo de Santa Ágata, onde demonstrou seu zelo apostólico, e o Conservatório Carolino do Sagrado Coração perto de Santo Onofre, Janículo, servido singularmente por ele. Aos prantos e soluços beijavam sua gélida mão, que os havia libertado de mil perigos e que lhes dera socorro. As ruas contíguas à Igreja estavam repletas de pessoas, que em coro lamentavam a grande perda, recordando sua grande generosidade, seu exemplo de vida e de caridade evangélica.
No dia 25, sexta-feira, por volta da meia noite, o Pe. Francisco Maria Vaccari, Reitor da Casa, na presença do Revmo. Senhor Canônico Annivitti, promotor fiscal do Vicariato, do notário Monti, que lavrou o ato, e de outros notáveis, que não conseguiam desviar os olhos daquele amável rosto, fez as últimas indulgências diante do féretro, que tinha seus membros flexíveis, e não parecia estar morto, mas imerso em um profundíssimo sono. Pallotti foi depositado em três caixões e se podia vê-lo com os mesmos paramentos que usava na Igreja. Um dos caixões era de zinco e dentro de um tubo foi colocado uma breve inscrição em latim. Foi sepultado em um lugar de destaque, em uma nave perto do altar de São Salvador.
Vários pintores compareceram para retratá-lo em artes plásticas o seu rosto, o qual será recordado para sempre como um sacerdote benemérito de sua pátria, que se empenhou pelo bem-estar do próximo.
Era, verdadeiramente, conhecido por todos pelo seu talento filosófico e teológico. Foi professor suplente na Universidade Romana e, ao mesmo tempo, dava nome à Academia Teológica, da qual foi também censor. Como um bom eclesiástico, tornou-se conhecido como um hábil orador. Pouco tempo depois, o santo sacerdote abandonou a vida acadêmica para dedicar-se à evangelização, trabalhando com ardor desde o primeiro dia.
A sua caridade foi sincera, benéfica, universal; o seu zelo aceso, reto, incapaz de ser impedido por qualquer obstáculo humano. Diuturnamente, com fome e com sono, corria alegre em direção de qualquer um que necessitasse de seu consolo espiritual e temporal. Consumido pela penitência, extenuado pela doença, de temperamento fino, caminhava sempre às pressas a dar inveja a qualquer rapaz à flor da idade. Livrou muitas moças do mau caminho, foi pai dos órfãos, dirigiu locais de devoção, frequentou hospitais, conservatórios, mosteiros femininos, atendeu os encarcerados, confortou os condenados à morte e se infiltrou em meio aos soldados, a quem deu sempre uma atenção muito especial, pregou missões populares, retiros dentro e fora de Roma, foi um incansável pregador da Palavra de Deus. Bem visto pelas autoridades; raras vezes deixou de ser ouvido quando pediu recursos para ajudar os infelizes. Os ricos sempre, em sua consciência, acolhiam seus pedidos para partilhar suas riquezas em prol dos desvalidos. Embora recebesse grandes quantias, viveu pobre, sem possuir nada, desapegado de tudo.
O seu coração estava aberto aos enfermos e moribundos, dos quais pouquíssimos deixaram de ser visitados ou assistidos por ele, ou deram seu último suspiro. Passava horas no confessionário; embora vestido com o hábito dos capuchinhos, repousava apenas quatro horas por noite. O difícil era entender como conseguia fazer tantas coisas num mesmo dia. A sua humildade era profundíssima. Caminhava quase sempre de cabeça inclinada e descoberta, porém antecipava sempre a saudação às pessoas. Não gostava de revelar suas inúmeras qualidades agraciadas por Deus, mas se sentia sempre como o menor de todos e se considerava indigno de viver na Congregação, por ele fundada, e que escrevera as regras por iluminação divina.
A Congregação era composta de padres e estava sob o patrocínio de Maria Rainha dos Apóstolos. Era responsável também por promover a outra pia Sociedade, composta de homens e mulheres do Apostolado Católico, cuja missão era defender, propagar o aumento da fé e da piedade em toda a Igreja. Pe. Vicente a reconhece como sendo uma obra abençoada por Deus. O próprio Papa Gregório XVI, de saudosa memória, a via com bons olhos e por isso o presenteou a Igreja e o convento (Igreja São Salvador e algumas dependências da casa contígua a Igreja, hoje Casa Geral). Favorecido pelo Papa Pio IX, que, em 1847, aprovou e permitiu que os sacerdotes pudessem ser missionários, dando-lhes o mesmo privilégio concedido a todas as ordens regulares, e, finalmente, Pallotti conseguiu com extraordinário esforço abrir uma casa em Londres.
Promoveu a oração com muitos frutos, através do Oitavário da Epifania do Senhor . Compunha e difundia livros de devoção e de ascese a todas as famílias, alguns dos quais, o Mês de Maio, a oração semanal tirada do saltério de São Boaventura, a fim de pedir uma boa morte, e as Máximas Eternas de Santo Afonso tiveram inúmeras edições e milhares de cópias, e foram traduzidas em diversas línguas.
Difundiu o amor de Deus, da Virgem Maria Imaculada e dos Santos. De consciência pura, não menos de duas ou três vezes ao dia, prostrava-se aos pés de um sacerdote, implorando a reconciliação com Deus pela confissão. Jamais deixou de celebrar a missa, e na sua última enfermidade teve a graça de receber várias vezes o Santíssimo Viático. Durante toda sua vida, teve um apreço especial pela obediência, que nem mesmo queria morrer sem os méritos dela, encontrando-se em um doce respeito contrastado entre Deus que o convidava para estar diante de si, e o diretor espiritual que o assistia e recomendava a oração, enquanto estivesse neste mundo. Sendo assim, suas últimas palavras foram: “Peço-lhe, por favor, deixa-me ir para onde Deus me chama: amanhã, no céu, acontecerá uma grande festa” . O que mais se pode falar de sua vida!
Não poderia deixar de dizer que, o motivo da sua doença, foi devido ao excesso de trabalho por causa do já mencionado Oitavário da Epifania, que, por três dias consecutivos, parecia duplicar seu zelo, semelhante a uma chama acesa que brilhava até se consumir. Deitado, porém, em sua cama, acometido por uma pleurite, no dia 16 de janeiro, repetindo a todos que fosse feita a vontade de Deus, dando sinais de que sabia que não receberia a cura de sua enfermidade, por mais que contasse com pessoas entendidas na arte da cura, elevando sempre a Deus ardentes orações.
