domingo, 1 de agosto de 2010

ENCONTRO SUL-AMERICANO DE FORMADORES E SUPERIORES MAIORES

Formadores Sul-americanos

Superiores Maiores e Formadores Sul-americanos




Pe. Jacob Nampudakam dando palestra para os formadores






Pe. Valdeci e Romualdo Uzabumwana, Ruanda - África


Pe. Valdeci e Pe. Gilberto - Conselheiro e Secretário Geral para as Missões - Roma



Pe. Valdeci e Pe. Jacob Nampudakam - Conselheiro e Secretario Geral para a Formação - Roma







SUPERIORES MAIORES E FORMADORES SUL-AMERICANOS SE ENCONTRAM EM CURITIBA

Os Superiores Maiores e os Formadores da América do Sul estiveram reunidos, em Curitiba, no dia 20 e 21 de julho até o meio dia, no Seminário Maior Mãe do Divino Amor.
Neste encontro foi discutido sobre a formação na América do Sul e principalmente sobre a união dos noviciados. Depois de muita discussão chegou-se a um acordo de que teremos, a partir de 2011, um único noviciado na América do Sul, exceto Colômbia e Venezuela que não participaram do Encontro dos Superiores Maiores e Formadores. Eles terão um noviciado em língua castelhana. As demais Unidades Sul-americanas se comprometeram em colaborar, enviando formadores ao longo do período do noviciado canônico, para que assim possamos enriquecer a formação no sentido de apresentarmos aos noviços as diversas tradições das Unidades e a maneira como cada uma delas vive o seu apostolado.
Quanto ao método e programa devem ter como base a Ratio Institutionis e que contemplem elementos das realidades sul-americanas. Quanto ao Diretor do Período Introdutório deve ter a aprovação dos Superiores Maiores e que permaneça no cargo num período de cinco anos e que seja de Unidades diferentes.
A programação do noviciado comum passará por uma reformulação, para que assim possamos contemplar outros elementos importantes para uma boa formação que leve os nossos jovens a assumirem um espírito novo de colaboração e de unidade. Por isso criou-se uma comissão de formadores das diversas Unidades, para que juntos pudessem elaborar um novo projeto formativo comum. Essa comissão é formada pelos padres: Néstor Wálter Morón (Delegatura Irlandesa, Argentina), Pe. Rubén Fuhr (Região Argentina), Pe. Francisco José Filho (Região do Rio de Janeiro), Pe. Margarito Valiente (Região Uruguai), Pe. Valdeci Antonio de Almeida (Província São Paulo), Pe. Egídio Trevisan (Província de Santa Maria); contamos também com a presença do Pe. Jacob Nampudakam do Conselho Geral e Secretário Geral Para a Formação, Pe. Gilberto Orsolin do Conselho Geral e Secretário Geral para as Missões. Tivemos ainda a presença do Pe. Romualdo Uzabumwana, Diretor do Período Introdutório de Ruanda, África. Durante o encontro, Pe. Valdeci apresentou o programa e a dinâmica do noviciado da Província São Paulo. Após a leitura do mesmo, os confrades apresentaram propostas para a adaptação da programação comum das Unidades. Até o final de agosto, cada membro apresentará por escrito ao Pe. Valdeci, que ficará responsável para a elaboração do texto final e assim enviará para cada Superior Maior para a devida aprovação.
Decidiu-se também que o noviciado comum será em Cornélio Procópio – Pr, na Província São Paulo Apóstolo, porém receberá no início do próximo ano a presença de um diretor espiritual a ser ainda nomeado pela Província Nossa Senhora Conquistadora, Santa Maria. E durante o ano, as Unidades deverão enviar pessoas para ministrar pequenos cursos referentes ao nosso carisma, espiritualidade e modo de ser de cada Unidade. O Pe. Valdeci Antonio de Almeida SAC, permanecerá como Diretor do período Introdutório, porém as Unidades devem começar a preparar novos formadores para que, num futuro próximo, possam assumir a direção do noviciado com um mesmo grau de formação e experiência comum, para que assim possamos crescer no espírito de colaboração.
Na tarde do dia 21, enquanto os Superiores Maiores continuaram o seu encontro, os Formadores fizeram uma partilha dos trabalhos realizados em nossas casas de formação.
Do dia 22 a 27 de julho, os Formadores deram continuidade ao encontro para refletir com o Pe. Romualdo Uzabumwana sobre os temas: acolher, discernir, acompanhar e viver em comunidade.
Dia 28 a 30 até ao meio dia, tivemos palestras com o psicólogo Agostinho Capeletti Busato sobre sexualidade e afetividade. Todos estes dias de encontro foram muito ricos em partilha, convivência e principalmente no enriquecimento na formação dos formadores sul-americanos.

sábado, 10 de julho de 2010

Pedindo a intercessão de São Vicente Pallotti

Altar com a urna do corpo intacto de São vicente Pallotti - Igreja de São Salvador - Roma

Meus Deus, pretendo viver, sofrer e morrer com os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo


São Vicente,
o teu amor por Deus e pelo próximo não conheceu limites. Quiseste promover o apostolado da Igreja para que o mundo inteiro possa crer e amar a Deus. Pedimos-te, ajuda-nos a viver a tua herança em nosso tempo. Interceda junto a Deus, que abençoe a tua obra. Guia-nos no caminho da fé viva e do apostolado Católico, que una e renove todos os crentes no espírito de uma nova terra e de novos céus.
São Vicente Pallotti, nosso Santo Fundador, o teu corpo repousa sobre o altar da Igreja de San Salvatore in Onda, mas tu vives na glória de Jesus Cristo que tem sido o teu ideal de vida. Obtém também a nós que alcancemos a vida eterna e cantemos juntos a ti o amor de Deus, que vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém.

Vicente Pallotti nasceu em Roma no dia 21 de abril de 1795, foi ordenado sacerdote no dia 16 de maio de 1818. Em seu apostolado, dedicou-se à vida espiritual dos jovens, dos doentes, dos encarcerados e dos pobres. Instituiu o Oitavário da Epifania e promoveu a difusão da imprensa no campo do apostolado. No ano de 1835 fundou a União do Apostolado Católico, que foi aprovada da Igreja no mesmo ano. Morre em Roma, próximo a Igreja de San Salvatore in Onda, no dia 22 de janeiro de 1850. Foi beatificado pelo Papa Pio XII no dia 22 de janeiro de 1950 e canonizado pelo Papa João XXIII no dia 26 de janeiro de 1963.

domingo, 4 de julho de 2010

Boletim do mês de junho


ENCONTRO DE FORMAÇÃO PARA OS SACERDOTES PALOTINOS
Por ocasião da conclusão do Ano Sacerdotal

