Roma, cidade natal do nosso santo. Nela nasceu, cresceu e exerceu seu apostolado.
Na certeza de que com Deus tudo posso, criei este BLOG para que você conheça o pensamento e o carisma de S. vicente Pallotti, fundador da União do Apostolado Católico (UAC). Ele foi um dos primeiros, na Igreja, a dizer que todos os batizados são apóstolos de Jesus Cristo. Por isso, você também é convidado a viver intensamente a sua fé, fazendo muitas coisas na Igreja, conforme o seu estado de vida, para que o Cristo seja mais amado e seguido. O seu testemunho de fé é muito importante.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Secretariado Geral para a Formação
O Secretariado Geral para a Formação é um órgão auxiliar do Regime Geral. Este secretariado foi instituído pela Assembléia Geral de 1998 como resposta aos apelos da Santa Sé de iniciar nas comunidades de vida consagrada a experiência de elaborar um programa sistemático de formação para as pessoas que fazem parte da comunidade ou que virão pertencer à mesma
Após as experiências feitas e, em estreita relação com os escritos de São Vicente Pallotti, o Secretariado publicou a “Ratio Institutionis”, que contém um programa detalhado de formação e auto-educação para todos os candidatos e membros da Sociedade.
O Secretariado Geral para a Formação elabora e publica regularmente um boletim interno com o título de “Betlemme” no qual apresenta aspectos da espiritualidade palotina e subsídios para os encontros dos formadores.
Após as experiências feitas e, em estreita relação com os escritos de São Vicente Pallotti, o Secretariado publicou a “Ratio Institutionis”, que contém um programa detalhado de formação e auto-educação para todos os candidatos e membros da Sociedade.
O Secretariado Geral para a Formação elabora e publica regularmente um boletim interno com o título de “Betlemme” no qual apresenta aspectos da espiritualidade palotina e subsídios para os encontros dos formadores.
domingo, 24 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Do livro: Itinerário espiritual palotino - orações

Eucaristia: imagem incompreensível da misericórdia de Deus
D.: Pallotti sempre foi fascinado pela Eucaristia. Nela, ele contempla Deus que se torna alimento das almas das pessoas. O alimento eucarístico dos fiéis não está circunscrito à materialidade do corpo de Cristo, pois Ele é Deus, e o fiel é alimentado pelo Cristo total: corpo, sangue, alma e divindade.
A celebração Eucarística ocupou sempre o lugar central na vida de nosso fundador. Ele descobriu que nela não está somente a pessoa do Verbo encarnado, mas está presente também o Pai e o Espírito Santo.
No dia 09 de janeiro de 1835, após a santa missa, recebeu a grande inspiração de fundar a UAC. Ele tem plena consciência da sua pobreza, miséria e inutilidade, do seu nada e pecado. Reconhece ainda que é incapaz de receber tão grandioso dom.
Ele aclama a eucaristia como imagem incompreensível e infinita do amor e da misericórdia de Cristo e reconhece a sua indignidade diante de tão grande mistério. Por isso, reconhece-se como nada a ser preenchido pelo tudo que é Deus em sua compaixão e intitula-se como prodígio da misericórdia.
Propósitos
D.: Ao reconhecer sua limitação diante do infinito amor de Deus, Pallotti faz alguns propósitos capazes de viabilizar sua relação com Cristo eucarístico: comungar todos os dias até o fim da sua vida; fixar sua atenção na Eucaristia; aumentar os adoradores e os que participam da Eucaristia;
viver permanentemente em preparação, busca e ação de graças, participando nos infinitos mistérios da Eucaristia; desejar que a eucaristia opere nele.
D.: A vivência do mistério eucarístico o leva a uma configuração com Cristo, onde sua vida, suas atitudes, seu apostolado fosse a vida do próprio Cristo (Gl 2,20). Porém, essa perfeição só pode ser encontrada no Cenáculo.
T.: Através de seu exemplo, Pallotti impulsiona-nos a nutrir um profundo amor pela Eucaristia, fonte de graças e de bênçãos para todo apostolado.
D.: “Somos marcados nas mãos de Deus” (Is 49,16). “Antes do nascimento, já te havia consagrado” (Jr 1,5). Pallotti também tinha plena consciência de que fora marcado e conduzido por Deus.
T.: Marcado pela ação divina, Pallotti tinha dentro de si um grande desejo de praticar as virtudes próprias dos assinalados por Deus, por isso queria viver a obediência e a fidelidade vivida por Maria Santíssima, a Serva fiel.
D.: Dizia ele: “Expresso o desejo do meu coração de partilhar solidário, com Jesus e Maria, todas as dores mentais e sensíveis de toda e tão sofrida vida deles”.
Entrega do coração a Jesus por Maria.
D.: Imaculada Mãe de Deus, Rainha do céu, Mãe de misericórdia, advogada e refúgio dos pobres pecadores, eis-me aqui, iluminado e confortado pelas graças que tu, com carinho materno, copiosamente, me alcançaste do tesouro da divindade.
T.: Eu tomei a decisão de depositar em tuas mãos o meu coração, por agora e para sempre, para consagrá-lo totalmente a Jesus. E tu, em meu nome, consagra-o a Jesus. Estou certo de que tu, agora e sempre farás quanto puderes, para que o meu coração seja sempre todo de Jesus, na mais perfeita imitação dos santos, especialmente do teu esposo são José.
D.: Estou certo de que me alcançarás todas as graças para imitar a ti e a teu Filho Jesus. E, como demonstração da minha confiança, agora e sempre e de toda forma possível que agrade a Santíssima Trindade.
T.: Meu Deus, sou indigno de ter o dom de um amor perfeito para com a Imaculada Mãe Maria, mas tu mo concedes pelos méritos de Jesus e de Maria (amor de Filho e mãe). Quero amá-la com o amor com que amas Tu, ó divino Filho, com o amor com que amas Tu, ó Espírito Santo (amor de esposo e esposa). Tudo isto, por todos os fins possíveis que agradem a ti, meu Deus.
D.: Maria é o caminho para chegar a Jesus, porém toda sua vida foi dedicada ao apostolado de Jesus, o apóstolo do Pai.
Propósitos e aspirações - (n. 34)
D.: Eles não têm mais vinho (Jo 2,3). Pallotti viu o vinho da esperança e da alegria. Olha para a humanidade com olhar terno de quem não perde a esperança e a confiança em Deus.
L.: Vejo ou ouço falar em pessoas aflitas, angustiadas, atribuladas, cansadas, carregadas de pesos e fadigas, como, por exemplo, os fazedores de chaves, lavradores, carroceiros, pedreiros, carpinteiros, pobres mulheres aflitas por causa dos filhos, pelas noites em que não dormem porque, eles mesmos estão doentes ou inquietos, devendo então velar por eles, amamentá-los, fazê-los dormir. Conheço as grandes aflições por que passam tantas pobres famílias, as discórdias entre os esposos, as brigas entre irmãos e irmãs, entre parentes, entre empregados e amigos, a opressão de tantas pobres moças expostas ao perigo de perderem a santa honestidade, a opressão das crianças, das viúvas desoladas e de tantas misérias que afligem a humanidade, se eu mesmo ou uma outra pessoa pudesse penetrar em todos os ângulos da terra e enxergar de uma só vez as misérias que atribulam a pobre humanidade. Acredito firmemente que o coração humano não suportaria semelhante visão, mas todos morreríamos de dor. Considerando isso tudo, procurarei levar-me a uma viva compaixão com essas criaturas e dar-lhes auxílio, segundo a norma da piedade cristã e da santa prudência. Procurarei consolá-las em suas aflições, exortá-las à paciência e resignação, fazendo com que vejam que é curto o sofrimento e eterna a alegria. Mas visto que por causa da minha miséria muito aumentada pela minha impiedade é impossível que eu consiga realizar tudo o que desejo, colocarei a causa nas mãos de nossa comum advogada e Mãe Maria Santíssima que a todos nós inspira amor, e, nas mãos dos nossos protetores, os anjos e os santos; tenho certeza de que o Senhor fará suceder o que for bom para a sua maior e verdadeira glória e para benefício das almas.
D.: Leitura bíblica: (Ex 3,1-14). O olhar e a oração de Pallotti é sempre universal. Ele reza pela humanidade e com a humanidade. Sabe que suas forças são limitadas e por isso pede a Maria que interceda pelas necessidades do mundo. Diante dessa realidade, lança-se, sem medo, com um projeto de vida para toda a humanidade. Ele tem o desafio de não se cansar nunca, por isso conta com a colaboração de todos. Cada um deve fazer um pouquinho, e o pouco com Deus pode transformar o mundo.
D.: Refletir: comparar a leitura bíblica com o texto de Pallotti.
Oração para obter misericórdia
Meu Jesus, minha infinita, imensa, incompreensível misericórdia.
Vós me dais a vossa própria misericórdia e me transformais em vossa misericórdia e fazeis que a minha vida seja uma vida toda de obras de misericórdia corporal e espiritual, em benefício de todos. E onde eu não posso chegar por meio dos meus esforços, fazei-o Vós com a plenitude da vossa própria misericórdia, para chegar a infundir a vossa misericórdia em todo o mundo, por todo o tempo e por toda a eternidade. Amém.
São Vicente Pallotti, rogai por nós.
D.: Bendigamos ao Senhor. T.: Graças a Deus.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Do livro: Itinerário espiritual palotino - Orações
“Ave, cheia de Graça”.
D.: Maria foi preparada por Deus, para ser a Mãe do seu Filho. Como Eva foi seduzida pela conversa de um anjo decaído e afastou-se de Deus, desobedecendo à sua palavra, Maria recebeu a boa-nova pela anunciação de outro anjo celeste e mereceu trazer Deus em seu seio, obedecendo à sua palavra.
L1.: Quando chegou à plenitude dos tempos, fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza humana para reconciliá-la com o seu Criador, de modo que o demônio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que antes vencera.
L2. Quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma Lei, a fim de remir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus (Gl 4,4-7).
T.: Vicente Pallotti, ao falar da maternidade de Maria, diz: “A minha boa Mãe foi abençoada e enriquecida por Deus, inclusive com atrozes sofrimentos que parecia viver crucifixa. Ela que sempre venerou as chagas de Jesus, no final de sua vida, parece ter tido sempre mais a graça da crucifixão” (OOCC XIII, 929).
L3.: Eis porque, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a Deus nas alturas, e anunciam: Paz na terra aos seres humanos de boa vontade (Lc 2,14).
T.: Demos graças a Deus Pai, por seu Filho, no Espírito Santo, pois, na imensa misericórdia com que nos amou, compadeceu-se de nós. E, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, Ele nos deu a vida com Cristo (Ef 2,5), para que fôssemos Nele uma nova criação, nova obra de suas mãos.
D.: Maria ocupa um lugar muito importante na obra e na doutrina de Vicente Pallotti. Para ele, Maria é a cheia de Graça, a filha predileta do Eterno Pai, a Mãe que Deus Filho escolheu entre todas as mulheres, para tornar-se homem, a Esposa única na qual o Espírito Santo infundiu a mais pura virgindade e exuberante maternidade. Nenhuma criatura, pela sua pessoal excelência, pode ser amada e honrada como foi amada e honrada Maria, porque ela foi infinitamente amada e honrada por Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Deus criou o ser humano à sua imagem e Maria, Mãe de Jesus, fez Deus à sua imagem. Não existe uma criatura comparável a ela, porque sua beleza é irrepetível. Por esta admirável excelência, Maria merece admiração, louvor, amor, mais do que todas as coisas criadas. Maria é também a corredentora[1].
T.: O sangue derramado de Cristo é o sangue de Maria; a carne de Jesus, flagelada e coroada de espinhos, seus membros perfurados pelos pregos e lança, são a carne de Maria. Maria aceitou a profecia de Simeão que anunciou tais sofrimentos com o símbolo da espada que traspassou seu coração. Esta Senhora bendita foi constituída por Jesus, no momento mais solene da redenção, Mãe do novo povo de Deus[2].
L4.: Pallotti queria também que seus seguidores tivessem um profundo amor e devoção à Mãe de Deus, que todos fossem fervorosíssimos apóstolos de Maria, transformados em Maria, de sorte que, depois de Jesus Cristo, o seu coração, os seus movimentos internos, as suas palavras e os seus olhares, seus passos e ações fossem de Maria, porque um verdadeiro devoto de Maria não só se salvará, como se tornará grande santo (OOCC V, 447).
T.: Gostaria que todas as criaturas respeitassem e venerassem profundamente os nomes de Jesus e de Maria (OOCC X, 99).
Reflexão bíblica: (Lc 2,16-21) – Todos os que ouviram os pastores, ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.
D.: Continuemos nossa oração, ouvindo os conselhos de Maria, conforme os escritos de Pallotti, no seu livro Mês de maio para leigos.