Poderíamos acrescentar ainda muitas outras coisas que ele fez antes da proximidade de sua passagem desta vida, mas, sem mais delongas, queremos apenas dizer que padre Vicente Pallotti teve o espírito de Jesus Cristo. Foi um perfeito modelo de sacerdote, um verdadeiro apóstolo de Roma. E seríamos ainda mais felizes se ele permanecesse por mais tempo em nosso meio. Preparado para ser ceifado e para receber a recompensa, o Senhor se antecipou em poupá-lo do sofrimento e do vale de lágrimas.
Fr. Fabi Montani
Boletim Belém - Setembro de 2010, n. 53
ENCONTRO DE FORMADORES E SUPERIORES MAIORES EM CURITIBA - BRASIL
Os Superiores Maiores e os Formadores da América do Sul estiveram reunidos, em Curitiba – Brasil, no dia 20 e 21 de julho de 2010, até o meio dia, no Seminário Maior Mãe do Divino Amor.
A finalidade deste encontro foi definir as estratégias para uma colaboração mais estreita entre as diversas Unidades Sul-americanas, a respeito da formação do futuro consagrado palotino.
Em um clima de muita fraternidade e no espírito de São Vicente Pallotti, tanto Formadores como Superiores Maiores decidiram unir os noviciados em uma única casa de formação. Depois de muita reflexão chegou-se a um acordo de que a Província São Paulo Apóstolo receberá, em 2011, os candidatos ao Período Introdutório Canônico de todas as Unidades Palotinas Sul-americanas: (Delegatura Irlandesa – Argentina, Região Argentina, Região Uruguaia, Província de Santa Maria, Província São Paulo Apóstolo e Região do Rio de Janeiro), no Noviciado Rainha da Paz, que, de agora em diante, será chamado de Noviciado Sul-americano Rainha da Paz, na cidade de Cornélio Procópio – Pr, que, desde 1967, funciona como noviciado da Província São Paulo Apóstolo. O intuito desta união não está diretamente ligado ao número de candidatos que, nos últimos tempos, vem diminuindo, mas para colocar em prática aquilo que a Ratio Institutionis ensina: devemos viver, como palotinos, em um clima de fraternidade e cooperação. Colômbia e Venezuela não se fizeram presentes neste encontro e continuarão com seu noviciado em língua castelhana.
As Unidades Sul-americanas não apenas uniram os noviciados, mas se comprometeram em colaborar de maneira mais estreita, enviando formadores ao longo do ano, para ministrarem cursos referentes ao nosso carisma e espiritualidade, para que assim possamos enriquecer a formação no sentido de apresentarmos aos noviços as diversas tradições das Unidades e a maneira como cada uma delas vive o seu apostolado.
Quanto ao método e ao programa, estes devem ter como base a Ratio Institutionis e que contemplem elementos das realidades sul-americanas. Quanto ao Diretor do Período Introdutório, este deve ter a aprovação dos Superiores Maiores e que permaneça no cargo num período de no mínimo cinco anos, e que seja de Unidades diferentes. Cada Unidade se comprometeu em formar novos membros a médio prazo, para que possam assumir esse trabalho formativo no espírito de perfeita colaboração, utilizando inclusive uma linguagem comum. Para o próximo triênio, foi aceito o atual Mestre da Província São Paulo, Pe. Valdeci Antonio de Almeida, como Diretor do Período Introdutório Sul-americano e será nomeado também um Diretor Espiritual da Província de Santa Maria.
A programação do noviciado comum passará por uma reformulação, para que assim possamos contemplar outros elementos importantes para uma boa formação que leve os nossos jovens a assumirem um espírito novo de colaboração e de unidade. Por isso, criou-se uma comissão de formadores das diversas Unidades, para que juntos pudessem elaborar um novo projeto formativo comum. Essa comissão é formada pelos padres: Néstor Wálter Morón (Delegatura Irlandesa, Argentina), Pe. Rubén Fuhr (Região Argentina), Pe. Francisco José Filho (Região do Rio de Janeiro), Pe. Margarito Valiente (Região Uruguaia), Pe. Valdeci Antonio de Almeida (Província São Paulo), Pe. Egídio Trevisan (Província de Santa Maria); contamos também com a presença do Pe. Jacob Nampudakam do Conselho Geral e Secretário Geral Para a Formação, Pe. Gilberto Orsolin do Conselho Geral e Secretário Geral para as Missões. Tivemos ainda a presença do Pe. Romualdo Uzabumwana, Diretor do Período Introdutório de Ruanda, África. Durante o encontro, na noite do dia 20, Pe. Valdeci apresentou o programa e a dinâmica do noviciado da Província São Paulo Apóstolo. Após a leitura do mesmo, os confrades apresentaram propostas para a adaptação da programação comum das Unidades. Até o final de agosto, cada membro apresentará por escrito, ao Pe. Valdeci, que ficará responsável pela elaboração final do texto, que será posteriormente enviada aos Superiores Maiores para sua apreciação e aprovação.
Na tarde do dia 21, enquanto os Superiores Maiores continuaram o seu encontro, os Formadores fizeram uma partilha dos trabalhos realizados em nossas casas de formação.
Do dia 22 a 27 de julho, os Formadores deram continuidade ao encontro para aprofundar os temas: acolher, discernir, acompanhar e viver em comunidade, com o Pe. Romualdo Uzabumwana, Diretor do Período Introdutório da Região Sagrada Família, Ruanda – África.
Dia 28 a 30 até ao meio dia, tivemos palestra com o psicólogo Agostinho Capeletti Busato sobre sexualidade e afetividade. Todos estes dias de encontro foram muito ricos em partilha, convivência e principalmente no enriquecimento da formação dos formadores sul-americanos. Neste último dia, participaram também a Provincial das Irmãs Palotinas Romanas, Ir. Inês Casarin e Ir. Gilda Dal Santo.
Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
Cornélio Procópio – Brasil
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Exumação do corpo de Pallotti
Veja como foi a abertura do túmulo do então venerável Vicente Pallotti, antes da sua beatificação.Relato sobre a abertura do túmulo e urna do venerável servo de Deus Vicente Pallotti- Roma, 2-12-1949. Pe. Walkenbach.
Durante a manhã foi preparado um lugar contíguo ao quarto e à sala de trabalho de Vicente Pallotti (cujas janelas dão para o Tibre, hoje habitação do Pe. Geral) para a colocação do féretro e para os devidos exames. No meio, uma mesa, de cujas bordas pendiam panos vermelhos, toda recoberta de branco. Na Igreja (San Salvatore in Onda), os bancos se alinhavam no sentido do túmulo. A primeira fila, toda revestida de vermelho. Diante do túmulo estendia-se um tapete. O muro que selava a pedra sepulcral fora já removido.
