quinta-feira, 29 de abril de 2010

Rezar com S. Vicente Pallotti



Sou indigno de rezar a ti, Senhor.

Por mim nada posso, com Deus posso tudo.


D.: Deus meu, sou tão sem juízo! Tantas vezes eu disse: não vou pecar nunca mais. Depois, voltei a pecar. Farei esse ou aquele ato de virtude, esta ou aquela boa obra. E, depois, não fiz nada. Agora, porém, Deus meu, ponho-me em tuas mãos. Por mim, nada posso, contigo posso tudo. A ti infinita glória, honra, amor, reverência; a mim desprezo, desonra, sofrimentos.


T.: Faze-me tomar conhecimento, com toda clareza, de que eu, o mais miserável e o mais pecador de todas as outras criaturas, sou indigníssimo, ao máximo, de rezar a ti.


D.: Ah, meu Deus, imprime no meu espírito para sempre, um elevadíssimo conhecimento da minha miséria e impiedade, pelo qual possa reconhecer com sinceridade, como realmente sou indigníssimo de por meus olhos nas pessoas e de tratar com elas, de vez que, entre elas, haverá muitos grandes santos, inclusive desconhecidos e desprezíveis aos olhos dos seres humanos. Faze, ó Senhor, que tudo isso eu não o diga somente da boca para fora. Eu sou o homem do pecado (2Ts 2,3). Meu Deus, eu sei que eu sou o homem do pecado. Mas não me entendo, não me compreendo, não me confundo, não me arrependo e não me humilho. Não sei suplicar-te, não devo ser atendido; mereço todas as tuas infinitas e eternas maldições. De qualquer forma, não quero desesperar-me: aí está Jesus Cristo.


T.: Ah, meu Deus, lança em mim, agora e sempre, o olhar da tua misericórdia.


D.: Deus meu, destrói, para sempre, também o pecado venial e, na medida do possível, também a imperfeição mais leve, e promove em todas as criaturas a tua glória. E, com tal dor de Jesus, queremos chorar e detestar todos os nossos pecados e os de todos e fazer deles penitência.

T.: Queres-me uma conversão sempre mais perfeita e de tal modo te sentes feliz, quando eu chegue a converter-me de verdade. Eu sou indigno de ter o dom da perseverança. Vês, se eu faço uma promessa e, depois, faço tudo ao contrário, é porque sou o homem do pecado. E Tu mesmo, ó meu Deus, és a minha perseverança. Tu és o meu bem eterno. Tu, o meu tudo.


D.: Confio que, por maior que seja a minha miséria e ingratidão e maldade, tanto mais Tu triunfarás sobre mim, com o teu infinito poder, sabedoria, bondade, clemência, misericórdia e com todos os teus infinitos atributos, no tempo e na eternidade. E creio que Tu me tenhas escolhido como instrumento das obras da tua maior glória e da maior santificação. Segundo o teu beneplácito, porque Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e o que o mundo julga fraco, Deus escolheu para confundir os fortes (1Cor 1,27-28).


T.: Sou infinitamente indigno, ó meu Jesus, de ter total participação em tua vida humilde, pobre. A vida de Cristo seja a minha vida, agora e para sempre. Por mim, não sou capaz nem de formar um desejo bom. Assim, até o mínimo bom pensamento é também dom teu (Rm 8,26). Assim, eu destruído, sê tudo Tu em mim.


D.: Contra ti, só contra ti pequei, fiz o que é mau aos teus olhos (Sl 50,6).


T.: Ah, Deus meu, destrói toda a minha vida passada, presente e futura. E dá-me a tua vida, a vida do teu Unigênito encarnado. Quão mais generosamente derramaste os teus dons sobre mim, tanto mais fui ingrato para contigo, tanto mais desconheci os dons que me deste e tanto mais desconheci os dons que me deste e tanto mais abusei deles! Oh, quantos vícios, hábitos pecaminosos e pecados veniais e mortais teriam sido destruídos ou impedidos! Ah, meu Deus, quem vai compreender os meus delitos?


D.: Creio que tu me ensinas o que devo fazer, consolas-me em minhas penas, advertes-me e repreendes-me das minhas faltas pela boca do meu padre espiritual, que encarregaste da minha conduta. Agradeço-te, ó meu Deus, pela bondade que tens tido em proporcionar-me um caminho tão útil, seguro e fácil para avançar nas virtudes. Peço-te as luzes necessárias, para conhecer a fundo o meu coração, como queres Tu, de acordo com a tua misericórdia. Esta, meu Deus, é a graça que te peço, juntamente com a de tirar proveito das diretivas que me serão dadas.


D.: Leitura bíblica (Fl 3,8-16). Deus nos faz sentir a miséria da nossa humanidade, para nos enriquecer mais abundantemente com suas misericórdias infinitas. Comentar o texto bíblico e os escritos de Pallotti.


A vida de mortificação


D.: O Santo Fundador é para nós um exemplo. Já em 1816 escrevia: “Sempre e em todas as ações, desejo destruir o meu corpo que se revoltou contra a razão, humilhar e mortificar o espírito que se rebelou contra Deus, fazendo com que as potências da alma, os sentimentos do corpo e todo o meu ser concorram para a glória de Deus...” (OOCC X, 74).


Em 1846, na Regra para a Sociedade dos sacerdotes e irmãos, escrevia: “Para viver sempre na perfeita observância da Lei santa de Deus e da Igreja, das santas Regras e Constituições... devemos empenhar-nos para construir em nós o edifício espiritual com as virtudes santas praticadas por Nosso Senhor Jesus Cristo... por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, nós, desde o primeiro ingresso na Congregação até à morte, com sempre mais renovada e perfeita mortificação de todas as nossas paixões, somos obrigados a viver e morrer, praticando a vida de sacrifício” (OOCC III, 42-43).


T.: Viva numa perpétua desconfiança de si, e de suas forças; no perfeito abandono confiante em Deus e não tenha medo, porque Deus sustentará tudo aquilo que nós fazemos, seguros de que nada podemos sem Deus (OCL II, 56).


D.: Dica para aumentar a confiança em Deus: “Quem confia em Deus, não permanece confuso. Portanto se você está confuso, é sinal que não confia. Contemple Deus, e contemple você mesmo, e nunca encontrará Deus sem misericórdia, nem você sem miséria. Deus é sempre propício com a sua miséria, e a sua miséria é objeto da bondade e da misericórdia de Deus” (OOCC III, 126).


