sexta-feira, 27 de março de 2009

ORDENAÇÃO DO PE. CLAUDIONOR DO AMARAL



HOMILIA


(Dom Irineu Roque Scherer, Bispo de Joinville/SC)


No dia 21 de fevereiro, sábado, Sua Excelência Reverendíssima Dom Irineu Roque Scherer, Bispo de Joinville/SC, durante a Santa Missa, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Itaum, em Joinville/SC, concelebrada por vários presbíteros e numeroso Povo de Deus, conferiu a Sagrada Ordem do Presbiterado ao Diácono Claudionor do Amaral. Para que os coirmãos possam recordar ou participar de algum modo dessa ordenação, publicamos a homilia que D. Irineu Scherer proferiu na ordenação.

O dia da Ordenação Sacerdotal é para todos nós sacerdotes, o mais belo de nossa vida, depois do dia de nosso batismo. Neste, ainda recém-nascidos ou em tenra idade, não podíamos, conscientemente, saborear tão grande graça. Naquele, temíamos não ser dignos de tão grande graça. Temíamos e ainda o tememos. Mas o nosso temor é de reverência: é o sentimento da nossa pequenez diante da majestade do Senhor, em quem confiamos para que “Ele possa realizar grandes coisas nos seus menores servos”.
Estou feliz, pois é, pela primeira vez, que ordeno um seminarista palotino. Já havia ficado feliz com o convite de Claudionor, ao me fazer o pedido, ainda no ano passado. E, eis o momento da graça! Claudionor, aqui estão seus pais, irmãos, parentes, formadores, colegas, benfeitores e amigos. Além disso, estamos reunidos em comunhão com o coro celeste, onde habita Deus, com os seus anjos e santos. É uma expressão real, viva, daquilo que rezamos no Credo: “Creio na comunhão dos Santos”. Portanto, estamos reunidos e unidos em comunhão com o céu e a terra. Isso traz alegria e emoção especial e, como que, nos transporta para o seio da Santíssima Trindade.
Na primeira leitura de hoje, que há pouco ouvimos, São Paulo fala que na Igreja: "Há um só corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança no chamamento que recebestes" (Ef 4, 4). Paulo pensa na realidade do Corpo místico de Cristo, que no seu Corpo Eucarístico encontra o próprio centro vital, do qual flui a energia da graça para cada um dos seus membros.
Afirma o Apóstolo: "O pão que partimos não é a comunhão do Corpo de Cristo? Uma vez que há um só pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão" (1 Cor 10, 16-17). Deste modo, todos nós, batizados, nos tornamos membros daquele corpo e por isso membros uns dos outros (cf. 1 Cor 12, 27; Rm 12, 5). Com íntimo reconhecimento damos graças a Deus, que, da Eucaristia fez o Sacramento da nossa plena comunhão com Ele e com os irmãos.


Vem-nos, ao mesmo tempo, o urgente apelo à reconciliação e à unidade de todos os que crêem em Cristo: "Um só corpo, um só Espírito, uma só vocação... uma só fé, um só batismo"! Divisões e contrastes ainda laceram, infelizmente, o Corpo de Cristo e impedem os cristãos de diferentes confissões compartilharem o único Pão Eucarístico. Por isso, invocamos unidos à força saneadora da misericórdia divina, para que todas as divisões sejam superadas.
E Vós, ó Cristo, única Cabeça e Salvador, atraí para Vós todos os vossos membros. Uni-os e transformai-os no vosso amor, para que a Igreja resplandeça com aquela beleza sobrenatural que brilha nos santos de todas as épocas e nações, nos mártires, nos confessores, nas virgens e nas inúmeras testemunhas do Evangelho!
No trecho do Evangelho que foi proclamado, Cristo dirige-nos um duplo convite que não pode nos deixar indiferentes, tão forte e incisivo é na sua formulação: "Manete in dilectione mea", permanecei no meu amor. É este o convite dirigido por Cristo aos seus Apóstolos no Cenáculo, naquela atmosfera plena de intensidade de sentimentos da última ceia.
O convite de Cristo a permanecermos no seu amor exprime o ápice das aspirações do Mestre Divino, relativamente aos seus Apóstolos e de quantos nos séculos continuaram a sua obra. É o convite que Jesus dirige também a cada um de nós esta noite.
Cultivar uma profunda intimidade com Cristo, através de um autêntico relacionamento de amizade com Ele, alimentado por um verdadeiro espírito de oração e de escuta da sua palavra, é para todos nós, a condição indispensável para sermos realmente seus discípulos.
É a lógica resposta ao amor de Cristo por nós. E é a atitude que deve ser característica não só de quem é chamado para ser sacerdote, religioso ou religiosa, mas de todos os verdadeiros discípulos de Cristo.
O tempo que dedicamos a Deus na oração é o mais bem empregado. Mas, a oração é também a primeira e mais importante condição do nosso empenho na guia pastoral própria da nossa missão para o bem dos outros e para o bem da sociedade. Nunca devemos pensar que o tempo que dedicamos ao colóquio com Cristo seja perdido para o serviço que temos de prestar aos nossos irmãos e irmãs. "O que se dá a Deus, dizia Paulo VI, nunca é perdido para o homem" Insegnamenti, 1971, p. 246). A oração, com efeito, torna-se fonte da fecundidade das nossas iniciativas pastorais e de doação pelo bem dos outros. Por meio dela, podemos obter graças e realizar o que com as nossas forças somente nos é impossível. Em outras palavras, graças à oração, nós podemos cooperar para que Deus realize algo maior do quanto nós podemos.
Relativamente a isto, São Tomás explica, numa sua longa Quaestio sobre a oração, que há algumas coisas que nós podemos dispor e podemos realizar porque estão dentro das nossas possibilidades, mas há outras, ao contrário, que podem ser realizadas por nós só se o pedirmos a quem pode mais do que nós, ou seja, Deus, para o qual nada é impossível.
Blaise Pascal perguntava-se: "Por que Deus instituiu a oração?". E respondia: "Para comunicar às suas criaturas a possibilidade de cooperar nas suas obras" (Pensamentos, 513).
Deus não quer agir nas almas e no mundo sem a nossa cooperação: ele quer juntamente conosco e mediante a nossa oração, cumprir quanto vai além das nossas forças, capacidades e previsões humanas. "Permanecei no meu amor", repete Jesus Cristo nesta noite a cada um de nós.
O Evangelho de hoje contém, também, um segundo convite importante: o do amor recíproco. É um convite expresso com palavras solenes: "O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei" (Jo 15, 12). É um mandamento exigente, mas é um amor ditado e sustentado pelo amor a Deus.


Caro Claudionor, quiseste escolher como seu lema sacerdotal a frase do Sl 115 – “Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir”. Sem dúvida, quem lhe seduziu, até este momento, foi amor de Cristo e você lhe respondeu com o seu amor. São palavras que nos levam ao próprio coração do cristianismo. O amor é a força capaz de mudar o mundo, o amor é a energia edificadora de uma história melhor. Amor grande para com os nossos superiores e colegas, pelos sacerdotes, seminaristas, pelo povo, como o de Cristo pelos Apóstolos. Amor para com todos. O nosso coração deve estar aberto a todos os homens e a todas as mulheres, nossos irmãos e irmãs, em particular aos pobres e aos mais sofredores. O discípulo de Cristo torna-se um construtor da "civilização do amor", inspirada na mensagem do Evangelho e fundada sobre a justiça, a verdade, a liberdade e a paz.
Caro Diácono Claudionor, seja um fiel seguidor do carisma de São Vicente Pallotti, seu pai fundador, que nasceu em Roma, em 1795, numa família numerosa, onde se destacou pela sensibilidade para com os pobres, a ponto de, enquanto pequeno, dar as suas próprias roupas a eles, a sua cama, assim como, tirar queijos da mercearia do seu pai para dar aos mendigos. Quando alcançou a idade necessária, sentiu a vocação para servir o Senhor.
Quanto ao Sacerdócio, de modo concreto, doutorou-se em Filosofia e Teologia e tornou-se padre da Diocese de Roma. São Vicente tinha um ardor pela salvação das almas, tendo o desejo e o projeto de evangelizar o mundo. São Vicente Pallotti, na Igreja, despertou o carisma do apostolado leigo, ou seja, aquilo que o Concílio Vaticano II apresentou em plenitude. Achava que todo cristão, por graça do Batismo, era um apóstolo e missionário, mesmo diante dos diferentes estados de vida e capacidades pessoais. São Vicente foi, também, o fundador da Sociedade do Apostolado Católico, uma comunidade de padres e leigos com membros espalhados por todo o mundo. São conhecidos como palotinos. Entre os feitos mais importantes está também a intensa participação no combate à epidemia de cólera que quase dizimou a população de Roma em 1837. São Vicente Pallotti foi o confessor do papa Pio IX. Morreu em 1850.
Caríssimos irmãos e irmãs, rezemos pelo que irá ser ordenado sacerdote, em breve, pela sua realização plena, pela sua perseverança e santificação. Que a Virgem de Fátima, padroeira desta Paróquia, que desde o início da Igreja acompanhou os Apóstolos em oração no cenáculo, acompanhe-nos em nossas necessidades e nos cubra com seu manto sagrado e nos dê a sua bênção. Amém!

domingo, 15 de março de 2009

NOVENA A SÃO VICENTE PALLOTTI




D.: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
T.: Amém.

OFERECIMENTO

D.: São Vicente Pallotti,
T.: Grande é a nossa confiança em vós; sempre nos auxiliastes com a vossa proteção; na terra exortáveis continuamente os atribulados a rezar e a confiar em Deus. Por isso, rezamos e esperamos firmemente de Deus, pela vossa intercessão, a ajuda em nossas necessidades. Alcançai de Deus, se for de sua vontade, saúde aos nossos enfermos, prosperidade em nossos negócios e planos, felicidade e paz de Jesus em nossos lares. Fazei que sejamos justos para com o nosso próximo, atentos aos necessitados, vivendo em comunhão e participação. Temos certeza de que não nos deixareis desamparados./ Amém.

SÚPLICAS A MARIA SANTÍSSIMA

D.: Imaculada Mãe de Deus
T.: Rainha do céu, Mãe de misericórdia, advogada e refúgio dos pecadores, iluminado e confortado pelas graças que a vossa materna benevolência me conseguiu do tesouro divino. Quero entregar, agora e sempre, o meu coração, em vossas mãos, para que o consagreis a Jesus. Sim, ó Maria, perante os anjos e santos, eu vo-lo entrego, e vós, em meu nome, consagrai-o a Jesus.
Pela confiança filial que deposito em vós, sei, com certeza, que haveis de fazer, agora e sempre, quanto puderdes, para que o meu coração seja todo de Jesus, à imitação dos santos, em especial de São José, vosso puríssimo esposo. Amém.

