sábado, 31 de outubro de 2009

Canções palotinas




Ir. Helena lança CD com canções palotinas. Conheça seu trabalho de evangelização (44) 9944-3652.








quarta-feira, 28 de outubro de 2009

NOVINPAL 2009




Os noviços e noviças palotinos da América do Sul participaram do XV NOVINPAL, no Colégio Máximo Palotino, em Santa Maria (RS), entre os dias 13 e 23 de outubro de 2009. Foi um momento muito rico para troca de experiências e aprofundamento do carisma e espiritualidade de São Vicente Pallotti.
Participaram 19 noviços, sendo que 07 eram da Província São Paulo Apóstolo, 05 da província Nossa Senhora Conquistadora, Rio Grande do Sul e 07 da Região Mãe da Misericórdia, do Rio de Janeiro e 04 noviças do Noviciado Inter-Provincial da Congregação das Irmãs do Apostolado Católico. Um fato interessante é que dentre eles havia um noviço natural de Portugal, um da Argentina e uma noviça do Uruguai.
O encontro foi coordenado pelos mestres Pe. Valdeci Almeida, Pe. Ademar Fighera e Irmã Sônia Marchiori. Contamos também com a colaboração de padres e irmãs palotinos que ministraram palestras, proporcionando rico conhecimento da obra de nosso fundador e principalmente a troca de experiências entre as diversas gerações. Mas o que chamou muito a atenção dos participantes foi a visita aos locais que serviram de berço para a obra palotina no Brasil.
Na certeza de que todos, com seus particulares dons, podem sempre contribuir, esperamos continuar colhendo os diversos frutos de tão marcante experiência de união e cooperação.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Encontro dos noviciados palotinos

NOVINPAL: Encontro sulamericano de noviços e noviças palotinos. Este encontro acontece uma vez por ano, em uma de nossas casas de formação, para proporcionar a integração entre formandos e formadores das diversas províncias e regiões, tanto masculina quanto feminina.





segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Seminário Maior Palotino - Curitiba - Pr

O Seminário Maior Mãe do Divino Amor, da Província São Paulo Apóstolo, acolhe jovens que, após ter concluído o postulado e um ano de noviciado, decidem seguir a vida religiosa segundo o carisma de São Vicente Pallotti. O jovem permanece durante sete anos nesta casa, fazendo o curso de filosofia (3 anos) e teologia (4 anos).




quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Uma obra abençoada por Deus



Uma Igreja profundamente ferida

D.: “Todos os fundadores partiram de uma viva e forte percepção das necessidades da humanidade e da Igreja. Pallotti percebeu e sentiu, de modo especial, as grandes necessidades do mundo e da Igreja. Fez isso, iluminado pela fé e pelo conhecimento que ele teve do mundo e da Igreja.

L.: Pallotti constatava que a grande maioria da humanidade desconhecia ainda Jesus Cristo e não acreditava nele e por isso era infiel. Para ele, tais pessoas necessitam urgentemente de ajuda.
T.: Pallotti viu e sentiu as grandes necessidades da Igreja do seu tempo, profundamente ferida pela Revolução Francesa que quis substituir Deus pelo ser humano e criar uma sociedade humana sem Deus e sem Jesus Cristo. Desencadeou uma luta contra a Igreja em todos os campos e perseguiu e matou também muitos cristãos. Procurou desmoralizar a Igreja e tudo aquilo que se referia a Deus.
D.: Como consequência, houve uma grande diminuição das forças missionárias na Igreja e faltaram os operários necessários para evangelizarem o mundo e também para conservarem a fé cristã, onde ela se encontrava.Via também um grande número de fiéis separados do verdadeiro rebanho de Cristo. A presença dos pobres e doentes o entristecia e o comovia, mas o que mais o fazia sofrer, era ver a maior parte da humanidade privada da luz e da presença salvadora de Jesus Cristo.

L.: Pallotti percebeu que o mundo precisava ser evangelizado, para ser salvo por Jesus Cristo e ter a vida eterna. Como não há evangelização sem evangelizadores, e estes eram muito escassos, era preciso multiplicá-los e qualificá-los, isto é, formá-los, habilitá-los e enchê-los do espírito de Cristo.

T.: Pallotti não percebeu apenas o lado negativo da realidade. Percebeu e sentiu as coisas boas e positivas que aconteciam. Percebeu uma grande necessidade de fé em toda parte e inclusive nos povos que não eram cristãos, nos quais viu boas disposições para abraçarem a religião católica.
D.: Com muito, pesar Vicente Pallotti notava e sentia o esmorecimento da fé e o esfriamento da caridade cristã. Lamentava que muitos cristãos já não eram animados pelo espírito que animava os primeiros cristãos. O jovem padre Vicente Pallotti queria, portanto, reavivar em todos os fiéis o “espírito fervoroso dos primitivos cristãos”.

T.: Reavivar a fé e reacender a caridade tornou-se um refrão na palavra e nos escritos de Pallotti.

L.: Quais foram os sentimentos e as reações de São Vicente Pallotti diante das enormes necessidades do mundo e da Igreja?
D.: Nele aparecem os mesmos sentimentos de Cristo, Apóstolo do Pai eterno. O Espírito Santo fez com que ele penetrasse profundamente no coração do Cristo e fizesse seus os sentimentos do próprio Cristo, Apóstolo e bom Pastor. A exemplo de Cristo, tomado de compaixão à vista das pessoas enfraquecidas e abatidas, como ovelhas sem pastor e sujeitas a muitíssimas fraquezas (Mt 9,35s), São Vicente Pallotti era incapaz de olhar com indiferença para tantos irmãos ameaçados de se perderem para sempre, mas era impelido pela caridade de Cristo a rezar e a socorrer com as obras, o mundo necessitado de salvação. Desejava ardentemente que todo o mundo fosse reconduzido a um só rebanho e a um só pastor. A exemplo de Cristo que ordenou pedir ao Pai a multiplicação dos operários evangélicos, Pallotti desencadeou um movimento de oração na Igreja, em favor da multiplicação dos operários evangélicos e da sua formação e sustento.