T.: Eu vos vejo em Deus, falo convosco em Deus, abraço-vos em Deus, saúdo-vos em Deus, amo-vos em Deus e em Deus me encontro sempre convosco e em todas as vossas obras.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Noviciados integrados na América do Sul



O processo de aproximação entre as Províncias, Regiões e Delegaturas Palotinas da América do Sul acontece há muito tempo, graças aos encontros da União do Apostolado Católico, da Juventude Palotina, encontro dos noviços e noviças palotinos (Novinpal), dos Superiores Maiores, e, mais recentemente, dos formadores, que culminou na criação de uma Comissão Sul-americana de formadores.

O desejo de unir todas as casas de formação da América Latina partiu do então Reitor Geral, Pe. Seamus Freeman. Mas, infelizmente, no seu governo não foi possível acontecer a tão sonhada unidade de toda a família palotina, porque ainda não estávamos preparados para isto.

A partir de então, muitos encontros e reuniões foram feitos para se tratar deste tão complexo assunto, visto que o Brasil deve ser visto, antes de tudo, como um continente, e não é possível tratar aqui de certas questões pensando apenas na unidade, sem olhar para as diversidades culturais e, principalmente, para as distâncias. Mesmo que no Brasil, todos falem a mesma língua, existem realidades muito diferentes entre o norte e o sul.

O germe da unidade nos ronda há muito tempo, e aos poucos, as comunidades palotinas foram se conhecendo melhor, e novas iniciativas também surgiram. Uma das iniciativas muito enriquecedoras, na formação, se deu com a convivência comunitária entre os noviciados – Novinpal (Uma vez por ano, dez dias de estudo, oração, convivência e partilha entre noviços e noviças palotinos), que há quinze anos acontece alternadamente na Província São Paulo Apóstolo, e em Santa Maria, Província Nossa Senhora Conquistadora.

O Novinpal teve, desde seu início, a intenção de estreitar os laços de unidade entre formandos e formadores, para conhecerem melhor a história da presença palotina na América do Sul. Após esse longo tempo de experiência, demos um novo passo no ano de 2010, a união dos noviciados da Província de Santa Maria, São Paulo e Região São Vicente Pallotti do Uruguai. A Região do Rio de Janeiro não enviou noviços por falta de candidatos ao Período Introdutório. A Delegatura da Colômbia não está participando deste noviciado internacional, isto porque eles não têm nenhum candidato para o noviciado.

O baixo número de vocações, no ano de 2010, motivou os superiores maiores, em consonância com os formadores, a decidirem pela união desta etapa formativa em uma única casa. A Província São Paulo Apóstolo, por ter um quadro de formadores mais conciso, ficou responsável pela realização do Período Introdutório Canônico das várias Unidades Sul-americanas, pois assim, proporcionaríamos uma melhor formação para os nossos candidatos, além de criarmos o espírito de colaboração desde o início da formação palotina.

Ficou decidido também que receberemos, ao longo do ano, a presença de membros das outras Unidades, não somente para visitarem seus seminaristas, mas também, para colaborarem na formação com temas específicos do nosso carisma.

No ano passado, os Superiores Maiores, reunidos no Uruguai, discutiram sobre a possibilidade de unirmos definitivamente os noviciados da América do Sul, porém, deve ser definido se teremos ou não um noviciado de língua espanhola e outro de língua portuguesa. Essa decisão ficou para ser resolvida no mês de julho de 2010, quando os formadores sul-americanos terão um curso de formação de dez dias, com o Pe. Romualdo Uzabumwana – Ruanda e mais uma equipe de psicólogos da Escola de Formadores de Curitiba (dias 20 e 30 de julho – Curitiba). Pe. Jacob Nampudakam e Pe. Gilberto Orsolin estarão representando o Conselho Geral.

Nos dias 20 e 21 de julho, os formadores, os Superiores Maiores e os membros do Conselho Geral decidirão quais serão os rumos desta etapa de formação em nosso continente. No momento, temos: um noviço da Província de Santa Maria, um noviço da Região do Uruguai e três noviços da Província São Paulo. A perspectiva para o ano de 2011 é que tenhamos mais de quinze candidatos para o Período Introdutório.

Desde já, pedimos que toda a Sociedade esteja unida em oração, pedindo a Deus Pai, perseverança a esses jovens que estão dispostos a seguir Cristo, segundo o carisma de São Vicente Pallotti.
A todos, a nossa saudação.