D.: Nas intenções particulares: Ave Maria...
D.: Uno-me a vós, ó Maria, Rainha dos Apóstolos, e a todos os anjos e santos, para agradecer à Santíssima Trindade o dom da fé que recebi. Eu me alegro de saudar-vos, como a Igreja o faz, com o título de Rainha dos Apóstolos, porque me desperta confiança em vós e coragem em mim. Peço-vos o dom do apostolado, o dom de utilizar tudo para a propagação da fé, em todo o mundo, a fim de que o quanto antes, chegue o momento desejado por vós e por todo o paraíso, temido pelo inferno, momento previsto por vosso Filho, Jesus, quando haverá um só rebanho apascentado por um só Pastor. Amém.

SÚPLICAS A SÃO VICENTE PALLOTTI

D.: São Vicente Pallotti
T.: Rogai para que haja em nós e em todos os cristãos, especialmente vosso espírito de humildade e caridade. Como Jesus orou por seus discípulos, assim também vós, ó São Vicente, orai por nós à Santíssima Trindade, que nos livre de todo mal, nos santifique na verdade e nos confirme na união. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

D.: Rogai por nós, São Vicente Pallotti
T.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

S.: Oremos
Ó Deus, que suscitastes na vossa Igreja, o santo sacerdote Vicente Pallotti, para defender a fé e reavivar a caridade. Concedei-nos benignamente, pela imitação dos seus exemplos, ter no coração e testemunhar, com as obras, a certeza da verdade e o amor fraterno. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

D.: São Vicente Pallotti, imitador dos Santos Apóstolos.
T.: Rogai por nós.
D.: Vivificador do apostolado dos leigos.
T.: Rogai por nós.
D.: Exemplo de confiança na Providência Divina.
T.: Rogai por nós.

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

D.: Maria Santíssima
T.: Rainha do clero, Mãe do Sumo Sacerdote Jesus. Intercedei pelos sacerdotes e missionários. Dai perseverança aos seminaristas, e despertai verdadeiras vocações sacerdotais e religiosas, em nossas famílias.

D.: Rainha dos Apóstolos
T.: Rogai por nós.

BÊNÇÃO DOS DOENTES

S.: O Senhor esteja convosco.
T.: Ele está no meio de nós.
S.: A nossa proteção está no nome do Senhor.
T.: Que fez o céu e a terra.
S.: Ouvi, Senhor, a minha oração.
T.: E chegue até vós o meu clamor.


S.: Olhai, Senhor, para os vossos servos e servas que estão sofrendo com as doenças corporais, mentais e espirituais. Confortai estas vossas criaturas, e fazei com que tirem proveito de seus sofrimentos, reconhecendo que é vossa misericórdia que os salva. Nós vo-lo pedimos, por Cristo Senhor Nosso. Amém.

S.: Nosso Senhor Jesus Cristo esteja perto de vós para vos defender; esteja em vosso coração para vos conservar; que ele seja vosso guia para vos conduzir; que vos acompanhe para vos guardar, sobre vós derrame sua bênção, Ele, que vive e reina com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém.
S.: A bênção de Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça para sempre.
T.: Amém.

ORAÇÕES PALOTINAS




ORAÇÃO A SÃO VICENTE PALLOTTI


Oh São Vicente Pallotti, tu nos deste o exemplo de uma fé inabalável e de um grande amor a Deus e aos seres humanos, intercede junto ao Pai por nós, para que imitando o teu exemplo, possamos ser firmes na fé e verdadeiros apóstolos de Jesus Cristo. AMÉM.


ORAÇÃO PELA UAC

São Vicente Pallotti, que, inflamado pelo amor de Jesus e Maria, dedicaste, de modo incansável, a tua vida à obra do apostolado, para a infinita glória de Deus, para a destruição do pecado e a salvação das pessoas. Abençoa-nos, vo-lo pedimos, junto a Deus, pelas mãos maternas de Maria, Rainha dos Apóstolos. Dá-nos um coração cheio de zelo ardente e serviçal, para seguirmos o caminho da santificação de nossa alma e tornar-nos dignos de cooperar na defesa, aperfeiçoamento e propagação da fé e da caridade. Ajuda-nos também, para que sejamos verdadeiros anunciadores do Reino de Cristo, para que possa estender-se sobre toda a terra, e que todas as nações possam viver na unidade, em um só rebanho, apascentado por um só pastor. Assim seja.


PEDINDO A PROTEÇÃO DE SÃO VICENTE PALLOTTI

Oh são Vicente Pallotti, tu que alertaste sobre as múltiplas necessidades da Igreja e da humanidade. Impelido pelo amor de Cristo e sobre a materna proteção da Imaculada Mãe de Deus, Rainha dos Apóstolos, traçaste novos caminhos para que aumentasse em nós o amor de Deus. Tu quiseste despertar nos batizados a consciência de ser apóstolos, empenhados a transmitir a fé e o amor de Deus e a conduzir todos os homens à unidade em Cristo. Por isso nos deixastes a União do Apostolado Católico, como tua herança espiritual. Oh são Vicente, nosso Fundador, da morada celeste guia, protege, e faze com que a tua obra seja fecunda no meio do povo. Obtém sobre os membros da União do Apostolado Católico as bênçãos divinas. Pede para nós, ao Deus misericordioso, o mesmo amor que inflamou a tua alma. Implora, sobre nós, a proteção de Maria, Rainha dos Apóstolos, a quem confiamos a nós e os nossos trabalhos apostólicos. Por Cristo nosso Senhor. Amém.


ORAÇÃO APOSTÓLICA DE SÃO VICENTE PALLOTTI

Eterno Pai, que no teu infinito amor nos tem dado Jesus, o teu Filho unigênito, para que todos os seres humanos possam ser salvos. Faze que cheguemos ao conhecimento da verdade e a te amar como único e supremo bem. Com fé na morte e na ressurreição de Jesus Cristo, nós Te suplicamos: Manda, Senhor, operários para a tua messe e tem piedade do teu povo. Eterno Verbo Encarnado, Redentor do gênero humano, digna-te converter todas as pessoas, porque, por eles, Tu te fizeste obediente até a morte de Cruz. Pelos méritos e pela intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, e de todos os Anjos e Santos, nós Te suplicamos: Manda, Senhor, operários para a tua messe e tem piedade do teu povo. Divino Espírito Santo, Luz dos que creem, infunda em todos os corações o teu imenso amor, para que o mundo seja um só rebanho, apascentado por um só Pastor e, na eternidade, cantaremos a tua infinita misericórdia. Pela paixão e pela morte de Jesus Cristo, faze que o Senhor mande operários para a sua messe e tenha piedade do seu povo. Rainha dos Apóstolos e vós todos, Anjos e Santos, implorai ao Senhor da messe, que mande operários para a sua messe e tenha piedade do seu povo, para que todas as pessoas se unam a vós no Reino dos Céus. A vós a honra e a glória por todos os séculos: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Oração de São Vicente Pallotti à Maria Santíssima.

D – Imaculada Mãe de Deus, Rainhas dos Apóstolos.
T – Reconheço que o preceito divino de amar o próximo como a mim mesmo, obriga-me a procurar sua salvação eterna como a minha própria.
D – Confesso que pelos meus pecados.
T – Sou indigno de ter a graça necessária para me ocupar eficaz e constantemente, em obra tão santa e divina, mas tu ma obténs pela misericórdia de Deus e pelos merecimentos infinitos de Jesus.
D – Por isso, unido a Ti, a toda a corte celeste e a todos os justos que vivem e viverão na Igreja de Deus,
T – Faço a intenção de oferecer a cada momento, agora e sempre, os infinitos merecimentos de Cristo, em agradecimento, como se a mim e a todos tivesse obtido tal graça, como a obtivestes aos santos apóstolos.
D – Confiado na tua poderosa intercessão,
T – Quero, desde este momento, utilizar tudo o que Deus me conceder, talentos e ciências, saúde e enfermidades, tribulações e incompreensões e qualquer outro dom natural ou sobrenatural, empregando-os para a maior glória de Deus, para a santificação nossa e a do nosso próximo.
D – Especialmente, promovendo boas obras...
T – Espirituais e materiais, aptas a reavivar a fé e a reacender a caridade entre os cristãos e propagá-las em todo o mundo.
D – E quando não tiver outra coisa para dedicar a tal fim...
T – Não cessarei de rezar para que haja um só rebanho e um só pastor. Assim espero chegar à glória do céu, a fim de participar do fruto do apostolado de Jesus Cristo, por toda a eternidade.
Amém.

ORAÇÃO DE S. VICENTE PALLOTTI

Ó São Vicente Pallotti, vós que nos destes o exemplo de uma fé inabalável e de grande amor a Deus e ao próximo, intercedei junto a Deus por nós, para que, imitando o vosso exemplo, sejamos também nós fortes na fé e verdadeiros apóstolos de Cristo. Amém.

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Meu Jesus, pela perfeição de vossa vida santíssima:
Destruí toda a maldade de minha vida e a vossa vida santíssima seja a minha.
Destrua-se toda a minha vida.
A vida de Jesus Cristo seja a minha.
A Vida de Jesus Cristo seja a minha meditação,
seja minha alegria e, em mim, seja testemunho da Igreja.
A oração de Jesus Cristo seja a minha oração.
O amor de Cristo para com Maria,
seja o meu amor para com ela. Amém.

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ORAÇÃO PELA UAC

São Vicente Pallotti, que, inflamado pelo amor de Jesus e Maria, dedicastes de modo incansável a vossa vida à obra do apostolado, para a infinita glória de Deus, para a destruição do pecado, e para a salvação dos homens.
Abençoai-nos, vo-lo pedimos, junto a Deus, pelas mãos maternas de Maria, Rainha dos Apóstolos. Dai-nos um coração cheio de zelo ardente e serviçal.
Queremos seguir-vos no caminho da santificação de nossa alma e tornar-nos dignos de cooperar na defesa, aperfeiçoamento e propagação da fé e da caridade, e assim contribuir para que, desta maneira, o Reino de Cristo se estenda sobre toda a terra e todas as nações possam viver unidas num só rebanho apascentado por um só pastor. Assim seja.

sábado, 14 de março de 2009

REFLEXÃO SOBRE VOCAÇÃO



Vocação, dom e mistério

Caro jovem

Deus convida você a navegar em águas profundas. (Lc 5,4)
O ser humano não nasceu para ficar na periferia da criação, mas recebeu a ordem de Deus para dominar o universo.
Com certa maestria, o ser humano vem cumprindo a sua missão. O pecado, porém, prejudica a ação humana e ofusca a sua razão. Por causa disso, ao invés de ordenar a obra de Deus, torna-se destruidor da criação. A natureza já não suporta mais ser depredada pelo ser humano e clama, urgentemente, por vida.
O desejo de Deus é que tenhamos vida, vida plena. Essa vida só é possível quando está intimamente ligada ao seu Criador. Longe de Deus, a vida humana perde seu sentido, o outro torna-se um adversário e a natureza um meio para suprir caprichos.
Deus quer ser amigo do ser humano, por isso diz: “não vos chamo servos, mas amigos”.
Conhecer o desejo de Deus, a nosso respeito, é o primeiro passo para que também nós nos interessemos por Ele. Quem desconhece o amor de Deus, desconhece viver em liberdade e deixa de ser promotor da vida e da paz.
A grande dificuldade da pessoa humana está em ser pecadora, porque o pecado a faz sofrer e morrer internamente. Quem vive no pecado, vive num mundo cheio de contradição e precariedades. É uma pessoa que não irradia luz, mas trevas.
Jesus é a nossa luz e quer que, iluminados pela sua graça, também o sejamos: “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Para sermos sal e luz, precisamos acolher a vida de Deus em nós. De que maneira isso é possível? Cumprindo seus mandamentos, ouvindo o Evangelho e recebendo os sacramentos da Igreja.
Quem está com Cristo, é uma nova criatura. Fomos renovados pela graça no dia do batismo, iluminados pelo Espírito no dia em que fomos crismados e alimentados pela eucaristia, para suportamos os desafios da vida. Deus nos cerca por todos os lados, para que a nossa vida seja toda dele.
Portanto, caro jovem, Deus também chama você para fazer alguma coisa na Igreja. Você é chamado a levar vida por onde passar. Você é chamado a ser sinal de esperança para aqueles que já perderam o sentido de viver. Por isso, Deus precisa de você para salvar o mundo e reconstruir a sociedade. O mundo está em crise e sedento do amor de Deus.