No dia 15 de junho, foi concluído o primeiro curso se verão da formação permanente no “Cenáculo” da Via Ferrari – Roma. O encontro foi organizado pelo Secretariado Geral para a Formação (dia 07 a 15 de junho de 2010), por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal. Dezessete confrades, provenientes de oito países, participaram do encontro, a saber: Brasil, Polônia, Ruanda, Camarões, Índia, Alemanha, Estados Unidos e França. A tradução foi simultânea do italiano para quatro outras línguas oficiais da Sociedade (inglês, alemão, polonês e português). Sete confrades palotinos apresentaram diversos aspectos da atividade e da espiritualidade sacerdotal palotina: “A vida Sacerdotal em Roma no tempo de Pallotti” (Pe. Franco Todisco). “O empenho pastoral de Pallotti na cidade de Roma” (Pe. Jan Kupka). “O presbítero palotino e a sua missão hoje” (Pe. Fritz Kretz). “O papel dos sacerdotes e dos Irmãos da Sociedade do Apostolado Católico na União do Apostolado Católico” (Pe. Derry Murphy). “A cooperação entre sacerdotes, as pessoas consagradas e os fiéis leigos, segundo a visão de Pallotti” (Pe. Stanislao Stawicki). “A formação permanente na vida sacerdotal: itinerário e meios para um crescimento permanente segundo a Ratio Institutionis da SAC” (Pe. Jacob Nampudakam). “Os diversos caminhos de santidade sob as pegadas de São Vicente Pallotti” (Pe. Jan Koricki).
Do dia 9 a 11 de junho, todos seguiram o programa do Encontro Internacional dos Sacerdotes: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”. O evento foi promovido pela Congregação para o Clero. De fato, o encontro de formação teve dois momentos principais:
1- Do dia 9 ao dia 11 de junho: participação dos eventos programados pela Congregação para o Clero, na Basílica de São Paulo, São João do Latrão e de São Pedro;
2- Nos outros dias: “momentos palotinos” com conferências, partilhas, celebrações litúrgicas e visitas em alguns lugares frequentados pelo fundador em Roma e fora de Roma: Via Del Pellegrino, Santo Espírito dos Napolitanos, São Salvador in Onda, Sapienza, Pia Casa, Colégio Irlandês, Trindade dos Montes, Propagação da Fé, São Silvestre in Capite, Frascati, Camaldoli e Grottaferrata.

Uma experiência marcante foi a vigília da noite do dia 10 de junho, na Praça São Pedro, na qual o Papa respondeu cinco perguntas feitas por sacerdotes dos cinco continentes. “Santidade, [...], Por vezes a teologia não parece ter Deus no centro e Jesus Cristo como primeiro “lugar teológico”, mas tem, ao contrário, os gostos e as tendências difundidas. Como podemos permanecer orientados na nossa vida e no nosso ministério? [...]. Sentimo-nos “descentrados”! – disse um jovem sacerdote africano, Mathias Agnero, da Costa do Marfim.
Respondendo a esta pergunta, o Santo padre dirigiu-se, entre outros, aos seminaristas: “Certamente isto é muito importante para a formação teológica, e gostaria de dizer aos seminaristas: No nosso tempo, devemos conhecer bem a Sagrada Escritura, para enfrentarmos os ataques das seitas. Devemos ser, realmente, amigos da Palavra. Devemos conhecer as correntes do nosso tempo para podermos responder racionalmente, para poder dar, como diz São Pedro, ‘razões à nossa fé’. A formação é muito importante”.
A missa conclusiva com o Santo Padre, no dia 11 de junho, foi uma celebração com o maior número de concelebrantes, jamais visto em Roma: cerca de quinze mil sacerdotes.
O chamado a uma maior fidelidade à vida sacerdotal na Igreja, segundo o carisma do nosso santo Fundador Vicente Pallotti, foi a mensagem principal do encontro de formação para os sacerdotes palotinos, que foi oficialmente concluído no dia 15 de junho, com uma solene Eucaristia na Igreja São Salvador in Onda, presidida pelo Reitor Geral, Pe. Friedrich Kretz.
Entre os escritos de São Vicente Pallotti, existe um que se chama “Regras e Método de observar-se inviolavelmente em todos os Congressos ou Consultas presentes e futuras da Pia Sociedade do Apostolado Católico” (OO CC I, p. 121/122). Pe. Vicente nos fala dos diversos encontros, e nos faz uma observação muito pertinente: “Muitos são os Congressos que se fazem para as obras pias, mas pouquíssimos, em proporção, são aqueles que produzem os efeitos para os quais se fazem. Se procurarmos as razões disto, convém dizer que, facilmente, falta neles a caridade”. Pallotti chama a experiência de todos estes Congressos feitos sem a caridade de: “funesta”, isto é, fatal! Esperamos que a nossa experiência não tenha sido funesta.

Pe. Stanislao Stawicki, SAC
Roma – Via Giuseppe Ferrari

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Retiro dos Padres e Irmãos Palotinos - 28 a 01/07/2010

Os Padres e Irmãos Palotinos, todos os anos, neste período, fazem uma pausa em suas atividades para rezar e meditar em comunidade. No final do retiro, todos os membros de consagração perpétua fazem a sua renovação da consagração feita a Deus. O retiro foi orientado pelo Frei Rubens Sevilha, OCD.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Como Pallotti via a si mesmo


Todo ser humano tem a capacidade de ver-se e de compreender-se, ao menos de certa maneira, pois do contrário ninguém poderia dizer algo a respeito de si mesmo.
Vicente Pallotti teve uma grande idéia de si mesmo, graças à sua grande sensibilidade e inteligência.
À luz da revelação divina, e a partir da sua inteligência enriquecida e iluminada pela fé cristã, viu a sua origem, o seu destino, a sua identidade e o sentido da sua vida e da sua morte.

Descobriu-se filho de pais amorosos e santos, mas sobretudo descobriu-se amado e querido infinitamente por Deus Uno e Trino, criado à sua imagem e semelhança.
Em 1849, Vicente Pallotti escrevia, ainda mais admirado e aturdido, diante da grandeza da sua dignidade humano-divina:
Iluminado pela santa fé, recordo que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.

Mas como a fé me diz que Deus não tem corpo, por isso deve-se entender que o homem na alma é criado à imagem e semelhança de Deus, de maneira que nossa alma é um ser vivo espiritual racional que tem como distintivo seu ser viva imagem de Deus, de todo Deus.
Vicente Pallotti descobria-se, à luz da fé cristã, como uma criatura especial de Deus Uno e Trino, santificada por ele e alvo de seu amor infinito e de sua misericórdia infinita.

O sentido da sua vida era cumprir a vontade de Deus e a vontade de Deus era que ele fosse um imitador de Jesus Cristo, seu irmão primogênito.
Por isso, Vicente Pallotti queria que toda a vida de Cristo fosse a sua vida. A sua maior felicidade era sentir-se amado infinitamente, loucamente por Deus.
Diante da grandeza da bondade e da misericórdia infinita de Deus Uno e Trino, Vicente Pallotti descobre a sua pequenez, o seu nada, pois tudo o que ele é vem de Deus e de si mesmo nada tem.
Mas o ser humano pode dar-se a Deus, entregar-se a Ele, cumprir sua vontade cujo objetivo é sempre a realização plena de suas criaturas e, no caso do ser humano, a participação plena na própria vida e felicidade divina.

Mas a criatura humana pode também negar-se a Deus, pode separar-se dEle, iludida de poder ser ela mesma Deus. E aqui está o pecado.
O pecado como o mau uso da liberdade ou o abuso dos dons recebidos de Deus. O bom uso da liberdade consiste em fazer bom uso dos dons divinos, dos dons da natureza e da graça.

Deus nos deu o livre arbítrio para que com a ajuda da sua graça nos sirvamos dele para aperfeiçoar a nossa alma enquanto é viva imagem dele mesmo. Deus me deu o livre arbítrio, dom necessário para poder merecer, ao fazer o bem.

Devo aproveitar o dom do livre arbítrio para aperfeiçoar de modo meritório a minha alma enquanto é viva imagem de Deus uno na essência e trino nas pessoas, infinito nos seus divinos atributos e perfeições, para que, depois da vida presente, chegue a ser semelhante a Deus na glória por toda a eternidade.