Pe. Valdeci Antonio de Almeida, SAC
Cornélio Procópio – Pr

sábado, 24 de abril de 2010

Notícias palotinas da África



Internoviciado Palotino-Schönstatt, em Butare – Ruanda

Aconteceu entre os dias 17 a 22 de janeiro de 2010, em Butare – Ruanda, um encontro entre os noviciados palotinos das Irmãs Missionárias do Apostolado Católico (duas de Ruanda), dos Padres de Schoenstatt (três da República Democrática do Congo e quatro de Burindi) e dos Palotinos (seis de Camarões, cinco de Ruanda, dois do Congo, dois da Nigéria e um da Costa do Marfim). Este período de formação em conjunto foi motivado pelo princípio da colaboração mútua entre os filhos e filhas de São Vicente Pallotti, Fundador da União do Apostolado Católico, e do Pe. José Kentenich, Fundador do Movimento de Schönstatt.
Este encontro foi preparado pelos seguintes formadores: Pe. Felicien Nimbona (Mestre de Noviços dos Padres de Schöntatt, em Bujumbura – Burundi), Ir. Ana Kot (Mestra de Noviças Palotinas Missionárias, em Ruhango, Ruanda), e pelos padres Jean Baptiste Mvukiehe e Romualdo Uzabumwana (formadores do noviciado palotino, em Butare – Ruanda).
Os temas tratados foram: “A vida de São Vicente Pallotti e do Pe. José Kentenich; as espiritualidades palotina e schönstatiana; a história das fundações palotina e schönstatiana, e, por fim, tratou-se sobre a questão da pertinência do carisma palotino e schönstatiano, para o mundo de hoje. Cada tema teve a duração de um dia e foram apresentados pelos mestres de noviços, com a participação dos mesmos.
Como na família de Nazaré, as atividades diárias eram alternadas com momentos de oração (Orações Palotinas; meditação; Eucaristia; três conferências por dia e discussões; esporte: {futebol, vôlei e basquete}; adoração e meditação com pensamentos de Pallotti; noite cultural, conforme as culturas).
O encontro foi concluído com a festa de São Vicente Pallotti, juntamente com palotinos e palotinas, membros do Conselho Local da União (Zona Sul) e alguns vizinhos formadores com quem temos uma estreita colaboração no âmbito formativo em Butare.
A Eucaristia foi presidida pelo Pe. François Harelimana (Reitor Regional da Região Sagrada Família) que, na sua homilia, explicou o sentido do convite feito pelo Pe. Kentenich: “Escavar na profundidade”. No final da missa, o Pe. Felicien Nimbona (Mestre de Noviços de Schönstatt) deu um emocionante testemunho e presenteou o Regional com uma cruz da unidade (cruz de Schönstatt), pedindo que esta experiência continue e que traga muitos frutos, no futuro.
Após a confraternização, os jovens palotinos e schönstatianos alegraram os convidados com seus diversos talentos (cantos, danças, poemas, partidas de vôlei entre os jovens e os mais velhos). Sem dúvida, esta experiência de estarmos juntos foi muito rica. A alegria estava estampada do rosto de cada pessoa e no testemunho de três representantes dos noviços:
a) Como sempre diz nosso formador, não se pode falar de Pe. José Kentenich sem falar de São Vicente Pallotti. Agora conheço aquilo que motivou Pallotti na sua obra do Apostolado Católico, isto é, o desejo de reavivar a fé, reacender a caridade dos cristãos e conduzir todos à unidade em Cristo [...]. Isto me faz pensar no carisma de nosso Movimento de Schönstatt, de formar o homem novo na comunidade nova, vivendo a aliança do amor, em união com Maria Três Vezes Admirável em Schönstatt. Tudo isto mostra, suficientemente, que Pe. Kentenich entendeu muito bem a mensagem de Pallotti (Rafael, em nome dos noviços de Schönstatt).
b) Como noviça, já tinha uma noção e conhecimento a respeito da vida do nosso pai Vicente Pallotti, mas quanto ao Pe. Kentenich, não conhecia nada e não me interessava pela história de Schönstatt, mas, neste encontro, aprendi que sua obra é a fecundidade da obra de São Vicente Pallotti, como tinha confessado Pe. José Kentenich, em 22 de maio de 1916: “Tive uma visão semelhante àquela de São Vicente Pallotti”. Com as conferências, compreendi o que queria dizer São Vicente Pallotti, quando dizia que o apostolado diz respeito hoje aos aspectos da vida, e isto foi realizado pelo Pe. José Kentenich por meio dos diversos grupos que compõem o Movimento Apostólico de Schönstatt [...]. Não posso concluir sem sublinhar os momentos de partilha com os meus colegas noviços, a propósito das suas motivações para servir a Cristo, por causa do amor de Cristo que os impele e pelo testemunho dos coirmãos e coirmãs maiores (Adeline, em nome das noviças palotinas).
c) Antes de tudo, gostaria de agradecer a Deus por nos ter criado e colocado nos corações de São Vicente Pallotti e do Pe. José Kentenich seu destino de amor e de unidade. Iluminados pelo Espírito do Senhor, eles puderam superar as dificuldades sociopolíticas e também familiares do seu tempo. Viveram em seu tempo sem se deixar influenciar pelas ideologias da época. Gostaria também de agradecer a equipe dos formadores. A teoria sem a prática é vazia, e a prática sem a teoria é cega, dizia Kwame Nkrumah [...]. As palavras “unidade”, “colaboração” e “contribuição” não são para mim expressões vãs. Não basta fazer especulações, mas é preciso dar testemunho. Enfim, o meu último agradecimento é para meus colegas noviços. Hoje, tenho orgulho de dizer: nossa união atesta que, de certo modo, começamos a conhecer a Deus. Vocês são para mim presentes, são para mim a Igreja. Como dizia Pe. Kentenich: “Um sacerdote que não ama Maria é um sacerdote perigoso. Eu sempre digo a mim mesmo: “Jerônimo, esteja atento, se não ama Maria pode também se tornar um noviço perigoso. A Ti, Maria, Mãe Três Vezes Admirável e Rainha dos Apóstolos, não tenho nada para dizer-lhe. Permita-me, simplesmente, colocar em seu seio materno a minha pequena cabeça cheia de idéias insanas. E você saberá o que fazer” (Jérôme Styve Djagueu, em nome dos noviços palotinos).

Pe. Romualdo Uzabumwana, SAC
Butare – Ruanda

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Festa do nascimento de São Vicente Pallotti



Dia 21 de abril, celebramos os 215 anos de nascimento de São Vicente Pallotti, em Roma. Ele viveu incansavelmente o amor misericordioso de Deus. Procurou, com seu testemunho de vida, ajudar a todos encontrarem o caminho da salvação, que vem de Deus. Confiar no perdão e na misericórdia divina foi a sua marca ao longo de sua existência. Por isso diz:

"Quanto mais uma alma deseja a própria santificação, tanto mais a recebe da torrente da divindade, e... se não te tornares santo, isto estará acontecendo somente porque não desejas sinceramente a tua santificação".

"Desejo buscar logo a santificação, sem esperar o sacerdócio ou uma idade avançada. Corresponder com prontidão, humildade e gratidão a todo o bem que me faz o Senhor, Pai amorosíssimo. Remover os obstáculos, que possam impedir a santificação: o grande obstáculo em mim é a soberba".
Que São Vicente Pallotti nos ensive a viver a verdadeira santidade de vida.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A vida do noviciado palotino


Primeira etapa do retiro inaciano
Entre os dias 12 a 16 de abril deste ano, nós noviços tivemos a oportunidade de realizar a primeira etapa do Retiro Inaciano. Normalmente o Retiro Inaciano é realizado em uma única etapa de quatro semanas consecutivas, mas os formadores nos sugeriram que dividíssemos em quatro etapas, para proporcionar maior aproveitamento, e nós acatamos a sugestão de bom grado.
Sempre que ouvia falar no Retiro Inaciano ficava apreensivo (ansioso), esperando chegar a minha vez de realizá-lo, pois todos que relatavam suas experiências deixavam transparecer a alegria de ter conseguido fazer um encontro profundo com Deus.
Nesta primeira etapa do Inaciano, fomos convidados a contemplar a beleza da criação e o mal que o pecado provocou no mundo. Levou-nos também a sentir o amor misericordioso de Deus pela criação, ou seja, nosso Deus condena o pecado, mas acolhe e salva o pecador.
Depois de realizada essa primeira etapa do inaciano, tenho a alegria de afirmar que as expectativas foram alcançadas.
(Noviço Valmir Jochem)


Jesus sente compaixão dos famintos (Reflexão inaciana)

(Mc 8, 1-10)