L.: Guiado pelo Espírito Santo, Pallotti compreendeu os sentimentos de Cristo e penetrou no sentido mais profundo da palavra de Deus e entendeu que toda a Igreja e todos os seus membros são chamados a se empenharem na continuação do apostolado de Jesus Cristo ou na prolongação da sua missão no mundo. Pallotti compreendeu que Deus quer que o ser humano coopere ativamente na salvação eterna do seu próximo. Não apenas os ministros ordenados, mas também todos os cristãos estão chamados a cooperarem eficazmente na propagação da fé no mundo inteiro e a ajudarem o próximo a conseguir a sua felicidade eterna.

T.: Para Pallotti, portanto, todos os homens e mulheres, pelo fato de serem imagem e semelhança de Deus, devem empenhar-se em ajudar o próximo. A obrigação de contribuir para a salvação eterna do próximo é vista por ele no mandamento de amar o próximo como a nós mesmos.

D.: Na sua mente e coração, foi amadurecendo a idéia de despertar em todos os cristãos o espírito apostólico ou missionário de Jesus Cristo e de motivar toda a comunidade cristã a engajar-se na propagação da fé no mundo inteiro, pois a propagação da fé ou a evangelização de todos os povos ou a reunião de todos os seres humanos no mesmo rebanho de Cristo é a obra mais própria da comunidade cristã, a mais necessária para a humanidade, a mais agradável a Deus e a mais meritória para todos os fiéis.

L.: Guiado e também estimulado pelos pedidos de ajuda material e espiritual, que continuamente chegavam a ele e aos seus companheiros, e também pela resposta generosa de tantos cristãos em favor dos irmãos necessitados, junto com seus companheiros São Vicente Pallotti quis fundar uma associação de fiéis que, unidos entre si pela caridade de Cristo e movidos por esta mesma caridade, procurassem multiplicar todos os meios espirituais e materiais necessários e oportunos para reavivar a fé e reacender a caridade entre os católicos e para propagá-la no mundo inteiro, a fim de que, quanto antes, houvesse um só rebanho e um só pastor.

T.: Mas qual é mesmo o carisma de São Vicente Pallotti?

D.: Podemos dizer que é o resgate e a promoção do apostolado católico na Igreja, isto é, do apostolado que corresponde a todos e a cada um dos fiéis. Ele foi o grande batalhador do apostolado universal, o apostolado de todos e de cada um. Ele fundou uma comunidade eclesial apostólica a serviço do apostolado universal.
Para refletir: o que São Vicente Pallotti apresentou como diferente para a Igreja de seu tempo? O que ele me inspira a fazer, segundo o seu desejo, em minha comunidade?
Oração para obter misericórdia.

Meu Jesus, minha infinita, imensa, incompreensível misericórdia.
Vós me dais a vossa própria misericórdia e me transformais em vossa misericórdia e fazeis que a minha vida seja uma vida toda de obras de misericórdia corporal e espiritual, em benefício de todos. E onde eu não posso chegar por meio dos meus esforços, fazei-o Vós com a plenitude da vossa própria misericórdia, para chegar a infundir a vossa misericórdia em todo o mundo, por todo o tempo e por toda a eternidade. Amém.

São Vicente Pallotti, rogai por nós.
Do livro: Itinerário espiritual palotino - Meditação 5

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Seminário São Vicente Pallotti

Esta casa pertence à Província São Paulo Apóstolo e há décadas tem cumprido sua missão de formar os futuros palotinos. É um centro de formação também para leigos. Duas vezes ao ano, os padres e irmãos palotinos realizam, neste local, seu encontro provincial e também seu retiro espiritual. A nossa missão é de formar novos APÓSTOLOS E MISSIONÁRIOS para a Igreja de Cristo. Todos são chamados a experimentar plenamente o amor que Deus tem para com cada um de nós. Participe também você da UNIÃO DO APOSTOLADO CATÓLICO (UAC). Para saber mais, entre em contato conosco. Temos a satisfação de receber seu e-mail. Escreva para:[valdecialmeida33@gmail.com]



sábado, 12 de setembro de 2009

Espiritualidade Palotina: Memória Prática Cotidiana

Elaborado por:
Fr. Bruno Cézar Damasceno, SAC
- A partir do momento em que nos encontramos com Cristo, nossa vida já não pode mais ser a mesma. Ele nos convida a sermos uma “nova criatura” n’Ele, isso significa que as mudanças que devem acontecer em nós não dependem apenas de nossos esforços, mas acima de tudo da Graça de Deus, que é derramada em nossos corações, quando assim a desejarmos (Rm 5,5).

- Pallotti tem um método muito prático para aqueles que desejam seguir o Evangelho de Cristo. A memória Prática Cotidiana é uma forma de configurarmos a nossa vida à de Jesus, para assim cumprirmos com o mandato de Cristo, “sede santos, como o vosso Pai do céu é Santo” (Lv 19,2; 20,7-8; 11,44; 1Pd 1,16). Jesus, sendo homem e Deus, vivenciou todas as dificuldades pelas quais passamos; venceu muitos desafios, sendo fiel a Deus, honrando-O em todas as suas ações. Jesus procurava Deus em tudo e sempre, e O encontrava em tudo e sempre.