“Meu Deus, vós me destes o dom do livre arbítrio, para que, em toda a minha vida, com todos os pensamentos da mente, com todos os afetos do coração, com todas as palavras da língua e com todas as obras, também as mínimas, chegue a aperfeiçoar meritoriamente a minha alma”.

“O nada e o pecado são todas as minhas riquezas: nada e pecado é toda a minha vida, mas pela caridade de Deus e por sua piíssima misericórdia toda a vida de nosso Senhor Jesus Cristo é minha vida.
Nada e pecado

Mas por que Vicente Pallotti se diz “nada e pecado?”. Ao confrontar-se com Deus, ele vê que de fato ele é nada. Mas por outra parte vê que esse nada, que é ele mesmo, pode revoltar-se contra Deus, pode separar-se de Deus, pode pecar. Por isso, ele afirma que a única coisa que é própria dele, não de Deus, é o pecado.
Ao encarnar-se, o Filho de Deus assumiu a natureza humana carregada de pecados e, por isso, sentiu todo o seu peso e quis dar a sua vida para libertar a natureza humana do pecado.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Como Vicente Pallotti via Cristo, Deus Pai, Maria ...

(Atualizado, número 7, sobre Maria)

1- Viu tudo com o olhar de Cristo apóstolo

Viu não apenas com seus olhos físicos, mas sobretudo a sua inteligência enriquecida e iluminada pela revelação divina.
Graças à sua inteligência enriquecida pela revelação divina e pelo dom da fé que lhe possibilitava acolher e entender a revelação divina, Vicente Pallotti pôde ter uma belíssima imagem de Deus e de todas as criaturas, bem como também ver as relações de Deus com as suas criaturas, as relações das criaturas com Deus e as relações das criaturas entre si mesmas.

2- Via Deus como, o amor infinito

No seu último escrito, de 1849, Vicente Pallotti dizia:
Iluminado pela santa fé, creio que existe um Deus eterno, infinito, imenso, incompreensível, infinitamente feliz em si mesmo, desde toda a eternidade. Uno na essência e trino nas pessoas:
Pai, Filho e Espírito Santo, infinito nos atributos e perfeições; onipotente, pode fazer tudo, exceto o pecado e a morte, porque é vida por essência e santidade infinita.

Creio que a primeira pessoa se chama Pai, porque gerou e gera, desde toda a eternidade e por toda a eternidade, a segunda pessoa que é e se chama o Filho. “E creio que Deus mesmo, sem ter necessidade das criaturas, igualmente com amor infinito e movido pela sua infinita misericórdia, criou do nada o céu e a terra e tudo o que existe no céu e na terra”.

Mas por que Deus decidiu criar o mundo?

Vicente Pallotti diz que Deus Uno e Trino criou todo o universo, o universo visível e o universo invisível, para difundir-se em todas as suas criaturas, Ele que é o eterno, o infinito, o imenso, o incompreensível.
Movido pelo amor, o Pai, através de seu Filho, o Verbo eterno, criou o mundo visível e o mundo invisível. O mundo visível é o mundo acessível aos olhos e aos outros sentidos e, no seu centro, está o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.


3- Deus misericórdia infinita

Se não tivesse havido pecado no mundo, Deus seria simplesmente amor. Mas, como houve pecado no mundo, o amor de Deus transformou-se em misericórdia e misericórdia infinita. A misericórdia é “o amor feito perdão” (François Varillon).
E a misericórdia de Deus manifestou-se em não ter abandonado o homem pecador, mas em tê-lo salvado. A misericórdia de Deus manifestou-se sobretudo no envio do seu Filho como Salvador do mundo (Jo 3,16s).

Jesus Cristo é, portanto, a máxima manifestação do amor misericordioso do Pai celeste ao mundo ferido pelo pecado. Ele é o maior dom de Deus ao homem, a sua resposta misericordiosa ao homem pecador.

4- Como Pallotti via Jesus Cristo

Como o apóstolo do Pai eterno.

O próprio Jesus Cristo viu-se a si mesmo como o enviado do Pai ao mundo para salvar o mundo (Jo 3,16s). Mas qual foi a missão ou o apostolado que o Pai confiou a Cristo, ao enviá-lo ao mundo? A missão de salvar o mundo: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,16-17; 6,38-40). E Jesus Cristo só tinha uma preocupação: cumprir a vontade salvífica do Pai (Jo 4,34; 5,30; 6,38.39).

Quanto a isto, escreve Vicente Pallotti:
“O apostolado de Jesus Cristo é a sua obediência ao preceito do Pai celeste, vale dizer, é a própria obra da redenção”.

Vicente Pallotti via Jesus Cristo intimamente unido ao Espírito Santo e fortalecido, animado e impelido por ele.

Também Vicente Pallotti viu o Espírito Santo como a fonte de todo apostolado e missão, razão por que escolheu como força propulsora de todo apostolado a caridade de Cristo (2 Cor 5,14) derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5).

Pallotti via Jesus Cristo como o maior dom do amor e da misericórdia infinita de Deus. Via-o também como seu irmão primogênito e como seu modelo.
Para Vicente Pallotti o amor infinito e a misericórdia infinita de Deus se manifestam em ter-nos dado seu Filho divino feito homem para a redenção de nossa alma.
5- Vicente Pallotti e os anjos

Pallotti sentia-se muito ligado aos anjos e arcanjos e tinha uma especial devoção aos mesmos. Apelava sempre para os seus merecimentos e implorava a sua poderosa intercessão junto a Deus.
Os anjos aparecem como enviados de Deus a serviço do seu povo. Também no Novo Testamento os anjos auxiliam o Cristo e também os cristãos.
Pallotti via os anjos no seu ser e na sua função.
Quanto ao seu ser, os anjos são espíritos puros, ao passo que o ser humano não é um espírito puro, mas um espírito encarnado. Vicente Pallotti chama-os de “espíritos beatíssimos.
Quanto à atuação dos anjos, sua atuação refere-se a Deus e aos seres humanos.
Em relação a Deus, “todos os anjos estão sempre ocupados em amar, louvar, bendizer, adorar, contemplar e agradar a Deus Pai, Filho e Espírito Santo”.
Os anjos estão sempre “às ordens de Deus e Deus está sempre ocupado em comunicar aos homens seus dons, suas graças, suas misericórdias, ou por si mesmo ou ordinariamente por meio dos anjos da guarda”.
Em todas as suas orações de agradecimento e de súplica, Vicente Pallotti incluía sempre os anjos e, em seu último escrito, ele descrevia amplamente a sua ação em favor dos seres humanos a caminho do fim último.
Pallotti e os santos
Vicente Pallotti via os santos com os olhos de Jesus Cristo, isto é, primeiramente como dons do Pai celeste.
Considerava os santos como dons especiais de Deus e como seus irmãos maiores, como seus modelos e como seus intercessores.
Devo também recordar que Deus, ao ter-me dado Jesus Cristo como irmão primogênito, me deu também como irmãos todos os santos do Antigo e do Novo Testamento.
Vicente Pallotti admirava todos os santos e santas, congratulava-se com eles, invejava-os e valia-se sempre de sua intercessão.
Queria fazer tudo para a glória de Deus, mas também para a glória dos Santos.
“Quero fazer tudo para a glória de Deus, de Jesus, de Maria, dos anjos, dos santos, em sufrágio e libertação das almas do purgatório, a fim de que eles peçam ao Senhor que me conceda as graças que desejo”.