Santo Inácio de Loyola, nos seus Exercícios Espirituais, comenta a narração de Marcos sobre a multiplicação de pães feita por Jesus. Ele sente compaixão da multidão faminta que O acompanhava. Diante deste fato, podemos nos indagar: o que isto ainda tem a me dizer, hoje? Eu estou faminto de quê? Faz sentido, ainda, ir atrás de Jesus?
Para que o pão fosse distribuído, Jesus pede que a multidão se sentassem ao chão. O que significa sentar-se ao chão? Eu também sinto essa necessidade de sentar-me ao chão, para esperar o pão dado por Deus? Ou seja, eu sei reconhecer a minha fome espiritual? A final, eu tenho fome de quê?
Para seguir a Jesus, devo ter a humildade de obedecer as suas ordens. Tenho que me colocar em pé de igualdade com todos, sentando-me ao chão, para receber o alimento de Cristo. Devo sentir-me faminto, juntamente com os famintos, mas de que pão eu necessito para a minha vida? E eu, também tenho alguma coisa para oferecer a Jesus, para que possa partilhar com os outros?
A oferta do pão por Jesus é a oferta dos seus dons e graças para a humanidade. Ele tem compaixão de todos aqueles que O seguem e, cabe a mim, sentar-me ao chão para que Jesus cumpra a sua vontade.
Jesus diz, “tenho compaixão desta multidão, porque já faz três dias que estão comigo e não tem nada para comer” (Mc 8,2).
Essa passagem deixa bem claro que Jesus se compadece dos que caminham com Ele, famintos e sedentos de um alimento sólido, que revigora. Mais que a fome de pão, porém, existe a fome de esperança, de sentido para a vida, de cura das enfermidades.
A multidão já estava três dias sem comer, e eu? Quanto tempo estou com Jesus e continuo faminto? Se Jesus tem compaixão e oferece o pão, por que ainda estou faminto?
É provável que ainda não tive a humildade de sentar ao chão para me alimentar dos pães e dos peixinhos oferecidos por Jesus.
Por isso, suplico a Deus para que me conceda a graça de sempre reconhecer as minhas limitações, meus medos, minhas angústias e minhas fraquezas, para atingir a humildade de sentar-me ao chão com a multidão, e assim ter a alegria de compartilhar (comer) os pães e os peixinhos que Jesus oferece, isto é, sentir a infinitude da compaixão de Jesus perante os meus pecados (minha fome).


Valmir Júnior Jochem. Noviço da Província de Santa Maria.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só em Deus encontro refúgio



Quando o ser humano está longe de Deus, as suas ações tornam-se contrárias ao seu plano de amor, e não mais consegue tê-Lo como espelho para praticar as boas obras. Longe de Deus, as escolhas do ser humano são sempre equivocadas. Ele vê somente aquilo que pertence à matéria. Fica fascinado apenas por aquilo que provoca sensações imediatas, mas, bem lá no fundo do seu coração, está buscando algo que não passa, algo que seja eterno, e isso só pode ser encontrado em Deus.

O desejo do eterno faz com que o ser humano coloque valor demasiado naquilo que é fugaz e, quando não encontra nada que preencha o seu vazio interior, as coisas acabam perdendo o seu brilho, e por isso sente a necessidade de colocar outras coisas no lugar, com o intuito de ter novas sensações e, de coisa em coisa, não chega à uma perfeita realização.

A Sagrada Escritura, através de seus relatos alegóricos, mostra qual é a verdadeira atitude do ser humano, quando se distancia de Deus: a inveja toma conta do seu coração; o outro deixa de ser imagem de Deus e passa a ser alguém a ser combatido.

Caim é o protótipo daquele que não vive verdadeiramente na presença de Deus. O seu olhar ficou fascinado pelas coisas da terra e não do céu. Seu irmão Abel é modelo daquele que viveu só para Deus, por isso até mesmo os primeiros frutos da terra não eram para satisfazer as suas necessidades, mas tudo era oferecido a Deus em sinal de reconhecimento, porque sabia que o que possuía vinha da bondade de Deus. (1Jo 3,12) – “Não faças como Caim que matou seu irmão. Por que matou? Porque suas obras eram más”.

Ele oferecia o melhor que tinha para Deus, era a forma que encontrou para agradecê-Lo pelas dádivas recebidas. Quem está perto daquele que ama, também ama e quer oferecer o melhor para a pessoa amada. Quem vive somente em função de si mesmo, além de não partilhar o que possui, ainda quer possuir aquilo que o outro tem. A pessoa torna-se voraz, nada mais a preenche e a consola. Ela vive em função da sua ganância e, sendo ganancioso, não consegue mais viver na presença de Deus. Deus torna-se um inimigo a ser combatido, porque a sua presença a incomoda, pois quem está nas trevas, tem medo da luz.

Um olhar encantador



"Ah, meu Deus, meu Pai, amor infinito e misericórdia infinita de nossa alma! Quem jamais teria sido capaz de imaginar tantas e tão preciosas e amorosas invenções do vosso amor e da vossa infinita misericórdia? E quem poderia compreender a felicidade de uma alma que chegue a possuir o reino do vosso santo amor? Não ficaria ela tão apaixonada pela vossa infinita amabilidade que nunca mais deixaria de vos amar?"
(S.V. Pallotti)

(Lc 19,1-10)
Existem certos encontros que ficam profundamente marcados em nossas vidas. A Bíblia também traz muitos desses encontros casuais que transformaram a vida de muita gente. Lucas é o único evangelista a falar de Zaqueu, que fora surpreendido por Cristo, quando tentava vê-lo. O Evangelho diz que ele era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. Ele queria ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da sua baixa estatura, pois uma grande multidão O acompanhava. Mas o desejo de conhecê-Lo era maior que os obstáculos que encontrava, por isso tomou uma atitude nada elegante: “subiu em uma árvore”. Aquele gesto chamou tanto a atenção de Jesus que, ao passar perto dele, olhou para cima, e disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje preciso ficar em sua casa”. A surpresa foi tamanha que por uns instantes o cegou de emoção. Desceu imediatamente e O acolheu em sua casa. De pé, diante de Jesus, e sem nenhum constrangimento prometeu-lhe, publicamente, que daria a metade de seus bens para os pobres.

A atitude de Jesus provocou alguns comentários no meio do povo, porque foi hospedar-se na casa de um pecador, mas aquele encontro não foi em vão. Jesus conquistou mais um para o seu reino. O evangelho não fala mais nada desse personagem. Não diz que ele tenha seguido a Cristo. Diz apenas que a salvação entrou naquela casa. A casa aqui pode ser também o coração humano. E quando Cristo habita em um coração, a pessoa viverá somente para ele, na condição em que se encontra. A vida não será mais a mesma.