L5.: Filho, é do teu agrado ser chamado filho de Deus, eterno, imenso, amor infinito? Ou preferes renunciar esta filiação? Sabe que, cada vez que pecaste e foste rebelde ao Pai Celeste, renegaste a paternidade divina.
L6.: Com afeto materno, peço-te para refletires que ser chamado filho de Deus te dá o direito de herdeiro. É verdadeiro direito e tem tanta força que, mesmo sendo Onipotente, Deus não pode tirar esse direito, se tu não o renuncias por um ato livre da tua vontade que se denomina pecado, pois assim determinou Deus misericordioso em seus decretos, motivado pelo amor infinito que tem para com as pessoas redimidas pelo sangue do Cordeiro Imaculado.
D.: Mas, se queres consolar tua Mãe, filho, contempla o meu divino Filho. Eis Jesus Cristo: “Santo, Inocente, Imaculado, segregado dos pecadores e elevado acima dos céus” (Hb 7,26), figura e imagem viva e perfeita da substância do Pai. Quero saber se desejas tê-Lo por teu irmão primogênito (Rm 8,29), de modo a poderes dizer com toda fé: Creio em Jesus, Verbo Encarnado, Redentor do mundo. Filho de Maria é meu irmão! Gostarias de ter Jesus como teu irmão primogênito? E ser com Ele herdeiro de Deus Pai? Pois sabe, para teu consolo e salvação, que o título de filho de Deus comunica não apenas o direito de possuir Deus, mas te faz coerdeiro de meu divino Filho, Jesus Cristo (Rm 8,17). Logo, como filho de Deus, és também elevado à sublime honra de irmão do divino Verbo Encarnado, com o qual poderás gozar por toda a eternidade da suprema herança: Deus[3].
Pai-Nosso, Ave-Maria
Oração
Ó Deus, que, pela virgindade fecunda de Maria, destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
Bênção final
Que o Senhor nos abençoe, guarde-nos de todo mal e conduza-nos à vida eterna. Amém.
[1] DE ALMEIDA, Valdeci Antonio, op. cit., p. 135.
[2] Ibidem, p. 135. OOCC XIII, 725.
[3] PALLOTTI, Vicente. Mês de maio para leigos. Santa Maria: Biblos, 2ª Edição, 2008, p. 57-58.
Da Revista: Apostolato Cattolico - Roma

SÃO PAULO APÓSTOLO NOS ESCRITOS DE SÃO VICENTE PALLOTTI
Jan Kupka SAC
Diretor do Instituto São Vincente Pallotti, Roma
Roma, 7 fevereiro de 2008
PREMISSA
São Paulo foi um grande missionário. O Senhor o escolheu para levar o Evangelho até os confins da terra, para pregar a boa notícia da salvação a todas as pessoas. A vocação de Saulo e a vida de Paulo representam uma graça para a Igreja. Até hoje está nas mãos de Deus, um instrumento de salvação para todos os seres humanos, segundo as palavras do Senhor dirigidas a Ananias, em Damasco: “Este homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel” (At 9, 15). Os dotes humanos e espirituais de são Paulo tornaram-se fontes de inspiração para toda atividade missionária e apostólica.
São Vicente Pallotti tinha muito orgulho de viver na cidade de Roma, porque, nela, o apóstolo Paulo pregou o Evangelho da Salvação. Os relatos sobre a vida e o martírio sofrido por Paulo em Roma, juntamente com tantos homens e mulheres, durante a perseguição ocorrida entre os anos 60 e 70 do primeiro século da era cristã, permaneceram sempre vivos na história romana, como no coração de são Vicente Pallotti. Isso pode ser confirmado por alguns fatos, sobretudo pelos escritos do nosso Santo, como veremos ao longo desta reflexão.
1. São Paulo na vida de Pallotti
Uma pesquisa sobre a biografia de são Vicente Pallotti descobriu elementos em sua vida que contribuíram para o seu fascínio à figura espiritual de são Paulo apóstolo. Isso leva a crer que alguns acontecimentos de seu tempo colocaram uma forte evidência à pessoa de são Paulo. Podem-se elencar os seguintes fatos:
1.1 A festa de São Paulo
Havia em Roma uma longa tradição de celebrar duas festas dedicadas a são Paulo apóstolo. A primeira era a Comemoração de são Paulo, celebrada no dia 30 de junho. Foi instituída pelo Papa são Gregório I, em 590, separando-a da festa comum dos santos apóstolos Pedro e Paulo, que se celebrava no dia anterior, 29 de junho. A razão dessa divisão foi porque havia duas Basílicas um tanto distantes uma da outra.
A segunda festa era a Conversão de são Paulo, celebrada no dia 25 de janeiro, criada pelo Papa Inocêncio III, em 1198, para agradecer a Deus pela prodigiosa conversão do apóstolo e para propor aos fiéis um exemplo da eficácia da graça de Jesus Cristo.
Ao longo dos séculos, porém, a festa da Comemoração de são Paulo ficou unida àquela do dia 29 de junho, na qual se celebra os santos Pedro e Paulo, príncipe dos apóstolos e modelo de vida cristã. O costume de celebrar juntos os dois grandes apóstolos Pedro e Paulo, no dia 29 de junho, foi divulgado desde o tempo de Gregório XVI.
No tempo de Pallotti existia também a tradição de venerar são Paulo com duas festas, 25 de janeiro a Conversão de são Paulo e 30 de junho a comemoração de são Paulo apóstolo. Estas duas festas eram, sem dúvida, a ocasião propícia para meditar sobre a vida do grande apóstolo dos gentios e sobre sua atividade apostólica.
Os textos de Pallotti deixam transparecer a sua predileção pela festa da Conversão de são Paulo, celebrada no dia 25 de janeiro. “No regulamento da Pia Casa de Caridade de Roma”, Pallotti estabeleceu que, no dia da Conversão de são Paulo, o presidente dos procuradores devia convidá-los todos para uma conferência, para despertar neles o espírito de caridade e de zelo, como também para torná-los mais ativos.
Isto pode ser confirmado por uma carta, escrita no dia 25 de janeiro de 1848, a um religioso de Piacenza, Giovanni Battista, com os seguintes dizeres: “Roma, Santos Retiros de São Salvador in Onda, 25 de janeiro de 1848, dia da Conversão de são Paulo apóstolo. Reze pela minha conversão e do mundo inteiro.
Pallotti menciona também, em seus escritos, a festa da Comemoração de são Paulo, celebrada no dia 30 de junho. No texto “Na minha morte”, escreve: “No dia da festa dos gloriosos Príncipes dos Apóstolos, após ter confessado ao longo da manhã da dita solenidade, ao sair de casa para realizar a uma obra de caridade, por várias vezes, escarrei sangue; o mesmo aconteceu no dia seguinte, na Comemoração do Apóstolo dos Gentios, são Paulo, era um domingo”.
Neste breve texto, Pallotti fala da sua doença e, ao mesmo tempo, sublinha que o fato aconteceu no dia da Comemoração de são Paulo (domingo, 30 de junho de 1839). De fato, conferindo o calendário do referido ano e mês, as informações correspondem: Domingo 30 de junho de 1839, dia da Comemoração de são Paulo e também em 1840, terça-feira, 30 de junho, Comemoração de são Paulo apóstolo.
1.1 A Basílica de são Paulo fora dos muros
A figura de são Paulo, apóstolo dos gentios, era conhecida de Pallotti por meio da Basílica de são Paulo fora dos muros. Nela, tudo fala de são Paulo, tudo concorre para a glorificação da sua prodigiosa vida e atividade missionária e apostólica.
Alguns acontecimentos, no tempo de Pallotti, despertaram nas pessoas um grande interesse pela Basílica de são Paulo. Primeiro foi o grande incêndio ocorrido na noite entre 15 e 16 de julho de 1823, que suscitou uma grande consternação, não somente ao povo romano, mas em todo o mundo cristão. Pallotti não podia estar alheio à mobilização de todos para a reconstrução daquela esplendida Basílica.
O Papa Leão XIII, em 1825, por ocasião do Ano Santo, convocou o mundo católico para ajudar na reconstrução da mesma. Gregório XVI, em 1840, reabriu uma das naves da Basílica para o culto e, em 1854, o Papa Pio IX consagrou-a novamente.
O vínculo de Pallotti, com a Basílica de são Paulo, fica evidenciado pelos contatos com os monges beneditinos daquele tempo. Isso pode ser confirmado pela avaliação do opúsculo de Pallotti sobre o apostolado católico, escrito em 1836, pelo Procurador Geral dos beneditinos, Vicenzo Bini. O próprio Pallotti o menciona expressamente na súplica aos cardeais da Propaganda Fide.
1.2 Pia União de São Paulo
O conhecimento da figura de são Paulo apóstolo contribuiu para que Pallotti tivesse contato e participasse das atividades da Pia União de São Paulo Apóstolo, iniciada em Roma em 1790, canonicamente aprovada no dia 17 de maio de 1797. A Pia União de São Paulo promovia a formação espiritual do clero romano e organizava as atividades apostólicas e pastorais.
Vicente Pallotti conheceu as atividades da Pia União de São Paulo, quando era estudante na Universidade Sapienza, já que o atendimento espiritual dos estudantes era da responsabilidade dos sacerdotes da referida União. Tornando-se membro desta Pia União, podia participar das conferências sobre moral, que acontecia a cada quinze dias, na Igreja de Santa Maria da Paz, na Igreja da Universidade Romana e na Igreja de Santo Apolinário.
Os sacerdotes membros da Pia União de São Paulo distinguiam-se, em Roma, pela sua espiritualidade e empenho apostólico. O próprio Vicente Pallotti entusiasmou-se com aquela espiritualidade, encontrando nela seu impulso e zelo apostólico nas muitas obras de caridade cristã. Procurou envolver também seus colaboradores nesta obra e tornou-se seu divulgador.
Entre os livros conservados no quarto de são Vicente Pallotti, encontra-se um opúsculo intitulado: “Pia União de São Paulo Apóstolo, ou seja, Congregação dos Operários Evangélicos que, sob a invocação do glorioso são Paulo e sob a proteção de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos, instituiu-se na Diocese de Senigallia, no ano de 1844”.
É interessante notar, no título, a típica expressão de Pallotti: “Sob a proteção de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos”.
Nos outros opúsculos impressos por esta Pia União, não se encontra esta invocação. O pensamento paulino aparece fortemente nos artigos 16 deste opúsculo, no qual se fala do espírito dos operários evangélicos. Eles devem estar unidos por meio de uma caridade doce, paciente e universal, procurando sempre e unicamente a glória de Deus e a salvação das almas.
2. A literatura sobre são Paulo, no tempo de Pallotti
2.1 Os textos bíblicos e patrísticos
Uma pesquisa não aprofundada dos escritos de Pallotti mostra o uso frequente de textos bíblicos. Isso faz acreditar que Pallotti tinha bastante familiaridade com a Sagrada Escritura, desde o início dos seus estudos teológicos. Normalmente as citações bíblicas encontradas em seus escritos são da Bíblia Vulgata, em latim.
Nos seus apontamentos espirituais de 1816, nos seus propósitos antes do sacerdócio, existem oito citações dos Evangelhos: cinco de Mateus, três de Lucas, duas de são Paulo, uma dos Salmos e uma do Cântico dos Cânticos. O texto que segue nota-se que é de são Paulo: “Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13).
O responsável pelos escritos de são Vicente Pallotti, na edição das Obras Completas, Pe. Francesco Moccia SAC, faz a seguinte indagação: “Quais foram os livros bíblicos que Pallotti mais gostava”? e ele próprio responde: “basta olhar no índice analítico os nomes dos escritores sagrados, frequentemente citados por ele. É claro que essas citações são importantes para os católicos de todos os tempos”.
Nas obras Completas de Vicente Pallotti encontram-se mais de duzentos textos de são Paulo apóstolo. Pallotti além de comentar alguns textos paulinos, ele os utiliza para seu caminho espiritual e para a orientação espiritual das pessoas. Em seus escritos faz sempre referência às cartas de Paulo, com a seguinte expressão: “como diz são Paulo apóstolo”.
Dentre as citações bíblicas apresentadas, os textos de são Paulo ocupam um lugar privilegiado. Para exemplificar melhor, gostaria de evidenciar dois fatores que levaram Pallotti a dar muita importância aos ensinamentos paulinos.
O primeiro são as indicações de Pallotti sobre as regras e o método a ser observado nos congressos e nas consultas. Toda reunião deverá começar, segundo ele, com a oração ao Espírito Santo e à Maria Rainha dos Apóstolos. Em seguida, ao toque da campainha, todos devem ficar de pé, em silêncio e com muita devoção, como se escutassem o Apóstolo são Paulo, ler-se-á o capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios, traduzida na própria língua e que contenha as necessidades da caridade”. Para maior compreensão, Pallotti pede que seja lido o texto em italiano (nel nostro volgare), não em latim, mas no italiano corrente.