A oração da Memória Prática Cotidiana é a seguinte:

“A vida de nosso Senhor Jesus Cristo é a regra fundamental para todos os palotinos. Assim, antes de iniciar qualquer atividade, somos obrigados a perguntar-nos, em cada uma das circunstâncias do dia, como pensaria, como falaria ou como agiria nosso Senhor Jesus Cristo. De qualquer forma, em tudo e sempre, devemos esforçar-nos pelo que seja mais perfeito. (OOCC III, 42; Documentos da fundação, p. 302)
Para refletir:
- Um jovem católico tem as mesmas atitudes que um jovem do “mundo”?
- Quais são as atitudes de um jovem do mundo?
- E as atitudes de um Jovem Católico?
- Compare e faça uma revisão de vida e aponte para as discrepâncias, para aquilo que vai contra o Evangelho e se proponha metas para mudar suas atitudes através da Memória Prática Cotidiana.
“Como é que pode um jovem levar uma vida pura? Guardando tua Palavra” (Sl 119, 9s).
- O que será guardar a sua palavra, senão encarná-la em sua própria vida, em suas atitudes diárias.
- Devemos nos esforçar diariamente por imitar nosso Senhor Jesus Cristo, portanto é um exercício, e todo exercício exige esforço e disciplina.

O nome “Memória Prática Cotidiana” tem um significado bem específico:

Memória: porque devemos recordar sempre a obrigação que temos de imitar a nosso Senhor (utilizar meios que nos façam recordar o propósito de imitá-lo, ex: bilhetes em locais visíveis, etc.)

Prática: porque obrigação tão preciosa deve ser cumprida de fato, no pensar, no falar, no agir e principalmente na moderação dos afetos do coração.

Cotidiana: porque tão santa obrigação não é de um dia só, nem de um só mês, nem de um só ano, nem só em retiros, mas de cada dia, até a hora da morte, com perfeição e fervor crescente, à medida que esta hora vá se acolher.

- Pallotti diz que a alma que crê em Jesus Cristo e que se esforça com humildade de confiança por imitá-lo alcança que ele destrua nela todas as deformidades e todas as faltas. Entra e opera nesta alma Jesus Cristo e continua sua vida nela. Ele vive nela e lhe aplica o mérito de suas ações santíssimas. E, assim também o diz Jesus: “Quem crê em mim, fará as obras que eu faço e fará ainda maiores que estas” (Jo 14, 12). Também é verdade, porque é Jesus que em nós faz tudo. Por isso, Paulo dizia: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
- Não poderemos jamais imitá-Lo se não estivermos repletos do Espírito Santo, se tivermos cheios de outras coisas, que não seja o Espírito Santo, jamais teremos nossas atitudes e pensamentos transformados em Cristo. Por isso, é necessário a oração contínua; temos que rezar para sermos fiéis.
- Neste caminho jamais estaremos sozinhos. Pallotti nos deixou como grande companheira, Maria, Rainha dos Apóstolos, terna Mãe, que cuida com amor dos filhos. Nós, Filhos da Rainha, temos de estar armados com as mesmas armas usadas pela nossa Rainha, a oração, o silêncio diante das adversidades, a união, a humildade e o amor a Jesus Cristo. Assim venceremos!
- Pallotti recomenda: “Imaginar que temos diante dos olhos Nosso Senhor Jesus Cristo e imaginar como seriam suas palavras e atitudes...” Para conhecermos mais a Jesus, devemos nos deixar tocar profundamente pela sua palavra no Evangelho. Ouvindo sua voz, podemos amá-lo de todo coração, podemos segui-lo com mais confiança e assim configuramos nossa vida com a dele.

- O que Jesus pensa? Com o que se preocupa?
- Qual os sentido que ele vê em fazer suas coisas? (Lc. 12, 22-32; Mt. 7, 7-11)
- Como era o olhar de Jesus? (Passagens de Zaqueu e de Pedro, depois da traição)
- A quem e o que Ele olha? (Lc. 22, 60-62; Jo. 1, 41-42)
- O que está no Coração de Jesus?
- Que sentimentos têm, vive, ama?
- O que o entristece? O que o alegra?
- Quais as palavras que Jesus mais pronunciou?

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DO DIÁRIO DO PAPA JOÃO XXIII



Uma oração muito confiante e muito especial te queremos apresentar, a ti, nosso São Vicente Pallotti, glória do clero romano, que resplandeces hoje em todo encanto das tuas virtudes. Digna-te interceder por este humilde Bispo de Roma, a cujo espírito a tua glorificação traz tanta alegria; interceder pelos seus colaboradores da cúria e do vicariato, por todos os sacerdotes, particularmente pela congregação do apostolado católico que de ti recebe uma luz de viva glória. Tu que foste apóstolo incansável, diretor de consciências, dinamizador de santos entusiasmos, magnífico, nas múltiplas empresas, incendeia com um novo fervor todos os ministros do Senhor e estes preciosos colaboradores do Apostolado Católico; torna-os prontos e disponíveis a cada chamamento dos seus irmãos. Sempre e em toda parte "sal da terra e luz do mundo" (Mt 5, 13-14), para a difusão do "bom odor de Cristo" (2Cor 2, 15). Sejam apóstolos de verdade, de caridade, de misericórdia, sejam educadores de cristãos exemplares, consoladores dos humildes e dos pobres, na luz que irradia de Jesus, Bom Pastor, salvador das almas e dos povos. Amém. Amém.

Da homilia para a canonização de São Vicente Pallotti publicada no L’Osservatore Romano de 21-22 de Janeiro de 1963.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Conheça nosso seminário

O vídeo, "Um giro pelo noviciado palotino", tem a finalidade de mostrar como é uma casa religiosa. O ambiente formativo para a vida consagrada deve ajudar o jovem a fazer uma profunda experiência com Deus. Aqui, durante um ano, o seminarista vai discernir se é esse mesmo o caminho para o qual Deus o chamou para viver a santidade. Portanto, você também é convidado a responder aos apelos que Deus faz no seu coração, na realidade na qual você está inserido como batizado. Seja um cristão autêntico!




quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Em busca da unidade


Um sacerdote exemplar

D.: Vicente Pallotti, desde o início de sua ordenação sacerdotal, destacou-se no meio clerical por sua forte espiritualidade e pelo serviço prestado às pessoas necessitadas. Estava sempre atento a tudo o que acontecia ao seu redor. Nunca deixou de responder aos desafios do seu tempo. Por isso, a sua atividade como sacerdote não se resumia apenas celebrar piedosamente a missa e a ministrar os sacramentos. Percebeu que, com a força do seu ministério, podia fazer muito mais que simplesmente atuar como homem do culto. Intuitivamente, convidou leigos fervorosos para juntos formarem uma legião de evangelizadores e assim propagar o evangelho de Jesus a tantas pessoas que ainda não tinham tido a oportunidade de experimentá-lo pela fé.
No seu trabalho apostólico, descobriu que a ajuda do leigo na evangelização é indispensável para que a Palavra de Deus chegue, o mais depressa possível, em muitos ambientes onde só existem trevas. Para ele, o cristão, pela força de seu batismo, deve não somente estar preocupado com a salvação da sua alma, mas de todos. O batismo não leva o indivíduo a apenas fazer parte de uma comunidade orante, mas o credencia a continuar a obra evangelizadora de Cristo em todo mundo. Não importa o seu estado de vida. Todos são convocados por Cristo para anunciarem que o Reino de Deus está no meio de nós. Até mesmo o enfermo, no seu leito de dor, pode ser um apóstolo, oferecendo suas orações e seus sacrifícios para a redenção da humanidade.
Texto bíblico: Pallotti tinha plena consciência daquilo que disse São Paulo: “Em Cristo, somos uma nova criatura”. Ler o texto (2Cor 5,13-21).

D.: meditar o texto bíblico e ver as semelhanças com o ensinamento de Pallotti. O que aprendi com os ensinamentos de hoje? Como devo agir de agora em diante?

Oração
D.: A experiência de Deus feita por São Paulo ajudou Pallotti a descobrir o quanto Deus é bom e ama as pessoas. Assim afirma o apóstolo: “Os que de antemão conheceu, também os predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8,29), para dizer que Deus deu seu Filho para imitá-Lo e para sermos, quanto possível, semelhantes a ele. E, no seu divino Filho, falou-nos com as obras e a doutrina dele.

T.: Pela desobediência de Adão, a nossa alma tornou-se toda chagada pela ignorância do intelecto, pela malícia da vontade, pela fraqueza das forças do espírito e pela inclinação ao desafogo de todas as más paixões, assim nosso Senhor Jesus Cristo, para combater tudo isso e para nos dar a graça de imitá-Lo, quis humilhar-se infinitamente, não só no mistério da encarnação, mas também nascendo no sofrimento e na humildade do presépio e levando uma vida toda humilde, pobre, difícil e obediente.

D.: Deus meu, Jesus meu, Redentor da minha alma, meu divino modelo, quem chegará a compreender o amor infinito e a infinita misericórdia com que, por mim, nasceste numa estrebaria e levaste uma vida humilde, penosa, pobre, laboriosa e desprezada? Quem poderá compreender a minha monstruosa ingratidão ao teu amor e à tua misericórdia infinita?

T.: Ah, meu Deus, é verdade que, por minha ingratidão, não mais mereço que me favoreças com qualquer de Teus dons. Pela tua mesma infinita misericórdia, por teus infinitos méritos e intercessão de Maria santíssima e de todos os anjos e santos, tenho firme confiança e creio com certeza que, sem demora, vais conceder-me a perfeita contrição dos meus pecados e o dom de imitar-Te sempre, na tua vida humilde, pobre, penosa e obediente, a fim de aperfeiçoar meritoriamente a minha alma, viva imagem Tua e do Pai e do Espírito Santo.

D.: Agradecidos a Deus pela presença de todos, desejamos que ele continue conosco nessa caminhada comunitária e familiar. Na certeza de que Ele nunca nos abandona e não leva em conta as nossas inúmeras faltas, supliquemos a sua misericórdia.

O testemunho de um jovem


Somos todos de Cristo.
Vicente Pallotti viveu como qualquer outro jovem de sua idade. Passou sua infância no centro de Roma. Participava da vida social em meio aos trabalhos cotidianos da família, convivendo com pessoas de todas as classes sociais que frequentavam a mercearia de seu pai. Naquele ambiente, aprendeu a observar as pessoas e a sentir as suas reais necessidades. Ele percebeu que elas buscavam alimento para nutrir o corpo, mas algo lhe dizia que precisavam também de saciar a alma.
No confronto com cada uma delas, viu que, independente da sua história pessoal, estava diante de um ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus, que precisava ser amado e respeitado. À medida que crescia, tal sentimento aumentou e, ao mesmo tempo, despertou nele a necessidade de partilhar com todos a experiência que fizera do amor misericordioso de Deus.
No seu dia-a-dia, encontrou pessoas insatisfeitas com a vida, outras à beira do desespero devido a tantos sofrimentos. Foi insuportável para ele presenciar tudo isso. Diante de Deus tomou a firme resolução de oferecer aquilo que possuía para amenizar os sofrimentos de tantos irmãos. Muitas vezes, deixou de tomar o seu lanche, para doá-lo a quem tinha fome, doou seus sapatos a um pobre e sua cama a um enfermo que dormia desconfortavelmente.
A sua fé em Jesus Cristo foi quem o motivou a sair de seu conforto para ajudar àqueles que eram penalizados pela vida.

Leitura bíblica: O cristão deve entender a extensão do amor de Cristo (Ef 3,8-21).

Refletir: que ensinamento podemos tirar para nossa vida do texto de Pallotti e da leitura de Paulo?

Rezemos com São Vicente Pallotti.