Zaqueu vivia em função do dinheiro, agora é solidário com os pobres. A visita de Jesus em sua casa mudou completamente sua vida. Ele, agora, encontrou o seu verdadeiro tesouro e quer se livrar dos apegos que aprisionam a alma. É uma pessoa totalmente livre, porque encontrou a verdade.

A conversão de Zaqueu não foi fruto de uma pregação moralista, mas de um encontro com alguém que o amou, e lhe deu atenção. A presença de Cristo deu-lhe uma nova vida. Assim como Zaqueu, Deus quer dar-me uma nova vida, e enchê-la de alegria. Com esse episódio, Jesus me revela que é possível amar cada pessoa, mesmo que eu não tenha motivos para isso. Ele me ensina a perceber a riqueza do amor do Pai, que está atento às minhas atitudes mais singelas, como aquela de querer conhecê-Lo melhor.

Oxalá também nós pudéssemos fazer esta experiência com o Senhor, que continuamente passa em nossa vida através dos sacramentos da Igreja. Que jamais desperdicemos esta oportunidade de vivermos intensamente na sua presença, deixando de lado tudo aquilo que não nos engrandece como pessoas, mas nos escraviza.

Portanto, que a vida de Cristo seja a minha vida...

terça-feira, 13 de abril de 2010

O abraço misericordioso do Pai



"Se o ser humano soubesse o quanto ele pode merecer em cada dia, logo que se levantasse pela manhã encheria o coração de grande alegria e contentamento por mais um dia no qual poderia viver para Deus, nosso Senhor, e aumentar o próprio mérito com a graça e para a honra e glória do mesmo Deus; isso lhe daria força e vigor para fazer e suportar tudo, com grande alegria". (S.V. Pallotti. Propósitos e aspirações, p. 179).

Quando nos aproximamos de Deus, descobrimos sempre a sua beleza e, ao mesmo tempo, a distância que nos separa dele. Cada vez que nos aproximamos de Deus, o contraste entre o que Ele é e o que nós somos se torna tremendamente claro. Pode acontecer que não tenhamos consciência disto, até que vivamos numa certa distância de Deus, por assim dizer até que a sua presença ou a sua imagem sejam veladas pelos nossos pensamentos ou pelas nossas percepções; mas, quanto mais nos aproximamos de Deus, mais claro aparece o contraste. Não é a constante atenção aos seus pecados que torna os santos conscientes da sua pecaminosidade, mas a visão da santidade de Deus. Quando nos julgamos a nós mesmos, sem o pano de fundo luminoso da presença de Deus, os pecados e as virtudes tornam-se coisas de pouca monta e até irrelevantes; é sobre o fundo da presença divina que eles se destacam plenamente e adquirem a sua profundidade e a sua tragédia. Cada vez que nos aproximamos de Deus, nos encontramos frente à vida ou à morte. À vida, se vamos a sua presença no espírito justo e somos renovados por Ele. À morte, se nos aproximamos dele sem espírito de adoração e um coração contrito, e levamos conosco o orgulho ou a arrogância.
Tirado do Itinerário espiritual palotino, p. 75.

domingo, 11 de abril de 2010

Ordenação diaconal em Cambé - Pr

No dia 10 de abril, foi ordenado na Paróquia Cristo Rei de Cambé, o Diácono permanente, José Marcos Vilas-boas, pela imposição das mãos de D. Orlando Brandes, Arcebispo de londrina. O Diác. Marcos é casado e tem dois filhos. Participaram da ordenação vários padres e diáconos permanentes da Arquidiocese de londrina. Pe. Valdeci e os noviços também participaram do evento, que é um marco muito importante para a Igreja em Cambé.


sábado, 3 de abril de 2010

Vigília pascal - homilia



A vida venceu a morte


É Páscoa do Senhor. A vida venceu a morte. “Onde está, ó morte, a sua vitória? Graças, porém, sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo! Por consequência, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, aplicando-vos cada vez mais à obra do Senhor. Sabeis que o vosso trabalho no Senhor não é em vão”. (1Cor 15,55-58)

Celebrar a Páscoa é celebrar a vida que brota da graça de Deus, do Deus que deixou seu coração ser transpassado pela lança da maldade, mas dele não saiu ódio ou vingança e sim o sangue da vida nova e a água do batismo, da purificação e do perdão. O coração daquele que morreu e que agora aparece ressuscitado tem as marcas da violência do pecado que, por ele, foi derrotado.

O que a celebração de hoje nos ensina? Primeiramente, em Cristo, a criação foi restaurada e elevada a sua plenitude, pois, no princípio, o Pai criou o universo e tudo o que nele contém. Mas o pecado entrou na natureza humana e a conduziu a escravidão. O povo tornou-se escravo de Reis gananciosos, mas a verdadeira escravidão estava no coração humano. Primeiro Deus suscitou pessoas, profetas, para indicarem um caminho de libertação no seu sentido mais amplo. Toda essa preparação durou séculos, até que Deus, na plenitude dos tempos, enviou seu único Filho para reunir todos os que estavam dispersos e distantes da salvação. O povo encontrou sua terra, pois Deus os libertou das mãos do Faraó, mas faltava-lhe uma coisa, a libertação do espírito. Isto nenhum profeta podia fazer, a não ser aquele que desde toda eternidade estava diante de Deus, Jesus Cristo.

Mas o que aconteceu de errado na primeira criação, quando Deus cria céu e terra e o ser humano à sua imagem e semelhança? Não tinha nada de errado! O Pai, na sua infinita bondade, não quis ser feliz sozinho, quis outros seres participando de sua felicidade, por isso criou o mundo e o ser humano, mas este ser humano, criado à sua imagem e semelhança, estragou esse plano, pelo fato de ter sido criado livre para decidir e transformar sua obra, e ele abusou da sua liberdade e se rebelou contra o supremo Criador. Trocou Deus pela criatura, confiou mais na sua capacidade e desconfiou da bondade de Deus.

A serpente, animal astuto, colocou na sua cabeça que Deus era mentiroso e não queria o seu verdadeiro bem, porque o proibira de tocar na árvore da vida. A serpente, o diabo, o pai da mentira, usou da ordem dado por Deus de crescei e dominai a terra, para lhe dizer. Deus lhe deu o poder de dominar tudo, mas agora proíbe você de tocar na árvore da vida. Essa voz maléfica contaminou o pensamente dele e, por isso, decidiu abandonar as ordens de Deus. O ser humano recebeu, também, uma falsa promessa de ser como Deus, e isso lhe pareceu bom aos olhos e ao paladar e, a partir de então, decidiu infringir as ordens do Criador.