Após o meio dia a Igreja ficou repleta. Da Família Palotina viam-se presentes: o Generalado das Palotinas Romanas com Irmãs, noviças e postulantes, acompanhadas das órfãs de Santa Águeda; os alunos do nosso Colégio Romano; os sacerdotes, clérigos e irmãos das províncias italiana e irlandesa; do Generalado e do Colégio Internacional, do Latrão e das Casas de fora de Roma, Castel Gandolfo, Rocca Priora e Óstia. Entre os amigos e admiradores de Pallotti e de sua Obra, notavam-se, entre outros, o Exmo. Sr. Bispo, D. Gawlina, Mons. Wynen, o Geral e o Procurador Geral da Congregação do Preciosíssimo Sangue, bem como outras altas personalidades eclesiásticas e civis e os seminaristas do Seminário Romano.
Pouco depois das 16hs, chegaram os plenipotenciários da S.R.C. : Mons. Salvatore Natucci, Promotor Fidei (Promotor da fé, "Advogado do diabo"), seu suplente, Mons. Sílvio Romani, Mons. Horácio Cocchetti, Chanceler da S.R.C., e o médico da mesma, o prof. Lourenço Sympa.
O ingresso à Igreja fez-se festivamente. À testa do séquito vinha um grupo, formado de representantes de quase todas as Províncias e Regiões, revestidos todos de sobrepeliz. Seguia-os o Generalado. Fechavam o cortejo as autoridades eclesiásticas e o Postulador Geral do Processo de Beatificação, Pe. Ranocchini. Após curta oração diante do Santíssimo, teve início tão extraordinário ato.
Leu, primeiramente, o Chanceler da S.R.C. o decreto de abertura do túmulo. Iniciaram, então, os pedreiros o trabalho de remoção do monumento. Pedaço por pedaço iam desfazendo o monumento que velava o túmulo: o capitel, a tampa, as lousas frontais e laterais, até que surgiu nítida a urna do venerável.
Tinha ela a forma costumeira. Um simples caixão, recoberto de zinco, alargando-se um tanto na cabeceira. Era o mesmo ataúde, no qual, aproximadamente, há 100 anos atrás, fora colocado o corpo de Vicente Pallotti.
Em 1906 foram restaurados apenas o fundo e (a traseira) os pés. A urna achava-se aproximadamente 11 cm. acima do piso da Igreja, descansado sobre barras de mármore. O interior do túmulo mede - arredondando -180 cm. de comprimento, 70 cm. de largura, dos quais quase 30 cm. se embutiam na parede da Igreja, e 50 cm. de altura. Na parede vê-se ainda a pintura antiga da tumulação de 1906, ocultada pelo monumento.
Aproximam-se, então, os representantes da Congregação e examina a massa e os sinetes de chumbo da urna, confrontando-os com o relato da abertura de 1906, e confirmam que realmente é a urna com os restos mortais do venerável Vicente Pallotti, tais quais, há já 40 anos, foram reconhecidos e novamente tumulados.
Por ordem do Postulador Geral apenas aos clérigos (revestidos de sobrepeliz) foi permitido acompanhar a transladação da urna para a sala superior, preparada para as investigações prescritas. Todos os demais deviam aguardar, pacientemente, na Igreja, a abertura da urna.
Organiza-se o préstito. Encabeçam-no dois clérigos e dois irmãos. Vinham em seguida os sacerdotes de todas as Províncias, o Ad. Revmo. Geral Pe. Turowski, o Revmo. Pe. Vice-Geral, Pe. Hoffmann, os Revmos. ex Gerais Pe. Cardi e Pe. Resh, o Revmo. ex-postulador, Pe. Hettenkofer. Todos traziam na mão uma vela. Carregavam o féretro os Revmos. Consultores Gerais, Pe. Fechtig, Pe. Felici, Pe. Ryan, o Procurador Geral, Pe. Weber, o Secretário Geral, Pe. Michellotti, e, como representante das missões, o Pe. Hunoldo. Atrás do esquife vinham os monsenhores da S.R.C., o Postulador Geral, Pe. Ranocchini, e o Prof. Sympa. Fechando o cortejo, vinham os operários para a abertura da urna.
Chegados que foram à sala superior, o funileiro rompeu o zinco da urna. Procedeu-se, então, novamente o reconhecimento dos sigilos do ataúde de madeira. Isto feito, o carpinteiro removeu a tampa. O corpo do venerável estava todo recoberto de um pano de linho, em que fora envolvido após a última exumação. Descobriram o rosto e a cabeça. Oh! feliz e grata surpresa, para todos. Intacto e incorrupto conservou-se-nos o corpo de Pallotti.
Leu o Chanceler da S.R.C. o decreto de exumação, segundo o qual, todos os que retirassem alguma coisa do corpo do venerável ou acrescentassem algo ao mesmo, incorreriam em excomunhão especialíssimo modo reservada ao Santo Padre.
Após a leitura do decreto foi permitido aproximar-se do féretro. Desfilaram todos diante do mesmo, saudando a veneranda cabeça de nosso Pai e Fundador e rendendo a Deus graças pela sua próxima exaltação.
O desfile obedeceu a seguinte ordem: as irmãs, cuja família ele mesmo fundara, as órfãs, das quais se fizera o provedor material, seus filhos espirituais, que difundem sua obra, clérigos e leigos, dos quais ele se tornou, no apostolado, o Guia e o Vanguardeiro. Todos se moviam profundamente comovidos, silenciosos, recolhidos, reverentes, em cujo semblante se estampava um coração mergulhado em doce surpresa e inundado de vivo agradecimento.
Ecoou, então, o severo "exeant omnes". Todos, exceto o muito digno Generalado, retiraram-se. O corpo do Venerável foi, então, retirado da urna também interiormente revestida de zinco e colocado sobre um colchão. Do colchão foi pôsto sobre a mesa, anteriormente preparada. Retirou-se o pano que envolvia todo o corpo, deixando-o assim todo descoberto. Retiraram a estola e o crucifixo. Acompanhava eu o desenrolar do ato através da fresta da porta entreaberta, que fui alargando até me permitir introduzir a cabeça. Por força estranha e irresistível me achei enfim dentro. Preparei assim a venturosa oportunidade para ver de perto o corpo de Pallotti, estudando-o atentamente. O estado do corpo, quase 100 anos após sua morte, pode ser resumido ao seguinte:
A cabeça um tanto inclinada para a direita. Sua estrutura é dolicocéfala (alongada), com a parte posterior bem desenvolvida, não contudo excessivamente. A testa não apresenta salientes protuberâncias, mas larga e lisa, ergue-se abobadada. Apenas a parte anterior da cabeça é calva, tendo as faces parietais recobertas de cabelo de cor loira-clara esbatida. O rosto é estreito e de forma oval aguda. O queixo, afilado. Os ossos molares são notavelmente visíveis e as faces sumidas. A raiz do nariz não é encovada. A ponta, porém, apresenta-se achatada (desde 1906). O olho esquerdo acha-se um tanto encovado, enquanto que o direito apresenta-se normal. As meninas dos olhos são perceptíveis. A boca levemente aberta, os lábios algo ressecados, ocasionando assim a vistas dos dentes (incisivos). Toda a dentadura se conserva. Os dentes são alvos brilhantes. As orelhas de tamanho normal, delgadas e um tanto coladas a cabeça.