D. À luz da fé, lembro que Deus, ao se dispor, de acordo com os sapientíssimos projetos do seu amor infinito e da sua infinita misericórdia, ao criar o homem, disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança” (Gn 1,26).
T.: Ah, meu Deus, amor infinito, amor inefável, amor incompreensível, é de fé que minha alma foi criada à imagem e semelhança vossa!
D.: Não se trata da imagem pintada em tela, nem de imagem de madeira, de pedra, de metal. Minha alma é imagem de Deus, pelo natural caráter distintivo de sua criação, como substância vivente racional, espiritual.
T.: Ah, meu Deus! Vós sois eterno, infinito, imenso, incompreensível! Portanto, é de fé que a minha alma, imagem vossa, é também viva imagem do eterno, do infinito, do imenso, do incompreensível. Mas só Vós, meu Deus, sois trino nas pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, por isso é de fé que a minha alma é viva imagem de vós.
D.: Vós, meu Deus, sois poder infinito, sabedoria infinita, bondade infinita, justiça, misericórdia e pureza por essência, por isso é de fé que a minha alma é viva imagem das vossas virtudes.
T.: Meu Deus, a fé me faz lembrar que Vós sois perfeição e santidade por essência, por isso é também de fé que a minha alma é viva imagem de todo vós mesmo, de todas as vossas infinitas perfeições e de todos os vossos atributos, infinitos, eternos, imensos, incompreensíveis.
D.: Ah, meu Deus, ao criar a nossa alma desse modo, até onde levastes vosso amor! E dizer que Vós, na vossa imensa sabedoria, desde toda eternidade, tínheis conhecimento de quão poucos, e esses, com quanta mesquinhez, teriam valorizado a própria alma e de quantos menos teriam sido gratos a tão incompreensível benefício!
T.: Ah, meu Deus, eu sei que o vosso amor infinito é também infinitamente misericordioso. Assim, nem a minha ingratidão pode impedir-vos de executar o projeto de criar a nossa alma à imagem e semelhança de todo vós mesmo.
D.: Ah, meu Deus, quem poderá compreender, por um lado, esse vosso amor infinito e essa vossa infinita misericórdia e, por outro, o meu desconhecimento e ingratidão, quando não dei à minha alma o valor que lhe deveria dar.
Conclusão: Estamos agradecidos pela presença de todos e, com certeza, o que refletimos e rezamos hoje servirá para nós de estímulo para buscarmos sempre mais a Deus. Por isso, vamos rezar juntos a oração de São Vicente Pallotti.


Oração para obter misericórdia.
Meu Jesus, minha infinita, imensa, incompreensível misericórdia.
Vós me dais a vossa própria misericórdia e me transformais em vossa misericórdia e fazeis que a minha vida seja uma vida toda de obras de misericórdia corporal e espiritual, em benefício de todos. E onde eu não posso chegar por meio dos meus esforços, fazei-o Vós com a plenitude da vossa própria misericórdia, para chegar a infundir a vossa misericórdia em todo o mundo, por todo o tempo e por toda a eternidade. Amém.

São Vicente Pallotti, rogai por nós.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quem foi São Vicente Pallotti


Apóstolo de Roma

D.: Hoje vamos conhecer a história de São Vicente Pallotti. Ele foi padre diocesano na cidade de Roma; nasceu no dia 21 de abril de 1795. Ainda muito jovem, demonstrou profundo amor à Eucaristia e à Maria Santíssima. Seus pais, Pedro Paulo e Maria Madalena, com sua fé contagiante, despertaram no menino o desejo de viver só para Deus. Todos os dias, a família reunia-se para rezar o santo rosário. Festejavam também, com muito carinho, as solenidades de nossa Senhora. Sua mãe, mulher santa e piedosa, tinha o costume de todas as tardes visitar o Santíssimo Sacramento e os altares dedicados a Nossa Senhora, nas Igrejas próximas de sua casa, no centro de Roma, e levava consigo o pequeno Vicente.
O frequente contato com a vida de oração e a escuta da Palavra de Deus, levou-o a ter um profundo zelo pelas coisas de Deus. Criou nele também, grande amor pela Igreja e pelos irmãos mais pobres e sofredores.
Ainda muito pequeno, quis dedicar sua vida ao serviço de Cristo, por meio da vida consagrada. Desejava ser franciscano, mas, por ser muito fraquinho, e pelo fato de os franciscanos fazerem muita penitência, foi aconselhado pelo seu diretor espiritual, Pe. Fazzini, a não ingressar na ordem franciscana. Por causa disso, aos 15 anos de idade, começou a receber formação para a vida diocesana. Em 1818, foi ordenado sacerdote na Basílica São João de Latrão.

D.: Pallotti sente Deus como alimento da sua alma e força para a missão:
T.: “Ah, meu Deus, então Vós sois o alimento da minha Alma! Assim, o Pai é o alimento da minha Alma, o Filho é o alimento da minha Alma, o Espírito Santo é o Alimento da minha Alma e DEUS todo é alimento da Alma... e todo Vós, meu Deus, eterno, infinito, imenso, incompreensível, sois o alimento da minha alma, e o sois sempre, de noite e de dia, a todo instante, e quereis que abramos sempre mais a boca da nossa alma, para alimentar-nos sempre mais” (OOCC XIII, 117).

D.: No seu contato com Deus através da oração e da meditação, descobriu que Deus é infinitamente misericordioso. Ele “realiza a obra da criação para comunicar todo a si mesmo às suas criaturas”. Por isso exclama: “Meu Deus, Misericórdia minha infinita. Eterno, Imenso, Incompreensível, só e único infinito, infinitamente Comunicável” (OOCC X, 513). Esta comunicabilidade divina constitui uma força explosiva na espiritualidade do Fundador.
T.: O desejo de estar com Deus é o que moveu toda sua existência, santidade pessoal e o modo de compreender e viver a Igreja.

D.: Extasiado diante do amor infinito de Deus, rezava: “Deus meu, não o intelecto, mas Deus... Deus em tudo e sempre” (OOCC X, 247-248). Este olhar se estende também aos outros: “Eu vos olho em Deus, trato convosco em Deus, abraço-vos e saúdo-vos em Deus, amo-vos em Deus e em Deus encontro-me sempre convosco unido em todas as vossas obras, para estarmos todos juntos reunidos em Deus, no Reino dos céus, para cantar eternamente as divinas misericórdias” (OCL III, 245).
Leitura bíblica: Ler a experiência de Deus dos profetas Isaías (6,1-13) ou Jeremias (1,4-10) e confrontá-las com a de Pallotti.
Oração para pedir mais operários para a vinha do Senhor.