Seja você também um mensageiro da Boa Notícia, construindo um novo céu e uma nova terra.
Junte-se a nós!
Postulado
Seminário São Vicente Pallotti: Tel (43) 3327-2233 – Londrina - Pr
Responsável: Pe. Elmar
Noviciado Rainha da Paz
Tel: (43) 3524-2213 – Cornélio Procópio – Pr
Responsável: Pe. Valdeci

Seminário Maior Mãe do Divino Amor
Tel: (41) 3266-2025 – Curitiba- Pr
Promotor vocacional da província: Pe. José Lino

sábado, 7 de março de 2009



VICENTE PALLOTTI E SEU NOVO PARADIGMA


“Quem não ama não pode viver” (OOCC X, 226 e 614). “Ou morrer ou amar infinitamente”.
“Parai um pouco na estrada para observar, e perguntai sobre os antigos caminhos, e qual será o melhor, para seguirdes por ele; assim ficareis mais tranqüilos em vossos corações” (Jer 6,16).

Ainda muito jovem, Pallotti percebeu que Deus tinha confiado a ele uma grande missão. Mas sentiu também que, com suas próprias forças, era impossível atingir aquilo que Deus lhe confiara, porque dentro dele o limite humano imperava.
Segundo alguns depoimentos no processo de beatificação, encontramos que Pallotti era dotado de espírito de grande liderança e de intensa caridade. Possuía um temperamento de tenacidade legítima, que não chegava a ser teimosia. Tinha uma inteligência acima da média e apta para temas científicos e para discussão de tais temas. Isto lhe dava seguro senso crítico capaz de torná-lo apto para uma carreira acadêmica. Porém, Vicente possuía um senso vivo da realidade. (Todisco, p. 151).

Foi declarado, ainda, que ele possuía uma natureza fogosa, mas soube dominar este fogo e, ao ser insultado por alguém mostrava-se paciente e dócil. Pe. Vaccari também confirma esse seu temperamento, porém, a sua vigilância o fazia sempre doce e bondoso. (Todisco, p. 151).
“Não sou capaz de dar bom exemplo, mas com a graça de Deus, serei capaz de santificar o mundo” (OOCC X, 607). “Peço a Deus um caminho santo” (OOCC X, 97).
Possuía, ainda, uma inclinação temperamental para o orgulho, para a ambição, para o mando, para a imposição do próprio querer sobre o dos outros. “Removerei os obstáculos que possam impedir a minha santificação; o obstáculo maior dentro de mim é o orgulho” (Prop. e aspirações, n. 197).
“Destruí a minha vida e dai-me a vossa vida de caridade. Transformai-me na vossa caridade” (OOCC X, 674-675).

Pe. Rafael Mélia diz: “Sou testemunha e admirador de sua perene, inalterável mansidão para comigo e para com todos os outros. Nas recreações em que, às vezes, estava presente, mostrava uma santa alegria, a ponto de tornar-se modelo e referência para os mais, no fazer uma santa recreação. Além disso, a fecundidade de suas idéias, a hilaridade do seu espírito, a sua cortesia e os seus modos gentis despertavam, realmente, prazer em quem com ele conversasse”. (Todisco, p. 152).

“Quero ter dentro de mim uma profunda compaixão pelas viúvas, agricultores, doentes. Quero sentir as suas aflições” (OOCC X, 19-20). “Quero ser luz para os cegos, bebida...” (OOCC X , 15-16; Prop. e aspirações, n. 197).
O padre Vicente não viveu senão para Deus e para sua glória. Propunha-se elevar a mente para Deus em tudo que tivesse visto e lido, com a aspiração de que tudo redundasse em maior glória para Ele. Para a maior glória dele, socorria os pobres.
No seu fervor juvenil, em 1816, dizia: “Em todas as minhas ações e nas alheias, entendo, que não se tenha outro critério ou finalidade, que não seja Deus. Não quero nada senão Deus” (OOCC X, 68; Todisco, p 154).

Dentre todas as criaturas, fixou sua atenção sobre a humanidade. Padre Vicente foi um homem de cidade e o panorama é essencialmente humano. A natureza que ele contemplava era a que estava encerrada no interior dos muros, dos parques privados ou públicos.
O seu maior relacionamento cotidiano foi com as pessoas aflitas, angustiadas, atribuladas, fadigadas, oprimidas e oneradas de trabalhos e de cargas, como, por exemplo, pobres chaveiros, camponeses, carroceiros, carpinteiros, pedreiros, pobres mulheres aflitas pelos cuidados domésticos, agoniadas, adoecidas por causa dos filhos, pelas longas vigílias suportadas quando eles adoecem. A opressão de tantas jovens expostas ao perigo de perder a honra; a opressão de órfãos, de viúvas desoladas... (OOCC X, 19-20)
[1]; (Todisco, p. 160).
Esta não foi uma simples consideração intelectual, mas contemplação cristã, ou seja, visão à medida de Deus, permeada de amor. Juntamente com os oprimidos por sofrimentos morais e físicos, que ele sempre tratou de aliviar, desfilaram diante dele pecadores, infiéis, hereges, ignorantes, que todos o impeliam a agir. Por isso que o padre Vicente era homem radicalmente apostólico, a contemplação o levou à ação e à caridade: “Procurarei estimular-me no sentido de uma viva compaixão para com estas criaturas, a fim de socorrê-las conforme as leis da piedade cristã e de uma santa prudência” (OOCC X, 20).
O amor a Deus foi a marca registrada do jovem Pallotti. A glorificação de Deus se traduzia em amor para com ele e a sua espiritualidade. Glorificar a Deus e sofrer para tornar infinita a glorificação, juntamente com a vocação apostólica, foram os pilares da experiência religiosa e da orientação de toda a vida de Pallotti.
O amor, qual meio de glorificação, inicialmente parecia levá-lo à contemplação. Vicente parecia estar no céu, para amar e, na terra, para amar e sofrer, e não para trabalhar pela glória de Deus. A espiritualidade do jovem Pallotti parecia centrar-se no aspecto adoração da vocação sacerdotal. (cf. OOCC X, 163).

Seu cultivo espiritual

Vicente Pallotti, que tinha dedicado a existência ao serviço de Deus e ao ministério em favor do próximo, cultivou, pois, uma atitude de profunda adoração de Deus e de Jesus Eucaristia e de veneração para com Maria, os Anjos, os Santos e os justos.
A vivência do mistério eucarístico o leva a uma configuração a Cristo, onde sua vida, suas atitudes, seu apostolado fosse a vida do próprio Cristo (Gal 2,20). Porém, essa perfeição só pode ser encontrada no Cenáculo. Através de seu exemplo, Pallotti nos impulsiona a nutrir um profundo amor pela Eucaristia, fonte de graças e de bênçãos para todo apostolado.

Propósitos
Ao reconhecer sua limitação diante do infinito amor de Deus, Pallotti faz alguns propósitos capazes de viabilizar sua relação com Cristo eucarístico:
a) comungar todos os dias até o fim de sua vida
b) fixar sua atenção na eucaristia;
c) aumentar os adoradores e os que participam da Eucaristia;
d) viver permanentemente em preparação, busca e ação de graças, participando nos infinitos mistérios da Eucaristia;
e) desejava que a eucaristia operasse nele.

A oração era o centro da vida de Pallotti. Recomendava a todos: oração, oração, oração, para alcançar a submissão da vontade ao querer divino. (OCL I, 7;12;25;35;53). A oração cria um clima de santidade nos grupos que se dedicam à ação apostólica.
O Padre Vicente se preocupava para que a oração dos leigos fosse mais profunda. Ainda jovem traçou para as famílias cristãs um programa de orações, que incluía uma breve meditação diária, alternando a da paixão de Cristo com uma, sugerida pelo livro das Máximas Eternas de Santo Afonso, oração do rosário, das ladainhas etc. (Todisco, p. 167).
Algo muito vivo tinha em sua mente: “Façamos todo o bem possível, infinitamente multiplicado. Façamos o bem infinito, infinitamente multiplicado, o quanto seja possível” (OCL 10; 11;15).
Finalmente procuremos sempre intimar guerra implacável contra o maldito pecado. (p. 168).

Vicente Pallotti, o apóstolo da juventude

Dezessete meses após sua ordenação sacerdotal, a 24 de outubro de 1819, reconhecia que o Espírito de Deus recebido lhe proporcionava graças abundantes, capazes de produzir frutos para o bem do próximo (Todisco, p. 179).
Duas coisas, dentre muitas, suscitam a nossa admiração pelo jovem sacerdote Vicente Pallotti: a incansável dedicação apostólica e o vivíssimo espírito sacerdotal. Ele viveu intensamente para Cristo e para a Igreja. Ele queria que todos tivessem a mesma dedicação. Dizia ele: “Ah quanto bem pode realizar um eclesiástico zeloso!” (OCL I, 5; 8; 9).
No vigor de sua juventude usava algumas palavras de motivação, tais como: “empenho, propagar e fazer com que se propague”. “Trabalhemos, trabalhemos infinitamente, a todo instante infinitésimo. Entre tudo o que é divino, não há nada de mais divino que cooperar para a salvação das almas”. (Todisco, p. 180). Não era só questão de trabalho. Exortava, antes de tudo, a rezar em sentido apostólico, para a glória de Deus e a salvação das almas.
Nas pessoas, o padre Vicente valorizava principalmente o espírito de oração e o zelo ativo. Ele era muito sensível no trato das pessoas. Ele costumava saudar os colaboradores um depois do outro pelo nome. Ele dava uma atenção especial, a cada pessoa, individualmente. Pallotti sabia surpreendê-las com um sorriso nos lábios e um aperto de mão, como que a dizer: você é muito importante para Deus.
O senso de fraternidade e de indiscutível liderança foram importantes no desenvolvimento da personalidade de Vicente Pallotti. Ele manifestou, logo depois da ordenação, a capacidade de se fazer rodear de eclesiásticos dedicados ao apostolado, inspirando aquela fraternidade que, mais tarde, foi nota distintiva da sua fundação. (Todisco, p. 183). Pallotti encantava as pessoas com seu modo acolhedor de ser. Via, no outro, a pessoa de Cristo.