O corpo é de estatura pequena, franzina, porém, nobre (esbelta). O peito e o ventre, devido o ressecamento, estão recolhidos. Os ombros, por causa da posição na urna, acham-se um tanto encolhidos. O braço esquerdo descansa sobre o corpo, ao passo que o direito se estende ao longo do corpo (desde 1906 enfaixado, quebrado (?). As mãos são pequenas, tenras e delicadas. O pé esquerdo um tanto torcido para dentro. Apresenta estragos nos dedos (desde 1906). Também se acha quebrada a falangeta da mão direita (Talvez desde 1906). Todo o corpo está ressecado, apresentando um aspecto mumiforme. A pele conserva-se toda, em parte flexível. A cor vai do pardo escuro ao preto.
O Silêncio que restaura
Nunca aproveitei do silêncio e nem da oração. Jesus meu, com os méritos do vosso silêncio e da vossa oração, destruí todo o mal que eu fiz, e o vosso retiro será o meu retiro, o vosso silêncio será o meu silêncio e as vossas orações serão as minhas orações . (S. V. Pallotti)
Toda caminhada, seja ela espiritual ou para um lazer, deve ser precedida por uma boa preparação. O atleta nunca começa a competir sem antes ter tido um bom treinamento para que seus músculos fiquem fortes e resistentes. Da mesma forma deve acontecer com aqueles que querem iniciar uma caminhada espiritual.
Para que a pessoa possa atingir o seu objetivo, ela deve seguir alguns passos, que são essenciais para seu desenvolvimento natural e sem precipitações. Nenhuma pessoa se torna santa ou mística da noite para o dia, mas é fruto de uma longa trajetória de descoberta do amor misericordioso Deus. Para descobri-lo é preciso muita ascese e busca incessante.
Uma das exigências para que alguém possa fazer uma experiência profunda de oração, recomenda-se igualmente um profundo silêncio interior. O silêncio na vida religiosa educa o religioso a aceitar o Deus que parece inexistente à natureza, entretanto sabe que Deus concede ao espírito atento e purificado o dom de alcançar o além da palavra e das idéias. O silêncio dos religiosos, sobretudo dos contemplativos, quer conduzir novamente o homem à fonte divina na qual tem origem as forças que impulsionam o mundo para frente e para compreender à esta luz os grandes desígnios de Deus sobre o homem.
A participação do religioso no silêncio de Cristo é a base de toda a prática externa de ausência da palavra, de solidão, de separação do mundo; e a motivação não pode ser senão o desejo crescente de Deus, do amor fraterno. A condição de peregrino, a instabilidade da vida assumida também pelo religioso e posto de manifesto diante dele pela sociedade, revela-lhe o silêncio inerente a esta condição. O peregrino anda calado; concentrado na meta, atravessa o desconhecido, passa através sem entrar em diálogo com o que lhe sai ao encontro; tem apenas um olhar fixo na meta. Quem sai de sua casa, para se dirigir à meta, ao absoluto, converte o silêncio em sua pátria. O silêncio conduz o cristão, e o religioso em concreto, por caminho de kénosis, até o silêncio da morte em comunhão com a morte redentora de Cristo.
Escutar alguém é entender a sua voz, é escutar no silêncio interior uma palavra que vem do outro. Falar é lançar o próprio discurso interior no espaço interior do outro; gerar do meu silêncio a palavra que entra no silêncio do outro a quem se endereça.
Comunicar é visitar o outro, sem nunca deixar de se auto-vigiar, ou seja, de fazer silêncio, de atender o dom da resposta do outro. O silêncio ajuda a acolher a palavra do outro.
Da mesma forma acontece em relação a Deus. O ser humano deve ter essa capacidade de silenciar-se para que o Absoluto também fale dentro dele e assim possa abrir-se à verdade que está além da sua realidade sensível. O silêncio é amor e desejo do homem em relação a Deus, caminho em direção à interioridade, é lembrança e esperança.
O caminho do silêncio permite a pessoa tomar posse de si mesma. O silêncio coloca tudo no seu devido lugar. A escolha do silêncio é uma espécie de jejum voluntário. Em particular permite ao homem de reencontrar a via da interioridade afim de que a alma descubra aquela realidade mais íntima de si mesma.
O santo silêncio, por sua vez, nos dispõe para a santa oração. O santo silêncio nos conduz também à íntima união com Deus. Quem não ama o silêncio e a oração, por isso não quer a íntima união com Deus”. “No amor à solidão, à qual seguidamente devemos aspirar. É por isso que nossas casas são chamadas retiros. Por isso, de modo especial, devemos tirar proveitos dos dias de solidão prescritos pelas constituições. (S. V. Pallotti)
O silêncio, como o entendemos, não é só um momento ou uma atitude passageira; é um estado harmônico das faculdades humanas, um estilo interior e constante. “O verdadeiro silêncio é a conquista, a busca e o repouso de Deus”.
É como uma parte entre a alma e Deus. A alma enamorada de Deus tende para Ele através desta ponte e assim acha a Luz e o calor para as trevas do próprio espírito. Assim, o verdadeiro silêncio é um silêncio interior.
O “silêncio” supõe o conhecimento do Senhor e se baseia na fé. Supõe conhecer a meta e desejá-la com todo o ser. São meios privilegiados para viver a virtude, e apelam a todo o homem, pois “Todo EU – hei de viver o silêncio”.
Trata-se de um caminho que exige esforço e confiança no Senhor. “O perfeito Silêncio nunca pode estabelecer-se perfeitamente num indivíduo sem grandes esforços. Sem dúvida que a graça contribuirá para isso, mas não opera nunca onde não há vontade submissa, posta por inteiro à sua disposição. O caminho da Salvação supõe a colaboração do homem com Deus. O Senhor dá a graça, mas espera que nós a acolhamos e vivamos. O ser humano não deve, e, além do mais, não pode renunciar a sua estrutura natural; deve cooperar pondo o que lhe corresponde. Desde sua liberdade, mediante uma opção fundamental por Deus e sua obra, o ser humano deve lutar por favorecer o plano de Deus, e logicamente combater em si todos os obstáculos que se lhe opõe; “Converte-te ao Senhor e deixa teus pecados, suplica ante sua face e tira os obstáculos” (Eclo 17,25).