6- Pallotti e os seres humanos

Pallotti via todos os seres humanos no mundo à luz da revelação divina e à luz da fé, isto é, a partir de Jesus Cristo. E, para Jesus Cristo, todos os seres humanos eram um dom do Pai, mas também uma tarefa.
Jesus queria que todos os seus irmãos humanos se tornassem também seus irmãos divinos, isto é, como ele filhos de Deus. Para que todos os homens se tornassem filhos de Deus, o Filho eterno do Pai se encarnou e se tornou Deus feito homem.
Reunir todas as ovelhas num só rebanho.
E Jesus não quis cumprir sozinho a vontade salvífica do Pai mas, desde o começo até o fim, quis associar também os seus irmãos. Em função da salvação de todos é que Jesus Cristo se encarnou, rezou, fez milagres, instruiu os discípulos, deu a sua vida, ressuscitou, subiu ao céu e enviou o Espírito Santo .
De modo semelhante viu Vicente Pallotti os seres humanos, isto é, à luz da revelação e do modo de agir de Jesus Cristo. Ele procurou abraçar todos os homens no seu amor e nas suas preocupações cristãs apostólicas.
Reconheceu que todos são criaturas especiais de Deus, chamadas à salvação e à participação na vida divina por meio de Jesus Cristo.
Como o Cristo tinha compaixão da multidão faminta, enfraquecida, doente, aflita, também Vicente Pallotti sentia compaixão de todos os que sofriam e queria aliviá-los como queria Cristo.


7- Como via Maria

Pallotti via Maria como o maior dom de Deus, depois de Jesus Cristo. Ele acolheu este dom e procurou valorizá-lo, em toda a sua vida em todo o seu trabalho.
Durante a sua doença em Ósimo, em 1840, Vicente Pallotti reconhecia que “o amor infinito de Nosso Senhor Jesus Cristo lhe deu por mãe a sua própria mãe santíssima”, “dom preciosíssimo”; e pedia a Deus a graça de “corresponder perfeitamente ao dom que nos fez nosso Senhor Jesus Cristo, dando-nos por mãe a sua santíssima Mãe Maria”.

Além de vê-la como excelente dom de Deus, via-a como Mãe, como Mestra, como Intercessora.
Mãe é o título mais querido e mais usado por Vicente Pallotti. Ele atribuía muitos adjetivos a Maria: mãe amantíssima, enamoradíssima, puríssima, santíssima, misericordiosíssima.
Via Maria como mãe amantíssima e via-se a si mesmo como seu filho amado e querido.

Como mãe da misericórdia, chegou às raias do incrível e do inesperado, pois, para torná-lo mais semelhante ao seu Filho Jesus, ela quis celebrar o matrimônio espiritual com seu filho Vicente, dando-lhe o reconhecimento de Jesus Cristo e prometendo-lhe obter do Espírito Santo a graça de ser todo ele transformado no mesmo Espírito Santo.
Os títulos mais usados e significativos aparecem já nas suas primeiras anotações espirituais e sobretudo nos seus primeiros escritos, publicados em honra de Maria, os três meses de maio. Em 1816, chamava Maria de Mestra.

No seu retiro de 1826, escrevia: “Maria santíssima é a mestra da vida espiritual.
Vicente Pallotti queria imitar Maria assim como queria imitar Jesus Cristo e por isso queria que a vida de Maria fosse a sua própria vida.
Em 1816, ele iniciava as suas anotações espirituais, propondo-se ter presente, em tudo o que fizer, como o fariam Jesus, Maria, os anjos e santos.

“Quero que todas as minhas ações e as de todas as outras criaturas sejam feitas com aquela perfeição com que as teriam feito todos os santos, Maria santíssima e Jesus”.
“Nas minhas ações e nas ações dos outros, quero pensar como as teriam feito os santos, Maria santíssima e Jesus”.

Em 1817, ele escrevia a jovens e educadores
“Se quereis caminhar a grandes passos na estrada da perfeição, segui continuamente Jesus, Maria e José, e procurai exercitar aquelas heróicas virtudes que eles, em todas as circunstâncias de tempo e lugar, praticaram de modo admirável. E procurai servir com amor estas grandes personagens”.

Vicente Pallotti não somente queria imitar Maria, mas queria ser todo transformado nela, assim como queria ser todo transformado em Cristo.

Em 1835, ele suplicava: “Seja destruída toda a minha vida e a vida da santíssima Virgem Maria seja a minha vida”.

Depois de 1844, Vicente Pallotti escrevia:
“Seja destruída toda a minha vida e tudo o que está em mim, e a vida da santíssima Virgem Maria seja a minha vida, e esteja em mim tudo o que está na santíssima Virgem Maria”.

Depois de 1845, Vicente Pallotti rezava:
“Nas tuas mãos, minha Senhora Santa Maria Imaculada, entrego o meu espírito, toda a minha vida e o meu último dia. Maria Imaculada, nas tuas mãos entrego a minha alma, toda a minha vida e o último dia, hora e momento”.

Vicente Pallotti viu também a íntima relação de Maria com Cristo na salvação do mundo e deu-lhe inclusive o título de “abismo da graça, mãe de misericórdia, corredentora do gênero humano e Rainha dos apóstolos”, dispensadora das graças e sobretudo a grande advogada ou intercessora junto de Deus em favor de todos os seus filhos e filhas na terra.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Como era Vicente Pallotti - Aspectos físicos e sua personalidade




Apresentarei neste Blog uma série de textos referentes ao biotipo de Pallotti (suas características físicas e psicológicas), visto que ele nunca se deixou pousar para retratistas, durante toda a sua vida. O que apresentaremos aqui é a maneira como Paul De Geslin, um de seus primeiros colaboradores na Obra Apostólica, viu e analisou a pessoa do Santo Fundador. De Geslin foi enviado por Pallotti para trabalhar na França, quando os membros da nova fundação não passavam de oito pessoas.
As atualizações poderão ser acompanhadas pela numeração.

1- O perfil de Pallotti



Porte bem pequeno e um pouco encurvado, uma pessoa vivaz, mas não nervosa: cada um dos seus gestos parecia dizer que ele achava a vida bem curta e que não queria perder um só instante da mesma. Sua cabeça, grisalha, era já completamente calva, na frente, e deixava ver, em toda a sua amplidão, uma bela fronte, ampla e branca como o marfim: seus traços eram proporcionados e finos; e seus olhos negros tinham uma expressão profunda; mas neles se manifestava, sobretudo, o sentimento de uma extrema doçura.
Vicente Pallotti sentiu em si mesmo o impulso característico de todo ser vivo: o impulso de crescer, de ligar-se, de entrar em contato com a realidade. Sentiu-se impelido a tomar contato com toda a realidade e sob todos os aspectos possíveis. Desejou ligar-se e relacionar-se com tudo o que existe e com tudo o que é possível e sobretudo com o Ser absoluto.
Dotado de uma grande sensibilidade, era sensível a tudo o que era bom e belo.
Sabia alegrar-se com a presença do belo e do bom, mas se entristecia profundamente, diante do mal causado sobretudo pela maldade humana.
É claro que o exercício da sua vida sensitiva estava condicionado à sua inteligência que lhe mostrava o que era belo e o que não o era. Daí se compreende também a sua luta implacável contra o mal e o seu empenho incansável em favor do bem e do máximo bem.
Além de uma grande sensibilidade, Vicente Pallotti tinha sobretudo uma grande inteligência, uma grande vontade e um grande coração, o que lhe assegurava uma grande capacidade de amar e de servir.
Podemos assim compreender as suas incontidas ânsias de transpor o finito e o limitado e de abarcar o todo; a sua ânsia de amar tudo o que é amável, de fazer todo bem possível e destruir todo mal possível.
Sua dimensão humana


2- Sua dimensão humana

Havia alguma coisa de harmonioso em toda a sua pessoa, no seu comportamento, nos seus mínimos movimentos: nele, jamais uma impaciência; em seus lábios, jamais uma palavra que ferisse; jamais lhe escapava um gesto brusco sequer; jamais um propósito inútil.
Até no seu andar se adivinhava que a preocupação constante deste homem era realizar, na sua vida e nos seus atos, esta prescrição do Espírito Santo: Não deixar perder nenhuma parcela do dom de Deus.
Vicente Pallotti era dotado também de uma boa memória e de uma grande fantasia, como mostram as suas anotações espirituais: não se cansava de acentuar a infinitude de Deus e a finitude do homem, a bondade de Deus e a maldade humana e multiplicava os meios para expressar a sua gratidão a Deus.
Vicente Pallotti tinha também dotes artísticos, pois sabia expressar-se muito bem e, segundo seus biógrafos, tinha pendor para a música, embora não a tenha cultivado.