Pallotti tinha objetivos claros e viáveis

O jovem Pallotti queria que todos os companheiros se filiassem à Pia União da Imaculada, recebendo o respectivo escapulário propagado pelos Teatinos, para que a luta contra o demônio se desenvolvesse sob a proteção de Maria concebida sem pecado. Queria também uma guerra, sem trégua, contra o maligno, suprimindo as ocasiões públicas de pecado.
Pallotti estimulava as pessoas a terem metas e persegui-las. Ele encorajava as pessoas para não terem medo de fracassar, pois não há podium sem derrota.
Pallotti dava respostas incomuns para a sua época, diferente daquelas que todos estavam acostumados a dar: “não tem jeito, está tudo perdido”, mas não faziam nada para mudar. Ele estimulava os jovens a pensar e agir. “Com Deus, tudo posso”.
Na Sapienza Pallotti animava grupinhos de discussão, formados espontaneamente à saída das aulas. Dois meses depois de sua ordenação, Pallotti foi nomeado professor suplente de teologia. Padre Vicente depois das aulas de teologia organizava uma discussão entre os alunos sobre o tema exposto havia pouco.
Padre Mélia dizia que Vicente Pallotti juntava em si admiravelmente duas coisas não fáceis de se encontrarem juntas na mesma pessoa, isto é, uma piedade muito grande, unida a uma ciência eminente que resultava em grande utilidade. (Todisco, p. 193).
O jovem sacerdote Pallotti freqüentemente meditou sobre seu futuro como ministro de Deus e da Igreja, não se contentou em apenas ministrar sacramentos e dar aulas. Em 1819, um ano depois da ordenação sacerdotal, começou a pregar à noite, à gente da praça. As pessoas conquistadas por suas palavras cheias de fervor cercavam-no e, enchendo aquela praça a ponto de impedir a passagem dos carros.
Foi um modo de levar o Evangelho às pessoas que não participavam da Igreja. As pessoas, sedentas por novidades, corriam atrás dele. (Todisco, p. 197). Ao final da pregação introdutória, pregador e povo dirigiam-se para rezar e cantar na Igreja de São Nicolau. As pessoas rezavam e o jovem padre instruía e confessava.
Resolvendo problemas: diante da dificuldade para pregar devido ao barulho das crianças na praça, recorreu a um leigo para que ele desse catequese para as crianças. Algo inédito na época. Enquanto ele instruía os adultos, Giacomo ensinava catecismo aos pequenos, fazia-os cantar à vontade e atraía a atenção da garotada. Nasceram, assim, as escolas noturnas de religião para os filhos dos artesãos. (Todisco, p. 198).

Pregava exercícios espirituais no morro do Gianicolo.

Não há duvida de que, nestes primeiros anos de seu ministério, padre Vicente se tenha especializado na que hoje é chamada pastoral da juventude. Sem que ele suspeitasse, Deus lhe preparava um campo de trabalho mais amplo.
Sem sombra de dúvida, podemos afirmar que, em Pallotti, a exortação de São Paulo, que segue, foi vivida integralmente por ele.
O amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna perfeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração (Rm 12,9-12).

As ações de Pallotti, que seguem, sugerem algo para nossos jovens?

1. Pallotti intuiu e lutou por ideais nobres.
2. Na sua juventude sacerdotal sonhava-esperando por um futuro diferente.
3. Não reclamava das dificuldades e nem esperava pelas ações dos outros, simplesmente agia e envolvia a todos para ter sucesso na sua ação.
4. Era um jovem cheio de ousadia: ele não repetia velhos conceitos, mas criava novas formas de evangelização.
5. A oração era sua companheira na estrada da vida.
6. Não tinha medo de expor sua fé e de defendê-la publicamente.
7. Nunca se rendeu às solicitações humanas, mas superou-as pela força da oração e dos sacramentos.
8. Jesus pergunta: o que dizem quem eu sou? Pallotti diz o que experimentou de Cristo.

O apostolado católico nos faz discípulos missionários. O discípulo, porém, só será missionário se for apaixonado por Cristo. O que aumenta a sua paixão é o encontro pessoal com Ele na Eucaristia, nos sacramentos, na escuta atenta da Palavra, na devoção à Maria. Tudo isso deve ser acompanhado por uma contínua conversão pessoal. Como diz São Bento: “Conversão dos costumes”.
Segundo o exemplo de nosso fundador, devemos ir ao encontro daqueles que estão afastados de Deus e que vivem na indiferença religiosa.
Por que o apostolado católico ainda não é levado a sério pelos cristãos? Primeiro, porque somos imperfeitos e necessitamos de contínua conversão. Todos os dias devemos renovar nossa opção por Cristo e de viver só para Ele. Segundo, porque perdemos tempo com coisas insignificantes, com preocupações sem sentido, por discórdias na comunidade, por disputa de poder. “Quem é o maior”.
Pallotti nunca criticou as estruturas do seu tempo, mas propôs uma nova maneira de viver o cristianismo, reavivando a fé e reacendendo a caridade.
Como discípulos missionários, somos convidados a sair do nosso conforto e ir ao encontro daquele que está distante de Deus, daquele que está confuso, perdido, doente e que vive uma vida sem sentido. Muitos não precisam ser apenas resgatados em sua fé, mas principalmente em sua humanidade.
Onde estão os nossos jovens? Eis a pergunta! Eles estão muito próximos de nós. Estão nas nossas casas, no nosso bairro, nas escolas, nos shoppings, nas avenidas, nas baladas. Estão perambulando pelas ruas como ovelhas sem pastor. Muitos deles já foram interceptados pelo mau pastor, por aqueles que se aproveitam dos seus sonhos juvenis ousados, para lhes oferecer não uma vida abundante como nos propõe o evangelho (Jo 10,10), mas uma vida limitada e que leva à verdadeira destruição e ao fracasso. Uma vida sem sentido. Mas o jovem quer viver, quer produzir algo novo.
Como surpreender esses jovens com algo fascinante, que os leve a sair da inércia para queimarem suas energias juvenis com algo que edifique a si mesmo e os outros?
Por que Cristo fascinou tanta gente ao longo dos séculos? Qual é a sua proposta de vida? O que falta para nós, que nos consideramos evangelizadores e portadores da “Boa Notícia” de Jesus e não conseguimos atingir satisfatoriamente as pessoas? Talvez falta em nós a paixão por Jesus Cristo.
Que tipo de notícia estamos anunciando? Uma coisa é certa, não devemos ter a preocupação de sermos iguais a todos. Ser mais um. O jovem não deve ser mais um no meio da multidão. Ele deve fazer a diferença, por mais que isso lhe custe a incompreensão.
Se a sua atitude já provocou desconforto em alguém, pode ter certeza que você está movido por uma proposta diferente, cheia de vida e de sentido. Você já está destoando daquilo que dizem ser convencional. A sua proposta de vida é outra. Diante dessa realidade, Jesus tem uma palavra. “Não temais” (Jo 6,20).
O grande problema de muitos jovens é que eles estão conectados em tudo. A sociedade moderna os deixa informado de tudo, porém falta-lhes critério para fazer uma boa escolha. Uma escolha que, realmente, lhes proporcione uma vida plena de sentido. Como mostrar para eles algo que é muito superior àquilo que eles têm como o centro das suas emoções? Muitos estão fragmentados emocionalmente, diante de tantos desafios da sociedade moderna.
Hoje, mais do que nunca, devemos procurar curar suas feridas interiores para que estejam abertos à graça de Deus e às necessidades dos irmãos. A melhor maneira de buscar a Deus é ouvir o que eles têm a nos dizer. Essa escuta, porém, deve ser diária.
A ovelha só reconhece a voz do seu pastor, porque desde seu nascimento está ouvindo aquela mesma voz cheia de ternura do lado dela. Se não nos aproximarmos de Deus, dificilmente a sua Palavra encontrará eco dentro de nós. Se tivermos uma espiritualidade superficial, nossos discursos serão vazios e estéreis. Não surpreenderemos ninguém com o nosso modo de ser e muito menos fascinaremos com o nosso modo de viver.
[1] São Vicente Pallotti. Propósitos e aspirações, Biblos, Santa Maria, 2003, p. 28, n. 34.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Via Sacra rezada por São Vicente Pallotti[1]

Por mim nada posso † com Deus tudo posso † por amor de Deus tudo quero fazer † a ele a honra e a mim o desprezo.

Oremos: Ó meu dulcíssimo Jesus, quiseste sofrer, por nosso amor, opróbrios sem fim, humilhações incompreensíveis... Grava profundamente em nossos corações estima e amor por tuas abjeções, inspira desejo ardente de te imitar, na tua vida humilde, pobre, laboriosa, benéfica e desprezada. Amém.