O silêncio, que queremos alcançar, não deve ser considerado como uma mera ausência de ruído, senão como uma presença de paz, de harmonia, de equilíbrio exterior. O silêncio nos faz, em primeiro lugar, presentes a nós mesmos; e nos faz logo presentes a Deus, fazendo-nos atentos à sua presença. O silêncio interior é, pois, não tanto uma carência de ruído e movimentos, senão a orientação positiva da pessoa toda – espírito, psique e corpo – a Deus, cumprindo seu Divino Plano.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
ENCONTRO SUL-AMERICANO DE FORMADORES E SUPERIORES MAIORES
Pe. Jacob Nampudakam dando palestra para os formadores
Pe. Valdeci e Romualdo Uzabumwana, Ruanda - África
Pe. Valdeci e Pe. Gilberto - Conselheiro e Secretário Geral para as Missões - Roma
Pe. Valdeci e Pe. Jacob Nampudakam - Conselheiro e Secretario Geral para a Formação - RomaOs Superiores Maiores e os Formadores da América do Sul estiveram reunidos, em Curitiba, no dia 20 e 21 de julho até o meio dia, no Seminário Maior Mãe do Divino Amor.
Neste encontro foi discutido sobre a formação na América do Sul e principalmente sobre a união dos noviciados. Depois de muita discussão chegou-se a um acordo de que teremos, a partir de 2011, um único noviciado na América do Sul, exceto Colômbia e Venezuela que não participaram do Encontro dos Superiores Maiores e Formadores. Eles terão um noviciado em língua castelhana. As demais Unidades Sul-americanas se comprometeram em colaborar, enviando formadores ao longo do período do noviciado canônico, para que assim possamos enriquecer a formação no sentido de apresentarmos aos noviços as diversas tradições das Unidades e a maneira como cada uma delas vive o seu apostolado.
Quanto ao método e programa devem ter como base a Ratio Institutionis e que contemplem elementos das realidades sul-americanas. Quanto ao Diretor do Período Introdutório deve ter a aprovação dos Superiores Maiores e que permaneça no cargo num período de cinco anos e que seja de Unidades diferentes.
A programação do noviciado comum passará por uma reformulação, para que assim possamos contemplar outros elementos importantes para uma boa formação que leve os nossos jovens a assumirem um espírito novo de colaboração e de unidade. Por isso criou-se uma comissão de formadores das diversas Unidades, para que juntos pudessem elaborar um novo projeto formativo comum. Essa comissão é formada pelos padres: Néstor Wálter Morón (Delegatura Irlandesa, Argentina), Pe. Rubén Fuhr (Região Argentina), Pe. Francisco José Filho (Região do Rio de Janeiro), Pe. Margarito Valiente (Região Uruguai), Pe. Valdeci Antonio de Almeida (Província São Paulo), Pe. Egídio Trevisan (Província de Santa Maria); contamos também com a presença do Pe. Jacob Nampudakam do Conselho Geral e Secretário Geral Para a Formação, Pe. Gilberto Orsolin do Conselho Geral e Secretário Geral para as Missões. Tivemos ainda a presença do Pe. Romualdo Uzabumwana, Diretor do Período Introdutório de Ruanda, África. Durante o encontro, Pe. Valdeci apresentou o programa e a dinâmica do noviciado da Província São Paulo. Após a leitura do mesmo, os confrades apresentaram propostas para a adaptação da programação comum das Unidades. Até o final de agosto, cada membro apresentará por escrito ao Pe. Valdeci, que ficará responsável para a elaboração do texto final e assim enviará para cada Superior Maior para a devida aprovação.
Decidiu-se também que o noviciado comum será em Cornélio Procópio – Pr, na Província São Paulo Apóstolo, porém receberá no início do próximo ano a presença de um diretor espiritual a ser ainda nomeado pela Província Nossa Senhora Conquistadora, Santa Maria. E durante o ano, as Unidades deverão enviar pessoas para ministrar pequenos cursos referentes ao nosso carisma, espiritualidade e modo de ser de cada Unidade. O Pe. Valdeci Antonio de Almeida SAC, permanecerá como Diretor do período Introdutório, porém as Unidades devem começar a preparar novos formadores para que, num futuro próximo, possam assumir a direção do noviciado com um mesmo grau de formação e experiência comum, para que assim possamos crescer no espírito de colaboração.
Na tarde do dia 21, enquanto os Superiores Maiores continuaram o seu encontro, os Formadores fizeram uma partilha dos trabalhos realizados em nossas casas de formação.
Do dia 22 a 27 de julho, os Formadores deram continuidade ao encontro para refletir com o Pe. Romualdo Uzabumwana sobre os temas: acolher, discernir, acompanhar e viver em comunidade.
Dia 28 a 30 até ao meio dia, tivemos palestras com o psicólogo Agostinho Capeletti Busato sobre sexualidade e afetividade. Todos estes dias de encontro foram muito ricos em partilha, convivência e principalmente no enriquecimento na formação dos formadores sul-americanos.
sábado, 10 de julho de 2010
Pedindo a intercessão de São Vicente Pallotti
Altar com a urna do corpo intacto de São vicente Pallotti - Igreja de São Salvador - RomaMeus Deus, pretendo viver, sofrer e morrer com os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo
São Vicente,
o teu amor por Deus e pelo próximo não conheceu limites. Quiseste promover o apostolado da Igreja para que o mundo inteiro possa crer e amar a Deus. Pedimos-te, ajuda-nos a viver a tua herança em nosso tempo. Interceda junto a Deus, que abençoe a tua obra. Guia-nos no caminho da fé viva e do apostolado Católico, que una e renove todos os crentes no espírito de uma nova terra e de novos céus.
São Vicente Pallotti, nosso Santo Fundador, o teu corpo repousa sobre o altar da Igreja de San Salvatore in Onda, mas tu vives na glória de Jesus Cristo que tem sido o teu ideal de vida. Obtém também a nós que alcancemos a vida eterna e cantemos juntos a ti o amor de Deus, que vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém.