3- Identidade moral

Marcada pela sua grande inteligência e por sua grande vontade de amar e de servir e pelo bom uso de todos os dons recebidos da natureza e de Deus.
Ele desejou ardentemente conhecer todas as coisas, todas as criaturas divinas, todas as criaturas presentes, passadas e futuras e sobretudo queria conhecer o mais possível Deus.
Queria amar todas as criaturas e queria também superar todos os males e ajudar a todas as pessoas necessitadas.
Queria amar sem limites a Deus e a todas as criaturas.
Além de uma grande inteligência aberta a todo o ser e uma vontade aberta a todo bem e fascinada pelo sumo Bem, ele possuía uma grande sensibilidade diante de tudo o que não é bom e belo. Por isso, sua grande alegria diante do bem e sua grande tristeza diante de toda forma de mal.
Expressava sua alegria diante do bem através da congratulação e do louvor a Deus e às criaturas, particularmente aos seres humanos.
Sua sensibilidade diante do mal traduzia-se na compaixão e no empenho em superá-lo e em destruí-lo até a raiz. Queria ajudar os feridos pelo mal, libertando-os do mal e ajudando-os a não recaírem no mal.
Assim como ele descobria as possibilidades do bem, descobria também as possibilidades do mal e estas possibilidades eram um estímulo para ele trabalhar sem descanso em favor da promoção do bem e da destruição do mal.

4- Identidade cristã

Se todo cristão é chamado a ser um irmão de Cristo e um seu imitador, um outro Cristo, como é que Vicente Pallotti imitou o Cristo no conhecer, no amar e no trabalhar?
A partir da revelação divina, vemos que Deus tem sempre a iniciativa de criar, de salvar e de glorificar a sua criatura.
Deus aproxima-se dela, a fim de abençoá-la e torná-la uma bênção para todos os outros, como fez com Abraão e com Maria.
Assim também aconteceu com São Vicente Pallotti. Deus o abençoou e tornou-o uma grande bênção para muitas pessoas e comunidades e inclusive para a Igreja.
Através de seus pais, de seus catequistas e mestres, de pessoas santas e sobretudo através da sua Palavra contida na Escritura e na vida da Igreja e de muitos membros santos, Vicente Pallotti descobriu a identidade de Deus e também a sua identidade, razão por que a vida de Cristo marcou toda a sua vida, todo o seu trabalho e inclusive a sua morte.
Vicente Pallotti viu e também desejou que a vida de Cristo fosse a sua vida e também que o agir de Cristo fosse o seu agir.

Aos 21 anos, expressou o seu desejo de ser todo transformado em Cristo. Este seu desejo, esta sua vontade de ser todo transformado em Cristo perpassou toda a sua vida e todo o seu agir.
A imagem de Jesus Cristo, o apóstolo do Pai eterno, tocou, fascinou e atraiu Vicente Pallotti que por ela pautou toda a sua vida cristã e também o seu apostolado.
Se todo cristão é chamado a imitar Jesus Cristo, nem todos o imitam da mesma maneira, nem todos encarnam a mesma imagem de Cristo.
São Bento, São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola são grandes cristãos, mas cada um deles o é a seu modo.

Para São Bento: Cristo é o grande adorador do Pai, aquele que vive em comunhão com o Pai, na oração e no trabalho.
Para Francisco de Assis: Jesus Cristo é o grande Irmão que se fez pobre para enriquecer seus irmãos.
Para Tomás de Aquino: Cristo é aquele que escuta o Pai e fala do Pai, o contemplativo do Pai e o revelador do Pai.
Vicente Pallotti: Jesus Cristo é o apóstolo do Pai Eterno e sua grande e forte aspiração era ser todo transformado em Cristo apóstolo do Pai.
Ele queria que a vida do Cristo apóstolo fosse a sua vida e que o apostolado de Jesus Cristo fosse o seu apostolado.
Ele queria ter os olhos, o coração e as mãos do Cristo apóstolo.
Viu não apenas com seus olhos físicos, mas sobretudo a sua inteligência enriquecida e iluminada pela revelação divina.
Graças à sua inteligência enriquecida pela revelação divina e pelo dom da fé que lhe possibilitava acolher e entender a revelação divina, Vicente Pallotti pôde ter uma belíssima imagem de Deus e de todas as criaturas, bem como também ver as relações de Deus com as suas criaturas, as relações das criaturas com Deus e as relações das criaturas entre si mesmas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

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Dez anos de ordenação de Pe. José Lino




No dia 27 de maio, Pe. José Lino Reinaldo de Oliveira, Reitor do Teologado Palotino, em Londrina - Pr, comemorou seus dez anos de ordenação sacerdotal. Centenas de pessoas de diversas cidades, onde ele já trabalhou, se fizeram presentes para festejar com ele este grande evento. Muitos palotinos e reitores diocesanos de diversas dioceses que estudam em Londrina, juntamente com seus seminaristas, também participaram da celebração na capela do teologado. Os noviços palotinos também e seu mestre estiveram na celebração.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Explicação do quadro da Rainha dos Apóstolos

A imagem da Rainha dos Apóstolos foi pintada, em 1847, por Serafim Cesaretti (1777-1858), a pedido de São Vicente Pallotti. Nela aparece em destaque o Espírito Santo e Maria, Rainha dos Apóstolos. A pintura foi baseada na obra de Frederico Overbeck (1789-1869), pintor romancista alemão.
Maria aparece, no centro, com uma auréola na cabeça, indicando que é a esposa fiel, envolta pelo Espírito. Ela porta um traje azul, cor do céu, sinal da plenitude do amor de Deus que a escolheu para ser a Mãe do Salvador. Ela está numa posição de oração, com as mãos postas e com a cabeça levemente inclinada para a direita. O seu semblante é de muita ternura, serenidade e compaixão. Ela é a eterna intercessora para todos aqueles que foram lavados pela água do batismo e revigorados pela força do Espírito. É a Rainha dos Apóstolos porque não só os ensina a serem perseverantes na oração, como também os acalenta para poderem levar o Evangelho de seu Filho de maneira destemida. Desta forma é modelo de fé e de oração para todos os membros da União do Apostolado Católico.