Primeira estação: Jesus é condenado à morte.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela sentença de morte a que se submeteu Jesus, concede-me resolução firme de mortificar as minhas paixões. Em ação de graças por tal dom, ofereço-te os seus méritos, as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Segunda Estação: Jesus Carrega a Cruz.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pelas dores de Jesus ao carregar a cruz, concede-me sofrer de bom grado, como desejas, todas as cruzes. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te seus méritos infinitos e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Terceira Estação: Jesus cai pela primeira vez.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pelos sofrimentos suportados por Jesus ao cair pela primeira vez sob o peso da cruz, faze com que eu não caia mais no pecado. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os seus méritos infinitos e as dores de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Quarta Estação: Jesus encontra com sua Mãe.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pelas dores sofridas por Jesus e Maria ao encontrarem-se no caminho do calvário, tem-me sempre afastado de toda ocasião de pecado. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os seus méritos e a sua santíssima e dolorosíssima vida.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Quinta Estação: Simão Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pelas dores sofridas por Jesus até o momento em que foi ajudado pelo Cirineu a carregar a cruz, dá-me o mais perfeito desejo de sofrer. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Sexta Estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela gratidão do coração de Jesus, diante do serviço que lhe prestou Verônica, imprime em mim a mais perfeita imagem de Jesus. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os seus méritos e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Sétima Estação: Jesus cai segunda vez.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela segunda queda de Jesus sob o peso da cruz, faze com que eu sempre mais me levante para ti. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Oitava Estação: Jesus consola as mulheres que choravam.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela compaixão dispensada por Jesus às mulheres de Jerusalém, dá-me a mais perfeita caridade e o dom de viver e morrer no exercício da caridade. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Nona Estação: Jesus cai pela terceira vez.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, por Jesus, caído, pela terceira vez, sob o peso da cruz, concede-me a mais perfeita união contigo. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Décima Estação: Jesus e despojado de suas vestes.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pelo desnudamento de Jesus e pela amargura do fel, por ele experimentado, dá-me a mais perfeita pureza e o dom de fazer penitência dos passados maus costumes e torna-me amargos todos os sabores da vida presente. E, em ação de graças por tais dons, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Décima Primeira Estação: Jesus é pregado na cruz.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela crucificação de Jesus, dá-me o dom da mais perfeita crucificação de mim mesmo, todo, e das minhas paixões. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Décima Segunda Estação: Jesus morre na cruz.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pelas sete palavras, pela agonia e morte de Jesus, dá-me o dom mais perfeito de oração e contemplação e de mortificação de todos os apetites desordenados. E, em ação de graças por tais dons, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Décima Terceira Estação: Jesus é retirado da cruz
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela deposição do Sagrado Corpo de Jesus, faze com que eu viva perfeitamente crucificado até a morte. E, em ação de graças por tal dom, ofereço-te os méritos de Jesus e as dores e os méritos de Maria.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Décima Quarta Estação: Jesus é sepultado.
Adoramos-te, Cristo, e te bendizemos, porque, pela tua santa cruz, remiste o mundo.
Eterno Pai, pela sepultura do Sagrado Corpo de Jesus, Fecha-me todo dentro de ti e de Jesus, de forma que eu seja todo transformado em ti, em teu filho feito homem e no Espírito Santo. Peço-te tudo para mim e para todos, agora e sempre, por todos os fins possíveis que agradem a ti. E, em ação de graças por todos os dons possíveis, ofereço-te o sangue de Jesus e os seus méritos infinitos, a sua vida santíssima e as dores e os méritos de Maria e os méritos passados, presentes e futuros da Igreja de Jesus, Filho de Deus.
Tem piedade de nós, Senhor, tem piedade.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...

Décima Quinta Estação: Jesus ressuscita glorioso.
Sem nenhum merecimento ou disposição de minha parte, por vossa misericórdia eu me encontrarei em situação tal que, depois de terem sido destruídas a indignidade de minha vida, a enfermidade, a agonia, a morte, pelos infinitos merecimentos da vida, paixão, agonia e morte de Jesus Cristo, o infinito mérito de sua santíssima vida, paixão, agonia e morte será todo meu para sempre por toda a eternidade, para que eu, como troféu, prodígio e abismo da divina misericórdia, cante eternamente as infinitas divinas misericórdias, e assim será minha por toda a eternidade a glória da ressurreição, ascensão e exaltação da santíssima humanidade de Jesus Cristo.
Pai Nosso; Ave Maria, Glória...
[1] FALLER, Ansgario. São Vicente Pallotti . As orações. Santa Maria: Biblos, 2007, p. 149-153.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Descobrindo os caminhos de Deus







DISCERNIMENTO VOCACACIONAL

Todas as pessoas recebem o dom gratuito da vocação. Recebemos, primeiramente, o dom da vida, o de sermos cristãos (batizados), por fim uma vocação específica (matrimônio ou a vida sacerdotal e religiosa).
Seguir a Cristo é ser chamado por Ele. É sempre Cristo que toma a iniciativa do chamado. Somente Ele pode convidar alguém para segui-lo (Mc 3,13). O chamado não depende dos dons, talentos ou santidade pessoal do convidado. O chamado é dom de Deus, é uma vocação. É um dom definitivo e irrevogável (2Tim 2,13).

“Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constitui a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai, em meu nome, Ele vos conceda” (Jo 15, 16).

Seguir Cristo é viver como Ele. Conviver com alguém significa assumir todo o processo de chegar até uma comunhão de vida com essa pessoa. Inclui todo processo de ser conquistado por Cristo (Fil 3,4-14).
Existe um algo mais que vai sendo descoberto gradualmente. Nem sempre, porém, isso acontece de maneira tranquila.
O discernimento pode durar anos. Por isso, é necessário que o jovem busque ajuda de uma pessoa experiente.
Como se inicia uma vocação: o início vocacional dá-se de maneira única, como no nascimento; é algo indescritível, misterioso. A descoberta pode acontecer no seio familiar, participando da Igreja (missas), em um retiro, no grupo no qual está inserido, assistindo a um filme.
A resposta do jovem pressupõe o abandono do mundo do trabalho, das amizades, etc. O jovem deve estar aberto aos novos amigos que Deus lhe confiar.
A nova opção pode causar no vocacionado momentos de desorientação, de medo, de desencorajamento e de crise, enfrentamento dos familiares que não entendem tal decisão, sensação de que está sozinho no mundo: sem amigo, sem família, sem ninguém.
Ele faz sua primeira experiência de estar só com Deus, e somente a Ele deve responder (sim ou não).
Início do discernimento vocacional:
Tipos de medo: medo do futuro (de não dar certo, de ser infeliz), medo das provações (de não conseguir dar testemunho da verdade e por isso ser abandonado pelas pessoas), da falta de ternura e de afeto (medo de ser mutilado no aspecto afetivo, sexual; medo de não ser forte nos momentos de tentação e de desejo), medo da solidão.
Etapas da busca vocacional: a origem da vocação é irrepetível, é uma inspiração íntima.
O jovem sente um chamado misterioso diante de certos acontecimentos da vida. Cria nele um interesse por esse fato intrigante que foge de qualquer argumentação humana. Num primeiro momento luta contra tal pensamento ou sentimento. Não revela a ninguém, pensando que com o tempo isso passará. Depois de muita luta, acaba se convencendo de que tem algo mais forte que a sua própria vontade e sente um profundo desejo de conhecer de perto esse sentimento (Moisés diante da sarça ardente: Ex 3). Diante disso, começa haver o primeiro passo para uma decisão mais consistente e duradoura, mas ainda cheio de dúvidas e de medo. O jovem tem mais dúvidas do que certezas.
Surge a necessidade de ter alguém que o inspire: um santo, um filme, uma pessoa significativa em sua vida. Diante dos modelos encontrados, o vocacionado começa a ter mais clareza de sua vocação e, conseqüentemente, aumenta seu desejo de atingir um objetivo de vida, ou seja, viver para Cristo.
O discernimento vocacional fica mais claro, quando o jovem revela o seu desejo a alguém de confiança e que o possa dar uma orientação segura.
A direção espiritual ajuda a fazer o confronto com a opção predominante. Momentos de silêncio e de oração ajudam o jovem a encontrar-se consigo mesmo para, diante de Deus, dar sua resposta generosa: “Eis-me aqui, Senhor, para fazer a vossa Vontade”. A opção assumida conduz o jovem a uma verdadeira conversão.
Por fim, a escolha vocacional é a definição de um estilo de vida específico e radical, dentro da Igreja.
Ser radical é ter a coragem de romper, para sempre, com um estilo de vida que não agrada a Deus e, a partir daí, assumir um novo compromisso pela causa do Reino. Essa atitude pode ser vista na pessoa dos profetas. Eles viveram e se alimentaram da Palavra do Senhor e pouco se importavam com aquilo que diziam a seu respeito. O exemplo maior de radicalidade deu-se com o Cristo. Ele, com sua presença, escandalizou o comodismo teológico dos fariseus. Rompeu uma maneira de ser falsa e hipócrita, para dar início a uma nova forma de vida.
Quem decide viver a radicalidade do Evangelho, certamente deve estar disposto a entregar tudo nas mãos de Deus e viver da Divina Providência, porque a proposta de Jesus não admite meio termo, ou tudo ou nada. “Quem quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome cada dia sua cruz e me siga” (Mc 8, 34).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quaresma, tempo de mudar velhos costumes.

PENITÊNCIA INTERIOR

A penitência interior é a disposição fundamental do cristão, para vencer o pecado e obter o perdão de Deus.
A primeira coisa a fazer é confessar nossa pecaminosidade: sem desculpas, sem reivindicações e sem autocomplacência.
É preciso confessar nossa incompetência para livrar-nos da pecaminosidade, para criarmos em nós a necessidade de estarmos sob a luz do poder salvífico de Deus em Jesus Cristo.
O cristão deve fazer a experiência da infelicidade, para poder abrir-se Àquele que é e que pode dar a verdadeira felicidade. “Deus derruba os orgulhosos de seus tronos e eleva os humildes”.
Quem me libertará desse corpo mortal?
Quem já não fez a experiência da maldade interior? Quanta coisa ruim passa pela nossa mente? Quanto desejo de vingar aqueles que nos fizeram o mal? Diante dessa triste realidade humana, queremos aproximar-nos de Jesus, sem nenhuma confiança em nós mesmos, para que a graça de Deus transforme nossos velhos hábitos de viver mergulhado no pecado.
Jesus veio para estar com os pecadores e não para os justos. Ele deseja que o ímpio retome o caminho do bem.
Se nos consideramos bons e justos, então ele não veio para nós. “Eu me alegro das minhas fraquezas, porque quando sou fraco, daí que sou forte” (2Cor 12,7-10).
Precisamos estar alertas para que não sejamos hipócritas e que assim não permaneçamos cegos e duros de coração. O filho pródigo só reivindicou direitos (Lc 15,11-32); A esmola e o jejum que agradam a Deus (Mt 6,1-6.16-18).
Em nossos tempos, é muito difícil alcançarmos o sentido de nossa impotência e nossa necessidade de Jesus, pois o pecado pode ser justificado. Para que legitimemos nossas más ações.

O sentido do pecado

Nós não damos muito valor aos nossos pecados. Aliás, o próprio Santo Antão diz que não devemos viver em função do nosso pecado, mas da graça de Deus. O que passou, passou.
Jesus dá muita importância para esta questão. (Heb 12,1b-2 – “Deixemos de lado o que nos pesa e o pecado que nos envolve”; Rom 8,18-21 – “A criação ficou sujeita à vaidade”).
Para ele o perdão dos pecados é muito mais importante do que a saúde física e os bens materiais. Em (Mt 9) cura o paralítico para mostrar a seus adversários que lhe deu uma graça muito mais preciosa, o perdão dos pecados.
Nós, talvez, somos menos sensíveis do que as pessoas do tempo de Jesus. O perdão dos pecados não ocupa os primeiros lugares da lista de primeiras necessidades. É por isso que temos maior necessidade do dom da penitência interior.