Vicente Pallotti nasceu em Roma no dia 21 de abril de 1795, foi ordenado sacerdote no dia 16 de maio de 1818. Em seu apostolado, dedicou-se à vida espiritual dos jovens, dos doentes, dos encarcerados e dos pobres. Instituiu o Oitavário da Epifania e promoveu a difusão da imprensa no campo do apostolado. No ano de 1835 fundou a União do Apostolado Católico, que foi aprovada da Igreja no mesmo ano. Morre em Roma, próximo a Igreja de San Salvatore in Onda, no dia 22 de janeiro de 1850. Foi beatificado pelo Papa Pio XII no dia 22 de janeiro de 1950 e canonizado pelo Papa João XXIII no dia 26 de janeiro de 1963.
domingo, 4 de julho de 2010
Boletim do mês de junho
No dia 15 de junho, foi concluído o primeiro curso se verão da formação permanente no “Cenáculo” da Via Ferrari – Roma. O encontro foi organizado pelo Secretariado Geral para a Formação (dia 07 a 15 de junho de 2010), por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal. Dezessete confrades, provenientes de oito países, participaram do encontro, a saber: Brasil, Polônia, Ruanda, Camarões, Índia, Alemanha, Estados Unidos e França. A tradução foi simultânea do italiano para quatro outras línguas oficiais da Sociedade (inglês, alemão, polonês e português). Sete confrades palotinos apresentaram diversos aspectos da atividade e da espiritualidade sacerdotal palotina: “A vida Sacerdotal em Roma no tempo de Pallotti” (Pe. Franco Todisco). “O empenho pastoral de Pallotti na cidade de Roma” (Pe. Jan Kupka). “O presbítero palotino e a sua missão hoje” (Pe. Fritz Kretz). “O papel dos sacerdotes e dos Irmãos da Sociedade do Apostolado Católico na União do Apostolado Católico” (Pe. Derry Murphy). “A cooperação entre sacerdotes, as pessoas consagradas e os fiéis leigos, segundo a visão de Pallotti” (Pe. Stanislao Stawicki). “A formação permanente na vida sacerdotal: itinerário e meios para um crescimento permanente segundo a Ratio Institutionis da SAC” (Pe. Jacob Nampudakam). “Os diversos caminhos de santidade sob as pegadas de São Vicente Pallotti” (Pe. Jan Koricki).
Do dia 9 a 11 de junho, todos seguiram o programa do Encontro Internacional dos Sacerdotes: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. O evento foi promovido pela Congregação para o Clero. De fato, o encontro de formação teve dois momentos principais:
1- Do dia 9 ao dia 11 de junho: participação dos eventos programados pela Congregação para o Clero, na Basílica de São Paulo, São João do Latrão e de São Pedro;
2- Nos outros dias: “momentos palotinos” com conferências, partilhas, celebrações litúrgicas e visitas em alguns lugares frequentados pelo fundador em Roma e fora de Roma: Via Del Pellegrino, Santo Espírito dos Napolitanos, São Salvador in Onda, Sapienza, Pia Casa, Colégio Irlandês, Trindade dos Montes, Propagação da Fé, São Silvestre in Capite, Frascati, Camaldoli e Grottaferrata.
Uma experiência marcante foi a vigília da noite do dia 10 de junho, na Praça São Pedro, na qual o Papa respondeu cinco perguntas feitas por sacerdotes dos cinco continentes. “Santidade, [...], Por vezes a teologia não parece ter Deus no centro e Jesus Cristo como primeiro “lugar teológico”, mas tem, ao contrário, os gostos e as tendências difundidas. Como podemos permanecer orientados na nossa vida e no nosso ministério? [...]. Sentimo-nos “descentrados”! – disse um jovem sacerdote africano, Mathias Agnero, da Costa do Marfim.
Respondendo a esta pergunta, o Santo padre dirigiu-se, entre outros, aos seminaristas: “Certamente isto é muito importante para a formação teológica, e gostaria de dizer aos seminaristas: No nosso tempo, devemos conhecer bem a Sagrada Escritura, para enfrentarmos os ataques das seitas. Devemos ser, realmente, amigos da Palavra. Devemos conhecer as correntes do nosso tempo para podermos responder racionalmente, para poder dar, como diz São Pedro, ‘razões à nossa fé’. A formação é muito importante”.
A missa conclusiva com o Santo Padre, no dia 11 de junho, foi uma celebração com o maior número de concelebrantes, jamais visto em Roma: cerca de quinze mil sacerdotes.
O chamado a uma maior fidelidade à vida sacerdotal na Igreja, segundo o carisma do nosso santo Fundador Vicente Pallotti, foi a mensagem principal do encontro de formação para os sacerdotes palotinos, que foi oficialmente concluído no dia 15 de junho, com uma solene Eucaristia na Igreja São Salvador in Onda, presidida pelo Reitor Geral, Pe. Friedrich Kretz.
Entre os escritos de São Vicente Pallotti, existe um que se chama “Regras e Método de observar-se inviolavelmente em todos os Congressos ou Consultas presentes e futuras da Pia Sociedade do Apostolado Católico” (OO CC I, p. 121/122). Pe. Vicente nos fala dos diversos encontros, e nos faz uma observação muito pertinente: “Muitos são os Congressos que se fazem para as obras pias, mas pouquíssimos, em proporção, são aqueles que produzem os efeitos para os quais se fazem. Se procurarmos as razões disto, convém dizer que, facilmente, falta neles a caridade”. Pallotti chama a experiência de todos estes Congressos feitos sem a caridade de: “funesta”, isto é, fatal! Esperamos que a nossa experiência não tenha sido funesta.
Pe. Stanislao Stawicki, SAC
Roma – Via Giuseppe Ferrari
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Retiro dos Padres e Irmãos Palotinos - 28 a 01/07/2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Como Pallotti via a si mesmo
Todo ser humano tem a capacidade de ver-se e de compreender-se, ao menos de certa maneira, pois do contrário ninguém poderia dizer algo a respeito de si mesmo.
Vicente Pallotti teve uma grande idéia de si mesmo, graças à sua grande sensibilidade e inteligência.
À luz da revelação divina, e a partir da sua inteligência enriquecida e iluminada pela fé cristã, viu a sua origem, o seu destino, a sua identidade e o sentido da sua vida e da sua morte.
Descobriu-se filho de pais amorosos e santos, mas sobretudo descobriu-se amado e querido infinitamente por Deus Uno e Trino, criado à sua imagem e semelhança.
Em 1849, Vicente Pallotti escrevia, ainda mais admirado e aturdido, diante da grandeza da sua dignidade humano-divina:
Iluminado pela santa fé, recordo que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.
Mas como a fé me diz que Deus não tem corpo, por isso deve-se entender que o homem na alma é criado à imagem e semelhança de Deus, de maneira que nossa alma é um ser vivo espiritual racional que tem como distintivo seu ser viva imagem de Deus, de todo Deus.
Vicente Pallotti descobria-se, à luz da fé cristã, como uma criatura especial de Deus Uno e Trino, santificada por ele e alvo de seu amor infinito e de sua misericórdia infinita.
O sentido da sua vida era cumprir a vontade de Deus e a vontade de Deus era que ele fosse um imitador de Jesus Cristo, seu irmão primogênito.
Por isso, Vicente Pallotti queria que toda a vida de Cristo fosse a sua vida. A sua maior felicidade era sentir-se amado infinitamente, loucamente por Deus.
Diante da grandeza da bondade e da misericórdia infinita de Deus Uno e Trino, Vicente Pallotti descobre a sua pequenez, o seu nada, pois tudo o que ele é vem de Deus e de si mesmo nada tem.