Maria está com os olhos fechados, recordando o Espírito Santo que a envolveu com sua sombra na anunciação: “Eu sou a Serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra!” (Lc, 1, 38). Assim como ela, as duas mulheres que estão ao seu lado, porém um pouco mais atrás, também têm seus olhos fechados. Elas representam as discípulas de Jesus e as santas mulheres que esperaram pela vinda do Messias, a saber: Sara, Rebeca, Raquel, Miriam, Débora, Ana, Judite e Ester que mantiveram viva a esperança da Salvação e hoje representam as mulheres que colaboram com o Apostolado Católico.
São João, o discípulo amado, aparece à direita de Maria e São Pedro à esquerda com as chaves depositadas no chão, ao seu lado, simbolizando o poder que recebeu de Cristo para conduzir o Seu rebanho. São duas chaves, uma de ouro e a outra de bronze. O ouro simboliza a realeza divina da qual o seu ministério representa, e o bronze é o poder recebido de Cristo para ligar e desligar. Está ligado diretamente à missão de reger a Igreja militante. Ele serve de ponte para ligar o céu e a terra: “Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 19).


As chaves colocadas ao chão, no momento da oração, significa que, diante de Deus, todo poder cessa. Quando Pedro reza com a Igreja, invocando o Espírito, reza como alguém que está com seu coração aberto à misericórdia divina, porque tudo é graça, é dom. Até mesmo o poder deve ser entendido como dom a ser disponibilizado a serviço de todos. Por isso, Pedro e João aparecem em destaque, porém num plano abaixo de Maria e dos outros apóstolos. Pedro representa a instituição e João a Igreja que se abre para amar e acolher Cristo. Ele, na Ceia foi quem estava com a cabeça reclinada sobre o peito do Senhor.
No cenáculo, só três personagens se destacam integralmente, com exceção do Espírito Santo; Maria ao centro, a Rainha dos Apóstolos; João e Pedro, na frente, ao lado de Maria. O destaque, destas três figuras, ilustra:


A importância de Maria, envolvida pelo Espírito Santo, como colaboradora no projeto salvífico de Deus; Ela é a Rainha dos Apóstolos porque com seu sim, com sua oração, colabora com o projeto de Deus; Ela é a imagem da Igreja unida que gera novos cristãos para serem apóstolos do Eterno Pai.
A importância da Igreja Institucional: a hierarquia e magistério, na figura de Pedro e João é representante da Igreja que acolhe a vontade do Senhor. Os demais membros desta figura aparecem muito juntos, quase que entrelaçados, de modo que não é possível vê-los por inteiro. Essa imagem expressa a unidade na diversidade, a comunhão na oração: “Todos permaneciam unânimes na oração com algumas mulheres, Maria, a mãe de Jesus, e seus Irmãos.” (At 1, 14).
Pedro, João e os demais Apóstolos estão ajoelhados, em oração. Todos têm um semblante sereno. Como na transfiguração, eles contemplam o poder e a ação de Deus no meio de seu povo. Embora, cada um, tenha suas características próprias, sejam provenientes de lugares e culturas diferentes, porém, no Cenáculo, comungam de um mesmo objetivo: contemplar o Espírito de Deus para anunciar em seu nome. Têm os olhos fixos na manifestação de Deus.
Maria e as duas mulheres permanecem em profundo recolhimento, com os olhos fechados, como que recordando o dia em que encontraram o túmulo vazio e receberam do Senhor a missão de comunicar aos apóstolos tal acontecimento. Conscientes da nova realidade, elas recordam de tal mistério, pela força do Espírito. Agora todos juntos abraçam a mesma causa: anunciar para todo o mundo a presença do Reino em nosso meio.
Os apóstolos têm os olhos abertos e elevados para contemplar a ação do Espírito que veio na forma de pomba. A sua presença santifica, aquece, ilumina, fortalece e unifica a Igreja e a Sociedade do Apostolado Católico para que todos possam imitar Cristo, o Apóstolo do Eterno Pai. Por isso dele sai uma grande luz que envolve todo o ambiente e solta raios luminosos como centelha da graça de Deus que irradia por toda parte. Essa força luminosa impulsiona a Igreja e faz com que nela se perpetue o milagre da Eucaristia, alimento e força para a caminhada de todos os batizados e daqueles que são convocados a trabalhar na obra do apostolado: sacerdotes, religiosos e leigos.
A imagem do cenáculo é apresentada atrás de um grande arco na forma de moldura, como se fosse uma ampla janela, amparada por duas colunas. Por esta janela é possível avistar, de longe, as pessoas envoltas por uma misteriosa luz. A janela é ampla e está aberta para que todos se sintam convidados a participar deste grande acontecimento, manifestado por Cristo, através do Espírito. O cenáculo é espaçoso e por isso tem lugar para todos. O cenáculo recorda, ainda, que só é possível testemunhar a força do ressuscitado se todos permanecerem unidos em oração e em comunhão uns com os outros.

Cenáculo: encontro de irmãos em torno da mesma missão (4)



A lição deixada pelo Cenáculo é que todos recebem o mesmo Espírito e cada um, conforme as suas habilidades, desenvolverá a sua missão. O trabalho missionário não se encerra quando as pessoas abraçam a fé. A fé é o ponto inicial de uma caminhada em comunidade. Motivados por um mesmo compromisso, o de anunciar Cristo ressuscitado, a Igreja cumpre a sua missão. É justamente aí que aparece Vicente Pallotti com uma nova proposta evangelizadora. Que cada um se sinta, pela força do batismo, um membro vivo e ativo no anúncio do evangelho. Não importa o trabalho que vai realizar, mas que tudo seja feito para a maior glória de Deus.
Pallotti se entusiasmou com a experiência do Cenáculo, porque percebeu que ainda hoje o Espírito continua a se manifestar nas comunidades enquanto permanece unida em torno de um objetivo comum.
A União do Apostolado Católico nada mais é que a continuação do espírito que norteou o Cenáculo. Lá havia não somente os apóstolos, mas muitos seguidores de Jesus. Lá eles se transformaram em uma verdadeira família. Naquela família de irmãos, cada um devia colocar seus dons à serviço de todos. Tudo era colocado em comum, não somente bens materiais, mas principalmente os bens espirituais, a generosidade, a humildade e a mansidão. A comunidade de irmãos é uma comunidade que acolhe a todos os batizados e os estimula para que possam também sentir a alegria de poder agir em nome de Cristo (Ef 3, 4-6).
A Igreja de irmãos não é elitista. Ela convoca a todos para que saiam do seu torpor espiritual e abracem a causa do reino com muito ardor e entusiasmo. O ambiente do Cenáculo proporcionou aos participantes a unidade e o encorajamento mútuo. Lá não era somente um lugar de oração, mas um lugar onde se partilhavam as experiências. Todos ouviam e meditavam a Palavra para descobrir os apelos de Deus feitos à humanidade. Lá eles puderam interpretar as Escrituras.
No Cenáculo, criou-se uma nova espiritualidade, a espiritualidade do amor, amor que transbordou em Pentecostes e que encorajou-os para assumirem a missão até as últimas conseqüências. Inicialmente estavam desligados do compromisso assumido na Ceia. Aquele jantar maravilhoso foi visto apenas como uma despedida do Mestre e que agora só ficou na lembrança e daqui para frente somente a dura batalha da vida para se reerguer novamente e encontrar uma nova razão para viver.
A morte de Cristo na cruz foi um verdadeiro desastre. Era difícil acreditar que aquele que dizia ser o Filho de Deus, aquele que fez prodígios grandiosos diante de muitos olhos curiosos, agora foi incapaz de deter os seus algozes. Os discípulos de Emaús expressam muito bem qual era o ânimo do grupo dos eleitos de Deus. Tinham apenas lamúrias e decepções: “aquele que disse que salvaria Israel, agora já é o terceiro dia que está no sepulcro”. Caminhar sem esperar nada em Cristo é caminhar na angústia e na desolação; mas, mesmo diante das dúvidas e incertezas, deixar que alguém os instrua pode ser sinal de uma nova esperança e de um novo rumo. Foi o que aconteceu com aqueles temerosos homens de Emaús que aceitaram a intervenção daquele viajante que falava das Escrituras. As suas palavras pareciam lanças afiadas que penetravam no âmago da alma, provocando até calafrios. Eles sentiam que se dissolviam as dúvidas de suas mentes e o torpor que os desanimava. Como foi bom ouvir aquele companheiro de estrada. Como ele estava bem informado, ainda que demonstrasse desconhecer o trágico episódio ocorrido em Jerusalém.
O caminho nunca foi tão curto até Emaús, porque as suas mentes viajavam pela história da salvação e quando menos esperavam já tinham chegado ao destino e se fazia noite. Solidários com o simpático forasteiro, convidaram-no para permanecer com eles na casa, sem ao menos ter olhado no seu rosto para descobrir quem ele era. Sua voz parecia conhecida e ele parecia falar com muita desenvoltura e firmeza, mas a dor e o sofrimento eram tantos que não tiveram a força para olhar mais profundamente ao redor e ver coisas novas pelo caminho. Aliás, naquele caminho não tinha nada de novo, sempre a mesma areia, as mesmas montanhas, algumas tamareiras esparsas, a mesma aridez. Só pôde ser reconhecido definitivamente quando, junto à mesa, partiu o pão e o distribuiu (Lc 24, 27-31).
São Paulo ao comentar sobre a eucaristia afirma que quem come do mesmo pão dado por Cristo não pode ser indiferente; mas antes de receberem o Espírito foi muito difícil entender isso (1Cor 11, 23-29). Somente a luz do Espírito pode clarear a mente dos discípulos.