O significado da penitência interior

Não é só contrição pelo pecado. Ela é um dos aspectos, mas de modo algum a mais importante.
A palavra grega metanoia indica mudança total de ânimo e de propósito. Penitência interior é a reorientação radical de toda vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, aversão ao mal e repugnância às más obras. É desejo e resolução de mudar de vida com esperança na misericórdia divina e a confiança da ajuda de sua graça. (Dt 7,6b.8-9 – “Deus perdoa até a milésima geração”).
Pode-se descrever a penitência como um amar Deus de todo o coração, com toda a alma e com toda a força, com toda inteligência, e o próximo como a si mesmo (Lc 10,27).
Posso chorar lágrimas amargas por meus pecados e dizer a Deus que estou profundamente triste por eles e deles peço perdão. Mesmo assim, isso não me dá o dom da penitência. Talvez esteja longe de querer abandonar todos os apegos desregrados, amar Deus com todo meu ser e levar a vida radicalmente nova com atitudes radicalmente novas que isso infere.
Esta penitência interior vem acompanhada de uma dor e tristeza salutares, chamada de animi cruciatus (aflição do espírito) e compunctio cordis (arrependimento do coração). Outra característica da penitência interior é a alegria e a paz.
Quando falamos de penitência no retiro, as pessoas sempre se preparam com uma porção de sentimentos negativos: sentimentos de culpa e rancor contra si mesmo e até tristeza e desânimo. Mas quem confunde contrição pelo pecado com tristeza não sentiu contrição pelo pecado que vem do Espírito Santo, não é dor salutar.
Estranho paradoxo: lágrimas de contrição (que são dom do Espírito Santo) por termos ofendido a Deus, coexistindo com sentimentos de alegria por tê-lo encontrado de novo, por ele ainda nos amar, por nossos pecados terem sido perdoados. “Haverá festa no céu por um só pecador que se converta...”
Jesus sempre liga o arrependimento e a penitência a sentimentos de profunda alegria. Com muita ternura, ele nos relata como é o Pai quem se alegra quando o filho cabeçudo volta para casa, o pastor que se alegra quando encontra a ovelha perdida, os anjos de Deus que se regozijam quando um pecador se arrepende. Quanta alegria o pecador dá a Deus quando ele retorna.
Quando não há desejo pela penitência interior e sim por atos formais, nos identificamos e muito com a atitude do jovem rico. Ficamos tristes e abandonamos tudo, pois preferimos ficar somente com os bens e com aquilo que conseguimos conquistar (Mc 10, 17-27).
Se, porventura, em seu interior tiver passando algum tipo de desânimo e tristeza, peço que faça um exercício de pedir os sentimentos opostos: alegria porque vão ser abraçados mais uma vez pelo Pai.
Não há melhor maneira de pedir o dom da penitência do que repetindo: "meu Deus, eu vos amo verdadeiramente e quero vos amar com todo coração, mente e com todas as minhas forças". Lembremo-nos do Shemá Israel (Dt 6,4-7): “Ouve, Israel, o Senhor teu Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”.

O arrependimento segue-se ao encontro com Cristo

Pelo que foi dito até agora parece que a penitência é um meio para encontrar Cristo. Isso só é verdade em parte. Em geral, o encontro com Cristo precede a graça da penitência. Sem dúvida, há algum arrependimento inicial que nos ajuda a experimentar Cristo mais profundamente, mas é só depois da experiência que recebemos a graça da penitência em toda sua plenitude. É depois de encontrá-lo que entendemos o que é o pecado e o que é o amor. Não é o pecador, mas o Santo que sabe o que é o pecado, porque o santo recebeu a luz de Deus. Conhecemos nosso pecado por uma revelação de Deus e não por uma análise de introspecção. (Após a negação, Pedro chorou amargamente).
As Escrituras nos dão muitos exemplos. Quando perseguia a Igreja, Saulo julgava estar prestando um serviço a Deus. Considerava-se o mais perfeito, o mais zeloso, o mais fervoroso de todos os judeus. Só percebe o seu pecado depois do encontro com o ressuscitado. Aí se considera inferior a todos os apóstolos, nem mesmo é digno de ser assim chamado porque é como um aborto e porque perseguiu a Igreja. O mesmo acontece com Pedro depois da pesca milagrosa quando exclama: "Afasta-te de mim, Senhor, porque seu um pecador!". Zaqueu promete mudar de vida, depois que o Senhor entra na sua casa.
Como podemos nos arrepender por ofender o Senhor, sem primeiro amá-lo? E como o amaremos sem primeiro entrar em contato com ele e ter experiência dele? A meditação sobre o pecado e a penitência não é só dos principiantes na vida espiritual, mas também dos grandes santos, os homens que progrediram bastante em santidade. Assim vemos nos escritos de Pallotti. É desconcertante quando vemos como ele se vê a si mesmo. Parece que nele há um sentimento de inferioridade não resolvido devido a tantas expressões de humilhação de si mesmo. Pallotti só é ininteligível para aquele que ainda não percebeu o que significa amar Deus e ser por ele amado.
Não devemos ficar desanimados se não conseguirmos a graça da penitência imediatamente. É provável que o Senhor a esteja guardando para que a recebam no fim, quando seu amor por ele tiver se aprofundado de maneira notável. Imitar servilmente um santo não nos leva a fazer progressos; pode ser prejudicial.
O importante, agora, é desejar a graça de amar Deus com ardor e com todo coração.
É importante também não tentar criar a graça da penitência interior. Basta pedir. Pedir com perseverança sem desanimar. “Pedi e recebereis, batei e a porta ser-vos-á aberta”.
É importante lembrar que Cristo se interessa por nós sempre. (Lc 22,31ss) “Pedro eu rezei por ti”. “A ti basta a minha graça” (2Cor 12, 9).

A recusa de perdoar a si mesmo
Deus está disposto a nos perdoar. Ele está mais ansioso para conceder o perdão do que nós de recebê-lo.
O problema do perdão, portanto, não é Deus, mas está conosco. Esquecemo-nos muito facilmente de crer que Deus deseja nosso perdão. Recusamo-nos a perdoar a nós mesmos. Ficamos pensando em como fomos miseráveis, desejamos nunca ter cometido pecado para ficar com a "ficha limpa".
Fomentamos um falso senso de desmerecimento: a atitude de quem quer fazer penitências para expiar por completo o passado antes de aceitar a graça de Deus. É um grande obstáculo para o progresso na vida espiritual. Maior até do que o próprio pecado. Quando há penitência interior o pecado em vez de ser empecilho, é uma grande ajuda. Mas este falso senso de desmerecimento impossibilita qualquer progresso espiritual.
Sobre o pecado, a graça de Deus triunfa com facilidade, mas contra esta recusa de se perdoar, só com muita dificuldade. “Onde grande foi o pecado, muito maior a graça”, diz São Paulo. “Ó pecado de Adão, sem dúvida necessário”, rezamos no precônio Pascal.
Para Jesus, embora o pecado seja o maior mal concebível, ser pecador é um merecimento. Devemos odiar o pecado e lutar contra ele. Mas se pecarmos e nos arrependermos, então teremos razão para exultar, fazer festa, porque “há maior júbilo no céu por causa de um pecador que se arrependa do que por noventa e nove justos que não tenham necessidade de se arrepender”.
Quem entende esta loucura? Lidamos com um mistério além da compreensão humana. O pecador arrependido atrai Deus para si. Deus não o considera repulsivo, mas irresistível. Essa é a boa nova.

Textos para reflexão:

Dt 6,4-7 – Ouve Israel o Senhor seu Deus.
Baruc 1,15-22 – A nós a vergonha no rosto por causa dos nossos pecados.
Lev 11,45 – Sejam santos porque eu sou santo.
Lc 22,31ss – Cristo reza para Pedro.
Mc 10,17-27 – O jovem rico.
Lc 7 – A mulher de Magdala. Notar a ênfase que Jesus dá ao amor e ao perdão.
Lc 15 – Parábolas da Misericórdia divina. Prestar atenção na alegria e na bondade de Deus.
Lc 19 – Jesus e Zaqueu.
Jo 21 – Do amor por Cristo ao Primado de Pedro.
Joel 2,12-18 – Voltai ao Senhor Deus, porque ele é bom e compassivo.
Is 58,1-12 – O jejum que agrada a Deus.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

ENTENDA O SENTIDO DA QUARESMA.


VIVENDO A QUARESMA

“Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus. Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por meio dele, sejamos reabilitados por Deus. Visto que somos colaboradores de Deus, nós exortamos vocês para que não recebam a graça de Deus em vão, pois Deus diz na Escritura: ‘Eu escutei você no tempo favorável, e no dia da salvação vim em seu auxílio’. É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação” (2Cor 5,20-6, 2).

O que é a Quaresma?
Do latim quadragesima, é o período de quarenta dias - da Quarta-feira de Cinzas até a Quinta-feira Santa - que antecedem a festa ápice do Cristianismo: A Ressurreição de Jesus Cristo.

Qual seu sentido?
É o período de preparação para a Páscoa, reservado para a reflexão, a conversão espiritual. O católico deve aproximar-se de Deus, visando seu crescimento espiritual. É um momento voltado à reflexão, onde cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo.
A Quaresma não tem sentido isolada da Páscoa. Na caminhada quaresmal, não vamos ao encontro do nada ou da morte, mas caminhamos para a ressurreição do Senhor e nossa. Quaresma é, portanto, tempo de conversão e reconciliação com Deus e com as pessoas.
“Rasguem o coração, e não as roupas! Voltem para Javé, o Deus de vocês, pois ele é piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor...” (Joel 2,13).

Qual a origem da Quaresma?
As origens da Quaresma são antigas. Já no século IV se fala de quarentena penitencial. Antes disso, nos séculos II e III, costumava-se fazer alguns dias de jejum, em preparação da Páscoa.

Qual o significado dos 40 dias?
O Número 40 é simbólico. Na Bíblia o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. A duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia: Quarenta dias do dilúvio, quarenta anos de peregrinação do povo judeu, quarenta dias de Moisés e Elias na montanha, quarenta dias de Jesus jejuando no deserto, entre outros. Esses períodos vêm antes de fatos importantes e mostram a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo nosso coração para o que há de vir.

O que fazer no tempo da Quaresma?
A Igreja propõe, por meio do Evangelho, três grandes linhas de ação: oração, penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em toda a sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus.

Quantos domingos tem a Quaresma?
A Quaresma possui cinco domingos, mais o Domingo de Ramos - início da Semana Santa. Durante toda a Quaresma a cor litúrgica é a roxa, um convite à conversão, à penitência e à fraternidade.

Por que não se canta o Aleluia?
O clima de Quaresma deve transparecer também na ausência do Aleluia e do Glória. Aleluia significa “Louvai Javé”, e é aclamação marcada pela alegria e pela festa. O Clima da Quaresma não combina com isso, pois não é tempo de festa. O Aleluia será uma explosão de alegria na Vigília Pascal. Também o Glória é omitido pelos mesmos motivos.