Imediatamente após decidir pelo erro e executá-lo, sobreveio sobre o primeiro casal, fruto do amor de Deus, o senso do abandono. Sente-se longe de Deus, despido e enrubescido de vergonha do seu próprio corpo, tecendo roupas porque tinha vergonha de Deus. Com o pecado da desobediência, um começa a querer dominar o outro. Quebrou a harmonia. Deus tornou-se dispensável de suas vidas e instaura a tirania do pecado e da dominação.

Na verdade, o pecado foi uma tentativa de usurpação de poder, de competir com Deus, de dizer não ao seu projeto. A essa sua arrogância custou-lhe a expulsão do paraíso. Perdeu aquela santa pureza e serenidade de espírito. Agora, longe de Deus, tudo se tornou difícil, começando pela própria convivência entre si. A disputa e a tentativa de domínio surgiram no seio daquela família. Os irmãos já não se combinam mais e um tira a vida do outro (Abel e Caim), e a paz e harmonia já não existem mais. O que sobrou de tudo isso? Somente dor, sofrimento e desolação. Essa dor é inconsolável, ninguém pode mais aliviar, a não ser aquele que assumiu as nossas dores, lutos e sofrimentos. Somente Jesus podia refazer aquilo que fora desfeito por Adão e Eva. Diante dos sofrimentos da vida, o ser humano foi percebendo que, sem Deus, o Criador, a sua vida não tem mais sentido, por isso o (Sl 61,2-3) diz: “Só em Deus a minha alma tem repouso só dele me vem a salvação. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei”.

Oxalá, irmãos, a festa de hoje pudesse ser realmente um momento de verdadeira libertação do pecado e da maldade que assola a nossa vida. Que esta Páscoa do Senhor seja para nós um tempo de verdadeira conversão e espaço para a reconciliação, momento de harmonia, partilha e acolhida. Tempo de passagem para uma nova vida, renascendo para o novo e o belo momento propício para ressurgir, renovar as esperanças, espelhar novidades, cantar maravilhas, anunciar com a voz do coração que a vida triunfou.

Páscoa é tempo de entoar e cantar o Aleluia, com muita paz no coração, para dançar a dança da liberdade, fruto do amor e do perdão.
Alegremo-nos todos no Senhor. Cristo venceu a morte. Amém. Aleluia.

Ó morte, onde está sua vitória?










Durante a Semana Santa, acompanhamos os passos de Jesus: a sua chegada a Jerusalém, a celebração da Ceia com seus discípulos, na qual deixou seu corpo e sangue como nosso alimento e instituiu o sacerdócio da nova e eterna aliança, onde ele próprio é o Sumo e Eterno Sacerdote. Após cumprir sua missão de enviado do Eterno Pai, entregou-se nas mãos dos homens para que a glória de Deus fosse exaltada.

Morreu no mais abominado lenho da cruz, para que dele brotasse a verdadeira vida que vem de Deus. Aparentemente, o pregador de Nazaré, o Filho de Deus, teve uma morte inglória. Seus adversários festejaram sua morte infame, mas o Pai do Céu, na sua infinita misericórdia, olhou compadecido ao servo sofredor e o ressuscitou no terceiro dia. Agora, seu poder não terá mais fim, e todos são convidados a estar com ele na glória. Quando todos pensavam que a violência e a morte teriam a última palavra, eis que a vida ressurge e as trevas se dissipam. A luz venceu a escuridão causada pelo pecado. Por isso o apóstolo Paulo diz: "Ó morte, onde está tua sua vitória"? (1Cor 15,55-58)

Que a força do ressuscitado nos envolva com sua luz e nos traga a verdadeira paz e salvação.
Desejo a você uma feliz Páscoa e que Deus derrame copiosas bênçãos sobre você e sua família.

Pe. Valdeci Antônio de Almeida, SAC

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Quinta-feira Santa, instituição da eucaristia e do sacerdócio





Oração Oficial do Ano Sacerdotal


Senhor Jesus!
Vós quisestes dar a Igreja, em São João Maria Vianney, uma imagem vivente e personificada da caridade pastoral. Ajudai nossos sacerdotes a viverem bem este Ano Sacerdotal, em sua companhia e com o seu exemplo.
Fazei que, a exemplo do Santo Cura D’Ars, possam aprender como estar felizes e com dignidade diante do Santíssimo Sacramento; como receber com simplicidade, cada dia, a vossa Palavra que nos ensina; como foi terno o amor com o qual ele acolheu os pecadores arrependidos; como era consolador seu abandono confiante à vossa Santíssima Mãe Imaculada; e como é necessária a luta vigilante e fiel contra o Maligno.
Fazei, ó Senhor Jesus que, com o exemplo do Cura D’Ars, os nossos jovens possam sempre mais aprender o quanto é necessário, humilde e glorioso, o ministério sacerdotal que quereis confiar àqueles que se abrem ao vosso chamado.
Fazei que também em nossas comunidades, tal como aconteceu em Ars, se realizem as mesmas maravilhas de graça que fazeis acontecer quando um sacerdote sabe “colocar amor na sua paróquia”.
Fazei que as nossas famílias cristãs saibam descobrir na Igreja sua própria casa, e que aí encontrem sempre os vossos ministros cheios de sabedoria e empenhados no acolhimento de todos na Casa de Deus.
Fazei que a caridade dos nossos pastores anime e acenda a caridade de todos os fiéis, de tal modo que todos os carismas, doados pelo Espírito Santo, possam ser acolhidos e valorizados.
Mas, sobretudo, ó Senhor Jesus, concedei-nos o ardor e a verdade do coração, para que possamos dirigir-nos ao vosso Pai Celeste, fazendo nossas as mesmas palavras de São João Maria Vianney:
“Eu Vos amo, meu Deus, e o meu único desejo é amar-Vos até o último suspiro da minha vida.
Eu Vos amo, Deus infinitamente amável, e prefiro morrer amando-Vos a viver um só instante sem Vos amar.
Eu Vos amo Senhor, e a única graça que Vos peço é a de amar-Vos eternamente.
Eu Vos amo, meu Deus, e desejo o céu para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.
Eu Vos amo, meu Deus infinitamente bom, e temo o inferno porque lá não haverá nunca a consolação de Vos amar.
Meu Deus, se a minha língua não Vos pode dizer a todo o momento que Vos amo, quero que o meu coração Vo-lo repita cada vez que respiro.
Meu Deus conceda-me a graça de sofrer amando-Vos e de Vos amar sofrendo.
Eu Vos amo, Jesus, meu divino Salvador, porque fostes crucificado por mim e porque me tendes aqui em baixo crucificado por Vós.
Meu Deus conceda-me a graça de morrer amando-Vos e de saber que Vos amo.
Meu Deus, à medida que me aproximo do meu fim, concedei-me a graça de aumentar e aperfeiçoar o meu amor. Amém”.
S. João Maria Vianney.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Encontro de formadores palotinos em Wadowice - Polônia