Outro exemplo para mostrar a importância dos textos de Paulo, é a recomendação feita por Pallotti aos seminaristas da Congregação: “No início do primeiro ano de filosofia até todo o curso da sagrada teologia devem decorar das Epístolas de são Paulo cerca de vinte e cinco versículos por semana, e os recitarão na sala de aula, expondo a história do Antigo e do Novo Testamento”.
Seria possível, hoje, decorar todas as Cartas de são Paulo? Seria conveniente essa recomendação em nossos dias? Provavelmente Pallotti conhecia de cor, em latim, os textos de são Paulo, porque suas citações, nem sempre são precisas, em seus escritos.
Além da referência da Sagrada Escritura, com seus comentários, Pallotti mostra grande conhecimento da patrística em suas citações. Isso significa que ele conhecia bem os padres da Igreja e as obras publicadas em sua época. A prova disso está no texto em que Pallotti expõe o significado das palavras de são Paulo na Carta aos Romanos: “Eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e de sangue” (Rm 9,3). Após essa citação, Pallotti escreve: “Cornelio van den Steen, no capítulo 9 da carta aos Romanos nos refere que Teodoreto, Ecumenio, Anselmo, Teofilatto, Soto, Catarino, Cassiano e João Crisóstomo explicam o subdividido passo do dito Apóstolo, fazendo ver que são Paulo não queria nem a maldição de Deus, nem a sua inimizade, mas que o submetesse a qualquer pena ou sofrimento, ainda que sofresse eternamente no inferno, sem, porém, perder por sua própria culpa a amizade de Deus, para salvar os seus irmãos”.
Neste breve texto, é possível ver referência de vários autores, porém o preferido do santo para descrever o retrato espiritual de são Paulo é são João Crisóstomo: “São João Crióstomo, falando do espírito de são Paulo, desejoso também dos sofrimentos por amor de Jesus Cristo, diz: como uma chuva de granizo que cai sobre ele, é como se estivesse no paraíso”.
Diante disso, quero acrescentar que são João Crisóstomo distinguiu-se pela sua entusiástica admiração pelo apóstolo Paulo, do qual comentou todo o epistolário, quase sempre sob a forma de homilia.
2.2 Os livros históricos e teológicos
No tempo de são Vicente Pallotti, recomendava-se muito a leitura espiritual, e ele tirou proveito dos livros para a sua formação no campo espiritual. Folhando seus escritos, nota-se muitas referências bibliográficas de santos, documentos eclesiásticos, livros filosóficos e teológicos. As obras mais citadas eram os dicionários históricos e teológicos. E sobre são Paulo apóstolo, merece destaque dois dicionários.
O primeiro dicionário é de Gaetano Moroni, autor do famoso dicionário de erudição histórica, em 103 volumes, publicados entre os anos 1840 a1861. Gaetano Moroni nasceu em 1802, em Roma, na paróquia de santo Apolinário. Em 1831, o Papa Gregório XVI nomeou-o seu primeiro colaborador. Morreu em Roma, em 1883, e foi sepultado no Campo Verano, na capela da Arquiconfraria do Preciosíssimo Sangue. Segundo dados históricos, confirmam-se que Pallotti conhecia-o pessoalmente, pois, no arquivo do Instituto São Vicente Pallotti, conservam-se duas cartas escritas a Gaetano Moroni. Por isso, podemos dizer que Pallotti conhecia seu pensamento historiográfico.
No volume 51 do seu dicionário, Gaetano Moroni inseriu um artigo sobre são Paulo apóstolo, a quem dedicou dez páginas. Ele fez uma descrição detalhada da vida e do apostolado de são Paulo, com referências dos padres da Igreja e pesquisas daquele tempo. Entre tantas coisas, lemos: “São Paulo, como Barnabé e Matias, embora não tivessem feito parte dos doze apóstolos, escolhidos por Jesus, receberam este título e foram agregados ao Colégio Apostólico, porque o próprio Jesus Cristo chamou-os de modo particular, por terem propagado o cristianismo como os demais apóstolos.
Outro dicionário é o do famoso teólogo francês Nicolau Silvestre Bergier (1765-1791), autor do dicionário enciclopédico de teologia e da história da Igreja, publicado em língua italiana, em 17 volumes, nos anos de 1820 a 1822. Ele era teólogo de vanguarda naquele tempo, e pertencia ao grupo de teólogos progressistas. Pallotti também conhecia esse dicionário, pois faz referência dele em seus escritos, quando explica seu conceito de apostolado.
A curiosidade nos leva a ver o que Bergier escreveu sobre são Paulo em seu dicionário. Vejamos: “São Paulo não era uma pessoa emocionalmente fraca, nem um visionário. Os escritos e as reflexões sobre ele, sobre sua conduta provam o contrário; nem mesmo seus opositores tiveram a coragem de negar sua capacidade, estudo e talentos. Por qual aspecto você olhar, deve admitir, nele, uma miraculosa mudança”.
O livro espiritual favorito de são Vicente Pallotti era a Mística Cidade de Deus, da mística espanhola Maria de Agreda. Nos seus escritos encontram-se referências do livro desde 1816 a 1849. Ele queria que este livro fosse colocado na mesa, no momento de sua morte. A predileção de Pallotti pela conversão de são Paulo e pela sua atividade apostólica, parece ter sido tirada deste livro.
Maria de Agreda descreve que Maria Santíssima, ao ver Paulo perseguir a Igreja, rezou insistentemente a Deus para sua conversão. O Senhor disse-lhe: “Minha Mãe, eleita entre todas as criaturas, faça-se a sua vontade sem demora, eu farei com Saulo tudo aquilo que pedir, e farei que ele, de imediato, torne-se defensor da minha Igreja, a qual persegue e o farei dele pregador da minha glória e do meu santo Nome. Eis que o receberei amigavelmente com a minha graça”. Estas palavras parecem tocar profundamente Pallotti, conhecendo sua devoção à Maria.
3. O retrato espiritual de são Paulo nos escritos de Pallotti
As notícias sobre são Paulo apóstolo, na história de Roma, e na literatura no tempo de são Vicente Pallotti, permitem compreender melhor o retrato espiritual deste grande apóstolo que emerge dos escritos do nosso santo. Daí surgem as perguntas: Que imagem Pallotti tinha, diante de si, do apóstolo Paulo? Que aspectos espirituais de são Paulo emergem dos seus escritos? Uma pesquisa dos textos de Pallotti permite individuar os seguintes pontos da figura de são Paulo:
3.1 São Paulo, homem que conhece a si mesmo
São Vicente Pallotti via são Paulo como homem que conhecia bem a si mesmo. São Paulo afirma frequentemente, em suas cartas, que foi um grande pecador, porque perseguia com firmeza os discípulos de Cristo e a sua Igreja. Confessava com humildade as suas debilidades e suas enfermidades. Pallotti discorria sobre o traço espiritual de são Paulo, usando as palavras do próprio Apóstolo: “Quanto a esse homem, eu me gabarei; mas quanto a mim, só vou gabar-me das minhas fraquezas. Ele, porém, respondeu-me: Para você basta a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder. Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim” (2Cor 12,5.9). São Paulo considerava o conhecimento do próprio limite e da própria enfermidade como fraqueza da natureza, por isso deixava agir em si a graça de Deus.
Pallotti utilizava este aspecto espiritual de são Paulo para analisar seus próprios defeitos e dos outros. A isso damos o nome, hoje, de correção fraterna. Pallotti escreve: “Aquele que for advertido, assim que ouvir seu nome, deve colocar-se de joelhos, com grande humildade, e recordando que são Paulo alegrava-se porque conhecia suas fraquezas. Essa condição lhe era útil para, cada vez mais, humilhar-se para estar sempre cheio da virtude de Jesus Cristo”.
3.2 São Paulo amava a Deus e às pessoas
São Vicente Pallotti admirava em são Paulo o seu amor apaixonado por Deus e pelas pessoas. Após a sua conversão, Paulo não perdeu seu caráter violento e impetuoso, mas colocou tudo à serviço de Cristo e do Evangelho. Ele procurava uma só coisa, o amor de Jesus. O amor de Cristo para ele era a única força que o impulsionava a dedicar-se aos outros.
Pallotti exaltava, em são Paulo, a caridade apostólica e acolhia com coração aberto as suas palavras: “Vivam no amor, assim como Cristo nos amou e se entregou a Deus por nós, como oferta e vítima, como perfume agradável” (Ef 5,2).
Para Pallotti, Paulo foi um exemplo de caridade, pois amou até seus perseguidores. Grande também era sua solicitude pastoral junto aos pagãos, ainda que fossem pecadores e necessitados de correção. Tornou-se verdadeiro pai para todas as pessoas, como mostra a carta aos Gálatas: “Meus filhos, sofro novamente como dores de parto, até que Cristo esteja formado em vocês” (Gal 4,19).
3.3 São Paulo, homem de grande zelo e coragem
São Vicente Pallotti admirava, em são Paulo, seu ardor apostólico e a coragem com que enfrentou todo tipo de prova e os inúmeros perigos em suas viagens apostólicas. Ele nunca deixou-se desencorajar pelas situações difíceis, não somente físicas, como morais, demonstrando possuir uma força interior imbatível. Isto, porém, não o impediu de manifestar sua humanidade.
Por isso, Pallotti recomenda aos seus procuradores que o imitem no seu zelo e coragem. Ele escreve: “Como o apóstolo são Paulo, cheio de zelo, cuidava e tinha a mais viva solicitude por todas as Igrejas, assim o Procurador Designado, que tem seu ofício sob a especial proteção deste grande Apóstolo, deve competir no zelo, na caridade, com a prática da mais ativa solicitude de todas as atividades comuns”. Pallotti fala de zelo universal de são Paulo, isto é, não agia com o espírito de parcialidade, mas acolhia e dirigia-se a todos.
3.4 São Paulo, apóstolo dos gentios
São Vicente Pallotti via são Paulo como o grande apóstolo dos gentios. Esta expressão, apóstolo dos gentios, aparece frequentemente nos escritos de Pallotti. Para ele, Paulo merecia este título porque se preocupava com todas as Igrejas: “A minha preocupação cotidiana, a atenção que tenho por todas as Igrejas” (2Cor 11,28). Por isso Pallotti coloca são Paulo como modelo para todos os procuradores, escrevendo: “O Apóstolo dos gentios, são Paulo, ao promover, por todos os modos possíveis a maior glória de Deus e de sua Santíssima Mãe Imaculada, e a maior santificação da cidade, nação ou diocese”. Pallotti, tendo em mente a visão universal de são Paulo, assegura-lhe um lugar privilegiado entre os procuradores: “Cada um dos Procuradores Primários é nomeado para cooperar com uma parte do mundo, visto que o mundo foi dividido em doze partes. Teria ainda outra procuradoria, a décima terceira, que seria a alma de todas as outras, cuja imitação do Apóstolo são Paulo lembrava a solicitude por todas as Igrejas, por isso, não deveria ter uma parte determinada do mundo, mas deve acolher todas em seu coração”.
4. São Vicente Pallotti, imitador de são Paulo e anunciador de sua doutrina
São Vicente Pallotti desejava imitar são Paulo, conforme o convite do próprio Apóstolo: “Dou-lhes um conselho, sejam meus imitadores” (1Cor 4,16). Este propósito encontra-se no seu escrito que diz: “Pretendo pedir perdão com a dor de todas as criaturas, imaginando estar prostrado com a face por terra, na estrada de Damasco, pedindo perdão juntamente com Paulo”. Diante disto, podemos dizer que encontramos, na vida de Pallotti, muitos traços espirituais de são Paulo. Mas não é só isso, Pallotti faz-se anunciador do ensinamento de são Paulo. As palavras do grande Apóstolo ecoam em tantos momentos de seus escritos. Eis alguns exemplos, quando ele fala das pessoas consagradas: “Mas uma alma, quando chega ser chamada filha de Deus, sabe de quem é herdeira. Isso foi dito por são Paulo, Apóstolo do Filho Deus: ‘Se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus, herdeiros junto com Cristo, uma vez que, tendo participado dos seus sofrimentos, também participaremos da sua glória’ (Rm 8,17). É herdeiro de Deus. Mas o que significa ser herdeiro de Deus? Quer dizer, o próprio Deus é a Herança. Diga-me, você gostaria de tomar posse dessa herança? Indico-lhe que possua a Santíssima Trindade, para poder dizer: o Pai é meu, o Filho é meu, o Espírito Santo é meu, a Potência de Deus é minha, a Sabedoria de Deus é minha, a Bondade de Deus é minha, a Pureza de Deus é minha, o Amor infinito de Deus é meu, a Misericórdia de Deus é minha, Todo Deus é meu”?