O que é a Via-Sacra e quando surgiu?
Nas quartas e sextas-feiras da Quaresma, costuma-se fazer a Via-Sacra. A palavra significa “caminho sagrado”, e segue os passos de Jesus rumo à cruz. É um ato de piedade que se reza e se medita sobre 14 episódios da dolorosa sexta-feira santa. Tem início na primeira estação, onde Jesus é condenado à morte, até o sepultamento de Jesus. Ultimamente acrescentou-se a 15ª edição – a ressurreição de Jesus, pois a morte não o venceu ou derrotou.
A prática de percorrer esse “caminho sagrado” é antiga. Fala-se dela no século IV e pelo que tudo indica, nasceu em Jerusalém. A partir do século XVII, as estações foram fixadas em 14.

O que acontece se Solenidades caem em um domingo da Quaresma?
Tomemos por referência a Festa de São José, dia 19 de março. A Norma estabelece que festas não prevalecem sobre os mistérios da nossa redenção. Portanto, quando 19 de março for um domingo da Quaresma, a solenidade de São José é transferida e celebrada no dia seguinte, segunda-feira.

O que é a Campanha da Fraternidade?
A caminhada da Quaresma é acompanhada pela realização da Campanha da Fraternidade – a maior campanha da solidariedade do mundo Cristão. Cada ano é contemplado um tema urgente e necessário. É uma atividade ampla de evangelização que ajuda os cristãos e as pessoas de boa vontade a concretizarem na prática a transformação da sociedade, a partir de um problema específico. É um sinal altamente positivo para chamar a atenção, denunciar, convocar à conversão e suscitar gestos concretos.

Quais os objetivos da Campanha da Fraternidade?
Seus objetivos permanentes são: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade; renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade mais justa e solidária.

Como começou a Campanha da Fraternidade?
O projeto de uma campanha de fraternidade que já existia regionalmente em Natal, no Rio Grande do Norte, desde 1961, tornou-se nacional pela CNBB, no dia 26 de dezembro de 1963, com uma resolução do Concílio Vaticano II. O Projeto realizou-se na Quaresma de 1964. Naquele ano, aconteceu a primeira Campanha da Fraternidade com o Tema: “Igreja em Renovação”, e o lema: “Lembre-se que você também é Igreja”.

O que contempla a Campanha da Fraternidade deste ano?
A Campanha da Fraternidade de 2009 tem por tema: Fraternidade e Segurança Pública, e lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32,17). Segundo os bispos, o objetivo central desta Campanha é “suscitar o debate sobre a segurança pública e contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade, a fim de que todos se empenhem efetivamente na construção da justiça social que seja garantia de segurança para todos” (CNBB, Texto-Base, n° 4).

O que é a CNBB?
A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – é a instituição permanente que congrega os Bispos da Igreja Católica no País. Foi fundada de 14 a 17 de outubro de 1952 por Dom Hélder Câmara e Dom Eugênio Araújo Sales. Com o clima criado pelo Concílio Vaticano II, estimulou-se a reestruturação da CNBB, promovendo a colegialidade entre os bispos.
Todo ano, desde 1964, a CNBB promove a Campanha da Fraternidade, escolhendo temas que são sempre aspectos da realidade social, econômica e política do país.
Desta forma, a CNBB, sendo a Igreja no Brasil, celebra a Quaresma em preparação à Páscoa com a Campanha da Fraternidade, dando ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor.
Sem a CNBB, a história do Brasil teria sido escrita de forma bem diferente. Comprometida com a liberdade e a justiça, sempre se colocou ao lado dos oprimidos, chamando a atenção da sociedade e do governo para a realidade do País.

Organizado por: Nov. Edvaldo Betioli Filho
A.D. 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O que a Igreja católica entende por carisma

Introdução

A Igreja sempre foi muito rica em carismas e ministérios. Desde o início, na Igreja primitiva, os cristãos perceberam que toda a atividade dos apóstolos e daqueles que seguiam a Cristo tinham um único objetivo: anunciar que Cristo ressuscitou e está vivo em nosso meio.
Os Atos dos Apóstolos narram como aconteceram os desdobramentos após a ressurreição do Senhor. Todos viviam unidos na oração e na fração do pão e, a cada dia, aumentava o número daqueles que recebiam o anúncio do Evangelho e queriam integrar-se à comunidade dos que foram salvos pelo Deus que derramou seu sangue na cruz. Todos sentiam-se impelidos a anunciar o Evangelho. Dentro deles havia, porém, a certeza de que o Espírito Santo estava com eles e os iluminava.
Muitos derramaram o seu sangue como Cristo. Com isso, o martírio tornou-se o melhor modo de testemunhar a fé na ressurreição. O sangue dos mártires transformou-se em sementeiras de novos cristãos.
Os apóstolos e a comunidade dos fiéis alegravam-se com as afrontas e perseguições, pois sabiam que a promessa de Cristo era de lutas e de sofrimentos, mas garantia-lhes o cêntuplo e a vida eterna.
Portanto, todo êxito obtido na evangelização era visto não como fruto da habilidade de convencimento dos anunciadores da Boa-notícia, mas a confirmação de que a graça de Deus estava com eles.
Diante da missão que herdamos de nossos antepassados, os fiés de hoje são convocados a continuarem firmes na fé e perseverantes no anúncio do Evangelho. Mas, para que isso aconteça, é preciso ter sempre consciência da missão recebida.
Por isso, esse pequeno estudo tem a finalidade de apresentar, de maneira geral, o que é um carisma e como ele se manifesta na Igreja. Mostrará o carisma como dom vindo de Deus, dado gratuitamente às pessoas, segundo o seu beneplácito, ao longo dos séculos. Agora cabe, a cada um, descobri-lo, para melhor servir a Cristo e edificar a Igreja.
Carisma em geral
1. Uso da palavra carisma

A palavra carisma é usada na linguagem popular e na linguagem eclesial ou também teológica.
Na linguagem popular, carisma significa dom natural, talento, qualidade especial de uma pessoa que lhe permite desenvolver também uma atividade especial. Certas pessoas são especialmente dotadas para a organização, para a administração, para a animação, outras para a comunicação.
Carisma é sinônimo de talento, que é um dom natural, embora possa ser aperfeiçoado ou desenvolvido pela própria pessoa que o possui. Todos nós conhecemos, certamente, pessoas carismáticas.
Na linguagem eclesial, a palavra carisma usa-se muito para designar dons especiais, recebidos pelos membros da Igreja, para o benefício de todos. É usado também para caracterizar os movimentos eclesiais.

2. São Paulo apresenta quatro listas de carismas

Encontramos em 1Cor 12,8-10; 12,28-30; Rm 12,6-8; Ef 4,11.
Ao examinar esta lista, encontramos vinte e nove carismas diferentes, mas se considerarmos as repetições, podemos identificar apenas vinte.
Paulo não quis aprofundar sobre o assunto, mas apresenta o carisma, simplesmente, como ação eficaz da graça oferecida gratuitamente pelo Espírito aos fiéis cristãos, de maneira particular e diversificada, para produzir em cada um deles uma determinada capacidade para desenvolver dinamicamente a edificação da comunidade eclesial (1Cor 14,12).
Sobretudo em Romanos e em (1Cor 12,4-11.12-27.28-31), é elaborado o significado deste chamado e missão a ser desenvolvida com uma particular atitude de serviço para a vida e para o crescimento do corpo comunitário dos fiéis (1Cor 12,1; 14,1); carismas (1Cor 12,4); ministérios (1Cor 12,5; 2Cor 9,12s); operações (1Cor 12,6).
Em tudo isso, ele evidencia claramente a sua dimensão trinitária (1Cor 12,4.5.6; 12,28; Ef 4,11). Ele apresenta vários tipos de carismas, às vezes de maneira geral, como dom dado por Deus às pessoas, ao passo que outras vezes apresenta dons mais específicos, ou seja, um chamado particular para o bem da Igreja, uma vocação que torna capaz quem recebe e acolhe para evangelizar, ensinar, governar, profetizar, curar.
Paulo não fornece uma lista precisa de carismas. Ele usa o termo de maneira temática, enquanto que o Antigo Testamento é atemático e raro.
Paulo é rigoroso quando alguém se apropria de maneira individualista dos dons de maneira a não edificar a comunidade. O carisma é sempre mostrado, por ele, em vista do benefício coletivo do corpo Místico de Cristo (1Cor 12,7).
Quem se apropria de um dom, não produz fruto (1Cor 13, 1-3). Paulo intervém com firmeza na comunidade de Tessalônica (1Ts 5,19-21). A caridade é o critério único, para poder fazer crescer o corpo eclesial, para poder atingir a plena estatura de Cristo (1Cor 12,31; 13,13).
O Espírito é, dom por excelência, que consente ao amor de Deus, para ser revelado no coração da pessoa (Rm 5,5; 8,15-16).
Paulo não esquematiza os dons do Espírito, porque são presentes da Trindade às pessoas (1Cor 12,4-6; 1Cor 12,28; Ef 4,11). Os dons têm sempre uma destinação pública e social, não é algo privado ou para benefício próprio.
Os dons são necessários não só para o bem e o crescimento da pessoa, mas de todo o corpo eclesial de todos os tempos e lugares.
Os dons distinguem-se dos talentos pessoais, pois estes são dons naturais, inerentes à natureza humana.
Os carismas são dons sobrenaturais, concedidos pela amável liberalidade de Deus, por meio de uma operação especial do Espírito Santo, que interage com as atitudes naturais da pessoa e habilita o cristão a colaborar com a salvação do mundo, segundo uma especial vocação ou carisma.
O carisma não é algo provocado pela própria pessoa e muito menos oferecido pela hierarquia, mediante algum sacramento. O carisma é fruto livre da graça de Deus.

3. O carisma na história da Igreja

Nos primeiros séculos, o uso da palavra carisma, na tradição da Igreja, era raro e com uma prevalente tendência para exprimir os acontecimentos, com características de extraordinariedade. Existe um certo eclipse em torno do termo carisma, por causa das primeiras heresias da época apostólica, e chegou até nossos dias com interesses variados, só para certos fenômenos de despertar espiritual que ocorrem na vida eclesial.

3.1 Antes do Vaticano II

Antes do Vaticano II, somente alguns Papas fazem alguma referência de maneira geral a respeito da ação do Espírito Santo, quando falam especificamente a respeito das fundações religiosas.
Até o Vaticano I a concepção dos carismas era representada simplesmente como dons extraordinários e transitórios, oferecidos principalmente à Igreja das origens e comunicados sob a imposição das mãos dos apóstolos.
Na luta contra os protestantes, falou-se sempre menos dos carismas e das pessoas carismáticas. Foram vistas como pessoas carismáticas na Igreja o Papa e, ao seu lado, algumas pessoas extraordinárias, por isso os carismas foram vistos como algo raro na Igreja.