Mas a criatura humana pode também negar-se a Deus, pode separar-se dEle, iludida de poder ser ela mesma Deus. E aqui está o pecado.
O pecado como o mau uso da liberdade ou o abuso dos dons recebidos de Deus. O bom uso da liberdade consiste em fazer bom uso dos dons divinos, dos dons da natureza e da graça.
Deus nos deu o livre arbítrio para que com a ajuda da sua graça nos sirvamos dele para aperfeiçoar a nossa alma enquanto é viva imagem dele mesmo. Deus me deu o livre arbítrio, dom necessário para poder merecer, ao fazer o bem.
Devo aproveitar o dom do livre arbítrio para aperfeiçoar de modo meritório a minha alma enquanto é viva imagem de Deus uno na essência e trino nas pessoas, infinito nos seus divinos atributos e perfeições, para que, depois da vida presente, chegue a ser semelhante a Deus na glória por toda a eternidade.
“Meu Deus, vós me destes o dom do livre arbítrio, para que, em toda a minha vida, com todos os pensamentos da mente, com todos os afetos do coração, com todas as palavras da língua e com todas as obras, também as mínimas, chegue a aperfeiçoar meritoriamente a minha alma”.
“O nada e o pecado são todas as minhas riquezas: nada e pecado é toda a minha vida, mas pela caridade de Deus e por sua piíssima misericórdia toda a vida de nosso Senhor Jesus Cristo é minha vida.
Mas por que Vicente Pallotti se diz “nada e pecado?”. Ao confrontar-se com Deus, ele vê que de fato ele é nada. Mas por outra parte vê que esse nada, que é ele mesmo, pode revoltar-se contra Deus, pode separar-se de Deus, pode pecar. Por isso, ele afirma que a única coisa que é própria dele, não de Deus, é o pecado.
Ao encarnar-se, o Filho de Deus assumiu a natureza humana carregada de pecados e, por isso, sentiu todo o seu peso e quis dar a sua vida para libertar a natureza humana do pecado.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Como Vicente Pallotti via Cristo, Deus Pai, Maria ...
1- Viu tudo com o olhar de Cristo apóstolo
Viu não apenas com seus olhos físicos, mas sobretudo a sua inteligência enriquecida e iluminada pela revelação divina.
Graças à sua inteligência enriquecida pela revelação divina e pelo dom da fé que lhe possibilitava acolher e entender a revelação divina, Vicente Pallotti pôde ter uma belíssima imagem de Deus e de todas as criaturas, bem como também ver as relações de Deus com as suas criaturas, as relações das criaturas com Deus e as relações das criaturas entre si mesmas.
2- Via Deus como, o amor infinito
No seu último escrito, de 1849, Vicente Pallotti dizia:
Iluminado pela santa fé, creio que existe um Deus eterno, infinito, imenso, incompreensível, infinitamente feliz em si mesmo, desde toda a eternidade. Uno na essência e trino nas pessoas:
Pai, Filho e Espírito Santo, infinito nos atributos e perfeições; onipotente, pode fazer tudo, exceto o pecado e a morte, porque é vida por essência e santidade infinita.
Creio que a primeira pessoa se chama Pai, porque gerou e gera, desde toda a eternidade e por toda a eternidade, a segunda pessoa que é e se chama o Filho. “E creio que Deus mesmo, sem ter necessidade das criaturas, igualmente com amor infinito e movido pela sua infinita misericórdia, criou do nada o céu e a terra e tudo o que existe no céu e na terra”.
Mas por que Deus decidiu criar o mundo?
Vicente Pallotti diz que Deus Uno e Trino criou todo o universo, o universo visível e o universo invisível, para difundir-se em todas as suas criaturas, Ele que é o eterno, o infinito, o imenso, o incompreensível.
Movido pelo amor, o Pai, através de seu Filho, o Verbo eterno, criou o mundo visível e o mundo invisível. O mundo visível é o mundo acessível aos olhos e aos outros sentidos e, no seu centro, está o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
3- Deus misericórdia infinita
Se não tivesse havido pecado no mundo, Deus seria simplesmente amor. Mas, como houve pecado no mundo, o amor de Deus transformou-se em misericórdia e misericórdia infinita. A misericórdia é “o amor feito perdão” (François Varillon).
E a misericórdia de Deus manifestou-se em não ter abandonado o homem pecador, mas em tê-lo salvado. A misericórdia de Deus manifestou-se sobretudo no envio do seu Filho como Salvador do mundo (Jo 3,16s).
Jesus Cristo é, portanto, a máxima manifestação do amor misericordioso do Pai celeste ao mundo ferido pelo pecado. Ele é o maior dom de Deus ao homem, a sua resposta misericordiosa ao homem pecador.
4- Como Pallotti via Jesus Cristo
Como o apóstolo do Pai eterno.
O próprio Jesus Cristo viu-se a si mesmo como o enviado do Pai ao mundo para salvar o mundo (Jo 3,16s). Mas qual foi a missão ou o apostolado que o Pai confiou a Cristo, ao enviá-lo ao mundo? A missão de salvar o mundo: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,16-17; 6,38-40). E Jesus Cristo só tinha uma preocupação: cumprir a vontade salvífica do Pai (Jo 4,34; 5,30; 6,38.39).
Quanto a isto, escreve Vicente Pallotti:
“O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção”.
Vicente Pallotti via Jesus Cristo intimamente unido ao Espírito Santo e fortalecido, animado e impelido por ele.
Também Vicente Pallotti viu o Espírito Santo como a fonte de todo apostolado e missão, razão por que escolheu como força propulsora de todo apostolado a caridade de Cristo (2 Cor 5,14) derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5).
Pallotti via Jesus Cristo como o maior dom do amor e da misericórdia infinita de Deus. Via-o também como seu irmão primogênito e como seu modelo.
Para Vicente Pallotti o amor infinito e a misericórdia infinita de Deus se manifestam em ter-nos dado seu Filho divino feito homem para a redenção de nossa alma.
Pallotti sentia-se muito ligado aos anjos e arcanjos e tinha uma especial devoção aos mesmos. Apelava sempre para os seus merecimentos e implorava a sua poderosa intercessão junto a Deus.
Os anjos aparecem como enviados de Deus a serviço do seu povo. Também no Novo Testamento os anjos auxiliam o Cristo e também os cristãos.
Pallotti via os anjos no seu ser e na sua função.
Quanto ao seu ser, os anjos são espíritos puros, ao passo que o ser humano não é um espírito puro, mas um espírito encarnado. Vicente Pallotti chama-os de “espíritos beatíssimos.
Quanto à atuação dos anjos, sua atuação refere-se a Deus e aos seres humanos.