D.: Pai Eterno, pela vossa infinita misericórdia e pelos merecimentos infinitos de Jesus Cristo, vosso Filho, fazei que todos os seres humanos Vos conheçam e vos amem, pois quereis que todos se salvem. Pelos sacrossantos mistérios da redenção humana:
T.: Mandai, Senhor, operários para a vossa messe e tende piedade de vosso povo.

D.: Eterno Verbo Encarnado, Redentor da humanidade, convertei os seres humanos todos a vós. Pela salvação deles, fostes obediente ate à morte na cruz. Pelos merecimentos e intercessão de vossa Mãe Santíssima e de todos anjos e santos:
T: Mandai, Senhor, operários para a vossa messe e tende piedade de vosso povo.

D: Espírito Divino, pelos merecimentos infinitos da paixão e morte de Jesus, difundi em todos os corações vossa ardentíssima caridade, assim haverá um só rebanho e um só Pastor. Rainha dos Apóstolos e vós todos os anjos e santos, rogai ao Senhor da seara:
T: que mande operários para a sua messe e tenha piedade de seu povo. Para que todos possamos gozar com Ele, o Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos. Amém.

Oração para obter misericórdia.
Meu Jesus, minha infinita, imensa, incompreensível misericórdia.
Vós me dais a vossa própria misericórdia e me transformais em vossa misericórdia e fazei que a minha vida seja uma vida toda de obras de misericórdia corporal e espiritual, em benefício de todos. E onde eu não posso chegar por meio dos meus esforços, fazei-o Vós com a plenitude da vossa própria misericórdia, para chegar a infundir a vossa misericórdia em todo o mundo, por todo o tempo e por toda a eternidade. Amém.

São Vicente Pallotti, rogai por nós.

domingo, 26 de julho de 2009

Rezar com o jeito de Pallotti.


Queremos, nesta reflexão, descobrir a ação de Deus em nossa vida.
Cantar: Deus está aqui, aleluia, tão certo como o ar que eu respiro. Tão certo como o amanhã que se levanta. Tão certo como eu te falo e Tu podes me ouvir.
D.: A experiência de Deus feita pelos nossos antepassados levou-os a perceberem que Ele se interessa pelo seu povo, não importando à qual nação ele pertença (At 10,34-36). O Antigo Testamento, ao falar do servo sofredor, ou seja, do enviado de Deus ao mundo para transformar as realidades onde não há luz, mas trevas, mostra-nos que Deus sempre se preocupa com as pessoas. Ainda hoje, Ele se preocupa com a minha vida e a da minha família, pois fomos feitos à sua imagem e semelhança. A imagem de Deus não pode ser deformada:
T.: Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão. Eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas (Is 42,6-7).
D.: Isaías continua refletindo sobre o que agrada a Deus e o que leva o ser humano a progredir na fé. Para o profeta, é na simplicidade da vida do dia-a-dia que Deus se manifesta a nós. Junto dele, podemos experimentar o seu amor misericordioso para conosco. Portanto, o que mais agrada a Deus é o nosso gesto de abertura a ele e também quando partilhamos o que temos, com nossos irmãos, principalmente aos que estão mais necessitados.
Leitura bíblica: Ouçamos o que Isaías diz a respeito das orações e jejuns que agradam a Deus (Is 58,5-11).
Partilha da Palavra de Deus: O que aprendi com a leitura? Como posso aplicar isso no meu dia-a-dia? Eu rezo em família? Eu tenho costume de ajudar as pessoas necessitadas?
São Vicente Pallotti descobriu Deus.
D.: Muitas pessoas pensam que os santos já nasceram canonizados. Aliás, a santidade não é privilégio para poucos, mas para todos aqueles que vivem os ensinamentos de Jesus. São Pedro, lembrando a passagem de Levítico, diz: “Sede santos, porque Eu sou santo” (1Pd 1,15-16). Se somos a imagem de Deus; se fomos batizados; se comungamos a eucaristia; se participamos da Igreja de Cristo, então a santidade já faz parte da nossa vida. Somos santos, quando fazemos o bem e quando transmitimos coisas boas para as pessoas e quando fugimos da tentação do pecado. Vivendo assim, nos tornamos sinais da presença de Deus no meio do povo e uma bênção para a família e para a comunidade. São Paulo, quando se dirigia para as comunidades por ele fundadas, dizia: “à comunidade dos santos” (1Ts 3,13; 2Cor 1,1).
D.: Pallotti sempre pediu a graça de ser santo, porém a santidade só foi conquistada, ouvindo a Palavra de Deus e contemplando a cruz de Cristo. Foi contemplando o Cristo ultrajado e ofendido, abandonado por nós, que viu a grandeza de Deus que não se esqueceu de nós, mesmo com as nossas misérias. Ele, ao assumir o rosto humano, tornou-se nosso irmão e nos fez herdeiros das suas riquezas.
T.: Diante da grandeza de Deus, Pallotti dizia: Meu Deus, amor infinito, como podeis enamorar-vos por mim? Meu Deus, perdoai-me por vos dizer isso. Vós vos enamorastes da miséria. Sim, Senhor, a vossa misericórdia olhou a nossa miséria, e para destruí-la, destes a verdadeira riqueza, o Senhor Jesus Cristo.
D.: O amor infinito deu-nos Cristo como irmão primogênito. Então não somos só imagens vivas de Deus. Somos seus filhos legítimos e herdeiros. A nossa herança é Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Por isso, alegremo-nos com ele (Jesus), nossa manifestação da glória.
T.: Senhor da glória, vós viestes para morar conosco, em nossos corações e em nossas famílias e comunidades. Ajudai-nos a ser perseverantes na fé e no desejo de ouvir a vossa Palavra, principalmente na comunidade, porque sois vós quem nos sustentais e nos animais nos momentos de fragilidades. Por isso, nos comprometemos em não vos abandonar, mas para isso precisamos da vossa graça e da vossa misericórdia. Amém.
D.: Estamos felizes, porque vocês vieram refletir a Palavra que Deus nos deixou para orientar nossas vidas e nossos caminhos. Somos fracos e sozinhos podemos desanimar com o peso da vida, e as dificuldades podem enfraquecer a nossa fé; mas juntos, em comunidade, podemos rezar uns pelos outros e, desta forma, implorar a Deus a sua clemência e a sua misericórdia. Por isso, vamos rezar a oração de São Vicente Pallotti, pedindo a misericórdia de Deus sobre nós e nossas famílias e para todas as pessoas do mundo que imploram pela paz.
Oração para obter misericórdia.
Meu Jesus, minha infinita, imensa, incompreensível misericórdia.
Vós me dais a vossa própria misericórdia e me transformais em vossa misericórdia e fazeis que a minha vida seja uma vida toda de obras de misericórdia corporal e espiritual, em benefício de todos. E onde eu não posso chegar por meio dos meus esforços, fazei-o Vós com a plenitude da vossa própria misericórdia, para chegar a infundir a vossa misericórdia em todo o mundo, por todo o tempo e por toda a eternidade. Amém.