3.1.1 Depois do Vaticano I

Após o Vaticano I, o magistério da Igreja fez algum aceno a respeito de carisma, um pouco mais amplo no âmbito teológico. Em 1897, Leão XIII, na sua Encíclica Divinum illud munus, fala do carisma como demostração da origem divina da Igreja, referindo-se aos santos suscitados continuamente na Igreja, pela ação do Espírito. Em seguida o Papa Pio XI fala de carisma na Carta Apostólica Unigenitus Dei Filius, em 1924, e sucessivamente Pio XII com a Mystici Corporis, em 1943, porém continua a considerar os carismas apenas como dons extraordinários e prodigiosos. Supera uma concepção reducionista da Igreja e promove sob os influxos dos novos movimentos eclesiais do fim século XIX, uma eclesiologia na qual os carismas começam a ter relevância no interrior da Igreja como corpo místico, num equilíbrio entre a dimensão hierárquica e aquela carimática. Deste modo foi colocado em evidência a estrutura orgânica de comunhão da Igreja, não limitando apenas o carisma aos graus hierárquicos da mesma.

3.1.2 Vaticano II

Somente com o Vaticano II se recompõe uma dinâmica equilibrada dos carismas. O teólogo que mais influenciou no século XX esta mudança foi Karl Rhaner. Porém, no plano do magistério foi o Papa Pio XII, o qual com sua doutrina além de acolher a variedade e a multiplicidade dos carismas, os inseriu positivamente no interior de uma renovada prospectica eclesial e cristológico-pneumática do Corpo de Cristo. Nesse sentico Rhaner é muito claro: “o elemento carismático nao está à margem da Igeja, mas pertence à sua essência, com os mistérios e os sacramentos”. Todavia com uma diferença, o carisma pertence a livre e imprevisível ação do Espírito Santo, emergindo sempre na história de forma nova, e, por sua vez, deve ser acolhido por toda a Igreja também de maneira nova. Portanto, cabe a hierarquia o delicado e particular encargo de acolher, ensinar e cultivar estes dons vindos do Espírito (1Tes 5,19).
A redescoberta do Espírito Santo na Igreja vai aparecer também com a acentuação dos ministérios na Igreja. Vejamos alguns textos característicos do Vaticano II:

[Lumen Gentium 7] – Um só é o Espírito que, para utilidade da Igreja, distribui seus vários dons segundo suas riquezas e as necessidades dos ministérios.
[LG 12] – Além disso, este mesmo Espírito Santo não só santifica e conduz o Povo de Deus por meio dos sacramentos e ministérios e o adorna com virtudes, mas “distribuindo a cada um os seus dons como lhe apraz” (1 Cor 12,11), distribui também graças especiais entre os fiéis de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja, segundo aquelas palavras: “a cada qual se concede a manifestação do Espírito em ordem ao bem comum” (1Cor 12,7). Estes carismas, quer sejam os mais elevados, quer também os mais simples e comuns, devem ser recebidos com ação de graças e consolação, por serem muito acomodados e úteis às necessidades da Igreja.
[Unitatis Redintegratio 2] – O Espírito Santo habita nos crentes, enche e rege toda a Igreja, realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente em Cristo, que é princípio da unidade da Igreja. Ele faz a distribuição das graças e dos ofícios, enriquecendo a Igreja de Jesus Cristo com múltiplos dons, “a fim de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, na edificação do corpo de Cristo” (Ef 4,12).
[AA 3] – O Espírito Santo - que opera a santificação do Povo de Deus por meio do ministério e dos sacramentos - concede também aos fiéis, para exercerem este apostolado, dons particulares (1Cor 12, 7), “distribuindo-os por cada um conforme lhe apraz” (1Cor 12, 11), a fim de que “cada um ponha ao serviço dos outros a graça que recebeu» e todos atuem, «como bons administradores da multiforme graça de Deus” (1Ped 4, 10), para a edificação, no amor, do corpo todo (Ef 4, 1). A recepção destes carismas, mesmo dos mais simples, confere a cada um dos fiéis o direito e o dever de atuá-los na Igreja e no mundo, para bem dos homens e edificação da Igreja, na liberdade do Espírito Santo, que: (sopra onde quer” (Jo 3, 8) e, simultaneamente, em comunhão com os outros irmãos em Cristo, sobretudo com os próprios pastores; a estes compete julgar da sua autenticidade e exercício ordenado, não de modo a apagarem o Espírito, mas para que tudo apreciem e retenham o que é bom (1Tes 5, 12.19.21).
[GS 38] – Os dons do Espírito são diversos: enquanto chama alguns a darem claro testemunho do desejo da pátria celeste e a conservarem-no vivo no seio da família humana, chama outros a dedicarem-se ao serviço terreno dos homens, preparando com esta sua actividade como que a matéria do reino dos céus. Liberta, porém, a todos, para que, deixando o amor próprio e empregando em favor da vida humana todas as energias terrenas, se lancem para o futuro, em que a humanidade se tornará oblação agradável a Deus. No decurso da história da Igreja, os fundadores e fundadoras de ordens, de comunidades religiosas e de sociedades de vida apostólica, foram vistos como pessoas carismáticas e carismáticas foram consideradas também suas fundações.
O Vaticano II refletiu bastante sobre o lugar e o sentido da vida consagrada na Igreja e dedicou-lhe um capítulo da Lumem Gentium (Constituição sobre a Igreja) e emanou um decreto sobre a atualização da vida consagrada. Viu que a vida consagrada tem um lugar e uma significação eclesial indiscutível e, para que a presença e a atuação dos consagrados na Igreja fossem postas na devida luz, o Concílio Vaticano II exigiu que todas as comunidades religiosas na Igreja procurassem retornar às fontes originais do seu ser, da sua missão e se adaptassem também às novas situações do tempo. Pediu para que cada comunidade descobrisse o carisma do fundador e o carisma da fundação. (Perfectae Caritatis, 2)
A reflexão sobre a vida consagrada continuou após o Concílio e culminou na exortação apostólica Vita Consecrata de João Paulo II, março de 1996. Nesta reflexão e na literatura pós-conciliar sobre a vida religiosa, fala-se do carisma do fundador e do carisma da sua fundação.
4.2 Na vida consagrada

[Cumprir juntos a VONTADE DO PAI] – Vita Consecrata, 92.

A vida comunitária das pessoas consagradas é o lugar privilegiado para discernir e acolher a vontade de Deus e caminhar juntos em união de mente e coração. A obediência, vivificada pela caridade, faz com que os membros de um Instituto busquem viver o mesmo testemunho e a mesma missão, no respeito da individualidade de cada um. Nesta fraternidade, estabelece-se um diálogo entre os irmãos para descobrir a vontade do Pai e se reconhece no superior a expressão da paternidade divina.
A autoridade e a obediência são um sinal daquela única paternidade que vem de Deus e da liberdade interior de que confia em Deus, apesar dos limites humanos daqueles que O representam.
Quem obedece tem a garantia de estar seguindo o Senhor e não estará caminhando ao sabor dos desejos pessoais ou das próprias aspirações. Pode se considerar guiado pelo Espírito do Senhor.

3.2.1 Dimensões carismáticas

O termo carisma na vida consagrada começou a ser mencionado pelo magistério antes mesmo do Concílio, o qual já havia colocado algumas premissas para se chegar a uma nova mentalidade que se tornasse mais equilibrada a percepção de tais dons na Igreja e na sua reflexão teológica. Alguns Papas pré-conciliares, de maneira diversa, fizeram algum tipo de referência à questão carimática, mesmo que de maneira genérica.

3.2.2 O carisma do fundador

O carisma do fundador é o dom especial que o Espírito Santo concede a alguém para que seja capaz não só de perceber uma especial necessidade da Igreja, mas tenha também a capacidade de dar-lhe uma resposta especial através da sua fundação. Para dar uma resposta às necessidades específicas da Igreja, o Espírito Santo enriquece com seus dons cristãos que se tornam capazes de fazer nascer na Igreja novas comunidades e novos movimentos. O carisma do fundador é, pois, dom do Espírito dado ao fundador, graças ao qual ele se torna capaz de fundar uma nova comunidade na Igreja, a fim de responder a uma necessidade específica da Igreja. Portanto, iluminados e fortalecidos pelo Espírito Santo, os fundadores com suas fundações querem ir ao encontro de especiais necessidades da Igreja e dar-lhes uma resposta de acordo com o Evangelho.

3.2.3 O carisma da fundação

O carisma da fundação é dom que o Espírito Santo dá, através do fundador, aos seus discípulos e companheiros. Graças a esse dom dado ao fundador e através dele aos seus discípulos e companheiros nasce e se desenvolve, na Igreja, uma nova comunidade com sua fisionomia original. É o carisma do instituto.
No início de cada instituto está o fundador que se dá conta de uma necessidade da Igreja local, mas que tem projeção para a Igreja universal. Todos os institutos nascem para a Igreja e também estão a serviço da Igreja na linha da oração e da contemplação, na linha da atividade apostólica: evangelização, catequese, renovação espiritual, serviço da caridade, cuidado com os enfermos, idosos, moribundos, órfãos, presos etc.

Conclusão

A graça de Deus, desde todo o sempre, foi abundantemente derramada sobre nós. Cada fiel batizado recebeu de Deus dons especiais para serem colocados à disposição da comunidade. Uns receberam cinco talentos, outros dois, e muitos apenas um. Mas o Evangelho nos ensina que não importa a quantidade dos dons recebidos. Cada um deve se alegrar por tudo aquilo que, sem nenhum esforço, recebeu de Deus. “Recebestes de graça, de graça dai” (Mt 10,8).
A Igreja tem como missão fazer crescer os dons recebidos de Deus. Por isso, ela deve sempre buscar em Deus a motivação para anunciar o Evangelho. É olhando para Cristo, o enviado do Pai, que ela vai entender a sua missão.
Portanto, cada membro da Igreja deve descobrir e aceitar os dons como vindos de Deus. Em se tratando de uma comunidade religiosa, a missão é ainda maior, pois participa de um carisma que visa conduzir as pessoas para mais perto de Deus.
O carisma deve ser encarado como um dom a ser vivido em comunidade. Ele não é um dom para ser vivido privadamente, mas serve para a edificação do povo de Deus. Com o carisma recebido, os filhos da Igreja compartilham com todos os batizados as graças dele decorrentes. Ele nao conhece fronteiras e nem limites.
Para que o carisma possa ser compreendido na sua mais ampla dimensão, deve ter sempre Cristo como referência. Jesus Cristo, dom de Deus oferto à Igreja, para proporcionar vida plena a todos. Ele testemunhou o amor de Deus não só por obras e pela palavra, mas principlamente pelo testemunho da cruz. Morreu despojado de tudo: das vestes, dos amigos, da própria privacidade. Com ele não ficou sequer uma gota de sangue em seu corpo. Esvaziou-se completamente.
Não reteve nada para si. Até mesmo seu coração foi aberto pela lança, para que a humanidade coubece nele.
Que o Deus da vida nos abençõe e nos dê a graça da fidelidade pelos dons recebidos. Da mesma forma como ele foi fiel e obediente ao Pai até o fim; que assim o sejamos na vivência do carisma do qual participamos.
Dizionario di pastorale vocazionale. Editrice Rogate, Roma 2002, p. 154-168. Tradução: Pe. Valdeci de Almeida.