Na Regra da Congregação do Apostolado Católico, explicando a prática da modéstia, diz: “Como disse são Paulo: ‘Glorifiquem a Deus no corpo de vocês’ (1Cor 6,20). Esse ensinamento quer ensinar-nos que devemos viver com o coração e com a mente unidos e voltados para Deus e que todas as nossas obras externas sejam reguladas pelo Espírito de Deus, do qual todos devem estar repletos”.
Pallotti evoca o ensinamento de são Paulo, até mesmo para as coisas do dia a dia: “Todos os membros da Congregação da Pia Sociedade devem nutrir-se suficientemente e com moderação, e evitem todo tipo de estravagância e escândalo no uso dos alimentos e bebidas, a fim de que, observando a devida temperança, observem o preceito do Apóstolo são Paulo, que diz: ‘Quem come de tudo, o faz em honra do Senhor, porque agradece a Deus. E quem não come, não come em honra do Senhor, e também agradece a Deus’” (Rm 14,6).
Conclusão
Esta pesquisa quis dar apenas uma visão geral do tema proposto. Uma leitura mais aprofundada dos escritos de Pallotti poderá suscitar outros aspectos espirituais de são Paulo. Parece que Pallotti deu mais preferência àqueles traços espirituais que lhe serviam para ajudar os cristãos a serem pessoas espirituais e apostólicas, em consonância com sua espiritualidade. As suas citações evidenciam mais a conformidade com Jesus Cristo e a transformação em Cristo, por isso sublinha o amor e o ardor apostólico de são Paulo.
Jan Kupka SAC
Diretor do Instituto São Vincente Pallotti, Roma
Roma, 7 fevereiro de 2008
PREMISSA
São Paulo foi um grande missionário. O Senhor o escolheu para levar o Evangelho até os confins da terra, para pregar a boa notícia da salvação a todas as pessoas. A vocação de Saulo e a vida de Paulo representam uma graça para a Igreja. Até hoje está nas mãos de Deus, um instrumento de salvação para todos os seres humanos, segundo as palavras do Senhor dirigidas a Ananias, em Damasco: “Este homem é um instrumento que eu escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel” (At 9, 15). Os dotes humanos e espirituais de são Paulo tornaram-se fontes de inspiração para toda atividade missionária e apostólica.
São Vicente Pallotti tinha muito orgulho de viver na cidade de Roma, porque, nela, o apóstolo Paulo pregou o Evangelho da Salvação. Os relatos sobre a vida e o martírio sofrido por Paulo em Roma, juntamente com tantos homens e mulheres, durante a perseguição ocorrida entre os anos 60 e 70 do primeiro século da era cristã, permaneceram sempre vivos na história romana, como no coração de são Vicente Pallotti. Isso pode ser confirmado por alguns fatos, sobretudo pelos escritos do nosso Santo, como veremos ao longo desta reflexão.
1. São Paulo na vida de Pallotti
Uma pesquisa sobre a biografia de são Vicente Pallotti descobriu elementos em sua vida que contribuíram para o seu fascínio à figura espiritual de são Paulo apóstolo. Isso leva a crer que alguns acontecimentos de seu tempo colocaram uma forte evidência à pessoa de são Paulo. Podem-se elencar os seguintes fatos:
1.1 A festa de São Paulo
Havia em Roma uma longa tradição de celebrar duas festas dedicadas a são Paulo apóstolo. A primeira era a Comemoração de são Paulo, celebrada no dia 30 de junho. Foi instituída pelo Papa são Gregório I, em 590, separando-a da festa comum dos santos apóstolos Pedro e Paulo, que se celebrava no dia anterior, 29 de junho. A razão dessa divisão foi porque havia duas Basílicas um tanto distantes uma da outra.
A segunda festa era a Conversão de são Paulo, celebrada no dia 25 de janeiro, criada pelo Papa Inocêncio III, em 1198, para agradecer a Deus pela prodigiosa conversão do apóstolo e para propor aos fiéis um exemplo da eficácia da graça de Jesus Cristo.
Ao longo dos séculos, porém, a festa da Comemoração de são Paulo ficou unida àquela do dia 29 de junho, na qual se celebra os santos Pedro e Paulo, príncipe dos apóstolos e modelo de vida cristã. O costume de celebrar juntos os dois grandes apóstolos Pedro e Paulo, no dia 29 de junho, foi divulgado desde o tempo de Gregório XVI.
No tempo de Pallotti existia também a tradição de venerar são Paulo com duas festas, 25 de janeiro a Conversão de são Paulo e 30 de junho a comemoração de são Paulo apóstolo. Estas duas festas eram, sem dúvida, a ocasião propícia para meditar sobre a vida do grande apóstolo dos gentios e sobre sua atividade apostólica.
Os textos de Pallotti deixam transparecer a sua predileção pela festa da Conversão de são Paulo, celebrada no dia 25 de janeiro. “No regulamento da Pia Casa de Caridade de Roma”, Pallotti estabeleceu que, no dia da Conversão de são Paulo, o presidente dos procuradores devia convidá-los todos para uma conferência, para despertar neles o espírito de caridade e de zelo, como também para torná-los mais ativos.
Isto pode ser confirmado por uma carta, escrita no dia 25 de janeiro de 1848, a um religioso de Piacenza, Giovanni Battista, com os seguintes dizeres: “Roma, Santos Retiros de São Salvador in Onda, 25 de janeiro de 1848, dia da Conversão de são Paulo apóstolo. Reze pela minha conversão e do mundo inteiro.
Pallotti menciona também, em seus escritos, a festa da Comemoração de são Paulo, celebrada no dia 30 de junho. No texto “Na minha morte”, escreve: “No dia da festa dos gloriosos Príncipes dos Apóstolos, após ter confessado ao longo da manhã da dita solenidade, ao sair de casa para realizar a uma obra de caridade, por várias vezes, escarrei sangue; o mesmo aconteceu no dia seguinte, na Comemoração do Apóstolo dos Gentios, são Paulo, era um domingo”.
Neste breve texto, Pallotti fala da sua doença e, ao mesmo tempo, sublinha que o fato aconteceu no dia da Comemoração de são Paulo (domingo, 30 de junho de 1839). De fato, conferindo o calendário do referido ano e mês, as informações correspondem: Domingo 30 de junho de 1839, dia da Comemoração de são Paulo e também em 1840, terça-feira, 30 de junho, Comemoração de são Paulo apóstolo.
1.1 A Basílica de são Paulo fora dos muros
A figura de são Paulo, apóstolo dos gentios, era conhecida de Pallotti por meio da Basílica de são Paulo fora dos muros. Nela, tudo fala de são Paulo, tudo concorre para a glorificação da sua prodigiosa vida e atividade missionária e apostólica.
Alguns acontecimentos, no tempo de Pallotti, despertaram nas pessoas um grande interesse pela Basílica de são Paulo. Primeiro foi o grande incêndio ocorrido na noite entre 15 e 16 de julho de 1823, que suscitou uma grande consternação, não somente ao povo romano, mas em todo o mundo cristão. Pallotti não podia estar alheio à mobilização de todos para a reconstrução daquela esplendida Basílica.
O Papa Leão XIII, em 1825, por ocasião do Ano Santo, convocou o mundo católico para ajudar na reconstrução da mesma. Gregório XVI, em 1840, reabriu uma das naves da Basílica para o culto e, em 1854, o Papa Pio IX consagrou-a novamente.
O vínculo de Pallotti, com a Basílica de são Paulo, fica evidenciado pelos contatos com os monges beneditinos daquele tempo. Isso pode ser confirmado pela avaliação do opúsculo de Pallotti sobre o apostolado católico, escrito em 1836, pelo Procurador Geral dos beneditinos, Vicenzo Bini. O próprio Pallotti o menciona expressamente na súplica aos cardeais da Propaganda Fide.
1.2 Pia União de São Paulo
O conhecimento da figura de são Paulo apóstolo contribuiu para que Pallotti tivesse contato e participasse das atividades da Pia União de São Paulo Apóstolo, iniciada em Roma em 1790, canonicamente aprovada no dia 17 de maio de 1797. A Pia União de São Paulo promovia a formação espiritual do clero romano e organizava as atividades apostólicas e pastorais.
Vicente Pallotti conheceu as atividades da Pia União de São Paulo, quando era estudante na Universidade Sapienza, já que o atendimento espiritual dos estudantes era da responsabilidade dos sacerdotes da referida União. Tornando-se membro desta Pia União, podia participar das conferências sobre moral, que acontecia a cada quinze dias, na Igreja de Santa Maria da Paz, na Igreja da Universidade Romana e na Igreja de Santo Apolinário.
Os sacerdotes membros da Pia União de São Paulo distinguiam-se, em Roma, pela sua espiritualidade e empenho apostólico. O próprio Vicente Pallotti entusiasmou-se com aquela espiritualidade, encontrando nela seu impulso e zelo apostólico nas muitas obras de caridade cristã. Procurou envolver também seus colaboradores nesta obra e tornou-se seu divulgador.
Entre os livros conservados no quarto de são Vicente Pallotti, encontra-se um opúsculo intitulado: “Pia União de São Paulo Apóstolo, ou seja, Congregação dos Operários Evangélicos que, sob a invocação do glorioso são Paulo e sob a proteção de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos, instituiu-se na Diocese de Senigallia, no ano de 1844”.
É interessante notar, no título, a típica expressão de Pallotti: “Sob a proteção de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos”.
Nos outros opúsculos impressos por esta Pia União, não se encontra esta invocação. O pensamento paulino aparece fortemente nos artigos 16 deste opúsculo, no qual se fala do espírito dos operários evangélicos. Eles devem estar unidos por meio de uma caridade doce, paciente e universal, procurando sempre e unicamente a glória de Deus e a salvação das almas.
2. A literatura sobre são Paulo, no tempo de Pallotti
2.1 Os textos bíblicos e patrísticos
Uma pesquisa não aprofundada dos escritos de Pallotti mostra o uso frequente de textos bíblicos. Isso faz acreditar que Pallotti tinha bastante familiaridade com a Sagrada Escritura, desde o início dos seus estudos teológicos. Normalmente as citações bíblicas encontradas em seus escritos são da Bíblia Vulgata, em latim.
Nos seus apontamentos espirituais de 1816, nos seus propósitos antes do sacerdócio, existem oito citações dos Evangelhos: cinco de Mateus, três de Lucas, duas de são Paulo, uma dos Salmos e uma do Cântico dos Cânticos. O texto que segue nota-se que é de são Paulo: “Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13).
O responsável pelos escritos de são Vicente Pallotti, na edição das Obras Completas, Pe. Francesco Moccia SAC, faz a seguinte indagação: “Quais foram os livros bíblicos que Pallotti mais gostava”? e ele próprio responde: “basta olhar no índice analítico os nomes dos escritores sagrados, frequentemente citados por ele. É claro que essas citações são importantes para os católicos de todos os tempos”.
Nas obras Completas de Vicente Pallotti encontram-se mais de duzentos textos de são Paulo apóstolo. Pallotti além de comentar alguns textos paulinos, ele os utiliza para seu caminho espiritual e para a orientação espiritual das pessoas. Em seus escritos faz sempre referência às cartas de Paulo, com a seguinte expressão: “como diz são Paulo apóstolo”.
Dentre as citações bíblicas apresentadas, os textos de são Paulo ocupam um lugar privilegiado. Para exemplificar melhor, gostaria de evidenciar dois fatores que levaram Pallotti a dar muita importância aos ensinamentos paulinos.
O primeiro são as indicações de Pallotti sobre as regras e o método a ser observado nos congressos e nas consultas. Toda reunião deverá começar, segundo ele, com a oração ao Espírito Santo e à Maria Rainha dos Apóstolos. Em seguida, ao toque da campainha, todos devem ficar de pé, em silêncio e com muita devoção, como se escutassem o Apóstolo são Paulo, ler-se-á o capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios, traduzida na própria língua e que contenha as necessidades da caridade”. Para maior compreensão, Pallotti pede que seja lido o texto em italiano (nel nostro volgare), não em latim, mas no italiano corrente.
Outro exemplo para mostrar a importância dos textos de Paulo, é a recomendação feita por Pallotti aos seminaristas da Congregação: “No início do primeiro ano de filosofia até todo o curso da sagrada teologia devem decorar das Epístolas de são Paulo cerca de vinte e cinco versículos por semana, e os recitarão na sala de aula, expondo a história do Antigo e do Novo Testamento”.