Cenáculo: lugar da partilha e de novas descobertas (3)

O cenáculo pode ser visto também como o lugar do testemunho de quem viveu com Jesus. Ali a Igreja nasceu pela força do Espírito que os enviou em missão. Ali adquiriram uma fé mais lúcida e madura, fortemente marcada pelos ensinamentos do Filho de Deus. O clima era de oração e de busca de conhecimento da verdade revelada, pois neles, ainda, pairavam muitas dúvidas. Pedro não tinha nenhuma familiaridade com o cargo e procurava entender o que significava aquela expressão: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,17).
Certamente Maria, na sua humildade, simplicidade e serenidade, conduziu aquele momento de oração para que a comunidade não se dispersasse. O que será que eles discutiam naqueles dias? Como eles rezavam? Certamente foram dias de reviver a trajetória de Jesus aqui nesse mundo. Maria deve ter sido o centro das atenções porque ela tinha muitas coisas para informar aos líderes da Igreja que estava para ser confirmada. Certamente os apóstolos a ouviam com muita atenção os seus ensinamentos, a maneira como foi surpreendida na anunciação, a desconfiança de José, a fuga para o Egito, a perda e o encontro do menino no Templo, o início da sua vida pública e a dramática experiência aos pés da cruz. Maria deve ter narrado o quanto foi difícil para ela entender tudo aquilo. Porém as imagens continuavam vivas e inesquecíveis em sua mente. Ela conservava tudo em seu coração e esperava confiante na promessa do Filho, porque Deus já havia feito grandes coisas em seu favor (Lc 1, 49; 2,18-19).
Os apóstolos, agora, começaram também relembrar os bons momentos em que viveram juntos com Jesus. Foram três anos de grandes transformações em suas vidas. Os discípulos de Emaús recordaram novamente o episódio marcante da presença do ressuscitado com eles no caminho e o revelar-se ao partir o pão. Pedro, Tomé e os demais apóstolos agora ouvem as mulheres que presenciaram o túmulo vazio. Elas não cessavam de narrar o quanto ficaram tocadas com aquele acontecimento. Tomé também tomou a palavra e falou da sua experiência única com o ressuscitado. Todos esses fatos incendiavam os corações dos participantes e crescia neles a certeza de que não estavam aguardando em vão. Algo de surpreendente estava para acontecer.
Nos dias em que estiveram reunidos no Cenáculo, puderam reler as escrituras com um novo olhar. Até porque, no caminho de Emaús, o ressuscitado já havia iniciado um diálogo com eles. Enquanto falava, os seus corações ardiam e seus olhos se abriam para uma nova realidade. Esse tema deve ter provocado muito interesse para reinterpretar os fatos passados à luz dos novos acontecimentos. Todo o esforço deles foi coroado no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo, definitivamente mudou de rota a vida daqueles homens e mulheres. Ao saírem do Cenáculo não eram mais os mesmos. Seus rostos eram resplandecentes de alegria e de entusiasmo. A vibração deles contagiou a todos. O único desejo era de transformar o mundo com a nova Lei instaurada por Cristo: a lei do amor. Aliás, isso causou até espanto aos moradores da redondeza. Muitos tentaram dar uma razão para aquela alegria contagiante: “Estão todos embriagados” (At 2, 12-13).

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cenáculo: lugar da espera paciente e da realização da promessa (2)

O Cenáculo, além de ter sido um lugar de confraternização, foi também um local em que a Igreja teve o seu início pela ação do Espírito Santo. Até aquele momento, os apóstolos não estavam plenamente convencidos da missão que receberam de Cristo. A morte de Jesus provocou neles certa animosidade e desesperança. O desânimo era generalizado. Pedro e seus companheiros tentaram voltar à normalidade da vida, como acontece com as famílias diante da perda de um ente querido. Apesar da dor a vida tinha de continuar.
O evangelho relata que os apóstolos estavam fortemente propensos a retomar as atividades de outrora. Certo dia Pedro disse: “vou pescar e alguns dos discípulos disseram, nós também vamos contigo”. Naquele dia o lago de Tiberíades não estava para peixe. Eles nada pegaram naquela noite. Eis que ao amanhecer, na margem do lago, apareceu um homem misterioso que mandou jogar a rede do lado direito do barco e qual não foi a surpresa dos pescadores quando pegaram uma grande quantidade de peixes. Imediatamente após o milagre da pesca, João que tinha vivo em sua mente os últimos acontecimentos ao lado do Mestre, intuiu: “É o Senhor”! Ao ouvir isso, Pedro vestiu a túnica e se jogou na água e foi em direção à margem. Ao chegar à beira do lago, Jesus, mais uma vez os surpreendeu com pão e peixe assado e pediu que eles trouxessem o fruto do trabalho deles para colocar à disposição de todos. Ninguém ousava perguntar quem ele era (Jo 21,1-12).
O versículo 14 diz que essa era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois da ressurreição. Mesmo diante das evidências ainda não tinham superado o trauma da separação. Tudo o que viam parecia ser um pesadelo difícil de ser compreendido. Mas Jesus não desistiu, continuou sua missão agora para convencer seus operários a assumirem com generosidade a messe do reino. Parecia que nada nesse mundo fosse capaz de mudar a mente e o coração dos discípulos. O ceticismo era generalizado. Jesus se manifestou inúmeras vezes para que a comunidade se convencesse da nova realidade.
Aos poucos foram percebendo que a observância do sábado já não tinha mais sentido. O domingo passou a ser o dia em que os que acreditavam no Cristo se reuniam para meditar a palavra e participar da Ceia do Senhor que continuava vivo no meio deles.
O primeiro capítulo dos Atos dos Apóstolos afirma que após a paixão, Jesus mostrou-se vivo, com numerosas provas. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias, falando do Reino de Deus. Ao tomar a refeição com eles, deu-lhes essa ordem: não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai da qual me ouviste falar, quando eu disse: João batizou com água; vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo (At 1,3-5).
Na ascensão, Jesus conversou com eles e lhes deu as últimas orientações, mas não respondeu as indagações deles acerca do fim do mundo. Deixou-lhes, apenas, a certeza de que será enviado o Espírito Santo para que os discípulos pudessem dar testemunho dele em Jerusalém e até os confins da terra (At 1, 6-8).
Mesmo diante de tão grande acontecimento, os apóstolos continuavam com a mente obtusa e com os olhos ofuscados, tanto que apareceram dois anjos no céu que pediram para não ficarem somente contemplando o céu, mas que olhassem para a própria realidade com a plena convicção de que aquele que subiu ao céu virá do mesmo modo como viram partir para o céu (At 1, 10-11). Ainda com muitas dúvidas, retornaram para Jerusalém e ficaram na mesma sala que tinham costume de ficar, e ali se colocaram em oração, na companhia de Maria, de algumas mulheres e com alguns parentes de Jesus, para aguardar a promessa do ressuscitado (At 1, 14).
O grupo dos que se reuniram para aguardar o Espírito Santo era em torno de cento e vinte pessoas. No meio deles, Pedro toma a palavra e exorta a todos para que fosse eleito, em lugar de Judas, um daqueles que seguiu Jesus desde o batismo de João até o momento de sua despedida, para que junto com eles pudesse dar testemunho da ressurreição. Após rezarem tiraram a sorte para ver quem Deus iria escolher. A sorte caiu em Matias (At 1, 15-26).
Finalmente chegou o dia de Pentecostes e o Espírito Santo se manifestou sobre eles, enquanto estavam reunidos em oração. Lucas referindo-se à primeira criação em que Deus sopra e dá o hálito da vida, lembra que na segunda criação, ou seja, a obra da redenção, Deus soprou sobre eles o vento do Espírito para criar os novos homens. Como o Espírito fora destinado somente aos discípulos, então foi sentido apenas na casa em que estavam reunidos (At 2,1-11).