São Vicente Pallotti, rogai por nós.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mensagem do Arcebispo de Londrina

Dom Orlando Brandes
VANTAGENS DO PERDÃO

Perdoar não é fácil, mas é o caminho mais eficaz para a convivência humana saudável e feliz. Nosso viver e conviver sobrevivem graças ao perdão que e uma atitude de amor incondicional, de compreensão, de misericórdia e de alta sabedoria.
Quem não perdoa é um perdedor. Perde de dois a zero porque frustra o relacionamento humano e carrega dentro de si o lixo da mágoa e amargura. Quem perdoa alcança o zero a zero, ou seja, restabelece a comunhão e expulsa o veneno do ressentimento. Terá saúde física, psicológica, social e espiritual. O perdão é remédio, cura, excelente terapia.
Quem não perdoa, não esquece o mal e sofre a doença da “compulsão da repetição”; vive sempre lembrando, repetindo, desabafando a dor interna. Por não perdoar irá sempre culpar alguém e vingar-se. Isso tudo aumenta o sofrimento e o desgaste físico. Perdoar é tirar a raiz da amargura.
Perdoar é compreender, desistir de julgar e de culpar os outros. Isto é possível quando reconhecemos que somos barro. Ninguém e infalível. Quando aceitamos nosso barro e o dos outros, conseguimos perdoar. Com o perdão conseguimos dar um novo significado ao fato que nos magoou, temos nova compreensão, novo olhar, novo sentimento sobre fatos e pessoas. O perdão muda a realidade porque é encontro com a verdade.
Perdoar é reatar o relacionamento rompido, e colocar-se nas mãos do outro, abdicar do julgamento pessoal. É um gesto de gratuidade no qual fazemos o dom de nós mesmos. Sem o perdão somos pesados, doentes, depressivos, agressivos, desumanos. Perdoar é reumanização de si.
A falta de perdão torna falsa e estéril a oração. O rancor, a mágoa, a ressentimento impedem a ação da graça. O sentimento negativo é uma energia venenosa que se transforma em doença, insônia, agressividade, imoralidade, alcoolismo, barulho, farra, etc. Muitos problemas da vida têm sua raiz na falta de perdão.
A magoa, o ressentimento, a amargura, são energias e sentimentos destrutivos.
Assim, quem não perdoa odeia a verdade, carrega veneno na alma, destrói o bem, afasta-se da caridade, vive no azedume e crítica, fere o coração, morre aos poucos, sente-se perdido. Só resta o vazio, a solidão e a algazarra para abafar o mal-estar interior.
As consequências negativas da falta de perdão são tão perigosas e destruidoras que a Bíblia aconselha a perdoar antes do par do sol. Não deixar para amanhã. Não ir dormir com raiva: “Não se ponha o sol sobre vossa ira” (Ef 4,26). Igualmente Jesus manda perdoar setenta vezes sete, isto é, sempre, imediatamente e de todo coração.O perdão é tão benéfico que deve ser dado incondicionalmente, totalmente, incansavelmente. Na oração do Pai Nosso, o perdão está ao lado do pão de cada dia. O perdão também é pão da vida, porque é o amor sem medidas, amor de mãe, amor misericordioso. É o perdão que possibilita a fraternidade e a boa qualidade do relacionamento humano.