Seria possível, hoje, decorar todas as Cartas de são Paulo? Seria conveniente essa recomendação em nossos dias? Provavelmente Pallotti conhecia de cor, em latim, os textos de são Paulo, porque suas citações, nem sempre são precisas, em seus escritos.
Além da referência da Sagrada Escritura, com seus comentários, Pallotti mostra grande conhecimento da patrística em suas citações. Isso significa que ele conhecia bem os padres da Igreja e as obras publicadas em sua época. A prova disso está no texto em que Pallotti expõe o significado das palavras de são Paulo na Carta aos Romanos: “Eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e de sangue” (Rm 9,3). Após essa citação, Pallotti escreve: “Cornelio van den Steen, no capítulo 9 da carta aos Romanos nos refere que Teodoreto, Ecumenio, Anselmo, Teofilatto, Soto, Catarino, Cassiano e João Crisóstomo explicam o subdividido passo do dito Apóstolo, fazendo ver que são Paulo não queria nem a maldição de Deus, nem a sua inimizade, mas que o submetesse a qualquer pena ou sofrimento, ainda que sofresse eternamente no inferno, sem, porém, perder por sua própria culpa a amizade de Deus, para salvar os seus irmãos”.
Neste breve texto, é possível ver referência de vários autores, porém o preferido do santo para descrever o retrato espiritual de são Paulo é são João Crisóstomo: “São João Crióstomo, falando do espírito de são Paulo, desejoso também dos sofrimentos por amor de Jesus Cristo, diz: como uma chuva de granizo que cai sobre ele, é como se estivesse no paraíso”.
Diante disso, quero acrescentar que são João Crisóstomo distinguiu-se pela sua entusiástica admiração pelo apóstolo Paulo, do qual comentou todo o epistolário, quase sempre sob a forma de homilia.
2.2 Os livros históricos e teológicos
No tempo de são Vicente Pallotti, recomendava-se muito a leitura espiritual, e ele tirou proveito dos livros para a sua formação no campo espiritual. Folhando seus escritos, nota-se muitas referências bibliográficas de santos, documentos eclesiásticos, livros filosóficos e teológicos. As obras mais citadas eram os dicionários históricos e teológicos. E sobre são Paulo apóstolo, merece destaque dois dicionários.
O primeiro dicionário é de Gaetano Moroni, autor do famoso dicionário de erudição histórica, em 103 volumes, publicados entre os anos 1840 a1861. Gaetano Moroni nasceu em 1802, em Roma, na paróquia de santo Apolinário. Em 1831, o Papa Gregório XVI nomeou-o seu primeiro colaborador. Morreu em Roma, em 1883, e foi sepultado no Campo Verano, na capela da Arquiconfraria do Preciosíssimo Sangue. Segundo dados históricos, confirmam-se que Pallotti conhecia-o pessoalmente, pois, no arquivo do Instituto São Vicente Pallotti, conservam-se duas cartas escritas a Gaetano Moroni. Por isso, podemos dizer que Pallotti conhecia seu pensamento historiográfico.
No volume 51 do seu dicionário, Gaetano Moroni inseriu um artigo sobre são Paulo apóstolo, a quem dedicou dez páginas. Ele fez uma descrição detalhada da vida e do apostolado de são Paulo, com referências dos padres da Igreja e pesquisas daquele tempo. Entre tantas coisas, lemos: “São Paulo, como Barnabé e Matias, embora não tivessem feito parte dos doze apóstolos, escolhidos por Jesus, receberam este título e foram agregados ao Colégio Apostólico, porque o próprio Jesus Cristo chamou-os de modo particular, por terem propagado o cristianismo como os demais apóstolos.
Outro dicionário é o do famoso teólogo francês Nicolau Silvestre Bergier (1765-1791), autor do dicionário enciclopédico de teologia e da história da Igreja, publicado em língua italiana, em 17 volumes, nos anos de 1820 a 1822. Ele era teólogo de vanguarda naquele tempo, e pertencia ao grupo de teólogos progressistas. Pallotti também conhecia esse dicionário, pois faz referência dele em seus escritos, quando explica seu conceito de apostolado.
A curiosidade nos leva a ver o que Bergier escreveu sobre são Paulo em seu dicionário. Vejamos: “São Paulo não era uma pessoa emocionalmente fraca, nem um visionário. Os escritos e as reflexões sobre ele, sobre sua conduta provam o contrário; nem mesmo seus opositores tiveram a coragem de negar sua capacidade, estudo e talentos. Por qual aspecto você olhar, deve admitir, nele, uma miraculosa mudança”.
O livro espiritual favorito de são Vicente Pallotti era a Mística Cidade de Deus, da mística espanhola Maria de Agreda. Nos seus escritos encontram-se referências do livro desde 1816 a 1849. Ele queria que este livro fosse colocado na mesa, no momento de sua morte. A predileção de Pallotti pela conversão de são Paulo e pela sua atividade apostólica, parece ter sido tirada deste livro.
Maria de Agreda descreve que Maria Santíssima, ao ver Paulo perseguir a Igreja, rezou insistentemente a Deus para sua conversão. O Senhor disse-lhe: “Minha Mãe, eleita entre todas as criaturas, faça-se a sua vontade sem demora, eu farei com Saulo tudo aquilo que pedir, e farei que ele, de imediato, torne-se defensor da minha Igreja, a qual persegue e o farei dele pregador da minha glória e do meu santo Nome. Eis que o receberei amigavelmente com a minha graça”. Estas palavras parecem tocar profundamente Pallotti, conhecendo sua devoção à Maria.
3. O retrato espiritual de são Paulo nos escritos de Pallotti
As notícias sobre são Paulo apóstolo, na história de Roma, e na literatura no tempo de são Vicente Pallotti, permitem compreender melhor o retrato espiritual deste grande apóstolo que emerge dos escritos do nosso santo. Daí surgem as perguntas: Que imagem Pallotti tinha, diante de si, do apóstolo Paulo? Que aspectos espirituais de são Paulo emergem dos seus escritos? Uma pesquisa dos textos de Pallotti permite individuar os seguintes pontos da figura de são Paulo:
3.1 São Paulo, homem que conhece a si mesmo
São Vicente Pallotti via são Paulo como homem que conhecia bem a si mesmo. São Paulo afirma frequentemente, em suas cartas, que foi um grande pecador, porque perseguia com firmeza os discípulos de Cristo e a sua Igreja. Confessava com humildade as suas debilidades e suas enfermidades. Pallotti discorria sobre o traço espiritual de são Paulo, usando as palavras do próprio Apóstolo: “Quanto a esse homem, eu me gabarei; mas quanto a mim, só vou gabar-me das minhas fraquezas. Ele, porém, respondeu-me: Para você basta a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder. Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me de minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim” (2Cor 12,5.9). São Paulo considerava o conhecimento do próprio limite e da própria enfermidade como fraqueza da natureza, por isso deixava agir em si a graça de Deus.
Pallotti utilizava este aspecto espiritual de são Paulo para analisar seus próprios defeitos e dos outros. A isso damos o nome, hoje, de correção fraterna. Pallotti escreve: “Aquele que for advertido, assim que ouvir seu nome, deve colocar-se de joelhos, com grande humildade, e recordando que são Paulo alegrava-se porque conhecia suas fraquezas. Essa condição lhe era útil para, cada vez mais, humilhar-se para estar sempre cheio da virtude de Jesus Cristo”.
3.2 São Paulo amava a Deus e às pessoas
São Vicente Pallotti admirava em são Paulo o seu amor apaixonado por Deus e pelas pessoas. Após a sua conversão, Paulo não perdeu seu caráter violento e impetuoso, mas colocou tudo à serviço de Cristo e do Evangelho. Ele procurava uma só coisa, o amor de Jesus. O amor de Cristo para ele era a única força que o impulsionava a dedicar-se aos outros.
Pallotti exaltava, em são Paulo, a caridade apostólica e acolhia com coração aberto as suas palavras: “Vivam no amor, assim como Cristo nos amou e se entregou a Deus por nós, como oferta e vítima, como perfume agradável” (Ef 5,2).
Para Pallotti, Paulo foi um exemplo de caridade, pois amou até seus perseguidores. Grande também era sua solicitude pastoral junto aos pagãos, ainda que fossem pecadores e necessitados de correção. Tornou-se verdadeiro pai para todas as pessoas, como mostra a carta aos Gálatas: “Meus filhos, sofro novamente como dores de parto, até que Cristo esteja formado em vocês” (Gal 4,19).
3.3 São Paulo, homem de grande zelo e coragem
São Vicente Pallotti admirava, em são Paulo, seu ardor apostólico e a coragem com que enfrentou todo tipo de prova e os inúmeros perigos em suas viagens apostólicas. Ele nunca deixou-se desencorajar pelas situações difíceis, não somente físicas, como morais, demonstrando possuir uma força interior imbatível. Isto, porém, não o impediu de manifestar sua humanidade.
Por isso, Pallotti recomenda aos seus procuradores que o imitem no seu zelo e coragem. Ele escreve: “Como o apóstolo são Paulo, cheio de zelo, cuidava e tinha a mais viva solicitude por todas as Igrejas, assim o Procurador Designado, que tem seu ofício sob a especial proteção deste grande Apóstolo, deve competir no zelo, na caridade, com a prática da mais ativa solicitude de todas as atividades comuns”. Pallotti fala de zelo universal de são Paulo, isto é, não agia com o espírito de parcialidade, mas acolhia e dirigia-se a todos.
3.4 São Paulo, apóstolo dos gentios
São Vicente Pallotti via são Paulo como o grande apóstolo dos gentios. Esta expressão, apóstolo dos gentios, aparece frequentemente nos escritos de Pallotti. Para ele, Paulo merecia este título porque se preocupava com todas as Igrejas: “A minha preocupação cotidiana, a atenção que tenho por todas as Igrejas” (2Cor 11,28). Por isso Pallotti coloca são Paulo como modelo para todos os procuradores, escrevendo: “O Apóstolo dos gentios, são Paulo, ao promover, por todos os modos possíveis a maior glória de Deus e de sua Santíssima Mãe Imaculada, e a maior santificação da cidade, nação ou diocese”. Pallotti, tendo em mente a visão universal de são Paulo, assegura-lhe um lugar privilegiado entre os procuradores: “Cada um dos Procuradores Primários é nomeado para cooperar com uma parte do mundo, visto que o mundo foi dividido em doze partes. Teria ainda outra procuradoria, a décima terceira, que seria a alma de todas as outras, cuja imitação do Apóstolo são Paulo lembrava a solicitude por todas as Igrejas, por isso, não deveria ter uma parte determinada do mundo, mas deve acolher todas em seu coração”.
4. São Vicente Pallotti, imitador de são Paulo e anunciador de sua doutrina
São Vicente Pallotti desejava imitar são Paulo, conforme o convite do próprio Apóstolo: “Dou-lhes um conselho, sejam meus imitadores” (1Cor 4,16). Este propósito encontra-se no seu escrito que diz: “Pretendo pedir perdão com a dor de todas as criaturas, imaginando estar prostrado com a face por terra, na estrada de Damasco, pedindo perdão juntamente com Paulo”. Diante disto, podemos dizer que encontramos, na vida de Pallotti, muitos traços espirituais de são Paulo. Mas não é só isso, Pallotti faz-se anunciador do ensinamento de são Paulo. As palavras do grande Apóstolo ecoam em tantos momentos de seus escritos. Eis alguns exemplos, quando ele fala das pessoas consagradas: “Mas uma alma, quando chega ser chamada filha de Deus, sabe de quem é herdeira. Isso foi dito por são Paulo, Apóstolo do Filho Deus: ‘Se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus, herdeiros junto com Cristo, uma vez que, tendo participado dos seus sofrimentos, também participaremos da sua glória’ (Rm 8,17). É herdeiro de Deus. Mas o que significa ser herdeiro de Deus? Quer dizer, o próprio Deus é a Herança. Diga-me, você gostaria de tomar posse dessa herança? Indico-lhe que possua a Santíssima Trindade, para poder dizer: o Pai é meu, o Filho é meu, o Espírito Santo é meu, a Potência de Deus é minha, a Sabedoria de Deus é minha, a Bondade de Deus é minha, a Pureza de Deus é minha, o Amor infinito de Deus é meu, a Misericórdia de Deus é minha, Todo Deus é meu”?
Na Regra da Congregação do Apostolado Católico, explicando a prática da modéstia, diz: “Como disse são Paulo: ‘Glorifiquem a Deus no corpo de vocês’ (1Cor 6,20). Esse ensinamento quer ensinar-nos que devemos viver com o coração e com a mente unidos e voltados para Deus e que todas as nossas obras externas sejam reguladas pelo Espírito de Deus, do qual todos devem estar repletos”.