O que é o Cenáculo? (1)

Reflexão sobre o significado do Cenáculo na Igreja dos primeiros cristãos e para o carisma palotino.

Para que possamos viver o espírito do Cenáculo, proposto por nosso santo fundador Vicente Pallotti, é preciso entender o que isso significou, no passado, para os apóstolos e para a Igreja primitiva, e como podemos experimentá-lo no presente.
Primeiramente a palavra Cenáculo significa: sala da ceia, ou da refeição.
Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar, e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa (Lc 22, 8-13).
A ceia preparada pelos enviados de Cristo foi tão marcante que nunca mais saiu da memória dos participantes, mesmo que muitas coisas, de imediato, não tivessem sido compreendidas. O jantar poderia ter sido igual a tantos outros que aconteciam por ocasião da Páscoa, mas aquele foi muito especial. Jesus tinha percebido que a sua hora tinha chegado e por isso, com muita tranqüilidade, pediu que aquela Páscoa fosse bem preparada, para que ficasse gravada na mente de todos ao longo dos séculos.
Jesus escolheu um lugar espaçoso e acolhedor, longe dos olhares curiosos, para que pudesse se alegrar com seus amigos antes de partir definitivamente deste mundo. Junto aos seus discípulos deu suas últimas instruções. Ele não só jantou com eles, mas fez algo que até então ninguém havia feito antes. Ele tomou o pão e abençoou e disse palavras misteriosas que, à primeira vista, não foram compreensivas: “isto é o meu corpo dado por vós”. Tomou o cálice com vinho, repetiu a benção e disse: “isso é meu sangue derramado por vós. Fazei isto em minha memória” (Mt 26,26-28). Na verdade, o que ficou naquele momento na mente dos discípulos foi apenas uma indagação. O que é realmente isso? O gesto de Jesus só foi compreendido integralmente após sua ressurreição.
Tudo foi muito rápido e sem explicação. Aliás, eles estavam pasmos diante das palavras misteriosas do Mestre. Diante de tamanha novidade, não conseguiram nem mesmo elaborar uma pergunta sequer, porque Jesus sempre os surpreendia com alguma novidade. Eles estavam tão atônitos que nem conseguiam perguntar quem seria o traidor. Acotovelavam-se para que alguém perguntasse quem deles o iria trair. Sobrou para João fazer a pergunta, pois era notória a sua proximidade com o Mestre, e perguntou quem poderia ser (Jo 13,20-26). A resposta deixou-os ainda mais confusos, porque Jesus disse: aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas. Naquele momento já não havia mais espaço para a lucidez, pois não haviam compreendido nada.
Após a Ceia, Jesus foi ao monte das Oliveiras para rezar e levou consigo alguns dos discípulos (Mt 26,37). Mas naquela noite era difícil ficar concentrado para rezar. Uma voz parecia tomar conta da emoção daqueles que seriam os continuadores da obra iniciada pelo salvador. As palavras da Ceia latejavam em suas mentes e acabaram dormindo. Por várias vezes Jesus voltou de onde estava em oração e os convidou para rezar com ele. Jesus procurou estimulá-los para que pudessem sair daquele torpor, daquela letargia e animosidade. Mas foi em vão. A cabeça estava muito pesada (v. 41-46). A apreensão invadiu de tal maneira o coração deles que não reagiam. Isso prova que a angústia era tamanha que não conseguiam mais pensar em nada. Houve um bloqueio emocional e se desligaram das coisas mais elementares da vida. Só tinham dentro de si pensamentos neurotizantes. O pavor tomou conta das suas mentes. Isso foi até quando apareceu Judas ladeado por soldados fortemente armados para capturar o inimigo da nação. Judas se aproximou daquele com quem há poucas horas tinha feito refeição e desferiu um beijo em seu rosto (v. 47-48.55). Daquele momento em diante o pavor tomou conta dos amigos de Jesus. Cada um foi para um lado (Mc 14, 50). As indagações provenientes da Ceia agora começam a tomar novos contornos. Eles perceberam que tudo estava se aproximando do fim e restou apenas a desolação e os questionamentos. Como será daqui para frente?
Daquele momento em diante, os amigos de Jesus se dispersaram, um deles saiu nu correndo pela escuridão em meio aos olivais salvando-se daquele fatídico acontecimento (v. 51-52). Jesus foi preso e passou por muitas humilhações. Foi levado até às autoridades, foi zombado, interrogado noite adentro, maltratado. Há algumas horas estava rodeado de amigos, agora enfrenta a solidão, a dor e o desprezo. Pedro tentou acompanhar de longe o desfecho, mas como também estava muito atordoado com a situação, não agüentou, diante da pergunta de uma serva, não titubeou, negou ser amigo de Jesus (v. 54.66-70). A sua mente estava bloqueada, os seus sentimentos arrasados, a sua esperança amordaçada. Sobrou apenas tristeza e desolação. A derrota tomava conta do seu interior. Após negar Jesus o galo cantou e um zumbido em seu ouvido, tão rápido como um raio, despertou sua consciência ferida e se recordou das palavras do Mestre: “Tu me negarás três vezes, antes que o galo cante”. Pedro chorou amargamente por se sentir incapaz de ser fiel e por não ter tido a força suficiente para retomar o caminho (v. 72). Jesus saiu da sala do interrogatório e olhou firmemente nos olhos de Pedro. Ele estava abatido, emocionalmente encarcerado, algemado, simplesmente incapaz de ser ele mesmo. Estava irreconhecível. Só lhe restou o pranto.