Informativo Belém

Os formadores e formadoras palotinos das três províncias polonesas, todos os anos, se reúnem para uma formação em conjunto e refletir sobre as várias etapas da formação. Neste ano de 2010, o encontro aconteceu nos dias 24 a 27 de fevereiro em Wadowice, Polônia. Antes da chegada dos formadores, o Secretariado Geral para a Formação realizou o seu encontro anual, no mesmo local, nos dias 21 a 24 de fevereiro.
Participaram do referido encontro, seis irmãs da Província Polonesa das Irmãs Missionárias do Apostolado Católico, doze palotinos da Província Cristo Rei e seis da Província da Anunciação do Senhor, com seus respectivos provinciais. O encontro tinha como tema: A dinâmica do processo de amadurecimento vocacional palotino: a formação nas mudanças para a continuidade e na continuidade para as mudanças. Neste encontro, aconteceram palestras, trabalhos em grupo e individuais, orações e recreações comunitárias.
Na manhã do dia 25 de fevereiro, a Ir. Jolanta Wagner SAC e D. Derry Murphy SAC falaram sobre o tema: Formação na etapa do discernimento vocacional. Nesta temática, foi apresentado o papel do formador enquanto acompanhador de um jovem no processo de discernimento vocacional. Isto consiste em ajudar a pessoa a compreender tudo aquilo que acontece no seu coração e no saber confrontar a própria vida e a própria história, a partir de Deus, descobrindo o projeto que ele tem para cada um. Os relatores afirmaram que as atitudes mais importantes dos acompanhadores deveriam ser: capacidade de partilhar a experiência de Deus de maneira unívoca, levando em conta a identidade palotina.
Na parte da tarde, Pe. Romualdo e Pe. Valdeci de Almeida desenvolveram o tema sobre o Período Introdutório. Eles afirmaram que se espera, neste período, uma mudança no formando e que a formação deve conduzir a isso. Não se trata, porém, de uma produção em série dos novos membros, mas, no processo de acompanhamento, trata-se de saber guiar um vocacionado a fim de que possa tomar consciência das suas fragilidades, limites e pecados, e saibam colaborar com Deus e com os formadores, para que aconteça a verdadeira mudança. Tal processo tem um caráter individual e único, como o é a pessoa que de Deus recebe a vida e a vocação.
A temática da manhã do dia 26 (sexta-feira) foi sobre a formação para a consagração perpétua. Esta parte foi apresentada pelo Pe. Jacob Nampudakam e Pe. Stanislaw Stawicki, que colocaram uma pergunta: Como assegurar uma formação unitária e coerentemente progressiva? (ou seja, assegurar uma certa homogeneidade na formação, respeitando todos os seguintes aspectos: humano, cristão, espiritual, intelectual, profissional, teológico, etc.). A resposta foi conforme o pensamento do Pe. Josù Mirena Alday, reitor do Claretianum, que, reforça a necessidade de um tríplice esforço nesta área, em um dos seus cursos publicados no manual intitulado: “A vocação consagrada, aborda aspectos antropológicos, psico-sociológicos e formativos”.
Primeiro: realizar uma programação global, seguindo os princípios da Ratio Institutionis, cuja aplicação deve estar sob a responsabilidade de uma equipe que possa ajudar na motivação da mesma. Segundo: organizar encontros regulares entre os responsáveis das várias etapas da formação para verificar, na prática, como cada uma delas está sendo preparada, para que haja sempre uma continuidade. Terceiro: é importante que os formadores comunguem de uma mesma visão do carisma do instituto, e que a transmitam através de uma formação sistemática.
Após o almoço, o Ir. Stephen Buckley e Thomas Lemp falaram sobre a formação permanente, ou seja, aquela de toda a vida. Ela acontece na vida cotidiana, nas relações interpessoais. A vida fraterna deve proporcionar um ambiente formativo.
A formação permanente pode ser considerada uma “viagem”, que envolve toda a pessoa nas suas dimensões humana (a personalidade e as relações consigo mesma, com a comunidade e com os outros), espiritual (carismática), apostólica e intelectual.
O encontro terminou no dia 27 com a celebração da Eucaristia. Em seguida, os formadores das Províncias Cristo Rei e Anunciação do Senhor, juntamente com seus respectivos provinciais e com a presença do Secretariado Geral para a Formação, se reuniram para discutir alguns assuntos comuns. As Irmãs Missionárias do Apostolado Católico também se reuniram à parte, para partilhar como está acontecendo a própria formação.


Ir. Monika Jagiello SAC
Poznan, Polônia

terça-feira, 30 de março de 2010

Meditação para a Semana Santa

DA CRUZ À REDENÇÃO - (Lc 13,1-9)