Pallotti evoca o ensinamento de são Paulo, até mesmo para as coisas do dia a dia: “Todos os membros da Congregação da Pia Sociedade devem nutrir-se suficientemente e com moderação, e evitem todo tipo de estravagância e escândalo no uso dos alimentos e bebidas, a fim de que, observando a devida temperança, observem o preceito do Apóstolo são Paulo, que diz: ‘Quem come de tudo, o faz em honra do Senhor, porque agradece a Deus. E quem não come, não come em honra do Senhor, e também agradece a Deus’” (Rm 14,6).
Conclusão
Esta pesquisa quis dar apenas uma visão geral do tema proposto. Uma leitura mais aprofundada dos escritos de Pallotti poderá suscitar outros aspectos espirituais de são Paulo. Parece que Pallotti deu mais preferência àqueles traços espirituais que lhe serviam para ajudar os cristãos a serem pessoas espirituais e apostólicas, em consonância com sua espiritualidade. As suas citações evidenciam mais a conformidade com Jesus Cristo e a transformação em Cristo, por isso sublinha o amor e o ardor apostólico de são Paulo.
domingo, 26 de abril de 2009
O encontro com o ressuscitado

TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA (26 de abril de 2009)
Lc 24, 35-48
“E vocês são testemunhas disso.”
O evangelho de hoje é a segunda parte do capítulo 24 de Lucas, que relata primeiro a história das mulheres diante do túmulo de Jesus, e agora o incidente do encontro de Jesus Ressuscitado com os dois discípulos na estrada de Emaús. Devemos recordar que Lucas estava escrevendo a sua obra em vista dos problemas da sua comunidade pelo ano 85 d.C. Já não estamos mais com a primeira geração de discípulos - já se passou mais de meio século desde os eventos pascais. A comunidade já está vacilando na sua fé - as perseguições estão no horizonte, ou até acontecendo; o primeiro entusiasmo diminuiu, os membros estão cansados da caminhada e perdendo de vista a mensagem vitoriosa da Páscoa. Parece mais forte a morte do que a vida, a opressão do que a libertação, o pecado do que a graça.
Neste cenário, Lucas escreve este capítulo. Traz uma mensagem de ânimo e coragem aos desanimados e vacilantes da sua época - e da nossa! Para as mulheres, os dois anjos perguntam “por que estão procurando entre os mortos aquele que está vivo?” E afirmam: “Ele não está aqui! Ressuscitou!” Mensagem atual para os nossos tempos - diante da péssima situação da maioria do nosso povo que enfrenta a dura luta pela sobrevivência, com desemprego, baixo salário, falta de terra e moradia, uma herança de décadas de descaso dos governantes com a saúde pública e a educação, é muito fácil perder esperança e coragem. Mas, Jesus venceu o mal, não foi derrotado pela morte, e está no meio de nós!
Os dois discípulos no caminho de Emaús são imagem viva da comunidade lucana - e de muitas hoje! Já sabem do túmulo vazio, mas estão desanimados, desiludidos, sem forças - pois ainda não fizeram a experiência da presença de Jesus Ressuscitado. Pois, a nossa fé não se baseia no túmulo vazio, mas pelo contrário, a nossa experiência do Ressuscitado explica porque ele ficou vazio. Os dois só fazem esta experiência quando partilham o pão! A Escritura fez com que os seus corações “ardessem pelo caminho” (v. 32), mas não lhes abriu os olhos - para isso era necessário formar uma comunidade celebrativa de fé e partilha: “contaram... como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (v. 35).
Finalmente, o grupo dos discípulos reunidos em Jerusalém é símbolo das comunidades confusas e vacilantes. Tinham dificuldade em acreditar - pois a mensagem da Ressurreição é realmente espantosa! Mas, uma vez feita essa experiência, eles se transformam e se tornam testemunhas vivas do que sentiram, experimentaram e vivenciaram: “E vocês são testemunhas disso” (v. 48). Um grupo de derrotados, desesperançados e desunidos (vv. 20-21) se transformam num grupo de missionários corajosos e convictos, assumindo a tarefa de anunciar “no seu nome a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações” (v. 47).
Hoje em dia, quando muitos cristãos se desanimam, ou restringem a sua fé à esfera particular, sem que tenha qualquer influência sobre a sua vivência social, a mensagem de Lucas nos convida a redescobrirmos a realidade da presença do Ressuscitado entre nós. Mas, essa experiência não serve somente para o nosso consolo pessoal - somos comandados a imitar os dois de Emaús, que, feita a experiência do Ressuscitado, “levantaram na mesma hora e voltaram para Jerusalém” (v. 33). Pois, a nossa experiência religiosa não é algo intimista e individualista, mas algo que nos deve propulsionar para a missão, para a construção de um mundo conforme a vontade de Deus, um mundo de justiça, paz e integridade da criação, sem excluídos e marginalizados!
Lc 24, 35-48
“E vocês são testemunhas disso.”
O evangelho de hoje é a segunda parte do capítulo 24 de Lucas, que relata primeiro a história das mulheres diante do túmulo de Jesus, e agora o incidente do encontro de Jesus Ressuscitado com os dois discípulos na estrada de Emaús. Devemos recordar que Lucas estava escrevendo a sua obra em vista dos problemas da sua comunidade pelo ano 85 d.C. Já não estamos mais com a primeira geração de discípulos - já se passou mais de meio século desde os eventos pascais. A comunidade já está vacilando na sua fé - as perseguições estão no horizonte, ou até acontecendo; o primeiro entusiasmo diminuiu, os membros estão cansados da caminhada e perdendo de vista a mensagem vitoriosa da Páscoa. Parece mais forte a morte do que a vida, a opressão do que a libertação, o pecado do que a graça.
Neste cenário, Lucas escreve este capítulo. Traz uma mensagem de ânimo e coragem aos desanimados e vacilantes da sua época - e da nossa! Para as mulheres, os dois anjos perguntam “por que estão procurando entre os mortos aquele que está vivo?” E afirmam: “Ele não está aqui! Ressuscitou!” Mensagem atual para os nossos tempos - diante da péssima situação da maioria do nosso povo que enfrenta a dura luta pela sobrevivência, com desemprego, baixo salário, falta de terra e moradia, uma herança de décadas de descaso dos governantes com a saúde pública e a educação, é muito fácil perder esperança e coragem. Mas, Jesus venceu o mal, não foi derrotado pela morte, e está no meio de nós!
Os dois discípulos no caminho de Emaús são imagem viva da comunidade lucana - e de muitas hoje! Já sabem do túmulo vazio, mas estão desanimados, desiludidos, sem forças - pois ainda não fizeram a experiência da presença de Jesus Ressuscitado. Pois, a nossa fé não se baseia no túmulo vazio, mas pelo contrário, a nossa experiência do Ressuscitado explica porque ele ficou vazio. Os dois só fazem esta experiência quando partilham o pão! A Escritura fez com que os seus corações “ardessem pelo caminho” (v. 32), mas não lhes abriu os olhos - para isso era necessário formar uma comunidade celebrativa de fé e partilha: “contaram... como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (v. 35).
Finalmente, o grupo dos discípulos reunidos em Jerusalém é símbolo das comunidades confusas e vacilantes. Tinham dificuldade em acreditar - pois a mensagem da Ressurreição é realmente espantosa! Mas, uma vez feita essa experiência, eles se transformam e se tornam testemunhas vivas do que sentiram, experimentaram e vivenciaram: “E vocês são testemunhas disso” (v. 48). Um grupo de derrotados, desesperançados e desunidos (vv. 20-21) se transformam num grupo de missionários corajosos e convictos, assumindo a tarefa de anunciar “no seu nome a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações” (v. 47).
Hoje em dia, quando muitos cristãos se desanimam, ou restringem a sua fé à esfera particular, sem que tenha qualquer influência sobre a sua vivência social, a mensagem de Lucas nos convida a redescobrirmos a realidade da presença do Ressuscitado entre nós. Mas, essa experiência não serve somente para o nosso consolo pessoal - somos comandados a imitar os dois de Emaús, que, feita a experiência do Ressuscitado, “levantaram na mesma hora e voltaram para Jerusalém” (v. 33). Pois, a nossa experiência religiosa não é algo intimista e individualista, mas algo que nos deve propulsionar para a missão, para a construção de um mundo conforme a vontade de Deus, um mundo de justiça, paz e integridade da criação, sem excluídos e marginalizados!
sábado, 11 de abril de 2009
Páscoa do Senhor
Eis o dia da nossa salvação!
O mundo vivia nas trevas, mas foi atingido por uma grande Luz. Esta Luz já fora percebida e anunciada pelos pastores e despercebida e ignorada por Herodes, pois, as trevas eram sua companheira de estrada.
Aquela mesma Luz que brilhou em Belém e que fora anunciada pelos anjos aos pastores, agora ressurge de maneira gloriosa, saindo do sepulcro vazio. Deus desceu aos infernos, à mansão dos mortos, para evangelizar os patriarcas e profetas e a todos aqueles que esperaram ansiosos pelo Messias. Agora foram despertados do eterno sono para contemplarem a sua face e viver na sua glória.
“O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: ‘O meu Senhor está no meio de nós’. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará'”.
“Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tomei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: 'Saí!'; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’”
“Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa”. (Homilia do grande sábado santo – Lit. Horas II, p. 439).
Bendito seja o Senhor, que se compadeceu de seu povo e lhe deu uma nova vida. Bendito seja aquele que interrompeu os caminhos da maldade e abriu as portas dos céus. Por isso, abra o seu coração para que o Rei da Glória possa entrar e conduzir você para o caminho da justiça, da verdade e da paz.
FELIZ PÁSCOA!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Amou-nos até o fim.

Hoje somos chamados a prestar atenção às últimas palavras de Jesus, a ouvir suas últimas confidências, a contemplar seus últimos gestos carregados de significado e pesados da mais nítida seriedade. Jesus está prestes a entregar sua vida em sacrifício na cruz, mas antes de partir deste mundo para o Pai, ele reúne os apóstolos e lhes transmite o seu testamento, cumpre com eles e diante deles o gesto mais estupendo de sua vida: lava-lhes os pés, parte o pão, passa o cálice afirmando que eles são seu corpo dado, seu sangue derramado. Até mesmo uma pessoa que não tem fé reconheceria a gravidade desta hora e a importância destes últimos momentos.
Qual é o sentido desta última ceia? No evangelho de João encontramos uma pista. “Depois de ter amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Hoje Jesus atinge o extremo do amor, chegou até o fim, fim-finalidade de uma vida inteiramente dedicada a amar. Por amor ele se fez servo, assumindo nossa condição humana na encarnação. Por amor ele pregou o evangelho aos pobres dizendo ser eles os prediletos de Deus. Por amor ele percorreu as estradas da Judéia, não teve lugar onde repousar a cabeça, foi perseguido por fazer o bem. Por amor ele curou inúmeros doentes, até o ponto de não ter tempo sequer para comer. Por amor aos pecadores ele os perdoou, sentou-se à mesa com eles, entrou em suas casas. Jesus não viveu para si, viveu para os outros; não quis ser servido, foi o servidor de todos. Toda esta existência de serviço e de amor chega ao seu ápice na última ceia. Por isso ele lava os pés dos discípulos.
O lava-pés não foi um gesto vazio e isolado. Durante toda vida Jesus lavou os pés. Mas é na última ceia que ele se realiza de modo definitivo. Por isso Jesus pode ser chamado de servo de Javé. Somente a ele cabe este nome: aquilo que ele fez durante a vida, ele o fez até o fim; amou até o fim.
Toda a vida de Jesus pode se definir como doação de si aos outros. Jesus não teve nada para si: nem sua sabedoria, nem sua força, nem seu tempo, tampouco sua vida. Sua vida foi consumida, foi gasta, foi dada aos outros. Ora, é na última ceia e na cruz que esta doação chega até o fim: consumiu a vida se doando aos outros até não sobrar mais nada, até chegar ao ponto do esvaziamento total (pobreza total), até derramar todo o sangue. Nada sobra, tudo é doado aos outros. Para realizar e significar esta doação até o extremo, Jesus parte o pão e passa o cálice: são seu corpo dado, seu sangue derramado, sua vida dada até o fim. O que Jesus nos comunica no pão e no cálice consagrados é sua própria vida: a eucaristia é o meio mais genial do amor extremado de Jesus pelos seus que estão no mundo.
E ele não se contentou em se doar em parte ou durante um certo tempo. Ele não é como nós que colocamos limites na doação. Ele quis se doar inteiramente, e, para tornar definitiva esta doação, instituiu este sacramento como memorial perpétuo de seu sacrifício na cruz. Assim a doação de Jesus é total não somente num momento limitado de nossa história, mas se universaliza e se eterniza com a instituição deste sacramento. Na Eucaristia Jesus continua se doando todo inteiro em todos os lugares e em todos os tempos.