Em relação a Deus, “todos os anjos estão sempre ocupados em amar, louvar, bendizer, adorar, contemplar e agradar a Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.
Os anjos estão sempre “às ordens de Deus e Deus está sempre ocupado em comunicar aos homens seus dons, suas graças, suas misericórdias, ou por si mesmo ou ordinariamente por meio dos anjos da guarda”.
Em todas as suas orações de agradecimento e de súplica, Vicente Pallotti incluía sempre os anjos e, em seu último escrito, ele descrevia amplamente a sua ação em favor dos seres humanos a caminho do fim último.
Pallotti e os santos
Vicente Pallotti via os santos com os olhos de Jesus Cristo, isto é, primeiramente como dons do Pai celeste.
Considerava os santos como dons especiais de Deus e como seus irmãos maiores, como seus modelos e como seus intercessores.
Devo também recordar que Deus, ao ter-me dado Jesus Cristo como irmão primogênito, me deu também como irmãos todos os santos do Antigo e do Novo Testamento.
Vicente Pallotti admirava todos os santos e santas, congratulava-se com eles, invejava-os e valia-se sempre de sua intercessão.
Queria fazer tudo para a glória de Deus, mas também para a glória dos Santos.
“Quero fazer tudo para a glória de Deus, de Jesus, de Maria, dos anjos, dos santos, em sufrágio e libertação das almas do purgatório, a fim de que eles peçam ao Senhor que me conceda as graças que desejo”.
6- Pallotti e os seres humanos
Pallotti via todos os seres humanos no mundo à luz da revelação divina e à luz da fé, isto é, a partir de Jesus Cristo. E, para Jesus Cristo, todos os seres humanos eram um dom do Pai, mas também uma tarefa.
Jesus queria que todos os seus irmãos humanos se tornassem também seus irmãos divinos, isto é, como ele filhos de Deus. Para que todos os homens se tornassem filhos de Deus, o Filho eterno do Pai se encarnou e se tornou Deus feito homem.
Reunir todas as ovelhas num só rebanho.
E Jesus não quis cumprir sozinho a vontade salvífica do Pai mas, desde o começo até o fim, quis associar também os seus irmãos. Em função da salvação de todos é que Jesus Cristo se encarnou, rezou, fez milagres, instruiu os discípulos, deu a sua vida, ressuscitou, subiu ao céu e enviou o Espírito Santo .
De modo semelhante viu Vicente Pallotti os seres humanos, isto é, à luz da revelação e do modo de agir de Jesus Cristo. Ele procurou abraçar todos os homens no seu amor e nas suas preocupações cristãs apostólicas.
Reconheceu que todos são criaturas especiais de Deus, chamadas à salvação e à participação na vida divina por meio de Jesus Cristo.
Como o Cristo tinha compaixão da multidão faminta, enfraquecida, doente, aflita, também Vicente Pallotti sentia compaixão de todos os que sofriam e queria aliviá-los como queria Cristo.
7- Como via Maria
Pallotti via Maria como o maior dom de Deus, depois de Jesus Cristo. Ele acolheu este dom e procurou valorizá-lo, em toda a sua vida em todo o seu trabalho.
Durante a sua doença em Ósimo, em 1840, Vicente Pallotti reconhecia que “o amor infinito de Nosso Senhor Jesus Cristo lhe deu por mãe a sua própria mãe santíssima”, “dom preciosíssimo”; e pedia a Deus a graça de “corresponder perfeitamente ao dom que nos fez nosso Senhor Jesus Cristo, dando-nos por mãe a sua santíssima Mãe Maria”.
Além de vê-la como excelente dom de Deus, via-a como Mãe, como Mestra, como Intercessora.
Mãe é o título mais querido e mais usado por Vicente Pallotti. Ele atribuía muitos adjetivos a Maria: mãe amantíssima, enamoradíssima, puríssima, santíssima, misericordiosíssima.
Via Maria como mãe amantíssima e via-se a si mesmo como seu filho amado e querido.
Como mãe da misericórdia, chegou às raias do incrível e do inesperado, pois, para torná-lo mais semelhante ao seu Filho Jesus, ela quis celebrar o matrimônio espiritual com seu filho Vicente, dando-lhe o reconhecimento de Jesus Cristo e prometendo-lhe obter do Espírito Santo a graça de ser todo ele transformado no mesmo Espírito Santo.
Os títulos mais usados e significativos aparecem já nas suas primeiras anotações espirituais e sobretudo nos seus primeiros escritos, publicados em honra de Maria, os três meses de maio. Em 1816, chamava Maria de Mestra.
No seu retiro de 1826, escrevia: “Maria santíssima é a mestra da vida espiritual.
Vicente Pallotti queria imitar Maria assim como queria imitar Jesus Cristo e por isso queria que a vida de Maria fosse a sua própria vida.
Em 1816, ele iniciava as suas anotações espirituais, propondo-se ter presente, em tudo o que fizer, como o fariam Jesus, Maria, os anjos e santos.
“Quero que todas as minhas ações e as de todas as outras criaturas sejam feitas com aquela perfeição com que as teriam feito todos os santos, Maria santíssima e Jesus”.
“Nas minhas ações e nas ações dos outros, quero pensar como as teriam feito os santos, Maria santíssima e Jesus”.
Em 1817, ele escrevia a jovens e educadores
“Se quereis caminhar a grandes passos na estrada da perfeição, segui continuamente Jesus, Maria e José, e procurai exercitar aquelas heróicas virtudes que eles, em todas as circunstâncias de tempo e lugar, praticaram de modo admirável. E procurai servir com amor estas grandes personagens”.
Vicente Pallotti não somente queria imitar Maria, mas queria ser todo transformado nela, assim como queria ser todo transformado em Cristo.
Em 1835, ele suplicava: “Seja destruída toda a minha vida e a vida da santíssima Virgem Maria seja a minha vida”.
Depois de 1844, Vicente Pallotti escrevia:
“Seja destruída toda a minha vida e tudo o que está em mim, e a vida da santíssima Virgem Maria seja a minha vida, e esteja em mim tudo o que está na santíssima Virgem Maria”.
Depois de 1845, Vicente Pallotti rezava:
“Nas tuas mãos, minha Senhora Santa Maria Imaculada, entrego o meu espírito, toda a minha vida e o meu último dia. Maria Imaculada, nas tuas mãos entrego a minha alma, toda a minha vida e o último dia, hora e momento”.
Vicente Pallotti viu também a íntima relação de Maria com Cristo na salvação do mundo e deu-lhe inclusive o título de “abismo da graça, mãe de misericórdia, corredentora do gênero humano e Rainha dos apóstolos”, dispensadora das graças e sobretudo a grande advogada ou intercessora junto de Deus em favor de todos os seus filhos e filhas na terra.