Dom Orlando Brandes



A ARTE DA ORAÇÃO

Rezar é um ato natural, um capítulo da antropologia, exatamente porque o ser humano tem uma abertura congênita para o transcendente, o divino. Rezar é também um ato de justiça para com nossa alma, pois a oração é expressão do espírito, da alma, do coração. É também um ato de justiça em relação a Deus. “Nele somos, vivemos e existimos” (At 17,28).
A oração é antes de tudo terapêutica porque pacifica, unifica, ordena a vida, os pensamentos e os afetos. “Os efeitos da oração em nossa pessoa são mais visíveis que os das glândulas de secreção interna”, diz o prêmio Nobel da medicina (1922), Dr. Alexis Carrel, ateu convertido.
A arte da oração consiste em que o orante se comunica com Deus, com os outros e consigo mesmo e assim faz grandes descobertas, encontra soluções, recebe iluminações e muita força interior. K. Jung e V. Frankl são psicólogos que exaltam a importância e a eficácia da oração, sem a qual, as pessoas não se curam de suas neuroses. Eles sabem muito bem que a pessoa orante entra no nível alfa, freqüência profunda do cérebro humano.
Quem não reza está numa situação muito desconfortável e até incômoda, porque irá buscar alívio e sedativo no álcool, farras, drogas e sempre permanece vítima do vazio existencial e da solidão. Sempre justificará seus erros e fugas, tendo necessidade espontânea de ridicularizar quem reza, como se a oração fosse o “catecismo dos fracos e perdedores”. De fato, só os humildes e autênticos rezam:
É preciso rezar com fé. Acreditar no poder da oração. Rezar é estar com Deus e com os outros. Normalmente a oração verdadeira e profunda leva à compaixão, ao perdão, à solidariedade. O amor é fruto da oração. Rezar é um ato de amor e o amor é conseqüência da oração. Os santos, os místicos são sempre pessoas de paz, de fraternidade e de ação em favor dos pobres e pecadores. A oração é amor de amizade com Deus que nos leva ao amor-serviço para com os outros.
A oração é uma “alavanca que move o mundo” (Sta. Terezinha). De fato, quantas pessoas são vitoriosas frente a doenças, mágoas, decepções, injúrias. A oração as salvou. Quem reza se salva. A oração é uma ponte. A pessoa orante é fabricadora de pontes, é pontífice. Abatem-se os muros, constroem-se pontes, com a sabedoria da oração. Esta ponte, a oração, vai da terra ao céu e do coração do orante aos irmãos. A escalada da oração é exigente, requer perseverança. É um combate. A oração é muralha, é escudo, é proteção, é abrigo, é segurança. Quem reza está imunizado contra muitos males. A oração nos protege das tentações. Sem oração caímos na murmuração e abraçamos a tentação.
A oração é escola. O mestre interior é o Espírito Santo. Na escola da oração aprendemos a prática do bem, a beleza do perdão, a alegria da convivência, a esperança nas decepções. A oração nos faz discípulos, iluminados, sábios, humanos e verdadeiros. Moisés tinha o rosto iluminado após a oração. Irradiava o fulgor de Deus!
A oração enche o orante de audácia e coragem, de força e tenacidade, de luz e compaixão. Jesus não somente reza, mas, ensina a rezar, principalmente a perseverança na oração. Os primeiros cristãos eram “assíduos na oração” (At 2, 42). De fato, a oração é inspiração de cada momento, recolhimento do coração, recordação das maravilhas de Deus, é força para a luta cotidiana. Eis a arte da oração.
A oração é uma rendição diante de nossa insuficiência e da paternidade de Deus. A oração é a fala entre filhos(as) e Pai. Portanto, oração é questão de amizade; é encontro de duas consciências, duas intimidades, duas existências. Na oração acontece uma troca de olhares, de confidências, de interioridades. Rezar é um ato de amor, um ato afetivo que inflama o orante de amor a Deus e ao próximo.

Dom Orlando Brandes

A HUMILDADE DE DEUS

Deus é infinito, absoluto, perfeito e santo. Deus é amor. Por isso é humilde.
Sua primeira humildade está no ato da criação do homem. Permite existir um outro que em sua liberdade pode contrariá-lo, ofendê-lo, e dele discordar. Deus se contrai, se autolimita para que suas criaturas possam existir. É humildade de Deus acolher em seu mistério o outro diferente e livre. Deus aceita limitar o seu poder. Aceira ser ofendido, não correspondido, não amado.
É humildade de Deus, criar as coisas imperfeitas e aceitar a colaboração do homem como concriador, administrador e aperfeiçoador de sua obra. Deus mesmo obedece as leis da criação que são imperfeitas e incompletas, quase a depor contra Ele. Mas, prefere se autolimitar, autocontrair, sofrer as limitações das criaturas para deixá-las existir e permitir que o homem as conduza e explore. Quanto sofrimento e humildade de Deus, num terremoto, numa catástrofe natural, numa doença cuja cura ele sabe qual é, mas em sua humildade, espera a descoberta deste remédio pela inteligência humana. Deus não faz o que o homem pode e deve fazer. Em sua humildade Deus confia e espera no homem. Humilha-se para que as criaturas existam e possam seguir sua evolução natural. Tão humilde e sofredor é Deus, que não vive interferindo nas criaturas, como que fazendo milagre a todo instante. Em sua humildade, adapta-se aos estágios da evolução e em sua providência conduz a vida, a natureza, a história sem tirar-lhes a liberdade, a autonomia, o livre arbítrio.
Deus é humilde, sua paciência e misericórdia com o homem livre e pecador, não destruindo o mal, mas esperando na capacidade humana de ouvir a consciência e mudar de vida. Deus não destrói nem castiga o pecador, mas permite provações que serão benéficas no contexto. Deus é humilde ao escolher representantes seus, como é o caso de padres, bispos, religiosas, cheios de limitações e imperfeições. Ele não se envergonha de nossa fraqueza, ao lidar com pessoas defeituosas, limitadas, pecadoras. Deus é humilde, porque podia tudo resolver à força de milagres e com um sopro de sua boca, mas prefere adaptar-se as demoras das criaturas, respeitar as leis naturais e sofrer com os que sofrem porque os ama. Deus pode tudo mas não quer nos salvar contra nossa liberdade. O Onipotente, o Infinito aceita limitar seu poder. A virtude mais profunda da divindade é a humildade. Deus se abaixa, se inclina, é servidor do homem. Em sua humildade, ele bate à nossa porta e espera a resposta. Não arromba nem invade. Deus é mendigo do homem.
A humildade de Deus nós vemos estampada em Jesus, frágil da manjedoura.
Do mais alto céu, desceu ao lugar mais baixo, mais imundo. Da glória à estrebaria. Deus é humilde em Jesus pobre e peregrino, em Jesus no lava-pés e na cruz. Grande e o mistério da humildade de Deus. Porque é humilde, Deus é compassivo, misericordioso, benevolente, clemente, paciente. Na sua humildade reside sua majestade.
Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Conhecendo Roma

Roma, cidade natal do nosso santo. Nela nasceu, cresceu e exerceu seu apostolado.