A nossa tendência natural nos leva a prestar atenção a nós mesmo e de nos ocupar daquilo que fazemos ou queremos fazer: as nossas virtudes, os nossos defeitos e pecados, aquilo que oferecemos e aquilo que nos falta. Hoje, no entanto, Jesus deseja que nos preocupemos com uma coisa apenas: receber o seu amor para a nossa alegria e para a glória de Deus, para o nosso bem e das pessoas que nos são próximas.
Receber e acolher o amor de Jesus deveria ser coisa fácil. E, de fato, é. Mas freqüentemente merecemos a reprovação da Palavra de Deus: “Por que amais as coisas vãs?”. Corremos atrás das futilidades, sem tomar consciência da imensidão de alegria que o Senhor nos oferece. Mesmo as pessoas que procuram amar Jesus com generosidade não são capazes de receber o seu amor: pensam que é mais importante dar a ele.
Qual é o sentido desta última ceia? No evangelho de João encontramos uma pista. “Depois de ter amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Hoje Jesus atinge o extremo do amor, chegou até o fim, fim-finalidade de uma vida inteiramente dedicada a amar. Por amor ele se fez servo, assumindo nossa condição humana na encarnação. Por amor ele pregou o evangelho aos pobres dizendo ser eles os prediletos de Deus. Por amor ele percorreu as estradas da Judéia, não teve lugar onde repousar a cabeça, foi perseguido por fazer o bem. Por amor ele curou inúmeros doentes, até o ponto de não ter tempo sequer para comer. Por amor aos pecadores ele os perdoou, sentou-se à mesa com eles, entrou em suas casas. Jesus não viveu para si, viveu para os outros; não quis ser servido, foi o servidor de todos. Toda esta existência de serviço e de amor chega ao seu ápice na última ceia. Por isso ele lava os pés dos discípulos.
O lava-pés não foi um gesto vazio e isolado. Durante toda vida Jesus lavou os pés. Mas é na última ceia que ele se realiza de modo definitivo. Por isso Jesus pode ser chamado de servo de Javé. Somente a ele cabe este nome: aquilo que ele fez durante a vida, ele o fez até o fim; amou até o fim.
Toda a vida de Jesus pode se definir como doação de si aos outros. Jesus não teve nada para si: nem sua sabedoria, nem sua força, nem seu tempo, tampouco sua vida. Sua vida foi consumida, foi gasta, foi dada aos outros. Ora, é na última ceia e na cruz que esta doação chega até o fim: consumiu a vida se doando aos outros até não sobrar mais nada, até chegar ao ponto do esvaziamento total (pobreza total), até derramar todo o sangue. Nada sobra, tudo é doado aos outros. Para realizar e significar esta doação até o extremo, Jesus parte o pão e passa o cálice: são seu corpo dado, seu sangue derramado, sua vida dada até o fim. O que Jesus nos comunica no pão e no cálice consagrados é sua própria vida: a eucaristia é o meio mais genial do amor extremado de Jesus pelos seus que estão no mundo.
E ele não se contentou em se doar em parte ou durante um certo tempo. Ele não é como nós que colocamos limites na doação. Ele quis se doar inteiramente, e, para tornar definitiva esta doação, instituiu este sacramento como memorial perpétuo de seu sacrifício na cruz. Assim a doação de Jesus é total não somente num momento limitado de nossa história, mas se universaliza e se eterniza com a instituição deste sacramento. Na Eucaristia Jesus continua se doando todo inteiro em todos os lugares e em todos os tempos.
A nossa tendência natural nos leva a prestar atenção a nós mesmo e de nos ocupar daquilo que fazemos ou queremos fazer: as nossas virtudes, os nossos defeitos e pecados, aquilo que oferecemos e aquilo que nos falta. Hoje, no entanto, Jesus deseja que nos preocupemos com uma coisa apenas: receber o seu amor para a nossa alegria e para a glória de Deus, para o nosso bem e das pessoas que nos são próximas.
Receber e acolher o amor de Jesus deveria ser coisa fácil. E, de fato, é. Mas freqüentemente merecemos a reprovação da Palavra de Deus: “Por que amais as coisas vãs?”. Corremos atrás das futilidades, sem tomar consciência da imensidão de alegria que o Senhor nos oferece. Mesmo as pessoas que procuram amar Jesus com generosidade não são capazes de receber o seu amor: pensam que é mais importante dar a ele.
Esta é a atitude de Pedro. Ele não consegue aceitar que o Senhor e mestre possa prestar aos apóstolos um serviço próprio dos escravos. Ele se encontra ainda mergulhado na lógica deste mundo e quando Jesus chega até ele para lavar-lhe os pés protesta: “Tu não me lavarás os pés jamais!”. Não quer receber o amor que vai até o fim. Pensa que o mais importante seja o seu limitado amor por Jesus. “Darei minha vida por ti”. Este é seu erro: não percebe que antes de dar algo a Jesus será preciso receber dele. Somente depois de ter recebido é que será capaz de amá-lo de verdade.
Peçamos hoje a graça de estar atentos ao amor que o Senhor nos oferece, de compreender que devemos voltar nossa atenção a ele e não a nós mesmos. Aceitando o amor seremos purificados, santificados. “Se Deus nos amou, também nós devemos amar-nos uns aos outros”. É preciso reconhecer que Deus nos amou muito, amou até o fim, senão não seremos capazes de nos amar uns aos outros. FELIZ PÁSCOA.
Peçamos hoje a graça de estar atentos ao amor que o Senhor nos oferece, de compreender que devemos voltar nossa atenção a ele e não a nós mesmos. Aceitando o amor seremos purificados, santificados. “Se Deus nos amou, também nós devemos amar-nos uns aos outros”. É preciso reconhecer que Deus nos amou muito, amou até o fim, senão não seremos capazes de nos amar uns aos outros. FELIZ PÁSCOA.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Pe. Valdeci lança novo livro.
“O texto que você tem em mãos, não é um livro. Ele não foi elaborado para leitores, mas para cristãos que buscam o encontro pessoal com Deus e têm consciência de que, para isso, é necessário deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Através de quatro semanas, você será convidado a vários exercícios finalizados à purificação do coração, à busca da própria identidade e dos valores pessoais, a enraizar a própria vida no mistério de Cristo e a colher os frutos do Espírito Santo” (Prefácio. Pe. Júlio E. Akamine, SAC).
Livro de 260 páginas.
Preço: R$ 15,00 (mais correio)
Pedidos: valdecialmeida33@gmail.com
Livro de 260 páginas.
Preço: R$ 15,00 (mais correio)
Pedidos: valdecialmeida33@gmail.com
sexta-feira, 27 de março de 2009
ORDENAÇÃO DO PE. CLAUDIONOR DO AMARAL

HOMILIA
(Dom Irineu Roque Scherer, Bispo de Joinville/SC)
No dia 21 de fevereiro, sábado, Sua Excelência Reverendíssima Dom Irineu Roque Scherer, Bispo de Joinville/SC, durante a Santa Missa, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Itaum, em Joinville/SC, concelebrada por vários presbíteros e numeroso Povo de Deus, conferiu a Sagrada Ordem do Presbiterado ao Diácono Claudionor do Amaral. Para que os coirmãos possam recordar ou participar de algum modo dessa ordenação, publicamos a homilia que D. Irineu Scherer proferiu na ordenação.
O dia da Ordenação Sacerdotal é para todos nós sacerdotes, o mais belo de nossa vida, depois do dia de nosso batismo. Neste, ainda recém-nascidos ou em tenra idade, não podíamos, conscientemente, saborear tão grande graça. Naquele, temíamos não ser dignos de tão grande graça. Temíamos e ainda o tememos. Mas o nosso temor é de reverência: é o sentimento da nossa pequenez diante da majestade do Senhor, em quem confiamos para que “Ele possa realizar grandes coisas nos seus menores servos”.
Estou feliz, pois é, pela primeira vez, que ordeno um seminarista palotino. Já havia ficado feliz com o convite de Claudionor, ao me fazer o pedido, ainda no ano passado. E, eis o momento da graça! Claudionor, aqui estão seus pais, irmãos, parentes, formadores, colegas, benfeitores e amigos. Além disso, estamos reunidos em comunhão com o coro celeste, onde habita Deus, com os seus anjos e santos. É uma expressão real, viva, daquilo que rezamos no Credo: “Creio na comunhão dos Santos”. Portanto, estamos reunidos e unidos em comunhão com o céu e a terra. Isso traz alegria e emoção especial e, como que, nos transporta para o seio da Santíssima Trindade.
Na primeira leitura de hoje, que há pouco ouvimos, São Paulo fala que na Igreja: "Há um só corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança no chamamento que recebestes" (Ef 4, 4). Paulo pensa na realidade do Corpo místico de Cristo, que no seu Corpo Eucarístico encontra o próprio centro vital, do qual flui a energia da graça para cada um dos seus membros.
Afirma o Apóstolo: "O pão que partimos não é a comunhão do Corpo de Cristo? Uma vez que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" (1 Cor 10, 16-17). Deste modo, todos nós, batizados, nos tornamos membros daquele corpo e por isso membros uns dos outros (cf. 1 Cor 12, 27; Rm 12, 5). Com íntimo reconhecimento damos graças a Deus, que, da Eucaristia fez o Sacramento da nossa plena comunhão com Ele e com os irmãos.
Vem-nos, ao mesmo tempo, o urgente apelo à reconciliação e à unidade de todos os que crêem em Cristo: "Um só corpo, um só Espírito, uma só vocação... uma só fé, um só batismo"! Divisões e contrastes ainda laceram, infelizmente, o Corpo de Cristo e impedem os cristãos de diferentes confissões compartilharem o único Pão Eucarístico. Por isso, invocamos unidos à força saneadora da misericórdia divina, para que todas as divisões sejam superadas.
E Vós, ó Cristo, única Cabeça e Salvador, atraí para Vós todos os vossos membros. Uni-os e transformai-os no vosso amor, para que a Igreja resplandeça com aquela beleza sobrenatural que brilha nos santos de todas as épocas e nações, nos mártires, nos confessores, nas virgens e nas inúmeras testemunhas do Evangelho!
No trecho do Evangelho que foi proclamado, Cristo dirige-nos um duplo convite que não pode nos deixar indiferentes, tão forte e incisivo é na sua formulação: "Manete in dilectione mea", permanecei no meu amor. É este o convite dirigido por Cristo aos seus Apóstolos no Cenáculo, naquela atmosfera plena de intensidade de sentimentos da última ceia.
O convite de Cristo a permanecermos no seu amor exprime o ápice das aspirações do Mestre Divino, relativamente aos seus Apóstolos e de quantos nos séculos continuaram a sua obra. É o convite que Jesus dirige também a cada um de nós esta noite.
Cultivar uma profunda intimidade com Cristo, através de um autêntico relacionamento de amizade com Ele, alimentado por um verdadeiro espírito de oração e de escuta da sua palavra, é para todos nós, a condição indispensável para sermos realmente seus discípulos.
É a lógica resposta ao amor de Cristo por nós. E é a atitude que deve ser característica não só de quem é chamado para ser sacerdote, religioso ou religiosa, mas de todos os verdadeiros discípulos de Cristo.
O tempo que dedicamos a Deus na oração é o mais bem empregado. Mas, a oração é também a primeira e mais importante condição do nosso empenho na guia pastoral própria da nossa missão para o bem dos outros e para o bem da sociedade. Nunca devemos pensar que o tempo que dedicamos ao colóquio com Cristo seja perdido para o serviço que temos de prestar aos nossos irmãos e irmãs. "O que se dá a Deus, dizia Paulo VI, nunca é perdido para o homem" Insegnamenti, 1971, p. 246). A oração, com efeito, torna-se fonte da fecundidade das nossas iniciativas pastorais e de doação pelo bem dos outros. Por meio dela, podemos obter graças e realizar o que com as nossas forças somente nos é impossível. Em outras palavras, graças à oração, nós podemos cooperar para que Deus realize algo maior do quanto nós podemos.
Relativamente a isto, São Tomás explica, numa sua longa Quaestio sobre a oração, que há algumas coisas que nós podemos dispor e podemos realizar porque estão dentro das nossas possibilidades, mas há outras, ao contrário, que podem ser realizadas por nós só se o pedirmos a quem pode mais do que nós, ou seja, Deus, para o qual nada é impossível.
Blaise Pascal perguntava-se: "Por que Deus instituiu a oração?". E respondia: "Para comunicar às suas criaturas a possibilidade de cooperar nas suas obras" (Pensamentos, 513).
Deus não quer agir nas almas e no mundo sem a nossa cooperação: ele quer juntamente conosco e mediante a nossa oração, cumprir quanto vai além das nossas forças, capacidades e previsões humanas. "Permanecei no meu amor", repete Jesus Cristo nesta noite a cada um de nós.