Quando falamos de sofrimento, normalmente falamos olhando para lugares e pessoas bem distantes de nossa realidade. Quando falamos de morte e de doença, sempre lembramos dos sofrimentos alheios e nunca imaginamos que o sofrimento também faz parte da nossa vida.
Ninguém quer sofrer, passar por privações. Dentro de nós há sempre o desejo de vida, desejo intenso de prazer, e, se possível, que seja elevado ao mais alto grau. Para que isso aconteça, as pessoas buscam os mais variados modos de prazer para que se sintam plenamente realizadas.
Essa é uma visão puramente humana da vida que se acaba, e por ter um fim, a pessoa quer tirar dela o máximo proveito, porque amanhã pode ser tarde demais.
Na Sagrada Escritura encontramos uma realidade um tanto estranha, porque nos promete uma felicidade sem fim, eterna, mas quando enveredamos por esse caminho, em busca da verdadeira felicidade, encontramos um método não muito apreciado por nós, o sofrimento. Parece contraditório. Como posso ser feliz passando pelo sofrimento e pela provação?
Sofrer, não é algo bom, fere a pessoa, pode levá-la ao aniquilamento da própria vida. Mas paradoxalmente Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la” (Lc 9,24).
Isso é tão sério para nós que, quando Jesus anuncia a sua morte, Pedro tenta dissuadi-lo: mas Jesus o chama de satanás, que quer impedir o projeto de Deus (Mt 16,18-25). A reação de Pedro é a reação natural de uma pessoa que não vê o sofrimento como algo positivo, transformador.
Mas é justamente aí que a Bíblia quer mostrar o caminho que conduz a pessoa a uma verdadeira conversão. O caminho de Deus é o caminho da prova e do desafio. Se olharmos pra nossa realidade, podemos perceber que isso acontece no dia a dia das pessoas. Olhemos para a realidade de alguém que pratica esportes. Alguns fazem opção por algo mais radical, todos ficam com o coração aflito, porque, a qualquer momento da prova pode acontecer alguma desgraça; se não acontece, ele sai herói, ganha muitos prêmios, fama e dinheiro. Tudo pode dar certo, como tudo também pode dar errado e acabar em fracasso, em dor e sofrimento, mas mesmo assim as pessoas arriscam e, além disso, conseguem atrair muitos expectadores e simpatizantes.
Da mesma forma, seguir a Cristo é também um grande desafio, é quase que uma aventura, é colocar a vida em risco, é enfrentar a dificuldade com a certeza de que o que faz engrandece o Reino e também traz, misteriosamente, uma alegria que nenhuma outra realidade humana pode proporcionar. Os prazeres humanos são todos limitados. Tudo passa muito rápido. Aquilo que parecia ser eterno e infinito acaba em poucos minutos, e muitas vezes, após o acontecido vem a dor e a desolação, quando não a culpa, que desfaz tudo em mal-estar, sofrimento e frustração.
São Paulo fala de sua aventura por causa de Cristo: “São ministros de Cristo? Falo como menos sábio: eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto” (2Cor 11,23).
“Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um (2Cor 11,24).
“Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo” (2Cor 11,25).
Então, o que é ser feliz e o que é realizar-se plenamente na vida? O Salmo diz: “Só em Deus a minha alma encontra abrigo e refúgio”.
Diante dessa reflexão, gostaria de olhar com mais profundidade para uma realidade muito estranha que a Bíblia nos apresenta: “o sacrifício de Abraão”.
Deus coloca Abraão à prova. Deus o chama e ele responde: “Eis-me aqui”! Imediatamente após o seu consentimento, Deus pede que sacrifique o seu filho. Toma o seu filho, seu único filho. Em outras palavras, pegue o que lhe é mais caro e desfaça-se dele. Por que repetir duas vezes seu filho, seu único filho? Por que ressaltar isso? Não seria para dizer-lhe que ele é o Deus das coisas impossíveis e exige de nós também coisas quase que impossíveis?
Deus mostra neste episódio que ele espera de nós não partes da nossa vida, do nosso sim, mas TUDO. Algo mais profundo da existência humana. Ele não precisa de partes, ele quer a nossa pessoa por inteiro. Devemos ser totalmente dele. Tudo! “Tu és meu”! (Is 41,13; 42,6; 44,21; 45,1-5)
A fé leva a pessoa a um profundo desapego de si mesmo e das coisas, dos seus projetos e desejos pessoais.
Ao longo da caminhada, Deus vai travando um profundo diálogo conosco. Ele vai purificando nossas motivações e mostrando o caminho que Ele nos indicou. Cabe a nós, porém, descobri-lo em cada ato da vida os profundos apelos que faz ao nosso coração.
A voz de Deus, à primeira vista, não parece ser tão clara, porque dentro de nós existem muitos barulhos, muitas vozes que nos incomodam e até nos assustam, e diante de tudo isso, devemos também ouvir a voz de Deus que vai indicando a rota a ser seguida.
Interpretando que seja a voz de Deus que nos pede certas coisas no caminho, já é possível imaginarmos o que poderemos encontrar pela frente. Mas, o importante não é decifrar todo o plano que Deus traçou para nós, mas de procurarmos viver com intensidade aquele momento, porque ele é único em nossa vida. Se fizermos bem feito aquilo ao qual nos propusemos fazer, certamente nos servirá de base para aquilo que seremos no futuro.
Se estivermos em uma plataforma segura, bem enraizada, certamente aquilo que nos espera será algo que poderá transformar definitivamente a nossa vida e daqueles que estão ao nosso lado.
Pega seu filho único e o imole em meu nome: Deus pede que todos os nossos apegos sejam completamente destruídos. Jesus depois vai dizer: “Quem ama sua própria vida, vai perdê-la”. O nosso amor deve estar totalmente canalizado para aquele que é a fonte da vida. Se a vida vem de Deus, então ela não nos pertence mais.
Abraão saiu a caminho e chegou ao lugar indicado por Deus: ali construiu um altar e preparou-o, ou seja, se pôs à escuta de Deus. Quando se prepara um recinto é porque ali acontecerá alguma coisa importante. (Gn 22,1-2)
Colocar no altar de Deus aquilo que ele pede, é depositar nele toda a nossa confiança, sem questionar nada. O que Deus espera é apenas a fé na sua palavra. Darei a você uma grande nação e abençoarei você. Essa é a promessa de Deus. Ele nos abençoará.
Segundo a revelação da mensagem de Nossa Senhora de Kibeho, Ruanda, o sofrimento salvífico é um dos temas mais importantes da aparição, pois: “para aquele que crê, o sofrimento é inevitável na terra, constitui uma parte do caminho a ser percorrido, para se atingir a glória celeste”.
Que todos nós, ao passarmos por alguma tribulação ao longo da vida, possamos descobrir nisso, um motivo para sermos redimidos por Cristo.
Desejo a todos um bom discernimento para que, na presença de Deus, possamos oferecer o que temos de melhor, e que toda a nossa existência seja oferecida a ele, porque ele não aceita resto e nem partes, mas quer o ser humano por inteiro, quer TUDO.
Abrão não temeu oferecer seu único filho, porque sabia que Deus era capaz de dar-lhe algo maior. Deus Pai, na sua misericórdia infinita nos deu algo maior, a vida de seu Filho Jesus. Morreu, mas continua vivo em nosso meio.
Que a vitória de Cristo na cruz seja também a nossa vitória.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Os palotinos em Ilhéus

"Ide e evangelizai a todos os povos". Essa foi a ordem de Jesus. Os palotinos, iluminados pela Palavra de Deus, estão evangelizando em todas as partes do mundo. Evangelizar é preciso e você deve fazer parte dessa família. Venha evangelizar conosco! Seja um apóstolo de Jesus Cristo, como consagrado ou como leigo, vivendo o carisma da União do Apostolado Católico, fundado por São Vicente Pallotti (1795-1850).