O Evangelho de hoje contém, também, um segundo convite importante: o do amor recíproco. É um convite expresso com palavras solenes: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei" (Jo 15, 12). É um mandamento exigente, mas é um amor ditado e sustentado pelo amor a Deus.
E Vós, ó Cristo, única Cabeça e Salvador, atraí para Vós todos os vossos membros. Uni-os e transformai-os no vosso amor, para que a Igreja resplandeça com aquela beleza sobrenatural que brilha nos santos de todas as épocas e nações, nos mártires, nos confessores, nas virgens e nas inúmeras testemunhas do Evangelho!
No trecho do Evangelho que foi proclamado, Cristo dirige-nos um duplo convite que não pode nos deixar indiferentes, tão forte e incisivo é na sua formulação: "Manete in dilectione mea", permanecei no meu amor. É este o convite dirigido por Cristo aos seus Apóstolos no Cenáculo, naquela atmosfera plena de intensidade de sentimentos da última ceia.
O convite de Cristo a permanecermos no seu amor exprime o ápice das aspirações do Mestre Divino, relativamente aos seus Apóstolos e de quantos nos séculos continuaram a sua obra. É o convite que Jesus dirige também a cada um de nós esta noite.
Cultivar uma profunda intimidade com Cristo, através de um autêntico relacionamento de amizade com Ele, alimentado por um verdadeiro espírito de oração e de escuta da sua palavra, é para todos nós, a condição indispensável para sermos realmente seus discípulos.
É a lógica resposta ao amor de Cristo por nós. E é a atitude que deve ser característica não só de quem é chamado para ser sacerdote, religioso ou religiosa, mas de todos os verdadeiros discípulos de Cristo.
O tempo que dedicamos a Deus na oração é o mais bem empregado. Mas, a oração é também a primeira e mais importante condição do nosso empenho na guia pastoral própria da nossa missão para o bem dos outros e para o bem da sociedade. Nunca devemos pensar que o tempo que dedicamos ao colóquio com Cristo seja perdido para o serviço que temos de prestar aos nossos irmãos e irmãs. "O que se dá a Deus, dizia Paulo VI, nunca é perdido para o homem" Insegnamenti, 1971, p. 246). A oração, com efeito, torna-se fonte da fecundidade das nossas iniciativas pastorais e de doação pelo bem dos outros. Por meio dela, podemos obter graças e realizar o que com as nossas forças somente nos é impossível. Em outras palavras, graças à oração, nós podemos cooperar para que Deus realize algo maior do quanto nós podemos.
Relativamente a isto, São Tomás explica, numa sua longa Quaestio sobre a oração, que há algumas coisas que nós podemos dispor e podemos realizar porque estão dentro das nossas possibilidades, mas há outras, ao contrário, que podem ser realizadas por nós só se o pedirmos a quem pode mais do que nós, ou seja, Deus, para o qual nada é impossível.
Blaise Pascal perguntava-se: "Por que Deus instituiu a oração?". E respondia: "Para comunicar às suas criaturas a possibilidade de cooperar nas suas obras" (Pensamentos, 513).
Deus não quer agir nas almas e no mundo sem a nossa cooperação: ele quer juntamente conosco e mediante a nossa oração, cumprir quanto vai além das nossas forças, capacidades e previsões humanas. "Permanecei no meu amor", repete Jesus Cristo nesta noite a cada um de nós.
O Evangelho de hoje contém, também, um segundo convite importante: o do amor recíproco. É um convite expresso com palavras solenes: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei" (Jo 15, 12). É um mandamento exigente, mas é um amor ditado e sustentado pelo amor a Deus.
Caro Claudionor, quiseste escolher como seu lema sacerdotal a frase do Sl 115 – “Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir”. Sem dúvida, quem lhe seduziu, até este momento, foi amor de Cristo e você lhe respondeu com o seu amor. São palavras que nos levam ao próprio coração do cristianismo. O amor é a força capaz de mudar o mundo, o amor é a energia edificadora de uma história melhor. Amor grande para com os nossos superiores e colegas, pelos sacerdotes, seminaristas, pelo povo, como o de Cristo pelos Apóstolos. Amor para com todos. O nosso coração deve estar aberto a todos os homens e a todas as mulheres, nossos irmãos e irmãs, em particular aos pobres e aos mais sofredores. O discípulo de Cristo torna-se um construtor da "civilização do amor", inspirada na mensagem do Evangelho e fundada sobre a justiça, a verdade, a liberdade e a paz.
Caro Diácono Claudionor, seja um fiel seguidor do carisma de São Vicente Pallotti, seu pai fundador, que nasceu em Roma, em 1795, numa família numerosa, onde se destacou pela sensibilidade para com os pobres, a ponto de, enquanto pequeno, dar as suas próprias roupas a eles, a sua cama, assim como, tirar queijos da mercearia do seu pai para dar aos mendigos. Quando alcançou a idade necessária, sentiu a vocação para servir o Senhor.
Quanto ao Sacerdócio, de modo concreto, doutorou-se em Filosofia e Teologia e tornou-se padre da Diocese de Roma. São Vicente tinha um ardor pela salvação das almas, tendo o desejo e o projeto de evangelizar o mundo. São Vicente Pallotti, na Igreja, despertou o carisma do apostolado leigo, ou seja, aquilo que o Concílio Vaticano II apresentou em plenitude. Achava que todo cristão, por graça do Batismo, era um apóstolo e missionário, mesmo diante dos diferentes estados de vida e capacidades pessoais. São Vicente foi, também, o fundador da Sociedade do Apostolado Católico, uma comunidade de padres e leigos com membros espalhados por todo o mundo. São conhecidos como palotinos. Entre os feitos mais importantes está também a intensa participação no combate à epidemia de cólera que quase dizimou a população de Roma em 1837. São Vicente Pallotti foi o confessor do papa Pio IX. Morreu em 1850.
Caríssimos irmãos e irmãs, rezemos pelo que irá ser ordenado sacerdote, em breve, pela sua realização plena, pela sua perseverança e santificação. Que a Virgem de Fátima, padroeira desta Paróquia, que desde o início da Igreja acompanhou os Apóstolos em oração no cenáculo, acompanhe-nos em nossas necessidades e nos cubra com seu manto sagrado e nos dê a sua bênção. Amém!
Caro Diácono Claudionor, seja um fiel seguidor do carisma de São Vicente Pallotti, seu pai fundador, que nasceu em Roma, em 1795, numa família numerosa, onde se destacou pela sensibilidade para com os pobres, a ponto de, enquanto pequeno, dar as suas próprias roupas a eles, a sua cama, assim como, tirar queijos da mercearia do seu pai para dar aos mendigos. Quando alcançou a idade necessária, sentiu a vocação para servir o Senhor.
Quanto ao Sacerdócio, de modo concreto, doutorou-se em Filosofia e Teologia e tornou-se padre da Diocese de Roma. São Vicente tinha um ardor pela salvação das almas, tendo o desejo e o projeto de evangelizar o mundo. São Vicente Pallotti, na Igreja, despertou o carisma do apostolado leigo, ou seja, aquilo que o Concílio Vaticano II apresentou em plenitude. Achava que todo cristão, por graça do Batismo, era um apóstolo e missionário, mesmo diante dos diferentes estados de vida e capacidades pessoais. São Vicente foi, também, o fundador da Sociedade do Apostolado Católico, uma comunidade de padres e leigos com membros espalhados por todo o mundo. São conhecidos como palotinos. Entre os feitos mais importantes está também a intensa participação no combate à epidemia de cólera que quase dizimou a população de Roma em 1837. São Vicente Pallotti foi o confessor do papa Pio IX. Morreu em 1850.
Caríssimos irmãos e irmãs, rezemos pelo que irá ser ordenado sacerdote, em breve, pela sua realização plena, pela sua perseverança e santificação. Que a Virgem de Fátima, padroeira desta Paróquia, que desde o início da Igreja acompanhou os Apóstolos em oração no cenáculo, acompanhe-nos em nossas necessidades e nos cubra com seu manto sagrado e nos dê a sua bênção. Amém!
domingo, 15 de março de 2009
NOVENA A SÃO VICENTE PALLOTTI

D.: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T.: Amém.
OFERECIMENTO
D.: São Vicente Pallotti,
T.: Grande é a nossa confiança em vós; sempre nos auxiliastes com a vossa proteção; na terra exortáveis continuamente os atribulados a rezar e a confiar em Deus. Por isso, rezamos e esperamos firmemente de Deus, pela vossa intercessão, a ajuda em nossas necessidades. Alcançai de Deus, se for de sua vontade, saúde aos nossos enfermos, prosperidade em nossos negócios e planos, felicidade e paz de Jesus em nossos lares. Fazei que sejamos justos para com o nosso próximo, atentos aos necessitados, vivendo em comunhão e participação. Temos certeza de que não nos deixareis desamparados./ Amém.
SÚPLICAS A MARIA SANTÍSSIMA
D.: Imaculada Mãe de Deus
T.: Rainha do céu, Mãe de misericórdia, advogada e refúgio dos pecadores, iluminado e confortado pelas graças que a vossa materna benevolência me conseguiu do tesouro divino. Quero entregar, agora e sempre, o meu coração, em vossas mãos, para que o consagreis a Jesus. Sim, ó Maria, perante os anjos e santos, eu vo-lo entrego, e vós, em meu nome, consagrai-o a Jesus.
Pela confiança filial que deposito em vós, sei, com certeza, que haveis de fazer, agora e sempre, quanto puderdes, para que o meu coração seja todo de Jesus, à imitação dos santos, em especial de São José, vosso puríssimo esposo. Amém.
D.: Nas intenções particulares: Ave Maria...
D.: Uno-me a vós, ó Maria, Rainha dos Apóstolos, e a todos os anjos e santos, para agradecer à Santíssima Trindade o dom da fé que recebi. Eu me alegro de saudar-vos, como a Igreja o faz, com o título de Rainha dos Apóstolos, porque me desperta confiança em vós e coragem em mim. Peço-vos o dom do apostolado, o dom de utilizar tudo para a propagação da fé, em todo o mundo, a fim de que o quanto antes, chegue o momento desejado por vós e por todo o paraíso, temido pelo inferno, momento previsto por vosso Filho, Jesus, quando haverá um só rebanho apascentado por um só Pastor. Amém.
SÚPLICAS A SÃO VICENTE PALLOTTI
D.: São Vicente Pallotti
T.: Rogai para que haja em nós e em todos os cristãos, especialmente vosso espírito de humildade e caridade. Como Jesus orou por seus discípulos, assim também vós, ó São Vicente, orai por nós à Santíssima Trindade, que nos livre de todo mal, nos santifique na verdade e nos confirme na união. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
D.: Rogai por nós, São Vicente Pallotti
T.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
S.: Oremos
Ó Deus, que suscitastes na vossa Igreja, o santo sacerdote Vicente Pallotti, para defender a fé e reavivar a caridade. Concedei-nos benignamente, pela imitação dos seus exemplos, ter no coração e testemunhar, com as obras, a certeza da verdade e o amor fraterno. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
D.: São Vicente Pallotti, imitador dos Santos Apóstolos.
T.: Rogai por nós.
D.: Vivificador do apostolado dos leigos.
T.: Rogai por nós.
D.: Exemplo de confiança na Providência Divina.
T.: Rogai por nós.
ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
D.: Maria Santíssima
T.: Rainha do clero, Mãe do Sumo Sacerdote Jesus. Intercedei pelos sacerdotes e missionários. Dai perseverança aos seminaristas, e despertai verdadeiras vocações sacerdotais e religiosas, em nossas famílias.
D.: Rainha dos Apóstolos
T.: Rogai por nós.
BÊNÇÃO DOS DOENTES
S.: O Senhor esteja convosco.
T.: Ele está no meio de nós.
S.: A nossa proteção está no nome do Senhor.
T.: Que fez o céu e a terra.
S.: Ouvi, Senhor, a minha oração.
T.: E chegue até vós o meu clamor.
S.: Olhai, Senhor, para os vossos servos e servas que estão sofrendo com as doenças corporais, mentais e espirituais. Confortai estas vossas criaturas, e fazei com que tirem proveito de seus sofrimentos, reconhecendo que é vossa misericórdia que os salva. Nós vo-lo pedimos, por Cristo Senhor Nosso. Amém.
S.: Nosso Senhor Jesus Cristo esteja perto de vós para vos defender; esteja em vosso coração para vos conservar; que ele seja vosso guia para vos conduzir; que vos acompanhe para vos guardar, sobre vós derrame sua bênção, Ele, que vive e reina com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém.
S.: A bênção de Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça para sempre.
T.: Amém.
Assinar:
Postagens (Atom)
